Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Uruguaiana.




Uruguaiana.

Eis que eu morei na fronteira do Brasil com a Argentina por sete anos! Sai da “capital do planalto médio” para Uruguaiana. Estranhei a cultura, estranhei tudo! Mas fiz amigas inesquecíveis, conheci pessoas especiais, tive as minhas professoras mais marcantes, cheirosas e queridas.
Quando eu já estava ambientada com a cidade, minha mãe quis voltar para Passo Fundo. Terminei o segundo grau na minha terra, entrei para a Faculdade e não foram poucos os momentos em que senti saudade de Uruguaiana, Passo de Los Libres, Buenos Aires, Mendoza e todas as cidades que eu fui com meus pais.
A vida era boa, a vida era fácil, eu tinha tudo o que eu queria, inclusive um pai presente. Às vezes eu sinto falta daquela vida, daquela cidade, daquele povo! A minha saudade de Uruguaiana é a maior demonstração de que um local nos encanta pelas pessoas que a gente conhece e pela estabilidade financeira que a gente conquista. Ser solitário e pobre em Paris deve ser terrível.
Portanto, valorize o momento, valorize onde você está, porque, eu garanto, vai chegar um dia em que você vai sentir alguma falta. Nada nesta vida não nos “apresenta” um lado bom, algo marcante.
Viva, pois, no presente, porque o futuro, meu caro, esse tal de futuro é a maior causa de infelicidade humana! Deixamos para “ele” o que podemos viver hoje e acabamos nos frustrando. O segredo da felicidade é viver o presente. Eu teria tido melhores e maiores recordações se, em Uruguaiana, não passasse dias e horas reclamando de saudade de Passo Fundo. A vida ensina, aprende quem quer.

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 04 de setembro de 2014.

Tempo e lembranças.



 Tempo e lembranças.

O tempo é a resposta para tudo e a cura para nossos males. Mas ele não causa amnésia, a menos que você sofra um trauma cerebral em virtude de um acidente, por exemplo. Mas isso, com certeza, não é legal.
Fato é que o tempo ameniza as coisas, na medida em que ele passa o fogo vai virando fumaça, mas nem por isso você vai esquecer como as chamas eram antes de se apagarem.
Então, compreenda algo, tudo se ameniza com o tal de “um dia após o outro”, mas nem por isso as marcas passam. Sentimentos e vivências intensas e fortes são como cicatrizes, elas ficam, em que pese a machucadura feche. Se você olhar bem a sua pele, as cicatrizes estarão lá. E disso, meu amigo, você não foge.
É por isso que algumas pessoas tomam ansiolítico, outras bebem, outras vivem naquela correria desatinada para fugir delas mesmas e das suas lembranças. Mas pileque passa, efeito de remédio também e sempre existirão as horas em que você terá que colocar a cabeça no travesseiro e é nessa hora que você percebe que não tem amnésia.
E esse seu estado de saúde neurológica às vezes se torna torturante. Você não foge de lembranças, assim como não foge de saudade. Você não foge do que sente e nem do que já sentiu. As lembranças sempre irão lhe acompanhar, eu desejo, então que elas sejam boas. Desejo que você sorria quando se recordar de algo ou de alguém, afinal, se for para ter recordações e não amnésia, que elas sejam boas. Que sejam doces!

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 04 de setembro de 2014.

Equilíbrio.

Equilíbrio.

Eu sou uma pessoa relativamente ambiciosa. Sou bem contente com quem sou e possuo, mas não perco os anseios futuros. Todavia, eu ambiciono mesmo é ter dias equilibrados. Não gosto dessa coisa de mudar de rotina, de mudar de sentimentos e inspiração.
Não curto, ao menos, ir de um extremo ao outro. Tipo estar contente com alguém num dia e frustrada no outro. Acho que ninguém merece tal experiência. A gente merece equilíbrio, a gente merece dormir e acordar com os mesmos sentimentos pela vida e por quem conhecemos.
Nada pode ser mais incrivelmente chato do que a frustração. Ela nos desequilibra, nos revolta. Algo tipo: “Ora, mas “por que”? Porque ser isso e depois virar “aquilo”. Não curto incoerências, não curto situações disparatadas, não curto situações que não “fecham”.
Gosto do que segue uma lógica, gosto da coerência entre palavras e atos, entre o que se faz e diz hoje e o que se fará e dirá amanha. Dispenso situações bipolares, dispenso situações variáveis e dispenso sentimentos e sensações variáveis. Se mudanças grandes de sentimentos e humor não fossem perniciosas a bipolaridade não seria um distúrbio mental. Equilíbrio, é dele que precisamos.
Todo mundo merece uma vida intensa, mas que ela seja construída numa sequência de dias equilibrados, alegres, animados, cheios de entusiasmo. Ninguém merece ver o passarinho verde num dia e um corvo no outro. Ninguém merece ilusão. Ninguém merece desequilíbrio. Ninguém.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 03 de setembro de 2014.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Só as mães.

Só as mães.

