Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quinta-feira, 29 de maio de 2008

As boconas

As boconas

A vaidade humana esta perdendo os limites. Cada vez mais a beleza passou a ser o foco da atenção das pessoas a ponto de mulheres jovens realizarem preenchimento nos lábios para ter uma boca carnuda. Muito carnuda. Carnudissíma.
Silicone, lipoaspiração, plástica na barriga, no nariz, silicone nos glúteos, tudo aceitável, mas colocar substância na boca, local que deve chamar a atenção pelas palavras que profere, é um risco. Ou seja, a mulherada esta arriscando ficar feia com o anseio de ter um bocão estilo Angelina Jolie, afinal seguidamente ocorrem problemas neste tipo de procedimento.
Li em um exemplar da primeira semana de maio da revista Veja que a procura por preenchimento aumentou 30% entre mulheres de 20 à 30 anos, sendo, após os tratamentos anti-rugas, a intervenção estética mais procurada nos consultórios de dermatologistas. Confesso que me assustei.
As mulheres não estão tentando melhorar intelectual ou psicologicamente com ajuda profissional para se tornarem mais cheias de auto-estima e mais autoconfiantes, para serem melhores mães, profissionais ou parceiras.
Não investem no aprimoramento de seu intelecto, na gestão de suas emoções, na busca pela maturidade e beleza interior que é aquela que resplandece em simpatia, autoconfiança, charme, sendo um dos maiores atrativos no mundo dos peitões, bundas empinadas, rostos lisos, bocas grandes, cabelos longos e, infelizmente, idéias curtas (cabelos e cílios longos, porque até mesmo permanente de cílios existe. Fiquei sabendo outro dia quando fui me maquiar para um evento e me perguntaram se eu havia feito. Me assustei, até isso inventaram?)
O que me preocupa é o futuro do mundo. Será que adiantará termos misses beiçudas andando por ai, parecendo vasos sanitários de porcelana, com o diferencial que das boquinhas (perdão, das boconas) sai o que nestes entra? Não seria melhor um mundo de mulheres naturais, porém cheias de conteúdo, educando filhos afetiva e mentalmente saudáveis, sendo companheiras e amigas de bem com a vida e humoradas?
Nada contra a vaidade humana, mas o excesso é o que me apavora: A vontade de ser como a outra, como a atriz, a dona dos lábios lindos, do corpo perfeito que conserva assim porque precisa dele para sobreviver, se torna um problema posto que o desejar a beleza alheia se tornou um foco, um objetivo, e o se tornar melhor diante do que se é e do que se pode tornar foi legado a segundo plano, ou, infelizmente, a nenhum plano.
Os valores estão sendo invertidos e o que deveria ser um detalhe esta se tornando um aditivo principal: A beleza exterior é o objetivo, enquanto o bem viver consigo mesmo, a beleza interior, enfim, esta sendo legada ao julgamento de afirmativa piegas dos poucos que pensam e enxergam além do que os olhos podem ver e as mãos podem tocar.

Cláudia de Marchi

Marau, 29 de maio de 2008.

Ode ao casamento

Ode ao casamento

As pessoas adoram falar mal de situações que elas mesmo criam, gostam de criticar ao outro e de se apegar aos obstáculos e olvidar do prazer que existe na realização de seus intentos. Resolvi escrever uma ode ao casamento. Não ao casamento de pompas, festa, juiz e padre, entre pessoas, muitas vezes, de pouca experiência e maturidade. Nada contra formalidades, mas levanto a bandeira pró-casamento entre pessoas emocionalmente inteligentes que se respeitam e que não teriam motivo algum para dividir suas vidas e ceder sua liberdade abdicando das benesses da solteirice para ficar com alguém, se não o amor e admiração mútuos, logo o formalismo se torna desnecessário.
Casar é bom, viver junto com quem se ama, é ótimo. Ter um companheiro para te ouvir, pegar na mão, conversar, dividir a cama, a mesa e o banho, dar boas risadas, e, porque não dizer, ter bons momentos de prazer com quem, não à toa, resolvemos escolher para ser nossa companhia, também na horizontal, todas as noites. Mas o convívio entre duas pessoas de sexos opostos só pode dar certo quando ambos estão emocionalmente bem e aptos. Mulher que quer homem que ouça seus lamentos e lhe "compreenda" sempre sem nada comentar, que deseja um homem servil e apoio verbal em todos os momentos, na verdade, deveria desistir da posição de heterossexual e procurar uma namorada, uma companheira. Homem é homem, não é psicóloga, nem tem alma feminina.
A alma feminina é cheia de virtudes, mas, quem disse que a masculina também não é? Homens e mulheres são diferentes na forma de ser e pensar. Faço um parêntese para dizer que creio que homem interessante, homem bom com "b" maiúsculo é aquele bem diferente da mulher, aquele que expira testosterona. Homem doce, meigo, "todo ouvidos", tem alguma coisa errada e a mim não agrada.
Homem é homem. Mulheres são mulheres e o sucesso da união de ambos depende da paciência do casal e, porque não dizer, da compreensão da mulher de que o companheiro apesar de lhe despertar paixão e encanto é bem diferente dela na forma de ser, do cérebro à (graças ao Criador!) ao físico. Se os pressionarem para deles extrair o lado feminino irão transformar a relação num inferno arriscando uma traição. Dai, lamento, mas não adiantam lamúrias.
Os homens, obviamente também devem compreender as diferenças, a maior sensibilidade das mulheres, por exemplo, todavia não tem homem que agüente mulher de sensibilidade extremada, que reclama de suas atitudes, lhe repreende ou critica. As atitudes dos homens em ficar quietos, introspectos, são interpretadas como grossura pela mulher, cujas atitudes extremadas beiram mais a chatice e criancice.
Antes de casar as pessoas deveriam procurar uma psicóloga, ler livros sobre relacionamentos e diferenças entre os sexos ou, simplesmente, viver mais, do contrário irão arruinar o relacionamento por incapacidade de compreender as diferenças e, portanto, ter um relacionamento legal e cheio de parceria, e, diga-se com um bom parceiro ou parceira.
Antes de jogar pedra no outro toda pessoa que vive com alguém deve analisar com mais afinco as suas próprias atitudes porque num relacionamento o ato de um costuma ser uma espécie de eco ao agir do outro. Maturidade, experiência de vida e de convívio humano, humildade de espírito e, principalmente, vontade de ficar com o outro são imprescindíveis. Afirmo, pois que casar é muito bom, mas não é para todos.
Algumas pessoas jamais deveriam morar com alguém: Aqueles que não amam compreendendo a importância da liberdade num relacionamento, e, em especial aqueles que, apesar de amarem, não estão dispostos a ceder, compreender e, principalmente, respeitar o outro diante das diferenças inerentes. Não esta disposto a aceitar as distinções entre os sexos?Não esta disposto a viver com um ser extremamente diferente? Fique só ou mude de opção sexual. Homens e mulheres, entre si, se relacionam com mais facilidade, assim como gente problemática com um bom psicólogo.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 29 de maio de 2008.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Reclamações de frustrado.

Reclamações de frustrado.

Poucas afirmativas femininas me indignam tanto quanto as que pretendem taxar os homens como animais irracionais, infiéis e, pois, iguais entre si. Da mesma forma me irrita o papinho típico de machinho com ego ferido quando afirmativas depreciativas se direcionam as mulheres.
Cada um julga de acordo com as experiências que teve: Não são os homens os desleais, nem as mulheres, as quais as pessoas magoadas tentam criticar. Infeliz e desleal com o mundo é a atitude de quem teve experiências lamentáveis e não consegue verificar que nele existem muitas pessoas virtuosas e bondosas.
Não convém analisar os motivos pelos quais algumas pessoas entram em relacionamentos “fraudes”. Na época da popularização da “lei da atração” muitos podem dizer que as pessoas atraem tais relações, que, enfim, “semelhante atrai semelhante”. Explicações, justificativas, existem várias.
Ruim é ter o ouvido confundido com pinico quando uma pessoa frustrada começa a despejar lamentações e generalizações sexistas em cima dele. Mulheres: Os homens prestam sim, têm o tempo deles para amadurecer, as fases, mas são pessoas objetivas, fáceis de compreender e que se apaixonam de verdade por aquelas que acham que lhes merecem. São vaidosos, mas têm coração e podem ser bem sinceros.
Homens: Nem todas as mulheres são interesseiras, falsas ou complicadas. Muitas gostam mesmo de homem, não de dinheiro, muitas são parceiras boas de cama, de cozinha, de acampamento, bebedeira e festa.
Humanos, enfim: Toda generalização é burra. O mundo é muito grande para ser habitado por pessoas iguais em defeitos. Respeitar, perdoar e compreender o outro, à si mesmo e suas escolhas (inclusive as mal feitas) é fundamental.
Da mesma forma é essencial compreender que nem todos são fadados às mesmas decepções, logo, meus caros, não aluguem os ouvidos alheios com reclamações que generalizam os defeitos do sexo oposto, quando, na verdade, o frustrado é você.

Cláudia de Marchi

Marau, 28 de maio de 2008.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Sem enfeites verbais.

Sem enfeites verbais.

Em tempos de amizades virtuais, em que nos comunicamos mais por e-mail, “scraps” e afins do que pessoalmente algumas palavras se tornam “chavão” para criar uma pseudointimidade, é o tal de “amiga”, “querida”. Acho assustador ser chamada de amiga por uma vendedora, por uma desconhecida encontrada num banheiro de bar, por exemplo.
Em tempos de liberdade sexual e relacionamentos mais fugazes e sem sentimento do que um esbarrão num desconhecido em liquidação de loja popular, outras palavras tentam criar profundidade para o que foi é e sempre terá o mesmo significado: O sexo, enfeitado pelo tal “fazer amor”.
Nem minha melhor amiga me chama de “amiga”. Não faço amor com meu marido. Faço sexo mesmo, amor a gente sente, sexo a gente curte, devassa, extravasa entre quatro paredes. Sexo com amor? Ah, isso é incomparável, felizes os que podem tê-lo diariamente. Mas, “fazer amor”? Com licença, muito piegas, extremamente brega uma expressão que tenta dizer que a boa e velha sacanagem é a realização de um sentimento.
A gente não faz amor nem com que a gente ama. Sexo é realidade, pele, sacanagem, tesão, fogo, química perfeita, conjunção de lábios, braços, pele, suspiros, gemidos e aquele “que” pessoal que cada um tem na hora do prazer, coisas que não se falam por ai, sexo bom é o indiscreto, o bem feito a dois. Amor é sentimento, é dádiva divina, é um tudo neste mundo em que as relações entre sexos opostos (e entre os iguais também) estão se tornando “nadas” com nomes variados: “Eu fiquei”, “eu sai”, “eu peguei”.
Não precisa enfeites para definir o sexo, nem substantivos e adjetivos alheios à relação para buscar proximidade. Cliente é cliente, freguês é freguês, conhecido é conhecido, e amigo é amigo. Não precisa “querido”, “meu caro”, “amado”, “amigo” para tentar uma intimidade inexistente. Sem hipocrisia, cada um na sua, com respeito, sem palavrinhas de “puxa-saco”.
Adornos demais deixam qualquer coisa cafona, brega, tira a graça da roupa mais cara, mais bela, mais chique. O que é bonito e sincero não requer outros enfeites. Relações profissionais, superficiais existem e sempre existirão, não há necessidade de inserir palavras para “aproximar”.
Amor entre um casal na cama e fora dela é o ideal, mas, tanto os que se amam quanto os que não se amam, entre quatro paredes fazem o bom e velho sexo. Tentar enfeitar o perfeito gozo carnal com um sentimento que se goza na alma é ridicularizar o que é bom e o que é belo e, portanto, dispensa outras adornos verbais.

Cláudia de Marchi

Marau, 23 de maio de 2008.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Pessoas de alma livre.

