Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

terça-feira, 24 de junho de 2014

Das ilusões à realidade.

Das ilusões à realidade.

O problema de ser iludido por gente que não presta é que os desavisados confundem a sua inocência com condescendência. Além, é claro, de que pessoas de má índole adoram negar a realidade sobre o seu mau caratismo e culpar aos outros que, simplesmente e por motivos que qualquer pessoa de bom caráter compreende, não quiseram mais a sua companhia.
Tem quem acredite neles até conhecer-lhes um pouco melhor e perceber que nada que saia de suas bocas é verídico, assim como existem os da mesma laia que ele e que, justamente por isso, lhes dão credibilidade. Gente que, com certeza, não lhe interessa.
É incrível como pessoas pérfidas escolhem bem as suas vitimas. Aliás, pessoas mau caráter e de conduta duvidosa, via de regra, se escoram na imagem boa de um amigo, dos pais, dos conhecidos para convencer uma vitima “boa gente” de que elas são boas.
É o tal “sabe o fulano? É meu amigo”. Mesmo que nem seja tão intimo assim. Essas pessoas sabem que relacionar-se bem pode ser um passaporte para o convívio com pessoas idôneas e, se tem uma coisa que cafajestes não gostam, é de levar a fama pelo que realmente são e, consequentemente, de relacionar-se intimamente com pessoas da sua índole.
Todavia, de repente eles incutem nas pessoas que lhes conhecem a imagem de “mudado”, de um “novo homem” e terminam, como sempre, sendo o que sempre foram: uma porcaria de ser humano. Mas daí, o que eles fazem? Usam de todos os motes para culpar quem estava ao seu lado pelos seus erros. Eles são mestres na arte da mentira, do ludibrio, da enganação.
A culpa é sempre da ex-mulher, do gênio forte da namorada, do vício do amigo, do mau humor do colega de trabalho, do rigorismo do chefe. O cidadão, aquele que abusa da confiança de todos que lhes dão, é apenas uma vítima, um coitadinho, um miserável.
Acontece que caráter não muda nem que se conviva com o capeta ou com Cristo. Pessoas que honram seus compromissos, que são decentes e honestas assim permanecerão perante a pior das “más companhias”, da mesma forma que um homem de caráter forte não muda seu jeito de ser por causa de alguém de personalidade duvidosa.
Em relação a caráter, meu amigo, não adianta justificar o erro porque bebeu, porque é viciado, porque é dependente psicologicamente do que for. Existem drogados e alcoólatras que não deixam suas contas para outro pagar, que são sinceros com quem dizem amar e não logram quem confia neles. Existem os que não fogem de seus atos e assumem quem são, esses podem ser drogaditos, mas não são golpistas.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 24 de maio de 2014. 

sábado, 21 de junho de 2014

Ilógica

Ilógica

A tal da “lógica” é traiçoeira, mas a gente precisa dela. Sei lá, você conhece alguém, a pessoa é filha de gente honesta, tem uma família maravilhosa, excelente profissão, mas, de repente, você descobre coisas ilógicas a seu respeito, desonestidade, mentiras, problemas escusos.
Da mesma forma, você percebe que essa mesma pessoa desconfia da lógica. Age de forma errada na crença de que não será descoberto, por exemplo. Você se enganou porque achou “lógico” que o individuo era gente boa por ter pais decentes, ele engana porque não acha “lógico” que a verdade virá à tona.
Acontece que é preciso aprender que psicopatas podem ter pai e mãe decentes, mentirosos podem ser filhos de gente sincera e honesta. A “lógica” é que o fruto não caia longe do pé, ocorre que ele pode cair.
Normalmente esses psicopatas do cotidiano, quando provenientes de um meio de pessoas corretas, sabe muito bem o que é certo, o que é errado, o que é justo, o que é decente, o que é sincero e honesto, porém eles são humanamente incapazes de agir corretamente.
Diante de tal incapacidade, enfim acabam por enredar quem eles têm como interessantes, justamente por serem pessoas idôneas, ao contrário deles mesmos, com mentiras homéricas de forma que se mostram igualmente incapazes de ser sinceros, porque, no fundo sabem que, se mostrarem a face por debaixo da máscara, nenhuma pessoa decente lhes dará atenção ou credibilidade. E assim eles usam o diploma, a roupa e principalmente a lábia para enganar as pessoas, afinal, a falsidade e a ausência de caráter deste tipo de pessoas é tanta que chamá-las de "gente" é atribuir-lhes um elogio imerecido.
Pode ser triste ser vitima desses seres humanos cuja indecência e falta de escrúpulos contraria a lógica do seu meio, da sua classe social, do seu grau de estudo, todavia, creio que ser uma pessoa que precisa construir uma imagem de um ser totalmente diferente do que ele é para conquistar a confiança dos outros deva ser pior.
Todavia, por lhes ser impossível agir de forma correta, eles superam essa sensação ruim ou, ao menos estranha, de ter que viver com uma máscara e tornam a repetir seus atos corriqueiros: enganar todos os que lhe dão confiança. Começam com os pais e partem para chefes, namoradas, amigos, comerciantes, ainda que para tanto se valham da credibilidade da família ou de algum coitado idôneo que confiou neles.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 21 de junho de 2014.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Chances? Nunca mais.

Chances? Nunca mais.

O problema das pessoas mal intencionadas é que elas confundem a sua capacidade de acreditar no melhor das pessoas com tolice e, assim, creem que podem mentir até sobre a cor azul do céu que você irá acreditar.
Acontece que confiar no outro é algo típico de pessoas boas e bondade não se confunde com burrice. Idiotice mesmo é mentir costumeiramente a ponto de fazer os outros duvidarem até quando você diz o seu nome e sobrenome.
Eu sou o tipo de pessoa que confia, confia muito, todavia, uma vez que perco a confiança nunca mais a recobro, sabe por quê? Porque pessoas que valem a pena não precisam pedir “voto de confiança”, elas simplesmente agem de tal forma que você nunca precisará perder a confiança nelas.
Quem mente, ludibria e engana de regra tem a vã ideia de que são mais “espertos” que os outros, que são astutos e, praticamente, invencíveis. Todavia, se existe algo realmente “invencível” neste mundo, ela se chama verdade.
Você pode fazer-se do que não é por muito tempo, até mesmo por anos, pode omitir seus atos escusos e sua falta de caráter, por um bom tempo, mas chega o dia em que a verdade vem prevalecer e, neste dia, sabe o que ocorre se as pessoas que você acreditou serem tolas tiverem apreço por si mesmas? Você nunca mais recupera a confiança delas e acaba por perder, definitivamente o apreço que conquistou usando máscaras.
Creio que eu e todas as pessoas sensatas deste mundo não queremos muito de um relacionamento, por exemplo, queremos apenas transparência e alguém que nunca precise pedir uma “segunda” chance, afinal, nos dias de hoje, confiar plenamente em alguém já é uma chance e tanto.

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 20 de junho de 2014.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Criminosos.

Criminosos.