Eu fui criada em meio a adultos. Não à toa nunca me relacionei com homens da minha faixa etária, quando eu era nova e estava na faculdade. Aqueles papinhos de carro, pai rico, festinha e taradices não me apeteciam. Pois é, fui criada ouvindo rock dos anos 80, dentre os quais, o Barão Vermelho e o Cazuza.
Este, uma figura ímpar, complicada, desregrada, mas, verdade seja dita, inteligente e sensível. Sabem o que ele quis dizer com “só as mães são felizes”? Os filhos, equivocados, creem que a mãe nunca se deprime, a mãe nunca tem vontade de encher a cara ou cortar os pulsos, a mãe não tem como ser triste, as mães estão um passo adiante no quesito tranquilidade e paz de espirito.
Quem não “santifica” a mãe? A maioria, certo?! Então, foi isso que o poeta maluquinho quis dizer. Eu desconheço tudo a respeito da maternidade, mas eu sei que as coisas não são perfeitas. Nada é perfeito.
Todavia, a apologia à maternidade, me parece uma hipocrisia sem tamanho. Já escrevi sobre isso, mas o faço novamente: filhos são bênçãos, mas ninguém é obrigado a querê-los como se fossem a bolsa da moda.  Apologia ao trabalho, à independência financeira, à independência emocional, poucos fazem. Mas dizer que a maternidade é necessária, é comum.
Outro dia me falaram que a gente só trabalha pelos filhos que tem. Ah, sério? Dá muito bem para usar o cartão de crédito, fazer contas e adotar um gato. Se for só por isso que a gente se mata trabalhando, está resolvido. Bolsas, sapatos, roupas, viagens, carros, tudo isso custa caro! Invista neles e pague!
 Então você deve estar pensando que eu não gosto de crianças e nem tenho sensibilidade, certo? Acontece que eu adoro e sim, sou muito sensível. Justamente por isso acho a pílula anticoncepcional a melhor invenção do mundo! Filhos precisam de amor, de uma família estabilizada, de um pai que seja admirado pela mãe e vice e versa, filhos precisam de um lar harmônico, onde o pai goste de voltar para casa, onde a mãe faça questão de estar.
Filhos carecem de pais felizes! Então, se eu nunca encontrei o pai que eu gostaria de dar aos meus filhos, nem, tampouco, tive uma relação maravilhosa, por que ter filho? Para evitar a separação? Ora, essa. Filhos não são coisas ou objetos que você possa usar. Filhos você tem que ter, porque o casamento esta excelente, não porque está ruim. Ademais, nunca precisei manter meus relacionamentos de forma alguma, vez que eu debandei deles.
Fato é que existe felicidade fora da maternidade, mais, existe a liberdade de não amar ninguém mais do que a si mesmo. A Lucinha Araújo está completa de razão: mãe só é feliz se o filho é. A minha mãe se arrasa frente as minhas dores e decepções. Ela não merece passar por isso, mas passa, é mãe! Logo, essa apregoada perfeição da maternidade não me convence, não me cativa.
Ser mãe é uma dádiva, mas não “padecer no paraíso” também é. Não ter que perder o sono, porque a filha está triste e frustrada, com certeza é uma dádiva também. Se alegrar com sua alegria também é, claro. Enfim, nem sempre as mães são “só” felizes. Nem sempre ninguém é “só” algo, a gente “está”, e não “é”. Respeitar, porém as opções alheias é essencial!

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 03 de setembro de 2014.

Amando-se!

Amando-se!

Dizem que não devemos nos permitir entristecer por nada ou ninguém. Eu acho que a gente deveria ser de ferro para que isso acontecesse. A gente se engana com as pessoas, elas nos induzem em erro. Pessoas falam o que não sentem, falam de planos que nunca tiveram.
Pessoas dão “cheques” sem terem saldo para cumprir. Enfim, elas cometem estelionato afetivo costumeiramente. Da mesma forma, as pessoas falam e julgam sem conhecer umas as outras, as pessoas agem mal e presumem que você também é como elas. Pessoas nos magoam, enfim.
Até hoje, basicamente, só meus gatos não me magoaram. A gente se frustra, a gente se decepciona, mas eu acho que a gente não pode se tornar uma pessoa mal amada e infeliz por ninguém. A gente precisa aprender a usar o “foda-se”, a gente precisa aprender a superar tudo e todos. Viver é a arte da superação.
Quem não consegue superar a dor causada por alguém está fadado à infelicidade. A vida é muito curta para você amargar sofrimento por conta de outra pessoa. A vida é muito curta para você manter a tristeza no seu coração. Se olhe no espelho, se apaixone pelo trabalho, se apaixone por você mesmo!
Pessoa bem amada não é a que tem o marido mais carinhoso, não é que recebe flores uma vez por mês, é a que ama a si mesma. A que consegue valorizar a si, acima de tudo. E de todos.
Tem gente que entra na nossa vida só para nos mostrar que o nosso foco deve ser nós mesmos, porque ninguém, absolutamente ninguém é capaz de nos fazer o bem que nós mesmos podemos nos fazer, quando nos realizamos em algo. Quando nos realizamos intimamente. E essa realização, meu amigo, ninguém lhe tira!
Quem lhe magoa não merece o seu sofrimento, a sua mágoa. A gente só deve usar o nosso pensamento, o nosso tempo e o nosso sentir com quem nos dá alegrias, com quem nos anima, com quem nos surpreende, não com quem nos desaponta, nos fere, nos faz mal. A gente pode ficar triste e desapontado com alguém, mas não temos o direito de nos tornarmos pessoas infelizes, pessoas amarguradas. O amor próprio é e sempre será, a forma mais genuína de amor.
Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 03 de setembro de 2014.

