Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sábado, 10 de abril de 2010

Riscos da vida.

Apesar da dor, apesar dos ferimentos, apesar da mágoa, apesar da angústia é preferível cair da escada porque se tentou encostar na nuvem a viver ileso sem ter arriscado chegar ao céu. Você se arrepende de ter tentado apenas quando não logra êxito na tentativa, apenas quando a esperança se vê frustrada. Mas e se a tentativa tivesse dado certo? Não é, pois preferível arriscar algo a viver na comodidade da covardia e da inércia?
Todavia, desde que nascemos as possibilidades são de 50% para tudo: 50% as chances de ter êxito, 50% as chances de se frustrar, 50% as chances de ser feliz, 50% as chances de sofrer, mas quem é disse que depois do sofrimento não há alegria, e, quem é que diz que os felizes não sofrem? A felicidade é o estado de espírito do contente, mas ter contentamento perante a vida não significa ser imune a decepções, e consequentemente a uma boa dose de lágrimas provenientes de uma angústia triste.
Quando tomamos qualquer decisão estamos arriscando. Arriscando nossa paz, nosso esforço, nossa esperança que pode ser frustrada, mas quem disse que não vale a pena lutar por alguma coisa? Quem disse que não vale a pena dar um voto de confiança a si mesmo, aos próprios sentimentos, e ao outro quando nos pede? Quem disse, também, que o preço a pagar por acreditar em algo ou em alguém não pode ser bastante caro? Mas quem disse que não compensa? Quem disse que não vale a pena sofrer, se reerguer, mas ter vivido e, consequentemente ter experimentado na pele a alegria e a tristeza e, mais do que isso, ter se tornado alguém mais sapiente, mais sábio, mais forte, mais dono de si?
Se pudéssemos prever o nosso amanha pouparíamos lágrimas e não faríamos nenhuma escolha ruim, mas será que a vida antevista teria graça? Que graça tem a vida se não a de sabermos que não podemos ter certeza de nada, apenas que hoje amanhece um dia e que devemos aproveitar cada segundo porque nem o seu final é garantido. Viver é lidar com as incertezas, é optar pelo que acreditamos, ainda que sejamos persuadidos pelo engano. Viver é arriscar a própria pele para um dia podermos pensar: Sou feliz pelas minhas escolhas independente das lagrimas que chorei. O aprendizado ninguém leva, é aquisição eterna.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 10 de abril de 2010.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Hipócritas.

Hipócritas.

Esse mundo é mesmo muito engraçado. Você que é simpática, educada ou falante acaba levando a fama de "assanhada" (que palavra horrenda!), todavia se viver se contendo, com a cara amarrada é antipática, porém em meio a um universo de homens e mulheres tolos e de mente encolhida ficou mais bonito ser antipático do que agradável.
Ora, por que? Porque a ausência de simpatia não implica em desmerecimento de atributos morais que são estilhaçados quando as más línguas se colocam a falar mal da moça simpática do 2º andar. É cômico, pois quão fácil é se tornar socialmente respeitado neste mundo: Basta agir e demonstrar ser o que é "bem julgado", por isso os linguarudos de plantão são ludibriados e terminam tomando do próprio veneno.
Sabe-se que a senhora abastada possui um filho solteiro e interessante, ela, porém vive indo a Igreja e se considera uma promotora dos bons costumes? Como conquistar sua confiança? Saia pelos joelhos, batonzinho cor de boca e risos inexistentes ou contidos, cândidos como o de uma santa no altar. Se vai colar? Não se sabe, mas que ser desta forma falsa é mais fácil de agradar do que ser você mesma quando seu estilo é um pouco mais arrojado e animado.
A moça demonstra que deseja um rapaz batalhador, estudado e de boa família. Certamente se algum golpista ficar sabendo destes anseios será fácil a aproximação, basta demonstrar ser o que não se é e se enquadrar nos sonhos da moçoila. Esses são poucos e simplórios exemplos. Existe um pior: O povo brasileiro se considera sofrido, pobre, abusado, cultiva piedade de si mesmo, qual sua tendência? Admirar um semelhante, não para menos temos um presidente semi analfabeto que teima em manter uma áurea de "coitado" apesar de tomar vinhos de preços extravagantes e patrocinar condição de vida para sua família totalmente incoerente com seu teoricamente "módico" salário (esta é, também, uma pequena menção ao universo de incoerências da vida política e real do senhor referido).
As pessoas afirmam que não, mas a hipocrisia ronda tudo que as cativam. Os indivíduos falastrões, alegres, simpáticos, excêntricos, animados, porém sinceros assumem um grande risco sendo eles mesmos. Eles se expõe mais ao julgamento alheio. Mas, certamente é muito mais honroso ser o que se é, a ser uma agradável besta aos olhos dos juizes da vida alheia, aos olhos dos pseudo bons, dos pseudo honestos, dos pseudo moralistas que vivem a crer que são sapientes quando, na verdade, pela sua pseudo esperteza são mais fáceis de enganar do que um infante inocente.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 09 de abril de 2010.

"Coisa séria"

"Coisa séria"

Talvez quando as pessoas pararem de burocratizar relações que são mais afetivas do que jurídicas ou religiosas a sociedade se torne mais equilibrada e as pessoas mais felizes. Sem hipocrisia o mundo tende a melhorar. Outro dia ouvi de uma pessoa que aniquilou com os bons sentimentos que a esposa possuía dizer que "casamento é coisa séria" e que a infeliz deveria pensar duas vezes antes de pedir a separação. Proposta absurdamente desgostante.
Casamento não é coisa séria, com o perdão dos padres e dos juristas burocráticos. Família não é instituição é relação e como tal são os sentimentos de seus membros que devem ser cuidados e zelados. Casamento não é "coisa", menos ainda "séria", matrimônio é comunhão de sentimentos. O amor deve ser seu cerne e tem que ser encarado com seriedade. Respeito também é necessário e imprescindível, não é "coisa séria".
As pessoas não devem fazer as outras o que não desejam para elas, ai sim os relacionamentos, sérios ou não, irão fluir naturalmente rumo a estabilidade e a felicidade. Nenhum ser humano deve se rebaixar, olvidar de seus anseios, sonhos e sentimentos em prol de alguma coisa ainda que ela seja este "sagrado monstro" chamado casamento.
As pessoas devem, simplesmente amar e respeitar enquanto há reciprocidade de sentimentos. Se o outro pisou na bola uma vez e o perdão é conveniente, vale a pena ser dado. Se reincidiu na gafe, é preciso analisar a sua repercussão na auto estima e na hora ou numa próxima recidiva abandonar um barco que nasceu furado, do contrário não começaria a afundar no decurso da trajetória. Poucas coisas na vida tem mais importância que o brio, que o amor próprio.
É por isso que eu digo que casamento não é "coisa séria", os sentimentos que devem permear este e qualquer relacionamento interpessoal é que são importantíssimos e imprescindíveis. Amor, respeito, empatia, compreensão, diálogo, harmonia, tranqüilidade sim são sérios e devem ser respeitados, do contrário não adianta o padre rezar contra, o juiz intervir, a família fazer figa: A separação é um mal que vem para a salvação da auto estima e da paz do casal, porque coisa séria mesmo nessa vida, não é a lei, não são as "sagradas escrituras", nem o agouro alheio, sério mesmo é ser feliz.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 09 de abril de 2010.

Seres Inventivos

Seres Inventivos

O ser humano é extremamente criativo e possui uma rara capacidade de invenção. Você se acha incapaz de inventar algo? Achou extremamente difícil a "invenção" de um texto para passar no vestibular? Pode ser que tenha tido esta dificuldade, mas, certamente se já passou por alguma decepção na vida posso garantir que é bem mais criativo do que pensa ser.
O ser humano inventa tanto que consegue inventar outra pessoa com base nos atributos que possui, sem ter consciência do engano que esta criando. A pessoa conhece alguém e aos poucos, juntamente com o que constata no outro, começa a dar um pouco de si: Um pouco de sua boa-fé, um pouco de suas virtudes e, é claro, de seus defeitos. E desenvolve a certeza de que aquele que esta a seu lado é aquilo que pensa que é. Até que um dia descobre que estava muito enganado.
Existem aqueles que enganam, existem muitos estelionatários afetivos. Mas, sobretudo existe o homem e seu coração, o homem e seus desejos, o homem e suas invenções, suas certezas baseadas no que vê no outro e de regra vê um pouco do que tem em si, não para menos pode devotar imensa confiança e amor para quem, um dia, cedo ou tarde, se mostra desmerecedor de qualquer crédito.
Ninguém se engana por deliberada intenção. Nenhuma pessoa lúcida pensa: "Agora eu vou encher meu coração de admiração pelas virtudes que admiro, mas que ele não tem, para um dia me decepcionar, me ferir, me magoar e chorar muito". O ser humano é inventivo, mas não o faz conscientemente, termina por inventar um ser que não existe apenas porque dá para o mundo e coloca em seu julgar as virtudes que possui, da mesma forma que fazem os maldosos que desconfiam até de um santo, justamente porque eles são maus na essência. Ninguém consegue ver o mundo sem usar as lentes de sua alma.

Cláudia de Marchi.

Wonderland, 09 de abril de 2010.

Sobre o que as crianças precisam.

Sobre o que as crianças precisam.

O que os pequenos precisam para tornarem-se adultos saudáveis e capazes de sentir intensamente, de amar, de ter compaixão, de respeitar aos outros e, enfim, de que carecem para serem pessoas felizes e plenas? Uma escola boa? Cursos de línguas, uma boa fonoaudióloga e um pediatra competente? Tênis da moda e uma boa poupança? Não, nada disso.
Crianças sobrevivem com leite e pão se for preciso. Elas também não pedem para que os pais trabalhem pensando em seus estudos e na construção de um patrimônio para lhes deixar. Criança precisa de amor, de carinho, de atenção. Precisam se sentir protegidas, bem quistas, respeitadas e amadas, não precisam constatar que o carro do papai é melhor do que o do marido da babá.
Os adultos perdem a inocência no decurso da vida. Essa é uma perda lastimável, mas o pior é o ganho de ambição e ganância demasiadas. Atributos que podem ser saudáveis se bem dosados, mas que estragam casamentos e a personalidade de crianças na maioria dos casos. Quem se envolve pela ambição exagerada deixa de trabalhar para viver e passa a viver para trabalhar. Por que ama seu oficio? Não, porque deseja ter mais do que tem.
E quem é que perde enquanto a conta bancária dos pais cresce? Os filhos. Aqueles que precisam de atenção, de carinho, de compreensão, aqueles que desejam ser ouvidos, respeitados, admirados e, principalmente que precisam ouvir o quanto são adorados. Os pequenos precisam justamente do que não esta exposto em gôndolas de super mercados ou em lojas de grife.
Deixar de dar as crianças o que elas precisam afetivamente ajuda, apenas, a formar adultos infelizes que mesmo herdando milhões ou sendo muitíssimos bem formados não terão uma auto estima suficiente para se sentirem contentes na vida e, principalmente, não terão equilíbrio emocional e psicológico para darem o que não receberam e este pode ser o principio e o fim de uma vida infeliz e vazia de sentimentos valorosos.