Passei o início da minha carreira dedicada ao Direito Penal. Agora, muito feliz e realizada, voltei. Não sou a melhor criminalista do mundo, pelo contrário, nem me intitulo assim, mas gosto do que faço e, posso dizer, que em quase dez anos de advocacia a gente vê muitas coisas. Com três décadas de vida muito mais.
O fato, pois é que eu concluo que todos somos criminosos ao menos uma vez na vida. Sonegação de impostos, xerox de livros, dvds piratas, compra acima da cota em outro País, beber um copo de cerveja e direção, dirigir sem CNH, andar a 120 Km/h quando o limite é 80 Km/h e assim por diante. A lista é longa, muito longa. Acontece que nem todos somos pegos e, principalmente, a gravidade destes delitos é mínima se comparada com outros. Mas são delitos. Ponto.
Ademais, a gente não quer saber dos delitos que comete, a gente gosta mesmo é de falar dos crimes dos outros. O mesmo em relação a falhas morais. Sentimo-nos "Deuses" em dia de juízo final avaliado a vida alheia. E agimos como uma "mãe" em relação a nossas falhas. Isso é hipocrisia.
Colocar-se no lugar do outro não mata ninguém, nem torna ninguém menos do que é. Existe grande diferença entre cometer delitos e ser um criminoso contumaz, todavia, ainda assim eu acho que somos arrogantes demais em relação aos erros do outro. Aliás, sempre nos compadecemos com as vítimas.
Colocamo-nos no lugar do irmão, da esposa, do pai, da mãe da vítima de qualquer delito. Mas somos praticamente incapazes de nos colocar no lugar da irmã, do amigo, do marido, do pai e da mãe do "criminoso".
Acontece, meu amigo, que você pode se achar infalível, mas garante que seus filhos nunca vão errar? Nunca cometerão algo, num momento de passionalidade, do qual irão amargar arrependimento pra sempre? Garante que você sempre será parente ou afim da vítima e não do "algoz"? Eu não, embora não queira.
Mas, quem me garante que um dia, meu filho que sempre me viu dirigindo acima do limite de velocidade permitido não faça o mesmo e não consiga frear a tempo de não colidir num carro e causar a morte de alguém? Ninguém. Se você tem essa garantia, digo, do fundo da alma que é abençoado.
Agora, de onde venho e no mundo em que vivo eu não posso garantir que eu seja sempre exímia, menos ainda que quem eu amo, quem me cerca e quem, espero, seja por mim bem educado seja, e é por isso que eu atuo nessa área sem ter impedimentos para dormir à noite.
Afinal, quem carece da “presunção de inocência” hoje é um cliente, amanha pode ser alguém que eu amo. Pode ser eu mesma. Todo mundo critica advogados criminalistas, certo? Pois é, até precisar de um, com certeza. Ah, mas você nunca vai precisar né?! Que bom. Eu lhe invejo.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 11 de junho de 2014.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Estelionatários afetivos.


Estelionatários afetivos.

Eu gosto muito de assistir ao canal pago chamado “Investigação Discovery”. Assistindo a vários programas em que a vítima, mulher, é assassinada ou maltratada pelo marido, encontro algumas semelhanças nos casos.
O namoro quase sempre é lindo, romântico, cheio de juras de amor eterno. O início do casamento também, coisa de contos de fadas. O casal se relaciona bem, o sujeito é carinhoso, afetuoso. Até que deixa de ser.
Nem todas as mulheres precisam ser espancadas ou assassinadas para aprenderem que o dia a dia, a união estável ou o casamento revelam quem é a pessoa que escolheram para “passar a vida” ao seu lado.
Existem as que são vitimas de violência física ou verbal e existem as comuns, aquelas que se decepcionam, que casam com o cara centrado, maduro, honesto, decente e, de repente, percebem que o seu amado é um estranho. Um sujeito que, se elas conhecessem bem antes de escolher, não teriam escolhido relacionar-se com eles.
É o tal do “lobo em pele de cordeiro”. Eles conseguem disfarçar o que são por um tempo, mas não uma vida, não para sempre. E, assim, aquelas que não descobriram que o marido é um sujeito violento, tampouco se surpreenderam positivamente por ver nele mais virtudes, acabam sendo, pura e simplesmente, vitimas de uma grande frustração, de uma grande decepção.
Pessoas desleais adoram vestir o papel de decente, de sincero, de honesto. E, assim, escolhem suas vitimas, aquelas que serão enganadas e irão, infelizmente, se apaixonar por uma fraude. Tem quem chame de “malandros”, eu chamo de estelionatários afetivos e saliento: é muito difícil descobrir quem é um, é apenas o dia a dia que vai mostrar ou claro, quem sabe, a contratação de um detetive particular.
Todavia, isso tudo, meu caro, não se afere nos bons tempos de namoro em que se estabelece uma distância saudável. Tem coisas que só o convívio revela. Logo, certo quem disse que casamento é loteria.
As pessoas gostam de pensar que o amor é tudo num relacionamento, que com ele a gente supera tudo. Eu acho que o amor por si mesmo é tudo nesta vida. Relacionamento em que a outra pessoa falta-nos com a verdade, com a sinceridade e, consequentemente, com o respeito ao nosso jeito sincero de ser, relacionamentos em que a pessoa omite quem ela realmente é, traindo-nos a confiança não se mantém nem que exista amor. Pessoas com índole e caráter diferentes não foram feitas para ficar juntas, a pessoa transparente pode, com toda certeza, amar a imagem que o outro pinta, imagem com ela a fim, mas mesmo o amando não se mantém ao seu lado ao ver que ele não passava de uma fraude.
Amor, minha gente, é lindo, mas o amor próprio é o que nos impulsiona a viver de forma correta e, consequentemente, a sofrer menos diante das decepções advindas de um relacionamento com um estelionatário afetivo e a seguir o nosso caminho feliz, porque conscientes de que "fomos" quem "somos" sempre.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 20 de junho de 2014.

Preço alto.

 Preço alto.

A gente paga caro quando age sem pensar. Mais caro ainda quando agimos ignorando que nossos atos terão efeitos e poderão prejudicar a quem amamos e a nós mesmos. A sensação de sermos inabaláveis, a sensação de que a justiça divina beneficia a todos menos a quem prejudicamos acaba por nos prejudicar muito, afinal, nenhum erro, nosso ou dos outros, sai impune nesta vida. Cedo ou tarde a verdade se revela.
Cedo ou tarde as máscaras caem, nossos erros se tornam evidentes e nosso arrependimento não leva as coisas ao “status quo”. Erramos, ferimos, magoamos e nossas lágrimas não irão modificar nada.
Pensar que podemos errar e que conosco nada vai acontecer é o maior sinal de tolice de um ser humano. Tudo o que fizemos, cedo ou tarde vem à tona. Não adianta nada varrer a poeira por baixo do tapete, um dia, uma faxineira mais dedicada vai ver que a sujeira esta lá.
E, quando nossos erros vêm à tona, podemos chorar, nos arrepender e sofrer, nada do que façamos vai consertar o que quebramos, em especial se isso for a confiança que alguém depositou em nós. Amor e respeito não terminam de uma “burrada” para outra, mas confiança sim.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 09 de junho de 2014.

Perdões.

Perdões.