“Precisada”

“Precisada”

Estou precisando viajar. Tô precisando de poucos dias de férias. Ver pessoas, conviver com pessoas cultas. Sei lá, acho que ir para Porto Alegre já me ajudava! Tô precisando de um vinho caro, de um jantar num Bistrô legal, de uma bolsa nova, de mais sapatos.
Tô precisando de roupas novas, de um dia de descanso. Tô precisando desligar o celular sem me preocupar com compromissos. Tô precisando poder falar e escrever sem ter medo de gente de mentalidade tacanha que se magoa com tudo, como se tivessem importância para mim.
Tô precisando dormir mais cedo, acordar mais tarde, me alimentar melhor, trabalhar menos, fazer mais amigos, sair mais. Tô precisando ver gente alegre, tô precisando dançar, tô precisando gargalhar. Tô precisando do meu pai, de um abraço dele, de um conselho vindo do alto de sua sapiência humilde. Tô precisando do riso dele para encher a casa.
Tô precisando ir a um shopping e ficar lá por horas! Tô precisando de DVDs e livros novos. Tô precisando ter mais tempo para lê-los e assisti-los. Tô precisando voltar a malhar, voltar a cozinhar. Mas, sobretudo, eu tô precisando daquilo que há anos desconheço: surpresas boas!
Eu gosto de surpresas, eu adoro pessoas que me surpreendem! Pessoas que não falam muito e que me fazem perder o fôlego pelas atitudes e gestos marcantes. Tô precisando conhecer gente que faz mais e fala menos, que demonstra o que sente e não diz o que não sente.
Tô precisando viver uma paixão que não morra tão rápido quanto nasce. Tô precisando conhecer alguém que me conquiste diariamente, alguém que me surpreenda, mas alguém que queira ficar, não quem diz que quer, mas não fica ou me faz desistir.
Tô precisando conhecer gente sincera, transparente e coerente. Tô precisando me entrosar com gente bem resolvida, com gente madura, com gente que não consegue ser fria, com gente de coração sincero e que não faz ao outro o que não deseja que ele lhe faça.
Tô precisando reaprender a confiar, tô precisando compreender o incompreensível, me livrar de mágoas, me despir de idéias preconcebidas e inúteis. Tô precisando pensar antes de sentir. Tô precisando refletir antes de me decidir, porque além disso tudo eu tô precisando fazer boas escolhas, porque as que fiz até hoje só me causaram mal estar.
Tô precisando aprender um jeito de me tornar mais esperta e de mudar de intuição, porque a que tenho não está me servindo para nada. Enfim, eu tô precisando mesmo é  aprender a pensar antes de sentir. Tô precisando entregar meu tempo e minhas expectativas só a quem faz por merecer. E não quem diz que faz.
Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 03 de setembro de 2014.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Resigne-se!

Resigne-se!

Existe uma grande diferença entre não crer mais nas palavras que ouço e não crer mais nas atitudes que vejo. E aí reside a minha fé no amor. Não tenho fé e nem confio no que ouço e no que aparenta ser, sentir e não é e nem sente, mas em sentimentos demonstrados em atos sinceros e constantes, eu creio.
Apenas uma pessoa demasiado amarga se tornaria incapaz de crer no amor. Amarga e orgulhosa, afinal das contas, se não estou logrando sorte em amar, não significa que os outros não tenham sorte em seus “empreendimentos” afetivos.
Eu vejo muito casal apaixonado, cheio de química, cheio de companheirismo e alegria. Eu vejo algumas pessoas felizes no amor, contentes com seu relacionamento, com seu parceiro. E eu gosto de ver isso! Isso me anima, me entusiasma.
Já fui muito agraciada com relacionamentos excelentes que eu mesma findei. Findei, na minha busca pelo excessivamente maravilhoso. Excessivamente inexistente, na verdade. (Se é que existe tal composição de palavras).
Enfim, eu acredito no amor. Assim como eu acredito em Deus. Não estou vendo ele na minha “frente”, mas nem por isso vou virar agnóstica. A gente precisa ter fé na vida, fé em Deus e fé no que ele criou de melhor, no amor.
A questão é que nem todo mundo nasce com a sutil capacidade de encontrar o amor da sua vida e com ele viver junto eternamente. Existem pessoas que acabam se desapontando com as outras, existem pessoas que se frustram, porque, infelizmente, existe quem fala o que não sente, quem ofereça o que não pode dar. E isso nos tira a fé nos seres humanos, leva à zero a nossa capacidade de confiar.
Mas, e daí? O tempo é o senhor da razão. A questão é não procurar, a questão é não esperar. Se for para ser, um dia será, se não for, mais do que ser feliz sozinho você não será. Resignação é fundamental, raiva e desespero não levam a nada, só a tornar-lhe uma pessoa invejosa e recalcada e isso, meu amigo, ninguém merece! Seja feliz com o que a vida lhe oferece, não espere nada além em aspectos que não dependem unicamente de você. Enfim, resigne-se e siga adiante!

