Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Não compreendo!


Não compreendo!

Eu não aceito, sem sentir certo descontentamento interior, aquilo que não consigo compreender. Não sou criança, eu sei muito bem que não é porque eu desgoste de algumas coisas ou despreze certos atos que eles não ocorram no mundo, mas não é por isso que meus princípios sejam menos aviltados pelo que eu sei acerca do homem e seus atos.
Existem, portanto coisas que eu queria desconhecer, que eu não gostaria de tomar conhecimento. Não aceito falsidade, infidelidade, “interesseirismo” e desonestidade, não compreendo a deslealdade, nem o comodismo de certas pessoas em manter relacionamentos que não lhes faz felizes. Não entendo aqueles que vivem de aparências, que fingem que são felizes, mas são frustrados: algo neles me dá asco.
Não consigo achar normal justificar traições, justificar a vontade de ficar com outra pessoa pelo fato do relacionamento estar ruim, morto ou falido. Se esta ruim, porque, por amor a si mesmo, não romper? Não encarar a liberdade, não pensar sobre a vida e, então, esperar um novo amor, mas sozinho?
Na verdade o amor e, conseqüentemente, uma relação amorosa deve agregar alegria, cumplicidade e sabedoria em nossas vidas. Eu não aceito a omissão das pessoas que se conformam com a própria infelicidade, que ficam, por anos, inertes diante de um relacionamento que não lhes entusiasma, que não lhes completa mais, que não lhes alegra ou faz feliz.
Eu sei que vivo no meu mundo e queria que todos fossem transparentes e objetivos como eu sou, lamento demais ver os absurdos que vejo, ouvir besteiras e mentiras hediondas e, com isso, me decepcionar com os seres humanos e sua vergonhosa covardia e fraqueza diante do que pede atitude e coragem.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 07 de julho de 2012.

Antes só!


Antes só!

Eu defini algumas coisas na minha vida: para mim não existe a história do "solteira sim, sozinha nunca", muito menos aquela outra asneira homérica do "divertir-se com o errado" até encontrar o certo.
Gente errada não diverte, gente errada é usada e lhe usa, gente errada não lhe faz feliz, só lhe distrai. Você pode se distrair lendo um livro, vendo um filme, ouvindo música, não é preciso beijar ou transar com quem não lhe ama para sentir-se bem.
Solteira, sozinha e sem distrações- essa sou eu e, quer saber? Está muito bom assim, quando for para existir algo que me extasie e me entusiasme, vai acontecer, todavia perder tempo com o que não significa coisa alguma eu me recuso!
Eu não estou feliz na minha vida amorosa, mas também não estou triste. Eu não sinto nada. Antes não sentir nada do que se envolver com quem quer usurpar você, do que se apaixonar por quem não lhe dá o devido valor, do que manter uma relação de aparências, sem amor, sem profundidade, rasa como a futilidade humana. Recuso-me a isto também!
Antes nada ao sofrimento desnecessário, antes a solidão a companhia que nada acrescenta, que não completa, que não inspira, que não dá amor, atenção, nem desperta tesão. Não importa o que disse o Erasmo Carlos, a avó dele ou a minha: antes só do que mal acompanhada. Sempre!

Passo Fundo, 06 de julho de 2012.

Cláudia de Marchi

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Separação e "novo amor"


Separação e “novo amor”