Nada pode ser mais nobre do que o perdão, mas quando a mesma pessoa lhe pede as tradicionais "desculpas" com muita frequência significa que você precisa ficar atento. Muitos pedidos de perdão nada mais significam do que muitas mancadas, logo limites são necessários.
Não é preciso não perdoar, é preciso não ter tantas razões para aceitar as desculpas alheias. Ninguém deve ter uma relação amorosa ou uma amizade que exija a constante necessidade de perdoar para que ela perdure.
Relacionamentos devem lhe fazer bem, do contrário se tornam tortura psicológica e isso, meu amigo, ninguém merece! Literalmente. Acontece que é mote dos que, teoricamente, amam, mas erram, o anseio do perdão alheio como demonstração de amor.
Ninguém dúvida que quem ama, tenta perdoar ao outro. Todavia, só quem não se ama acaba entrando num circulo vicioso de perdão. O amante magoado perdoa, o amante errado fica contente, mas, em alguns casos, recebe o perdão como salvo conduto para errar. E é neste ponto que a história enfeia.
Logo, é preciso muito cuidado ao conceder perdão. Dentro de uma realidade racional ele significa amor, em excesso ele significa carência, falta de amor próprio. Logo, perdoe, mas nunca perca de vista o seu próprio brio. Há limites para tudo, inclusive para ser bondoso, do contrário você se torna otário, não “bom”.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 09 de junho de 2014.

Complicado.

Complicado.

Complicada essa "coisa" de viver. Sei lá, você passa maus bocados, se decepciona, se frustra, sofre que nem um cachorro faminto e maltratado e jura que nunca mais passará por aquilo de novo. Mas, passa.
E, acredite, pode ser pior. Acho que o sofrimento nos turva a visão: quando estamos sofrendo pensamos que nada pode ser pior que aquilo. O engraçado é que pode! Mais, o cômico é que se você analisar, você sofre porque repete os mesmos erros. Em dado momento você jura que não vai mais confiar em alguém. Mas, confia.
Aliás, releva a primeira mentira. A segunda, a terceira e vai assim enquanto tiver esperança. Pois é meu amigo, essa “tal” que é sempre a última que morre pode lhe levar para o cemitério!
É sempre bom tê-la, mas, como tudo o que é demais, ela termina “sobrando” e quem paga o “pato” é você, seu coração, seu estômago e, quiçá a sua conta bancária. Acontece que queremos ser surpreendidos.
No fundo, neste mundo de pessoas que se escondem por trás de máscaras de virtudes que não possuem, queremos, apenas alguém que seja sempre o mesmo alguém: longe ou perto, sempre a mesma pessoa. Pessoa que nos surpreenda positivamente, pessoa que valha a pena conhecer e dar o nosso melhor.
Enfim, queremos sempre alguém com quem possamos ser nós mesmos e alguém que não coloque carapuça alguma para ficar conosco. Uma pessoa de uma face só. E uma face boa, pura e sincera. Nada mais.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 09 de junho de 2014.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Exceções sejam bem vindas!

Exceções sejam bem vindas!

Eu gosto de pessoas humildes. Sabedoria sem humildade é arrogância. É chato, é feio. Num mundo em que sobram pessoas que sabem pouco e são tão orgulhosas quanto os arrogantes que se "acham" por saberem bastante, pessoas conhecedoras acerca do que falam, mas respeitosas e humildes são raridade.
Valorize quando você encontrar uma. Aliás, exceções a qualquer tipo de regra que representam o "ordinário, mas desagradável" merecem a sua estima. Infelizmente vivemos num mundo em que o humilde, o sincero, o honesto e o correto estão tornando-se exceções.
Eu não acredito em pessoas perfeitas. Na realidade, ainda que elas existissem eu as teria como entediantes, afinal, a imperfeição reside em mim e eu gosto de quem comigo se afina. Todavia, o fato de sermos imperfeitos não nos deve fazer acomodados ou orgulhosos.
Reconhecer os próprios defeitos e as próprias falhas, em especial as que magoam quem amamos, é o primeiro sinal de decência de uma pessoa. Ter vergonha também é. É certo que de nada adianta reconhecer erros da boca para fora. É preciso sentir dor de estômago, é preciso perder o sono, enfim, é preciso sentir-se muito mal por errar com as pessoas.
Enfim, eu não me importo se quem me cerca é errante ou não é, eu me importo, isto sim, se as pessoas conseguem sentir uma imensa e sincera vontade de ser melhor, de fazer melhor. Isto, neste mundo imperfeito, já significa muito. Eu valorizo.

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 06 de junho de 2014.


Vergonha e decência.

Vergonha e decência.

Quando eu era criança e aprontava "alguma", minha mãe olhava pra mim antes de me repreender e dizia: "Mas tu tem medo e não tem vergonha!". Essa frase me marcou, porque no mundo adulto o que eu mais vejo são pessoas com vergonha e medo de serem descobertos em seus erros, mas sem decência para não errar, para, enfim, não prejudicar ao outro.
A esposa trai o marido e tem medo de ser descoberta, primeiro porque não quer arcar com os efeitos de seu ato, segundo porque tem vergonha dele e das outras pessoas descobrirem que ela é volúvel.
A mesma coisa para o advogado que age como bandido diplomado e engana seus clientes para lucrar com seu ato. Ele, assim como o político corrupto, tem vergonha de ser descoberto, mas não tem vergonha de agir desonestamente. Eu lamento essa inversão de valores morais. Lamento que a palavra “descobrir” tenha tanta relevância na vida de certos indivíduos, ou melhor, lamento que o medo que eles sintam, seja apenas de serem descobertos.
Tudo pode desde que não seja descoberto, logo, algumas pessoas vivem vidas duplas: existe a realidade de seus atos e o que eles aparentam ser ou, ao menos, tentam aparentar. “Honestos” para os outros e desonestos entre quatro paredes, de forma que, quando “descobertos” a vergonha lhes chega.
Mas, ora, porque não ter vergonha de agir como agiu e, assim, não agir? Na verdade, além de enganar aos outros, essas pessoas enganam a si mesmas. Terminam por acreditar que eles são o que aparentam ser aos outros. Eles se alimentam das próprias mentiras, até que creem que elas são a sua verdade. Psicopatia? Talvez. Mas não vou entrar neste mérito.
Creio que, se as pessoas tem vergonha de serem descobertas em suas mentiras, de ter sua torpeza revelada, deveriam não mentir, deveriam não ser vis e torpes. Se existe o medo de que seu engodo seja revelado, deveria haver medo de agir de forma a prejudicar ao outro.
Acho que certas pessoas carecem de ter medo e vergonha pelo motivo correto, por isso eu valorizo a transparência, valorizo quem vive de forma que suas atitudes não prejudiquem pessoa alguma.
Existe muita diferença entre ter vergonha do que os outros vão pensar e ter vergonha de agir de forma a enganá-los. E são pessoas com vergonha pelas razões justas e certas que faltam neste mundo, porque gente que ilude e engana os outros e só lamenta quando é "descoberta" o mundo está cheio.
 Ademais, se você tem vergonha de que seus atos sejam revelados, o caminho mais fácil é o de ser honesto consigo mesmo e não tomar as atitudes que toma. Enfim, não custa pensar nos efeitos de seus atos antes de agir.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 06 de junho de 2014. 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Beleza

