Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sábado, 17 de abril de 2010

A separação "consensual" e sua burocracia.

A separação "consensual" e sua burocracia.

- Dra. Cláudia, eu e meu marido não somos casados há muito tempo e não nos relacionamento bem, dai eu resolvi deixa-lo. Quando eu disse para ele apenas o que eu queria que ele fizesse com os bens que adquirimos ele ameaçou me matar. Sim Dra. ameaçou me matar gritando na frente da minha mãe e de outras pessoas, inclusive!
- Lamento, mas, me diga uma coisa, você vai querer entrar com a separação litigiosa? Registrou ocorrência da ameaça?
- Sim, registrei, inclusive "mandaram" ele sair de casa, mas como ele já morava lá antes de casarmos eu mesma sai e minha mãe conversou com ele para retirar meus pertences de lá. Quanto a separação o pai dele fez uma proposta através da minha tia e eu...Bem, Dra. eu não quero sofrer mais do que sofri, vou aceitar para me livrar dele e de tudo de ruim que ele representa para minha vida.
- Sim, a lei propicia fazermos a separação por escritura pública em que vocês dois comparecem ao Cartório de Notas, faz-se um termo e saem de lá separados judicialmente, em um ano ocorre o Divórcio. A Lei mudou e esta mais fácil...
- (interrompe)Fácil o que Dra.? Eu ter que me deparar com o pirado que ameaçou me matar e que quase me matou emocional e fisicamente? Não pode Dra.!
- Bem, mas ainda que entremos com uma ação litigiosa ou judicial terás que vê-lo perante o Juiz que, de regra, tenta "apaziguar os ânimos", isso também não é agradável.
- Então Dra. vou passar uma procuração para alguém, farei qualquer coisa! Não pode falar com o cartório?
- Podemos tentar, mas em cidade de porte como a nossa será praticamente impossível, eles não aceitam, quanto a procuração é viável se...(continua entre uma lamúria e outra).
Não gosto de Direito de Família, nunca gostei, mas por motivos pessoais tive contato com impasses como os narrados no diálogo fictício (ou nem tanto) acima. E, continuei sem gostar desta parte do Direito. A Lei "facilita" o que e para quem? A mulher que de regra sai acuada do relacionamento, com a sua estrutura psíquica em frangalhos tem que se sujeitar às "facilidades" que judiam mais dela do que do outro.
E quando a pessoa que fez por merecer a separação se nega a dar? Conheço uma pessoa que se separou há pouco e teve que fazer propostas aberrantes através do advogado para o ex marido aceitar assinar a separação. A mulher "pagou" para se separar assumindo dívidas que não fez. Justo para quem? Acho que esta faltando mulheres que sofreram com homens ignorantes e maldosos na hora da separação se tornarem legisladoras neste País.
Vamos facilitar a situação de quem, não amando mais e tendo sofrido decepções, "aceita" a separação consensual para poupar dor, mas ainda assim se vê diante de burocracias desnecessárias. Saliente-se que de regra não é o cônjuge homem quem sugere a "consensual", mas seus familiares que tentam minorar os problemas advindos da separação e possibilidade de uma separação litigiosa que custa caro e demora anos.
Casamento é mais comunhão de sentimentos, amor e anseios do que instituição jurídica. Havendo divisão consensual de bens (o que é fácil porque aquele que deseja se separar normalmente sai "perdendo" em prol do ganho de sua paz outrora perdida) não deveria ser necessária audiência ou encontro entre os separandos. Poupem a mulher e seu medo, seu receio pela sua vida, inclusive, neste mundo em que a cada dia ocorre um homicídio passional mais triste e tolo que o outro.
A mulher é sim mais frágil do que o homem no quesito separação quando é ela quem deseja se separar. Existem ameaças, existe a resistência do outro em lhe facilitar a vida. Sim, porque casamento dá um prazer no ato do "vos declaro marido e mulher" e dois prazeres na hora do "agora a senhora volta a assinar seu nome de solteira".
Para uma relação chegar ao ponto da separação Sr. Legislador, foram muitas as brigas, as ofensas, as humilhações, as mágoas e, de regra, saiu o amor e entrou o desprezo de forma que colocar a separanda de frente com o separando pode lhe causar uma úlcera nervosa para toda sua vida. Vamos facilitar a separação consensual ainda mais e agilizar o tramite das litigiosas ou será que a Igreja Católica patrocina a feitura de Leis?
Vamos deixar as pessoas se separarem de forma simples, sem contato, sem que tenham que ser colocadas frente a frente quando uma delas foi ameaçada. Vamos perceber Senhores Legisladores que de dolorida bastou a decisão pela separação, de resto é necessário facilitar a "concessão" de liberdade para que a pessoa que deseja sumir das vistas do ex doente possa ir para a Oceania sem levar consigo uma certidão de casamento infeliz, um sobrenome que traz más lembranças e uma pessoa não confiável "no pé". Sim, senhores Legisladores, existem mulheres inteligentes e de bem que se apaixonam e casam com uma pessoa mentirosa, mas isso não é crime. Crime é dificultar a separação para uma mulher que casou enganada e sofreu em demasia. Crime é colocar a pessoa ameaçada que faz de tudo para assinar a separação diante de uma pessoa que pode nem sequer aparecer no Cartório ou na audiência, e, porque não, sabendo que a outra estará lá em determinado horário pode mata-lá ou mandar alguém faze-lo? Será necessário que isso aconteça com a atriz da novela, com a filha do Desembargador ou com a enteada do empresário milionário para que a Lei mude?

Cláudia de Marchi

Wonderland, 18 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

(Des)equilírio

(Des)equilíbrio

O mundo esta desequilibrado, sem limites e harmonia. As pessoas não agem mais com racionalidade. Existem os que comem por compulsão e acabam obesos ou quase obesos, porém ao invés de procurarem um tratamento psicológico recorrem a procedimentos cirúrgicos invasivos. Por outro lado vendo modelos cadavéricas desfilando muitas jovens passam a parar de comer prejudicando suas vidas e intelecto em prol de um padrão de beleza nada saudável.
Algumas pessoas se dedicam tanto ao trabalho para obter grande remuneração e deixam a educação dos filhos em segundo plano, outros preferem viver com muito pouco a se dedicar ao trabalho. Uns economizam dinheiro como se pudessem corromper os deuses para entrar no céu (sim, porque parecem acreditar que levarão sua fortuna junto), outros gastam com tantas superficialidades e tão facilmente que se tornam patéticos. Dinheiro advindo de trabalho honesto é bom, assim como bons jantares, boa bebida, locais interessantes, bons livros e férias bacanas para espairecer. Conforto e qualidade de vida requerem gasto racional, proporcional aos ganhos.
Alguns pais repreendem tanto os filhos que engessam sua alma, terminam com sua auto estima e auto confiança, outros são tão permissivos que acabam educando pessoas com probabilidade de desenvolverem uma personalidade doentia. Muitas pessoas se tornam tão vagas a ponto de buscarem sexo casual e relações superficiais a todo tempo, outros se entregam de forma doentia a uma paixão que se tornam perigosos. Para o outro e para si mesmos. Alguns após decepção afetiva fecham o coração num casulo, outros saem pela vida rapidamente em busca de um amor que terminam atropelando quem poderia ocupar o posto de "dono de seu coração".
Saiu um sociólogo demagogo do governo do País e entra um ex-sindicalista semi analfabeto que faz de conta que não vê a desonestidade que ronda sua governança. Mas o brasileiro prefere ganhar sardinha a tentar pescar salmão em alto mar. A Justiça enclausura pobres, favelados e negros, e os criminosos de colarinho branco ficam ilesos, mesmo que suas condutas prejudiquem mais a nação e a economia brasileira que a do ladrão de loja de conveniência. Não estou apregoando a liberdade destes, mas a prisão daqueles e de todos os criminosos abastados.
Alguns bebem em demasia a ponto de despertarem piedade nos outros e se entregarem ao alcoolismo, outros não bebem nem xarope por causa do álcool e se tornam irritantemente chatos. Alguns concordam tanto com o outro e vivem para serem bem quistos no julgamento da sociedade que acabam por deixar a própria personalidade trancada num banheiro público, outros se acham tão espertos e teimam a ponto de se tornarem toscos ao desejar que suas opiniões prevaleçam.
Alguns malham tanto em busca da hipertrofia muscular a ponto de atrofiar os neurônios, alguns riem tanto que acabam por parecer irracionais, outros são tão sérios que assustam até um demônio. Alguns estão sempre descontentes e não valorizam o que possuem, outros se contentam com muito pouco e perdem o estímulo de enfrentar a vida e suas inúmeras batalhas. Existem os que não temem a nada e arriscam a própria vida, outros temem tanto que não vivem a vida. Há os que nunca fazem exames médicos nem cuidam da própria saúde, por outro lado há aqueles que se tornam hipocondríacos de tanto medo de adoecer.
Enfim, a sociedade carece de equilíbrio, as pessoas não buscam o equilibro para seus atos e sentimentos, e não é preciso ir em psicanalista algum para aprender a ter serenidade e equilibro psíquico, basta aprender com a vida e se auto compreender. Quem nada apenas na superfície pode padecer quando precisar nadar longas distâncias, por outro lado o homem que vai fundo demais morre afogado. Justa medida, ta bom?
Cláudia de Marchi
Wonderland, 15 de abril de 2010.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Despreparo penal

Despreparo penal

Não existem fórmulas para educar bem um filho, todavia eu ensino um mote para quem deseja educar mal, para quem deseja criar pessoas com personalidade monstruosa: O filho fez algo errado?Bata. Diga quanto tempo ele vai ficar de castigo. Depois se arrependa do que disse e leve ele ao shopping escolher o que deseja para purgar sua culpa pela surra e castigo incompleto. Ou, se você tem dinheiro, deixe de dar atenção, amor e carinho e passe a lhe dar carrinhos, bonecas, brinquedos de última geração, e, quando o filhote crescer compre a moto, o carro e o que mais ele lhe exigir. Ótimo, sua futura nora ou genro terão um parceiro sem escrúpulos e sem limites, que poderá não matar ninguém, mas será especialista em aniquilar com o coração de quem ousar ama-lo.
Bater não é nem nunca será a melhor forma de educar, mas, se necessário for o pai não deve demonstrar culpa por isso. Logo, só deve faze-lo se realmente não tiver alternativa mais afetiva e racional. Castigos são úteis, todavia, uma vez impostos haverão de ser cumpridos sem a desistência daqueles que os aplicam, do contrário a criança saberá que seu choro, seu charme irresistível de "vítima" de olhos ternos e bochechas rosadas convencem, e dai, queridos, podem dar o chinelo para ela que futuramente quem vai apanhar, nem que seja com os fortes bofetões do desrespeito verbal serão vocês.
Eis que chego ao nosso sistema penal, aquele das leis, da prisão e dos processos longos e constato que o Judiciário goiano concedeu a progressão de regime para o pedreiro de nome simpático (Adimar) e condutas macabras e cruéis. O parasita social recebeu salvo conduto para violentar e matar 6 jovens em Luziânia, no Goiás. Ah! O último laudo psiquiátrico convenceu ao magistrado que o cidadão era polido, não violento e que não precisava de medicação controlada.
Justiça inapta. O poder Judiciário brasileiro e sua irracionalidade me assusta. Até quando a psicopatia ou distúrbio de personalidade anti-social não irão ser percebidos como males para os quais não há tratamento? Até quando vão olvidar do fato de que o psicopata mente com perfeição sobrehumana e, desejando, se mostra ao perito como a pessoa mais bondosa e empática do mundo? Até quando os peritos psiquiatras e psicólogos irão fazer vistas grossas e dar laudos como se fossem leigos e não soubessem da malícia e maldade por trás do jeito "meigo" do preso que almeja a liberdade? Realmente, não existe remédio para sociopatas e o Sr. Adimar deveria cumprir toda sua pena recluso, trancado.
Psicopatia não é esquizofrenia, paranóia, depressão ou síndrome do pânico, nenhum remédio pode trata-lá, não tem cura Senhores Juizes! E, dolhe uma, dolhe duas, dolhe três: O que "é" uma pessoa que mantém relações sexuais e mata pessoas cruelmente? Um depressivo? Em surtado? Não, um psicopata, sinto informa-los. Nem todo psicopata mata, mas de regra todo assassino em série é psicopata. Existe muita literatura vasta sobre isso, ou será que depois que os Senhores sentaram em suas cadeiras fofas e passaram a receber um salário polpudo todo o mês esqueceram o que é um livro? Ah, não me refiro àqueles muito lidos para passar em concurso, só para avisa-los, até porque esses foram guardados e esquecidos após seu ingresso na Magistratura.
Cumprimento rígido das penas, isso é o que falta no Brasil. Não precisam mudar os artigos da lei penal, mas seus caput e parágrafos: Chega de benefícios por bom comportamento, de diminuição da pena e possibilidade de progressão de regime num País em que as próprias penas não são perpétuas. Matou? Foi condenado a 30 anos de prisão? Fácil, tranca e coloca trabalhar no presídio, plantar, cuidar de aves, fazer com que pague a sua estada sob o albergue do Estado cujo bem estar e integridade maculou.
Há, pois a necessidade das pessoas e principalmente do legislador penal saber penalizar. Ninguém leva a sério um pai que se arrepende dos castigos que impõe, nenhum contraventor vai temer um Estado que dá benefícios e mais benefícios para lhe facilitar a vida. E nenhum assassino em série vai demonstrar aos psicólogos ou psiquiatras que são agitados, que tem sede de dor, de devastação, de contravenção, de sangue.
Vamos afastar do Judiciário despreparado médicos e profissionais da saúde tão despreparados quanto, vez que quem chora pela sua inaptidão e despreparo são pais de família inocentes. Vamos aplicar as penas corretamente, do principio ao fim, sem redução, sem benefícios. Cumprimento ideal e integral da penalidade é a bandeira que ergo. Se vai diminuir a criminalidade? Só o tempo pode dizer, mas eu tenho certeza que os 6 rapazes cujas vidas foram retiradas de Luziânia estariam lá com seus familiares até quando Deus quisesse.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 13 de abril de 2010.

