Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Beleza e riscos.

Beleza e riscos.

Se você acha que ser feia, esquelética, gorda e com culote é ruim? Peça para uma mulher bonita e de corpo harmônico dizer-lhe como a beleza pode ser incomoda. Não diante do espelho, claro, mas no convívio social.
Aliás, em inúmeros casos a beleza mais atrapalha do que ajuda, ainda mais quando, aliada a ela, está um intelecto admirável, certa inteligência e postura correta e elegante. Ninguém se sente bem por ser excluído ou somente considerado por ser belo. Não quando existe um cérebro por trás do rosto bonito.
Até homens podem fazer mal à mulheres bonitas, até mesmo à suas carreiras. O cineasta Alfred Hicthcock, aficionado por belas mulheres, praticamente arruinou a carreira da loira Tippi Hedren, intérprete do clássico “Os pássaros”.
Diante das constantes negativas da atriz em entabular uma relação “extraprofissional” com ele, o diretor a submeteu a toda espécie de humilhações em cena, tendo demorado dias para concluir a filmagem da cena em que inúmeros pássaros atacam a protagonista, bicando seu rosto, mãos, cabelos e, por um triz, seus olhos.
Não sei se o que ele sentia era paixão ou uma espécie de inveja da luz, da graciosidade e espontaneidade daquela mulher que, em hipótese alguma, o desejou. Alfred se considerava um homem feio, em que pese inteligente e rico.
Pior ainda, porém pode ser a maldade aprontada por uma mulher para outra, por ela ser bela. A mulher bonita é sempre “mal encarada” por aquelas que, instintivamente a classificam como adversaria, como concorrente. E, assim, surgem as fofocas, a maledicência. Frutos, obviamente, da maldade, da mente vazia e do coração endurecido de algumas.
Pessoa alguma tem culpa por ser bela. O grande problema é que o materialismo impera em nosso mundo. O apego à matéria, ao belo, ao elegante, como se tais atributos fossem tão importantes que algumas pessoas se esquecem de aferir se a “concorrente” tem um bom coração, se é inteligente ou se é tão vil, fútil e burra que só um surdo a desejaria.
As pessoas adoram dizer que as mulheres belas são fúteis e superficiais, quando, na verdade, quem lhes olha e julga pela aparência embotando eventual amizade com a bela, são elas! Contradição não? Quem é superficial, portanto? Julgar sem conhecer a essência, a alma, o intelecto e repelir alguém só por ele ser mais atraente só significa uma coisa: a má e velha inveja, o eterno veneno das relações humanas e uma dose avantajada de superficialidade e futilidade.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 10 de outubro de 2014.

“Homem, homem”.

“Homem, homem”.

Por um mundo onde as pessoas pensem antes de agir e sintam vergonha de tomar as decisões que tomam e não apenas após serem "descobertas". Que as pessoas tenham caráter e não finjam que tem, que são boas, honestas, fiéis e sinceras.
Essa coisa de só sentir-se mal e envergonhado quando os outros ficam sabendo de seus atos pérfidos só indicia uma coisa: falsidade. Se você é um quando está sozinho e outro perante a sociedade, se você divide a sua vida entre o que faz quando ninguém olha e o que faz quando é observado, então você é falso.
Se você sabe que terá vergonha de encarar uma pessoa em virtude de seus atos e decisões: não as tome, não aja, do contrário você só vai ser mais um ser humano ridículo e hipócrita, destes que se encontram em número avantajado em cada esquina do mundo. Um tipo lamentavelmente comum e idiota.
Creio que, se você é capaz de sentir vergonha póstuma, é porque sabe o que é certo e o que é errado, sabe distinguir o justo do injusto, logo, por que agir mal então? Por que você não é bom, nem honesto, nem fiel, nem sincero, só finge ser? Pois é, estou acreditando que sim.
Então você foge. Se cometeu um crime se esquiva da policia, se traiu a confiança de alguém, se esquiva do seu olhar, da sua presença, porque é um covarde. Tem coragem pra errar, mas não tem coragem para assumir o erro. Ai que dó!
Você sabe o que faz de um “homem, homem”? Acredite, não é o instrumento que carrega entre as partes e do qual você tanto se orgulha (ou se envergonha, vai saber!). É a coragem, é a postura, é a capacidade de dizer “sim quando é sim” e “não quando é não”.
É o brio de assumir o que faz, de olhar nos olhos, de dizer a verdade, de explicar sem dar desculpas, de ser franco, ainda que resvale na educação. É, enfim, assumir qualquer risco, mas sem fugir da raia, sem fazer de conta, sem se esconder, sem se omitir. E, vou lhe contar, é difícil de encontrar um “homem, homem” hoje em dia. E tem muita mulher mais homem, do que os homens. Só Jesus na causa!

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 10 de outubro de 2014.

Diálogo.

Diálogo.

Não existe nada nesse mundo mais útil para dirimir divergências do que o diálogo. Conversando tudo se esclarece, conversando se desvelam verdades, se solucionam mal entendidos e vários outros problemas que não existiriam se nós, seres humanos, não tivéssemos "boca". Estranho, não? O antídoto vem de onde se extrai o veneno.
Triste realidade. Encontramos a solução de problemas no diálogo e também causamos problemas para nós mesmos através dele, ou da interpretação que é dada ao que dizemos. Ser racional, lógico e afetivo em nossas conclusões é, pois, sumamente necessário para que vivamos em paz conosco e com os outros.
Ora, quando que o que falamos causa problemas? Simples! Por causa da interpretação que terceiros dão ao que você falou! Infelizmente, cada pessoa interpreta uma coisa da forma que lhe aprouve. E é aí que reside o perigo.
O que uma pessoa ouviu como sendo flor, a outra ouve “dor”. Se estou dizendo que não devemos sair abrindo a boca e falando mundo a fora? Não, nem tanto o céu, nem tanto a terra.
Fato é que devemos pensar antes de falar, vez que a maturidade nos ensina que outras pessoas podem dar interpretação negativa às nossas colocações de forma a virem nos prejudicar posteriormente.
Nesse âmbito de diálogo humano, a mentira e a verdade são separadas por uma linha tênue. Logo, quando a sua verdade for interpretada de forma “mentirosa”, sabe a você, valendo-se do diálogo, remediar a sujeira feita, afinal, dita na china a palavra “besta”, chega ao Brasil como “bosta”. E não precisa ser tanta a distancia assim. Infelizmente! Logo, só o dialogo sincero e aberto, esclarece a quem interessar possa, que se tratou de uma afirmativa e não outra.
Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 10 de outubro de 2014.

Fácil de entrar, difícil de sair.

Fácil de entrar, difícil de sair.