Beleza

Beleza não é tudo, todo mundo sabe. Eu mesma sou uma pessoa totalmente contra essas “nóias” de ter corpo mega bem definido em contraposição a uma mente desestruturada.
Todavia, existem situações e situações, pessoas e pessoas. Não curto gente que só sabe falar da dieta da moda, dos suplementos de proteínas para aumentar a massa muscular, do novo “acelerador” de metabolismo e do cirurgião plástico badalado, mas também, não suporto gente que não gosta do corpo que tem e que, por ser frustrada com a própria aparência, é invejosa e chata.
Você não precisa ter o corpo que a mídia impõe como “ideal”, você precisa, isto sim, sentir-se bem na própria pele, porque, se o mundo não carece de gente fútil, também não precisa de gente descontente com a própria aparência que fala mal de quem tem o corpo que ela gostaria de ter.
Futilidade é uma porcaria, mas falta de confiança em si mesmo também é. Com uma boa dose de limites, cuidar de si mesmo não faz mal a ninguém. A questão é não tornar-se escravo de sua própria vaidade.
Tão ruim quanto escravizar-se pelo desejo do corpo perfeito, é tornar-se relapso com o que você tem. Zelar pela própria saúde e gostar do que se vê no espelho não é doença, não é problema, mas fazer de tudo e mais um pouco para ter um corpo bonito, a ponto de tornar a própria alma feia, é doentio.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 06 de junho de 2014. 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O amor e a solteirice.

O amor e a solteirice.

Eu estava passeando pela internet quando avistei uma crônica voltada ao público masculino intitulada como “Cinco motivos para continuar solteiro”, pois eu não desperdicei meu tempo lendo, afinal eu pensei: “Só cinco?”. Eu acho que todos tem muito mais do que cinco razões para ficarem solteiros.
Na realidade, na minha modesta opinião, a única razão que justifica um namoro e um casamento é o amor. Quando você está solteiro não precisa discutir a relação, não tem embates baseados em ciúme, não fica curioso a respeito do que o outro está achando da relação, com quem ele conversa, se ele está feliz, se está triste ou frustrado.
A solteirice é tranquila, sem discussões, sem aquela raiva que surge quando o parceiro fala ou faz algo que nos magoa ou irrita. Solteiros tem a cama só pra eles, comem o que e quando querem, dormem quando desejam, bebem o quanto querem em qualquer dia e, em resumo, não precisam dar satisfação de absolutamente nada para alguém.
Atraente não? Pois é, muito. Até você se apaixonar por alguém e depender do “bom dia” dele para ter, de fato, um dia bom, depender do “boa noite” para dormir bem, do beijo e do abraço para se acalmar e do sorriso dele para sentir paz.
Ser solteiro é um paraíso, mas amar é melhor. Quando você ama alguém, qualquer concessão é feita com entusiasmo, tudo o que quem não ama acha de inconveniente no casamento, quem ama não liga, faz por e com amor tudo e isso faz tudo valer a pena.
Por outro lado, ter uma relação com quem não se ama é um crime contra a possibilidade de ser feliz, é um atentado ao psiquismo de qualquer pessoa. Com amor os relacionamentos não são fáceis, sem amor eles são praticamente impossíveis de manter.
Não por menos, quem não ama o parceiro e está com ele pelos filhos, pela sociedade, em respeito à família ou por mero comodismo e medo dos efeitos que um “não te amo mais” acarreta, tende a sofrer e, também, a ser infiel. Quem não ama pensa como solteiro, mas se obriga a agir como casado e desta “obrigação” surge uma frustração imensa.
É o amor que nos move a ficar com alguém, a ser leal, a ser sincero, a ser o que de melhor podemos ser, todavia, amar não é garantia de que você nunca vai se irritar, que você nunca vai ter vontade de fugir. O amor é, pura e simplesmente, aquilo que, quando nenhuma algema lhe prende, quando ninguém lhe segura, quando você pode ir pra onde quiser, não consegue, porque por maiores que sejam as dificuldades e as diferenças, a vontade de estar com o outro é maior, a vontade de dormir e acordar com ele é maior.
Amor não implica numa relação perfeita, afinal duas pessoas que tiveram criação diferente, experiências diferentes, que possuem personalidades distintas, nunca terão um relacionamento livre de discordâncias, o amor, implica, em suma em, apesar de qualquer “porém”, ter vontade de ficar com o outro e sentir-se plenamente feliz ao seu lado. Feliz toda hora, feliz todo o tempo? Não, obviamente, mas feliz por estar ao lado de quem se ama, de forma que, mesmo quando descontente você encontre razões para ficar.

 Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 29 de maio de 2014.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Silêncio, uma boa opção?

Silêncio, uma boa opção?

Tem gente que acha que calar evita embates. Essas pessoas tem razão, nove em dez vezes. Todavia, calar não resolve nada. O silêncio, assim como a palavra deve ser usado com moderação, para o bem da lógica, enfim.
Se o seu silêncio não magoa quem você quer economizar com suas palavras, ótimo. Mas se ele fere, é tão pernicioso quanto as tradicionais palavras mal colocadas. É tudo, pois, uma questão de saber se expressar.
Não adianta nada não contar para o marido o que ele fez de irritante e ficar com uma tromba de elefante! Aliás, se você acha que o silêncio e a cara feia servem para alguma coisa o casamento nunca será uma boa opção na sua vida.
Silenciar, por si só pode ser útil, em especial pra colocar fim ou evitar discussões, desde que com o silêncio, não se guarde mágoa. E, principalmente, não se demonstre mágoa.
Quando a gente se fecha acaba ruminando nossas certezas sem, sequer, dar ao outro a possibilidade de expor as suas e, consequentemente, os seus sentimentos. E é por isso que muito silêncio não faz bem para nossos relacionamentos amorosos.
Eu sou a favor do diálogo. Acho que casamento algum sobrevive sem transparência e uma boa dose de objetividade, no maior estilo “fulano, o problema é esse”. Essa história de rostos expressivos e boca fechada fazem até santo perder a razão.
Por outro lado, sou muito a favor do silêncio quando o que se fala nada vai alterar o clima da relação, quando o que se pode falar será totalmente inútil ou capaz de ferir a outra pessoa, desde que, claro, o silêncio não dê ensejo ao mau humor e a uma cara carrancuda.
A linha entre a palavra que fere e o silêncio incomodativo é muito tênue. Ambos magoam, ambos irritam. Todavia, a questão sempre está na racionalidade. As relações humanas envolvem emoções, mas sem uma boa dose de busca pela lógica elas não fluem bem.
Gente que fecha a boca e a cara se torna inconveniente. Se for pra silenciar, portanto que seja com um sorriso sincero nos lábios se não, minha amiga, seu silêncio não ajuda em nada e a pomba do “eu calo para não brigar” termina virando o corvo do “calo, mas magoo”.

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 28 de maio de 2014.


Casais e fotos.

Casais e fotos.