Cláudia de Marchi

Wonderlad, 08 de abril de 2010.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Os ganhos das perdas.

Os ganhos das perdas.

O que você ganha quando você "perde"? Se você pensou "nada" é porque ainda tem muito o que aprender acerca do que realmente tem valor na vida. A paz, a tranqüilidade de espírito e uma consciência limpa valem mais do que milhões de dólares. Valem mais do que apartamento em Nova York, um hotel chique em Paris e um veraneio no Caribe. Um coração solitário que transborda amor pela vida vale mais do que ter um belo quarto para levar inúmeras pessoas que não preenchem o vazio da alma.
Você não insistiu naquela briga com a tua melhor amiga em busca da concordância dela quando você tinha certeza que a razão era sua? Fez bem. Cada pessoa tem seu ponto de vista e é preferível manter uma relação harmônica a tentar fazer o outro mudar de opinião. Cada um tem o direito de pensar o que deseja, e todos merecem respeito. Você saiu de um casamento assumindo o que não devia e perdendo dinheiro? Fez bem. É preferível assegurar a sua liberdade de espírito e seu nome de solteiro a passar uma vida ao redor de migalhas financeiras quando o prejuízo inevitável e imutável foi o emocional. Para que aumentar o desgaste se não existem lucros que supram a dor da frustração? Por orgulho, por teimosia ou por vingança? A gente ganha ainda mais quando se liberta de valores mesquinhos e quando perde a vontade de querer se mostrar valoroso aos outros. Os únicos valores que devemos cultivar são os nossos e dentre estes a paz e a tranqüilidade devem estar presentes.
Não existem perdas para quem aprende com seus erros, para quem dá valor a coisas que o dinheiro não compra e que não estão a venda em mercado algum. Vale a pena assumir o risco de perder e assumir algumas perdas para ser feliz, para manter a paz de espírito, para construir uma bela e nova história. A gente pode conquistar um mundo de boas surpresas e alegrias quando perdemos o medo de arriscar e perder, quando adquirimos a certeza de que mesmo caindo iremos levantar e seguir adiante com brio. A gente se torna realmente feliz quando olvida das perdas em prol dos ganhos que elas trazem.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 07 de abril de 2010.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Para começar de novo...

Para começar de novo...

A vida pode nos fechar algumas portas, mas nos abre muitas janelas. Janelas das quais enxergamos a tranqüilidade, a paz, a alegria de viver, o amor pleno por quem nos cerca e nos valoriza. E é através do que a vida nos mostra nas janelas que abre quando nos fecha alguma porta que iremos buscar dentro de nós a força e a coragem necessárias para abrimos a sós e por nosso arbítrio novas passagens, novas saídas, novas portas.
É duro chorar por frustração, é triste se arrepender, se sentir amargurado ou injustiçado. Todavia poucas escolas nos ensinam tanto quanto a do sofrimento, e é após alguma dose dele que conseguimos nos reinventar, nos recompor, que conseguimos começar de novo nossa vida com mais altivez, brio e, porque não dizer alegria. Alegria que só os que já se sentiram muito tristes conseguem ter. Uma alegria que lava a alma e ilumina o espírito.
Às vezes a gente é enganado. Às vezes juntamente com o "estar sendo enganado" a gente se engana. Acreditamos em palavras e afirmativas que deveríamos olvidar. E olvidamos de outras que deveríamos ouvir. É normal: Somos humanos e erramos. Erramos e aprendemos, sofremos e crescemos. Crescemos e reconstruímos nossa vida com a força que a dor nos deu.
Vale a pena sofrer, se rebelar, se machucar, chorar, mas sobreviver a toda a dor. Construir uma nova história a sós com nosso aprendizado, com nossos sonhos e nossas metas. Não existe vida sem sonho. Não existe sonho sem esperança. Não existe esperança sem fé na vida. Não existe fé sem paz, assim como não existe alegria sem contentamento, e contentamento só tem quem sabe que não mentiu nem traiu os sentimentos alheios. O segredo da vida é não ter medo e nem se acomodar diante dou após algumas dificuldades, porque fora do doce lar de nosso coração existe um mundo de boas novas, de boas surpresas e alegrias que só são visíveis e aferíveis por quem, mesmo após padecer por muita dor, não perdeu o amor pela vida.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 06 de abril de 2010.

domingo, 4 de abril de 2010

Não julgue!

Não julgue!

Não ouse se sentir alegre ou triste pelas atitudes que uma pessoa toma com a outra e não com você. Não seja emocionalmente estúpido para julgar o agir alheio se este não lhe diz respeito e não se direciona a favor ou contra você. Resigne-se e saiba que você não é senhor da razão e não sabe nada a respeito do sofrimento alheio e do que leva uma pessoa a tomar as atitudes que toma, independente de você ousar julga-las erradas.
Se uma pessoa agiu desta ou daquela forma com a outra e esta agiu de uma maneira ou de outra contra ou a favor do outro e você não estava escondido dentro da casa deles, embaixo de suas camas ou não tem poderes especiais para estar invisível nos locais de convívio dos outros cale seus pensamentos exaltados e sua própria boca quando pensar em exprimir suas opiniões de "alheio" a vida alheia.
O ato de julgar, de colocar-se em posição de juiz da vida alheia é, além de abominável, burro, estúpido. Ninguém sabe o que o outro sofreu, sentiu, passou, ninguém pode estar dentro da alma alheia para sentir sua tristeza ou sua alegria, sua lucidez ou sua semi-insanidade, sua força ou fraqueza, sua dor profunda ou felicidade, menos ainda para saber o que lhes deixou no estado de espírito em que estão, logo, ninguém tem o poder de julgar o outro embora todos sintam-se na liberdade de faze-lo.
A vida ensina e, para quem ainda não aprendeu, cedo ou tarde vai aprender quão certo é calar-se. Ficar em silêncio, abster-se de opiniões ou críticas sobre a vida que não lhe pertence, mais especificamente, sobre a vida alheia. Você não sabe o que se passa no coração, na alma e, certamente na vida íntima dos outros então não ouse falar sobre o que não sabe. Vida, cada um tem a sua para dela cuidar. Apenas isso.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 04 de abril de 2010.

Escravidão Afetiva

Escravidão Afetiva

É muito bonito ver casais juntos há anos. É animador constatar que o amor pode fazer um casamento permanecer forte por muito tempo. Todavia, algumas constatações me assustam: Casamentos antigos às vezes apontam para uma grande submissão feminina. As mulheres se escravizaram em prol de seus maridos a ponto de voltarem a "ter vida" após uma separação não esperada ou após se tornarem viúvas. Isso não é admirável, é triste.
Porque uma pessoa deixa de fazer tantas coisas que gostava em prol da outra? Cervejinha num bar? Dançar nos finais de semana? Dar risada em um tom de voz alto? Caminhar para olhar vitrines? Não, nunca mais. Por que as mulheres deixam seus gostos de lado e passam a fazer apenas o que seus maridos esperam que façam, ou, o que elas acham que eles esperam? Por que não dialogar, não deixar seus gostos expostos? Casamento é uma comunhão de idéias, pensamentos e gostos. A partir do momento em que um se coloca na posição de eterno "concordante", dizendo sim apenas às idéias e gostos do outro surge uma espécie tácita e lamentável de escravidão: A escravidão afetiva.
Pelo contrário é realmente puro e bonito ver um casal que apesar das diferenças e algumas divergências de gostos conseguem viver e se divertir um respeitando o gosto, o jeito do outro e sua liberdade. É fácil entabular um relacionamento duradouro com base na escravidão de opiniões e de idéias. É fácil conviver anos com uma pessoa quando se assume o triste hábito de chorar escondido. É humilhante dizer sim com a boca quando o coração grita não e quando a alma pensa "de novo isso? Eu odeio isso!".
Todavia a cultura machista permeou os relacionamentos antigos e continua a permear alguns relacionamentos modernos onde as mulheres cedem mais e escravizam seus sentimentos, gostos e pensamentos em prol de "seus maridos" que continuam fazendo o que gostam, limitando muito pouco a sua liberdade se comparado com suas esposas que se auto empoe maiores obrigações afetivas dentro do lar e acabam deixando de lado seus reais desejos e vontades.
"A fulana começou a viver depois que o fulano partiu": Coitada! Isso significa que durante anos ela esteve presa, amordaçada por seus próprios pensamentos e subjugada a instituição familiar, mais especificamente a posição de esposa e mãe. Ser mulher casada e ter filhos não deve onerar tanto a alma da mulher a ponto de esquecerem de si mesmas. Os filhos que amam seus pais os querem felizes e, certamente, é impossível ver alguém feliz quando deixa de lado sua própria essência.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 04 de abril de 2010.

sábado, 3 de abril de 2010

Ter ou não ter "alguém para amar"?

Ter ou não ter "alguém para amar"?

