Sobre o verdadeiro pecado!

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"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Juliana e a revolução da franqueza: a maternidade sem romantismo.

Juliana e a revolução da franqueza: a maternidade sem romantismo.

Eu li o post da Juliana no facebook. Aquela jovem mãe que falou o que pensa, sente e vivencia sobre a maternidade e foi apedrejada pelos moralistas, pelas mães românticas, pelas iludidas, pelos hipócritas.  Enfim, eu li os comentários cheios de raiva e rancor pelas palavras sinceras da mãe de primeira viagem.
Eu não sou mãe, mas a entendi: ela quis dizer que a maternidade não é tão glamorosa como muitas tentam transparecer! Aliás, venho há anos notando o quanto o ser humano é orgulhoso e tem medo de expor os seus percalços. Querem se fazer de fortes, de imbatíveis! Acham que a vida e as redes sociais é uma competição para ver quem é mais feliz!
Não conheço essa mulher, a Juliana, mas me identifico, pois ela, assim como eu, não vê problema em ser franca e transparente. Eu não preciso fingir que estou "de boa" quando não estou. Não sou feita de ego, sou feita de emoções, sou feita da minha essência e não do que os outros pensam ou esperam de mim.
Essa jovem mãe não tem depressão pós parto ou nada afim como as mais insanas hipócritas lhe acusaram, se ela tivesse alguma doença mental afim estaria dizendo que a maternidade "é um mar cor de rosa de realizações". Quem é doente, usa máscaras. Mas a sociedade é ignorante e hipócrita demais para saber disso!
Hoje recebi, de surpresa a visita de duas pessoas muito especiais para mim, ambas ex-alunas. Uma foi para o nono e a outra para o quinto semestre. A que foi para o nono, certa vez me disse que eu devia ter filhos para trazer e tornar uma pessoa mais especial no mundo. Não tive, nem pretendo ainda, mas elas me viram com minha irmã, praticamente uma filha pra mim. Uma versão menor e mais esfomeada de mim!
Enfim, eu sei e vejo muito bem por aí os reflexos adversos da maternidade, mas, ainda que eu tivesse uma filha linda e gorda como eu fui e como a Maria Clara é, eu não seria hipócrita pra afirmar que tudo "é divino e maravilhoso" na maternidade! Minha mãe nunca foi falsa a tal ponto comigo, e eu jamais seria com o mundo. E, caro Mark, achei uma sacanagem tremenda bloquear o perfil da mulher! Com você dou uma salva de palmas à falsidade do mundo e da "maternidade cor de rosa"! E, não esqueço: um viva à hipocrisia!
Inclusive, ouvi após postar minha defesa à jovem mãe no facebook a seguinte frase: "Você não é mãe, não pode criticar a maternidade." Gente, eu nunca senti fome por não ter o que comer e crítico a pobreza, nunca tomei conhecimento de ter sido corna e crítico a infidelidade, nunca fui estuprada e tenho asco de estupro, nunca fui torturada e falo de tortura, não sou gay e crítico a homofobia, não sou teóloga e falo de religião, não sou fascista e crítico o Bolsonaro, nunca abortei ou me droguei e falo de aborto e drogas... e por aí segue! Acredite, a gente pode ter opinião com base no que vê, lê, ouve ou sente, mas, obviamente, haverá quem irá se sentir contrariado com a minha opinião e venha me falar merda! Tudo bem, tá no seu direito!


Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 18 de fevereiro de 2016.

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