Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Do Chico Buarque aos smartphones.

Do Chico Buarque aos smartphones. 

Hoje eu acordei muito "Roda Viva" by Chico Buarque e quase a Cássia Eller que brincou que ele seria seu verdadeiro pai. Longe de mim tal ambição, não admiro o incesto. Mas...:

"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu..."

O mundo está mudado, as pessoas estão cada vez mais centradas em seus mundinhos, seus problemas, como se a dor do outro, o sofrimento do miserável do pobre e do sofredor não lhes interessasse.
É a geração smartphone, "meu celular minha vida". Internet minha fuga, e quem me cerca? Dane-se! "Eu sou eu e só os meus problemas são grandes e preciso estar conectado o tempo todo". Acho deselegante, desrespeitoso e feio estar na companhia alheia e não largar o telefone celular: a criatura está acompanhada por seres humanos que, teoricamente, ela escolheu para estar próxima, no entanto, "lá", "atrás da tela" existem assuntos, pessoas, notícias ou o que for que lhe interessam mais. 
Sugestão 1: se isole! Sugestão 2: Faça um curso de etiqueta. Seguidamente, aliás eu brinco de espelho com os conhecidos que tenho: fulano pegou o celular, espero um pouco e faço o mesmo, para ver se a pessoa se toca da própria ausência de fineza, já que fazer cara de frustrada não ajudou. 
Mas, as pessoas nunca se flagram! Estamos vivendo tempos difíceis, em que é fácil dizer "saudade" no WhatsApp e ignorar a presença alheia, é fácil ser legal na mesa de bar, de cara cheia, difícil é adentrar em assuntos profundos, agradáveis que vão além do senso comum superficial com alguém que tem "tudo" pra ser burro, mas não é. 
Fácil é "gostar" da boca pra fora, da trepada, da aparência, difícil mesmo é saber cuidar, respeitar e demonstrar o apreço em atitudes. Tantas pessoas neste vasto mundo, se desumanizando aos poucos, mas se sentindo tão "nobres", tão superiores, tão acima de qualquer desequilibro!
Pessoas vivendo sem coragem, sem maturidade, complicando o simples, se escondendo atrás de uma pseudo empatia covarde, de uma bondade arrogante, que às vezes eu penso que tais pessoas só respiram, porque viver mesmo elas não sabem e os smartphones colaboram para sua plena imbecilização: não se vivenciam momentos, se digita! E a presença alheia que se dane, porque o que importa está ali, atrás da telinha do celular. Oh, que mundinho de gente infeliz!
Cláudia de Marchi
Brasília/DF, 22 de novembro de 2016.

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