Há algum tempo e na maioria das instituições de ensino superior o vestibular para Direito era concorridíssimo. Todavia, veio o MEC liberando o surgimento de inúmeras instituições particulares em todo e qualquer canto do Brasil o que, por um lado, facilitou o acesso do povo ao ensino superior, por outro minou as pessoas da certeza de que podem entrar numa faculdade que, desde sempre, forma pessoas que se sentem num “status” superior, sem muitos pré-requisitos intelectuais e, principalmente, de boa vontade e empenho.
Tem quem diga que o FIES e demais formas de bolsa geraram isso, eu acho que não. Esses programas facilitam o acesso financeiramente, eu me refiro àquilo que facilita o acesso intelectualmente, permitindo que pessoas sem vontade de estudar muito entrem no curso.
Enfim, não raras vezes quem não tem uma ambição direcionada para algo acaba fazendo Direito, porque dá mais status do que Administração ou outros cursos e é igualmente fácil de entrar. Acontece, meu caro, que fazer Direito para se tornar bom na área, requer dedicação, requer estudo, constante atualização e destemor.
Destemor em relação a ir bem numa área em detrimento da outra, por exemplo. Vontade de persistir, por se saber aonde se deseja chegar, independente de uma ou outra nota ruim. Atualmente, as pessoas precisam saber que o acesso ao ensino está facilitado, mas que a conclusão do curso não é tão fácil assim. Não tem choro, não tem reclamações.
Você adentra para um mundo que, desde a graduação, lhe mostra quão cruel pode ser. Aqui, (na Faculdade de Direito), ou você é guerreiro ou é o massacrado. Massacrado pela própria inabilidade, receios e ausência de empenho. Logo, meus caros, se você não aguenta a faculdade de Direito faça outro curso. Simples assim.
Agora, não menospreze o mundo jurídico, porque você adentrou na faculdade sem ter estudado muito. Para ser bom, em qualquer área jurídica, além de ética e seriedade você precisa se esforçar muito, estudar sempre. Logo, se você não gosta de estudar, ler livros, códigos, decisões de tribunais e etc., mude de curso, existem outros, com certeza, que lhe exigirão mais.
Universidade não é ensino médio e, como tal, deve ser encarada e respeitada, por mais facilidades de ingresso que você encontre, entrar é fácil, concluir com méritos é difícil, deixar de ser bacharel, também é um desafio, portanto, sem empenho, estudo e dedicação você não sai dos bancos acadêmicos, tampouco da condição de bacharel em Direito.
E, frise-se, sem persistência nada se consegue, afinal, um dia uma nota boa, numa matéria e noutro dia um desapontamento consigo mesmo e é assim o Direito: inúmeros ramos, inúmeras possibilidades, alguns êxitos e algumas frustrações, portando, ciente do que quer, persista.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 10 de outubro de 2014.

Passa.

Passa.

Porque a paixão de hoje é a indiferença de amanha, porque o desejo de agora é a repulsa de amanha, porque a vontade de agora é a preguiça do outro dia, porque o amor de hoje é a amizade de amanha, porque o carinho de hoje é o nada de amanha.
Porque a atração de hoje é a mera simpatia de amanha, porque a admiração de agora é a frustração do amanha, porque a decepção de hoje é a boa surpresa do amanha, porque a solidão de hoje é a casa cheia do amanha. Tudo na vida passa, o que fica é você. Você, no entanto, é o resultado daquilo tudo que passou.
Não existe nada permanente e estanque nesse mundo, tudo “está”, nada “é”. Em todos os aspectos, inclusive no afetivo. Hoje estamos apaixonados, amanha estamos desapontados e depois de amanha estamos indiferentes. A vida segue, desde que não admitamos que nada nos barre.
Tem dias que o dia é noite e tem noites que são claras, iluminadas! Algumas noites são boas como um dia de verão a beira mar. A vida é assim, um dia desanimador e outro em que até pessoas que você desconhecia por completo a luz e bondade torna a você para lhe iluminar a alma e o humor!
Nem todos os dias são maravilhosos, mas ter fé na vida faz com que os dias difíceis sejam vividos com tolerância e os ótimos com a mais pura e feliz entrega e energia! A vida é inconstante e só considera apto para ser feliz quem compreende tal inconstância.
Sentimentos variam, sensações se modificam, nosso ânimo varia e tudo de ruim passa. Tudo de bom, também passa. Ora, mas isso não lhe agrada? Compreenda que, quando passa algo que era bom, vem a tristeza, passa a tristeza e nova ocorrência boa surge para lhe agradar.
Creio que foi por isso que disseram que “a vida vem em ondas, como o mar”. Algumas mais fracas, outras mais fortes, mas todas podem ser sentidas sob um agradável sol, num dia lindo. Só que, na vida, é a sua boa vontade em ver o lado bom e agradável das coisas que fará com que as ondas fortes não lhe afoguem.
Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 10 de outubro de 2014.

A Alma de Hitchcock.


A Alma de Hitchcock.

Alfred Hitchcock tinha uma mulher muito, muito inteligente, a sra. Alma. Quem assistiu ao filme que conta a história do cineasta, "Hitchcock", mormente a da produção do filme clássico "Psicose" verifica, dentre outras coisas, que a música que fez da cena do chuveiro algo assustador e aterrorizante até os dias atuais, foi ideia dela.
Não quero afirmar que por trás de um grande homem, existe sempre uma grande mulher. Longe disso. Mas o fato é que um parceiro ou uma parceira inteligente, que confia em nós, nos eleva e faz com que busquemos o nosso melhor, dando o seu melhor, faz toda a diferença.
Casais inteligentes, pessoas inteligentes e que conseguem ser humildes, enfim, confiar nas sugestões do outro, progridem mais. Todavia, pessoas arrogantes e orgulhosas, patinam mesmo tendo um parceiro dotado de uma inteligência descomunal, enfim, elas não ouvem sugestões, porque, em suas mentes tacanhas, ninguém pode saber mais do que elas.
Eu não sei qual o exato segredo para um casamento ser feliz e duradouro, porque, na minha concepção, existem vários pequenos grandes detalhes, é preciso desejo, atração, carinho, cumplicidade, sexo bom e uma dose de amizade que não pode ser ultrapassada, todavia, sem humildade, confiança e admiração pela forma do outro pensar, sentir, ser e viver os casais não evoluem materialmente, por exemplo.
O próprio Alfred, para quem assistiu “A garota”, história da atriz Tippi Hedren que encenou “Os pássaros” e sofreu pelo fascínio doentio que o diretor tinha por ela, sabe que o casamento dele e de Alma não era perfeito no quesito atração, sexo e paixão. Todavia, frise-se, este texto trata de como um casal cresce financeiramente e faz sucesso juntos. Apenas disso.
Ser capaz, graças à admiração, de ouvir as opiniões e conselhos do outro é um segredo para o progresso financeiro de um casal. Onde um pensa, fala e o outro refuta, não se cria cumplicidade, tampouco parceria suficientes para que ambos cresçam na vida.
Dizem que uma cabeça pensa melhor que uma. Eu acho que isso procede, mais ainda se você se casa com uma pessoa pela qual nutre admiração, especialmente pelo seu intelecto. Ouvir dicas e opiniões, indicia, primeiramente, que você não se acha o dono da verdade, que, tendo ideias, é capaz de muda-las, em segundo lugar, que você está apto para crescer na vida, enquanto ama alguém. Simples assim.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 10 de outubro de 2014.