Velhos tarados

Velhos tarados

Nem mondongo mal lavado, nem batata frita requentada conseguem ser mais indigestos do que o olhar de um velho tarado. Nada é tão nojento, abjeto, e, principalmente irritante para uma mulher do que ser paquerada por um velho asqueroso que não tem consciência de seu aspecto físico, menos ainda moral condizente com sua aparência que deveria despertar ternura e admiração, não nojo. Perdoem-me, mas isso inclui homens de terno conduzindo uma linda Mercedes bens rumo ao ser apartamento de mil metros quadrados.
Velhos tarados são aqueles sujeitos que contam com mais (ou bem mais) que 55 anos que perdem a graciosidade e o respeito ao paquerar uma mulher. Detalhe, não falo que idosos não possam olhar ou flertar com mulheres mais jovens, podem até faze-lo se acharem que podem, mas de forma natural, respeitosa e sem aqueles olhares abomináveis de quem estupra a criatura com os olhos.
Qualidade de vida é se sempre será uma benesse na vida das pessoas, envelhecer com qualidade e com saúde tanto quanto. Mas a saúde implica, também na saúde mental e psíquica, logo existem certos pontos óbvios: É anormal um homem de setenta anos ficar olhando com demasiado desejo e cobiça a jovem de 18 anos. Se possuem tanto furor a ponto do raciocínio desaparecer o certo seria procurar profissionais do sexo, aquelas boas e velhas (leia-se: velhas pela idade da profissão, mas jovens na idade) prostitutas para lhes fazer o serviço, pois, garanto, por amor nenhuma mulher com vinte e poucos anos aceita um setentão barrigudo e/ou com a carne flácida em cima de si.
Não quero ofender os velhos. Não os saudáveis e normais, aqueles que olham com respeito a beleza das jovens moças, que possuem uma parceira de sua idade ou pouco mais jovem e com ela faz aquele tal de bom, velho e saudável sexo. Assim como os idosos muitos são os homens desequilibrados cujo olhar é ofensivo de tão cobiçoso. Mulher alguma gosta disso, creio que nem aquelas que são pagas para deitar, ralar e rolar.
Ser velho não é defeito, gostar muito de sexo também não. Mas, tudo na vida tem que ser usufruído com naturalidade, para tudo a razão impõe limites. Há momento e época para tudo, claro que ter cara, jeito e gênio de tarado é aberrante e anormal a qualquer tempo, mas é menos asqueroso um trintão ou quarentão com cara de "vem aqui que eu te pego" do que um cidadão que deveria estar ensinando as netas a tocar violão e lhes demonstrando quão bonito e admirável é, no mundo do "ficar" e da "pegação", um sujeito a moda antiga, que olha a mulher como um ser iluminado, bonito e digno de respeito e apreço e não como um órgão sexual ambulante que deve receber dentro de si dejetos de uma pessoa cujo corpo envelheceu, mas a dignidade apodreceu.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 13 de abril de 2010.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Romance

Romance

Pegar na mão, tocar as melenas, beijinho no rosto, abraço caloroso, beijo no pescoço, beijo na boca! Uau! Um romance intenso mesmo quando "pensado" arrepia todos os pêlos que nossa carne conhece. Intenso, é claro. "Romancezinho" qualquer é coisa de adolescente. É bom a expectativa de estar conhecendo alguém, uma pessoa com suas experiências, sua história, sua energia. E tem que ser boa, se não for, para que se envolver?
E o bom é se envolver, se envolver com a alma, com o pensamento. O bom é estar junto apesar da distância, é sentir o outro quando a gente toca nossa própria pele. Romance, essa é a palavra. Carinho, beijos, flores, vinho, champagne, chocolate, respeito e um certo pudor para ser completamente perdido. Com o andar da carruagem, se não deixa de ser romance e passa a ser transa, algo demasiado banal, frívolo.
Transas são ótimas, mas são incomparáveis quando há romance, quando há aquele algo muito além da atração física, quando há aquela confiança que faz o tal do pudor querer pegar uma viagem só de ida para a Oceania. Relação com envolvimento de coração e alma, relações em que a gente pode pegar forte na mão de alguém e leva-lá até o nosso coração, que pulsa e emana calor, sem sentir medo ou vergonha são impagáveis, incomparáveis, inesquecíveis e sempre desejadas por quem, ainda que ao deitar numa cama confortável pensa que nada é tão bom que não possa melhorar: Ter a companhia de um doce par em quem se pode confiar, ali, na cama, e fora dela.
O amor existe. Romances instigantes e tranqüilos, calmos e calientes, afetuosos e fortes existem e estão a espera de quem acredita neles, não necessariamente de quem os busca. Romances, amores e relacionamentos saudáveis surgem quando menos esperamos, ainda que sempre desejamos. Podem ter ocorrido decepções, podemos ter chorado ontem, rompido anteontem, quem confia no amor e na vida não perde a fé no amor e na possibilidade de viver um romance lindo daqueles cujos ingredientes, quando pensados, nos fazem arrepiar até a alma.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 12 de abril de 2010.

Deus não sou eu.

Deus não sou eu.

De algumas coisas, uma vez nascidos não podemos nos livrar, muitos fatos nossa boa vontade não pode mudar, não depende apenas de nós a mudança de um País que valoriza o assistencialismo, tampouco a moral de um povo que se sente vítima da sorte enquanto espera a "bolsa" do governo e joga as pernas para cima. Não podemos mudar o caráter dos eleitos políticos, nem a índole de nossos familiares por mais que os amemos.
Todavia, uma vez vivos, livres e batalhando pelo pão nosso de cada dia que não é o Lulinha dá, podemos fazer escolhas exigentes em nossa vida afetiva. Escolher amigos que valham a pena pela personalidade afim, pelo humor e pelo caráter, escolher parceiros amorosos que se enquadrem em nosso desejo de pessoa madura e altruísta. Não precisamos fazer nenhum coitado de idiota apenas para termos uma companhia para um jantar especial, podemos pensar mais, exigir mais e escolher melhor. Coisas que o "quase trinta" traz consigo na vida de quem aprende com as experiências vividas, sofridas, ouvidas, lidas ou verificadas de qualquer forma, afinal ser como São Tomé hoje em dia é colocar o pescoço na forca.
Ser sincero é o mote. Sabe aquele "amigo" chato que adora falar "eu", "meu" ou "minha"? "Porque eu estou muito desiludido com o mundo", "porque meu destino parece negro", "porque minha vida esta um lixo". Sinceramente, diga assim ao bebezão purgante: "Pois é, são os seus problemas e por um bom valor um analista iria lhe amar por conta-los, e quem sabe aprofundar a espiritualidade? Assim você pode aprender a ter empatia e ver que existem pessoas que sofrem mais e reclamam menos". Acalmem-se, não estou pregando que nos tornemos maus amigos, pelo contrário. Vamos dar a cada um o que é seu, o cara ai de cima por acaso para de falar nele mesmo para perguntar o que esta te afligindo, se você tá feliz no novo emprego, se seu romance esta "prometendo"? Se sim, releve, se não, remeta-se ao meu conselho.
Tem gente muito chata nesse mundo, gente que se chamarmos de mala é devoção de elogio, porque a gente pode empurrar e jogar fora a referida, existem pessoas cuja alma e presença são mais pesadas do que um elefante obeso morto. De regra as pessoas que se acostumaram a reclamar da vida possuem uma péssima energia, seu mau humor irrita, sua presença é indesejada, mas, só elas não percebem. E quem se habilita a falar? Aposto que todos!Todos dizem "cara, para de reclamar, vai ler 'O Segredo'". Mas não adianta, nenhum livro foi escrito na primeira pessoa e esse tipinho só gosta de falar e pensar na primeira pessoa: Eu, eu, eu e, ainda que errando o português, rola um "mim" de vez em quando.
Gente pesada, mau humorada, que adora ser a vítima, que se sente prejudicada em tudo, que reclama desde o excesso de trabalho até o ranger da cama na hora do rala e rola não merecia acordar e ver o sol brilhando pela janela, não num mundo em que existe tanta gente querendo viver padecendo em camas hospitalares vendo a vida se esvair. Mas, eu não sou Deus. Ainda bem, porque se fosse seria mais má e começava a limpar o mundo por aqueles que não valorizam a vida que ganharam, os amigos, a família e os amor que recebem, menos ainda as oportunidades que tiveram. Certamente a densidade demográfica diminuiria, bom para o mundo que Deus não sou eu.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 12 de abril de 2010.

domingo, 11 de abril de 2010

"Predadora de homens"


"Predadora de homens"

