Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A desconhecida no mercado e a mortadela: o quadro da hipocrisia.

A desconhecida no mercado e a mortadela: o quadro da hipocrisia.
Eu na padaria de um mercado outro dia aqui na capital do agronegócio: "Quero 200 gramas de peito de peru e 200 gramas de queijo". Obviamente é o que minha mãe e eu consumimos. Enquanto a atendente me atendia, uma senhora muito elegante vem e pede qual o preço dos queijos. Escolhe o mais barato e explica: "Farei sanduíches para os funcionários! Quero 40 fatias!".
Eu, que estava distraída pensando na vida, não entabulei um diálogo com ela. De repente ela pede 40 fatias de mortadela- para os tais sanduíches. E, volta a se explicar: "Eles (seus empregados) preferem mortadela!". Então, ela conquista a minha atenção: olho para seu rosto, vejo que está muitíssimo bem trajada segurando uma bolsa importada.
Eis que paro e penso: uma situação dessas, só Freud pra explicar. A pessoa está fazendo suas compras e se explicando para estranhos! E, por que se explica? Por que fala “alto” consigo mesma? Para se convencer de que não é tão medíocre quanto, de fato, sabe que é!
Uma pessoa que não pode pagar por 150 gramas de presunto não se justifica para estranhos ou para a atendente do balcão. Simplesmente compra o “apresuntado”, a mortadela ou o que for e sai com a cabeça erguida.
Uma pessoa que compra mortadela, porque gosta ou porque seus parentes e funcionários gostam, também não se justifica: pede, compra e sai. O que aquela elegante senhora me demonstrou é algo que vejo seguidamente na sociedade hipócrita em que vivo: a ausência de vergonha por ser vil, mas a vergonha que outros percebam a sua vileza.
O “senso de justiça”, a vergonha na cara e o caráter daquela pessoa não foram suficientemente fortes para fazê-la comprar presunto ou salaminho fatiado, mas a consciência e o medo de ser criticada falaram um tanto alto fazendo-lhe com que se justificasse para uma ilustre, porém observadora desconhecida! (Mas, de toda forma, a porção acéfala de mim crê que os Bem, funcionários da senhorinha devem preferir mortadela... Aham...aham!).
Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 18 de fevereiro de 2016.

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