Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Insensibilidade seletiva


Insensibilidade seletiva

Pratique o desapego e a seletividade! Queira unicamente o bem, se direcione de coração aberto apenas para quem lhe quer bem. Aprenda a desenvolver a insensibilidade seletiva: não deixe qualquer pessoa lhe fazer criar boas emoções, não entregue seu coração e sua bondade para qualquer cidadão que use palavras doces.
Aprenda a não se deixar tocar por tudo o que brilha, por tudo o que parece ser atraente. Nunca esqueça que bijuterias também brilham, e que aparência bonita se desfaz com o passar do tempo.
Espere, analise os atos, eles não mentem. Deixe o tempo passar, em todos os aspectos a pressa e a ausência de seletividade é inimiga da felicidade e do êxito. Valorize-se muito e, portanto, exija bastante.
Você não é qualquer pessoa, você pode ser humano, você pode beijar sem selecionar, mas não se apaixonar sem conhecer bem com quem esta se envolvendo, pense mil vezes antes de dar a sua alma a alguém, antes de permitir que alguém se torne importante em sua vida.
Deixar alguém tornar-se importante para você implica em muita responsabilidade, em muito sentimento e, com sentimentos, não se brinca. Observe se o que você sente é recíproco, selecione, e apenas depois escolha. Ninguém morre sozinho, ninguém morre se sofrer por amor, mas sofrer, eu lhe digo, nunca convém, não se você tem outras opções na vida. Valorize-a!
Passo Fundo, 27 de junho de 2012.

Cláudia de Marchi

A independência emocional das minhas "mães"


A independência emocional das minhas "mães".

Certa vez a psicóloga que frequentei durante alguns meses me disse que as mulheres da família da minha mãe são demasiado independentes da presença de companhia. Elas não têm necessidade de carinho, de beijos, de nada relativo ao sexo oposto. Elas fazem artesanato, sublimam na arte o que os demais procuram nas pessoas.
Na época, como eu namorava, aliás, nunca havia ficado mais do que 6 meses solteira e tinha uns 24 anos, logo, eu pensei que eu não teria "puxado" a capacidade da minha mãe e de minhas tias de viverem sozinhas.
Todavia, dois anos após o meu divórcio eu cheguei à conclusão que a criação da gente influência demasiadamente as nossas escolhas, mas, com um adendo: eu ainda acredito no amor. Não perdi a fé nos homens como minhas "mães" perderam, apesar de me sentir bem sozinha, como elas, eu tenho a escrita, livros e um gato persa.
Todavia, eu acredito que existem pessoas que "combinam" com você, existem pessoas que irão lhe fazer feliz no diálogo e na cama, pessoas que você irá admirar, pessoas que, ao menos do seu ponto de vista, serão excelentes e encantadoras.
Acontece que o tempo passa e você se torna exigente demais, por mais que você acredite no amor, então, de repente, me encontro no meio do "costume" com a solidão e da espera por aquilo que dificilmente se encontra. Sou as minhas boas crenças românticas e um pouco do realismo das mulheres da minha família materna.
Eu preciso encontrar algo que mexa com a minha estrutura interior, que me dê vontade da presença, do afeto, das palavras, do carinho, algo que me faça, além de apaixonar, amar por todos ou motivos (ou falta deles) pelos quais a gente ama alguém. Mas, e dai se nunca aparecer? Eu tenho a alegria das minhas tias e da minha mãe como exemplo. Amor frustrado e solidão não matam ninguém, dependência emocional sim.

Passo Fundo, 27 de junho de 2012.