Existem pessoas que aproveitam suas experiências negativas para crescer, para mudar para melhor, destino que é a regra para as pessoas, ou não? Não, deveria ser, mas existem aqueles para quem o aprendizado ensina a ser ruim, a ser frio. Assim, muitos se tornam vingativos e vis.
Li no início de março na edição da revista Nova (sim, eu também leio essa revista que acha que "desvenda" a alma masculina para um bocado de mulheres frustradas, que ensina moças fazerem homem gozar até com o suave tocar de cabelos, além, é claro de desvendar o segredo do corpo perfeito, da barriga sarada, do salário sublime e da pele de diva, é apenas entretenimento, não um poço literário e cultural, coisa de advogada de férias) a história de uma colega que após ter sido traída por um ex noivo se tornou uma "predadora de homens" (essa edição tem a linda Alinne Moraes na capa). E, o que é abominável: Tem orgulho disso e de dizer que age como homem cafajeste. Acho que ninguém lhe ensinou, na infância, que a gente deve seguir os bons e não os maus exemplos (ao menos que sejamos maus na essência.É, dai complica).
Bem, na minha época homem cafajeste é homem cafajeste e como todo ser com esta característica deve ficar onde está: A milhas da minha pessoa. A moça pelo visto admirou isso e saiu em academia, boates, e todo local onde visualizava um belo exemplar de seu sexo oposto para dar-lhes o bote, "leva-los" para a cama e nunca mais atender ligações de alguns coitados com coração e empatia. Dai ela aprendeu que homens gostam de mulheres que não telefonam (Uh!), algo sem dúvida que requer anos de "escola da vida" para aprender. Ora, ora, dêem-me licença editores da Nova, que absurdo de historinha vulgar é essa que publicam, como se ensinasse algo? Se isso for alguma coisa que justifica publicação na revista, please: Parem o mundo que eu quero descer!
Quem é que gosta de ser importunado quando só deseja uma noite de orgasmos com a pessoa? Ninguém, tolas mesmo são as que ligam ou as que precisam virar vagabundas gratuitas para aprender isso, como a moça que acha que aprendeu tudo da vida por causa de um infeliz par de guampas. Ela que afirma ter virado uma "cafajeste" afirmou que não atende quando ligam. O escopo dela é sexo, e só.
Nada contra, mas não me convence. Até mesmo os homens cafajestes uma hora amadurecem e desejam achar um amor. E dificilmente encontram porque vivemos num mundo as avessas: É fácil achar companhia para uma boa, regular ou ótima "troca de fluídos" e dificílimo achar alguém que além de um órgão sexual participativo tenha um cérebro e um coração atraentes. "Aí que o caldo entorna", como diria vovó.
Não existe porque valorizar o que não é bonito: Usar pessoas e corpos como objetos. Creio que o trabalho unilateral seja satisfatório e não precise enganar ninguém. Gozo é ótimo, mas não ser cruel com quem não merece é sinal de empatia e virtude, mais ótimo ainda (não tanto no sentido físico, mas mais no moral)! As pessoas são mais do que elas tentam ou possam demonstrar, elas tem uma alma, e elas podem ser bondosas. Até mesmo a minha colega "predadora de homens" pode ser muito mais bondosa e digna do que tenta demonstrar como válvula de escape e de vingança. Vingança não ao ex, mas a si própria por ter confiado em quem não merecia. É, ninguém gosta disso amiguinha, mas enganos acontecem! Que fique para trás quem não nos merece, chutemos a bola para a frente sem precisar escorregar em campo, se sujar e se igualar ao jogador desleal que quebrou as pernas fazendo a falta.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 11 de abril de 2010.

Entre um aniversário e outro.

Entre um aniversário e outro.

É incrível a diferença que um ano faz na vida da gente. Quilos a mais ou a menos, aspecto rejubilado ou cansado, auto estima elevada ou baixa, enfim, muita coisa pode mudar na nossa existência entre um aniversário e outro, todavia, no aspecto mental podemos evoluir muito, ainda que tenhamos sofrido e o quesito psicológico esteja mais caquético que nosso físico.
Não faz mal: Corpo a gente muda, a gente ganha ou a gente compra (silicone, por exemplo), mas alma a gente não adquire e ainda que desejemos não existe plástica nela, menos ainda enxertos ou retiradas de excesso. O corpo, com a evolução da medicina se tornou apenas um detalhe em nossa conjuntura de seres humanos. O que importa é o que nós mesmos julgamos a nosso respeito.
Sinto informar ou a gente resolve bem nossos conflitos ou, simplesmente, seremos pessoas mau resolvidas. E isso não muda, apenas se nós passarmos a analisar melhor nossas experiências e tirar a sabedoria da frustração sem cultivar aquela "síndrome de gente frustrada" implícita, porém óbvia nos pensamentos: "Mulheres não prestam", "homens só desejam exibir uma mulher bonita e usar o que ela tem de melhor se possui um cérebro ativo", "as pessoas são egoístas e egocêntricas", "mulheres jovens são tolas", "homem bom é o órfão de mãe", entre outros.
Podemos nos julgar agitados, tristes, ansiosos. Como eu disse as questões psicológicas podem ser resolvidas, não para menos existem psicanalistas, livros de auto ajuda, psiquiatras e um quarto silencioso para a gente deitar e colocar o pensamento para agir e puxar nosso ânimo para cima. Ao menos, é claro, que gostemos de sofrer, de curtir uma melancolia e de pensar negativo. Bem, dai, maninho pode afiar o estilete e mirar bem o pulso porque gente negativista se mata aos poucos, logo, se quiseres abreviar...(!).
Certo é que só consegue ser feliz nessa vida quem consegue ser resiliente, quem consegue tirar proveito das experiências tristes e decepcionantes. O mesmo fogo que constrói o aço, endurece o ovo e derrete o queijo. A gente precisa ver o que desejamos ser nesta vida e focarmos nosso pensamento nisso, tirando lições dos mais variados fatos. Só assim poderemos dizer que apesar de todos os momentos difíceis que passamos somos mais felizes no aniversário de hoje do que éramos no de um ano atrás. Perde-se juventude, ganha-se sabedoria. Ou você vai querer criar rugas na alma e se tornar um ser digno de pena? Bem, cada um decide o que quer para si, hoje e sempre.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 11 de abril de 2010
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sábado, 10 de abril de 2010

Riscos da vida.

Apesar da dor, apesar dos ferimentos, apesar da mágoa, apesar da angústia é preferível cair da escada porque se tentou encostar na nuvem a viver ileso sem ter arriscado chegar ao céu. Você se arrepende de ter tentado apenas quando não logra êxito na tentativa, apenas quando a esperança se vê frustrada. Mas e se a tentativa tivesse dado certo? Não é, pois preferível arriscar algo a viver na comodidade da covardia e da inércia?
Todavia, desde que nascemos as possibilidades são de 50% para tudo: 50% as chances de ter êxito, 50% as chances de se frustrar, 50% as chances de ser feliz, 50% as chances de sofrer, mas quem é disse que depois do sofrimento não há alegria, e, quem é que diz que os felizes não sofrem? A felicidade é o estado de espírito do contente, mas ter contentamento perante a vida não significa ser imune a decepções, e consequentemente a uma boa dose de lágrimas provenientes de uma angústia triste.
Quando tomamos qualquer decisão estamos arriscando. Arriscando nossa paz, nosso esforço, nossa esperança que pode ser frustrada, mas quem disse que não vale a pena lutar por alguma coisa? Quem disse que não vale a pena dar um voto de confiança a si mesmo, aos próprios sentimentos, e ao outro quando nos pede? Quem disse, também, que o preço a pagar por acreditar em algo ou em alguém não pode ser bastante caro? Mas quem disse que não compensa? Quem disse que não vale a pena sofrer, se reerguer, mas ter vivido e, consequentemente ter experimentado na pele a alegria e a tristeza e, mais do que isso, ter se tornado alguém mais sapiente, mais sábio, mais forte, mais dono de si?
Se pudéssemos prever o nosso amanha pouparíamos lágrimas e não faríamos nenhuma escolha ruim, mas será que a vida antevista teria graça? Que graça tem a vida se não a de sabermos que não podemos ter certeza de nada, apenas que hoje amanhece um dia e que devemos aproveitar cada segundo porque nem o seu final é garantido. Viver é lidar com as incertezas, é optar pelo que acreditamos, ainda que sejamos persuadidos pelo engano. Viver é arriscar a própria pele para um dia podermos pensar: Sou feliz pelas minhas escolhas independente das lagrimas que chorei. O aprendizado ninguém leva, é aquisição eterna.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 10 de abril de 2010.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Hipócritas.

Hipócritas.

Esse mundo é mesmo muito engraçado. Você que é simpática, educada ou falante acaba levando a fama de "assanhada" (que palavra horrenda!), todavia se viver se contendo, com a cara amarrada é antipática, porém em meio a um universo de homens e mulheres tolos e de mente encolhida ficou mais bonito ser antipático do que agradável.
Ora, por que? Porque a ausência de simpatia não implica em desmerecimento de atributos morais que são estilhaçados quando as más línguas se colocam a falar mal da moça simpática do 2º andar. É cômico, pois quão fácil é se tornar socialmente respeitado neste mundo: Basta agir e demonstrar ser o que é "bem julgado", por isso os linguarudos de plantão são ludibriados e terminam tomando do próprio veneno.
Sabe-se que a senhora abastada possui um filho solteiro e interessante, ela, porém vive indo a Igreja e se considera uma promotora dos bons costumes? Como conquistar sua confiança? Saia pelos joelhos, batonzinho cor de boca e risos inexistentes ou contidos, cândidos como o de uma santa no altar. Se vai colar? Não se sabe, mas que ser desta forma falsa é mais fácil de agradar do que ser você mesma quando seu estilo é um pouco mais arrojado e animado.
A moça demonstra que deseja um rapaz batalhador, estudado e de boa família. Certamente se algum golpista ficar sabendo destes anseios será fácil a aproximação, basta demonstrar ser o que não se é e se enquadrar nos sonhos da moçoila. Esses são poucos e simplórios exemplos. Existe um pior: O povo brasileiro se considera sofrido, pobre, abusado, cultiva piedade de si mesmo, qual sua tendência? Admirar um semelhante, não para menos temos um presidente semi analfabeto que teima em manter uma áurea de "coitado" apesar de tomar vinhos de preços extravagantes e patrocinar condição de vida para sua família totalmente incoerente com seu teoricamente "módico" salário (esta é, também, uma pequena menção ao universo de incoerências da vida política e real do senhor referido).
As pessoas afirmam que não, mas a hipocrisia ronda tudo que as cativam. Os indivíduos falastrões, alegres, simpáticos, excêntricos, animados, porém sinceros assumem um grande risco sendo eles mesmos. Eles se expõe mais ao julgamento alheio. Mas, certamente é muito mais honroso ser o que se é, a ser uma agradável besta aos olhos dos juizes da vida alheia, aos olhos dos pseudo bons, dos pseudo honestos, dos pseudo moralistas que vivem a crer que são sapientes quando, na verdade, pela sua pseudo esperteza são mais fáceis de enganar do que um infante inocente.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 09 de abril de 2010.

"Coisa séria"

"Coisa séria"

Talvez quando as pessoas pararem de burocratizar relações que são mais afetivas do que jurídicas ou religiosas a sociedade se torne mais equilibrada e as pessoas mais felizes. Sem hipocrisia o mundo tende a melhorar. Outro dia ouvi de uma pessoa que aniquilou com os bons sentimentos que a esposa possuía dizer que "casamento é coisa séria" e que a infeliz deveria pensar duas vezes antes de pedir a separação. Proposta absurdamente desgostante.
Casamento não é coisa séria, com o perdão dos padres e dos juristas burocráticos. Família não é instituição é relação e como tal são os sentimentos de seus membros que devem ser cuidados e zelados. Casamento não é "coisa", menos ainda "séria", matrimônio é comunhão de sentimentos. O amor deve ser seu cerne e tem que ser encarado com seriedade. Respeito também é necessário e imprescindível, não é "coisa séria".
As pessoas não devem fazer as outras o que não desejam para elas, ai sim os relacionamentos, sérios ou não, irão fluir naturalmente rumo a estabilidade e a felicidade. Nenhum ser humano deve se rebaixar, olvidar de seus anseios, sonhos e sentimentos em prol de alguma coisa ainda que ela seja este "sagrado monstro" chamado casamento.
As pessoas devem, simplesmente amar e respeitar enquanto há reciprocidade de sentimentos. Se o outro pisou na bola uma vez e o perdão é conveniente, vale a pena ser dado. Se reincidiu na gafe, é preciso analisar a sua repercussão na auto estima e na hora ou numa próxima recidiva abandonar um barco que nasceu furado, do contrário não começaria a afundar no decurso da trajetória. Poucas coisas na vida tem mais importância que o brio, que o amor próprio.
É por isso que eu digo que casamento não é "coisa séria", os sentimentos que devem permear este e qualquer relacionamento interpessoal é que são importantíssimos e imprescindíveis. Amor, respeito, empatia, compreensão, diálogo, harmonia, tranqüilidade sim são sérios e devem ser respeitados, do contrário não adianta o padre rezar contra, o juiz intervir, a família fazer figa: A separação é um mal que vem para a salvação da auto estima e da paz do casal, porque coisa séria mesmo nessa vida, não é a lei, não são as "sagradas escrituras", nem o agouro alheio, sério mesmo é ser feliz.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 09 de abril de 2010.