Pessoas de alma livre.

Existem pessoas que possuem o coração livre. Elas sentem a liberdade de poder serem quem são e de bem gozar suas vidas, na alma. São pessoas diferentes, que não sentem solidão quando estão em silêncio, quando estão sozinhas na presença apenas de seu corpo e de sua alma.
São pessoas que ouvem seu coração, seus sentimentos sem perceber que não existe movimento ao seu redor. Elas não sentem agonia, desconforto, elas se sentem plenas, como se sua energia preenchesse cada espaço do ambiente em que estão.
São pessoas que gostam da liberdade como os pássaros, mas não precisam voar para se sentirem bem, elas se sentem bem mesmo trancadas num apartamento para garantir sua segurança, sua alma, pois, voa, e lhe traz energia e ânimo. Mas elas também não temem andar pela madrugada, não o fazem por precaução, porém, se um dia quiserem, farão com altivez e consciência do prazer que o perigo, naquele momento, lhes instiga.
As pessoas de alma livre também criam apego, também amam, inclusive de forma intensa, todavia seu sentimento fica mais fraco na medida em que circunstancias tentam oprimir sua liberdade. O amor, para essas pessoas, se perpetua, se fortifica e se mantém enquanto elas conseguem sentir que são livres.
Livres, não traiçoeiras. Livres, não tolas. Livres, mas compromissadas com o que sentem e por quem sentem. Quem possui o coração liberto sabe como poucos compreender o amor. Ama sem dramas, compreende os pesares dos relacionamentos, não se deixa frustrar, não deixa a decepção de um relacionamento malfadado escurecer seu coração que brilha de luz.
Assimila, compreende, sacode a poeira e segue adiante. O coração livre tem muito amor para dar e sabe que tem muito a receber, não se entrega, não se deixa marcar por negativismos. Sorri, resplandece liberdade e, assim, vai armazenando boas lembranças, sentimentos nobres, pulsando livremente e se alimentando de alegria e felicidade.

Cláudia de Marchi

Marau, 21 de maio de 2008.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Justificável, ou não?

Justificável, ou não?

Existem condutas que a gente não consegue justificar, normalmente, são as alheias, mas, por que pretendemos explicar ou "bem assimilar" os atos dos outros? Não devemos nos importar com o agir alheio, nem julga-lo, afinal, quando a conduta é nossa, por mais absurda e tola que seja, conseguimos justificar, via de regra, com maestria.
Estava pensando no agir de muitas pessoas, na omissão de alguns frente a fatos que eu julgo importantes, no abandono de outros, no malbaratamento dos sentimentos e vidas alheias, no agir tosco e egoísta de muitos, na desonestidade de tantos, na falta de amor de alguns, no ato de alguns seres ao legar ao nada a existência de quem foi colocado no mundo, na falta de prevenção das pessoas contra fatos sérios e geradores de grandes responsabilidades que, ainda que ouça justificativas e explicações, meu íntimo se contorce por lhes julgar injustificáveis.
Mas, e dai? Devemos aprender que não precisamos e nem podemos tentar entender completamente as justificativas do agir alheio, portanto, devemos ter a consciência de que só devemos satisfação a nós mesmos, à nossa consciência e não ao outro. As pessoas são diferentes entre si, mas cada uma sabe a dor que tem no coração, as agruras, a agonia que sentiu em determinados momentos, ou mesmo a felicidade magnífica que teve, só quem sente, chora e sorri sabe, enfim, o que lhe motiva.
O que eu justifico e acho justificável por ter uma forma pessoal e íntima de pensar, ser, sentir e agir, outros podem achar, literalmente "sem explicação", mas, o que isso importa? Paz, quem tem que ter é o homem quando a sós consigo. E a tranqüilidade de espírito, a paz da alma só tem o homem que justifica com orgulho o seu agir para a sua própria consciência, porque é e sempre será ela quem irá lhe cobrar satisfação como uma mãe ríspida ao filho, como um juiz frente ao infrator da lei.
E, é por isso que, com nossa vida atribulada, devendo prestar contas de nossos atos apenas à nós mesmos, não precisamos julgar ao outro, concordar com suas justificativas, ou mesmo lhe cobrar mudanças, assim como não devemos exigir o mesmo dele em relação as nossas. Ao outro devemos respeitar, compreender suas limitações e atos, sem muito esforço para aceitar ou não seu pensar: Quem tem que aceitar e justificar seus atos é ele, para ele mesmo, e nós, os nossos para nós mesmos. E nesse balanço fica feliz apenas aquele que age de forma coerente com sua consciência, crenças e sentimentos.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 20 de maio de 2008.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

“Teu passado te condena.”

“Teu passado te condena.”

O passado não volta, todavia ele é uma parte do homem que não pode ser apagada, pois atesta quem um dia ele foi, sendo fundamental para que ele tenha plena certeza de quem se transformou. Do passado o homem sapiente afere aprendizado. Tristes são os que lamentam seu passado, olvidando o bem que dele podem tirar.
O homem é, no presente, o resultado de suas experiências pretéritas. “Teu passado te condena”, diz a frase com fundo de comicidade. Na verdade o passado condena qualquer pessoa que queira, no presente, omitir os erros, mancadas, enganos, tropeços e atos do ontem por deles não se orgulhar.
Porém, de nada adianta ter vergonha do que se fez. Certo ou errado, bonito ou feio, imoral ou não, glorioso ou banal, rico ou pobre, vazio ou cheio, feliz ou infeliz, fugaz ou rígido, leve ou preso, conturbado ou calmo, o passado existe no pensamento de quem viveu. De nada adianta o arrependimento, o que passou tem que servir de aprendizado sobre o que se fazer ou não no amanha e de como melhor se viver o presente.
Fugir das lembranças é a melhor forma de fazer o passado surgir com os mesmos erros, no presente. Quanto mais tenta escapar, mais dele o homem se aproxima, porque só tenta fugir do que se teme, e só o que tem alguma importância para ele pode fazê-lo temer.
Assimilar o ontem, compreender as circunstâncias da vida em tal momento, a própria alma: O “não muito” que sabia e o “melhor” de si que era dado quando não tinha consciência de que, no presente, seria julgado “pouco” é a mais sábia forma de raciocinar sobre as experiências tidas na vida.
Afinal, se hoje sabe mais, pensa diferente e age de forma diversa é porque o ser humano cruzou a estrada do ontem, para pousar no presente e, quem sabe, chegar num rumo ainda mais diverso no amanha.

Cláudia de Marchi

Marau, 20 de maio de 2008.

Mania de coitado



Mania de coitado


Certa vez um amigo me disse que tudo o que é demais acaba sobrando. E sobras, excessos nunca são interessantes, afinal, se a escassez traz alguns males não é diferente o que ocorre com o excesso: A medida é o equilíbrio, o nem demais, nem de menos. Existem gostos, hábitos repetidos, manias que se tornam patológicas sem serem percebidas por quem as tem.
Existem pessoas de todos os tipos nesse mundo. E manias para todo o tipo de pessoa, por isso existem os que tem mania de grandeza, mania de perseguição, mania de vaidade e assim vai. Outro dia fui no salão para uma sessão básica de depilação. Estava lendo uma revista enquanto a adorável profissional fazia, em mim, o seu trabalho quando ouvi uma moça na outra sala em que a manicure trabalhava: "Porque da próxima vez eu vou abrir o teto solar do carro, os vidros, farei um escândalos se ele fumar". Chata, muito chata. Ninguém queria saber do teto solar do carro e de seu gênio anti-tabaco num salão onde muitas pessoas poderiam ser fumantes.
Como não consigo conter meu pensamento comentei com a depiladora em voz baixa: "Que mulher chata". E ela concordou, dizendo que a mulher chegou ali dizendo que sua calça caríssima da Fórum estava caindo na cintura. Chata, muito chata. Ninguém queria saber a marca da calça, por exemplo. A chatice esta nos detalhes, isso eu aprendi. E a mania é verificada por ele, no caso, de grandeza e vaidade: A mulher queria aparecer, se mostrar melhor e, como ela, existem muitos seres no mundo.
Mas existe uma mania muito infeliz e que a muitos irrita. É a mania de coitado. O coitado é aquele sujeito que vive se achando vítima, que não assume o que faz, (apenas quando acha que agiu correto, é claro). O coitado, via de regra, não erra. São os outros que erram por ele, que atravancam a vida dele, que atrapalham seu caminho. O coitado não faz negócios ruins, não se logra. Ele é vítima da astúcia alheia. O coitado não se sente capaz de ser amado, quando se vê diante do amor ele se assusta e busca uma forma de voltar à sua posição de coitado-mal-amado-infeliz-depreciado-usurpado-nato.
O coitado só tem tal mania porque não consegue olhar para os lados. Na verdade ele é, isto sim, um egoísta por natureza. Os problemas alheios não lhe interessam, apenas os dele - que ele enxerga com uma bela lente de aumento (aliás, todo o egoísta tem uma lente dessas para ver seu próprio umbigo)-, o sofrimento do outro nunca é grande como o seu, a vida, os percalços, os problemas existenciais alheios, para ele, nada são. Só o que é, de fato, ruim, grandioso, deprimente, entristecedor são as suas mazelas, as ocorrências da sua vida.
Toda pessoa que tem mania de coitado deveria parar para olhar o mundo. Quem esta ao seu lado, atrás de si, e, inclusive, as pessoas que ele faz sofrer enquanto busca argumentos para justificar a sua infeliz "coitadice". Existem muitas pessoas com mais problemas que não encaram eles como sofríveis e, pelo contrário, tentam lhes superar e serem felizes. O coitado é digno de pena porque seu egoísmo lhe cega, apenas por isso. E toda pessoa sentimentalmente cega não tem compaixão, e essa é uma má conseqüência de quem cultiva tal mania, afinal, quem não se compadece com o que vem dos outros é porque esta oco por dentro fazendo, assim, jus ao adjetivo de coitado que tanto busca ter.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 19 de maio de 2008.


terça-feira, 13 de maio de 2008

A dádiva do amor

A dádiva do amor

O amor é o sentimento mais mágico que um ser humano pode sentir. Ele faz milagres. Ele faz a gente sorrir num dia nublado, dar de ombros para um desaforo, faz a gente ter vontade de dormir e não acordar só para ficar nos braços de quem nos faz sentir bem.
O amor não nos garante felicidade constante, não nos garante ausência de brigas e discussões em nossos relacionamentos, ele garante, apenas, a vontade de superar os obstáculos, de relevar as pequenas mancadas, de rir e não criticar ou tripudiar, de ser paciente e indulgente, ele garante a vontade de superar o comodismo da solteirice para adentrarmos na famosa “vida a dois”.
Todavia, a primeira espécie de amor é o nutrido por nós mesmos. Quem não se ama, quem não se respeita, não tem capacidade de fazer-se respeitar e, sem impor respeito, como cativar o coração de alguém?
Ninguém quer um tapete para pisar, uma pessoa com vocação para obedecer ou ser saco de pancada, alguém que aceite erros graves e vá cortejar aquele que chama de “amor”. O ser humano quer amor e não pseudodemonstrações do sentimento que mascaram uma baixa auto-estima. O maior indício de que uma pessoa pode ser amada é o fato dela se amar, se respeitar e se impor.
A pessoa é o amor que ela tem por si mesma é por isso que uma mesma pessoa pode ser diferente no trato com outras, porque cada um recebe o que se dá, inclusive quando o assunto é amor e respeito, primeiro ele tem que ser dado para si mesmo, para depois vir do outro.
Mas, quando duas pessoas afetivamente maduras, com estima própria passam a nutrir amor uma pela outra, tudo se torna mais leve, mais alegre. Amar é uma dádiva, mas saber se relacionar é uma exceção neste mundo. Por isso poucas pessoas conseguem, realmente, viver a dádiva do amor. Ela envolve vários pormenores que não tornam o amor complicado, apenas dificultam a estrada do homem até ele.