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 02 de setembro de 2014.


A clínica.

A clínica.

Se eu acho que casamento tem que durar para sempre? Obviamente que não. O para sempre é o tempo existente entre o ser feliz e o deixar de ser. Se a companhia do outro não lhe faz mais bem o seu “para sempre” acabou. Se, no entanto, durar até o final da vida, você foi abençoado! Agradeça! Todavia, cuidar de um casamento dá trabalho, requer dedicação constante, afeto e criatividade.
Acontece que terminar casamento, assim como começar um, carece de motivos nobres. Quem casa por interesse está fadado à infelicidade, assim como quem separa, unicamente, porque quer “zoação”, porque quer encontrar alguém muito melhor que o ex.
Sei lá, depois que um casamento termina a gente sofre, mesmo que a separação tenha sido ideia nossa. Primeiramente, você sai de uma zona de conforto que, de regra e na maioria das vezes, era boa. Ninguém casa se não ama, certo?! Nem permanece junto por anos se não curte a companhia do outro.
Acontece que o amor às vezes muda de roupa, muda de cara e a gente não consegue levar adiante na crença de que merece algo mais agitado, mais quente. Não raras vezes a situação amorna, porque nós permitimos, mas como o ser humano gosta de passar a bola adiante, nos imergimos em revolta e ficamos de olho em “volta”.
São muitas opções! Muitos homens bonitos, charmosos, maduros, disponíveis. Ou muitas mulheres belas, elegantes e alegres por aí. Só que não, meu amigo. Só que não, minha amiga! Ser lindo, culto e inteligente é uma coisa, ser boa companhia é outra, muito diferente.
Então você entabula uma relação, posteriormente a sua separação. Não raras vezes é decepção na certa! Seu inconsciente está muito cheio do resto daquele que você dispensou. E dispensou na crença de que “nunca mais” ia deseja-lo de novo. Mas, ora, ora, veja só: acaba desejando.
Talvez, por motivos íntimos, você não se renda a essa excêntrica sensação. Essa saudade inoportuna. Se você teve motivos idôneos para se separar, você não irá voltar atrás, se não teve, porém, você volta! Ah, com certeza volta!
Ao conhecer outra pessoa você descobre que ela também tem defeitos! Que ela não é aquele suprassumo de maravilhas que você desejava para si. Na real, a gente se separa e sai para o mundo com altas, com altíssimas expectativas. E conquista. Conquista uma enorme frustração!
São várias razões que irão lhe remeter ao ex. São os papos, são os carinhos, é o sexo (que no começo da relação nova costuma ser muito “mais ou menos”), é a comida, os assuntos, o trabalho, os defeitos, enfim! Em primeiro lugar, quando você está casado, há anos dormindo com uma pessoa, você já está em tal grau de intimidade que nem repara mais nas falhas. A mesma rotina que amorna o sexo, aumenta a indulgência, a cumplicidade, então, até o que outrora poderia nos irritar, deixa de fazê-lo até o fim de um casamento.
Em segundo lugar, quando você se separa e conhece alguém está super, hiper, mega critico! Analisa até a forma com que o outro respira, a forma com que dorme! Um suspiro pode ser o suficiente para estranhar! “Meu ex não expirava assim, aff!”. E, acredite, isso acontece. O sexo pode ser bom, mas leva tempo para andar no prumo e virar excelente. Intimidade de verdade não se conquista em meses, não quando você foi casado e esteve anos ao lado de alguém.
Lembro-me que quando eu queria me separar meu ex-marido dizia para tentarmos, que era “melhor lutar do que enfrentar a solidão e começar tudo de novo com alguém” já que, segundo ele, não faltava amor. Eu achava isso um absurdo, algo totalmente “no sense”. E continuei achando, por certo tempo.
Até começar um namoro. Daí eu dei razão para o cidadão! É dose, é brabo. A paixão que a gente sente por alguém após um divórcio, nem sempre é capaz de nos afastar de velhos hábitos, daquilo com o qual nos acostumamos. Então, não raramente, a gente se arrepende. Sim, se arrepende!
Depende, no entanto, da nobreza de nossos reais motivos para a separação, concluirmos se devemos voltar atrás em nossa decisão ou não. Se tivermos razões idôneas para nos separarmos, mesmo sofrendo, mesmo em meio a um turbilhão de emoções confusas, a gente não volta.
Mas, se nos separamos para encontrar alguém mais quente, para encontrar alguém melhor ou unicamente para aproveitarmos a nossa vida, com certeza a volta será um anseio, porque você cansa de sair à noite, de viajar sozinha, de sair beber sem uma companhia e logo a empolgação vira um tédio. Você se entedia por não ter alguém para assar carne para você, para usar a banheira com você e para cortar o seu pedaço de carne preferido no churrasco de domingo.
Leva-se tempo para nos acostumarmos com o nosso novo estado civil. Eu sempre consegui ter certa inveja daquele povo que se separa e já está apaixonado por outro! Não que eu ache certo ser infiel, mas essa gente não sofre tanto. Simplesmente, sai de um casamento e meio que emenda com outro.
Por incrível que pareça, mas os infiéis e apaixonados sofrem menos. Já os que pretendem ter relacionamentos após findar um casamento, de regra e imersos no hábito que tinham com a outra pessoa, quebram a cara num primeiro momento.
Logo que me divorciei um amigo me apresentava às pessoas dizendo que eu havia “saído da clinica”. Outro ele dizia que havia saído do presidio. E, comparação esdruxula a parte, mas a sensação de estranhamento do mundo que costumamos ter após um divórcio é semelhante a que tem quem fica anos internado numa clinica psiquiátrica ou preso.
Não que o casamento seja uma prisão, mas ele nos leva um pouco para longe do que está ausente dele. A forma com que as pessoas se portam, a forma com que elas vivem, o que fazem de seus dias, o que desejam da vida. Num casamento estamos numa casa com alguém, dormindo, namorando e vivenciando tudo por anos! Elementar estranhar quando nos separamos. A questão é se pediremos internação novamente ou se seguiremos nos acostumando com a vida. Uma vida muito mais louca do que a da “clinica” da qual saímos.


Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 02 de setembro de 2014.

Não me permito!

Não me permito!

As horas passam, os dias passam e tudo o que não deve estar em nossa vida ou em nosso coração desaparece. É assim com a tristeza. Disse o poeta que ela não tem fim, mas a felicidade tem. Eu discordo, sou uma mulher feliz, optei por ser plenamente contente com o que possuo e com quem eu sou, não dou azo a sofrimento na minha vida.
Sinto dor, mas não me mantenho com ela. Tristeza não me pertence, mal humor não me pertence, carência e falta de auto estima também não. Se o agora me desapontou, o depois vai me surpreender. Porque eu quero que surpreenda, porque tenho a notória capacidade de "deixar para lá", de me resignar, me olhar no espelho, passar um batom vermelho e sorrir. Tenho a habilidade de amar aquela alegre mulher que meu espelho reflete.
Após três décadas de vida a dor tem prazo na minha vida. Ela dura um dia, no máximo. Valorizo a minha tez, valorizo a aparência que Deus me deu. Está para nascer quem me faça permanente mal, está para ser inventado sentimento ou tristeza que me faça envelhecer, como diria o Rodrigo Cambara, ainda não inventaram a bala que há de me matar.
Passa um dia, passam dois, só não passa o meu hábito de ser feliz, de sorrir, de seguir adiante e colocar no lixo o que não faz por merecer existir longe dele. Frieza? Não, objetividade. Tudo o que for bom grudara em mim, o resto se desloca, se descola. O resto é resto e, de resto ninguém vive. Não eu.
Eu sou intensa demais em meus sentimentos, inclusive na dor. Eu sou intensa, não extensa, capiche? Fico triste, muito triste por alguns momentos e deu. A gente perde a razão quando se entrega a lamúrias e a ausência de alegria. Você tem o direito de se desapontar, de se enganar, de sofrer, mas não tem o direito de se torturar, de se manter triste mais tempo do que o necessário para dizer: “Deu, passou, foda-se!”.
O único sentimento que, além de intenso deve ser sentido “extensamente” é a paz e a felicidade, o resto pode ser vivido, mas brevemente, muito brevemente, afinal, se frustrar não muda nada, lastimar os atos e as atitudes de alguém não irão lhe mudar, dizer “acabou, passou e terminou” resolve. “A história termina aqui e agora eu volto de onde parei: feliz, bem resolvida e alegre, muito alegre!”. Isso serve, isso me serve.
Você pode se sentir frustrado um dia ou dois, mas não pode ser uma pessoa frustrada, uma pessoa amarga, uma pessoa infeliz. Talvez não confiar mais nas palavras que ouve seja um excelente caminho, mas ser uma pessoa permanentemente revoltada é o fim da picada! É desperdício de vida, desperdício de beleza.
Disse o House certa vez que ele “é bonito demais, para cuidar de papelada”. Pois eu sou obrigada a dizer, eu sou bonita e inteligente demais para ficar triste por mais de um dia. Para ficar triste por causa de atos alheios. Não combino com bipolaridade, se hoje sofro, amanha me recomponho, coloco um vestido preto, um salto alto, compro sapatos novos e sigo adiante, alegre, esperançosa e fazendo o que amo, ao lado de quem me ama e merece o meu prezar.
Sou boa demais para resignar-me a dor por mais de horas. Quem não sabe quão boa eu sou, com certeza não me conhece, porque quem conhece sabe que, da vida, eu mereço tudo, menos amargar uma cara amarrada e um coração entristecido.
E que venham os dias, e que venham os desafios, porque, meu amigo, coragem e entusiasmo nunca me faltaram. Imperfeita sim, mas feliz, com o perdão do julgamento dos perfeitos. Perfeitos hipócritas!