Rigoberto e socialismo.



Rigoberto.

Essa tirinha é engraçadinha né?! Agora, você parou para pensar se quem sustenta o Rigoberto é o Governo? São os impostos de alguns? Você acredita no socialismo, acredita? Que lindo! Eu e o Rigoberto não acreditamos. A gente acredita que, quem quer ter algo tem que batalhar, tem que suar e se esforçar.
A gente acredita que Rigoberto foi agraciado com uma família que vive em boas condições financeiras. Você acha que a família de Rigoberto é abastada por ser desonesta?
Ah, mas o Governo PT, Lulinha, Genuíno, Dirceu e demais são honestos né?! Por que o Lula não doa as terras do filho ao MST? Pois é, sabe por quê? Porque o socialismo e o comunismo são lindos, até o socialista e o “comuna” ganharem dinheiro e acharem conveniente continuar com o mesmo discurso hipócrita escravizando uma minoria tosca que se ilude por sua demagogia.
Ora, só por Jesus! Sim, sim, a gente precisa de educação, cultura, hospitais, progresso econômico para gerar empregos. Sim, você quer ter dinheiro? Trabalhe! Mude de cidade, mude de Estado, se qualifique, se dedique.
Houve um tempo em que o Lula acreditava que o fornecimento de cesta básica induzia a população desprivilegiada a votar em certos políticos. E as “bolsas” do governo PT, fazem o que? Basta analisarmos onde o partido fez mais votos.
É muita ideologia bonita que se desfaz diante do primeiro “milhão” arrecadado (falo dos políticos petistas e não de você que os elege e acha que milhão é uma espiga de milho grande: o máximo que você arrecada na sua vida de trabalhador).
Lamento muito que alguns ainda se iludam, mas, estou prestes a solicitar a “bolsa psiquiatra”, porque só tomando umas “boletas” pra não surtar diante do oportunismo do Governo e da ignorância e burrice do povo brasileiro. (Senhor, dai-me paciência, porque se me der dinheiro eu debando do Brasil!).
Para finalizar, eu gostaria de saber qual é o raciocínio de quem faz esses "silogismos" abestados que resultam nessas tirinhas. Céus, será que esse povo não tem lógica mental, será que são tão "gamados" na sua ideologia hipócrita que perderam a capacidade de pensar?
É difícil entender que "bolsas" corrompem? Que faz com que seus receptores sejam, em sua maioria, massa de manobra eleitoral? Sim, como o Lula se referia a cesta básica antes de ser eleito. Minha nossa, tem coisas que me apavoram no Brasil. A ausência de critica por parte do povo, por exemplo, me assombra, me arrepia.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 09 de outubro de 2014. 

Lógica!

Lógica!

Assisti ao final de "(500) Dias com ela" acidentalmente num dos canais Telecine, enquanto esperava começar outro. Céus, que filme idiota! Já assisti uma vez. Essa é a história do tipo mais ridículo de homem que pode existir: o que se apaixona pela mulher gélida.
Assim como, se fosse do oposto eu diria que é sobre uma mulher ridícula. Sinceramente? Tenho asco desse povo que gosta de quem não gosta dele. Fio, vai tratar teu masoquismo, procura ajuda, enche a cara, dorme, vai pra zona, mas mendigar afeto consegue ser mais nojento do qualquer nojeira que eu possa imaginar. Eca!
Eu sou da opinião de que não existe ninguém no mundo que tenha algo tão especial que justifique servilismo, que justifique reverencia que tem como contra partida a indiferença, a frieza. Sai dessa meu amigo!
Ninguém é tão especial que mereça seu sofrimento e humilhação, nem tão vil ou pequeno que mereça seu desprezo, compreendido? Se você é do tipo tosco que “gosta do que não tem”, então, além de você ser, como dito, tosco, você tem problemas. Sim, meu caro, problemas psíquicos!
A vida requer prioridades, simples assim. E a vida também é lógica, não é matemática, mas requer o tal do "preto no branco". Enfim, requer que a gente priorize quem gosta da gente, quem procura, quem demonstra, quem fica ao nosso lado ou busca estar ao nosso lado, a vida requer o simples: que gostemos e valorizemos quem gosta e valoriza a gente. Qual a lógica disso? A óbvia: se você valoriza quem não lhe valoriza e gosta de quem lhe ignora, lógico que você é um idiota. Sem mais.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 10 de outubro de 2014. 

Dormindo com o inimigo.

Dormindo com o inimigo.

Após o “água com açúcar” bobinho do “(500) dias com ela” assisti a “Dormindo com o inimigo”. Um filme da década de 1990 que, sim, me fez me sentir velha! Mas me fez ver que, quando eu era criança, as atrizes eram mais bonitas fisicamente: nem tão saradas e graúdas, nem tão esqueléticas.
O corpo da lindíssima Julia Roberts era, naquela época, ao meu ver, perfeito. Não, não meu amigo, nada contra, mas eu não sou homossexual, sou só uma mulher bem resolvida que não sente inveja de corpos verdadeira e não artificialmente belos. O filme conta a história de uma mulher linda e vitima de violência psíquica e física.
Do filme a gente percebe como a violência psicológica pode deixar mais marcas do que agressões físicas. É lamentável, mas até hoje em dia os ataques que mais doem não são valorados por aqueles “bondosos” julgadores de plantão. Eu falo com certa cátedra: nada, nada no mundo pode ser pior para o psiquismo de uma pessoa, mormente de uma mulher, do que agressões psíquicas e morais.
Por isso, em que pese exista o uso abusivo, considero a Lei Maria da Penha um avanço nacional, em que pese, sabemos muito bem, as pessoas olhem com mais preconceito para a vitima do que para o agressor. Sim, acredite, isso ocorre! Por conta de meia dúzia de mulheres maldosas, as reais vitimas se veem criticadas pela sociedade que acha que elas são permissivas quando, na verdade, só se apaixonaram pela pessoa errada. Muito errada, por sinal.
E, quanto a violência psicológica? Ah, os julgadores da vida alheia chamam de frescura, de bobagem, porque, em primeiro lugar, ninguém a vê, ela ocorre as escondidas, em segundo lugar ela não marca a pele, só a alma, a mente e pode levar uma pessoa a insanidade, mas, como os outros não veem, ela é “nada”.
A lei até que evoluiu, o difícil mesmo são as pessoas se aprimorarem e pararem de julgar e criticar o que não veem, o que não sabem, o que não sentem, o que desconhecem por completo. E, mais, o difícil mesmo são os seres humanos compreenderem que o que afeta a mente, a autoestima e a alma dói muito mais do que o que fere o corpo.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 10 de outubro de 2014.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Estupefata.

