Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Entendendo as diferenças.

Entendendo as diferenças.

Meu caro e belo jovem, não é porque seu amigo pensa diferente de você que ele esteja errado, não é porque seu pai tenha vivido da forma avessa ao seu ideal que ele seja “menos” que você, não é porque as pessoas não são como você deseja que elas sejam inferiores ou erradas.
Ser diferente, pensar diferente e agir diferente não implica em inferioridade, apenas, única e obviamente no óbvio: Há diferença! E bendita seja ela porque senão a vida seria mais do que enfadonha e entediante.
As pessoas são diferentes desde o nascimento, são educadas de forma diversa, possuem instintos diversos, e, principalmente, almas distintas. Nunca serão iguais, e por mais afinidades que tenham, serão sempre diferentes em pontos relevantes da personalidade e da forma de pensar.
Aceite as diferenças e o fato de que as pessoas não irão agir de forma a lhe agradar afinal de regra, todos se sentem agradados quando as circunstâncias lhe favorecem, o que só ocorre com a concordância. Então, aceite as diferenças sem fazer delas motivo de discórdia ou vaidade.
Boa parte das pessoas usa a diferença para se vangloriar. Acreditam que suas idéias, diversas da alheia, são delas superiores, criam com isso uma espécie de solidão que vem a ser remediada pela auto-ilusão proveniente do “eu sou justo e correto, tenho razão”.
Quando se trata de assuntos humanos, medos, traumas, forma de pensar, de ser e de ver o mundo não há ninguém certou ou errado, há, apenas, um ser diferente do outro desde o DNA até a alma.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 15 de outubro de 2010.

O tempo, o sofrimento, a fé e a mudança humana.

O tempo, o sofrimento, a fé e a mudança humana.

O tempo, o sofrimento e a fé fazem milagres. Quem não acredita na mudança humana não sabe nada da vida (confesso que já cheguei a duvidar disso, mas não por muito tempo, creio que eu nada sabia da vida e que hoje saiba pouca coisa mais que um pouco), e quem acha que a mudança alheia deve implicar em adequação a seu ideal de bondade tem a mente tão mesquinha quanto seu ponto de vista.

As pessoas mudam quando desejam, quando, por alguma razão sentem necessidade de revolucionar sua forma de agir, pensar e participar da vida, sua forma de ver o mundo e de se relacionar. Mudam quando sentem que elas mesmo estão plantando a sua infelicidade se mantendo inerte diante das oportunidades de mudança.

O sofrimento e a frustração com as próprias atitudes, aliadas ao decurso do tempo e a fé em algo superior operam o milagre da mudança profunda de comportamento. As pessoas mudam quando querem, não mudam por ninguém, não mudam pela vontade alheia, apenas pela sua.

O problema das pessoas e da falta de fé que possuem no outro é que a grande maioria tem plena convicção que seus conceitos são superiores e perfeitos, de forma que, por mais que o outro mude, elas nunca irão aferir a mudança porque esperam que o outro se torne o que elas desejam. O que nunca ocorre.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 15 de outubro de 2010.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A tergiversação dos mestres.

A tergiversação dos mestres.

O grande problema dos oradores que pretendem ensinar algo é a tergiversação. A platéia pode gostar de professores bem humorados, mas humor demais leva a dispersão, inclusive do mestre em relação ao tema que deve abordar e, enfim, ensinar.

Não importa quanto conhecimento tem uma pessoa se ela não consegue ou não sabe ser didática. As pessoas crescem, amadurecem, saem do aprendizado das letras do alfabeto para outros muito mais complexos, todavia o bom e velho didatismo é e sempre será a única e melhor forma de passar conhecimento, e neste quesito um professor de pré-escola pode ser muito melhor do que um doutor ou pós-doutor.

Falar o necessário, ter a dose de humor leve e imprimir descontração parca é fundamental. Exagerar no humor e na conversa “entre assuntos” relevantes é prescindível e pode tornar o palestrante enfadonho e irritante.

Se a intenção é ensinar não se pode perder o foco da matéria a ser ensinada. Não é preciso 4 horas de palestra quando se pode passar o conteúdo com boa explanação em uma. É preciso deixar de dar valor a longa duração das aulas e falas e sim a síntese inteligente de palavras e tempo, afinal ninguém quer ou pode desperdiçar o seu ouvindo o que não necessita.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 14 de outubro de 2010.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ciúme

Ciúme

O ciúme nada mais é do que a confissão do ciumento. Lamento, mas ciúme não é demonstração de amor, mas sim de posse e má-fé quanto mais estapafúrdio for.