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 02 de setembro de 2014.

Incompreensão.

Incompreensão.

Eu não consigo compreender algumas coisas nesta vida. Talvez minha inteligência seja limitada, minha criatividade pouca e minha sensibilidade elevada demais. Uma das coisas que não compreendo é, como pode uma pessoa desejar a sua companhia num dia, dizer que quer lhe fazer feliz, que é totalmente “sua” e, no outro, não titubear em se afastar de você por este ou aquele motivo?
Eu, sinceramente, não encontro justificativa que não implique numa conclusão: a pessoa dizia o que não sentia. Simples! Quando uma pessoa gosta de coração da outra, ela faz de tudo para ficar ao seu lado, para enfrentar as dificuldades da vida tendo o amor e a ternura de alguém.
Apenas quando uma pessoa não gosta verdadeiramente da outra é que ela usa seus problemas e “poréns” para justificar seus atos. Quem quer dá um jeito, quem não quer arruma desculpas. Isso antes, durante e até após o relacionamento.
Não adianta vir com aquele papo “mas eu gosto de ti de verdade”. Se gosta fica junto, se não gosta não fica. A situação é objetiva, não é necessário muitas elucubrações para entender o óbvio, o lógico, o gritante.
Portanto, palavras não me convencem, aliás, cheguei a tal ponto da minha vida que elogio algum, que palavra carinhosa alguma é capaz de me encantar. Não mais. A mim, lamento, mas não convencem. O que é uma lastima na minha própria existência, vez que é quase humanamente impossível entabular uma relação e não crer no que o outro diz sentir.
Esse é o ápice do amadurecimento triste, do amadurecimento sofrido, do amadurecimento oriundo de dor e frustração. O que as pessoas falam não “diz” nada a respeito da realidade de seu sentir. É conduta que fala, é conduta que diz mais do que qualquer livro romântico e declarações afetuosas. São os atos e não as palavras que, realmente, dizem tudo o que a gente precisa saber a respeito dos sentimentos do outro.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 1º de setembro de 2014.

Ferida.

Ferida.

Dos vários episódios do seriado House, um que me tocou fundo foi o que a Cudy pergunta para o House como ele se sente, e ele responde: “Como eu me sinto? Eu me sinto ferido.”
O ferimento no coração rasga a alma da gente. Cortar-se dói, mas ser ferido emocionalmente dói mais ainda. A alma rasga, perde a paz, o sossego, entristece. Amar e se decepcionar é o pior que pode acontecer com um ser humano sensível. O pior no que tange a relacionamentos, claro.
Pior pode ser a morte, a amputação de um membro, uma doença grave, a perda de alguém que amamos. Mas a verdade é que a decepção amorosa queima, arde, como se algo dentro de nós morresse aos poucos ou nos fosse tirado sem anestesia.
E, de tudo, o pior é estar numa vibração alta e, do nada, ser derrubado. Enfim, estar vivendo intensamente a relação e, de repente, virar tudo ao avesso. De repente é tudo romance, afeto, juras de sentimentos profundos, paixão ensandecedora, de repente são planos, sorrisos dados em silencio, e, de uma hora para outra é desprezo, rompimento, ausência da companhia que tanto nos fazia bem. De repente a paixão dorme e não mais acorda.
E você fica sem chão e sem fé. É um misto de revolta com dor, uma angústia que parece que vai nos matar. Mas não mata, Benzadeus! Só tortura, só judia, só arrasa, só faz sofrer. E esse “só” é usado sarcasticamente, porque, diante da tortura a morte não parece má ideia.
Dizem que a gente não pode se permitir entristecer por nada, nem por ninguém. Todavia, para isso ocorrer a gente precisa, como diria o House noutro dos episódios, se trancar num calabouço e engolir a chave. As pessoas vão nos desapontar, as pessoas irão nos ferir, nos magoar, desde que, é claro, nos arrisquemos a nos relacionar com elas. Mais, desde que assumamos o risco ao nos envolver e gostar delas!
Sei lá, eu estou achando a ideia do calabouço excelente. A dor de uma desilusão afetiva não mata, mas nos dá sensação de morte e, o que é pior, nos tira a capacidade de confiar no outro e isso é uma segunda etapa da tal sensação. Sem confiar a gente perde a vontade de começar de novo, de seguir adiante, de conhecer outras pessoas, de se apaixonar novamente. A gente perde a fé no ser humano.
Uma decepção forte é tudo o que precisamos para desistir do amor. Para desistir de buscar um novo amor. Eu não desejo desilusão amorosa para ninguém, não odeio ninguém a tal ponto, nem mesmo para quem dizia que me adorava e não agiu como quem adorasse.
Existem outras formas de sofrer, a justiça divina se realiza de outra forma e eu não desejo mal a quem não soube me amar. Aliás, eu não desejo nada para essas pessoas, se tiverem consciência ela os fará sofrer, se não tiverem, nada nem ninguém os fará passar pelo que passei.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 1º de setembro de 2014.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Deus nos livre!

Deus nos livre!