Estupefata.

Às pessoas questionam a existência de muitas características humanas, de muitas atitudes e formas de agir, mas esquecem de que elas só existem no mundo real, porque “funcionam”, porque “causam”.
Porque existem mulheres enxertando silicone nos seios, fazendo mil plásticas, colocando botox nos lábios, suando as pampas com um mega hair pela cintura e malhando horrores, enquanto vivem a base de alface, peito de frango e clara de ovo? Porque funciona, porque nove em dez homens curte esse tipo, atualmente, comum.
É fácil encontrar mulheres fotografando a si mesmas para que apareçam mais as melenas em cima da bunda e o decote homérico nas fotos do que o sorriso e o olhar. Difícil mesmo, pois é achar uma mulher diferente, com personalidade, estilo próprio e forma de pensar diferenciada.
Existem as loiras, loiríssimas, com cabelos longos, longuíssimos e aquelas que pintam o cabelo de preto, muito preto, pretíssimo, unicamente para serem “diferentes”, para chamarem a atenção. Logo, elas, com base nos atos masculinos, concluíram que ter opinião, um bom trabalho, ser dedicada, inteligente e humorada não chama tanto a atenção quanto uma barriga lisa e seios enormes.
Basta ver o facebook de certas moças: em “nove em meia” de dez fotos elas estão maquiadas, na balada ou posando de “modeleti” por aí. Sinto muito fia, mas modelo de verdade, pra mim, mora em Milão, Inglaterra, Itália ou, no mínimo, São Paulo, mas não sai em encarte de loja suburbana por migalhas e para arrematar os olhares de uns bobocas que visam mais a aparência do que a inteligência (e, por favor, não vamos muito longe a falar de essência, porque daí o negócio complica de vez!).
Enfim, o tipinho “piriguete” que está mais de olho no seu bolso do que no seu QI, existe porque você ovaciona, assim como só existe puteiro, porque homem procura puta. Simples! Sejamos realistas, antes de criticar essas moçoilas na medida exata da sua “putice”, conscientize-se: quem aumenta a sua “audiência” e ego é você, que não pode deixar de babar em cima de 300 ml de silicone saltando para fora da blusa.
Se os atos femininos determinam os masculinos? Pode ser, mas, sinceramente, até mulheres espertas se cansam de ser idôneas frente a predileção da maioria dos homens. Claro, não é um cansaço que as modifique, mas é um mero estupefamento incomodo. Que passa, como tudo nessa vida.

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 07 de agosto de 2014.


A perigosa bondade dos bons.

A perigosa bondade dos bons.

Agostinho Ramalho Marques Neto indagava: “Quem nos salva da bondade dos bons?”. Dos julgadores, no caso. As pessoas, de fato, convictas de sua decência, de sua bondade e de sua integridade, convictas, pois, de sua bondade e retidão de caráter criticam e julgam os “menos” bons ou, na sua visão rigorosa, os “maus”.
Pois eu não sei muito da vida, como, quando mais jovem e arrogante, acreditava que sabia, mas a vida me ensinou muitas lições, dentre as quais a de que ninguém é tão demasiado bondoso e exímio que nunca possa cometer um ato de maldade.
O problema, porém, são os bons que se acham bons, os que se dão ao direito de julgar sem conhecer, sem ter estado na pele do outro, no seu coração, na sua alma e é da “bondade” desses bons que todos devemos ser protegidos, inclusive eles mesmos, porque não tardará o dia em que a consciência que eles possuem de sua bondade lhes mostrará o que a vida mostra a todos: ninguém, absolutamente ninguém acima da terra e abaixo do céu é melhor do que o outro a ponto de poder criticar sem conhecer as suas dores.
Não digo que ninguém possa fazê-lo, mas acho que isso só deve ocorrer quando conhecemos bem alguém, quando nós conhecemos e não nossos pais, nosso marido, nosso filho, afinal, sempre e em todos os casos, o julgamento e a critica alheia traz mais a personalidade do julgador do que do julgado, mais daquele que critica do que de quem é criticado.
Nunca se esqueça da projeção, enquanto mecanismo de defesa do ego: nas criticas de Paulo a Pedro, se descobre mais de Paulo do que de Pedro. Portanto, todo cuidado é pouco na hora de usar a sua imensurável bondade para criticar o outro, afinal, a vida dá voltas e hoje o bondoso julgador, a pessoa de personalidade eximia e desprovida de erros colossais é você, amanha, porém, você será o julgado. E, conforme a oração, o será com a mesma rispidez com que julgou. Só lamento.
A gente evolui nessa vida quando aprende que até mesmo boas pessoas erram, mas que perigosas mesmo são aquelas que não reconhecem seus erros, que não fazem mea culpa e que atribuem tudo que lhes ocorre ao outro ou aos outros. Ser incapaz de sentir culpa, de agir mal, se arrepender e sofrer é, sim, um indicio de malvadeza espiritual.
Meu amigo, ser mau, todos podemos, todos somos capazes, inclusive, de matar um semelhante em dadas situações, me assusta, porém os “bons” que agem de forma maldosa e egoísta e não conseguem se arrepender, sofrer ou sentir vergonha, me assusta aqueles que são os bondosos, os santos, os coitados, as vítimas, em toda e qualquer situação. Estes sim, me apavoram.
Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 07 de outubro de 2014.

Convicções perigosas.

Convicções perigosas.