A invenção psíquica que agita o ciumento quando não tem base em nenhum fato ocorrido é apenas a projeção de seu instinto, de sua malícia e não daquele que padece com tal sentimento.

Se seu parceiro tem medo de ser traído por motivos tolos, sinto informar, mas se cuide porque quem pode lhe trair da forma fácil e imbecil que afirma poder ser traído é ele.

O inocente não fantasia demais, o inocente de alma não pensa em trair, não pensa em ser traído, apenas confia porque merece confiança. O malicioso e pouco confiável teme a atitude alheia e projeta no agir alheio a sua capacidade de ação.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 06 de outubro de 2010.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ingratidão

Ingratidão

A ingratidão é o armagedom das atitudes. Quem não consegue avaliar corretamente a dedicação, as boas atitudes, os sentimentos e o agir alheio não vai adiante na vida.

A ingratidão fere mais do que tapa na cara, ela é quase uma facada na alma. A ingratidão desanima, desacorçoa, magoa mais do que traição. Ou tanto como ela, no mínimo. Ninguém fica com bom humor após ter seus atos menosprezados.

Não peça ajuda de ninguém se não quiser, não deixe ninguém lhe estender a mão se for para fazer de conta que tal ato não foi feito, para ignorar o bem que lhe fizeram com ou sem solicitação.

Você não precisa agradecer as atitudes de quem lhe estima, mas também não pode esquecê-las ou não dar-lhes valor algum. As pessoas são as atitudes que tomam, e não valorizar os atos honrosos é não dar valor a pessoa que age.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 04 de outubro de 2010.

sábado, 2 de outubro de 2010

A idade da sua face.

A idade da sua face.

De repente me deparei com uma enxurrada de bebês prestes a vir ao mundo e outros recém nascidos. As pessoas da minha idade estão fazendo filhos (enquanto eu me contento em pentear os pêlos de um gato persa e limpar sua caixa de areia as outras mulheres engravidam). O tempo passa e passa rápido, muito rápido.

De repente você acorda e vê que esta com quase 30 anos, não necessariamente porque você sinta isso, mas porque a vida de quase todos ao seu redor esta mudando (talvez mais do que a sua) e, quando você pára para pensar não é dó que você sente das suas conhecidas “adolescentes grávidas” e sim uma sensação de “ah, que bom”, por quê? Porque nenhuma conhecida grávida sua é adolescente, porque, como você, ela já tem quase 30 anos, embora a sua idade você tenha olvidado talvez porque o passar do tempo não tenha mexido tanto com seus desejos da casa dos 20 anos.

O tempo realmente passa rápido, todavia cheguei a conclusão que ele é o que nossa cara reflete no espelho (e, benzadeus existe a Lâncome!). A idade do homem feliz não é a que ele sente que possui, mas a que ele reflete no espelho. Se você ainda esta mais para 25 do que para 30, mais para 45 do que para 50 e mais para 40 do que 45 considere-se um vitorioso e sorria feliz. Idade não foi feita para ser contada e sua aparência não pode ser escondida.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 02 de outubro de 2010.

Se entregue

Se entregue.

A vida só tem graça quando a gente se desarma perante ela, quando deixamos de lado nossos medos, nossos traumas e todas as mazelas que nos fazem colocar um “mas” em nossas interjeições.

Não importa o que os outros viveram e o receio que você tem de sofrer, não importa o que você viveu e lhe fez chorar, você deve se entregar a felicidade quando ela lhe bate a porta e deixar de lado estes traumas antigos pena de estar você mesmo plantando sua infelicidade. De novo e quiçá para sempre.

A vida é boa e nada complicada, quem a complica é o homem. Sorria quando sentir vontade, ame intensamente quem lhe desperta este desejo, chore quando quiser se aliviar e beije com carinho e paixão quem merece seu afeto.

Esqueça o que sua mãe falou, esqueça os avisos de seu pai e de seu melhor amigo, quando o assunto é ser feliz ou você vive e se entrega ou a deixaela passar e, lamento informar, mas não vai ser nenhuma outra pessoa que vai se arrepender ou chorar por você então, meu caro, faça apenas o que você quiser e seja feliz.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 02 de outubro de 2010.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Cada um com sua crença.