Cláudia de Marchi

Marau, 13 de maio de 2008

Ser, apesar de não ter.

Ser, apesar de não ter.

Assistindo a todas as fenomenais gafes vulgares do jogador Ronaldo, que, há muito tempo, deixou de ser um “fenômeno” em campo, comecei a pensar nas agruras dos milionários como ele. Dinheiro é um objetivo de muitas as pessoas, mas em excesso ele pode ser muito perigoso.
O perigo da riqueza ou de qualquer outra forma de gozo do que a grande parte das pessoas considera fortunas materias (a beleza, por exemplo) é que elas não são tão efetivas no que tange a realizar o homem do que “famosas” nesse aspecto.
Espera-se demais delas, mas, na realidade, elas podem mudar o mundo ao redor do homem e não seu âmago, seu interior. E o perigo é a realidade: A vida do homem esta nele e não fora dele, o homem é o que ele sente quando esta a sós consigo e não conferindo o extrato bancário, degustando drinks por ele pagos com um grupo de “alegres companheiros” ou curtindo uma noitada com uma mulher, ou, porque não, com um travesti (vai que vire moda).
Um homem pode ser muito contente, pode ter uma grande alegria de espírito sem ser belo ou rico, pode ter auto-estima e amor próprio sem ter uma conta bancária excelente, um abdômen malhado e um sorriso cativante.
O homem pobre ou classe média que não esbanja o “não muito”, ou, de fato, o pouco que possui pagando festas e agradando “parceiros”, sabe que aqueles que possui são seus amigos de verdade por ele ser como é, por ser quem é e não por possuir o que possui e aparentar o que aparenta.
Mas, e o milionário cujas mulheres que lhe cortejam o fazem pelo poder aquisitivo que possui, que se fosse pobre metade de seus “amigos” não estariam em sua companhia, e a pessoa que sendo bela sente que atrai pessoas sem que elas se interessem em saber quem é o ser por trás do sorriso cândido? O que sentem essas pessoas?
E se perguntarmos para o Ronaldo, ou para qualquer pessoa cuja carreira o fez milionário: “Quem é você e o que você tem sem ser o dinheiro?”, será que a resposta seria alegre ou seria melhor alcançar-lhe um ansiolítico, antidepressivo ou uma porção de cocaína ou heroína?
A pessoa é muito mais do que ela possui. Um ser humano não é, nem mesmo a cultura que tem, ainda que este seja um dos seus melhores atributos, nem a beleza, muito menos o dinheiro. Ele é um conjunto de valores, uma alma que deve ser alegre e feliz, antes, por ser quem é, pensar como pensa, sentir o que sente do que por ter alguma coisa material que possa atrair os outros.
O homem deve ter orgulho de ser e não de possuir algo nesta vida, e para ser não é preciso ter fama, dinheiro ou beleza, é preciso ter uma alma iluminada e alegria de estar no mundo e, portanto, ser contente nele.

Cláudia de Marchi

Marau, 13 de maio de 2008.

sábado, 10 de maio de 2008

Além da capacidade de gerar uma vida.

Além da capacidade de gerar uma vida.

Ser mulher é uma dádiva. Ser esse ser complexo em sentimentos, e simples em sentir, ter por características a persistência, a habilidade aguçada de sentir compaixão, de perceber o que o outro sente com um simples olhar, de ter orgasmos múltiplos, de concentrar várias habilidades e, enfim, de poder gerar uma vida, é gratificante.
Dia das mães é a data na qual podemos homenagear aquela mulher que nos cuidou, guiou, que nos aqueceu quando sentíamos frio, que nos deu alimento, carinho, instrução, fazendo o seu melhor por nós, ainda que, hoje em dia, vistamos nosso orgulho criticando suas ações pretéritas alegando que poderia ter sido “melhor mãe”, fato é que ela fez o seu melhor.
Fez o que sabia e podia para o nosso bem no ontem, hoje talvez ela agisse diferente, talvez não casasse, talvez tivesse fugido com um colega hippie e fosse esperar os 40 para ter um bebê, talvez passasse a vida sem ter filhos, como saber? Só Deus sabe o que se passa na mente da mulher por trás do “manhe”, do “mami”, “mamãe”, ou, simplesmente mãe.
O comércio afere grandes lucros em datas comemorativas como o dia das mães, mas quem deveria lucrar somos nós parando para pensar na responsabilidade por trás da dádiva de gerar uma vida. Nem todas as mulheres têm vocação para a maternidade, e é por isso que existem tantos adultos infelizes, inseguros, problemáticos, cruéis, e egoístas no mundo.
Mulheres que acham que ser mãe é gerar uma vida, amamentar e depois passar o resto dos dias reclamando, ouvindo sem paciência (ou nem mesmo ouvindo) seu filho, não lhe dando atenção, mulheres que engravidam na intenção de manter ou fortalecer um relacionamento ou, pior, na intenção de fazer de seu filho uma “poupança” para que um infeliz pague pensão alimentícia, são criminosas, e não mães.
A dádiva de poder gerar uma vida praticamente todas as mulheres possuem, poucas, infelizmente, são as que têm o dom da maternidade. A capacidade de abdicar do egoísmo em prol do filho sem dele tornar-se escrava, a capacidade de ser amável, amiga e companheira sem se tornar demasiado permissiva, a capacidade de ser ríspida sem ser autoritária, sem humilhar, a capacidade de instruir e comandar uma prole sem ser ditadora e desrespeitosa, poucas possuem.
É em homenagem a estas mulheres admiráveis que escrevo e cumprimento no dia especial para as boas mães, que são as que sabem ser más no momento certo para educar pessoas com limites e não seres impiedosos e egoístas que irão passar a vida achando que o Universo e todos os seres deve ser servis como sua mãe foi, pela simples má vontade de lhe ver chorar por ser contrariado quando mal sabia falar.
Para as mulheres que ainda não se tornaram mães, posso, apenas dizer que antes de qualquer ação a reflexão é necessária. Mais ainda quando a ação é conceber uma vida, porque ser mãe vai muito além deste ato e implica em homéricas e inúmeras responsabilidades. Ser mãe vai muito além da capacidade de gerar uma vida.
Uma boa terapia psicológica e o uso de anticoncepcionais de qualidade fazem bem, em especial antes de tomar a decisão de ser mãe. Ter capacidade financeira para sustentar o filho também, afinal, crianças precisam de pais e não apenas de provedores.
Filhos, nos tempos atuais em que os contraceptivos são de fácil acesso e preço, devem nascer do amor entre duas pessoas e não do desejo egoísta de uma mulher que não tem capacidade emocional sequer para perceber os sentimentos por ela nutridos pelo “possível” pai de seu filho, nem capacidade financeira para lhe dar boas condições de vida.

Cláudia de Marchi

Marau, 10 de maio de 2008.

Prazer

Prazer

Creio que tenha sido o pai da psicanálise, Freud, quem tenha definido com dedicação o Principio do Prazer. Desde criança o ser humano almeja o prazer, não apenas sexual, mas o “sentir-se bem”. Todavia, no mundo adulto muitas são as formas reais e inventadas de sentir prazer, alegria, enfim, de se ter bem estar.
Dinheiro, beleza, saúde, sucesso, amor, sexo, não necessariamente nessa ordem, e, tampouco “isolados”: O homem quer todos esses objetivos e muitos outros agregados. Mas, e “separadamente”, qual tem, de fato, maior valor, qual, realmente propicia um maior sentimento de prazer, entendido aqui como realização do individuo consigo mesmo (aquela sensação boa que o homem sente quando estufa o peito, ergue a cabeça e dá um sorriso de satisfação)?
Olhar no espelho e ver um rosto bonito, uma pele em ordem, dentes saudáveis, boca sensual, olhar penetrante. Uau! Ainda, em frente ao espelho visualizar um corpo firme, formas definidas, “celulite zero”, barriga dura, glúteo arrebitado. Mais uma série de “uau”. Mas, nem todos concordam com Caetano ao cantar “não me amarra dinheiro não, mas formosura, dinheiro não, a pele escura, dinheiro não, a carne dura, dinheiro não!”.
Na verdade, o que satisfaz o ego é a auto-estima. Muitas pessoas não possuem a carne dura, a pele escura, nem muita formosura, mas se vêem belas e por isso são contentes, alegres e transmitem boas energias, cativando quem lhes cerca. Não sou fútil, mas concordo com Caetano, não me amarra dinheiro não, mas elegância, cultura, carne dura, beleza pura, como diz a música.
Dinheiro, eis o objetivo maior do homem hoje em dia. Dizem que o homem feio com dinheiro se torna bonito, que a mulher endinheirada fica atraente, que dinheiro no bolso faz pessoa com “dor de cotovelo” ir sofrer em Paris. Não me importa muito isso, homem tem que ser bom em muitas coisas, em especial na dedicação ao trabalho, na ambição, mas não precisa ter uma conta bancária para realizar anseios femininos.
O dinheiro pode até comprar silicone, plástica, mas não compra aquela beleza que vem da alma, a alegria de viver e ser, neste mundo, quem se é. Quanto a sofrer em Paris ou qualquer lugar do mundo, não há relevância, bom mesmo é não sofrer, é ser capaz de deixar a dor de lado quando alguém que não nos valorizou, por exemplo, nos decepciona. Bom é ter inteligência emocional, e não dinheiro para gastar em demasia por incapacidade de lidar e superar a dor.
É bom sentir o prazer de fazer o que se gosta, conquistar objetivos, ter vitórias na profissão que se escolheu por sentir amor por ela. É bom sentir o prazer de pegar forte na mão de quem se ama, de abraçar, de sentir aquele calor, aquela vontade de ficar junto de alguém por ter por ele admiração e respeito.
Boa é a satisfação de se sentir bem na própria pele, de aprender a gozar a própria liberdade, de se desamarrar de conceitos hipócritas e fazer bem para si mesmo sem prejudicar aos outros, mas, também, sem dar importância ao seu julgamento e, assim, viver bem e incomodar os que não suportam ver uma pessoa alegre, de peito estufado, coração contente e sorriso nos lábios, aqueles que não suportam ver uma pessoa que vive com prazer e satisfação, simplesmente, viver.

Cláudia de Marchi.

Marau, 10 de maio de 2008.

sábado, 3 de maio de 2008

Aborto.

Aborto.