Ouvi uma amiga dizer que sente falta de "ter alguém par amar". Amar é muito bom, mas envolve uma série de aptidões, requer de nossa alma muitos outros sentimentos e capacidades, sendo, as principais a de respeitar, de se doar, de ter empatia e de saber conviver. Tão bom quanto amar é ser amado e, consequentemente, compreendido e respeitado.
Será que não ter a quem amar deve fazer falta? É bom amar alguém que engana você, que lhe ilude, que lhe usa para a consecução de planos e desejos egoísticos? Amar só é bom quando amamos quem vale a pena, quem nos ama despretensiosamente, quem nos ama por simplesmente amar, quem nos respeita, nos valoriza, nos admira. Merecemos ter tudo o que damos, inclusive o amor.
É preferível dormir sem ter em quem pensar, é preferível acordar sem pensar em ninguém. É preferível ir para a cozinha pensando em fazer uma comidinha que agrade apenas a nós, em ver o filme meloso que todo mundo (menos você) despreza. É preferível ir sozinho pra festinha, sentar num canto, tomar aquela bebida docíssima que todos detestam (menos você) a ter uma companhia para uma boa noite de sexo e só (!). Alguém que finge que gosta das mesmas coisa que você, alguém que finge que gosta de você para no outro dia lhe pedir seus préstimos profissionais ou intelectuais para lhe decepcionar e pisar em você sem dó ou piedade ao anoitecer porque você fez o que, para ele, era um escopo.
É preferível acordar sozinho as seis horas da manha para ir malhar a ter uma companhia na cama até as oito. Uma companhia que as vinte horas pode lhe decepcionar, desrespeitar ou humilhar. Não devemos sentir falta de ter alguém para amar. Precisamos amar alguém que tenha um bom coração, alguém que seja capaz de nos amar independente de nossa beleza ou feiúra, de nossa elegância ou má-forma, independente de nossa riqueza ou desfalque financeiro.
Será, pois, que é tão ruim para você viver sozinho? Será que não ter alguém para amar é "tão péssimo"? Quem pensa isso não sabe o que é dar pérola aos porcos, ou, mais especificamente, não sabe o que é dar valor a quem não merece. Não ter a quem amar é bom, não é ruim: Amar a pessoa errada é, isto sim, um imenso problema. Se é para amar que seja aquele sincero, aquele que sabe o que é amar e respeitar, do contrário é preferível passar uma vida dormindo e acordando sozinho a ter uma noite ao lado de um inimigo fantasiado de amante.

Cláudia de Marchi

Wonderland, 03 de abril de 2010.

A gestão dos maus sentimentos.

A gestão dos maus sentimentos.

Quem é que perde com seu ódio, com a sua ira, com a sua revolta? Lamento dizer, mas é você mesmo. Odiar o outro é a mesma coisa de tomar veneno ou entorpecente e esperar que o outro se intoxique ou morra. Mas como a gente consegue se tornar imune a sentimentos se somos humanos? Como alguém consegue determinar que não vai odiar alguém se algumas pessoas agem de forma tão abominável que não pode nos despertar outro sentimento?
Não podemos fugir da nossa condição humana. Quem nunca sente ira, quem nunca se revolta, provavelmente nunca vai amar, nunca vai sentir alegria, contentamento. Apenas os pricopatas são capazes de ter atitudes violentas e bruscas num momento e mudar de um momento para outro porque são tão insensíveis que nem rancor conseguem sentir ou guardar. Todavia pessoas saudáveis psiquicamente, nós, seres normais que não somos parasitas sociais não somos imunes nem aos sentimentos nobres nem aos vis.
Não podemos impedir que nossa sangue corra em nossas veias da mesma forma que não podemos prever nossas reações diante de atos hediondos, vis, atos que maculam nossa paz, nossa tranqüilidade. Mas, podemos nos controlar, podemos tentar e conseguir pensar e raciocinar mesmo quando a visão de nossa alma esta turva de raiva, de tristeza, de mágoa. E é pensando que podemos fazer melhores escolhas, que podemos dar o pulo do gato e não nos entregar a nossos sentimentos negativos.
É impossível não sentir raiva, não sentir ira ou ódio de pessoas que nos ferem, nos magoam, de pessoas que não contentes com ter abusado de nossa bondade e boa-fé no passando teimam em nos importunar e nos prejudicar, todavia podemos não nos entregar a tais sentimentos, a tais sensações perniciosas. Podemos erguer nossa cabeça, recompor nosso coração e nossa alma e seguir a vida adiante de forma equilibrada e tranqüila deixando o ódio de lado para buscar a justiça de forma mais limpa, mais transparente e não da forma que nossa ira cega aponta.
Podemos sentir a raiva nos cegar por alguns instantes, mas não devemos deixa-lá nos manter cegos. Não somos feras, não somos leões famintos. Somos humanos, somos errantes, mas somos racionais e é esta característica que deve nortear nossos atos. Devemos, pois controlar nossos bons ou maus sentimentos sem jamais deixarmos que eles nos controlem e nos dirijam.

Cláudia de Marchi.

Wonderland, 03 de abril de 2010.

domingo, 28 de março de 2010

"Tenha paciência comigo".

“Tenha paciência comigo”.

Não aceite que lhe peçam “paciência”, jamais tolere ouvir um infeliz: “Tenha paciência comigo, por favor”. Quem precisa lhe fazer essa solicitação é quem tem tantos defeitos que se sente insuportável em si mesmo, é quem sabe que esta ou é intolerável!
Quem precisa de paciência é gente em surto e lugar de gente surtada é num manicômio ou desenvolvendo arte terapia com um bom e caro psiquiatra junguiano. Você vai colocar a sua sanidade a prova para ser “paciente” com o outro? Não aconselho, do contrário em poucos meses quem vai surtar vai ser você, garanto isso.
Ouça sua mãe, seu pai, seus amigos e seu amado quando eles lhe disserem: “Querida, seja paciente.”. Ouça e siga o conselho se achar que convém, analise a sua atitude, a situação que estas passando e decida por você mesmo, mas não se torne uma pessoa que precise pedir para que alguém seja paciente com você, ao menos que você cultive uma grande auto piedade e não tenha vergonha que os outros tenham “pena” de você.
Do contrário pense muito bem e quando alguém lhe disser para ser paciente com ele diga que não é médico psiquiatra nem psicólogo para conviver com quem não controla a si mesmo e precisa das migalhas de sua paciência.
“Ora, mas que maldade moça!”. Não é maldade, é realismo. Pessoas que sabem conviver, pessoas agradáveis, emocionalmente maduras e psiquicamente bem equilibradas não precisam pedir “paciência” porque não irão sentir culpa por perdê-la e, certamente não irão fazê-lo com quem as ama e respeita.


Cláudia de Marchi

Wonderland, 28 de março de 2010.

Deixando para trás.

Deixando para trás.

É impossível deixar para trás o que é pernicioso em nossa vida sem que viremos às costas, também, para o que nos é valoroso. Não existem escolhas que não incluam algumas renúncias.
Quando decidimos começar uma vida nova deixamos para trás pessoas que nos atormentaram, nos magoaram e feriram, deixamos para trás más lembranças e a possibilidade dos fatos que elas remontam ocorrerem novamente, mas também deixamos para trás boas pessoas que nos propiciaram momentos de alegria. E, logicamente as deixando, estamos impossibilitando a ocorrência de novos bons momentos com elas.
Mas, afinal o que vale mais? Certamente as pessoas boas, honestas, dedicadas e respeitosas que enfeitaram por algum momento nossas vidas jamais serão esquecidas. A gente só esquece e “deleta” da memória o que nos causou trauma e tristeza profunda.
Vale a pena deixar para trás tudo e todos que nos fizeram mal. Vale a pena recomeçar, apagar da memória o que nos causou dor, revolta e mágoa. Não nascemos para sofrer, então porque estagnarmos e cruzarmos os braços frente aquilo e aqueles que fizeram lágrimas brotar em nossas faces?
Seremos inesquecíveis para aqueles que nos valorizaram, que nos admiraram, respeitaram e amaram. Da mesma forma não iremos esquecer e jamais desejaremos apagar de nossa mente à imagem daqueles dos quais nos recordamos e sentimos paz, que mesmo distantes nos fazem sorrir e sentir uma saudável saudade, então, sopesando o que vale a pena para nós, é fato que devemos buscar manter nossa tranqüilidade de espírito, nossa consciência tranqüila e em paz.
Nascemos para sermos felizes. Nossas escolhas devem ser guiadas pelo desejo de aprimoramento pessoal, de crescimento e de felicidade. Repetir pensamentos e lembranças infelizes não faz bem, nos manter em local que nos fere também não, menos ainda viver perto de quem nos magoou em demasia.
Recomeçar uma vida nova após experimentarmos sofrimentos traumáticos é e sempre será a melhor opção ainda que nos afastemos de quem nos estima e de quem estimamos. Quem sabe o que é o amor e quem ama respeita nossos sentimentos e deseja nossa felicidade apesar da distância.


Cláudia de Marchi

Wonderland, 28 de março de 2010.

sábado, 27 de março de 2010

Não me peça...

Não me peça...

Não me peça para voltar atrás nas minhas decisões. Já sofri e aprendi o suficiente para aprender a tomar decisões convictas, firmes e imutáveis. Não me peça para falar o que desejas ouvir, sou demasiado sincera e transparente para colocar palavras ao vento.
E, principalmente nunca me peça para fazer alguma coisa para que os outros vejam e aprovem. Nunca, jamais me peça para “calar a boca” alheia pelo que pensam de mim: Cada um tem o direito de, na sua ignorância sobre quem sou e o que sinto, julgar e pensar o que desejam.
Ademais, não estou nesta vida para agradar a ninguém. Se meus atos, se meus sentimentos e palavras sinceras agradam, tudo bem, se não, não me peça para fazê-lo. Posso ser tudo menos falsa e dissimulada.
Você pode saber o que eu sinto se estiver perto de mim e do meu coração, mas a partir do momento em que, por alguma razão me fizer distanciar jamais irá perceber meus sentimentos, então, por favor, jamais peça esmolas para meu coração, para minha alma.
Não tenho nada a provar para ninguém: Não devo nada a ninguém, só a mim mesma, a minha consciência e se durmo tranqüila todas as noites é porque estou em paz com ela, então, por favor, me julgue como quiser e não me peça provas de nada, cada um tem o direito de pensar o que quer nesse mundo, todavia é verdade o que disse o Marquês de Marica: “Os bons presumem sempre o bem dos outros, os maus, pelo contrario, sempre o mal: Uns e outros dão o que têm”.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 27 de março de 2010.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Infância ao contrário.

Infância ao contrário.