Cláudia de Marchi

Nada

Nada

Eu queria que algumas menções fossem abolidas da linguagem das pessoas e que outras, por sua vez, fossem restabelecidas. Eu quero ouvir mais "gostar", "admirar", "querer", "buscar", "lutar", "amar" e menos "pegar", "ficar", "transar", "comer" (em aspecto que não seja o exclusivamente gastronômico).
Você pode ficar com quem quiser, você dá aos outros o valor que deseja, quiçá o valor que você dá a si mesmo, mas não precisa fazer de conta que você age certo, que suas ações são bonitas e admiráveis. Sexo não precisa ser vulgar, amasso não precisa ser nada além de carinho.
Aliás, essa palavra eu gostaria de ouvir mais da boca das pessoas! "Eu sinto carinho por ele", essa coisa de atração e de tesão já esta ficando enjoada, senso comum, vulgar demais. Algo enfadonhamente vazio, coisinha reles.
Não é preciso ser santo, não é preciso ser monástico, basta, apenas, buscar algo mais valoroso do que aquilo que acontece numa noite e é esquecido em minutos, basta, talvez de coração, querer algo que se mantenha, sem se acostumar com aquilo que hoje é e amanha "já" era.
As pessoas se acostumaram com o que não tem fim, porque não tem começo, com o que não tem compromisso, mas também não tem amor. Existe um bando de pessoas sozinhas e infelizes querendo usar as outras e se dando ao uso.
Não há busca por carinho, não há busca por afeição, afinidades e continuidade, é algo fútil, algo tão frio que faz inveja ao inverno do pólo norte. Claro que você pode se divertir durante uma fase sem querer nada além de “nada” de ninguém, mas eu duvido que não chegue o dia em que você vai desejar amor e vai dar de cara com o que cultivou: nada.

Passo Fundo, 27 de junho de 2012.

Cláudia de Marchi

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O melhor a fazer


O melhor a fazer

Sabe aquele momento em que você tem vontade de pegar o telefone e encher certa pessoa de "coisa"? De jogar todas as verdades possíveis na cara dela e mandar-lhe parar de falar asneiras inverídicas que caem em seus ouvidos?
Sabe aquele momento que, diante da incompetência e imbecilidade alheia, você se indigna e sente vontade de falar tudo que você pensa? Cale a boca! Respire, suspire, respire novamente e fale apenas quando a raiva tiver deixado você de lado.
Então você vai ver que pegar o telefone e ligar para gente estúpida é se rebaixar ao nível delas e, principalmente, falar verdades para idiotas é idiotice: o que é verdadeiro para ti, não é verdadeiro para um cérebro tosco, então poupe saliva, poupe palavras, poupe a sua beleza e sorria!
É uma tática inteligente saber silenciar quando suas palavras não vão mudar coisa alguma. Se afaste do que é ruim, fuja de problemas e de gente problemática, viver é a arte de saber deixar o ruim de lado e aproveitar o que é bom.
Nem todos os atos merecem represálias, nem todas as pessoas merecem ouvir a verdade sobre seus sentimentos, nem todos precisam saber o que você pensa. Pessoas estúpidas acreditam em estupidez, pessoas burras sempre acham que sabem a verdade, que sabem mais do que você.
Então erguer o tom de voz e perder a classe, por quê? Para mostrar que você perdeu o equilíbrio? Nunca tome decisões nem fale nada quando você esta irado, a ira lhe tira o equilíbrio e sem equilíbrio você é um carro sem freios: machuca e mata quem não merece, quem nem sabe por que esta sendo ferido.
Primeiro recupere a sanidade, primeiro se acalme, só então tome qualquer espécie de decisão, só então abra a boca e fale o que você acha se é que, ainda calmo, você achará que vale a pena falar alguma coisa. Seguidamente você verá que não, calar-se, quase sempre é o melhor a fazer.

Passo Fundo, 25 de junho de 2012.

