Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Sobre a intolerância cristã nas redes sociais.

Sobre a intolerância cristã nas redes sociais.

Em virtude de ter um blog minhas redes sociais são cheias de "amigos" meramente virtuais. Pois bem, ontem, graças a um post que foi comentado por alguns, exclui mais um "amigo" que desrespeitou o comentário antecedente, de uma amiga ateia.
A amiga em questão comentou algo em consonância com o sentido da postagem, dizendo que os “terroristas não conhecem o verdadeiro dels”. Pois, via de regra, quando um muçulmano comete homicídio trazem a religião à baila e estigmatizam o sujeito, todavia, se o mesmo é cristão, emerge o argumento de que “religião não se envolve” nestas questões.
Enfim, o amigo virtual ficou irresignado com o comentário, aparentemente, porque a amiga atéia chamou “deus” de “dels” (frise-se que ela se referia ao deus dos muçulmanos, não ao “dele” que é cristão!). Primeiramente, existe uma obrigação de que todos creiam no que eu creio para eu lhes respeitar? Se eu acredito no deus tal, e a outra pessoa não, e chama ele de outra forma, isso me fere, isso me ofende? Por que, afinal?
Existe algo neste sentido, aparentemente incutido na mente das pessoas: "Eu creio no deus bíblico e se alguém não crê nele eu não respeito e nem valorizo, pois a sua descrença desrespeita a minha crença”. Ocorre que isso é paranoia, doença, anormalidade! Cada pessoa é uma individualidade e como tal pode crer e descrer do que bem entende.
Enfim, eu nunca vi meus amigos ateus, judeus, umbandistas ou sei lá desrespeitarem ou se intrometerem em postagem cristã, mas já vi o inverso. Nunca vi um praticante do candomblé se meterem naquelas postagens ridículas estilo “chuta que é macumba”, ou ficarem bravos, porque alguém chamou Oxalá de “Hoxula”, por exemplo. E, pra eles, este é um deus!
Conheço inúmeros cidadãos que enchem o facebook de postagem cristãs e não cumprimentam o subalterno na empresa, não olham nos olhos da faxineira e passam pelo mundo com um ar de superioridade abjeto.
Não importa, pra mim, se o cidadão é ateu, crente, ninja ou satanista, não me importa se é pobre, rico ou se faz de conta que é abonado, não me importa se é negro, branco ou amarelo, não me importa se é hetero, gay, trans ou fetichista, enfim, não me importa nada que diga respeito a sua vida, apenas se o sujeito é educado, sincero e se trata aos demais com humanidade e respeito.
Amigo, entenda: se o outro não crê no que você crê isso não é desrespeitoso, mas você querer impor a sua crença a quem (voluntariamente) a ignora, isso é desrespeitoso e, mais, é aviltante. Além de tudo, demonstra que a sua religião não lhe tornou um ser humano melhor, mas fez de você um crente arrogante e intolerante. Não julgue ninguém pela sua fé, religião ou crenças, goste ou desgoste das pessoas pela forma com que elas agem com aqueles que não lhes trazem benefício algum.
Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 14 de dezembro de 2015.

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