Nada pode ser mais inútil do que tentar abrir os olhos de gente convicta. Se a pessoa tem certeza de algo, ela não vai mudar de ideia e tudo o que você lhe contar terá um efeito reverso: certo do que pensa o outro vai usar as suas próprias palavras contra você.
É assim que se estabelecem governos durante anos, menosprezado o seu oposto, fazendo uma lavagem na mente de todos de que ele é o mais justo, o mais correto. Como, pois, lutar contra uma tendência humana? Creio que seja impossível! Não raras vezes as pessoas só abrem seus olhos quando querem, quando, por elas mesmas, percebem que o seu ídolo não é tão perfeito e o outro, quiçá, nem seja tão algoz ou maquiavélico como ele fora convencido.
Pessoas apaixonadas, de regra, são assim, ignoram tudo, ignoram todos os fatos, argumentos e indícios contrários a seus sentimentos, pessoas obstinadas, enfim, se tornam de tal forma parciais e aguerridas em suas convicções toscas que, desconfio, sua mente se atrofie. É lastimável, mas é a maior prova de que, a ouvidos surdos, não se fala.
Afasta-se e espera, afinal mudar de ideias é como mudar de conduta, as pessoas só o fazem por elas mesmas, por sua experiência e não por sugestão ou anseio de pessoa alguma. E, para isso, nada melhor do que um dia após o outro (quiçá anos), com boas noites de sono no meio. Um dia a verdade sempre vem à tona, ainda que seja a de que você foi mero joguete em mãos astutas.
Num processo judicial, por exemplo, a verdade só pode ser aferida após o contraditório, vez que todos têm direito a ampla defesa. E assim deveria ser na vida. Quando tapamos os ouvidos para uma das partes corremos o risco de errar, errar feio e, assim, sermos injustos. Todos têm suas razões. Toda ação gera uma reação, logo, nos equivocamos muito quando analisamos a reação sem ter ideia da ação que a impulsionou.
 Todavia, o certo é que a justiça Divina se concretiza com o decurso do tempo, quando a nossa cegueira passa, quando tudo vai aos seus lugares e quando aquilo que olvidamos (a narrativa do outro) se mostra verossímil, se desvela, pois ao nosso olhar.
Ninguém é perfeito neste mundo, nem você, logo, carregar consigo a certeza de que até seus julgamentos podem estar errados evitará maiores frustrações em seu caminho. Não menospreze ninguém que você não tenha convivido, que você não conheça com sua própria experiência. Pessoas são o que sentem, o que foram, pessoas são os seus próprios porquês e não os porquês que lhes atribuem. Ah, mas isso, meu amigo, só com muita experiência pra se aprender. Todavia, quem viver, verá. Ah, e se verá!

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 07 de outubro de 2014.

sábado, 4 de outubro de 2014

Inúteis.

 Inúteis.

Sinceramente? Gente feliz não faz fofoca, gente feliz não fala da vida alheia e, principalmente, não atrapalha a vida alheia. Gente feliz, como disse o Paul McCartney na canção: “Live and let live”.
Criticar os outros, passar adiante conversinha de boteco, falar mal, contar o “incontável” é coisa de gentinha mal amada e infeliz que, não contente com a própria infelicidade infame, tem que ver a do outro, afinal, a mediocridade é tanta que elas pensam, ao contrário do que disse o poeta, que “é impossível ser infeliz sozinho”.
Are, estou farta desse tipo de gente que, não só não faz falta, como incomoda. Quem acha que fofoqueiros só maculam o mundo com sua ausência de conteúdo, é porque nunca foi vitima de sua vileza, é porque nunca foi atrapalhado por seus papinhos esquizoides de gente recalcada e problemática que, ao invés de procurar um analista ou um sexólogo (sim, eles ajudam a resolver recalques, de acordo com o que eu e a Marta Suplicy pensamos, enfim, e literalmente: “Vai f... meu caro!””) sai por ai falando da vida dos outros e, quando não só falar lhes basta, inventando.
Sim, sim, fofoqueiros são ambiciosos! Cientes de que contar a verdade não causará o estrago desejado, eles dão um “up” nela para lascar com a vida do outro de vez. Que triste isso! Mas, meu amigo, não fique infeliz e cabisbaixo por ser vitima desse tipo de gente, os efeitos de seus atos, como tudo na vida, passam e resta a dura lição de que há mais gente problemática e cheia de recalques nesse mundo do que sua maquiagem e roupas bonitinhas indiciam.
Agora, meu filho, pegue uma corda, amarre no seu pescoço e num objeto fixo no teto (e resistente!) se você for o autor dessa perfídia. Se a sua vida está a tal ponto ruim, faça um favor ao mundo: suma dele ou procure ajuda médica, procure ajuda profissional, o resto do mundo não tem culpa da sua futilidade, da sua infelicidade e da sua maldade ogra e oca. Quem não agrega, não faz falta. Só lamento!

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 04 de outubro de 2014. 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Constituição, aborto e impotência.

Constituição, aborto e impotência.

Eu já fui uma pessoa muito intransigente. Quando jovem e na minha adolescência, era cheia de convicções e não tinha facilidade em ser dissuadida delas. Todavia, a vida faz milagres com a gente!
Hoje em dia adoro ouvir pontos de vista diferentes do meu, quando inteligentes e interessantes, acabo sendo por eles influenciada a modificar os meus paradigmas. Mas, às vezes, meu amigo, eu ouço e leio cada coisa que me revolta o estomago, coisas as quais, se eu respondesse, provavelmente seria levada à Delegacia mais próxima ou seria agredida, isso, claro, seu eu não agredisse antes.
Eu não tenho paciência nem preparo psíquico para ideias moralistas, para ideias fruto de opiniões de mentes presas a conceitos religiosos ou puritanos. Gosto de mentes abertas, de mentes libertas. Aborto, por exemplo, é um tema polemico, cujas ideias de alguns, às vezes me anojam.
Ora, por favor, será que as pessoas não sabem que mulheres e adolescentes abonadas o praticam sem que o Judiciário ou a sociedade saibam? E, mais, o praticam em segurança, sem correr riscos. Todavia, milhares de mulheres morrem ao tentar abortar em condições precárias, afinal, a prática é crime e o SUS não o garante.
Será que as pessoas não enxergam que a aplicação da lei, do jeito que ela é feita, privilegia a classe rica? Anticoncepcional. Certo, certo. Mas, você não consegue enxergar um pouco além e saber que tem mulheres que quiçá não sabem toma-lo? Ah, mas elas devem aprender né?! Sim, e você também deve deixar de ser hipócrita, mas não consegue!
E o controle de natalidade constitucionalmente garantido? Será que as pessoas não sabem que na prática as mulheres são desestimuladas, porque o Governo não quer gastar com a ligadura? Minha nossa, a ignorância da classe média e dos legisladores sobrevive à custa do sangue dos incultos, dos pobres, dos desinstruídos.
Nosso País é laico, mas a Igreja Católica e seus preceitos puritanos dominam. Por isso casamento homossexual é mal visto, por isso as minorias são criticadas, em que pese quase ninguém faça sexo só para reproduzir a espécie e após o casamento. Casamento religioso, diga-se de passagem.
Será que custa muito abrir a mente? Será que custa muito compreender que você tem o direito de crer no que quiser, de agir como bem entender, de praticar a sua fé, mas não pode exigir que os outros façam o mesmo. Se você toma anticoncepcional religiosamente, paga médicos caros, tem plano de saúde, compreenda: nem todas as mulheres deste imenso Brasil têm a sua cultura, teve as suas oportunidades, o seu conhecimento, a sua maturidade e, sobretudo, as suas crenças.
Perante a nossa detalhista Constituição, todos somos iguais, todavia, na prática as coisas são diferentes. A nossa Constituição Federal é o Brad Pitt das leis: linda, competente e atraente, qualquer um a deseja. Todavia, imagine o galã como sendo sexualmente impotente. Pois é, assim é a nossa Constituição. Detalhe, isso é um mero exemplo, nem a Angelina Jolie nem a nossa nação merece referida impotência. A do Brad é exemplificativa, a da nossa Constituição, não. Infelizmente. Oh, glória!