Seres Inventivos

Seres Inventivos

O ser humano é extremamente criativo e possui uma rara capacidade de invenção. Você se acha incapaz de inventar algo? Achou extremamente difícil a "invenção" de um texto para passar no vestibular? Pode ser que tenha tido esta dificuldade, mas, certamente se já passou por alguma decepção na vida posso garantir que é bem mais criativo do que pensa ser.
O ser humano inventa tanto que consegue inventar outra pessoa com base nos atributos que possui, sem ter consciência do engano que esta criando. A pessoa conhece alguém e aos poucos, juntamente com o que constata no outro, começa a dar um pouco de si: Um pouco de sua boa-fé, um pouco de suas virtudes e, é claro, de seus defeitos. E desenvolve a certeza de que aquele que esta a seu lado é aquilo que pensa que é. Até que um dia descobre que estava muito enganado.
Existem aqueles que enganam, existem muitos estelionatários afetivos. Mas, sobretudo existe o homem e seu coração, o homem e seus desejos, o homem e suas invenções, suas certezas baseadas no que vê no outro e de regra vê um pouco do que tem em si, não para menos pode devotar imensa confiança e amor para quem, um dia, cedo ou tarde, se mostra desmerecedor de qualquer crédito.
Ninguém se engana por deliberada intenção. Nenhuma pessoa lúcida pensa: "Agora eu vou encher meu coração de admiração pelas virtudes que admiro, mas que ele não tem, para um dia me decepcionar, me ferir, me magoar e chorar muito". O ser humano é inventivo, mas não o faz conscientemente, termina por inventar um ser que não existe apenas porque dá para o mundo e coloca em seu julgar as virtudes que possui, da mesma forma que fazem os maldosos que desconfiam até de um santo, justamente porque eles são maus na essência. Ninguém consegue ver o mundo sem usar as lentes de sua alma.

Cláudia de Marchi.

Wonderland, 09 de abril de 2010.

Sobre o que as crianças precisam.

Sobre o que as crianças precisam.

O que os pequenos precisam para tornarem-se adultos saudáveis e capazes de sentir intensamente, de amar, de ter compaixão, de respeitar aos outros e, enfim, de que carecem para serem pessoas felizes e plenas? Uma escola boa? Cursos de línguas, uma boa fonoaudióloga e um pediatra competente? Tênis da moda e uma boa poupança? Não, nada disso.
Crianças sobrevivem com leite e pão se for preciso. Elas também não pedem para que os pais trabalhem pensando em seus estudos e na construção de um patrimônio para lhes deixar. Criança precisa de amor, de carinho, de atenção. Precisam se sentir protegidas, bem quistas, respeitadas e amadas, não precisam constatar que o carro do papai é melhor do que o do marido da babá.
Os adultos perdem a inocência no decurso da vida. Essa é uma perda lastimável, mas o pior é o ganho de ambição e ganância demasiadas. Atributos que podem ser saudáveis se bem dosados, mas que estragam casamentos e a personalidade de crianças na maioria dos casos. Quem se envolve pela ambição exagerada deixa de trabalhar para viver e passa a viver para trabalhar. Por que ama seu oficio? Não, porque deseja ter mais do que tem.
E quem é que perde enquanto a conta bancária dos pais cresce? Os filhos. Aqueles que precisam de atenção, de carinho, de compreensão, aqueles que desejam ser ouvidos, respeitados, admirados e, principalmente que precisam ouvir o quanto são adorados. Os pequenos precisam justamente do que não esta exposto em gôndolas de super mercados ou em lojas de grife.
Deixar de dar as crianças o que elas precisam afetivamente ajuda, apenas, a formar adultos infelizes que mesmo herdando milhões ou sendo muitíssimos bem formados não terão uma auto estima suficiente para se sentirem contentes na vida e, principalmente, não terão equilíbrio emocional e psicológico para darem o que não receberam e este pode ser o principio e o fim de uma vida infeliz e vazia de sentimentos valorosos.

Cláudia de Marchi

Wonderlad, 08 de abril de 2010.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Os ganhos das perdas.

Os ganhos das perdas.

O que você ganha quando você "perde"? Se você pensou "nada" é porque ainda tem muito o que aprender acerca do que realmente tem valor na vida. A paz, a tranqüilidade de espírito e uma consciência limpa valem mais do que milhões de dólares. Valem mais do que apartamento em Nova York, um hotel chique em Paris e um veraneio no Caribe. Um coração solitário que transborda amor pela vida vale mais do que ter um belo quarto para levar inúmeras pessoas que não preenchem o vazio da alma.
Você não insistiu naquela briga com a tua melhor amiga em busca da concordância dela quando você tinha certeza que a razão era sua? Fez bem. Cada pessoa tem seu ponto de vista e é preferível manter uma relação harmônica a tentar fazer o outro mudar de opinião. Cada um tem o direito de pensar o que deseja, e todos merecem respeito. Você saiu de um casamento assumindo o que não devia e perdendo dinheiro? Fez bem. É preferível assegurar a sua liberdade de espírito e seu nome de solteiro a passar uma vida ao redor de migalhas financeiras quando o prejuízo inevitável e imutável foi o emocional. Para que aumentar o desgaste se não existem lucros que supram a dor da frustração? Por orgulho, por teimosia ou por vingança? A gente ganha ainda mais quando se liberta de valores mesquinhos e quando perde a vontade de querer se mostrar valoroso aos outros. Os únicos valores que devemos cultivar são os nossos e dentre estes a paz e a tranqüilidade devem estar presentes.
Não existem perdas para quem aprende com seus erros, para quem dá valor a coisas que o dinheiro não compra e que não estão a venda em mercado algum. Vale a pena assumir o risco de perder e assumir algumas perdas para ser feliz, para manter a paz de espírito, para construir uma bela e nova história. A gente pode conquistar um mundo de boas surpresas e alegrias quando perdemos o medo de arriscar e perder, quando adquirimos a certeza de que mesmo caindo iremos levantar e seguir adiante com brio. A gente se torna realmente feliz quando olvida das perdas em prol dos ganhos que elas trazem.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 07 de abril de 2010.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Para começar de novo...

Para começar de novo...

A vida pode nos fechar algumas portas, mas nos abre muitas janelas. Janelas das quais enxergamos a tranqüilidade, a paz, a alegria de viver, o amor pleno por quem nos cerca e nos valoriza. E é através do que a vida nos mostra nas janelas que abre quando nos fecha alguma porta que iremos buscar dentro de nós a força e a coragem necessárias para abrimos a sós e por nosso arbítrio novas passagens, novas saídas, novas portas.
É duro chorar por frustração, é triste se arrepender, se sentir amargurado ou injustiçado. Todavia poucas escolas nos ensinam tanto quanto a do sofrimento, e é após alguma dose dele que conseguimos nos reinventar, nos recompor, que conseguimos começar de novo nossa vida com mais altivez, brio e, porque não dizer alegria. Alegria que só os que já se sentiram muito tristes conseguem ter. Uma alegria que lava a alma e ilumina o espírito.
Às vezes a gente é enganado. Às vezes juntamente com o "estar sendo enganado" a gente se engana. Acreditamos em palavras e afirmativas que deveríamos olvidar. E olvidamos de outras que deveríamos ouvir. É normal: Somos humanos e erramos. Erramos e aprendemos, sofremos e crescemos. Crescemos e reconstruímos nossa vida com a força que a dor nos deu.
Vale a pena sofrer, se rebelar, se machucar, chorar, mas sobreviver a toda a dor. Construir uma nova história a sós com nosso aprendizado, com nossos sonhos e nossas metas. Não existe vida sem sonho. Não existe sonho sem esperança. Não existe esperança sem fé na vida. Não existe fé sem paz, assim como não existe alegria sem contentamento, e contentamento só tem quem sabe que não mentiu nem traiu os sentimentos alheios. O segredo da vida é não ter medo e nem se acomodar diante dou após algumas dificuldades, porque fora do doce lar de nosso coração existe um mundo de boas novas, de boas surpresas e alegrias que só são visíveis e aferíveis por quem, mesmo após padecer por muita dor, não perdeu o amor pela vida.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 06 de abril de 2010.

domingo, 4 de abril de 2010

Não julgue!

Não julgue!

Não ouse se sentir alegre ou triste pelas atitudes que uma pessoa toma com a outra e não com você. Não seja emocionalmente estúpido para julgar o agir alheio se este não lhe diz respeito e não se direciona a favor ou contra você. Resigne-se e saiba que você não é senhor da razão e não sabe nada a respeito do sofrimento alheio e do que leva uma pessoa a tomar as atitudes que toma, independente de você ousar julga-las erradas.
Se uma pessoa agiu desta ou daquela forma com a outra e esta agiu de uma maneira ou de outra contra ou a favor do outro e você não estava escondido dentro da casa deles, embaixo de suas camas ou não tem poderes especiais para estar invisível nos locais de convívio dos outros cale seus pensamentos exaltados e sua própria boca quando pensar em exprimir suas opiniões de "alheio" a vida alheia.
O ato de julgar, de colocar-se em posição de juiz da vida alheia é, além de abominável, burro, estúpido. Ninguém sabe o que o outro sofreu, sentiu, passou, ninguém pode estar dentro da alma alheia para sentir sua tristeza ou sua alegria, sua lucidez ou sua semi-insanidade, sua força ou fraqueza, sua dor profunda ou felicidade, menos ainda para saber o que lhes deixou no estado de espírito em que estão, logo, ninguém tem o poder de julgar o outro embora todos sintam-se na liberdade de faze-lo.
A vida ensina e, para quem ainda não aprendeu, cedo ou tarde vai aprender quão certo é calar-se. Ficar em silêncio, abster-se de opiniões ou críticas sobre a vida que não lhe pertence, mais especificamente, sobre a vida alheia. Você não sabe o que se passa no coração, na alma e, certamente na vida íntima dos outros então não ouse falar sobre o que não sabe. Vida, cada um tem a sua para dela cuidar. Apenas isso.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 04 de abril de 2010.

Escravidão Afetiva

Escravidão Afetiva

É muito bonito ver casais juntos há anos. É animador constatar que o amor pode fazer um casamento permanecer forte por muito tempo. Todavia, algumas constatações me assustam: Casamentos antigos às vezes apontam para uma grande submissão feminina. As mulheres se escravizaram em prol de seus maridos a ponto de voltarem a "ter vida" após uma separação não esperada ou após se tornarem viúvas. Isso não é admirável, é triste.
Porque uma pessoa deixa de fazer tantas coisas que gostava em prol da outra? Cervejinha num bar? Dançar nos finais de semana? Dar risada em um tom de voz alto? Caminhar para olhar vitrines? Não, nunca mais. Por que as mulheres deixam seus gostos de lado e passam a fazer apenas o que seus maridos esperam que façam, ou, o que elas acham que eles esperam? Por que não dialogar, não deixar seus gostos expostos? Casamento é uma comunhão de idéias, pensamentos e gostos. A partir do momento em que um se coloca na posição de eterno "concordante", dizendo sim apenas às idéias e gostos do outro surge uma espécie tácita e lamentável de escravidão: A escravidão afetiva.
Pelo contrário é realmente puro e bonito ver um casal que apesar das diferenças e algumas divergências de gostos conseguem viver e se divertir um respeitando o gosto, o jeito do outro e sua liberdade. É fácil entabular um relacionamento duradouro com base na escravidão de opiniões e de idéias. É fácil conviver anos com uma pessoa quando se assume o triste hábito de chorar escondido. É humilhante dizer sim com a boca quando o coração grita não e quando a alma pensa "de novo isso? Eu odeio isso!".
Todavia a cultura machista permeou os relacionamentos antigos e continua a permear alguns relacionamentos modernos onde as mulheres cedem mais e escravizam seus sentimentos, gostos e pensamentos em prol de "seus maridos" que continuam fazendo o que gostam, limitando muito pouco a sua liberdade se comparado com suas esposas que se auto empoe maiores obrigações afetivas dentro do lar e acabam deixando de lado seus reais desejos e vontades.
"A fulana começou a viver depois que o fulano partiu": Coitada! Isso significa que durante anos ela esteve presa, amordaçada por seus próprios pensamentos e subjugada a instituição familiar, mais especificamente a posição de esposa e mãe. Ser mulher casada e ter filhos não deve onerar tanto a alma da mulher a ponto de esquecerem de si mesmas. Os filhos que amam seus pais os querem felizes e, certamente, é impossível ver alguém feliz quando deixa de lado sua própria essência.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 04 de abril de 2010.

sábado, 3 de abril de 2010

Ter ou não ter "alguém para amar"?