Segundo dados do documento “Aborto e Saúde Pública: 20 anos de Pesquisas no Brasil”, produzido pena UNB (Universidade de Brasília) e UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) 70% das mulheres que optam por aborto vivem em união estável e já possuem filho, 51 a 82% deles são feitos por mulheres com idade entre 20 e 29 anos, apenas 7% a 9% são cometidos por adolescentes.
Aliás, segundo a pesquisa
[1] mais de 50% das mulheres que abortaram na região sul e sudeste do país usavam algum método anticoncepcional, principalmente pílulas. Dados importantes do estudo foram coletados pela Universidade Federal de Pelotas que garantiu o anonimato das entrevistadas.
Pois, apesar da possibilidade e uso de métodos contraceptivos as mulheres cuja idade não poderia ser chamada de tenra, nem as condições de vida de “precárias” fazem uso do aborto, geralmente, usando Cytotec para interromper uma gravidez indesejada. Certo ou não? O fato é real, julgamentos e bandeiras “pró” ou “contra” não são convenientes, ao contrário da reflexão que é uma necessidade.
Por trás de todos assuntos polêmicos em nosso País existem dois lados em constante oposição: o lado real, do que realmente ocorre, e o outro, o do “ilegal”, “imoral”, enfim, o lado dos pregadores da “palavra de Deus” – à sua moda é claro -, e dos moralistas, dos códigos legais influenciados por uma gama de argumentos que são, enfim, notoriamente hipócritas.
Fala-se da asseguração por parte do Estado da vida do nascituro. E, ai esta ele, novamente, cuidando, ordenando o que não deveria, porque o nascituro, o feto, esta dentro do ventre de uma pessoa que precisa de muito mais do que “obediência” à lei para ser uma boa mãe. Ou será que o Estado acha que com o aparato educacional, com as bolsas assistencialistas que oferece, irá suprir a falta de carinho, de esmero na educação da criança cuja vida “assegurou”?
Na verdade a cada dia que passa vem se tornando inócua a criminalização do aborto. Como no caso dos entorpecentes: Não é por ser licito ou não que alguém usará drogas ou abo
rtará. As pessoas usam sua liberdade para o que desejam quando possuem vontade ou motivos para agirem, enfim, mesmo ludibriando a lei buscam realizar seus intentos. Justos, corretos, saudáveis? Julgamentos dessa índole são desnecessários. Eles ocorrem sempre, a maioria dos seres humanos adora jogar pedra nos outros.
A liberdade, pois é o direito que deve ser mais respeitado, embora haja uma vida que a mulher pretende extirpar, existe ela e seus julgamentos, ela e seus problemas financeiros e, principalmente, íntimos, psicológicos. Ela e seu despreparo para, não gerar uma vida, mas para cuidar de uma como uma ela merece e deve ser cuidada. Se uma mulher grávida deseja interromper uma gravidez, não possui tal vontade “por nada”. Ela conhece bem seus motivos, que vão muito além de imaturidade ou dificuldade financeira.
A sociedade deve quedar-se inerte. O Estado também deveria fazê-lo, deixando a hipocrisia de lado, tirando os panos que tapam a realidade e causam problemas de saúde à muitas mulheres que abortam por baixo deles.
O ônus de impedir uma mulher de fazer o que ela deseja dando à luz a uma criança indesejada certamente será pior. Educar filhos, tal qual constituir um casamento requer amor, muito além de dinheiro. E, se com amor nem sempre é fácil, com desprezo e má vontade certamente se torna impossível e carinho, afeto, respeito e amor são as bases para a educação de pessoas saudáveis, porque de criminosos, egoístas, mal amados e psicopatas o mundo não precisa mais.

Cláudia de Marchi

Marau/RS
, 03 de maio de 2008.

[1] Zero Hora, edição de 02 de maio de 2008, página 47.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Chocante

Chocante

Existem notícias e fatos que me chocam, como por exemplo, a violência urbana gerada pelo tráfico de drogas num Estado que não pensa na forma mais racional de impedir que a ilicitude de condutas gere uma cadeia ainda pior de delinqüência e ignora o fato de mulheres morrerem diariamente na tentativa de tirar de seu ventre filho não desejado. Sim, estou insinuando que existe racionalidade na legalização do aborto e das drogas (!).
Tribute a cocaína, a maconha, dentre outras substâncias, e acabe com a grande renda dos traficantes, com um pouco da corrupção política e policial, e outras atividades dos bandidos, patrocinadas pelo dinheiro do tráfico, como seqüestros, contrabando de armas, guerrilhas, afinal, uma coisa é certa: Quem quer consumir vai fazer sendo a venda lícita ou não. Da mesma forma com o que acontece com cigarro e bebidas alcoólicas. É preciso desmistificar muita coisa para que o agir racional e inteligente se torne efetivo.
O Estado gasta milhões na “luta contra o tráfico” e não obtém êxito. Então, porque não mudar a estratégia? Porque não investir mais em aumento de salário dos policiais, em saúde, educação, controle de natalidade, planejamento familiar para que milhares de pessoas inaptas para ter filhos não coloquem pessoas no mundo que, fadadas ao desamor, busquem em entorpecentes, por exemplo, um elixir para a dor de ser um mal colocado afetivamente na vida.
Legalizar aborto? Descriminalizar? Sim. Para aquelas que, sem conseguir evitar o indesejado, não terminarem tendo que criar crianças com futuro abortado: Mal amadas, mal cuidadas, criadas em situação precária, dentre outros problemas. Se eu abortaria? Não, provavelmente, mas tive uma educação diferente e condições de vida diversas das de muitas mulheres, dentre as quais estas cujo destino me arrepia e me faz pensar nessa possibilidade.
Se eu me drogaria? Se sou a favor da maconha, cocaína, dentre outras drogas? Não, sou absolutamente contra. Jamais peguei um cigarro na mão, tampouco levei à boca. Mas, tenho amor, auto-estima, prezo minha vida, tive, enfim, uma educação primorosa. Ainda que me dessem drogas, que elas fossem gratuitas eu não usaria. Logo, não é o fato de serem lícitas ou não que faze com que elas sejam consumidas.
É o usuário quem tem problemas psíquicos e orgânicos, que vicia num mal, e o traficante enriquece as suas custas, então, Estado, porque não legalizar e, assim, minimizar os efeitos do tráfico ilícito de entorpecentes em relação a milhares de pessoas que são, indiretamente, por ele prejudicadas (invasão de polícia em favelas onde a maioria são pessoas honestas, tiroteio onde crianças morrem, inocentes tendo a vida terminada)? Garanto que pouco ou nada mudará na mente dos que pretendem experimentar ou usar drogas se elas forem legalizadas como o álcool e o cigarro que, também, causam males homéricos.
Para governar, criar leis, criminalizar ou não condutas é preciso análises que vão muito além do que é religiosa, psicológica ou moralmente tido como correto. É preciso colocar os dogmas numa lixeira, a análise intima do que é intimamente “certo ou errado” deve ser excluída. É, pois, necessário que se pondere o que irá beneficiar a maioria, o bem comum.
Mas não o “bem comum” dos religiosos preconceituosos, mas o bem de pessoas normais, errantes, comuns que vivem num Estado desigual por excelência, que negligencia a realidade dos menos abastados e faz vista grossa para o agir dos ricos. Mulheres ricas entram em clínicas com um “problema” no ventre e saem de salto alto. As pobres morrem ou ficam inférteis para sempre.
Certo, errado? À mulher compete essa decisão. Será menos prejudicial para a sociedade deixa-la fazer o que deseja com o feto indesejado do que obriga-la a ter um filho que, via de regra, criado mal e em situação de necessidades poderá ser o assaltante de amanha, ou o sociopata que, (mal) educado, sem amor, não consegue respeitar o ser humano, e, quiçá dará despesas aos cofres públicos futuramente, estando no presídio ou recebendo alguma “bolsa” do governo que, ao que se pode ver hoje, mais do que nunca, percebeu que o assistencialismo dá votos, e, obviamente, lucros.
Certo é que lamento muitas coisas nesse País, na conduta dos governantes, na infeliz influencia da Igreja Católica em nosso Estado e no mundo todo. Existem muitas, mas muitas coisas fora da ordem. “Fora da nova ordem mundial”, onde a compaixão e a análise fria e crua das situações deveriam prevalecer. Se são incompatíveis? Não, não são. A compaixão afasta o preconceito por trás da hipocrisia, e a análise fria, afasta os devaneios do pensar católico.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 1° de maio de 2008.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Gestora do Universo

Em determinados períodos da vida da gente uma vontade incrível de estar no lugar do Regente do Universo nos acomete. Vontade de ser Deus. Afinal, certas ocorrências da vida nos desagradam, porque não somos nós que estamos guiando. A perda de um amigo nessa semana me feriu e me fez pensar em como seria bom poder comandar com minhas rédeas a existência humana.
Todavia, se eu fosse Deus minhas diretrizes iriam magoar muitas pessoas, afinal não se pode agradar à todos. Da mesma forma se você fosse Deus. Mas, se eu estivesse em seu lugar não teria levado meu amigo que estava na flor da idade, se estabilizando financeiramente, com uma namorada amável e linda, cheio de sonhos para o futuro.
Eu também não teria levado a menina Isabela que provavelmente foi assassinada pela madrasta problemática e pelo pai truculento. Eu levaria os covardes, os viciados em qualquer substância entorpecente, porque não conseguem ver graça na vida, porque são infelizes. Na verdade, eu levaria todos os que tendo saúde, força e trabalho, vivem desgostosos da vida.
Levaria os que são amados e não conseguem amar à vida, à si mesmos e tampouco outra pessoa.Levaria as sementes mal plantadas que já nascem com cara de abordadas, as pessoas que tem alma pequena, e vivem remoendo pequenos problemas, os que vêem a luz sem deixa-lá iluminar suas minicertezas, os que vivem querendo o que não tem, como disse Cazuza. Carregaria para outra dimensão os infelizes. Eu não seria um Deus mau- eu daria aos homens o que eles querem. Vida para quem quer e morte para quem deseja fugir e não consegue seu intento.
Infelizes porque não se ajudam, porque não aprenderam a valorizar o que tem e vivem lamentando o que ainda não possuem. Os que tem bons amigos, os que são amados por alguém e não vêem nada, sequer o amor que recebem. Eu deixaria gozar um pouco a vida na companhia de quem lhes ama os que são contentes nesse mundo, que apesar de não serem ricos, lindos e famosos tem o coração pulsando pela vida, cheio de alegria e ânimo.
No meu reinado como gestora do Universo pessoas lamentosas e infelizes não teriam vez. Eu anteciparia seu fim. Não acha graça na vida, meu filho? Esta procurando a morte com vícios, entorpecentes, promiscuidade, direção perigosa? Esta lamentando a vida que tem? Então, diga "tchau". A vida é para ser bem vivida, é feita para os bon vivants.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 17 de abril de 2008.
Os cidadãos que residem na cidade em que moro, Marau/RS, podem ler este texto adaptado para publicação (com cortes, menor) no Jornal Folha Marauense na edição que circulou no dia 24/04/08. Sou cronista com participação quinzenal nas publicações do periódico.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Parque de diversões

Parque de diversões

"Assim eu não brinco mais". Duvido adulto que, quando criança não tenha dito essa frase ou, ao menos não tenha ouvido de alguma. Quando a brincadeira não esta mais agradando, ou melhor, quando por um motivo ou outro a criança se sente prejudicada na brincadeira, porque ela não esta "andando" como ela quer ela faz seu protesto. Da mesma "família" de frases infantis-protesto é "se tu fizer isso não serei mais seu amigo".
Todavia nós crescemos, e criamos uma noção bem errada do que é ser mimado. Como filha única sempre me tacharam de "mimada". De fato, sempre tive o que eu desejava, porém meus pais sempre me colocaram a par do mundo dos adultos, de forma que, com 14 anos os papos adolescentes me davam náusea enquanto o das minhas tias balzaquianas me davam calor tamanha a empolgação e meu interesse neles.
E, graças as minhas experiências, mudança de cidade, escolas, cursos, aprendizado aferido da observação de experiências alheias (dos mais velhos, inclusive), aprendi que grande parte dos acontecimentos na vida da gente independem de nossa vontade consciente, e, obviamente, nem tudo acontece como desejamos, sendo que, via de regra, quem espera demais, acaba por se frustrar na mesma intensidade. Assim, deixei de introjetar o "mimada" e não me sinto mais de tal forma. No mundo dos adultos, não existe o "não brinco mais". As casinhas não são de bonecas, a comida não é de "faz de conta", as panelas não são de plástico, nem as paredes de lona construídas embaixo de galhos de árvore.
Os relacionamentos são sérios. A gente assume compromisso com os sentimentos próprios e com os alheios, não existe "assim não brinco mais com você", tampouco "assim não sou mais seu amigo". No mundo dos adultos a falsidade existe, a deslealdade, a infidelidade. Conquistamos amigos eternos, fizemos inimigos mesmo sem saber que os temos, despertamos os mais diversos sentimentos sem termos ciência de quem os sente. Na vida adulta as circunstâncias, os relacionamentos, os empreendimentos, não são desmanchados com atitudes birrentas, com um beicinho ou com um "mamãe olha o que ele me fez".
Aqui, meus caros, nós temos responsabilidade não apenas pelo que escrevemos, mas pelas palavras ditas, pelas atitudes tomadas, pelos sentimentos que despertamos, pela confiança que nos impõem, pelas expectativas que temos e, também, pelas que criamos em que nos preza. Infelizmente, porém, existem pessoas que se ferem por não ter algum retorno do que espera ou, simplesmente, porque a vida não esta andando da forma esperada e desejada, assim, emburrados e feridos, acabam criando uma aura de descontentamento que, ao invés de findar, acaba atraindo mais situações de desagrado como um círculo vicioso lamentável e de lástimas.
Não adianta não querer mais brincar nesse imenso parque de diversões que é a vida adulta. A gente tem que aproveita-lo, rir do que é engraçado, rir também quando sentimos frio na barriga, chorar quando nos sentimos amedrontados ou pequenos diante das surpresas, afinal, nesse parque nossa vontade é muito, mas não é tudo. O interessante é curti-lo sabendo que nem sempre sentiremos prazer, nem sempre as coisas darão certo, nem sempre seremos vitoriosos em nossos empreendimentos, mas que, a coragem é fundamental porque desse parque ninguém pode fugir pela sua própria vontade, ao menos que seja, isto sim, mimado e covarde demais para desistir porque não conseguiu perceber que, nesse parque a roda gigante chamada trajetória humana não anda da velocidade, tampouco da forma que podemos desejar.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 09 de janeiro de 2008.