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 03 de outubro de 2014.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Não todos.

Não todos.

Sim, homens e mulheres têm instintos diferentes, mas não, por favor, não confunda isso com ausência de princípios: na dor e no amor todos são iguais. Tem quem diga que todo homem trai. Eu digo que todo ser humano pode trair e trai quando descontente. Seres humanos, compreendeu? Mulheres também.
Ninguém é santo, mas existem pessoas com mais coragem de assumir seus pensamentos e sentimentos do que outras, pessoas com mais princípios. É o descontentamento, a frustração com a personalidade do outro e com a ausência de sexo e afinidades íntimas que impulsionam as traições.
Você acha que cavalo amarrado também pasta? Ocorre que cavalo amarrado e bem alimentado não pasta qualquer verdinho que vê pela frente, meu amigo. E isso vale para homens e para mulheres, enquanto houver admiração, respeito, carinho e uma cama que ainda fica quente, não haverá espaço para a infidelidade.
Conheço casais que ficaram anos e anos casados e, quando a frustração bateu-lhes a porta se separaram, não sem dor, mas sem trair ao outro. Corpos belos, pessoas atraentes e outras tantas oferecidas e vulgares sempre existirão, mas só o homem ou a mulher descontentes e desprovidos de coragem para separar-se irão trair, irão procurar outro ou outra.
Dizer que quem não foi corno um dia será mais me parece coisa de quem já tomou guampa e quer que os outros tomem, do que uma afirmativa racional. Isso é o mesmo que dizer que quem ainda não foi desonesto, um dia será ou que quem ainda não foi vitima de agressão física um dia vai ser. Nem todos são iguais ou estão fadados aos mesmos infortúnios. Toda generalização é burra.
Conheço quem nunca traiu e nem foi traído. Nem todos são ou serão vítimas dos mesmos fatos infelizes que você, assim como ninguém é igual a você, tampouco aqueles com os quais já se relacionou. Relacionamentos requerem zelo, atenção e cuidado. Se ele esfria para você, estará frio para o outro também, na maioria das vezes.
Sem uma dose de esperteza e cuidado você termina traído mesmo. E mais, sem uma dose de franqueza também acaba traindo! Agora, ciente disso, não generalize. Existem pessoas e pessoas, relações e relações, atitudes e atitudes. E ponto final.
Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 1º de outubro de 2014.


terça-feira, 30 de setembro de 2014

Agora.

Agora.

Às vezes quando a gente não planeja, não espera e não racionaliza, a vida nos surpreende, ou melhor, nos faz nos surpreendermos conosco mesmos. Planejar e realizar é ótimo, mas ser surpreendido quando não se espera muito é melhor, muito melhor.
A vida, meu amigo, é de quem não se limita, não se bloqueia, não tem medo e não se acanha frente ao que lhe aparece de bom. A vida não é matemática, não é lógica. A vida é um universo de oportunidades no qual só conquista a felicidade e tudo mais que deseja quem não se limita ao preconcebido.
Não raras vezes você se diz “eu só quero tal coisa daqui há anos”, mas, por alguma razão vem a vida e lhe traz o que você queria noutro momento. Cedo, na sua concepção. Então, você “pula” ou encara?
O fato é que boas oportunidades nem sempre voltam, ela não ocorrem quando você quer, às vezes, mas quando a vida quer, logo, para ser feliz, é preciso compreender a vontade da vida e não insistir apenas na sua, nos seus anseios e planos.
Ser feliz requer leveza, leveza requer liberdade de espirito e liberdade de espirito requer coragem. A felicidade pertence aos corajosos, aos livres e aos de alma leve, que não deixam para depois a boa vivência que pode viver agora.

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 30 de setembro de 2014.

Mães e filhos.

Mães e filhos.

Não ser mãe não faz de uma mulher "menos mulher", nem de um homem "menos homem". Aliás, seguidamente vejo pessoas incapazes de dar educação, carinho, afeto e limites ao filho cobrando a reprodução da espécie de terceiros.
Filhos tem quem deseja, quem tem preparo psíquico e pode sustentar. Ou melhor, deveriam ser apenas tais pessoas. Filho chora, ocupa tempo, faz birra, tira o sono, custa caro, implica em milhares de responsabilidades e abstenções. São contratos eternos de um bem que não é seu, mas do mundo.
Filhos não são meros companheiros, porque hoje estão, amanhã deixam de estar com você. Idade para tê-los? Aquela na qual você está de bem consigo, no amor, na intimidade, na mente, no trabalho e na conta bancária e, sobretudo, aquela na qual você compreende que eles são seus e não dos avós, da escola ou da baby sitter.
Ademais, sequer em seus cuidados, como mãe, especificamente, você deve contar demais com o pai. Não raras vezes os casamentos findam, porque a mulher, após a maternidade, deseja do marido atos que ele não consegue fazer, ou não quer, enfim.
Entenda: alguns homens só conseguem prover e cuidar em determinadas situações, em caso de rompimento, o filho ficará com você, se conseguires ser uma mãe melhor do que o marido foi como pai e é está a regra, infelizmente. A igualdade está na lei, na Constituição Federal e não na mente, no instinto e na alma. Enfim, ter filhos requer uma maturidade que nove em dez pessoas que os tem, não possuem.
E eu lamento isso. Ter filhos não é obrigação que você tem até está ou aquela faixa etária, é escolha que você faz ciente de que seus próximos anos não serão livres como seriam se você não os tivesse.
Não existe idade certa, mas condições de vida necessárias para se ter filhos. Se a maternidade compensa? Dizem que sim. A minha preocupação, no entanto é que as mães relapsas, fúteis e mal educadoras também respondem positivamente a tal pergunta. As mães possessivas, doentias, paranoicas também louvam a maternidade.
Portanto, pense, planeje e repense, afinal bebês são lindos, são bênçãos, mas lhe exigem responsabilidade eterna, amor e entrega permanentes. Se você não está disposta a amar mais a alguém do que a você mesmo, não tenha filhos, o mundo não precisa de mais pessoas mal criadas, egoístas e revoltadas, assim como não carece de pessoas hipócritas e imaturas que apregoam a dádiva daquilo que mal sabem fazer e ser. As mães, no caso.
Seja o que for que você venha a fazer, ter ou não ter filhos, pense muito antes. Gerar uma vida é uma dádiva, até crianças de 13 anos a possuem, ser responsável pela educação e construção do caráter de alguém é, no entanto, uma responsabilidade imensa e permanente.
Respeitar, dialogar, saber o momento certo de repreender, de se impor sem castrar, sem macular a inteligência e a liberdade de espirito do infante, requer dedicação, requer maturidade, requer consciência da importância de seu papel. Consciência que falta naquelas inúmeras pessoas que acham que ter filho é soltar no mundo e deixar ao arbítrio de Deus.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 30 de setembro de 2014.

