Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O meu Seguro de Vida

O meu Seguro de Vida

Eis que aos 26 anos resolvi fazer um Seguro de Vida. Um seguro que cobre diagnósticos de doenças como câncer e males cardíacos, invalidez permanente por acidente e, obviamente morte. E urgiram afirmativas como: "Você é louca?!", "Procura um psiquiatra antes de fazer", "Eu não faço porque se eu morrer não vou usufruir mesmo", "Você é muito novinha".
De psiquiatra talvez eu precise, mas por outros motivos. Louca creio que não seja, apesar de concordar que de médico e insanos todos temos um pouco, não irei usufruir, mas deixarei uma compensação para quem amo caso venha a sair cedo da vida. Novinha? Sim, mas quem diz que a morte escolhe seus alvos por idade, beleza ou possibilidade de futuro?
E as doenças? Cada vez mais cedo jovens vem sendo cometidos por doenças graves, de tumores a doenças cardíacas, acidentes de caro são cada vez mais comuns. Sempre fui uma mulher prevenida, e o seguro de vida me fez sentir bem, tranqüila, em paz comigo mesma.
Da vida a gente só sabe a hora que nasce (porque a mãe, a parteira, o pai ou, enfim, os médicos dizem) e que um dia dela sairemos. Quando? Impossível saber, quem sabe possamos um dia intuir, mas saber jamais.
O homem, como costumo dizer, é um ser que vive ciente da morte mas age como se fosse eterno. Deixa para amanha o beijo que podia dar hoje, deixa para amanha o "eu te amo" que podia dizer hoje, o abraço no pai, o agradinho de gratidão à mãe, aquela confraternização com os poucos e bons amigos, a brincadeira com o filho.Creio que a maioria dos que vão para o tal "lado desconhecido" levam um monte de vontades frustradas e uma sensação lamentável de "se eu pudesse voltar atrás".
Talvez por isso eu seja tão teimosa, talvez por isso eu insista no que me dizem que é perdido, eu lute, eu acredite, eu tenha fé, talvez por isso eu trate bem e com amor quem me cerca e me desperta o apreço, porque apesar do Seguro de Vida, eu vivo cada dia como se fosse o último e tenho, sim, muitos sonhos e metas para o futuro, mas de hoje em diante uma coisa é certa: Caso eu não possa cumpri-las não deixarei quem amo em situação periclitante. Porque o hoje é certeza, o ontem desde nossa entrada na vida até à noite anterior a esta pode ser saudade, mas o amanha, este sim, é sinônimo de mistério, pelo menos no que diz respeito a nossa partida.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de dezembro de 2008.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.