Envelhecer é voltar a ser criança com toda a malandragem da vida adulta. Os velhinhos são adoráveis: Cabelos branquinhos, tom de voz suave, e mãos macias, todavia eles podem ser mais abusados do que seus próprios netinhos quando querem.
Por trás da meiguice da criança e do idoso há uma alma com tantas virtudes quantos defeitos, estes, pois se não amenizados com a maturidade adquirida pela vida costumam se acentuar: Teimosia, ranzinice, orgulho, egoísmo, preconceitos, e muitos outros se mostram duplicados depois dos 60 anos, triplicados depois dos setenta e quadruplicados depois dos oitenta.
A vida sempre ensina aqueles que desejam aprender, todavia, o fato dos idosos merecerem respeito torna alguns mais orgulhosos a ponto de acharem que já aprenderam o que tinham que aprender e que podem fazer o que desejam e todos devem aceitar em silêncio (afinal têm “tantos” anos de idade).
A velhice é como uma infância ao contrário para muitos: Voltam a ter uma aparência frágil e também a vontade de terem suas vontades atendidas no momento em que elas despertam, tal qual os pequenos que fazem birra para serem ouvidos e agradados.
Os doces velhinhos em sua maioria deixam de se sentirem aprendizes na vida e com este sentimento e crença deixam de captar o que os mais jovens têm a dizer na vã crença de que por saberem “menos” da vida nada terão a dizer que lhes sirva.
Todavia, é fato que a velhice trás seus inconvenientes: A audição fica menos apurada, a visão prejudicada, os sentidos e raciocínio, mais lentos. Então, porque não ouvir o filho ou o neto quando ele tenta dar as novas coordenadas da lei de trânsito, por exemplo? Por que não ouvir com um pouco de atenção o que os jovens podem lhes ensinar tendo em vista a agilidade física e mental que possuem bem como a evolução com que conseguem se informar hoje em dia?
Independente da idade da pessoa nunca é cedo ou tarde demais para aprender, para se atualizar e ouvir o outro. Respeitar o próximo é dever de todos, jovens ou velhos: Não existe salvo conduto para o desrespeito ao próximo na velhice ou em qualquer época da vida. Nem a riqueza, nem a beleza, nem o poder, nem a idade podem ser justificativas para que se tapem os ouvidos e o coração para o que o outro - diferente em atributos, tem a dizer.
Agir com desrespeito olvidando da opinião e pensamento alheio prejudica o convívio humano e conviver é uma arte que deve ser bem exercitada por todos que desejam viver em sociedade, do contrário resta à solidão que tanto os infantes quanto os idosos costumam desprezar.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 26 de março de 2010.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Maldade sem fim.

Maldade sem fim.

Pense em algo que você define como infinito. O mar? O céu? O seu amor pelos seus filhos? O seu amor pela sua doce esposa? Lindas designações. Ultimamente caracterizo outra coisa nada bonita como infinita: A maldade de alguns seres humanos.
Ignorância? A ignorância é vizinha da maldade, não discordo disso. Fato é que não existem formas de mensurarmos a maldade de alguém e que nem toda pessoa com pouca cultura é ignorante e pode agir com maldade. Ignorância é não conhecer algo, e tem muita gente por ai que desconhece o que seja amor desinteressado, doação de sentimentos, respeito ao próximo, fé, caridade e compaixão.
A maldade não tem base na altura, pois existem grandalhões bondosos e nanicos pérfidos, a maldade não se baseia no tamanho no município. Já morei em vários locais e na menor cidade das quais estive foi onde a maldade de seus habitantes menos se coadunava com o tamanho do local. A maldade não pode ser medida de forma alguma, não pode ser mensurada.
Existem pessoas que gostam de ver os outros sofrerem, que gostam de semear discórdia, ira, separação. Existe quem se divirta ao ver o sofrimento alheio, existe quem tenha fortes preconceitos, idéias preconcebidas que de tão toscas e ignorantes que são os fazem assemelhados a monstros irracionais.
Pessoas más estão por toda parte e normalmente são aquelas que gostam de parecer boas, são falsas, fingem que querem o bem de um para arruinar o outro e todos aqueles a quem quiserem ver separados e arrasados.
A maldade humana não tem fim, é imensurável, lamentavelmente infinita. O que me consola é saber que ainda existem pessoas boas e confiáveis neste mundo. Se “são raras”? Sim, são, mas existe outra coisa da qual não podemos esquecer: Semelhante atrai semelhante, logo não há do que temer, ou será que há?

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 23 de março de 2010.

"Ruim com ela, pior sem ela".

“Ruim com ela, pior sem ela”.

Há pouco tempo ouvi a expressão “ruim com ela, pior sem ela”. Será que existe alguém no mundo que ache que uma afirmativa deste teor justifique a mantença de um relacionamento? Bem, se o relacionamento for tão medíocre e vazio de sentimento quanto esta frase acho até que pode justificar.
Relacionamentos sérios, relacionamentos fortes em união e sentimentos jamais seriam explicados por uma frase deste tipo. Pessoas realmente maduras e preparadas para o amor estabelecem relações com base no “bom sem ela, melhor com ela”.
Pessoas prontas para se relacionar são as bem resolvidas. Sei que muitas vezes enganamos a nós mesmos achando que estamos prontos para algo quando, na verdade, estamos completamente despreparados por estarmos distantes de nós mesmos e de nosso amor próprio.
Todavia, pessoas verdadeiramente maduras e adultas do ponto de vista emocional vivem muito bem sozinhas, sem a ânsia de uma companhia, de um romance. Eis que essas pessoas só irão escolher uma companhia que lhes faça muito bem, que lhes preze e valorize como merecem, do contrário ficar sozinho continua sendo a opção number one.
Se for para se envolver com alguém que seja com quem nos agrega alegria, boas novas, surpresas agradáveis, romance, carinho, respeito e nos faz sentir bem, muito bem, ótimos, excelentes (!). Quem não quer estar com alguém que se sente melhor em nossa companhia e precipuamente baseia nisso sua escolha? Agora, por favor, quem quer ser apenas a segunda opção de quem nem sozinho se sente bem? Ora, sejamos racionais até mesmo diante das emoções!
Apenas pessoas muito despreparadas e que pouco se valorizam mantém uma relação com base no “ruim com ele, pior sem ele”. Essas são pessoas ruins e péssimas consigo mesmas e que, consequentemente, não tem maturidade alguma para viver suas vidas sozinhas ou acompanhadas.
O fato de uma pessoa ser ruim em nossa vida já justifica que seja rebaixada de posto, que seja excluída e deletada de nossa existência. É preferível viver sozinho a viver mal acompanhado, é preferível dar gargalhadas sozinho a esboçar um riso com alguém ao lado para “chamar de seu”.
É preferível aprender a ser feliz sozinho a ter momentos de felicidade conjugados com outros de ansiedade e tristeza ao lado de alguém. É preciso ter coragem e saber viver para deixar de ser apenas mais um ser existente neste mundo em que alguns princípios estão se perdendo.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 23 de março de 2010.

Relações profundas

Relações profundas.

Feliz a pessoa que pode contar com alguém em seus momentos de dificuldade. Felizes os que têm uma família bondosa e amigos sinceros. Pessoas prontas a nos ouvir, nos apoiar, nos dar referências e força nas horas em que estamos periclitando.
Relações amorosas findam, amizades superficiais também. É bom ter ao lado pessoas que podem dizer o que não desejamos ouvir por nos amar, mas ainda assim nos aceitam como somos. Nos respeitam, nos valorizam e desejam nos ver bem.
Relações com raízes no amor e na estima pelo outro se mantém apesar do tempo e das tempestades que todo relacionamento, familiar ou não, enfrentam no decurso da vida.
Nada se compara a poder abrir os olhos pela manha sabendo que temos quem se preocupa e pensa em nós, temos quem se importa se estamos dormindo mal ou não, se estamos em paz ou não, e, enfim, se estamos felizes. Pessoas para quem nosso sorriso tranqüiliza e alegra. Pessoas que realmente nos amam. Nem milhões de dólares compram a sensação de sermos amados pelo que somos.
Relações amorosas podem findar, e de regra findam de forma egoísta. Quem saiu na pior não deseja que o outro durma, coma ou sequer viva. Relacionamentos afetivos terminam de forma patética, quase sempre. A pessoa bondosa outrora se rebela e mostra sua raiz egoísta e maldosa querendo que o outro morra sozinho e nunca encontre um amor, é assim na maioria das vezes, negarmos isso é hipocrisia (eu disse na “maioria” das vezes e não “todas” às vezes!).
Todavia, relações de amizade ou familiares não terminam facilmente, não acabam por desamor ou desrespeito, e, se terminam não é com a mesma base egoísta e pérfida das relações afetivas. Bons amigos e uma boa família constituem a base de uma relação de amor verdadeiro sem egoísmo e problemas tolos. Temos em nossos amigos e familiares pessoas que nos amam apesar de nossos pesares e de nossas fraquezas.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 23 de março de 2010.

Cegos afetivamente

Cegos afetivamente

Não existe característica tão negativa quanto a ingratidão. A incapacidade de certos seres humanos de verem o esforço do outro em ajudar, não me refiro se conseguirão ou não seu intento. Ser grato significa ter sensibilidade o suficiente para perceber os atos alheios, inclusive seu esforço para ser útil.
Quem não é capaz de sentir gratidão por mínimas atitudes jamais reconhecerá as grandes. Não importa ao ingrato o seu esforço, o seu carinho, a sua dedicação, da mesma forma não irão lhe importar os seus atos, as suas atitudes e o que tenha feito de mudança para lhe ajudar efetivamente.
O ingrato é um cego afetivamente. Ele não vê nada que os outros façam em seu favor e como não vê (como além de tudo é egoísta e acha que todo o esforço alheio para lhe ajudar seja “cumprimento de obrigação”) consequentemente não valoriza, não aprecia.
Defeitos graves não vêm sozinhos. O ingrato é, de regra, um egoísta. Apenas o seu esforço deve ser reconhecido, apenas ele é que se dedica com afinco, apenas ele cansa, apenas ele se esforça, e os outros? Ora, os outros (imaginem uma boa “dada de ombros”) existem para lhe ajudar, esta é sua obrigação!
Certamente pessoas ingratas ou nasceram pérfidas ou foram muitíssimo mal criadas, mal educadas. Tiveram o que quiseram no momento em que quiseram de pais que souberam mais dar o que o dinheiro compra do que carinho, afeto e princípios. Agora, pergunto: O mal criado referido sente gratidão pelas benesses que os pais lhe deram, ainda que sejam apenas materiais? Não, logicamente não! Era obrigação dos pais que tinham dinheiro lhe darem bens materiais.
Filhos ingratos, adultos ingratos, maridos ingratos, pais ingratos. Na verdade “pais ingratos” é algo difícil de conceber. De regra pessoas ingratas não mantêm nada sério, nada que valha a pena afetivamente, afinal são cegos para emoções, consequentemente não mantém o apreço alheio por muito tempo, são bombas destruidoras de corações. Seres frustrados, seres frustrantes, cegos afetivamente, só isso. Aliás, a palavra “só” combina com pessoas ingratas: Elas nasceram para serem sós.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 23 de março de 2010.