Recordações


Recordações

Tudo o que é bom, sentimentos, vivências, momentos enfim, se eternizam em nossa memória, assim como nós mesmos nos tornaremos eternos pelo bem que fizemos na vida dos outros. O que é ruim devemos tentar esquecer, ou ao menos, afastar de nossa mente porque as lembranças nos fazem reviver sensações e das más nunca é bom recordar, pelo contrário, em relação as boas lembranças. Como é bom reprisar na memória e sentir no bater do coração e no arrepio na pele as boas sensações que, às vezes, quando vivenciamos o momento agora lembrado, não achávamos que, futuramente, iríamos recordar com tanta ternura e boa inspiração.
Véspera de aniversário sempre me faz recordar. Me lembro dos aniversários passados e, principalmente, do que aconteceu entre um "festejar anos" e outro e me fez ser o que sou hoje. Experiências, mudanças, amores, separações, uniões, rompimentos, risos, lágrimas, expectativas, frustrações. Independente do resultado de cada empreendimento, tanto profissional quanto afetivo, é o caminho entre um fato e outro, entre uma busca e outra, entre um encontrar e outro que me faz sorrir e sentir ternura pelo que fui, pelo que fiz, por quem convivi e estimei, pelas pessoas que hoje ou no passado, foram importantes em minha vida e na minha memória se eternizaram
Outro dia me lembrei de uma manha que tive há alguns anos atrás. Juntamente, ou melhor, após degustar um belo café da manha eu comi um quindim. Lembrar daquele momento, da alegria que sentia, da paz, da tranqüilidade, me fez sentir na boca o gostoso gosto do doce. Menos madura, menos experiente, menos centrada na carreira, mas, sempre, muito entusiasmada, afinal sou o tipo de pessoa que goza a vida com certa intensidade. Não tenho meio termo quando o assunto é lealdade aos meus sentimentos. Não sei meio gostar, meio amar, meio odiar. Amo muito, odeio com a mesma intensidade. Todavia, prefiro esquecer, deletar com convicção do que guardar rancor, mas, se for para desprezar, desprezo com asco com "a" maiúsculo.
Mas, da vida, o bom mesmo é gozar o que é bom. É guardar no coração e na memória as palavras de amor que ouvimos, a mão que nos estendem, o abraço forte na hora em que nos sentimos desamparados, o afago, o carinho, a viagem, as risadas, os jantares com pessoas queridas, as doces sobremesas, o bom "breakfest" com quindim ou sem, mas tranquilo, em paz, dos momentos em que pensávamos "é isso que quero para mim" mesmo que a opinião tenha mudado ao longo do caminho. Naquele momento estávamos bem, sendo leais aos sentimentos que tínhamos que, podem muito bem terem mudado, assim como nós mudamos no decorrer da estrada da vida. O que vale, pois é a trajetória e não o fim do caminho, podemos mudar de rota mas jamais esqueceremos da viagem que fizemos.
E, assim, mais do que nunca eu percebo como é bom viver intensamente os pequenos momentos da vida para, quando dela sairmos, tenhamos na mente eternizados os momentos de alegria, felicidade e amor que vivenciamos. Viver procurando algo, metas grandiosas, pode ser perigoso se nos esquecermos de viver o hoje, os momentos que, ainda que pareçam singelos, poderão ser aqueles que, recordados no amanha, nos farão sorrir de alegria e orgulho por termos sentido sentimentos bons e alegres, por termos, enfim, "bem vivido".

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 09 de abril de 2008
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Ciclo estúpido

Ciclo estúpido

Estupidez, grosseria, quem gosta? Duvido que alguém de uma afirmativa positiva. Ninguém gosta de ser respondido com estupidez, ninguém gosta de falas grosseiras e bruscas, todavia, mesmo quando todos falam que desejam respeito e que querem ser tratados dignamente não é maioria que respeita, e trata trata os outros com consideração quando esta se sentindo mal consigo ou com algum problema causando preocupações.
E é por isso que a raiva e o mal humor criam ciclos. O marido é grosseiro com a esposa que fica furiosa e descarrega no filho que chega na escola e acaba puxando briga com o coleguinha franzino, que, por sua vez ao sair do colégio descarrega a raiva na irmãzinha que, por ter apenas três anos de idade chora e importuna os pais ate dormir, irritando a mãe que acaba sendo grosseira com o marido lhe negando atenção e reclamando do que não deve. Bem, neste caso o ciclo parou numa discussão de casal, poderia acabar numa briga mais séria que, como estopim, fomenta uma separação, em outros casos o ciclo pode terminar num crime, em algo mais sério, enfim.
Ninguém é saco de pancada de ninguém, ou existe alguém que goste ou queira ser um? Existe alguém no mundo que queira ouvir grosserias, respostas estúpidas ou brutas? Creio que não. O cerne da vida em sociedade é que não se deve fazer ou falar ao outro o que não se deseja para si, e, também, o que não se queira ouvir. Não custa nada aprender a ser realmente racional na hora de agir e pensar que no corpo do outro também existe uma mente cansada, que trabalha, se incomoda, se dedica, se empenha e um coração que não deseja ser mal tratado por coisas que não deu causa e sequer sabe.
Fazer a raiva, a cólera interna proveniente de motivos que, de repente, sequer dizem respeito ao outro, gerar uma briga graças a uma palavra estúpida, literalmente mal dita, é o maior sinal de falta de razão do ser humano, é, pois um ato irracional. Todos tem o direito de sentir raiva, já diria Shakespeare, mas ninguém tem, junto com ele tem o direito de ser cruel com os outros.
Esta irado, furioso? Vá na frente do espelho e fale palavrões para si mesmo. Quer ir falar com quem lhe causou a ira? Ótimo, melhor descarregar a fúria em quem a causou do que naquele não tem nada haver com o problema e que, muitas vezes, deseja apenas o bem. Quer bater em alguém tamanho o ódio que esta sentindo? Bata em si mesmo ou compre um saco de areia para bater. Vá na academia, corra, descarregue as energias. Tome um banho, faça sexo, coma chocolate, beba algo que goste, saia para jantar. Faça qualquer coisa mas não seja injusto com quem não deve, porque, fazendo injustiças, sendo grosseiro ou estúpido com alguém, o outro estará sendo bem justo se um dia cansar de você.
Existem sempre formas mais inteligentes de se desvencilhar de um problema ao invés de criar outro magoando quem tem apreço por você. Roupa suja se lava em casa, dizem alguns. Na verdade roupa suja pode ser lavada na casa de quem a sujou, ou, se a intenção for perder a razão que a roupa seja lavada com a saliva ou lágrimas do outro, desde que este tenha sido quem a fez sujar e não alguém que nada fez e que, muitas vezes, acaba ouvindo grosserias sem saber porque. Direito de sentir raiva, de ter um dia de mau humor, todos temos, o que não podemos é ferir alguém que não tem nada haver com nossa crise interior que, se for realmente grande se resolve pagando um bom psicólogo, psiquiatra ou um grande, redondo e vermelho saco de pancadas.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 09 de abril de 2008.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Viver e deixar viver.

Viver e deixar viver.

Eu queria fazer uma proposta para o mundo erguendo uma bandeira onde estivessem escritas em letras garrafais as palavras liberdade, respeito e sinceridade. Por outro lado queimaria outra com as palavras hipocrisia, moralismo e falsidade. A maioria da sociedade, no fundo, não iria simpatizar com minha atitude vândala, criticaria quem e o que se o moralismo e a falsidade virassem cinzas e a vida alheia fosse respeitada?
As coisas mudam. A sociedade muda. Os moralistas se erigem contra praticamente todas as mudanças radicais da atualidade. Homossexuais vivem em união estável, querem ter direito a se casar, a adotar filhos, novelas retratam nova forma de constituição de família no estilo “Dona Flor”, os tabus, enfim, estão virando piada. A liberdade cresce, a libertinagem também. Mas, e daí?
O que realmente fica lesionado nesse mundo mais liberto em que a hipocrisia, ao menos no que diz respeito a sexo e afeto, vem diminuindo? Quais são os “valores” que estão sendo feridos, na verdade? E, enfim, qual a validade desses valores para o mundo enquanto um local de coexistência de seres diferentes?
Posso responder tudo, ou nada para a primeira pergunta. E uma direta afirmativa para a terceira: Nenhuma. Para as pessoas que se escondem por trás de preconceitos, “princípios” de ordem moralista fajuta, há “todos” respondendo à segunda pergunta. Para os que vêem o mundo como um local em que a verdade e a liberdade devem predominar, sem dúvida não se poderá vislumbrar mácula à nenhum “valor”.
Lealdade. Honestidade. Sinceridade. Verdade. Respeito. Esses são valores. Pudor, conservadorismo? Não, não são valores. O desejar que todos sejam heterossexuais e vivam da forma com que a maioria vive é querer cercear a liberdade dos que – por motivos individuais que não se deve perscrutar aqui - pensam e sentem de forma diferente. É ferir um principio fundamental da vida em sociedade, mais do que isso, um principio cristão: O respeito, o não fazer ao outro o que não se deseja para si.
Sempre digo que a única forma de amar ao próximo é através do respeito. Aceitar as diferenças. Viver e deixar viver deveria ser o lema, o valor básico de toda sociedade politizada. Sexo a um, sexo entre iguais, entre diferentes, sexo a três, amor a quatro, cinco, ou dois é uma questão pessoal. Errado é trair a confiança, os sentimentos alheios.
Errado é cometer fraudes, é lesar ao próximo, é ser desleal. Cada um vive como quer e deve deixar os outros exercerem seu direito de ser livre. Deixem os outros se embriagarem, cometerem as orgias que quiserem, falar as besteiras que desejarem. Deixem os outros serem felizes se não estão traindo a confiança de ninguém, se estão, enfim, apenas vivendo suas vidas. Cada um, sempre, na sua, com alguma coisa em comum: O desejo pela felicidade, bem estar, bem viver. Cada qual, obviamente, da sua forma.

Cláudia de Marchi

Marau, 03 de abril de 2008.

quinta-feira, 27 de março de 2008

O contentamento.

O contentamento.