Ter ou não ter "alguém para amar"?

Ouvi uma amiga dizer que sente falta de "ter alguém par amar". Amar é muito bom, mas envolve uma série de aptidões, requer de nossa alma muitos outros sentimentos e capacidades, sendo, as principais a de respeitar, de se doar, de ter empatia e de saber conviver. Tão bom quanto amar é ser amado e, consequentemente, compreendido e respeitado.
Será que não ter a quem amar deve fazer falta? É bom amar alguém que engana você, que lhe ilude, que lhe usa para a consecução de planos e desejos egoísticos? Amar só é bom quando amamos quem vale a pena, quem nos ama despretensiosamente, quem nos ama por simplesmente amar, quem nos respeita, nos valoriza, nos admira. Merecemos ter tudo o que damos, inclusive o amor.
É preferível dormir sem ter em quem pensar, é preferível acordar sem pensar em ninguém. É preferível ir para a cozinha pensando em fazer uma comidinha que agrade apenas a nós, em ver o filme meloso que todo mundo (menos você) despreza. É preferível ir sozinho pra festinha, sentar num canto, tomar aquela bebida docíssima que todos detestam (menos você) a ter uma companhia para uma boa noite de sexo e só (!). Alguém que finge que gosta das mesmas coisa que você, alguém que finge que gosta de você para no outro dia lhe pedir seus préstimos profissionais ou intelectuais para lhe decepcionar e pisar em você sem dó ou piedade ao anoitecer porque você fez o que, para ele, era um escopo.
É preferível acordar sozinho as seis horas da manha para ir malhar a ter uma companhia na cama até as oito. Uma companhia que as vinte horas pode lhe decepcionar, desrespeitar ou humilhar. Não devemos sentir falta de ter alguém para amar. Precisamos amar alguém que tenha um bom coração, alguém que seja capaz de nos amar independente de nossa beleza ou feiúra, de nossa elegância ou má-forma, independente de nossa riqueza ou desfalque financeiro.
Será, pois, que é tão ruim para você viver sozinho? Será que não ter alguém para amar é "tão péssimo"? Quem pensa isso não sabe o que é dar pérola aos porcos, ou, mais especificamente, não sabe o que é dar valor a quem não merece. Não ter a quem amar é bom, não é ruim: Amar a pessoa errada é, isto sim, um imenso problema. Se é para amar que seja aquele sincero, aquele que sabe o que é amar e respeitar, do contrário é preferível passar uma vida dormindo e acordando sozinho a ter uma noite ao lado de um inimigo fantasiado de amante.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 03 de abril de 2010.

A gestão dos maus sentimentos.

A gestão dos maus sentimentos.

Quem é que perde com seu ódio, com a sua ira, com a sua revolta? Lamento dizer, mas é você mesmo. Odiar o outro é a mesma coisa de tomar veneno ou entorpecente e esperar que o outro se intoxique ou morra. Mas como a gente consegue se tornar imune a sentimentos se somos humanos? Como alguém consegue determinar que não vai odiar alguém se algumas pessoas agem de forma tão abominável que não pode nos despertar outro sentimento?
Não podemos fugir da nossa condição humana. Quem nunca sente ira, quem nunca se revolta, provavelmente nunca vai amar, nunca vai sentir alegria, contentamento. Apenas os pricopatas são capazes de ter atitudes violentas e bruscas num momento e mudar de um momento para outro porque são tão insensíveis que nem rancor conseguem sentir ou guardar. Todavia pessoas saudáveis psiquicamente, nós, seres normais que não somos parasitas sociais não somos imunes nem aos sentimentos nobres nem aos vis.
Não podemos impedir que nossa sangue corra em nossas veias da mesma forma que não podemos prever nossas reações diante de atos hediondos, vis, atos que maculam nossa paz, nossa tranqüilidade. Mas, podemos nos controlar, podemos tentar e conseguir pensar e raciocinar mesmo quando a visão de nossa alma esta turva de raiva, de tristeza, de mágoa. E é pensando que podemos fazer melhores escolhas, que podemos dar o pulo do gato e não nos entregar a nossos sentimentos negativos.
É impossível não sentir raiva, não sentir ira ou ódio de pessoas que nos ferem, nos magoam, de pessoas que não contentes com ter abusado de nossa bondade e boa-fé no passando teimam em nos importunar e nos prejudicar, todavia podemos não nos entregar a tais sentimentos, a tais sensações perniciosas. Podemos erguer nossa cabeça, recompor nosso coração e nossa alma e seguir a vida adiante de forma equilibrada e tranqüila deixando o ódio de lado para buscar a justiça de forma mais limpa, mais transparente e não da forma que nossa ira cega aponta.
Podemos sentir a raiva nos cegar por alguns instantes, mas não devemos deixa-lá nos manter cegos. Não somos feras, não somos leões famintos. Somos humanos, somos errantes, mas somos racionais e é esta característica que deve nortear nossos atos. Devemos, pois controlar nossos bons ou maus sentimentos sem jamais deixarmos que eles nos controlem e nos dirijam.

Cláudia de Marchi.

Wonderland, 03 de abril de 2010.

domingo, 28 de março de 2010

"Tenha paciência comigo".

“Tenha paciência comigo”.

Não aceite que lhe peçam “paciência”, jamais tolere ouvir um infeliz: “Tenha paciência comigo, por favor”. Quem precisa lhe fazer essa solicitação é quem tem tantos defeitos que se sente insuportável em si mesmo, é quem sabe que esta ou é intolerável!
Quem precisa de paciência é gente em surto e lugar de gente surtada é num manicômio ou desenvolvendo arte terapia com um bom e caro psiquiatra junguiano. Você vai colocar a sua sanidade a prova para ser “paciente” com o outro? Não aconselho, do contrário em poucos meses quem vai surtar vai ser você, garanto isso.
Ouça sua mãe, seu pai, seus amigos e seu amado quando eles lhe disserem: “Querida, seja paciente.”. Ouça e siga o conselho se achar que convém, analise a sua atitude, a situação que estas passando e decida por você mesmo, mas não se torne uma pessoa que precise pedir para que alguém seja paciente com você, ao menos que você cultive uma grande auto piedade e não tenha vergonha que os outros tenham “pena” de você.
Do contrário pense muito bem e quando alguém lhe disser para ser paciente com ele diga que não é médico psiquiatra nem psicólogo para conviver com quem não controla a si mesmo e precisa das migalhas de sua paciência.
“Ora, mas que maldade moça!”. Não é maldade, é realismo. Pessoas que sabem conviver, pessoas agradáveis, emocionalmente maduras e psiquicamente bem equilibradas não precisam pedir “paciência” porque não irão sentir culpa por perdê-la e, certamente não irão fazê-lo com quem as ama e respeita.


Cláudia de Marchi

Wonderland, 28 de março de 2010.

Deixando para trás.

Deixando para trás.

É impossível deixar para trás o que é pernicioso em nossa vida sem que viremos às costas, também, para o que nos é valoroso. Não existem escolhas que não incluam algumas renúncias.
Quando decidimos começar uma vida nova deixamos para trás pessoas que nos atormentaram, nos magoaram e feriram, deixamos para trás más lembranças e a possibilidade dos fatos que elas remontam ocorrerem novamente, mas também deixamos para trás boas pessoas que nos propiciaram momentos de alegria. E, logicamente as deixando, estamos impossibilitando a ocorrência de novos bons momentos com elas.
Mas, afinal o que vale mais? Certamente as pessoas boas, honestas, dedicadas e respeitosas que enfeitaram por algum momento nossas vidas jamais serão esquecidas. A gente só esquece e “deleta” da memória o que nos causou trauma e tristeza profunda.
Vale a pena deixar para trás tudo e todos que nos fizeram mal. Vale a pena recomeçar, apagar da memória o que nos causou dor, revolta e mágoa. Não nascemos para sofrer, então porque estagnarmos e cruzarmos os braços frente aquilo e aqueles que fizeram lágrimas brotar em nossas faces?
Seremos inesquecíveis para aqueles que nos valorizaram, que nos admiraram, respeitaram e amaram. Da mesma forma não iremos esquecer e jamais desejaremos apagar de nossa mente à imagem daqueles dos quais nos recordamos e sentimos paz, que mesmo distantes nos fazem sorrir e sentir uma saudável saudade, então, sopesando o que vale a pena para nós, é fato que devemos buscar manter nossa tranqüilidade de espírito, nossa consciência tranqüila e em paz.
Nascemos para sermos felizes. Nossas escolhas devem ser guiadas pelo desejo de aprimoramento pessoal, de crescimento e de felicidade. Repetir pensamentos e lembranças infelizes não faz bem, nos manter em local que nos fere também não, menos ainda viver perto de quem nos magoou em demasia.
Recomeçar uma vida nova após experimentarmos sofrimentos traumáticos é e sempre será a melhor opção ainda que nos afastemos de quem nos estima e de quem estimamos. Quem sabe o que é o amor e quem ama respeita nossos sentimentos e deseja nossa felicidade apesar da distância.


Cláudia de Marchi

Wonderland, 28 de março de 2010.

sábado, 27 de março de 2010

Não me peça...

Não me peça...

Não me peça para voltar atrás nas minhas decisões. Já sofri e aprendi o suficiente para aprender a tomar decisões convictas, firmes e imutáveis. Não me peça para falar o que desejas ouvir, sou demasiado sincera e transparente para colocar palavras ao vento.
E, principalmente nunca me peça para fazer alguma coisa para que os outros vejam e aprovem. Nunca, jamais me peça para “calar a boca” alheia pelo que pensam de mim: Cada um tem o direito de, na sua ignorância sobre quem sou e o que sinto, julgar e pensar o que desejam.
Ademais, não estou nesta vida para agradar a ninguém. Se meus atos, se meus sentimentos e palavras sinceras agradam, tudo bem, se não, não me peça para fazê-lo. Posso ser tudo menos falsa e dissimulada.
Você pode saber o que eu sinto se estiver perto de mim e do meu coração, mas a partir do momento em que, por alguma razão me fizer distanciar jamais irá perceber meus sentimentos, então, por favor, jamais peça esmolas para meu coração, para minha alma.
Não tenho nada a provar para ninguém: Não devo nada a ninguém, só a mim mesma, a minha consciência e se durmo tranqüila todas as noites é porque estou em paz com ela, então, por favor, me julgue como quiser e não me peça provas de nada, cada um tem o direito de pensar o que quer nesse mundo, todavia é verdade o que disse o Marquês de Marica: “Os bons presumem sempre o bem dos outros, os maus, pelo contrario, sempre o mal: Uns e outros dão o que têm”.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 27 de março de 2010.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Infância ao contrário.

Infância ao contrário.