O "dar certo" dos casamentos.

O “dar certo” dos casamentos.

Quando uma relação “dá certo”? Quando ela dura 40, 50 ou 60 anos? Mas e se o casamento termina com 20 anos de união significa que ele não “deu certo”? Todo casamento esta “dando certo” enquanto existe amor. Se não há mais amor, sinto dizer, mas nem o casamento de seus avós que durou 60 anos “deu certo”!
No quesito felicidade afetiva não existe “dar certo” para inglês ver. Sinto dizer, mas pode uma união durar 2 anos e ter dado mais certo quando o casal se separa com o fim do amor do que a daqueles que estão juntos a 10 anos mas não se amam intensamente desde o primeiro ano de união.
Tive férias há pouco tempo e estive hospedada num simpático hotel onde convivi com muitos casais. Casais jovens, casais antigos e o que mais me encantou foi ver aqueles que se relacionam bem, que combinam harmoniosamente.
O diálogo, a paciência de um com o outro, a interação, o fato de dois estarem em harmonia como se fossem um demonstra que aquelas relações estão dando certo: Há amor, muito amor.
O amor é o pai do respeito e da indulgência sem os quais nenhum relacionamento se mantém. Se sua relação terminou porque o respeito começou a faltar, porque as brigas começaram a ser constantes saiba que sua relação deu certo até ai: Até o momento em que o respeito deixou de existir independente de ter ocorrido, ou não uma traição. Ou melhor, adultério porque a traição se caracteriza, inclusive pelo egoísmo daquele que magoa, que deixa de se importar com os sentimentos de quem outrora amou.
Não importa quantos anos tem um relacionamento, curta ou longa toda relação “dá certo” enquanto existe amor, respeito e indulgência. Quando a intensidade deles começa a enfraquecer o relacionamento terminou por mais que o casal se mantenha dormindo sob o mesmo teto o resto de suas vidas.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 22 de março de 2010.

Cuidado!

Cuidado!

Desconfie do que você escuta. Preste atenção a fatos, as circunstancias da vida de quem lhe fala. Cuidado com quem quase sempre é o “inocente prejudicado”, a “vítima” dos outros e seus “atos vis”. Cuidado, muito cuidado com quem é “coitado”.
A vida não tacha quem é “coitado” e quem não é. Ser “coitado” é um adjetivo que as pessoas colocam em cima de si mesmas, e, via de regra, age assim quem quer algum privilégio.
Quem se faz de coitado não tem vergonha na cara para chamar a atenção se fazendo de vítima do mundo. Quem se faz de coitado acha que só ele cansa, só ele sofre, só ele se sente assoberbado, só ele se sente mal, só ele te problemas grandes no mundo e você jamais será ouvido ou valorizado por quem tem esse “coitadismo” maléfico que é sinônimo de egoísmo e falta de vergonha na cara. Quem não tem brio, quem não tem vergonha é perigoso. Quem engana os outros e se faz sempre de vítima possui algo de letal dentro de si e pode fazer mal a qualquer um.
Pode enganar, pode tripudiar de sua boa fé, de sua bondade e não vai ter piedade alguma na hora de lhe maltratar, pois sabe que conseguirá enganar aos desavisados se colocando na posição de vítima. De sua vítima inclusive! Aliás, pode até tentar fazer você acreditar que é o errado da história, e se você estiver com a mente um pouco cansada, não duvide que poderá acreditar e sentir dó, ou de repente pedir “desculpas” pelo que não fez!
Cuidado com a mocinha ou com o rapaz que se coloca na posição de vítima dos pais e de sua criação, daqui a pouco ele vai ser sua vítima, por mais que você não faça nada contra ele! Existem pessoas de mente muito perigosa neste mundo e elas podem devastar com a sua vida em pouco tempo com jogos mentais extenuantes, sabotando seu amor próprio, sua vocação, seu brio.
Cuidado, muito cuidado com o que as pessoas falam quando você não as conhece, nunca deixe de ouvir o que os outros falam por ai da pessoa que lhe despertou o interesse: “Onde há fumaça, de regra há fogo”, pode parecer careta, mas esqueça preconceitos e nunca esqueça dessa frase, certo?! É sempre bom se proteger, é sempre bom resguardar a sua paz interior.
É possível ser muito feliz sozinho, fazendo programas sem a companhia de outra pessoa. Valorize sua individualidade, sua liberdade, seu coração e sua alma como preciosidades que são. Escolha uma jóia raríssima para acrescentar a seu mundo, mas saiba que elas não estão em qualquer joalheria, e, principalmente saiba que nem tudo o que brilha é diamante e que tem muita bijuteria convencendo ourives de que é ouro.
Cuide bem de você mesmo e dobre a atenção destinada a suas escolhas quando você começa a ver o mundo com as lentes foscas da carência e da vontade de ter “alguém para amar”. Se não há ninguém a sua altura destine todo seu amor para você mesmo, para seus pais, para seu cão, para seu trabalho, enfim, o amor que você tem no coração é precioso e não deve ser desperdiçado com quem cedo ou tarde irá lhe fazer sofrer com seu “coitadismo crônico”.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 22 de março de 2010.

Destemor e realizações

Destemor e realizações.

Você sabe o que você quer na sua vida profissional? Você sabe o que deseja para si na vida afetiva? Sabe para onde a estrada que optou esta lhe levando, ou melhor, sabe o destino da estrada na qual você esta trafegando, você sabe para onde esta indo? Sabe para onde você quer realmente ir?
Pode ser emocionante, desestressante e até mesmo divertido pegar seu carro numa tarde de domingo e sair trafegando sem rumo por ai, todavia o futuro não promete ser nada gracioso para quem não tem um rumo certo na vida.
A gente precisa de metas para viver. Precisamos de objetivos, de sonhos e, por fim, somos os responsáveis por nosso destino, por nossas escolhas, daí a importância de sabermos o que queremos para nós. A gente não vive de verdade enquanto não aprendemos a tomar as rédeas de nosso futuro nas mãos.
Se você tem um sonho, uma meta, dedique-se para realiza-las. Se for preciso mude de cidade, de Estado, de País. A vida diz “sim” para quem afirma positivamente o que ela oferece para a conquista de seus desejos.
Sucesso e prosperidade têm quem se dedica sem titubear a sua busca, a sua conquista e realização, aliás, em qualquer aspecto na vida só é realizado quem quer, quem procura e quem perde o medo de enfrentar as adversidades, afinal é preciso enfrentar algumas tempestades para poder se deleitar com a imagem do arco íris, do contrário, qual seria a graça?
Se você sabe o que quer não tenha medo de lutar, de enfrentar dificuldades siga em frente, busque e acredite em si mesmo, não existirão problemas maiores que sua fé e sua força, consequentemente não existirá nada que impeça sua realização.


Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 21 de março de 2010.

Sensações abençoadas

Sensações abençoadas.

As melhores sensações que experimentamos na vida não têm preço e nos dão tanta alegria e felicidade que se tornam praticamente indescritíveis, de forma que podemos narrá-las sem que ninguém afira seu real significado: São sensações tão intimas que o outro não capta o que elas significam para nós.
Olhar as estrelas através da janela de um veículo em movimento enquanto sentimos uma imensa paz e alegria por sermos quem somos. Um momento único de comunhão pessoal em que nos sentimos abençoados simplesmente por sermos nós mesmos: Estamos no silêncio de nossa alma, que pensa mil coisas positivas e sente o orgulho de estar no corpo de um ser que se perdoa pelos erros cometidos e por ser imperfeito. Só quem já sentiu sabe quão abençoada é essa sensação.
Falo da sensação de estar só conosco mesmos sem sentirmos qualquer agitação na alma, sem sentir nenhum sentimento pernicioso que nos atordoa interiormente. Falo de um momento de plena aceitação íntima onde estamos gozando plenamente do momento presente em nossa vida.
São sensações que só quem tem plena paz interior consegue sentir. Muitas pessoas passam uma vida sem ter um momento assim: Simples, silencioso e de plena felicidade. Um momento que é tão abençoado que os anjos param para nos olhar e abençoar nossa alma, simplesmente estupefata de felicidade interior.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 22 de março de 2010.

"Tudo" para dar certo?

“Tudo” para dar certo?

Seguidamente ouvimos casais se separarem e saírem da relação dizendo que “fizeram de tudo para que desse certo”. Essa afirmativa é preocupante e nela se exaure o fato de que uma relação para dar certo jamais vai requerer que “tudo” seja feito em prol disso.
Quanto mais natural e harmoniosa for a convivência do casal, mais simples será o relacionamento e consequentemente ele dará certo sem que haja sacrifícios de um ou ambos os envolvidos.
As coisas boas nascem prontas. Tudo bem, eu concordo que relações humanas não são coisas e, portanto carecem de interação e diálogo. Mas, ora essa, desde quando dialogar se tornou algo do qual se deva temer? Duas pessoas que combinam, ainda que divirjam em determinados pontos não irão ver na troca de opiniões que consubstancia os diálogos algo a ser temido, afinal conversando se entendem, o contrário é o que pensa aquelas pessoas que não combinam entre si ou que não tem paciência e capacidade de respeitar ao outro, para quem, enfim, cada diálogo implica em uma briga.
É por isso que a gente segue a vida e aprende que relações harmoniosas e que possivelmente durarão anos sem que haja brigas e discussões hediondas entre o casal (e consequentemente desgaste do amor e sentimentos) não carecem de demasiado desperdício de energia em prol dela. Elas fluem e seguem seu ritmo como um coração saudável quando bate: Não é preciso intervenção médica, não há crises arrítmicas ou nada que o abale.
Relações quando nascem para dar certo não tem o clima pesado por brigas ou diálogos desrespeitosos. São serenas, brandas, apesar do fogo da paixão. Não existe doença nelas que façam com que “tudo” tenha que ser feito para salva-las. Relações em que é preciso “toda” dedicação para que dêem certo nascem como uma criança que vem ao mundo com uma moléstia grave e letal: Cedo ou tarde sua existência finda por mais esforço que seja feito em prol dela.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 21 de março de 2010.