Não vejo como o ser humano pode dificultar tanto o 
seu caminho para o contentamento, nem como consegue colocar tantos preconceitos com o estado de contente, o confundindo com a posição dos acomodados.
Ser contente não é ser acomodado, pelo contrário, para tanto é necessário pouco comodismo mental. Estar contente com o que se possui, por exemplo, não significa olvidar de metas, de sonhos, da busca por outras realizações.
O certo é que ser contente é a arma de quem deseja aproveitar sua vida e ser feliz no único momento real que possui na vida: o presente. Sonhos, metas e
 ideais, via de regra, dizem respeito ao futuro para o qual a pessoa pode e deve despender seu ânimo, sua energia, pois para encarar as eventuais dificuldades que surjam no caminho que trilha ou pretende trilhar.
No presente estamos nesta ou naquela posição. Às vezes estamos felizes em nossa vida afetiva e frustrados em nossa atividade profissional, as vezes estamos com a carteira cheia e não temos alguém para chamar de “querido” e dar um presentinho qualquer. Às vezes temos dinheiro, um parceiro legal e nossa vida familiar esta um caos.
Outras podemos estar em ascensão profissional, cheios de pretendentes do sexo oposto, mas podemos estar em crise interior, confusão psicológica e mental. Tudo faz parte da trajetória humana. E é por disso saber que vejo a necessidade do se tornar contente para que sintamos felicidade em nosso presente e aproveitemos melhor nossa vida sem lamentar.
Feliz, já disse algum sábio, é quem se contenta com o que possui sem lamentar o que ainda não tem. Ninguém no mundo possui “tudo”. Aquele que achamos que tem “tudo” certamente irá responder que sente falta de algo, que busca alguma coisa, que gostaria que algo fosse diferente.
Infelizmente é assim, a tendência humana, ao que me parece, é a da eterna busca, do eterno descontentamento. Logo, o sujeito que aparentemente possui “tudo’, mas que não esta contente “ainda”, - porque ele sempre vai dizer que “quando tal coisa acontecer” ele se sentirá mais “realizado”- não é uma pessoa de coração e alma felizes.
Nada demasiado raro nessas constatações, apenas me apavoro com a tendência que o homem possui de lastimar, de se sentir vítima, vazio e infeliz, quando, tendo garra, saúde, e fé em si mesmo poderia se sentir bem, aceitando alguns inconvenientes, fruto, da vida de um ser imperfeito, e se contentando com o que possui para, sorrindo no presente, fortificar sua alma para buscar o que deseja no futuro, caso ele chegue, pois, do contrário, sairá da vida bem. Bem porque contente.
O contentamento é o pai da felicidade daqueles que vivem um dia de cada vez. Daqueles poucos sujeitos que, realmente, sabem viver sem achar motivos para invejar o outro ou se sentir inferior no mundo.
Ninguém é melhor ou pior do que ninguém, alguns são mais belos, mais ricos, mais inteligentes, mais auto-controlados, mais racionais, mais emocionais, mais politizados, mais famosos que outros, apenas isso. Melhor, na essência, ninguém é. E o primeiro passo para o contentamento é aceitar tal fato sem colocar-se em posição ilusória, seja ela no sentindo de superioridade ou inferioridade. Essa capacidade é rara na vida humana, lamentavelmente, assim como é raro encontrar um sujeito que se sinta verdadeiramente feliz.

Cláudia de Marchi

Marau/RS
, 27 de março de 2008.

terça-feira, 25 de março de 2008

Os que "correm atrás"

Os que "correm atrás"

Tem de tudo nessa vida, pessoas de todos os jeitos, com variadas formas de pensar, ser, sentir e viver. Certo é que pensar na maioria não é a melhor forma de verificar a qualidade dos pensamentos humanos. A maioria se engana demais, a maioria tem crenças errôneas, a maioria se vê como vítima de algo e acha que a felicidade esta por vir, às vezes passa a vida "querendo" ser feliz e esquecendo que o único momento adequado para isso é o presente.
A maioria das pessoas possui desejos e sonhos e se frustra, se deprime porque a vida não se lhe apresentou como queria. E assim os seres sofrem, se sentem pequenos diante da vida e os sentimentos de descontentamento se tornam tão fortes que acabam por ignorar as coisas que poderiam lhes fazer sorrir.
Sempre, em qualquer situação, teremos alguns inconvenientes, todavia a felicidade é proveniente da forma com que encaramos a vida como um todo. Se focarmos apenas para aquilo que nos desagradou e esquecermos das outras benesses que possuímos acabaremos a vida como infelizes e perderemos grandes oportunidades de sentir paz de espírito e alegria.
Quem passa a vida correndo atrás de um ou outro objetivo perde dela o seu melhor: A trajetória, o caminho, o dia a dia. E se por algum motivo o objetivo não se alcançar? E se morrermos antes de conseguirmos o que desejamos? Teremos um epitáfio no estilo "Aqui jaz aquele que lutou", e não algo como "Aqui jaz aquele que viveu: sorriu, chorou, amou, mas gozou cada segundo".
Poucos vivem, muitos existem na vida procurando algo que nem sempre encontram. Viver é sentir a vida, é colocar nos olhos a lente do contentamento. Ser feliz é ser contente com quem se é e com o que se possui e não lastimar o que não se tem. Ser feliz é se conformar em ser mais um, em ser um ser igual aos demais - nem melhor, nem pior. Cada pessoa tem suas virtudes. Especiais são as pessoas que conseguem ser contentes e humildes. Estes fazem parte da minoria- aqueles que, apesar dos pesares, são contentes.
Existem pessoas que não aceitam ser felizes, que querem tudo do seu jeito. O parceiro perfeito, a conta bancária recheada, ausência de débitos, ausência de devedores e credores, saúde perfeita, família harmônica, liberdade plena, amor, sexo, tudo numa simetria adequadissima. Mas não existe perfeição para quem é imperfeito. E, lamento informar, abaixo do céu e acima do chão não existem pessoas perfeitas nem vida ideal.
A vida requer paciência, complacência, compreensão de si mesmo e de seus limites, aceitação do outro como ele é, respeito ao próximo e a si mesmo, a suas limitações. A vida também requer que a respeitamos: Que aceitemos que nem tudo será da forma que desejamos, do contrário, se não aprendermos a sermos contentes com o pouco ou com o muito que possuímos jamais seremos felizes. Seremos apenas mais um frustrado no mundo. Um frustrado orgulhoso, que se achando melhor do que os outros viu a vida passar, as pessoas chegarem e saírem, sem aproveitar o bem que cada um teve e pode lhe fazer. Seremos, apenas mais um que viveu e morreu sozinho.
Quem acha que "amanha", que "quando a vida estiver desta ou daquela forma" será feliz não percebe que desconhece o que é felicidade e que, provavelmente quando tal dia chegar estará procurando outra coisa para correr atrás, Aliás, o mundo esta cheio de "corredores atrás profissionais". Correm atrás do amor, do dinheiro, do equilíbrio, da auto satisfação, do prazer e, enfim, da felicidade. Correm atrás porque desconhecem o que ela é. Ela é, pura e simplesmente, o ato de ser contente com a vida e com quem se é nela. Quem corre atrás da felicidade esta desperdiçando cada minuto porque enquanto a busca o descontentamento se instala, do contrário não a estaria buscando, e, isto sim, a estaria gozando.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 25 de março de 2008.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O lado bom do sentimento ruim


O lado bom do sentimento ruim

Algumas pessoas gozam intensamente seus sentimentos. Quem ama profundamente, quem se entrega a um amor de cabeça e alma tende a fazer o mesmo quando sente ódio, raiva e outros sentimentos menos nobres e edificantes. Sabe-se que o oposto do amor é a indiferença, e não o ódio, este é, isto sim, a resposta do coração à uma frustração. Todo ódio um dia termina, assim como passam as tempestades, os terremotos e qualquer intempérie, enfim mesmo sendo um sentimento negativo na raiz ele pode gerar alguns frutos com sabor adocicado.
Na verdade todos os sentimentos possuem dois lados, embora negro na maioria das vezes o ódio pode ter um lado mais ameno, mais acinzentado quando dá forças a quem sofreu alguma frustração, alguma traição. Ele dá força para a superação e para o esquecimento e, quando a mente esquece quem lhe causou, quando a ira dá lugar ao asco, o ódio some. O tempo entra ai como o principal agente e o sentimento negativo como uma muleta que deixa de pé o individuo frustrado.
Só odeia quem tem orgulho e sofre alguma frustração ou traição. Aliás, traição não é apenas o adultério, este é, obviamente, o fim notório de qualquer sentimento por parte de quem nutre por si alguma estima. Trair é ser desleal com os sentimentos do outro, é ver seu sorriso, sua alegria, seu contentamento e amor sem expor o descontentamento, a vontade de colocar um fim no relacionamento, é deixar o outro crer em sentimentos não sentidos e sonhos que não se inteciona a realização. É deixar alguém amar e desejar algo sozinho fazendo-o crer através do silêncio que existe reciprocidade.
Frustração é expectativa não realizada, é planos feitos e cortados no meio do caminho. Mais triste é aquela que foi proveniente da traição por parte do outro que vendo o sonho alheio não alertou que não estava em sintonia com ele. Se o frustrado possui orgulho e estima própria não hesitara em fazer o amor se tornar ódio.
O bom disso é que todo ódio tem um pouco de desprezo, de asco, e com o passar do tempo é esse sentimento que passa a dominar, e, como toda pessoa que sente o estômago revoltar de nojo por algo acaba regurgitando o que sairá do individuo serão as lembranças do passado, os sonhos frustrados e, especialmente, aquela pessoa que gerou a frustração.
Nada, absolutamente nada é imutável nessa vida. Para uma pessoa equilibrada até o ódio pode se tornar positivo, basta que seja sentido de forma emocionalmente inteligente, assim ele será como um agente de reciclagem interna para fazer o sentimento frustrado se tornar desprezado e, conseqüentemente, esquecido. É por essas e por outras razões que fica visível a sabedoria latente da vida, Felizes os que, mesmo com o coração doído e os olhos lagrimejantes conseguem perceber a maravilha que é gozar a vida e seus sentimentos, bons e ruins, porque dependendo da força e vontade do individuo o que poderia ser ruim pode se tornar bastante salutar.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 24 de março de 2008.