Como são bonitos os casais unidos, cuja felicidade fica estampada em seus rostos! Não por menos, a maioria das pessoas adoram casamentos. As pessoas estão notoriamente felizes no dia em que se casam. São muitos sonhos, muita esperança, muito amor e as fotos que ficam para a posteridade retratam um pouco disso.
Entrei no facebook outro dia e vi a postagem de um casal. Foto linda, casal bonito, elegante, bem trajado e unido! Enfim, foto linda. Acontece que a tal da maturidade às vezes é irritante. Sei lá, quando a gente é mais inocente acaba acreditando que o que aparenta ser lindo e perfeito, realmente é lindo e perfeito. Mas nem sempre é assim, então a gente acaba vendo uma foto bonita, mas não deduz nada além disso.
Gente rica, viajando para a Europa, tomando vinho, celebrando momentos, também sofre, também tem problemas, também se irrita. Enfim, meu caro, as aparências enganam e às vezes os momentos que sucedem uma foto bonita são feios, chatos e entediantes.
Logo, casais belos, que não tem medo de mostrar sua felicidade ao mundo, podem ser muito infelizes, sem que ninguém acredite nisso. As pessoas gostam de fazer os outros acreditarem que são melhores do que são e, principalmente, que são mais contentes e felizes do que são.
É como se mostrar alegria ao mundo fosse fazê-los ser mais alegres e felizes. Um anseio tolo de que a ficção vai se tornar realidade ou a mera vontade de irritar quem, sabem eles, lhes desejam mal? Num ou noutro caso, nada muda.
Por outro lado, existem aqueles instantes que foto nenhuma retrata, momentos que não ficam gravados no celular ou no nosso notebook de ultima geração, menos ainda na coluna social, são aqueles que ficam gravados na nossa alma e que ninguém nos tira.
São risadas, brincadeiras, beijos, um brinde com um copo de refrigerante, coisas singelas que significam muito para quem vive e absolutamente nada para quem vê. Ops! Mas ninguém está vendo! Enfim, são os momentos a sós, com quem se ama e que ninguém de fora sabe ou vê. E nem precisa.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 28 de maio de 2014.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Fé discreta

Fé discreta.

Eu tenho fé. Muita fé, mas uma fé diferente da de muitos: uma fé discreta. Não me considero uma porta voz de Deus. Creio que cada um acredita no que bem entende e, na verdade, são as condutas e não as rezas que contam: antes um ateu que procede de forma idônea e possui compaixão do que um crente que ignora a decência e reza ajoelhado porque seu “Senhor” tudo perdoa.
Essa fé psicopata que passa por cima da analise de seus próprios atos, que não se arrepende e não sente culpa, porque “Deus perdoa” me assusta. Ter empatia, agir com decência, colocar-se no lugar do outro e não fazer ao outro o que não deseja que ele lhe faça é a maior demonstração de devoção a qualquer santidade e, sobretudo, de amor à vida e aos outros.
Não tenho nada contra quem vai à missa, ao centro espírita, ao culto ou seja lá o que for, desde que as suas atitudes condigam com a beleza de sua pregação, de sua reza. Eu gosto de gente que tem atitudes bonitas, não palavras.
Não adianta nada ser infiel, ser desonesto, usurpar o direito dos outros para se beneficiar em detrimento deles e falar a todos que “Deus é bom”, “Deus é amor” e que é preciso confiar Nele.
Orar a Deus e fazer mal as pessoas pra mim é hipocrisia, não me serve. Se ajoelhar na missa do domingo e cometer os mesmos erros da semana anterior na que inicia não vale nada, tentar se aprimorar, todavia, considero a melhor das “rezas”. Prefiro pessoas que não promovem religião, mas que agem com respeito aos outros, sejam eles religiosos ou não.
Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 27 de maio de 2014. 

Diretos.

Diretos.

Bom se existisse tantos sábios quanto pessoas prolixas que querem fazer de conta que a sabedoria lhes pertence, bom se existissem tantas pessoas inocentes quanto as que fingem que o são.
Acontece que a alegação de inocência não é apenas um direito de acusados em processo criminal. Bom se fosse só nele tão vastamente usada! Ocorre que, assim como os presídios, a vida está cheia de gente “inocente”.
Pessoas desleais, pessoas fofoqueiras, pessoas mentirosas, pessoas infiéis que afirmam taxativamente que são boas, que são sinceras, que são inocentes, que são incapazes de fazer os atos imorais que, no entanto, fazem.
São muitos falsos sábios apregoando sapiência, muitas pessoas sem valor algum pregando Cristo, muitas pessoas injustas pregando justiça e muita gente imoral pregando moral de cuecas.
Não é preciso falar muito quando a razão lhe pertence. Quem muito grita, quem muito fala, quem muito tergiversa, não tem razão e acaba, aos olhos dos mais atentos, perdendo a pouca que possui. Acho que a humanidade precisa de pessoas objetivas, francas e diretas. Não é preciso enfeitar demais as coisas quando o que se fala é correto, é verdade, é justo. A humanidade, sobretudo, carece de pessoas em cujas ações se encontre mais beleza no que nas alegações!
Eu acho, enfim que está faltando verdade no mundo, verdade nas pessoas e nas suas palavras. Gente assim não soma, não agrega e não faz falta. O mundo precisa de exemplos e não de palavras rebuscadas que nada mais são do que tentativas inúteis de gente que pouco sabe, fingir que sabe muito.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 27 de maio de 2014. 

Expectativas racionais.

Expectativas racionais.

Eu acho que o erro da gente é criar muitas expectativas. Todavia, acho que deve ser muito chato viver sem elas. Acontece que a gente precisa tentar conhecer as pessoas e saber o jeito de cada uma de forma a adequar as nossas expectativas à realidade do jeito delas.
Sabe a historinha que “quanto maior a expectativa, maior a frustração”? Pois é, ela procede. Quanto maior o muro, maior a queda, sempre. Todavia, a culpa não é da existência do muro ou da expectativa em si, mas do seu tamanho, da sua proporção em relação ao chão, no caso, à realidade.
Você deve sonhar e, portanto, deve ter expectativas, mas elas devem se adequar a sua realidade, as possibilidades que existem. Ora, mas é possível ser favelada num momento e noutro virar uma modelo internacional? Tudo é possível neste mundo, todavia, não se pode olvidar do fato de que existem milhares de moças morando em favelas e sonhando virar modelos, nem por isso elas devem parar de trabalhar e, por exemplo, manter-se magras por passar fome. É preciso sonhar, mas é preciso ser prático, ser realista.  
A linha entre o realismo e o pessimismo é aparentemente tênue, assim como a linha entre o otimismo demasiado, entre o ser "sonhador" e ser ridículo também é, portando não custa maneirar na desproporção das expectativas entre o real e o almejado, tanto na vida profissional como na pessoal.
Não adianta ajudar uma pessoa ingrata e espera gratidão dela, do contrário é decepção e irritação na certa! Quem consegue conhecer ao outro também se afasta de quem, sabe, tudo que esperar vai gerar frustração. A gente tem que conviver com quem nos agrada, nos surpreende e não desaponta as nossas expectativas com frequência.
É certo que não é sempre que seremos positivamente surpreendidos por quem nos cerca, mas se frustrar sempre é indicio de que, além de não esperar muito delas, devemos manter distancia. A questão é que criar expectativas nem sempre é ruim, mas criar expectativas em relação à pessoa errada é.
Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 27 de maio de 2014.


Na verdade.