Separação

Separação

A gente sabe que qualquer rompimento é frustrante, em especial porque além de duas pessoas um relacionamento é composto de expectativas, de sonhos, de desejos e são esses que, quando um casal se separa, terminam nos soterrando.
Deixar o outro é fácil quando o amor se esvai, quando o amor foge pela janela após o desrespeito e a desconsideração entrarem pela porta principal. Difícil, na verdade é visualizar uma vida sem aqueles detalhes com os quais nos acostumamos, difícil é fazer novos planos quando os antigos abrem o chão a nossos pés e a frustração nos soterra.
É preciso força, altruísmo e amor próprio para catar os pedaços de nosso coração que foi devastado por uma série de decepções. Todavia, existe vida após a separação, após um divórcio, vida que se fosse novela global certamente seria reconstruída ao som de “Começar de Novo” do Ivan Lins.
Começar de novo realmente vale a pena. Fazer novos sonhos e enterrar os velhos custa alguma dor, mas é dela que aferimos sapiência para reconstruir uma vida mais madura, com arestas bem aparadas e com novas metas e desejos.
Independente da fase da vida em que a separação ocorre, independente da idade do relacionamento, a dor não muda muito. Aliás, a frustração equipara as pessoas e suas relações apesar das peculiaridades de cada uma, mas é essa mesma dor que recompõe novos sonhos, novas metas, é essa dor que constrói uma pessoa mais madura e forte para recomeçar a vida sem alguém ao lado, mas muito mais dono de si e forte interiormente.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 21 de março de 2010.

Desculpas vãs.

Desculpas Vãs

Se eu pudesse dar um conselho para os mais jovens, ou, ao menos, para os mais inexperientes no quesito “relações afetivas” e se conselhos fossem bons (é eu sei, se fossem seriam vendidos) eu diria para nunca acreditarem em quem lhes diz, ou melhor, em quem lhes promete que vai “mudar”.
As aspas se justificam, primeiramente porque pessoas que são boas para você só irão mudar, ou melhor, irão amadurecer porque a tendência da vida é essa. Ou seja, essas pessoas irão mudar por elas mesmas e não por você ou por quaisquer sentimentos que digam sentir por outra pessoa.
Em segundo lugar esta o fato de que a pessoa que lhe faz bem, que lhe faz feliz o fará sendo quem é e não precisará prometer mudança para que possa vir a ser um bem em sua vida. Pessoas que lhe fazem feliz não precisarão prometer nada, você se sentirá bem sendo quem é e estando com aquele alguém sendo ele mesmo da forma mais transparente possível.
Ademais, quem lhe faz bem, quem lhe respeita como você é, jamais irá lhe magoar profundamente a ponto de precisar pedir escusas por algum ato. Quem lhe admira e estima não vai fazer nada para lhe ferir, pelo contrário, vai se preocupar com seu bem estar e alegria, jamais vai desejar ver uma lágrima correndo pelo seu rosto e vai evitar ao máximo ser seu causador e, mais ainda, jamais vai ousar lhe fazer sofrer.
Ouso, pois aconselhar: Não siga em relacionamentos em que a outra pessoa precisa se desculpar. Não siga em relacionamentos em que o outro precise prometer que vai mudar. Pessoas que valem a pena jamais farão algo para você do qual terão que pedir desculpas, pessoas que valem a pena ter por perto jamais precisarão mandar rosas pedindo desculpas ou chegar ao extremo da humilhação para te reconquistar. Pessoas que lhe estimam não vão explodir com você, vão lhe preservar em nome do sentimento que sentem e saberão resolver seus problemas no momento oportuno e com quem devem, ademais, quem explode é bomba: Fuja se isso acontecer.
Vire as costas, siga adiante, sofra cedo e não em dobro posteriormente por quem lhe magoa e promete não faze-lo. A vida ensina que essas promessas são tão vãs e vazias quando aquele que lhe fere, lhe machuca e não tem vergonha para pedir desculpas por atos que pessoas que valem a pena ter por perto jamais fariam.

Cláudia de Marchi

Terra do Nunca, 21 de março de 2010.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Eu vivi.

Eu vivi.
Fazia algum tempo que eu não ouvia as pessoas. Não ouvi os nobres conselhos da minha mãe, não ouvi meus conhecidos e as pessoas que me queriam bem, não ouvi meu pai e o que é pior: Não ouvi minha consciência, que é Deus falando dentro de mim.
Não em vão dos 26 anos completos aos 27 anos incompletos, ou seja, em menos de 12 meses eu capotei um carro numa estrada perigosíssima após sair de uma curva a 130 Km/h, deixei minha cidade e minha quota parte num escritório de advocacia famoso para mudar de município, casei e separei passando por decepções e dores imensas. O que eu quero dizer com isso? Se a gente deve ou não ouvir os outros (?). Não sei. Apesar de tudo continuo sem saber, afinal existem pessoas de alma imprudente como a minha, que precisam sofrer na pele e ter certeza de tudo que pensam para então tomarem suas decisões.
A vida é um lindo campo aberto para quem quer gozá-la, para quem tem sede de viver e não cruza os braços diante dela. A gente escolhe as flores que vamos plantar, e das colhidas, além do aroma poderemos sentir os espinhos, por isso devemos selecionar bem aquelas que vamos colocar em nosso jardim.
Eu saí viva debaixo de um carro que saiu de uma curva capotando morro acima. Eu tive a sorte de olhar para meu lado esquerdo e poder ver um carro destruído com as rodas para cima sem ninguém mais ter se ferido. Eu tive a benção de sentir o corpo doído ao ficar apenas oito horas em observação numa maca de hospital sem ter um arranhão no corpo. Eu consegui sair de uma separação tardia de um matrimônio precoce catando os pedaços estraçalhados de meu coração explodido pelo ódio (de mim mesma) que minha razão detonou. Consegui sair ilesa, sozinha e sem rebentos, recuperando a custa de dor o meu amor pela vida e por mim mesma. Consegui superar a culpa e o arrependimento pelas escolhas feitas. Voltei a me amar, a amar a advocacia, a leitura, a arte da escrita e tudo que sempre teve valor para mim e passa longe de contas bancárias.
Eu consegui sair da pior fase de minha vida sorrindo e tranqüila por ter feito o bem que eu podia, embora saiba que tenha magoado muitas pessoas por não tê-las ouvido. E você, vai arriscar não ouvir o que a vida tem a lhe dizer? Ou vai seguir o seu coração tapando a voz de sua consciência? Será que você vai sentir dor ao sair debaixo do carro ou será que não sentirá mais nada, nem mesmo sua própria respiração?
Não sei. Se a gente soubesse ontem o que a gente sabe hoje talvez não sofresse tanto. Mas e se não sofresse, será que saberia? Talvez o bom seja experimentar. Viver para saber. Sentir na pele. Talvez o melhor seja ser prudente e se conter. Ouvir a razão, mas, e a intuição? Quando a gente fecha os ouvidos não ouvimos nem nossa própria alma, nem nossa intuição, nem nossa razão, nem Deus, nem ninguém.
É. Eu acho que o melhor mesmo é ser razoável. É não perder-se de si mesmo, porque a gente só deixa de ouvir demais quando a gente vai se afastando de nossa própria essência. Eu dizia isso há um ano. Eu dizia isso há dois anos. Mas agora eu sei. Eu mudei e me reencontrei. Hoje sou a pessoa que eu queria ser nesse período atrás, mas que não podia ser. Hoje eu sei: Eu vivi, eu sofri.
Cláudia de Marchi
Terra do Nunca, 12 de março de 2010.

terça-feira, 2 de março de 2010

Atitudes inexplicáveis



Atitudes inexplicáveis

Porque as pessoas desperdiçam seu tempo tentando entender o porquê das atitudes alheias? Não existem atitudes inexplicáveis, existe isto sim, atitudes não compreendidas. Porque compreender o outro requer uma compaixão extrema que até mesmo pessoas íntimas não conseguem ter.
Não existem justificativas plausíveis ou “contentáveis” para inúmeros atos, todavia analisando a alma do homem, sua educação, sua forma de agir e reagir perante a vida, seus valores, seus princípios, sua moral e sua auto estima, ao menos se consegue vislumbrar uma razão para determinado ato.
Pobre do homem que tenta achar explicação para atos de grande complexidade. Este é um bom caminho para a insanidade. É através do coração que conseguimos compreender muita coisa, e, não custa lembrar que assim como ele abriga o amor e a estima, ele pode abrigar o ódio e o desprezo.
Sentimentos vis? Sim, todos nós temos. Assim como todos gostamos de ser bem tratados, respeitados, acarinhados, valorizados, somos capazes de ter raiva, asco e desprezo quando maltratados somos. Existem explicações para muitas coisas, todavia, para algumas, apenas o seu autor sabe expressar e certamente não o faz pela certeza de que não será realmente compreendido.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de março de 2010.