E que Deus nos livre das pessoas que falam o que não sentem e que fazem escolhas cujo resultado não tem maturidade para encarar. Que Deus nos livre de gente hipócrita e de todos aqueles que, em virtude do abismo existente entre suas palavras e gestos, são uma provação para nossa fé na humanidade.
Que Deus nos livre de quem não se governa, de quem não age de acordo com seus próprios ideais e vontades. Que Deus nos livre de gente influenciável, que Deus nos livre de quem nos leva ao céu num dia e ao inferno no outro.
Que Deus nos livre do que não nos trás equilíbrio, de quem anima e depois decepciona. Que Deus nos livre de decepções, porque a nossa vida é corrida demais para precisarmos usar o nosso tempo sofrendo.
Que Deus nos livre de sofrer num ônibus ou em Paris. Que Deus nos livre de sofrimentos desnecessários, de pessoas desnecessárias e só nos traga o que for para ficar, porque o resto é dispensável. E que Deus nos livre do que iremos dispensar!
Que Deus nos livre da nossa própria inocência, do nosso próprio hábito de confiar demais, de se entregar demais, de sentir demais. Que Deus nos dê mais racionalidade do que sentimentalismo, que Deus mantenha nossos pés sempre no chão e nosso coração temendo ao cérebro.  
Que Deus nos mantenha longe de todos aqueles que são capazes de iludir e enganar, que Deus nos livre de gente mal resolvida e não assumida como tal. Enfim, que Deus nos livre de tudo e todos capazes de nos fazer chorar.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 1º de setembro de 2014.

Mais tarde.

Mais tarde.

“Nunca, jamais diga o que sente. Por mais que doa, por mais que te faça feliz. Se sentir algo muito forte, peça um drink.” Eu achava essa frase uma das poucas abobalhadas do Caio Fernando. Ora essa, se a gente sente tem que dizer, se a gente gosta tem que demonstrar. Só que não!
Eu acho que demonstrar que gosta não é algo controlável, mas não dizer o que sente é e, acredite, vale a pena. Momentos vividos, palavras faladas, não voltam atrás. Então, só fale coisas de seu coração quando você tiver certeza que a relação vale a pena, que vai dar certo, que o rumo que vai seguir não lhe fará se decepcionar.
Não fale o que você sente movido por empolgação, movido pelo “calor” de momentos, embora o outro diga. As pessoas interpretam sentimentos de forma diferente, um “eu te adoro” significa “quase” amar para uns e significa “eu tenho tesão por você” para outros. Significa, sei lá, eu “gosto de passar meu tempo com você”.
Aprenda a dimensionar sentimentos com o passar do tempo, porque, do contrário, o “eu te adoro” de hoje, será o “meu Deus como eu fui burra” de amanha. Se alguém te disser o que sente, simplesmente, sorria e torça para que seja verdade, não retribua, não caia nessa de falar sobre sentimentos com quem você ainda não sabe se sente o que diz sentir. Peça um drink ou, na dúvida, diga que está com sono e vá dormir. Na dúvida, o silêncio, na dúvida, durma!
E quando você terá certeza? Com o tempo. Palavras sentimentais, assim como sexo, são mais sinceros e saudáveis quanto mais tardios. Essa coisa de se arrepender do que fez e não do que deixou de fazer, no que tange a relacionamentos, é uma tremenda imbecilidade.
Se arrepender do que foi feito, não raras vezes é uma tortura psíquica. Demore, fique, converse, fale até sobre politica, sobre o motivo de o céu ser azul, de o cacau ser marrom. Qualquer assunto será bem vindo, mas postergue tudo ao máximo, em especial o que você sente, do contrário, você pode se arrepender e isso não vale a pena.

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 1º de setembro de 2014.


Exausta. Muito exausta. Exaustíssima.

Exausta. Muito exausta. Exaustíssima.

Você dorme, porque seu corpo e sua mente precisam descansar. O sono é o descanso do corpo e da alma. Eu me sinto cansada, muito cansada, mas não é um cansaço físico ou mental, eu estou cansada de acreditar, estou cansada de confiar nas pessoas.
Estou cansada de usar meu tempo no whatsapp com alguém, estou cansada de mensagens de “bom dia”, estou cansada de tentar encontrar alguém que se afine comigo. Eu descobri, sou, literalmente, uma pessoa impar.
Não estou a fim de achar um par mais, eu já cansei. Para ser sincera eu estou exausta afetiva e emocionalmente. Estou exaurida. Na verdade a minha fé no ser humano se exauriu nas minhas tentativas de conhecer alguém que mereça o meu prezar permanente.
Logo, eu vou adormecer afetivamente, vou me resignar à minha ausência de sorte no amor. Acredite, sorte no amor existe! Existem pessoas que nasceram para se relacionar com alguém, existem pessoas que amam e são amadas, que vivem relacionamentos amorosos maravilhosos. Eu não as invejo, apenas as parabenizo.
Eu não nasci para isso. Deus não me abençoou com a sorte no amor. Quem me ama eu não quero, quem eu gosto, diz que gosta de mim, mas eu tenho razões para não acreditar, afinal, não me entrego à carência, sou objetiva demais para isso: se palavras não condizem com atitudes, então elas não servem pra nada. 
Eu acho, enfim que, para ser feliz, a gente tem que se resignar a própria sorte. Sei lá, tem gente que tem sorte em certos aspectos, no jogo, no amor. Eu não faço parte desse seleto grupo de sortudos, mas sei os aspectos da vida nos quais fui agraciada com bons talentos e alguma “sorte”. 
Então eu vou explorar eles, porque, sinceramente, tentar insistir nas áreas que eu não obtive nenhuma benção divina me favorecendo cansa. Exaure. Estressa. Eu bebo e não tenho ressaca, por exemplo. Isso é uma tremenda sorte, logo, vou substituir o amor e o jogo por um vinho e uma taça de cristal robusta e bonita para toma-lo. Da mesma forma, eu como e não engordo facilmente! Vou substituir o amor e o jogo por churrasco, pizza e chocolate. Simples assim! De fome, sede ou tédio eu não morro.Agora, dai-me licença, vou descansar a alma.

