Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Liberdade em tempos de comunicação acessível.


Liberdade em tempos de comunicação acessível.

Eu existi e fui jovem em um mundo que não contava com aplicativos em telefones móveis. Muito menos estes, de diálogo gratuito e em tempo real, com quem esteja em qualquer lugar do mundo. Se eles nos trazem benefícios? Sim, creio que seja desnecessário discorrer sobre eles. A questão, para mim, é a inquietude e a inconveniência que eles causam, em especial, aquela sensação de nunca estar realmente só.
Como dizia a letra da música sertaneja antiga, existiu um tempo em que se tirássemos o telefone fixo do "gancho" ou da tomada, ele "emudecia". Não chamava! E, assim, nos livrávamos das mensagens alheias, aliás, nos livrávamos mais facilmente das pessoas que não queríamos próximas! Hoje em dia, ficar a sós consigo mesmo, tornou-se algo dificílimo para qualquer ser humano!
WhatsApp, facebook, Skype e todos os outros programas de computador e celular que existem! Pessoalmente, sou o tipo de pessoa muitíssimo humorada, porém muito devotada a si mesma! Eu adoro a solidão e, não raras vezes, coloco o celular em modo avião, desligo, entrego ele para a minha mãe atender, unicamente se for meu pai quem venha a me ligar.
São clientes, alunos, conhecidos, estranhos e, nenhum deles, ou melhor, ninguém se tornou, nos últimos tempos, tão interessante a mim, quanto minha mãe, meus gatos, amigos próximos, livros, seriados, filmes e, eventualmente, uma taça de vinho. Portanto, a única forma de ficar só, de refletir sobre a vida, de curtir a mim mesma integralmente, é desconectando.
Sou blogueira, sou professora universitária, advogada, sou afeta à "humanas", do Direito à psicanálise, enfim, me comunico muito, escrevo muito, uso as redes e a comunicação escrita para fazer catarse e me comunicar com o mundo, mas, não nego e nunca negarei que, os meus melhores momentos e epifanias surgem off line.
Todavia, é muito bom poder valer-me das redes ao meu bel-prazer, não ao "delas": uso quando quero, desconecto-me quando desejo, porque não me escravizo a algo que eu posso usar. E posso usar como eu quero, não como o mundo ou seus inventores (das redes), desejam. Isso, pra mim, é liberdade! Liberdade na era digital é ser feliz longe do universo on line.


Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 25 de janeiro de 2016.

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