Aborígines



Aborígines

Não existem circunstâncias mais patéticas do que a de seres humanos discutindo entre si. Nem macacos fazendo graça conseguem parecer tão tolos e bobos. O homem quando grita para ter razão ou para expor a razão que acha que tem se assemelha a um aborígine acéfalo, se é que algo tão grotesco existe.
O ser humano é racional e deve aprender que assim como ele pode falar, ele também deve ouvir, tudo, claro, dentro do respeito, sem ofender a moral ou os princípios alheios.
Todavia, infelizmente existem homens e mulheres que nasceram para viver na natureza, como animais. Não falo dos naturalistas, longe de mim querer ofende-los vez que a nudez para eles representa expressão de liberdade e respeito ao corpo do outro, mas falo daqueles seres que não conseguem ouvir opinião contrária sem se exaltar, que não aceitam argumentos sem gritar e, por fim, que liquidam com a parcimônia por agirem como animais desprovidos de razão.
Não é necessário ter sangue de barata, mas é preciso saber ouvir antes de gritar e impedir o outro de dizer o que deseja, porque, muita vezes, por uma palavra, uma vida, uma relação ou algo muito valioso pode ser salvo, ainda que seja uma simples amizade.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de março de 2010.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Gentinha



Gentinha

Como tem gentinha nesse mundo que acha que a nação acontece na circunferência pérfida de seu umbigo. Pessoas ciumentas, mal educadas e que, por conseguinte, juntam-se a pessoas iguais a elas, ou, no mínimo as contaminam com seu espírito fétido.
Pessoas que não param para ouvir o outro, seus argumentos e explicações que, talvez, para eles nada signifiquem. mas para quem os diz (ou tenta dizer-lhes) pode aliviar a alma num pedido de desculpas.
E essa gentinha que morta não faz falta vive por ai rindo dos outros, e o que é pior, rindo daqueles pelos quais um dia disseram (ou mentiram?) que tinham bons sentimentos. Ciúme, inveja, raiva e qualquer sentimento colérico aproximam o homem que deveria ser racional, de um animal. De um pobre animal sedento de compaixão e amor.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 19 de fevereiro de 2010.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Repetindo atos.

Repetindo atos.

Quando pensares em unir sua vida a de outra pessoa tente analisar se a forma com que vocês foram educadas se assemelham. A gente se torna o reflexo da educação que tivemos, ainda que a condenemos não iremos fugir de nossas raízes.
Se sua namorada fala que seus pais eram rudes e que gritavam com ela frequentemente ao invés de dialogar, ou seja, que ela foi educada num meio em que o respeito foi substituído pelo temor, lembre-se se na primeira discussão ou diante da primeira adversidade ela não vai erguer o tom de voz e lhe magoar.
Com raríssimas exceções, no que se refere a forma de trato com o outro a gente repete os exemplos que tivemos. Filhos de mães e pais carinhosos e afetuosos, de regra serão assim, filhos de pais brutos, violentos e nervosos, de regra serão assim.
A gente não dá o que não tem, e isso vale para amor, bem como para as noções básicas de respeito e interação com o outro, e, principalmente com o sexo oposto cujo exemplo maior é o de nossos pais verdadeiros, adotivos e avós.
Provavelmente alguns psicólogos saibam disso, talvez muitos discordem, afinal todos sabemos que as pessoas podem ter reações diversas às mesmas situações, todavia não podemos olvidar do que se chama de “na maioria das vezes”. E na maioria das vezes a gente vem a repetir os atos aprendidos e apreendidos no meio em que fomos educados.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 30 de janeiro de 2010.

Voltando a se encontrar.

Voltando a se encontrar.

Depois de algumas experiências no campo de nossa afetividade nossas emoções podem sofrer um certo “estresse” e nos deixar perdidos. Perdidos dentro da gente mesmo, dentro do que a gente quer ou não para nossa vida amorosa.
Todavia, o tempo é e sempre será o senhor da razão e é ele quem nos ensina a ter certeza do que não queremos para nossa vida, de onde podemos tirar a certeza de nossos anseios opostos: O que de fato desejamos.
A partir do momento em que, conhecendo e convivendo com alguém vamos nos desencantando e decepcionando passamos a ter plena certeza do que não gostamos no outro: Sua forma de agir perante subalternos, sua forma de tratar sua família, de portar-se no trabalho, de lhe responder e tratar publicamente, seu caráter, sua desonestidade, sua forma de ser rude ou grosseira.
Daí, com algum sofrimento e mais vivência fizemos o perfil do tipo de pessoa que desejamos atrair, posteriormente para nossa vida: Carinhosa, gentil, ponderada, honesta, educada, afetiva. A vida dá voltas e termina voltando ao mesmo lugar: A gente pode se perder em nossos anseios, mas se eles forem bons podemos ir para longe deles, cedo ou tarde voltamos para eles.
O passado não tem conserto, o que passou serviu para nos ensinar, afinal não fossem os erros do ontem não teríamos as virtudes de hoje. Assim sendo, nos resta viver, sorrir, chorar e levantar sempre de cabeça erguida e com a certeza de que são nossos anseios e convicções que farão o universo nos trazer aquilo que merecemos e a nós se assemelha.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 30 de janeiro de 2010.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cabeça fresca

Cabeça fresca

Você tem medo do que? Dizem que todo mundo tem medo de alguma coisa. De repente seja verdade, ninguém quer perder quem ama, por exemplo, e pode desenvolver um medo disso, todavia todos os medos acentuados são vãos.
Vãos porque a gente só tem medo das coisas antes de elas acontecerem. A gente sofre antecipadamente. No momento em que algo que nos atemorizava acontece nosso cérebro e emoções se focam na resolução da situação a tal ponto que o medo é esquecido.
Talvez eu seja uma insana, ou alguém a quem a vida tornou demasiado objetiva. Não me preocupo na verdade com nenhuma definição acerca de meu caráter do qual a única que sabe realmente o valor que tem sou eu, e não preciso, tampouco desejo provar nada para pessoa alguma, por isso não tenho medo.
Não tenho medo de nada porque eu sei que em qualquer situação, com exceção da morte a vida sempre aponta duas vias para seguirmos, então, porque se preocupar com o final da estrada se as paisagens podem ser mais atraentes? Cabeça fresca é bom na vida e não significa irresponsabilidade, mas auto confiança, sem a qual a vida não tem sentido algum.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 05 de fevereiro de 2010
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domingo, 31 de janeiro de 2010

Temperamento não muda!

Temperamento não muda!

Tem coisas que só a maturidade ensinam. Em especial para os teimosos de boa fé e com o coração cheio de esperanças. Você acha uma que pessoa muda seu temperamento, seu gênio, aquilo que herdou geneticamente e misturado com a educação fez dele a pessoa que é hoje?
Você acua que esta acima de poder divino? Este mesmo poder que à ti falou por bocas terrestres: “Ela não vai mudar, passou meia vida sendo assim. Não muda.” Todavia, você romântica, crente demais nas pessoas continua achando que elas vão mudar e te surpreender positivamente,
Mas chega um dia em que você percebe que é mais fácil ocorrer um terremoto nos pagos gaúchos do que a tua vã esperança se realizar. O temperamento raivoso, descontrolado, que não se coloca no lugar dos outros, que humilha em publico e ofende quem você mais ama, dia ou outro aparece. E mil vezes pior do que era outrora, afinal desta vez tu colocou toda sua energia na crença da evolução alheia!
Daí você se pergunta “porque acreditou nas falácias”, porque cedeu se sua vida estava perfeita. Porque você é teimoso e não conseguiria seguir a diante sem dar o último passo, a última tentativa, ainda que ela possa ter te colocado no inferno da aflição. Teu mérito? Você tentou até o ultimo instante, derramou seu sangue, tentou dialogar, mas de nada adiantou. O que ouviu? Gritos, lamentações “coitadistas”.e blasfêmias.
Teu arrependimento? As pessoas que magoou, a vida que deixou para trás. Porém se é impossível reconquistar aqueles em que criou feridas no coração, é possível seguir a vida adiante com coragem e altruísmo. A vida só termina para quem deixa de viver, enquanto isso, sofrendo ou não sempre haverá uma luz a te iluminar por ter sido justa a perseverante.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 31 de janeiro de 2010.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Da juventude aos 30 anos.

Da juventude aos 30 anos.

Ai a juventude! Ai, ai a juventude ariana! A juventude de sangue quente, do signo de fogo, a juventude que quer o mundo a seus pés, que não admite o fato de que alguns podem lhe desprezar sem motivo aparente, pelo simples fato de que ninguém é obrigado a gostar de ninguém.
Ai, a juventude que quer ser agradada, valorizada, que sabe pouco da vida e do ser humano e exige demais de ambos enquanto possui pouco preparo para encarar os percalços da existência humana, mas que quer tudo do seu jeito, do seu agrado. Ai, ai, ai a juventude mimada!
A juventude que quer garantias de amor, que quer juras de amor, aliança de compromisso, fidelidade a todo custo, que acha que uma aliança de ouro cravejada com brilhantes na mão esquerda garantirá felicidade e harmonia num lar, que fará com que a união e o respeito mútuo façam com que duas vidas se unam para prosperar juntas.
Ai a juventude sonhadora, pouco madura e muito esperançosa. A juventude que desperdiça amores verdadeiros por querer do outro mais do que ele pode dar em dado momento e, principalmente, que deseja respeito às suas limitações, mas tem dificuldade em respeitar o outro e seus bloqueios.
A juventude passa, os 30 anos chegam juntamente com a reflexão sobre o quanto a vida ensina, e sobre quão diferente seria nossa vida se na juventude de nossos vinte e poucos anos soubéssemos o que aprendemos nos quase 30 e poucos ou próximo do rufar dos tambores para nos tornarmos balzaquianos (com louvor!).

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 27 de janeiro de 2010.

A frieza passada.

A frieza passada.

Uma vez me disseram que as pessoas passam pelas nossas vidas deixando um pouco de si e levando um pouco de nós. Certa vez uma pessoa afirmou que me deixou sua frieza, todavia ninguém permanece com defeitos adquiridos enquanto existir a vida para gritar e nos colocar em nosso lugar de errantes que aprendem ou pelo amor ou pela dor a ser gente: Gente com “g” maiúsculo.
A vida nos possibilita aprender pelo amor, ouvindo quem sabe mais dela do que nós. A vida nos possibilita crescer através do exercício da paciência, através da necessidade de concretização do amor, da comunhão de afinidades e não da paixão, mas temos o nosso livre arbítrio e a gente tem nossos “vinte e poucos anos” que não nos dão salvo conduto para errar, mas justificam nossa imaturidade, e, porque não dizer, nossa inocência, porque às vezes acreditamos demais, colocamos fé demais em quem não merece por termos a inocência de que algo pode mudar e de que depois de um forte vínculo deve existir a permanência.
Nada é permanente na vida apenas a sua não permanência: O seu pulsar, a sua cadência, que faz com que em um dia estejamos no céu da ilusão e no outro caíamos no chão frio e duro da realidade nua e crua, sem inocência, sem indulgência para erros injustificáveis. E assim a vida nos trás de volta o calor do coração, a compaixão, ainda que as custas de dor e algum arrependimento.
Arrependimento? Bem, de fato este de nada serve, mas é inevitável que qualquer pessoa que tenha cometido erros na vida às vezes pare para pensar em seus atos e tenha uma vontade de voltar atrás e mudar alguma coisa. Vontade inútil? Sim, e é por isso que nos resta transformar nosso “arrependimento” em aprendizado, nossa inconseqüência e egoísmo em virtude, em compaixão e nossa dor em força e esperança.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Maau, 27 de janeiro de 2010.