Eu gostaria que a vida fosse justa, que pessoas boas tivessem o que é bom e que pessoas frias e egoístas sofressem, mas não é assim. Pessoas com grande capacidade de empatia, não raras vezes se decepcionam, quebram a cara e não amealham riquezas materiais, por isso tem quem diga que “o mundo é dos espertos”, por exemplo.
Só que o mundo não é dos espertos, não é dos ricos e nem dos poderosos. O mundo é de quem não pretende lucrar sempre, de quem não precisa “ter o mundo” pra ser feliz, simplesmente porque, na sua humildade e tranquilidade, é contente, é feliz.
O que de valor se ganha com o que só dá lucro? Dinheiro, bens materiais, viagens, lazer e etc., claro! Mas será que na alma humana e no “final das contas” vale a pena deixar a bondade, a compaixão, a doçura e a decência de lado em prol dele?
Muitos pensam que sim, eu creio que não. Consciência tranquila é um sonífero que não se compra, não tem efeitos colaterais e, em caso de dependência, os resultados são os melhores. Eu recomendo.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 27 de maio de 2014.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Bobos

Bobos 

Eu tenho asco de homens bobos. Sabe o tipo que passa qualquer tipo de mulher não muito feia na rua e ele fica olhando como se a criatura fosse a coisa mais perfeita da face da terra? E, o que é pior, fazendo aqueles comentários bobos ao máximo? 
Ou aqueles que olham uma mulher seminua na televisão e comentam com a esposa que a criatura é “gostosa” como se estivessem na companhia do companheiro de futebol e não da parceira? 
Mais, aqueles que olham pra uma próxima e diz que já “pegaram”? Todo mundo deve conhecer um “obeso sexual”: o cara diz que pegou todas e atualmente a necessidade é tanta que só não pega a irmã porque é feio? Além do cara totalmente fora da casinha que tenta trovar mulher casada e com notória aparência de decente em redes sociais? 
Dizem que o “diabo sabe pra quem aparece”, mas, às vezes eu acho que não. De regra, um homem inteligente analisa o jeito da mulher, a postura, o estado civil, dá uma olhada no perfil dela no Facebook pra ver se é feliz no casamento, pra depois tentar dar em cima. Acontece que tem muito idiota no mundo, que não analisa nada. 
Pois é, pra mim isso é coisa de péssimo nível. Coisa de quem não teve muitas experiências na vida e quer fazer de conta que é “o tal”. Coisa de gente que perdeu a noção do ridículo, tamanha a carência em que vive. 
Homens coitados e, sem sombra de dúvidas, mal amados. Mal “servidos”, em casa, pra dizer o mínimo. Tem quem possa dizer que todos os homens fazem isso. O fato é que, desde que não façam ou falem idiotice na frente de uma mulher razoavelmente exigente e dotada de estima por si mesma, “menos mal” para o conceito deles. 
Ademais, eu acredito na diferença. Nem todas as mulheres desprezam o que eu desprezo e nem todos os homens agem de forma, a mim, desprezível. E, com certeza, são os educados e respeitosos que merecem admiração. 
Afinal, de babaquinha que diz que “comeu” essa ou aquela, que sai com a mulher tomar sorvete e diz que transaram até no teto do motel, que trata a esposa com grossura e todas as outras como um doce e que fica num relacionamento que não lhe faz feliz por comodismo, mas paquera qualquer uma, o mundo está cheio. 
 Cláudia de Marchi 
Sorriso/MT, 23 de maio de 2014.

Certezas

Certezas 

 Nada pode nos trair mais do que as nossas certezas, porque nelas, tem muito mais de nós do que do outro, a quem, seguidamente, as jogamos. Nós temos “certeza” de que o outro pensa isso, temos “certeza” de que ele está “assim”, temos “certeza” de que ele se sente “assado” e nesse mundo de certezas, residem os nossos recalques, os nossos medos, a nossa frustração e as nossas fraquezas. 
Logo, por tal motivo saber ouvir e, sobretudo, confiar na sinceridade e franqueza do outro é um santo remédio em qualquer espécie de relacionamento humano sendo que, apenas através de diálogos sinceros conseguimos desfazer as nossas certezas traiçoeiras e compreender a do outro. 
Todavia, para isso precisamos baixar a guarda, inclusive, de nosso orgulho, que faz com que achemos que temos razão no que pensamos em detrimento do que o outro pensa e sente sendo que, nessa situação, quem sofre somos nós. 
Nenhuma amizade, relação entre colegas, namoro ou casamento podem ser parcimoniosos se as pessoas preferirem acreditar naquilo que elas têm como “certo” e não no outro, quando, obviamente, a sua “certeza” diz respeito a algo dele. 
Nós só podemos ter certezas a respeito da nossa conduta, do nosso pensar, do nosso sentir e do nosso sofrer, nunca a respeito do que se passa no outro, do que emana dele. A respeito do que não é nosso, resta-nos resignarmos, ouvir e confiar, do contrário, o convívio se torna desagradável. 
Qualquer relacionamento saudável pauta-se no diálogo e na confiança, no falar, no ouvir e, obviamente, no acreditar no que o outro fala e argumenta, afinal, se lhe é impossível confiar num amigo é melhor afastar-se dele, certo? 
Toda relação parte do pressuposto de que existe confiança, sendo assim, ter “certezas” a respeito do intimo do outro é um caminho fácil para a infelicidade quando, por exemplo, o outro expõe o que pensa e você prefere acreditar nas suas próprias conclusões e, portanto, certezas. 
Eu creio, enfim, que existem muitas pessoas com muitas certezas a respeito das coisas que não habitam em seu intimo neste mundo. Cabe a nós termos a certeza de que estamos agindo da melhor forma que podemos. Quanto àquilo que atine ao outro, precisamos apenas confiar nas certezas que ele diz ter, nas suas verdades, do contrário, a solidão se torna um mal (des) necessário. 
 Cláudia de Marchi 
Sorriso/MT, 23 de maio de 2014.

Triste época

Triste época 

Eu sou do tempo em que ser bonita não justificava narcisismo. Na minha época, as mulheres bonitas, usavam a cabeça não apenas para levar seus cabelos alongados. Enfim, ser bonita e ter um corpo legal não são condições que obrigam você a ser exibicionista, a publicar fotos onde mais se enxergam os peitos estrategicamente arrumados quase para fora da blusa. Da mesma forma que um traseiro arredondado não justifica fotos de lado em espelhos, seguidamente. 
O que é isso mocinhas? Não é possível ser contente com a aparência sem exibi-la de forma vulgar? Ou será que a carência incita tais atos para que chovam elogios? Eu, que sou da época em que aparência não é nada sem inteligência, amor próprio e decência, sinceramente, não sei. 
Entretanto, não raras vezes eu penso que as mulheres de hoje em dia, que agem assim, precisam de um psicólogo, do carinho das mães, dos pais, da leitura de um livro de autoajuda (e etiqueta) para que, de uma forma ou outra, recuperem ou desenvolvam o apreço por si mesmas e deixem de julgar-se “bem” na proporção das “curtidas” nas fotos e dos respectivos comentários elogiosos. 
Eu posso desconhecer a razão que faz essas jovens agirem assim, mas tenho noção de que há algo errado nessa necessidade extravagante de chamar a atenção, de seduzir os outros, tanto nas redes sociais quanto fora delas, através de trajes demasiado vulgares. 
Ocorre que estamos na era virtual e, hoje mais do que nunca, os seios, as pernas e as poses para mostrar o bumbum dominam o Facebook, Instagram e etc.. Fotos na academia ou tiradas antes de ir malhar, com as tradicionais roupas justas, são comuns. Tão comuns que eu pergunto: será que essas senhoritas malham pra poder aparecer “gostosas” para os outros? 
Onde está o fazer por “gosto” e para si mesmo, nessa época em que tudo vai parar na internet dentro de trajes que deixam o corpo em total evidencia? Creio que as academias estejam cheias de “ratas” que se exercitam para ficar com um corpo atraente para o sexo oposto, de forma que, no afã de conseguir chamar a atenção, o divulgam em suas paginas pessoais, afinal, só os conhecidos próximos e colegas de academia são poucos para lhes desejarem. 
Triste época, onde o excesso de vaidade, a carência e o narcisismo se confundem na notória necessidade, para mim, doentia, de exibir-se. Triste época onde ser bela, ter um corpo bonito e vestir-se de forma elegante e discreta virou exceção à regra e, o que é pior, a admiração da maioria por um belo sorriso foi substituída pelo anseio por seios “evidentes” e bunda grande. Para aparecer na foto, inclusive. 
 Cláudia de Marchi 
Sorriso/MT, 23 de maio de 2014.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Sutilezas