Envelhecer é voltar a ser criança com toda a malandragem da vida adulta. Os velhinhos são adoráveis: Cabelos branquinhos, tom de voz suave, e mãos macias, todavia eles podem ser mais abusados do que seus próprios netinhos quando querem.
Por trás da meiguice da criança e do idoso há uma alma com tantas virtudes quantos defeitos, estes, pois se não amenizados com a maturidade adquirida pela vida costumam se acentuar: Teimosia, ranzinice, orgulho, egoísmo, preconceitos, e muitos outros se mostram duplicados depois dos 60 anos, triplicados depois dos setenta e quadruplicados depois dos oitenta.
A vida sempre ensina aqueles que desejam aprender, todavia, o fato dos idosos merecerem respeito torna alguns mais orgulhosos a ponto de acharem que já aprenderam o que tinham que aprender e que podem fazer o que desejam e todos devem aceitar em silêncio (afinal têm “tantos” anos de idade).
A velhice é como uma infância ao contrário para muitos: Voltam a ter uma aparência frágil e também a vontade de terem suas vontades atendidas no momento em que elas despertam, tal qual os pequenos que fazem birra para serem ouvidos e agradados.
Os doces velhinhos em sua maioria deixam de se sentirem aprendizes na vida e com este sentimento e crença deixam de captar o que os mais jovens têm a dizer na vã crença de que por saberem “menos” da vida nada terão a dizer que lhes sirva.
Todavia, é fato que a velhice trás seus inconvenientes: A audição fica menos apurada, a visão prejudicada, os sentidos e raciocínio, mais lentos. Então, porque não ouvir o filho ou o neto quando ele tenta dar as novas coordenadas da lei de trânsito, por exemplo? Por que não ouvir com um pouco de atenção o que os jovens podem lhes ensinar tendo em vista a agilidade física e mental que possuem bem como a evolução com que conseguem se informar hoje em dia?
Independente da idade da pessoa nunca é cedo ou tarde demais para aprender, para se atualizar e ouvir o outro. Respeitar o próximo é dever de todos, jovens ou velhos: Não existe salvo conduto para o desrespeito ao próximo na velhice ou em qualquer época da vida. Nem a riqueza, nem a beleza, nem o poder, nem a idade podem ser justificativas para que se tapem os ouvidos e o coração para o que o outro - diferente em atributos, tem a dizer.
Agir com desrespeito olvidando da opinião e pensamento alheio prejudica o convívio humano e conviver é uma arte que deve ser bem exercitada por todos que desejam viver em sociedade, do contrário resta à solidão que tanto os infantes quanto os idosos costumam desprezar.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 26 de março de 2010.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Maldade sem fim.

Maldade sem fim.

Pense em algo que você define como infinito. O mar? O céu? O seu amor pelos seus filhos? O seu amor pela sua doce esposa? Lindas designações. Ultimamente caracterizo outra coisa nada bonita como infinita: A maldade de alguns seres humanos.
Ignorância? A ignorância é vizinha da maldade, não discordo disso. Fato é que não existem formas de mensurarmos a maldade de alguém e que nem toda pessoa com pouca cultura é ignorante e pode agir com maldade. Ignorância é não conhecer algo, e tem muita gente por ai que desconhece o que seja amor desinteressado, doação de sentimentos, respeito ao próximo, fé, caridade e compaixão.
A maldade não tem base na altura, pois existem grandalhões bondosos e nanicos pérfidos, a maldade não se baseia no tamanho no município. Já morei em vários locais e na menor cidade das quais estive foi onde a maldade de seus habitantes menos se coadunava com o tamanho do local. A maldade não pode ser medida de forma alguma, não pode ser mensurada.
Existem pessoas que gostam de ver os outros sofrerem, que gostam de semear discórdia, ira, separação. Existe quem se divirta ao ver o sofrimento alheio, existe quem tenha fortes preconceitos, idéias preconcebidas que de tão toscas e ignorantes que são os fazem assemelhados a monstros irracionais.
Pessoas más estão por toda parte e normalmente são aquelas que gostam de parecer boas, são falsas, fingem que querem o bem de um para arruinar o outro e todos aqueles a quem quiserem ver separados e arrasados.
A maldade humana não tem fim, é imensurável, lamentavelmente infinita. O que me consola é saber que ainda existem pessoas boas e confiáveis neste mundo. Se “são raras”? Sim, são, mas existe outra coisa da qual não podemos esquecer: Semelhante atrai semelhante, logo não há do que temer, ou será que há?

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 23 de março de 2010.

"Ruim com ela, pior sem ela".

“Ruim com ela, pior sem ela”.

Há pouco tempo ouvi a expressão “ruim com ela, pior sem ela”. Será que existe alguém no mundo que ache que uma afirmativa deste teor justifique a mantença de um relacionamento? Bem, se o relacionamento for tão medíocre e vazio de sentimento quanto esta frase acho até que pode justificar.
Relacionamentos sérios, relacionamentos fortes em união e sentimentos jamais seriam explicados por uma frase deste tipo. Pessoas realmente maduras e preparadas para o amor estabelecem relações com base no “bom sem ela, melhor com ela”.
Pessoas prontas para se relacionar são as bem resolvidas. Sei que muitas vezes enganamos a nós mesmos achando que estamos prontos para algo quando, na verdade, estamos completamente despreparados por estarmos distantes de nós mesmos e de nosso amor próprio.
Todavia, pessoas verdadeiramente maduras e adultas do ponto de vista emocional vivem muito bem sozinhas, sem a ânsia de uma companhia, de um romance. Eis que essas pessoas só irão escolher uma companhia que lhes faça muito bem, que lhes preze e valorize como merecem, do contrário ficar sozinho continua sendo a opção number one.
Se for para se envolver com alguém que seja com quem nos agrega alegria, boas novas, surpresas agradáveis, romance, carinho, respeito e nos faz sentir bem, muito bem, ótimos, excelentes (!). Quem não quer estar com alguém que se sente melhor em nossa companhia e precipuamente baseia nisso sua escolha? Agora, por favor, quem quer ser apenas a segunda opção de quem nem sozinho se sente bem? Ora, sejamos racionais até mesmo diante das emoções!
Apenas pessoas muito despreparadas e que pouco se valorizam mantém uma relação com base no “ruim com ele, pior sem ele”. Essas são pessoas ruins e péssimas consigo mesmas e que, consequentemente, não tem maturidade alguma para viver suas vidas sozinhas ou acompanhadas.
O fato de uma pessoa ser ruim em nossa vida já justifica que seja rebaixada de posto, que seja excluída e deletada de nossa existência. É preferível viver sozinho a viver mal acompanhado, é preferível dar gargalhadas sozinho a esboçar um riso com alguém ao lado para “chamar de seu”.
É preferível aprender a ser feliz sozinho a ter momentos de felicidade conjugados com outros de ansiedade e tristeza ao lado de alguém. É preciso ter coragem e saber viver para deixar de ser apenas mais um ser existente neste mundo em que alguns princípios estão se perdendo.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 23 de março de 2010.

Relações profundas

Relações profundas.

Feliz a pessoa que pode contar com alguém em seus momentos de dificuldade. Felizes os que têm uma família bondosa e amigos sinceros. Pessoas prontas a nos ouvir, nos apoiar, nos dar referências e força nas horas em que estamos periclitando.
Relações amorosas findam, amizades superficiais também. É bom ter ao lado pessoas que podem dizer o que não desejamos ouvir por nos amar, mas ainda assim nos aceitam como somos. Nos respeitam, nos valorizam e desejam nos ver bem.
Relações com raízes no amor e na estima pelo outro se mantém apesar do tempo e das tempestades que todo relacionamento, familiar ou não, enfrentam no decurso da vida.
Nada se compara a poder abrir os olhos pela manha sabendo que temos quem se preocupa e pensa em nós, temos quem se importa se estamos dormindo mal ou não, se estamos em paz ou não, e, enfim, se estamos felizes. Pessoas para quem nosso sorriso tranqüiliza e alegra. Pessoas que realmente nos amam. Nem milhões de dólares compram a sensação de sermos amados pelo que somos.
Relações amorosas podem findar, e de regra findam de forma egoísta. Quem saiu na pior não deseja que o outro durma, coma ou sequer viva. Relacionamentos afetivos terminam de forma patética, quase sempre. A pessoa bondosa outrora se rebela e mostra sua raiz egoísta e maldosa querendo que o outro morra sozinho e nunca encontre um amor, é assim na maioria das vezes, negarmos isso é hipocrisia (eu disse na “maioria” das vezes e não “todas” às vezes!).
Todavia, relações de amizade ou familiares não terminam facilmente, não acabam por desamor ou desrespeito, e, se terminam não é com a mesma base egoísta e pérfida das relações afetivas. Bons amigos e uma boa família constituem a base de uma relação de amor verdadeiro sem egoísmo e problemas tolos. Temos em nossos amigos e familiares pessoas que nos amam apesar de nossos pesares e de nossas fraquezas.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 23 de março de 2010.

Cegos afetivamente

Cegos afetivamente

Não existe característica tão negativa quanto a ingratidão. A incapacidade de certos seres humanos de verem o esforço do outro em ajudar, não me refiro se conseguirão ou não seu intento. Ser grato significa ter sensibilidade o suficiente para perceber os atos alheios, inclusive seu esforço para ser útil.
Quem não é capaz de sentir gratidão por mínimas atitudes jamais reconhecerá as grandes. Não importa ao ingrato o seu esforço, o seu carinho, a sua dedicação, da mesma forma não irão lhe importar os seus atos, as suas atitudes e o que tenha feito de mudança para lhe ajudar efetivamente.
O ingrato é um cego afetivamente. Ele não vê nada que os outros façam em seu favor e como não vê (como além de tudo é egoísta e acha que todo o esforço alheio para lhe ajudar seja “cumprimento de obrigação”) consequentemente não valoriza, não aprecia.
Defeitos graves não vêm sozinhos. O ingrato é, de regra, um egoísta. Apenas o seu esforço deve ser reconhecido, apenas ele é que se dedica com afinco, apenas ele cansa, apenas ele se esforça, e os outros? Ora, os outros (imaginem uma boa “dada de ombros”) existem para lhe ajudar, esta é sua obrigação!
Certamente pessoas ingratas ou nasceram pérfidas ou foram muitíssimo mal criadas, mal educadas. Tiveram o que quiseram no momento em que quiseram de pais que souberam mais dar o que o dinheiro compra do que carinho, afeto e princípios. Agora, pergunto: O mal criado referido sente gratidão pelas benesses que os pais lhe deram, ainda que sejam apenas materiais? Não, logicamente não! Era obrigação dos pais que tinham dinheiro lhe darem bens materiais.
Filhos ingratos, adultos ingratos, maridos ingratos, pais ingratos. Na verdade “pais ingratos” é algo difícil de conceber. De regra pessoas ingratas não mantêm nada sério, nada que valha a pena afetivamente, afinal são cegos para emoções, consequentemente não mantém o apreço alheio por muito tempo, são bombas destruidoras de corações. Seres frustrados, seres frustrantes, cegos afetivamente, só isso. Aliás, a palavra “só” combina com pessoas ingratas: Elas nasceram para serem sós.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 23 de março de 2010.

O "dar certo" dos casamentos.

O “dar certo” dos casamentos.

Quando uma relação “dá certo”? Quando ela dura 40, 50 ou 60 anos? Mas e se o casamento termina com 20 anos de união significa que ele não “deu certo”? Todo casamento esta “dando certo” enquanto existe amor. Se não há mais amor, sinto dizer, mas nem o casamento de seus avós que durou 60 anos “deu certo”!
No quesito felicidade afetiva não existe “dar certo” para inglês ver. Sinto dizer, mas pode uma união durar 2 anos e ter dado mais certo quando o casal se separa com o fim do amor do que a daqueles que estão juntos a 10 anos mas não se amam intensamente desde o primeiro ano de união.
Tive férias há pouco tempo e estive hospedada num simpático hotel onde convivi com muitos casais. Casais jovens, casais antigos e o que mais me encantou foi ver aqueles que se relacionam bem, que combinam harmoniosamente.
O diálogo, a paciência de um com o outro, a interação, o fato de dois estarem em harmonia como se fossem um demonstra que aquelas relações estão dando certo: Há amor, muito amor.
O amor é o pai do respeito e da indulgência sem os quais nenhum relacionamento se mantém. Se sua relação terminou porque o respeito começou a faltar, porque as brigas começaram a ser constantes saiba que sua relação deu certo até ai: Até o momento em que o respeito deixou de existir independente de ter ocorrido, ou não uma traição. Ou melhor, adultério porque a traição se caracteriza, inclusive pelo egoísmo daquele que magoa, que deixa de se importar com os sentimentos de quem outrora amou.
Não importa quantos anos tem um relacionamento, curta ou longa toda relação “dá certo” enquanto existe amor, respeito e indulgência. Quando a intensidade deles começa a enfraquecer o relacionamento terminou por mais que o casal se mantenha dormindo sob o mesmo teto o resto de suas vidas.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 22 de março de 2010.