sábado, 22 de março de 2008

Vantagens da feiúra

Vantagens da feiúra

Acabei de ler uma reportagem sobre um livro denominado Feo publicado por pelo jornalista argentino Gonzalo Otálora. O livro parece uma autobiografia e traz, também, as vantagens de ser um homem, digamos, “desprovido” de beleza.
Pois bem, dentre tais vantagens estão as seguintes: Não são acusados de assédio sexual no trabalho, não são enganados por uma viúva linda e interesseira (desconfiam que há algo de errado quando a “esmola” é demais), não precisam ser comparados- vencem o paradigma do corpo perfeito, e, dentre outras não citadas aqui, esta a que julgo ser a melhor: Os feios vivem um amor verdadeiro.
Disse o autor que se superada a primeira impressão, as brincadeiras e a mulher se apaixonar por um feio este será um amor honesto. Realmente, todavia afirmo que a pessoa apaixonada pode até ver a falta de beleza do outro, mas o amor tem seu efeito entorpecente: Mesmo uma parte estando ciente da ausência de formosura do amado (sendo esta a parte racional do ser), outra sente por ele uma forte atração e nele vê atributos que outros não percebem (sendo esta os olhos do afeto, a parte emocional).
Talvez por tal fato tenha o autor referido que o amor sentido por um feio é honesto. Mas, por ser mulher obrigo-me a falar das vantagens em não ser bela. Uma mulher que não é bonita, via de regra, sempre tem seu crescimento profissional creditado à sua “capacidade intelectual”. A bonita pode ser taxada como “amante” do chefe, ouvir comentários, – de longe é claro, - como: “Também com aquele decote”, “Você já viu a boca dela? E a bunda? Pudera não ter tido aumento. Acho feio, mas os homens adoram”.
O homem mais velho, ou não tão belo esta com uma namorada bonita. Ora, ora: “Ele deve ter mais dinheiro do que aparenta”. O povo pensa, o povo fala, enfim, o julgamento social estigmatiza as pessoas. A mulher bonita não entendeu uma piada, é porque é burra. Se a feia não entendeu é porque não estava prestando atenção.
Mulher bonita e inteligente passa meses do inicio de uma relação pensando se o cara ama ela mesmo, ou se esta com ela porque os seios são firmes, as pernas longas e elegantes, o sorriso bonito, e os cabelos bem tratados. Enfim, a mulher bonita se sente muitas vezes como um belo cartaz, e por ser pensante se indaga muito e sofre.
Fosse a mulher bonita e inteligente menos bela estaria contente. Saberia que os homens que lhe ligam estão interessados nela pelo senso de humor e inteligência. E, quando apaixonadas saberiam que o amante as admira pelo que são, afinal, a única beleza que perdura com o tempo e, inclusive, com ele aumenta é a da alma.
Ser linda pode ser ótimo, mas tem seus inconvenientes. Tem dias que ninguém quer ser chamado de belo, tem dias que a pessoa bonita se sente sufocada porque ninguém se esforça para ver o que há por trás de sua aparência, porque, enfim, ninguém tece um elogio a sua forma de ser. Podem elogiar suas roupas, seu sapato ou perfume, mas esquecem de elogiar seu gênio, seu humor, seu senso de solidariedade, por exemplo.
Ninguém gosta de se sentir como frutos na feira em que as pessoas escolhem pela aparência e só pensam em como será “por dentro” remotamente, porque, ainda com a possibilidade de levar um fruto ruim a beleza de sua aparência é o cerne para a aquisição.
Inonvenientes e convenientes o certo é que ser feio com personalidade e inteligência é mais meritório do que ser bonito e se tornar escravo das opiniões alheias. A pessoa pouco bela, mas com uma inteligência emocional aguçada e, consequentemente, com autoconfiança tende a ter menos problemas derivados dos estigmas colocados pelos tolos.
A mulher feia que se valoriza pode ter poucos homens para ir para a cama, poucas paqueras, poucos caras lhe olhando com interesse e poucos sujeitos a lhe ligar, mas quando tiver alguém que lhe diga que é “linda” sentirá a sinceridade de quem lhe estaja amando, pelo que é, e não pelo corpo que têm. Isso é ainda mais certo se além de feia for pobre, do contrário, outras dúvidas podem surgir.

Cláudia de Marchi

Marau, 22 de março de 2008
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sábado, 8 de março de 2008

O PODER DAS MULHERES

O poder das mulheres

Pouca coisa me deixa tão amolada como ouvir de mulheres que elas gostariam de nascer homens numa possível próxima encarnação. Longe de ser feminista, sou racional e amo ser mulher.
Só as mulheres sabem o gostinho de ter orgulho por ter mudado leis, conceitos, superado preconceitos. Antes donas de casa, zelando por maridos, que, via de regra, perdiam o interesse por suas esposas e, (ingratos) acabavam fazendo com outras coisas saudavelmente impudicas que não faziam com suas “doces” (e passivas) esposas. Traidores com “T” maiúsculo, atualmente, infelizes com letras garrafais.
Hoje, mulheres altruístas, donas de suas vidas que terminam relacionamento quando, entre quatro paredes, as coisas não vão bem. Felizes somos nós mulheres que, além de ter o orgulho antes dito, podemos ter orgasmos múltiplos, podemos ficar excitadas na praia sem ter que colocar a mão sobre uma sunga ou sem ter que usar uma bermuda larga em pleno sol de 35 graus!
Se o mundo mudou, se os homens reviram seus conceitos – nos mais variados aspectos - foi porque, nós mulheres fortes, decididas e lutadoras, mudamos. Nós precisamos de amor (como todo ser humano, homens, mulheres, hetero ou homossexuais), mas, quando maduras, não dependemos emocionalmente de ninguém, apenas de nós mesmos e de nossa (boa) relação com nossa alma. Quando estamos de bem conosco ninguém nos segura, somos mais fortes e marcantes que o vento minuano e nem precisamos de eco para “abalar”.
Se quisermos comer, comemos. Se quisermos alguém usamos de nosso olhar poderoso, nossa inteligência perspicaz, nosso toque suave, nossa sensualidade sutil e marcante para conquistar, e se não quisermos usamos de nossa franqueza, educação, ou de nossa habilidade para a sinceridade felina (que arranha a alma alheia) e dispensamos. Com classe, ou não, mas sempre de acordo com nossa razão ou nosso instinto (porque não?) pois não precisamos do outro para pagar nossas contas ou nos levar num restaurante bacana- se quisermos ir nós vamos.
Temos amigas e independência – uma dupla que nos faz sorrir pela diversão propiciada e pela certeza de que, hoje em dia, nós mulheres amamos por deliberalidade, de coração e não porque nos consideramos dependentes do “bicho homem”- que é bom, muito bom. E, ao contrário do que dizem os machistas nós gostamos é de homem e não de dinheiro.
Dinheiro temos o nosso, temos bancos, agiotas e ninguém precisa saber de nossas dívidas. De homem a gente quer mesmo é o respeito, a fidelidade, o toque, o calor, a pegada, o afago, o cavalheirismo (não precisamos que nos paguem as contas, mas adoramos o cavalheiro que paga o jantar, não há nada de redundante nisso, mulher gosta de homens gentis) um pouquinho da alma e o coração, dentro dos limites, é claro, porque nós, mulheres modernas sabemos que não podemos querer a alma toda de ninguém, do contrário teremos que penhorar a nossa também a troco de amor. E relação saudável é baseada na confiança mútua, no respeito e na independência pessoal.
Nós gostamos de homem e ainda podemos criticar-lhes o potencial. Quem mandou achar vantagem fazer pipi em pé? A gente não precisa encanar com um falo pequeno, “PP”, médio, grande ou “GG” que não possuímos e, Freud me desculpe, não invejamos os deles. Hoje em dia somos donas de nosso nariz e “ele” deixou de significar independência e altruísmo. Fizemos pipi sentadas com orgulho, sim senhor!
Ser mulher é ser sensível, é aprender com a vida e com os homens a usar a razão, é ir à psicóloga para se descobrir um pouquinho mais, é ir ao salão de beleza e sair balançando as madeixas como se a rua fosse uma passarela, é se encontra com as amigas para falar besteiras, criticas as pseudomulheres que caçam dotes financeiros e não físicos, e ainda falar dos homens que acham bom “galinhar” se esquecendo que a língua feminina é afiada e crítica, muito crítica. Não agradou querido, a mulherada fala mesmo. Com ou sem razão, mas que falam, isso falam. Elas podem, com licença. Eles também, mas a crítica delas é muito mais letal porque mais cheia de detalhes, afinal, toda a mulher é um mundo de detalhes da alma à capacidade de criticar.
Nem todas são “top”, nem todas tem classe, nem todas tem elegância, traquejo e sensualidade ao mesmo tempo. Mas todas, pobres ou ricas, fugazes ou contidas, “piriguetes” ou chiques, possuem na alma um misto de poder e delicadeza. Algo divino, que Deus guardou só para as mulheres, porque, certamente, Nele há um pouco de nossa alma e na nossa há muito Dele, por isso nossa sensibilidade e capacidade de compaixão é aguçada.

Marau, 08 de março de 2008.

Cláudia de Marchi

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O rumo da Vida

O rumo da Vida

A vida é um paraíso de mistérios e é por não entendê-los que muitos fazem dela um inferno. Eu, porém gozo dela o seu melhor e vejo em tudo uma sabedoria latente, uma beleza estonteante, exemplo disso é o seu evoluir, a sua bela cadência. Exemplo disso é o rumo que ela dá aos seus viventes.
Qual o rumo da vida humana? Alguns se questionam, eu afirmo: A evolução. Apenas as almas muito medíocres regridem, pessoas razoáveis evoluem, aprendem, crescem, amadurecem. Seja sofrendo, seja sorrindo, seja caindo, seja tropeçando, a vida leva o homem ao aprimoramento, se ele opta por outros caminhos é por opção e demérito seu.
É graças à sapiência da Vida que as pessoas adquirem com o tempo aquilo que não perece com ele: A sabedoria, a maturidade, pois. Pode ser que a beleza juvenil vá findando lentamente, mas a beleza que se adquire com as experiências e o doce passar dos anos não acaba, pelo contrário, aumenta e, creio, não finde há sete palmos do chão.
Sabedoria é aquisição eterna do espírito. Beleza física diminui ou pode ser adquirida com dinheiro e um bom cirurgião plástico, dermatologistas, massagistas, esteticistas, enfim. Mas um dia ela será esquecida e o homem será lembrado pelo que foi, pelos sentimentos que gozou, pelos que expressou, pelas palavras ditas, pela força dada, pelos pensamentos que teve e pela pessoa que foi. Ou melhor, pela pessoa que se tornou. Homem de méritos é o que se torna algo melhor do que foi outrora.
Todos, cultos ou não, belos ou não, convictos ou indecisos acerca de nossa existência somos seres em transformação. Deixa de ser um destes quem escolhe morrer para a evolução colocando-se num pedestal infeliz porque ilusório (e ilusório porque proveniente de idéias de uma alma infeliz), ou, porque morre carnalmente.
Enquanto vivos todos somos aprendizes, todos estamos sujeitos a mudanças de idéias, de rumo. A vida não pára. E o homem jamais deixa de aprender. É por essas e por outras que me sinto feliz na proximidade de cada aniversário. Foram-se algumas lágrimas, passaram muitas risadas, tolerou-se muito, alguns silêncios, outras mancadas, mas sempre o saldo é de melhora, de evolução, do contrário não estaria viva. E viva a Vida!

Cláudia de Marchi

Marau, 22 de fevereiro de 2008
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A benesse secreta do amor.


A benesse secreta do amor.

Certa vez eu ouvi que existem coisas que apenas quem ama compreende, releva, entende. Nunca dei tanta importância para tal fato enquanto era eu quem relevava, todavia ouvindo de uma das pessoas mas próximas de mim nesta vida o que ela alegremente suportava por amar constatei quão forte é tal fato, tendo em vista que a pessoa que ama, compreende e aceita com alegria no coração o que outros ouvem com desdém e criticam por inexperiência ou ignorância (a vizinha mais "chegada" da maldade).
Talvez seja por isso que jamais devemos ou podemos opinar na vida alheia no que diz respeito ao amor, às suas realizações afetivas, enfim. O que salta aos olhos dos pais do rapaz apaixonado, não afeta seus sentimentos. O que ele fala sobre o agir da amada que arrepia seus pais, não o impede de ama-lá e perdoa-lá. E só quem ama sabe o real significado da palavra perdão porque a vida a dois exige um constante "relevar".
Obviamente todos teu seu limite, que é, logicamente, o de seu amor próprio - os limites impostos por seu brio. Mas, enquanto o copo imaginário da paciência, da indulgência e, portanto, do amor ao outro não transborda, muitos gestos, atos, afirmativas e palavras são relevadas que se contados a outro seriam criticados. Só quem ama entende o ser amado a ponto de perdoar suas mancadas.
Todavia, o interessante é que quem não ama o ser que "mancou" ama à outro e deste aceita o que para outros seria inaceitável. É neste assunto que se verifica como, todos, absolutamente todos possuem telhado de vidro. Não podemos criticar ao outro, em especial se ele ama alguém, porque se hoje tripudiamos e reparamos sua paciência e indulgência, amanha seremos nós quem poderemos estar relevando coisas, quiçá, piores do que as que reparamos anteriormente.Ninguém esta imune ao amor e suas benesses. Afinal a paciência, a capacidade de entender e perdoar quem se ama gera a mais pura alegria e felicidade interior.
É, a vida é uma bela obra em que o silêncio vale ouro e a palavra, via de regra, custa menos do que a mais simplória das pratas. Calar-se é a melhor forma de evitar julgamentos, todavia, relevante é saber que se um dia escorregamos e pecamos por falar, coitados serão os que reparam ou criticam, porque a vida cobra com juros e correção o mau julgamento injusto dos que pouco sabem sobre ela e em especial sobre o amor - dádiva que enobrece a alma de quem a ele se entrega porque ensina imensuráveis lições.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 08 de fevereiro de 2008.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Caos Brasileiro