Sutilezas 

 "O amor nasce de pequenas coisas, vive delas e por elas às vezes morre." Frase de Lord Byron, escritor britânico. Frase muito verdadeira, todavia, a maioria vive como se ignorasse tal fato. 
Sabe aquela história de casar e passar a deixar de lado todos os pequenos agrados? Pois é, eles são pequenos, a atitude de deixa-los de lado não é nenhuma traição, mas, aos poucos, ela mata o carinho. 
Um relacionamento amoroso não é feito só de mensagens de “eu te amo” ou de um “sou louco por você” dito em momentos de intimidade. Existe algo muito, mas muito importante: os olhares. 
A gente sabe quando uma pessoa ama a outra pelo olhar de admiração que ela lhe direciona. Da mesma forma que a gente sabe que é amado não pelas palavras, mas pela forma com que o outro nos olha. Olhar de ternura, olhar de encantamento, olhar amoroso. Acertou quem disse que “um olhar vale mais que mil palavras”. Pois, ele vale. 
E um olhar é uma pequena coisa, não é?! Uma pequena coisa capaz de encantar e, na sua ausência, uma pequena coisa capaz de desencantar, de frustrar, de decepcionar. Você já reparou como casais em crise não se olham mais? Pois é, menos ainda nos olhos um do outro. 
As pessoas gostam de falar de infidelidade e desrespeito como geradores de fins de romance. Todavia, faço uma comparação: homicídio é um crime grave, mas quem disse que agressão física não é crime? Enfim, traição e qualquer espécie de desrespeito são os homicídios nos relacionamentos. É o fim, é indiscutivelmente grande, sério, grave. 
Todavia, existem atos menores que, também são crimes nos relacionamentos. São as coisas do dia a dia, a desatenção, a falta de diálogo, a falta de carinho, a falta de beijo, a falta de abraço, as irritações tolas, as reclamações egoístas, as exigências demasiadas, o egoísmo, a ausência, a falta de consideração e valorização que aniquilam com o amor. 
Relacionamentos, seguidamente, não terminam por uma grande causa, assim como não começam com uma. São as coisas mais singelas que encantam, assim como são as coisas singelas que frustram e, e a frustração repetida acaba com o encanto. E sem encanto, cedo ou tarde, o amor morre. 
 Cláudia de Marchi 
Sorriso/MT, 22 de maio de 2014.

Fé na mudança

Fé na mudança 

Eu sou uma pessoa que tem fé na mudança. Muita fé. Não por menos já dei credibilidade a quem os outros não davam. E me frustrei em partes, nunca por completo, como além de crer na mudança das pessoas gosto de analisar o aspecto positivo das minhas experiências, eu continuo achando que vale a pena. 
Não é só por ter constatado que os outros podem mudar que eu acredito nisso. É por mim. Tenho várias características fortes, mas o narcisismo nunca foi uma delas. Não acho que sou a exceção das exceções sobre a face da terra. E eu mudei muito. 
De repente eu abro um livro e encontro uma bela dedicatória feita por um colega, amigo e sócio. Há 11 anos. Então, como num passe de mágica, fiquei olhando para aquelas palavras e lembrando-me de como eu era. 
Primeiro pensamento: “aquela era eu?”. Incrível como a vida passa depressa, como os anos correm, como as bochechas somem, como os cabelos caem e, sobretudo, como a gente muda. Como eu mudei! 
Não falo na necessária mudança para melhor, apenas. Ou será que a gente sempre muda pra melhor? Tornar-se mais desconfiada, mais esperta e estrategicamente menos sincera não é tão ruim assim. Mas é estranho, afinal, ao mesmo tempo em que nos tornamos mais seguras, passamos a confiar menos nos outros. 
E isso dá certo? Sinceramente, é preciso jogo de cintura para lidar com o que a vida faz da gente. É estranho confiar mais em si mesmo e menos nos outros, mas dá pra levar, dá pra dar um jeito, afinal, a gente ficou mais antenada né?! Então, é mais fácil se livrar de quem nos engana! 
Mas, voltando à dedicação na capa do livro. É um pouco esquisito sentir-se estranha em relação ao que a gente já foi. Era maior a inocência, era maior a crença de que coisas ruins não acontecem com pessoas boas e de que boas pessoas não fazem coisas ruins. 
Todavia, 11 anos depois o livro está aqui. Mudaram as leis nas quais o livro foi baseado, mudou a aparência de quem escreveu a dedicatória e a minha, claro. Mudaram os pensamentos e alguns conceitos que eu tinha naquele tempo, mas, o que me anima é saber que existe, ainda, um pouco na mulher de hoje, do que tinha na moça daquela época. 
Só que hoje ela é muito, muito mais esperta e com o abençoado dom de fazer-se de tola! E isso, não tem corpo sarado de vinte aninhos que pague, afinal, os “vinte” é a época em que a gente é tola, mas se acha e se faz de esperta. Aos trinta anos a gente é esperta e se faz de boba! Benzadeus! 
 Cláudia de Marchi 
Sorriso/MT, 22 de maio de 2014.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O que termina uma relação?

O que termina uma relação? 