Cuidado!

Cuidado!

Desconfie do que você escuta. Preste atenção a fatos, as circunstancias da vida de quem lhe fala. Cuidado com quem quase sempre é o “inocente prejudicado”, a “vítima” dos outros e seus “atos vis”. Cuidado, muito cuidado com quem é “coitado”.
A vida não tacha quem é “coitado” e quem não é. Ser “coitado” é um adjetivo que as pessoas colocam em cima de si mesmas, e, via de regra, age assim quem quer algum privilégio.
Quem se faz de coitado não tem vergonha na cara para chamar a atenção se fazendo de vítima do mundo. Quem se faz de coitado acha que só ele cansa, só ele sofre, só ele se sente assoberbado, só ele se sente mal, só ele te problemas grandes no mundo e você jamais será ouvido ou valorizado por quem tem esse “coitadismo” maléfico que é sinônimo de egoísmo e falta de vergonha na cara. Quem não tem brio, quem não tem vergonha é perigoso. Quem engana os outros e se faz sempre de vítima possui algo de letal dentro de si e pode fazer mal a qualquer um.
Pode enganar, pode tripudiar de sua boa fé, de sua bondade e não vai ter piedade alguma na hora de lhe maltratar, pois sabe que conseguirá enganar aos desavisados se colocando na posição de vítima. De sua vítima inclusive! Aliás, pode até tentar fazer você acreditar que é o errado da história, e se você estiver com a mente um pouco cansada, não duvide que poderá acreditar e sentir dó, ou de repente pedir “desculpas” pelo que não fez!
Cuidado com a mocinha ou com o rapaz que se coloca na posição de vítima dos pais e de sua criação, daqui a pouco ele vai ser sua vítima, por mais que você não faça nada contra ele! Existem pessoas de mente muito perigosa neste mundo e elas podem devastar com a sua vida em pouco tempo com jogos mentais extenuantes, sabotando seu amor próprio, sua vocação, seu brio.
Cuidado, muito cuidado com o que as pessoas falam quando você não as conhece, nunca deixe de ouvir o que os outros falam por ai da pessoa que lhe despertou o interesse: “Onde há fumaça, de regra há fogo”, pode parecer careta, mas esqueça preconceitos e nunca esqueça dessa frase, certo?! É sempre bom se proteger, é sempre bom resguardar a sua paz interior.
É possível ser muito feliz sozinho, fazendo programas sem a companhia de outra pessoa. Valorize sua individualidade, sua liberdade, seu coração e sua alma como preciosidades que são. Escolha uma jóia raríssima para acrescentar a seu mundo, mas saiba que elas não estão em qualquer joalheria, e, principalmente saiba que nem tudo o que brilha é diamante e que tem muita bijuteria convencendo ourives de que é ouro.
Cuide bem de você mesmo e dobre a atenção destinada a suas escolhas quando você começa a ver o mundo com as lentes foscas da carência e da vontade de ter “alguém para amar”. Se não há ninguém a sua altura destine todo seu amor para você mesmo, para seus pais, para seu cão, para seu trabalho, enfim, o amor que você tem no coração é precioso e não deve ser desperdiçado com quem cedo ou tarde irá lhe fazer sofrer com seu “coitadismo crônico”.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 22 de março de 2010.

Destemor e realizações

Destemor e realizações.

Você sabe o que você quer na sua vida profissional? Você sabe o que deseja para si na vida afetiva? Sabe para onde a estrada que optou esta lhe levando, ou melhor, sabe o destino da estrada na qual você esta trafegando, você sabe para onde esta indo? Sabe para onde você quer realmente ir?
Pode ser emocionante, desestressante e até mesmo divertido pegar seu carro numa tarde de domingo e sair trafegando sem rumo por ai, todavia o futuro não promete ser nada gracioso para quem não tem um rumo certo na vida.
A gente precisa de metas para viver. Precisamos de objetivos, de sonhos e, por fim, somos os responsáveis por nosso destino, por nossas escolhas, daí a importância de sabermos o que queremos para nós. A gente não vive de verdade enquanto não aprendemos a tomar as rédeas de nosso futuro nas mãos.
Se você tem um sonho, uma meta, dedique-se para realiza-las. Se for preciso mude de cidade, de Estado, de País. A vida diz “sim” para quem afirma positivamente o que ela oferece para a conquista de seus desejos.
Sucesso e prosperidade têm quem se dedica sem titubear a sua busca, a sua conquista e realização, aliás, em qualquer aspecto na vida só é realizado quem quer, quem procura e quem perde o medo de enfrentar as adversidades, afinal é preciso enfrentar algumas tempestades para poder se deleitar com a imagem do arco íris, do contrário, qual seria a graça?
Se você sabe o que quer não tenha medo de lutar, de enfrentar dificuldades siga em frente, busque e acredite em si mesmo, não existirão problemas maiores que sua fé e sua força, consequentemente não existirá nada que impeça sua realização.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 21 de março de 2010.

Sensações abençoadas

Sensações abençoadas.

As melhores sensações que experimentamos na vida não têm preço e nos dão tanta alegria e felicidade que se tornam praticamente indescritíveis, de forma que podemos narrá-las sem que ninguém afira seu real significado: São sensações tão intimas que o outro não capta o que elas significam para nós.
Olhar as estrelas através da janela de um veículo em movimento enquanto sentimos uma imensa paz e alegria por sermos quem somos. Um momento único de comunhão pessoal em que nos sentimos abençoados simplesmente por sermos nós mesmos: Estamos no silêncio de nossa alma, que pensa mil coisas positivas e sente o orgulho de estar no corpo de um ser que se perdoa pelos erros cometidos e por ser imperfeito. Só quem já sentiu sabe quão abençoada é essa sensação.
Falo da sensação de estar só conosco mesmos sem sentirmos qualquer agitação na alma, sem sentir nenhum sentimento pernicioso que nos atordoa interiormente. Falo de um momento de plena aceitação íntima onde estamos gozando plenamente do momento presente em nossa vida.
São sensações que só quem tem plena paz interior consegue sentir. Muitas pessoas passam uma vida sem ter um momento assim: Simples, silencioso e de plena felicidade. Um momento que é tão abençoado que os anjos param para nos olhar e abençoar nossa alma, simplesmente estupefata de felicidade interior.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 22 de março de 2010.

"Tudo" para dar certo?

“Tudo” para dar certo?

Seguidamente ouvimos casais se separarem e saírem da relação dizendo que “fizeram de tudo para que desse certo”. Essa afirmativa é preocupante e nela se exaure o fato de que uma relação para dar certo jamais vai requerer que “tudo” seja feito em prol disso.
Quanto mais natural e harmoniosa for a convivência do casal, mais simples será o relacionamento e consequentemente ele dará certo sem que haja sacrifícios de um ou ambos os envolvidos.
As coisas boas nascem prontas. Tudo bem, eu concordo que relações humanas não são coisas e, portanto carecem de interação e diálogo. Mas, ora essa, desde quando dialogar se tornou algo do qual se deva temer? Duas pessoas que combinam, ainda que divirjam em determinados pontos não irão ver na troca de opiniões que consubstancia os diálogos algo a ser temido, afinal conversando se entendem, o contrário é o que pensa aquelas pessoas que não combinam entre si ou que não tem paciência e capacidade de respeitar ao outro, para quem, enfim, cada diálogo implica em uma briga.
É por isso que a gente segue a vida e aprende que relações harmoniosas e que possivelmente durarão anos sem que haja brigas e discussões hediondas entre o casal (e consequentemente desgaste do amor e sentimentos) não carecem de demasiado desperdício de energia em prol dela. Elas fluem e seguem seu ritmo como um coração saudável quando bate: Não é preciso intervenção médica, não há crises arrítmicas ou nada que o abale.
Relações quando nascem para dar certo não tem o clima pesado por brigas ou diálogos desrespeitosos. São serenas, brandas, apesar do fogo da paixão. Não existe doença nelas que façam com que “tudo” tenha que ser feito para salva-las. Relações em que é preciso “toda” dedicação para que dêem certo nascem como uma criança que vem ao mundo com uma moléstia grave e letal: Cedo ou tarde sua existência finda por mais esforço que seja feito em prol dela.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 21 de março de 2010.

Separação

Separação

A gente sabe que qualquer rompimento é frustrante, em especial porque além de duas pessoas um relacionamento é composto de expectativas, de sonhos, de desejos e são esses que, quando um casal se separa, terminam nos soterrando.
Deixar o outro é fácil quando o amor se esvai, quando o amor foge pela janela após o desrespeito e a desconsideração entrarem pela porta principal. Difícil, na verdade é visualizar uma vida sem aqueles detalhes com os quais nos acostumamos, difícil é fazer novos planos quando os antigos abrem o chão a nossos pés e a frustração nos soterra.
É preciso força, altruísmo e amor próprio para catar os pedaços de nosso coração que foi devastado por uma série de decepções. Todavia, existe vida após a separação, após um divórcio, vida que se fosse novela global certamente seria reconstruída ao som de “Começar de Novo” do Ivan Lins.
Começar de novo realmente vale a pena. Fazer novos sonhos e enterrar os velhos custa alguma dor, mas é dela que aferimos sapiência para reconstruir uma vida mais madura, com arestas bem aparadas e com novas metas e desejos.
Independente da fase da vida em que a separação ocorre, independente da idade do relacionamento, a dor não muda muito. Aliás, a frustração equipara as pessoas e suas relações apesar das peculiaridades de cada uma, mas é essa mesma dor que recompõe novos sonhos, novas metas, é essa dor que constrói uma pessoa mais madura e forte para recomeçar a vida sem alguém ao lado, mas muito mais dono de si e forte interiormente.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 21 de março de 2010.

Desculpas vãs.

Desculpas Vãs

Se eu pudesse dar um conselho para os mais jovens, ou, ao menos, para os mais inexperientes no quesito “relações afetivas” e se conselhos fossem bons (é eu sei, se fossem seriam vendidos) eu diria para nunca acreditarem em quem lhes diz, ou melhor, em quem lhes promete que vai “mudar”.
As aspas se justificam, primeiramente porque pessoas que são boas para você só irão mudar, ou melhor, irão amadurecer porque a tendência da vida é essa. Ou seja, essas pessoas irão mudar por elas mesmas e não por você ou por quaisquer sentimentos que digam sentir por outra pessoa.
Em segundo lugar esta o fato de que a pessoa que lhe faz bem, que lhe faz feliz o fará sendo quem é e não precisará prometer mudança para que possa vir a ser um bem em sua vida. Pessoas que lhe fazem feliz não precisarão prometer nada, você se sentirá bem sendo quem é e estando com aquele alguém sendo ele mesmo da forma mais transparente possível.
Ademais, quem lhe faz bem, quem lhe respeita como você é, jamais irá lhe magoar profundamente a ponto de precisar pedir escusas por algum ato. Quem lhe admira e estima não vai fazer nada para lhe ferir, pelo contrário, vai se preocupar com seu bem estar e alegria, jamais vai desejar ver uma lágrima correndo pelo seu rosto e vai evitar ao máximo ser seu causador e, mais ainda, jamais vai ousar lhe fazer sofrer.
Ouso, pois aconselhar: Não siga em relacionamentos em que a outra pessoa precisa se desculpar. Não siga em relacionamentos em que o outro precise prometer que vai mudar. Pessoas que valem a pena jamais farão algo para você do qual terão que pedir desculpas, pessoas que valem a pena ter por perto jamais precisarão mandar rosas pedindo desculpas ou chegar ao extremo da humilhação para te reconquistar. Pessoas que lhe estimam não vão explodir com você, vão lhe preservar em nome do sentimento que sentem e saberão resolver seus problemas no momento oportuno e com quem devem, ademais, quem explode é bomba: Fuja se isso acontecer.
Vire as costas, siga adiante, sofra cedo e não em dobro posteriormente por quem lhe magoa e promete não faze-lo. A vida ensina que essas promessas são tão vãs e vazias quando aquele que lhe fere, lhe machuca e não tem vergonha para pedir desculpas por atos que pessoas que valem a pena ter por perto jamais fariam.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 21 de março de 2010.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Eu vivi.