Orgulho de si mesmo.

Orgulho de si mesmo.

Faça um favor a si mesmo, não tenha orgulho por ser bonito, não tenha orgulho por fazer Direito, Medicina ou ser filho de pai rico, não tenha orgulho por ter uma namorada bonita, não tenha orgulho por ser magro ou ter o abdômen sarado.
Ter orgulho do que faz, da própria aparência, herança, profissão e saldo bancário é de uma tolice descomunal. Se for para se orgulhar de algo, que seja de tentar ser hoje melhor do que ontem, que seja de ser honesto, de ser bondoso, de não ter preconceitos, de ser sincero, transparente e fiel.
E, ainda assim, não deixe a sua felicidade consigo próprio subir à cabeça e se tornar arrogância. Não se reconheça como bom, não se orgulhe disso, pois o santo deixa de ser santo a partir do momento em que se denomina como tal.
Tente ser bom, tente ser humilde e compreenda que nada do que tens, nenhum dom, nenhuma benesse foi dada sem que exista, implicitamente, a provação do bom uso que vais fazer dela. Serás arrogante? Serás orgulhoso ou intransigente?
Você tem o direito de gostar de si mesmo, de saber de seu esforço, de suas facilidades, de sua luta, mas não precisa mostrar isso ao mundo, não precisa mostrar a todos o orgulho que tem de si mesmo. O amor próprio, assim como o amor entre casais, se realiza em silêncio, quanto mais alarde, menor a sua veracidade. Simples assim.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 30 de setembro de 2014.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Esquizoide.

Esquizoide.

Eu admiro casais cujo casamento só tem fim com a morte. Desde que ambos sejam felizes e, sobretudo, se respeitem. É fácil demais dizer que "casamento é para a vida toda" quando se fica com alguém sem ter mais tesão por ele, simplesmente por comodismo e covardia.
É fácil ficar com alguém o traindo para saciar a carência que possui, da mesma forma, é fácil manter um casamento com demasiada tolerância quando os bens do outro lhe interessam mais do que o bem querer que nem existe mais.
Tem coisas lindas que saem de bocas erradas, exemplo disso é tal afirmativa. Ademais, o que deve ser eterno é o amor, o respeito e a consideração e não o casamento enquanto "instituição". Enfim, não vale ter uma relação eterna sem que ela seja baseada no amor e na transparência, no respeito e na cumplicidade.
Aliás, sempre que afirmo (inclusive em sala de aula) que acho o regime de separação total de bens justo, ouço pessoas casadas há anos me criticarem, como se eu não tivesse fé no amor, como se eu não acreditasse no casamento. Ocorre que eu acredito.
A questão é que já pensei de forma oposta, mas as opiniões que temos são resultado de nossa experiência de vida e, só penso uma coisa quando homens dizem que não estou correta: “Esses sujeitos não sabem que a maioria das mulheres, antes de querer saber o seu nome e estado civil, indagam se eles são ricos?! Sabem de nada!”.
Esse povo parou no tempo ou é demasiado inocente. Tem muito lobo em pele de cordeiro nesse mundo, enfim, muita mocinha se fazendo de decente, de correta, de santa que, quando apresentamos alguém, querem saber o carro que o cara possui, a profissão e as condições financeiras para decidirem se devem ou não dar atenção ao sujeito.
Eu acho que, justamente, porque devemos casar sem pensar no fim é que a separação total é justa: os filhos, em qualquer caso, serão nossos herdeiros, mas, porque devemos ter parte no que, não raras vezes, foi fruto mais do suor, da dedicação e da inteligência do outro? Se for para ser “pra sempre”, por que criticar tal regime?
O que deve ser divido em sua plenitude num casamento é o amor, o respeito, a admiração, a atração mutua. O resto se for para sempre, será de ambos e, se a relação findar, será de seu real proprietário. Simples, eu não vejo nenhuma dissonância nisso com minha crença no amor, mas, definitivamente, eu devo ser muito esquizoide. Oremos.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 29 de setembro de 2014.

Miseráveis.

Miseráveis.

Relacionamentos são ou, ao menos, deveriam ser, baseados no amor, na cumplicidade, na admiração, no respeito e, sim, no sexo. Todavia, do alto de sua hipocrisia tosca as pessoas negam tal fato.
O companheiro é o "querido", o "honesto", o "carinhoso", mas esquecem de que ele não lhe satisfaz, não lhe agrada quando o termômetro deveria esquentar. E, assim, mantém seu status de "namorado", "noivo" ou "marido". À custa do que? De constantes flertes por aí, numa busca desrespeitosa para preencher o que o "querido e bonito" não lhe dá.
A hipocrisia humana é e sempre será uma inesgotável fonte de erros. Sei lá se as pessoas tem medo de ficar sozinhas, medo do novo, medo delas mesmas! Fato é que se não há amor e desejo a relação está morta, se urge a necessidade de desrespeitar o parceiro ficando com outras pessoas, o seu relacionamento está falido e você é um infeliz, só não admite tal fato.
Por que eu penso assim? Porque eu acredito no amor, na paixão e na capacidade humana de ser fiel e leal quando ama, porque, se pessoas que amam verdadeiramente traem, então eu perderia a fé em tal nobre sentimento. Para mim, quem ama não trai, mas quem diz que ama, quem chama de "meu amor" e faz homenagem carinhosa no facebook para mostrar ao mundo sua felicidade e amor, trai.
O amor não precisa de divulgação, fotos e publicidade. Ele se concretiza no afeto, carinho e entre quatro paredes, nos momentos mais íntimos e com o testemunho unicamente de quatro paredes. E é nisso que acredito.
Pessoas felizes em seus relacionamentos não traem, pessoas apaixonadas e bem amadas também não, o problema do mundo, porém, é que o povo parece precisar de alguém ao seu lado, independente de sua realização pessoal e intima com ela, a hipocrisia é uma doença social que faz com que convencer aos outros de que se é feliz e realizado, se torna mais importante do que ser, realmente, feliz e realizado no amor.
Seres humanos: desisto de entendê-los, mas continuo me abstendo de compactuar com a sua desonestidade, deslealdade e infidelidade. Se eu não entendo, eu não concordo, simples assim.
Na verdade, algumas coisas maltratam meu forte e resistente estomago, exemplo disso é ver quão infiéis e desleais pessoas que se mostram socialmente felizes e realizadas podem ser. Realmente, a poeira desse mundo está é embaixo do tapete, porque as pessoas querem assim, mas os ácaros estão lá, contaminando seu ambiente aparentemente limpo e perfeito. Miseráveis, no sentido real e profundamente miserável da palavra.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 29 de setembro de 2014.