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 1º de setembro de 2014.


Sem riscos.

Sem riscos.

Há algum tempo eu não compreendia porque minhas tias desistiram de se relacionar afetivamente com alguém e passaram a cuidar unicamente de suas carreiras. Isso, até ter uma simples experiência que tornou tudo muito claro para mim.
Com a minha idade já vivi de tudo em relacionamentos, já me apaixonei e casei, já me frustrei com a ausência de honestidade de quem me envolvi, com erros e decepções causadas no dia a dia.
Mas eu nunca tinha tido a sensação de ser iludida, enganada e usada, e é essa sensação que retira nossa fé no ser humano e nossa esperança de viver um grande amor e casar novamente.
Eis que eu, a única mulher da família Marcondes que ainda acreditava nas pessoas e em suas palavras, tornei-me uma solitária convicta. Não existe maneira de voltar a confiar em homens, em suas palavrinhas bonitas e atitudes meigas.
Não sei se isso é triste ou não, porque, sinceramente, minha tia e mãe são tudo, menos infelizes. De que adianta se relacionar e se decepcionar? De que adianta entregar o coração, o corpo e a alma para quem não merece nem sua unha do dedão do pé?
Quando a gente conhece uma pessoa que nos afeta a confiança nos seres humanos desta forma acabamos percebendo que a solidão é uma benção. Eu sempre tive fé no amor, nas pessoas. Agora eu tenho fé no amor próprio, no amor pela vida, no meu amor pela minha família e por quem me ama, no meu amor ao trabalho.
Existem várias formas de amar e a menos nobre é a dedicada a uma única pessoa que não seja do nosso sangue. A menos nobre, a mais simplória e a mais letal. Doar seu coração a alguém é perigoso, porque o outro pode esmaga-lo, dilacera-lo e isso, meu amigo, não é legal!
Acho a vida de casado excelente, acho que uma paixão ilumina a vida da gente, gosto de grandes emoções, mas elas não me levaram a nada de bom, infelizmente. Se eu quiser uma emoção forte vou fazer esportes radicais, simples! No fundo a gente não precisa sentir o coração acelerado todos os dias, a gente precisa é de paz, de tranquilidade, emoções fortes não enchem barriga e, assim como enchem nosso coração o colocam em risco.
Relacionamentos implicam em riscos, você pode terminar alegre, você pode acabar triste e ferido. Passei da fase de assumir riscos. Não quero mais, acabou pra mim. Não preciso de nada demasiado forte, só não preciso e nem mereço enganação e ilusão.
Eu gosto de segurança e, por tal motivo, abstenho-me de me relacionar novamente, deixo de lado meus desejos, meus anseios, porque é melhor levar uma vida relativamente morna e pouco aventureira do que saltar de uma grande altura e terminar-se no chão.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 1º de setembro de 2014.

Experimentos.

Experimentos.

Pessoas não são laboratório. Só diga que gosta delas quando gostar, só se envolva quanto estiveres psíquica e emocionalmente preparado. Não faça "testes" a si mesmo ou a elas. Tenha sensibilidade.
Aquilo que você não gostaria de passar o outro também não deseja. Se não lhe é possível ser perfeito, seja, ao menos, sensível. E sensibilidade não se mostra em palavras bonitas e, seguidamente, enganadoras. Mostra-se em atos. No silêncio dos atos e não no barulho das palavras.
Não seja o tipo de pessoa que marca a vida do outro por lhe machucar, por lhe ferir e por fazê-la perder a fé no ser humano. Não seja o tipo de pessoa que você não gostaria de conviver, que você não gostaria de se envolver.
Algumas pessoas surgem na nossa vida não apenas para nos mostrar como não devemos agir, elas surgem para nos tornar seres humanos mais duros, mais desconfiados e, inclusive, para constatarmos que a nossa sensibilidade é uma arma que impúnhamos contra nosso próprio peito.
Surgem, pois, para nos fazerem aprender que ficar sozinha é a opção mais segura e, sinceramente, no fundo o que a gente precisa é de segurança, porque aventuras que colocam em risco a nossa felicidade e paz interior são desnecessárias.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 1º de setembro de 2014.