Eu vivi.
Fazia algum tempo que eu não ouvia as pessoas. Não ouvi os nobres conselhos da minha mãe, não ouvi meus conhecidos e as pessoas que me queriam bem, não ouvi meu pai e o que é pior: Não ouvi minha consciência, que é Deus falando dentro de mim.
Não em vão dos 26 anos completos aos 27 anos incompletos, ou seja, em menos de 12 meses eu capotei um carro numa estrada perigosíssima após sair de uma curva a 130 Km/h, deixei minha cidade e minha quota parte num escritório de advocacia famoso para mudar de município, casei e separei passando por decepções e dores imensas. O que eu quero dizer com isso? Se a gente deve ou não ouvir os outros (?). Não sei. Apesar de tudo continuo sem saber, afinal existem pessoas de alma imprudente como a minha, que precisam sofrer na pele e ter certeza de tudo que pensam para então tomarem suas decisões.
A vida é um lindo campo aberto para quem quer gozá-la, para quem tem sede de viver e não cruza os braços diante dela. A gente escolhe as flores que vamos plantar, e das colhidas, além do aroma poderemos sentir os espinhos, por isso devemos selecionar bem aquelas que vamos colocar em nosso jardim.
Eu saí viva debaixo de um carro que saiu de uma curva capotando morro acima. Eu tive a sorte de olhar para meu lado esquerdo e poder ver um carro destruído com as rodas para cima sem ninguém mais ter se ferido. Eu tive a benção de sentir o corpo doído ao ficar apenas oito horas em observação numa maca de hospital sem ter um arranhão no corpo. Eu consegui sair de uma separação tardia de um matrimônio precoce catando os pedaços estraçalhados de meu coração explodido pelo ódio (de mim mesma) que minha razão detonou. Consegui sair ilesa, sozinha e sem rebentos, recuperando a custa de dor o meu amor pela vida e por mim mesma. Consegui superar a culpa e o arrependimento pelas escolhas feitas. Voltei a me amar, a amar a advocacia, a leitura, a arte da escrita e tudo que sempre teve valor para mim e passa longe de contas bancárias.
Eu consegui sair da pior fase de minha vida sorrindo e tranqüila por ter feito o bem que eu podia, embora saiba que tenha magoado muitas pessoas por não tê-las ouvido. E você, vai arriscar não ouvir o que a vida tem a lhe dizer? Ou vai seguir o seu coração tapando a voz de sua consciência? Será que você vai sentir dor ao sair debaixo do carro ou será que não sentirá mais nada, nem mesmo sua própria respiração?
Não sei. Se a gente soubesse ontem o que a gente sabe hoje talvez não sofresse tanto. Mas e se não sofresse, será que saberia? Talvez o bom seja experimentar. Viver para saber. Sentir na pele. Talvez o melhor seja ser prudente e se conter. Ouvir a razão, mas, e a intuição? Quando a gente fecha os ouvidos não ouvimos nem nossa própria alma, nem nossa intuição, nem nossa razão, nem Deus, nem ninguém.
É. Eu acho que o melhor mesmo é ser razoável. É não perder-se de si mesmo, porque a gente só deixa de ouvir demais quando a gente vai se afastando de nossa própria essência. Eu dizia isso há um ano. Eu dizia isso há dois anos. Mas agora eu sei. Eu mudei e me reencontrei. Hoje sou a pessoa que eu queria ser nesse período atrás, mas que não podia ser. Hoje eu sei: Eu vivi, eu sofri.
Cláudia de Marchi
Terra do Nunca, 12 de março de 2010.

terça-feira, 2 de março de 2010

Atitudes inexplicáveis



Atitudes inexplicáveis

Porque as pessoas desperdiçam seu tempo tentando entender o porquê das atitudes alheias? Não existem atitudes inexplicáveis, existe isto sim, atitudes não compreendidas. Porque compreender o outro requer uma compaixão extrema que até mesmo pessoas íntimas não conseguem ter.
Não existem justificativas plausíveis ou “contentáveis” para inúmeros atos, todavia analisando a alma do homem, sua educação, sua forma de agir e reagir perante a vida, seus valores, seus princípios, sua moral e sua auto estima, ao menos se consegue vislumbrar uma razão para determinado ato.
Pobre do homem que tenta achar explicação para atos de grande complexidade. Este é um bom caminho para a insanidade. É através do coração que conseguimos compreender muita coisa, e, não custa lembrar que assim como ele abriga o amor e a estima, ele pode abrigar o ódio e o desprezo.
Sentimentos vis? Sim, todos nós temos. Assim como todos gostamos de ser bem tratados, respeitados, acarinhados, valorizados, somos capazes de ter raiva, asco e desprezo quando maltratados somos. Existem explicações para muitas coisas, todavia, para algumas, apenas o seu autor sabe expressar e certamente não o faz pela certeza de que não será realmente compreendido.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de março de 2010.

Aborígines



Aborígines

Não existem circunstâncias mais patéticas do que a de seres humanos discutindo entre si. Nem macacos fazendo graça conseguem parecer tão tolos e bobos. O homem quando grita para ter razão ou para expor a razão que acha que tem se assemelha a um aborígine acéfalo, se é que algo tão grotesco existe.
O ser humano é racional e deve aprender que assim como ele pode falar, ele também deve ouvir, tudo, claro, dentro do respeito, sem ofender a moral ou os princípios alheios.
Todavia, infelizmente existem homens e mulheres que nasceram para viver na natureza, como animais. Não falo dos naturalistas, longe de mim querer ofende-los vez que a nudez para eles representa expressão de liberdade e respeito ao corpo do outro, mas falo daqueles seres que não conseguem ouvir opinião contrária sem se exaltar, que não aceitam argumentos sem gritar e, por fim, que liquidam com a parcimônia por agirem como animais desprovidos de razão.
Não é necessário ter sangue de barata, mas é preciso saber ouvir antes de gritar e impedir o outro de dizer o que deseja, porque, muita vezes, por uma palavra, uma vida, uma relação ou algo muito valioso pode ser salvo, ainda que seja uma simples amizade.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de março de 2010.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Gentinha



Gentinha

Como tem gentinha nesse mundo que acha que a nação acontece na circunferência pérfida de seu umbigo. Pessoas ciumentas, mal educadas e que, por conseguinte, juntam-se a pessoas iguais a elas, ou, no mínimo as contaminam com seu espírito fétido.
Pessoas que não param para ouvir o outro, seus argumentos e explicações que, talvez, para eles nada signifiquem. mas para quem os diz (ou tenta dizer-lhes) pode aliviar a alma num pedido de desculpas.
E essa gentinha que morta não faz falta vive por ai rindo dos outros, e o que é pior, rindo daqueles pelos quais um dia disseram (ou mentiram?) que tinham bons sentimentos. Ciúme, inveja, raiva e qualquer sentimento colérico aproximam o homem que deveria ser racional, de um animal. De um pobre animal sedento de compaixão e amor.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 19 de fevereiro de 2010.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Repetindo atos.

Repetindo atos.

Quando pensares em unir sua vida a de outra pessoa tente analisar se a forma com que vocês foram educadas se assemelham. A gente se torna o reflexo da educação que tivemos, ainda que a condenemos não iremos fugir de nossas raízes.
Se sua namorada fala que seus pais eram rudes e que gritavam com ela frequentemente ao invés de dialogar, ou seja, que ela foi educada num meio em que o respeito foi substituído pelo temor, lembre-se se na primeira discussão ou diante da primeira adversidade ela não vai erguer o tom de voz e lhe magoar.
Com raríssimas exceções, no que se refere a forma de trato com o outro a gente repete os exemplos que tivemos. Filhos de mães e pais carinhosos e afetuosos, de regra serão assim, filhos de pais brutos, violentos e nervosos, de regra serão assim.
A gente não dá o que não tem, e isso vale para amor, bem como para as noções básicas de respeito e interação com o outro, e, principalmente com o sexo oposto cujo exemplo maior é o de nossos pais verdadeiros, adotivos e avós.
Provavelmente alguns psicólogos saibam disso, talvez muitos discordem, afinal todos sabemos que as pessoas podem ter reações diversas às mesmas situações, todavia não podemos olvidar do que se chama de “na maioria das vezes”. E na maioria das vezes a gente vem a repetir os atos aprendidos e apreendidos no meio em que fomos educados.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 30 de janeiro de 2010.

Voltando a se encontrar.

Voltando a se encontrar.

Depois de algumas experiências no campo de nossa afetividade nossas emoções podem sofrer um certo “estresse” e nos deixar perdidos. Perdidos dentro da gente mesmo, dentro do que a gente quer ou não para nossa vida amorosa.
Todavia, o tempo é e sempre será o senhor da razão e é ele quem nos ensina a ter certeza do que não queremos para nossa vida, de onde podemos tirar a certeza de nossos anseios opostos: O que de fato desejamos.
A partir do momento em que, conhecendo e convivendo com alguém vamos nos desencantando e decepcionando passamos a ter plena certeza do que não gostamos no outro: Sua forma de agir perante subalternos, sua forma de tratar sua família, de portar-se no trabalho, de lhe responder e tratar publicamente, seu caráter, sua desonestidade, sua forma de ser rude ou grosseira.
Daí, com algum sofrimento e mais vivência fizemos o perfil do tipo de pessoa que desejamos atrair, posteriormente para nossa vida: Carinhosa, gentil, ponderada, honesta, educada, afetiva. A vida dá voltas e termina voltando ao mesmo lugar: A gente pode se perder em nossos anseios, mas se eles forem bons podemos ir para longe deles, cedo ou tarde voltamos para eles.
O passado não tem conserto, o que passou serviu para nos ensinar, afinal não fossem os erros do ontem não teríamos as virtudes de hoje. Assim sendo, nos resta viver, sorrir, chorar e levantar sempre de cabeça erguida e com a certeza de que são nossos anseios e convicções que farão o universo nos trazer aquilo que merecemos e a nós se assemelha.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 30 de janeiro de 2010.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cabeça fresca

Cabeça fresca

Você tem medo do que? Dizem que todo mundo tem medo de alguma coisa. De repente seja verdade, ninguém quer perder quem ama, por exemplo, e pode desenvolver um medo disso, todavia todos os medos acentuados são vãos.
Vãos porque a gente só tem medo das coisas antes de elas acontecerem. A gente sofre antecipadamente. No momento em que algo que nos atemorizava acontece nosso cérebro e emoções se focam na resolução da situação a tal ponto que o medo é esquecido.
Talvez eu seja uma insana, ou alguém a quem a vida tornou demasiado objetiva. Não me preocupo na verdade com nenhuma definição acerca de meu caráter do qual a única que sabe realmente o valor que tem sou eu, e não preciso, tampouco desejo provar nada para pessoa alguma, por isso não tenho medo.
Não tenho medo de nada porque eu sei que em qualquer situação, com exceção da morte a vida sempre aponta duas vias para seguirmos, então, porque se preocupar com o final da estrada se as paisagens podem ser mais atraentes? Cabeça fresca é bom na vida e não significa irresponsabilidade, mas auto confiança, sem a qual a vida não tem sentido algum.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 05 de fevereiro de 2010
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