As pessoas possuem muitas certezas a respeito de relacionamentos que são, na prática, disfuncionais. Exemplo disso é a tão apregoada segurança, fruto, obviamente da confiança no outro. 
Nove em dez vezes, quando seguras demais, as pessoas se tornam mais relapsas. Não por menos, até meus vinte e tantos anos eu sempre acreditei que algumas pessoas veem no casamento um título translativo de propriedade: “assinei, agora é minha, ganhei o jogo.” E param de ser aquilo que eram quando conquistaram o amor de seu novo “bem”. 
Quando sentem que o outro esta em seu domínio as atitudes mudam e, com isso, ao invés de uma forma de fomentar uma relação feliz, seguidamente fomentam a ausência e com ela a frustração e posterior desinteresse do outro. Não por menos, existem pessoas astutas que nunca dizem ao outro tudo que sentem a seu respeito e tentam ignorá-lo quando podem para que ele não se torne muito seguro. E, neste ponto, pessoas emocionalmente transparentes escorregam. 
Enfim, a pessoa que se sente menos “atendida” emocionalmente não raras vezes se cala e, se cobra do outro atitude que a segurança demasiada fez com que ele deixasse de ter, a tendência é ser considerada inconveniente e ser ignorada. 
Como ninguém gosta de ser tachado como “chato”, costuma-se calar e, calando, continua sentindo-se frustrado até que o interesse se esvai. É a ordem infelizmente natural e inevitável das coisas: a pessoa imersa em segurança deixa de fazer a maioria das coisas que fazia e cativavam o outro, o outro cala ou é chamado de “chato”, a relação amorna e começa a caminhar para o fim, seja através de infidelidade ou de um respeitoso ponto final. 
Onde entra a necessidade de um pouco de insegurança e maior valorização do outro? É óbvio! Se as pessoas não conseguem manter um relacionamento quente sentindo-se seguras, então um pouco de insegurança vem a calhar. 
Todavia, vale frisar, a insegurança aqui referida não é a causa geradora de ciúme doentio como o que questiona o passado alheio, as roupas do outro. Ciúmes e a dose de insegurança referida não se correlacionam, embora seja praticamente normal que, quem teme a perda do outro, tenha uma dose salutar de ciúme dele. 
Quem valoriza o outro a ponto de temer a perda de sua atenção, valorização e amor nunca deixa de lhe olhar com olhos apaixonados, não deixa o carinho, os beijos e, porque não dizer, o sexo mudar. Quem teme, cuida. E cuida muito. 
Por outro lado, quem deixa de temer se acomoda e aí começa o amornamento da relação. Todavia, pessoas acomodadas não ligam para isso, até gostam, mas existe um tipo de pessoa com intolerância a relacionamentos mornos e essas pessoas não se quedam contentes ao lado de quem deixa de ser o que era para com elas. 
A realidade é que pessoas experientes e realmente maduras afetivamente sabem que segurança demais é pernicioso. Ou melhor, elas sabem que cuidar nunca é demais, afinal, em momento algum a sua segurança fará com que o outro deixe de ter seus desejos, suas fantasias e, consequentemente, de olhar para os lados. E por isso tendem a cultivar a paixão e a atenção que desde o início da relação dispensaram ao outro. 
Essa é, pois a melhor forma de fazer com que o sexo e a relação não se tornem entediantes, afinal, o tédio, além do comodismo inerente ao excesso de segurança, sabem tais pessoas, é o maior incitador a bancarrota de um relacionamento amoroso. 
Cláudia de Marchi 
Sorriso/MT, 21 de maio de 2014.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Falsidade estratégica

Falsidade estratégica 

Eu sou uma pessoa sincera, uma pessoa franca. Todavia, aprendi com o tempo que o nosso melhor e a nossa sinceridade serve com quem a gente se importa e, principalmente, com quem a gente ama. 
Por que eu vou ser sincera a respeito do que penso com quem não gosta de mim? Para ser criticada? Francamente, eu sou franca com quem gosto e brandamente falsa com quem merece. Sim, falsa! 
Não valorizo a pessoa, não gosto dela? Dou sorrisos amarelos e não a tenho como confiável ou amiga. Simples. Mas não vou desperdiçar o meu sagrado tempo dizendo “olha, eu sei de tal coisa”, “tu poderias ser menos grosseiro”, “quem sabe você procura um psicólogo”, “vou te contar uma coisa íntima” e coisas do tipo. 
Pode parecer que eu sou mais dura com quem amo pelo fato de dizer o que eu penso, todavia, não é verdade. Ou é, em partes. Posso ser dura, porque não quero ser magoada por quem amo e, tampouco não desejo magoar, logo, explicito minha forma de pensar, de sentir e de ser. 
Os outros? Não me interessam. Com eles posso dar risadas, mas nunca confessar um erro. Dou ao outro aquilo que ele me dá: franqueza aos bons, e uma falsidade branda aos falsos, pois sei que com eles a sinceridade é inútil. Cedo ou tarde vão deturpar o que ouviram e a minha franqueza terá se tornado uma mentira abominável. 
Se não posso manter-me muito distante de quem não confio, sorrio, concordo e sigo adiante sem contar nada que se passa em meu íntimo, aprendi que esse é o melhor caminho para desviar-me das cobras que a selva da vida me apresenta. 
 Cláudia de Marchi 
Sorriso/MT, 20 de maio de 2014.

A grama do vizinho

A grama do vizinho

Acho que tendências humanas não devem ser consideradas regras e, principalmente, não devem ser tidas como imutáveis quando elas não acarretam a nossa felicidade. 
Exemplo disso, é a que deu origem a afirmativa tosca que diz que “a grama do vizinho é sempre mais verde”. Se for assim, as pessoas nunca serão felizes em suas casas, com suas esposas e filhos, assim como em seus empregos, afinal, a casa do amigo, a esposa do amigo, os filhos dele e o seu emprego sempre serão melhores ou mais atraentes que os seus. 
Ademais, este é o caminho principal para a inveja tola e estúpida. Na verdade, eu tenho quase total certeza de que está mania que a maioria das pessoas possui de valorizar o que não possuem e esquecer-se da graça do que conquistaram é um gatilho infalível para a frustração e, mais, uma demonstração de tolice emocional. 
Algumas pessoas, porém, passam anos, meses e fazem de tudo para conquistar alguém e quando a pessoa passa a lhes amar, o encanto se esvai. Da mesma forma, aqueles que lutam por um cargo, o conseguem e se entediam. Enfim, estas pessoas valorizam o intocável, o inacessível, e quando a situação muda, a “graça” se esvai. Impossível ser feliz se você quer ser sempre o que “batalha por algo” e não o que “conquista algo”. 
Sendo assim, sugiro que você passe a olhar para a sua esposa com a admiração que aquele que não têm o seu amor e atenção olha, que você olhe para os seus filhos como as bênçãos que Deus deu unicamente a você, que você olhe para o seu emprego com o valor de algo que lhe sustenta merece. 
Da mesma forma, sugiro que você olhe para a sua grama com encantamento e conclua que, se ela não está mais verde, é porque você não está cuidando como deveria ou o clima seco não está ajudando, e neste caso, provável que não esteja ajudando a mais ninguém. A grama do vizinho? É dele, e por tal não merece ser cobiçada. 
Ou você volta seus olhos às pessoas que lhe amam, àquilo que você conquistou e possui ou, além de infeliz, você é uma pessoa que não sabe amar. Não saber dar valor ao que é seu é o maior indicativo de falta de habilidade de amar e, consequentemente, de dar amor. 
Aquilo que é do outro nunca vai lhe incomodar, a esposa do outro nunca vai se implicar porque você sujou o tapete novo com o tênis sujo, porque você anda disperso ou coisa assim, da mesma forma, os sócios do outro nunca irão criar embates com você e o chefe dele é agradável, além, é claro: a grama dele não é você quem precisa cuidar, cortar e molhar. Enfim, o que pertence a outrem não irrita ou decepciona você e só por isso parece melhor, mas não é. 
Cláudia de Marchi 
Sorriso/MT, 20 de maio de 2014.