Cada um com sua crença.

É fácil desacreditar das coisas. É fácil perder a fé no homem, perder a crença na bondade humana, difícil mesmo é ver bondade apesar da maldade, difícil é confiar nas pessoas. Quase impossível é confiar de novo.
Mas, e daí? Existem pessoas que conseguem, Existem pessoas que apesar de todos os pesares confiam na melhora, na mudança, na bondade e, sinceramente? Deixe-as crer nisso.
Nunca diga a uma criança que seus sonhos são impossíveis. Nunca diga a uma pessoa que tem fé na vida e na bondade humana que ela esta equivocada por mais certo que você esteja, existem coisas que à vida (e apenas à ela) competem mostrar, do contrário o cruel será você. Deixe as pessoas com alma de criança serem como são e acreditarem no que crêem.
Deixe a esperança perseverar, a fé prevalecer, as crenças no bem se manterem, deixe as pessoas acreditaram no que convém ao seu espírito, deixe que o tempo mostre o que você acha que elas não vêem, cale-se e viva a sua vida com suas descrenças, com sua desconfiança e também com sua esperança da qual, no fundo você também não deseja que ninguém tripudie.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 22 de setembro de 2010.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Cada um por si.

Cada um por si.

Lamento lhe dizer, mas o seu bem querer ou mesmo o seu “mais puro amor” não lhe faz dono daquilo que ama, então não queira fazer do agir alheio um exemplo do seu ideal por maior que seja a sua convicção de que são suas idéias e pensamentos os “corretos” a respeito da vida, inclusive da alheia.
Não pense que as pessoas se colocam onde elas não querem ou não conseguem suportar “estar”. Cada um sabe o que faz, porque faz e, principalmente, o que sente. Você pelo bem delas pode não querê-las “lá”, mas pela sua felicidade o individuo pode crer que “lá” é o “seu” lugar, até, claro, pelo seu livre arbitro mudar de idéia. Se lhe convier.
A sapiência e a razão às vezes precisam de exaustivas lutas para serem apreendidas, mas, quem lhe disse que um forte lutador chora de arrependimento pelas e nas batalhas em que quis entrar? Quem lhe disse que as mazelas do combate fazem infeliz quem optou por enfrentá-lo? Quem você pensa que é para achar desnecessário aquilo pelo qual o outro não apenas “precisa” passar, como quis passar?
Resigne-se caro ser humano: Zelar pela sua própria felicidade e bem estar é tarefa pessoal na qual nem mesmo você consegue lograr êxito sempre, mesmo fazendo por si mesmo, portanto ame, mas nunca creia querer tanto o “bem” de outrem a ponto de lhe fazer escravo de suas boas intenções e “sabedoria”.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 18 de setembro de 2010.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pelos outros? Pena, muita pena.

            Pelos outros? Pena, muita pena.
Hoje eu sei que eu tenho fé demais. Eu tenho muita fé na vida, na melhora do que não esta bom, na evolução das pessoas, das coisas, das atitudes, eu já dei tanto a minha cara a tapa em prol de minha fé nas pessoas que seguidamente me deparei estraçalhada sob o trem da maledicência, da desconfiança, da injúria, da amargura, da ingratidão.
            Mas não desisto, eu acredito em mim e meus bons sentimentos e esperança me fazem bem, me fazem dormir e acordar sorrindo, em paz, feliz. São eles que me sustentam e me mantêm fortes numa vida em que praticamente sempre doei mais amor, carinho e respeito do que recebi.
             Todavia, podem me ferir, podem inventar mentiras hediondas a meu respeito, podem desonrar meu nome, podem me ofender, podem apunhalar meu coração e alma com atitudes tresloucadas ou impensadas, eu não tenho mais raiva, eu aprendi a ter pena.
Eu tenho dó de quem não consegue passar as palavras que diz pela peneira da razão nem jogá-las sobre elas o açúcar do amor e do carinho, mas, sinceramente? Não me importo, eu sei que dou mel, eu sei que dou o meu melhor. Pelos outros, coitados (!), eu oro, pelos outros eu continuarei tendo pena, muita pena.
Cláudia de Marchi
Marau, 14 de setembro de 2010.