Caos Brasileiro

"Brasileiro não desiste nunca". É o que dizem. Creio que brasileiro não pode desistir de nada nunca, porque se pensar demais, desiste de viver, tenta mudar de País (porque mudar o País cansa, e brasileiro já é cansado demais), cortar os pulsos ou deixar a insanidade que ronda a porta de seus pensamentos lhe dominar e ir, devidamente amarrado, rumo à um Hospital Psiquiátrico.
Basta ler os jornais, assistir aos telejornais para ter essa sensação nauseante de "Que País é Este", aliás, acho que a música escrita pelo saudoso Renato Russo deveria ser nosso Hino Nacional, chega de "Ouviram do Ipiranga..." e "blá, blá,blá", como se aqui fosse o paraíso. Até a Amazônia os americanos estão julgando como deles e nada fazemos, o que nos resta? Fazer como nossos antecessores, os índios, fumar um cachimbo e dormir no melhor estilo "no stress".
Presos perigosos ganhando liberação no Natal enquanto o sistema carcerário se espanta com o não regresso de muitos. Criminosos contumazes são criminosos, e não quadrúpedes. Quem depois de tomar uma cerveja, ver a mulherada desfilando no verão, vai querer voltar para o cárcere? Além do mais já se sabe que com nossa pseudo-política criminal "mané" que entra em Presídio "Especialista em Roubo" sai "Mestrado em Homicídio". Ou seja, do jeito em que está não existe (nunca existiu na verdade) função ressocializadora da pena, de forma que até mesmo seu caráter retributivo esta deixando a desejar.
São jovens embriagados cometendo imprudências no trânsito, levando a vida de famílias inteiras, arruinando com o viver dos que não foram. Caos aéreo, juizados especiais instalados em aeroportos demonstrando que as próprias companhias reconhecem o desrespeito ao consumidor que cometem. Caos aéreo, caos terrestre, violência urbana. E o Congresso inerte, o Legislativo pensando em "leis", diga-se, estapafúrdias e imbecis como a cara que ficamos ao assistir os noticiários de televisão (instalar chips nos presidiários soltos nas datas festivas, é o cúmulo do absurdo, porque não pensam em construir mais presídios para que as penas sejam devidamente cumpridas?).
Brasil, o País em que nada ou quase nada funciona. O País da Constituição Federal perfeita, do Sistema Único de Saúde "teoricamente" perfeito e praticamente assombroso, praticamente criminoso. O País que durante anos malogrou seus contribuintes com uma contribuição chamada de "imposto do cheque" destinada à educação, à saúde, enfim, à tudo para a qual, na prática, ela não se destinou.
Quem quer educação procura instituições particulares, quem quer assegurar atendimento médico digno arca com no mínimo mil reais ao ano com plano de saúde, quem deseja segurança, além de pagar vários impostos e pedágios para trafegar em estradas razoavelmente boas, tem que fazer seguros. Nossa Nação tem riquezas naturais magníficas, mas desde a colonização faltou uma grande riqueza: A atitude, a garra, a vontade de agir, de se insurgir contra absurdos e até mesmo de guerrear.
E assim vamos vivendo. Ou paramos, respiramos fundo, enchemos nossos pulmões de ar e coração de esperança criando a ilusão que, (queira Deus se torne real), criaremos um lar diferente, filhos educados, pensantes e pouco frívolos, porque se não pensarmos um pouco em nós mesmos e nas nossas benesses interiores, na nossa boa vida afetiva ou financeira, enfim, naquelas pequenas coisas que nos alentam e alegram a alma, naquilo de bom que temos, só nos restará sorrir pela não aprovação da prorrogação da CPMF, afinal, se dependermos de nosso País para sermos felizes ou termos orgulho, iremos lavar roupa e morrer afogados no balde, porque a situação esta feia. Muito feia. Feissima.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 27 de dezembro de 2007.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Mais humanidade dentre os humanos.

Mais humanidade dentre os humanos.

Não ando em uma época de muitas palavras, tampouco de muita escrita. Talvez seja o excesso de trabalho, as mudanças profundas pelas quais minha vida vem passando, pelo excesso de vontade em cumprir com excelência todas as tarefas que assumi, enfim, estou numa fase de não muito escrever ou falar, mas de muita ação, o que, todavia, não significa inatividade psíquica ou emocional, se assim fosse estaria morta.
Faz algum tempo que não escrevo, um pouco mais de um mês, venho sentindo falta, mas aqui estou, na tradicional época de final de ano, de “espírito natalino”, a colocar no papel minhas idéias. Escrevo para falar o que desejo à humanidade no ano que em breve inicia.
Paz no coração? Amor, saúde, dinheiro, companheirismo? Sim, obviamente, desejo isso e muito mais e é o que também desejo para minha vida pessoal em 2008, todavia, o que mais desejo é mais “humanidade” no coração dos seres humanos. Desejo que os homens aprendam a sentir mais, a ter mais compaixão, e, assim, a exercer o real amor cristão.
Colocar-se no lugar do outro, julgar menos, compreender mais, ser mais paciente, compreensivo, sem deixar de ter brio, coragem e força. Ser forte sem ser duro, ser complacente sem ser “tapete” de ninguém. Auto-respeito, respeito ao próximo, amor ao outro, isso torna o homem realmente humano, do contrário é um animal, um ser racional na teoria e sem sensibilidade na prática, logo, algo desumano.
“Amar ao próximo como a si mesmo” significa respeitar ao outro, não fazer a ele o que não deseja que ele lhe faça, não dizer o que não gostaria de ouvir e se disser, saber que toda atitude gera uma reação. Via de regra, uma reação proporcional ao agravo, ou ao agrado.
Dê dureza, grosseria, rancor, críticas e recebas o mesmo em troca. Do contrário, basta dar amor, basta respeitar, porque os frutos da árvore do bem se multiplicam em dobro se comparados com os gerados na árvore do mal e das mazelas, sejam elas psíquicas ou manifestadas em atos.
Sonho, pois, com um 2008 mais humano. Mais respeito no trânsito, na fila do banco, entre clientes e empresários, entre outorgantes e outorgados, entre casais, entre pais e filhos, entre as famílias, enfim, mais amor no coração dos homens, porque é a capacidade de amar e, portanto, de sentir compaixão que torna o homem realmente humano.

Marau, 22 de dezembro de 2007.

Cláudia de Marchi

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Virtude de mestre


Virtude de mestre

A auto-confiança é uma bela virtude. Mas, como tudo o que é virtuoso não pode ser excessiva. Há limites para tudo neste mundo, das maiores virtudes até às mais humildes atitudes. O homem se torna um perigo para si mesmo quando passa a crer demais em si mesmo e no seu "talento".
Confiar no seu "taco", dizem, é importante. Confiar em Deus, digo, também o é. Confiar em si mesmo, na própria força, garra e virtudes também é sumamente necessário. Mas confundir "tudo" e passar a crer que se é o próprio Deus no mundo, o "todo poderoso" Rei da Vida não é nada interessante. Quando o homem esta acreditando poder tudo, vem ela (a Vida) e, sorrateiramente, mostra que ele não pode gerir tudo nela, tampouco te-lá, sempre, como deseja.
Lembro que alguém certa vez comentou que existem juizes que pensam que são Deus, outros que acham que são, e outros, ainda, que tem certeza disso. Da mesma forma existem pessoas assim, cuja auto-confiança e certeza de seu próprio poder e aptidões as tornam arrogantes e estupidamente "cheias de si".
E de tão "cheias de si" que ficam acabam por se tornar vazias. Vazias de humildade, de amor para dar e receber e, porque não dizer, de alegria de viver, porque todo arrogante afasta de si as pessoas, inclusive as que julga amar. Existe um filme sensacional que fiz questão de assistir duas vezes que mostra tal fato, chama-se "Crime de Mestre".
Tudo poderia ser excelente para os personagens se ambos soubessem conter o ego inflado. A convicção de ser o melhor, o excelente, o "the best" em sua profissão, no caso de um advogado, e em seu agir no caso do personagem do bom e velho Anthony Hopkins estragam as pretensões de ambos em momentos diferentes da trama. Coincidentemente, no final vence aquele que reconheceu sua falha, enquanto é vencido e se esvai pela própria arrogância aquele que, não contente em ter para si a proeza realizada, precisa conta-la, gabar-se. (De fato, grandes peixes morrem pela boca.)
Uma das grandes lições deste filme que considero um dos melhores que assisti nos últimos meses é esta. Mas não é preciso assisti-lo para depreender tal aprendizado, basta observar a vida, muitas vezes a nossa própria: Ela vem, quieta, humilde, e, de repente, puxa o tapete daquele que esta acreditando demais em suas virtudes e proezas. Por outro lado, se mantém elevado aquele que confia em si mesmo sem perder a melhor virtude que um homem pode ter: A humildade.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 31 de outubro de 2007.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Se é amor...

Se é amor...

Se é amor que seja verdadeiro. Que seja intenso, de corpo e alma, de mãos, pés, abraços, beijos, nucas, cheiros, cabelos, apertões, carícias. Que seja de desejos para o futuro, de sonhos sonhados juntos, de esperanças divididas, de reclamações e dores compartilhadas ao pé do ouvido, de abraços, de apoio, de confiança. Se é amor que seja de olho no olho, mãos entrelaçadas, corpos e alma unidos, perdão bem disposto.Se é amor que seja de doação e não de comodato, de compra e venda ou arredamento, nem, necessariamente, de "casamento". Amor puro cultivado no dia a dia. Amor puro, que apenas do amor depende.
Amor sem pedir retribuições que não sejam as à ele inerentes: Respeito, sempre. Confiança, companheirismo, parceria, união. Lealdade e fidelidade. Todos entrelaçados. Quem não respeita, não faz companhia, não divide a vida, as dores da alma, as alegrias do coração, quem não compartilha leva o relacionamento rumo à bancarrota da deslealdade, da infidelidade em suas diversas manifestações, dos atos impensados de mágoa.
Se é amor que penda para o perdão. Não para as cobranças. Se é para perdoar que seja da alma para dentro, e não da boca para fora. Que seja o perdão coerente e racional que avalia a conduta alheia sem olvidar da sua, e, pois da sua própria culpa e ato gerador da atitude magoante ou "desgastante" do outro. Perdão sem cobranças, sem "o jogar na cara", porque se do contrário for não é puro, não é verdadeiro, e, logicamente, não é perdão de quem ama de verdade.
Se é amor de enamorados que seja assumido. Assumido no silêncio dos olhares, na paciência, no convívio, no saber ceder espaço, no coração, na alma, no lar. Não precisa de alianças, champagne de primeira, festa de alta classe. Precisa de amor. Precisa de respeito à liberdade do outro, às limitações do outro e a "bagagem" de probleminhas que toda pessoa traz consigo, às tradicionais "diferenças de criação e vivência". Precisa de coragem e maturidade para compartilhar a vida com alguém sem querer ou pensar em dele se adonar.
Amar não é prender. Não é privar das amizades, da individualidade, dos momentos de solidão ou confraternização intima e com amigos que todos precisam para se sentirem sãos de espírito e donos de si mesmos apesar de ter alguém importante no coração. Amar é respeitar, é ceder espaço e, inclusive, liberdade ao outro. É, pois, confiar e sorrir tranqüilamente sabendo que quem ama e é bem amado não é seu por uma escritura pública ou prisão de qualquer forma. Mas porque lhe ama, respeita, confia e admira.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 24 de outubro de 2007.