Cláudia de Marchi

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Culpa


Culpa

Apenas pessoas demasiado frias conseguem esquecer-se de seus erros e seguir a vida tranquilamente, como antes de cometê-los. Quem tem consciência de seus atos amarga arrependimento pelo que faz de errado e ele as acompanha por muito tempo, quando não por toda a sua vida.
Todo homem erra, mas nem todos são capazes de se arrepender, nem têm consciência, ou melhor, nem todos conseguem sentir dor na consciência. Alguns usam o “vitimismo” como analgésico. Conseguem convencerem-se de que não agiram, mas reagiram a atos errados, acreditam que foram vitimas e não algozes e, assim, conseguem levar uma vida “normal”.
Eu faço parte daquelas pessoas que tem insônia, dor de estomago e angústia de vez em quando. Sou tudo, menos psicopata e, por meus pequenos erros, sinto arrependimento. Gostaria de ter agido ontem, com a maturidade e força que tenho hoje.
Mas não, fui imatura, egoísta e mimada muitas vezes. Não me orgulho de muitas decisões que tomei quando eu achava que a razão estava comigo. Aliás, nada nesta vida é mais tênue do que a linha que separa a tal da “razão” do equivoco.
Basta um ato, uma palavra, uma singela atitude para se perder a razão e incorrer num grave erro. Por crer que a razão me acompanhava já errei muito, por pensar em mim e subestimar o sofrimento alheio eu magoei quem não merecia.
Hoje eu sofro, hoje eu me arrependo dos meus erros mais tolos, das minhas palavras estúpidas e, principalmente, do orgulho que se escondia nelas, da crença idiota na tal da razão.
Todavia, eu lamento o fato de ser uma das raras pessoas no mundo capaz de se arrepender. A sanidade perdida temporariamente causa arrependimento em uns, mas outros fazem questão de esquecer-se do que fizeram quando insanos. Pessoas incapazes de analisar a sua culpa não aprendem, não melhoram, não evoluem, elas conservam por tempo indeterminado a vã crença de que a razão lhes protege. São tolas, além de egoístas e incapazes de sentir empatia.


Passo Fundo, 22 de junho de 2012.

Cláudia de Marchi

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Opções


Opções

Você tem duas opções claras na sua vida afetiva: valorizar as pessoas em geral ou dar valor apenas àquelas que lhe retribuem a mesma valorização. Um caminho lhe direciona para a frustração, o outro para a alegria.
Claro, você pode incluir um caminho alternativo: não valorizar ninguém. Tal caminho é mais inteligente do que valorizar a todos, todavia é cruel se você não se certificar sobre o que o outro sente, ou seja, se o outro não sente "nada", tudo bem, se sente "algo" você estará sendo egoísta e maldoso.
A conclusão é apenas uma: ser racional, sempre compensa. Se a paixão devesse dominar o homem crime passional não seria “ilícito”, mas é. Se apaixonar é bom, mas pensar antes de escolher em quem investir suas "fichas amorosas" é necessário ou você se lasca.
Se você sentir que esta gostando de quem não sente o mesmo por você, se você sente vontade de procurar quem não lhe procura, pare, pense, reflita e, de preferência, se afaste.
Existem “coisas” lógicas na vida, uma delas é a de que quem gosta, procura, quem gosta, demonstra, quem gosta não tem medo de agir, ou melhor, supera o medo em prol de algo que lhe fará mais feliz, pelo tempo que seja (afinal, já disse o poeta “que seja eterno enquanto dure”).
Não coloque seu coração nas mãos de suas próprias ilusões, não acredite no que convém a ele acreditar, porque, de regra, o coração prefere se enganar e fugir da verdade, porque esta o machuca. A ilusão sobre a verdade é sempre mais aprazível.
Não arranje desculpas para o imperdoável, não use a sua indulgencia por motivos tolos, por fatos que não deveriam acontecer se o seu prezar, amor e respeito fossem recíprocos. Não procure justificativas para o injustificável, mais vale se frustrar com a realidade, do que se alegrar com a ilusão e sofrer o dobro mais tarde.
Quando você sente algo forte por alguém que não demonstra que sente o mesmo por você o negócio é beber algo forte ou cair com força em cima de uma barra de chocolate, o negócio é chorar abraçado com força num travesseiro. Não resolve, mas é melhor do que falar o que não deve, para quem não merece ouvir.
Quando você perceber que esta se encantando pela pessoa errada, faça como um gordinho de dieta: se afaste das tentações, das guloseimas, do que lhe engorda, ou, no caso, não lhe faz bem, porque não é recíproco. O que não é visto, tende a não ser lembrado, aquilo que não esta em contato com você, tende a ser esquecido.
Você tem caminhos alternativos para seguir, você pode fazer outras escolhas, seguir outra estrada. A racionalidade sempre vai lhe apontar idéias, sempre vai ser uma boa conselheira, depende de você segui - lá ou não. Na verdade a decisão sempre será sua. A vida e a dor também.

Passo Fundo, 21 de junho de 2012.

Cláudia de Marchi