Apego e desejo.

Apego e desejo.

A verdade é que comigo não funciona a lei do desapego. Eu posso não procurar, mas eu crio apego por quem gosto. Aquela letra de "Sereníssima" da Legião é a minha cara! "Sou um animal sentimental me apego facilmente ao que desperta o meu desejo."
Pois é, tô precisando parar de mentir para mim! Isso não da certo! Não mesmo. De quem eu gosto ou acho que tenho razões para gostar, eu me apego! Sinto falta, curto, só não vou atrás, pois do contrário estaria acompanhada e não com saudades. Bem ou mal o apego a mim mesma prevalece, eu não procuro e desisto quem não me procura e não insiste em mim!
Não posso fugir do fato de que sou sentimental e existem pessoas falsas no mundo. Se eu só me apego a quem creio que valha a pena? Sim, óbvio. E onde entra a falsidade nessa questão? Tem gente que finge que é honesta, livre, apaixonada, boa e sincera. Logo, eu estou sujeita a enganos.
Não raras vezes posso sentir desejo pelo que me parece bondoso, querido e franco, me apegar e acabar desapontada. Sim, hipocrisia, auto ilusão e orgulho a parte, isso pode ocorrer comigo e, sim, já me ocorreu.
O fato é que não nasci para honrar o desapego, para ficar com uma pessoa hoje e, gostando dela, não esperar mais sua atenção. Se eu sou desapego? Claro, para inúmeras pessoas. Pessoas que não me cativaram, pessoas pelas quais não me atrai física ou intelectualmente ou por aquelas as quais me apeguei mas não me procuraram, não demonstraram apego a minha pessoa.
Mulher sincera, transparente e espontânea como eu, só renega quem não deseja, só não se apega a quem não lhe toca a alma, o coração ou a quem, mesmo o fazendo, não vai atrás, não procura, não demonstra sentimentos bons e sinceros.
Admito, eu sou sentimental sim, logo, se eu pareço apegada a alguém, com certeza é porque gostei da pessoa ou, ao menos, da pessoa que ela me apresentou. Se eu vou me manter apegada, dependerá da sinceridade de seu agir e de seu sentir, da transparência e da honestidade de seus atos. Sem mais.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 29 de setembro de 2014.

Dinheiro e diversão.

Dinheiro e diversão.

Sabe por que as pessoas dizem que dinheiro não traz felicidade? Em alguns casos, porque não sabem gastá-lo, não sabem comprar com ele coisas que podem lhes fazer felizes, não tem bom gosto, são tão materialistas que só pensam em guardá-lo e não em usá-lo, em outros casos, porque são doentes.
Sim, doentes! Depressivas, psiquicamente problemáticas, do tipo infeliz que não se contenta com um sapato novo, uma bolsa importada, um perfume francês, uma viagem, um vinho bom, uma boa refeição, uma viagem, um livro.
Pessoas sãs emocional e mentalmente sabem que dinheiro não muda índole, não muda personalidade e não cura problemas mentais e psicológicos, logo, tais pessoas sabem, ao menos, o que fazer com ele para se divertir e, hipocrisia a parte, sabem que ter conforto é divertido.
Quem não gosta de uma boa cama, um plano de tv a cabo que possibilite assistir diversos filmes e programas, quem não gosta de roupa bonita, de arrumar o cabelo, de poder gastar com livros, vinhos, comida boa, tratamentos estéticos, plásticas, quem não gosta de se sentir bonito e elegante, sinceramente, ou é doente da cabeça ou é burro demais. Frise-se, porém, que quando falo em dinheiro, é daquele que a gente conquista trabalhando, porque, se tem algo que dá mais graça às nossas aquisições é saber que elas não caíram do céu e nem foram conquistadas sem trabalho, só com malandragem e golpe em gente burra. Dinheiro bom é o dinheiro da gente. 
Ademais, dinheiro não se batalha para guardar, dinheiro foi feito para comprar o que nos faz feliz. Simples, vivemos num mundo capitalista: o que é bom custa dinheiro! A gente só não paga para contemplar a natureza, mas, não raras vezes, pagamos para chegar até um local “naturalmente” belo! Não sejamos hipócritas!
Se o problema for uma paixão frustrada, um amor não correspondido, ah, meu amigo, sinto muito, mas vá chorar na Big Apple ou na Califórnia! Vá se dedicar ao trabalho, ao menos, para ter grana e vir a amargar um belo porre num hotel chique! Amor é bom, mas oxigênio e amor próprio são essenciais.
Use o que você tem e seja feliz, ainda que só. Um jantar animado, uma taça de vinho e uma bela imagem refletida no espelho animam qualquer um. Qualquer um que seja emocionalmente saudável, o resto das pessoas, é verdade, não fica feliz nem em Paris, nem numa mansão, nem em lugar algum do mundo. Para esses, só um pai de santo, um padre, um bom antidepressivo e, quiçá, um exorcismo ou um dia numa fila do SUS. Só lamento!

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 29 de setembro de 2014.

Jogos

Jogos

Eu não sei jogar. Não sei fazer charme. Quem quiser acha algum charme na minha espontaneidade, transparência e riso frouxo. Não sei dizer não quando quero dizer sim, não sei rejeitar o que eu quero, sequer sei segurar o riso ou as lágrimas.
Sinceramente eu nem gosto desse povo que joga, que faz de conta que deseja o que não quer, sente o que desconhece e pensa de forma diversa da sua. Enfim, gente que vive como uma eterna criança: fazendo de conta! E, justamente por isso atrai pessoas tolas e pouco experientes.
Afinal, se tem uma coisa que a vida ensina é gostar do simples, do preto no branco, de quem é sempre o mesmo, sempre verdadeiro, sem ter medo de desagradar pessoa alguma. Se a vida requer que joguemos para obter êxito em algo, então perderei esse jogo, mas não o orgulho de ser quem sou. Isso nunca!
Não sei jogar e não gosto de gente que gosta de jogadores, assim como não gosto destes. Eu gosto de pessoas que tem uma cara só dentro do barraco ou no palácio, diante do operário ou do pós-doutor, do pobre ou do rico. Eu gosto de gente que tem orgulho de si mesmo e que, principalmente, não tem vergonha de suas atitudes.
Gosto de quem assume o risco de tomar as decisões que toma, ou melhor, de quem assume o resultado dos seus atos. Essa coisa de dançar conforme a música ou, o que é pior, de colocar a música programada, porque a conhece, não combina comigo.

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 29 de setembro de 2014.