Divorciar-se para enfrentar uma vida sozinha é um ato nobre e demasiado corajoso. Se conselhos pudessem ser dados eu diria: pense mil vezes antes de se separar, o que lhe irrita agora, poderá lhe fazer falta depois. Seja racional e nunca tome decisões quando estiver revoltado, a frieza é a mãe das boas decisões.
A separação tem fases e ela começa com a da revolta. Você se convence de que tudo que o outro fazia era chato e irritante, você quer uma vida diferente e espera que possa dar uma guinada na sua existência.
Você vai errar, cometer grandes mancadas até perceber que a vida não mudou tanto e que o outro não era “tão ruim assim”. Chega, pois, a fase da melancolia, na qual você vai se recordar dos bons momentos, vai superestimá-los e, por um tempo, esquecerá o mal que o outro lhe fez, afinal, se não tivesse lhe feito você não teria resolvido deixá-lo!
Na fase da saudade, você vai sofrer, vai até sentir ciúmes daquela pessoa que você mesmo rejeitou. Depois você volta a sentir raiva, porque a revolta lhe protege. Você vai se sentir melhor vendo o outro como o algoz da história do que como aquele que “não era perfeito” (mas, afinal quem é?) e essa afirmação aliada à perguntinha entre parênteses irão lhe torturar por um bom tempo.
Você sempre sai de um casamento com seqüelas. Existem coisas que você não vai suportar numa outra pessoa, existem coisas que você vai procurar insanamente. O fim de um casamento lhe torna incrivelmente exigente. Você já amou o suficiente para dividir a vida com alguém, mas não deu certo, então você perde alguns medos e ganha outros, afinal não existem ganhos, sem perdas.
Então, de uma forma ou outra, você percebe que é forte, que é muito forte e pode exigir bastante da vida, você descobre que solidão e frustração amorosa não são capazes de lhe matar. Doem, judiam, torturam, mas não matam. Você descobre que pode e deve lutar pelo que lhe faça plenamente feliz, sem manter o “mais ou menos”, pois é tolice se contentar com o razoável e ser infeliz.
O que uma pessoa que se separou pode dizer para quem pensa em divorciar-se? Pense, pense muito bem. Certifique-se que não resta mais nenhum amor, mais nenhuma admiração, mas, tenha certeza, que se você não encontrar um novo amor em breve, até os piores defeitos do outro vão lhe fazer suspirar com certa saudadezinha. Superável, se você for uma pessoa racional e decidida, claro.
Felizes são os que se separam e se apaixonam por outra pessoa. Eu não sou uma pessoa que possa afirmar, por experiência própria, que um novo amor cura a dor deixada pelo anterior, mas eu já vivi o suficiente para dizer, com toda a certeza, que sofre menos quem se separa e estabelece um romance em seguida. Eu não tive tal sorte, mas existem aqueles que a tem.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 05 de julho de 2012.

Saudades de mim


Saudades de mim

Eu sinto saudades de quem eu era, eu tenho saudades de acreditar cegamente nas palavras que eu ouvia. Hoje em dia eu não aceito palavras que contradizem atos e, portanto, sou menos feliz do que eu era quando ainda conseguia me iludir com as pessoas.
Existe uma dorzinha na minha alma para a qual analgésico nenhum serve. Eu me tornei uma mulher mais cética, porém não menos sensível e é isso que me dói.
Ser sensível, mas mais "esperta" é dolorido: você percebe o que não quer e sofre sem querer. A capacidade humana de acreditar no que ouve é um tanto alucinógena: você vai a um mundo que nem sabe se realmente existe, o que não é ruim.
Eu, no entanto, de tanto acreditar e ser desapontada perdi tal habilidade, não consigo me entorpecer dando credibilidade ao que ouço, consigo, apenas, dar um pouquinho de confiança e esperar que as atitudes se sobressaiam.
É dolorido não conseguir acreditar nas pessoas quando tudo o que se deseja é ter alguém em quem confiar, alguém que seja transparente, sincero e de valor a você. A gente se acostuma a não acreditar nos seres humanos, mas nunca sem sofrer, nunca sem angustia, nunca sem se sentir frustrado e um pouco infeliz.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 05 de julho de 2012.

Mais fortes


Mais fortes

Eu não sei aonde eu deixei as minhas crenças românticas, o fato é que a vida e o que eu ouço das pessoas, sobre o seu sofrimento, dores e frustrações, me tornou uma pessoa um tanto “socialmente fóbica”.
Eu tenho medo de gente, eu tenho medo de me entregar, eu tenho medo de acreditar e me decepcionar. Se eu já sofri muito? Claro, nenhuma pessoa desprovida de traumas sofre tamanho abalo psíquico!
A questão é que eu não vejo as pessoas agirem de acordo com o que elas dizem que sentem e pensam, a questão é que atos contradizem palavras, a questão é que a forma com que as pessoas vivem vai de encontro com o que elas afirmam que querem e que gostam.
Eu me sinto perdida olhando o mundo, e eu não gosto nenhum pouco desta sensação de não saber no que acreditar. De querer acreditar no melhor, mas dar de cara com uma realidade a ele avessa.
Eu não gosto muito de desconfiar, eu não gosto de não poder acreditar plenamente nas pessoas, mas, sobretudo, eu odeio estas contrariedades, eu odeio esta discrepância que existe entre o que sai da boca do homem e entre seus atos, entre o que ele sente e a forma com que age.
Todavia, se você não quiser enlouquecer ou ser mais uma pessoa que vive de forma antinômica, é preciso se posicionar na vida e a minha posição é a de crer apenas em atos.
Palavras podem ser bonitas e encantadoras, podem despertar, em minha alma, uma imensa vontade de dar-lhes credibilidade, mas as marcas que eu trago nela me dizem: pare, pense, espere e avalie as atitudes. É a vida! Somos o resultado do que vivemos, às vezes menos sãos, às vezes menos crentes, às vezes, inclusive, menos felizes, mas, quase sempre, mais fortes.

Passo Fundo, 05 de julho de 2012.

Cláudia de Marchi