A ousadia de ser livre.


A ousadia de ser livre.

Você se importa com o que as pessoas pensam ou dizem a seu respeito? Sim!? Lamento, então você é tão miserável quanto aqueles que, ao invés de cuidarem de seus telhados de vidro jogam pedras no telhado alheio. Feliz o homem cuja alma é completamente livre. Apenas estes são os felizardos que podem não ser humanamente superiores aos outros mas possuem a virtude que o melhor qualifica perante a vida: A liberdade e a coragem de ser ele mesmo.
Todos podemos falar demais, ser grosseiros ou rudes. Nos dias de hoje em que pais se separam por motivos frívolos, em que o amor foi trocado pela ambição e em que as virtudes da alma foram substituídas pelas benesses bancárias todos podemos ter um dia de fúria, ou vários dependendendo do que nos aflige. Por outro lado, todos temos o direito de fazer dengo, de acarinharmos quem amamos em público ou entre quatro paredes, de manha, de tarde ou à noite.
O interessante é ser livre na alma e, assim dar de ombros para os olhares de critica ou deboche dos pobres coitados que se julgam acima do bem e do mal a ponto de desperdiçarem seus momentos falando da vida alheia como se fossem deuses ou, o que é pior, como se soubessem o que se passa nos corações alheios. Ninguém sabe realmente sobre o que se ocorre com o outro, ao menos que seja seu intimo. Ninguém sabe o que se passa entre as quatro paredes da vida alheia menos ainda o que ocorre dentro do coração do outro, desconhecendo as preocupações, os problemas e mágoas que atormentam a outrem criticar e julga-los é um ato vil de pessoas ignorantes e infelizes, pois, do contrário se resignariam a bem viver suas próprias vidas.
Feliz do homem livre cujas opiniões alheias e seu julgamento em nada lhe afetam e não lhe importam. Viver bem e construir uma vida formada mais de momentos felizes e de paz requer que o homem ouse ser ele mesmo, apesar dos pesares, e aja da forma que lhe aprouve no momento em que deseja ignorando os olhares e o julgamento alheio. Ser feliz e viver uma vida plena é mérito do homem que não precisa se esconder para chorar e nem mascarar as razões que lhe fazem sorrir.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 27 de janeiro de 2010.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Para quem não se estende a mão.

Para quem não se estende a mão.

Não ouse ajudar quem se acha auto suficiente demais. Não ouse estender a mão para quem é demasiado perfeccionista, porque se uma pessoa não acha ideal o que ela mesma faz e se exige em demasia jjamais vai conseguir achar qualidade no trabalho alheio.
E, principalmente não tende achar que é “nosso” aquilo que o outro faz questão de dizer que é “seu”. “Aqui éo meu lugar”, “este é o meu escritório”. Não desperdice seu tempo e sua energia achando que aquilo que é do outro pode ser de ambos.
Se a casa é dela, o escritório é dela e se ela faz questão de dizer que tudo que esta ao seu redor é dela ou você se adequa e passa a ser mais um objeto dela, ou tenta achar uma saída para resgatar sua própria vida ainda que isso custe algum sofrimento.
O amor e a união entre um casal para dar certo nasce do compartilhamento de idéias: São as “nossas idéias”, os “nossos planos”, os “nossos sonhos”, o “nosso empreendimento”, a “nossa casa, o nosso lar”. Se alguém faz questão de jogar na cara do outro que isso ou aquilo é obra exclusivamente sua essa pessoa esta longe de estar preparada para viver um amor, para fazer alguém feliz numa união, num casamento, por exemplo.
A gente não deixa de ser a gente mesmo quando ama, mas a gente acrescenta metas, sonhos, desejos e até mesmo problemas aos nossos. Temos que ouvir, interagir e jamais desrespeitar o outro achando que ele é subalterno nosso apenas porque tenta nos ajudar. Subalterno é empregado, parceiro é companheiro, e a quem amamos a gente não pisa, pelo contrário a gente eleva. Tudo isso a gente aprende com a vida, pelo amor ou pela dor, o que importa é aprender e ficar forte.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 22 de janeiro de 2010.

Como são.

Como são.

Você acredita que as pessoas podem mudar. Você acredita que a pessoa insensível, materialista e fria vai se tornar carinhosa, atenciosa e sensível aos problemas e dores alheios. Você acredita porque o outro diz que vai mudar, e você acha que a palavra do outro é uma garantia. Se as palavras daquele que diz que vai mudar devessem ser acreditadas ele não precisaria de mudanças e, tampouco, as prometeria.
Me recordo de um conhecido que afirmava que "o que é bom nasce feito", hoje tenho certeza que ele tinha razão.
As pessoas são o que são, a tendência é a evolução, a melhora, mas não a transformação. Não somos larvas que podem se transformar em borboletas, podemos purificar um pouco nossa alma, aprendermos a ser mais pacientes, mais racionais, mas jamais vamos transformar nosso temperamento nem que façamos juras e promessas: Nossa essência, nosso gênio é praticamente imutável.
Todavia nesse instante milhares de pessoas estão sujeitando suas vidas a mudanças profundas na crença de que alguém vai mudar radicalmente e assim terão vidas mais harmoniosas entre si e conseguirão viver bem, em paz e com alegria. Em matéria de relacionamentos ou você ama e aceita o outro sem querer que ele mude seu gênio, sua forma de ser ou então você se prepara para chorar rios de lágrimas porque cedo ou tarde você irá perceber que seu desejo foi auto ilusório. Ninguém muda por ninguém, não no que diz respeito a gênio, a personalidade.
A vida não nos serve pessoas a la carte: "Eu quero um filé, bem temperado, com uma salada suave e sem batata frita". As pessoas chegam, ficam ou partem de nossas vidas como elas são com aquilo que envolve sua cultura, criação, educação e, obviamente, gênio e temperamento, estes dois porém são impossíveis de mudar de ruim para bom e vice versa.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 22 de janeiro de 2010.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Respeito

Respeito

Não basta apenas amar, querer bem ou admirar o outro, sentimentos internalizados existem apenas para quem os sente, e do que importa você saber de seus doces sentimentos se o outro que precisa deles para nutrir-se e animar-se não os ouve?
Desça do pedestal, tire seu coração da posição de pico do universo, dê mais carinho, dê mais amor, através da única forma real e divinamente humana de expressá-lo: Respeitando ao outro. Respeitando suas fraquezas, suas limitações e valorizando o seu lado bom, digno e cheio de brio.
Saiba que existem momentos certos para falar tudo, menos para dizer que se ama, um “eu te amo” cai bem na fila do restaurante, no “cachorrão” da esquina, no carro, na cama, cortando a unha do pé. Os “eu te amo” nunca são demais, ser gentil, carinhoso e cordial nunca é exagero, ao menos quando as virtudes não são forjadas, é claro.
Por outro lado existem coisas que, mesmo sendo verdadeiras jamais devem ser ditas, pela questão do respeito. Sinceridade é uma coisa, ser sincero é ser educado, ser bruto com as palavras é coisa de aborígine.Venho falar em prol do carinho, do amor e sua melhor forma de manifestação que se chama respeito: Não quer que teu marido grite ou te repreenda em público? Não faça o mesmo com ela, não quer ser chamado de “corno” não traia, jogue limpo! Não quer que seu filho lhe dê de ombros e vire as costas, o escute e não faça o mesmo quando ele quer lhe mostrar o lindo desenho que fez na escola. Esse é o segredo para uma sociedade harmônica.
Eu te respeito, te adoro, te admiro, te amo, e manifesto isso. Às vezes você pode me irritar, me causar raiva, mas se eu pensar 10 vezes deixarei de dizer algo que lhe trará, no mínimo 10 dias de péssimas energias na sua vida, e talvez gere menos de 10 mil lágrimas nos seus olhos. Respeito, vamos passar adiante no ano que se inicia.

Cláudia de Marchi Pagnussat.

Marau, 30 de dezembro de 2009.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Conhecer e respeitar ao outro.

Conhecer e respeitar ao outro.

Quando eu era criança sempre ouvia minha avó dizer para minhas tias e para minha própria mãe: “A mulher precisa conhecer o homem que tem.” Minha avó que hoje tem 84 anos não estava desprovida de razão, todavia apenas a mulher não deve conhecer o marido que tem, ele também precisa conhecer sua esposa.
Mas, o que afinal ela queria dizer com “conhecer”? Conhecer significa saber o gênio e o temperamento do outro, o que lhe dá ojeriza, o que lhe agrada, o que lhe deprime, o que lhe exalta o ânimo, o que lhe irrita, o que lhe da paz. Para tanto é preciso saber usar muito bem a mente, e obviamente a língua.
Todavia, quem disse que apenas a mulher deve conhecer o seu parceiro? Conhecer o outro e, principalmente respeita-lo é mais do que uma obrigação é uma premissa básica em qualquer relacionamento. Se você sabe que seu marido não gosta de ser tratado com frieza ou repreendido em público (aliás, dou um anel de brilhantes para quem gostar disso), por que o fazes?
Precisamos conhecer nossos parceiros e respeitar seu gênio, sua sensibilidade, sua forma de ser e de sentir a vida e seus acontecimentos, sua forma de interpretar palavras, gestos e atitudes.
Cometer uma gafe e magoar o outro por fazer ou falar algo que lhe desagrada é perdoável, mas repetir freqüentemente a mesma conduta, humilhando e ferindo o outro é um passo para o desamor e para que nasça o caos ao invés da alegria e comunhão no relacionamento. O respeito é, pois irmão siamês do amor.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 23 de dezembro de 2009.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Gente mal humorada.

Gente mal humorada.

A cada ano que passa a vida da gente fica mais corrida: Aumentam as responsabilidades, a busca por uma remuneração justa e condizente com nosso esforço, a superação de fatos insolúveis que nos causam pesar, as mudanças em nossa vida que, ainda que sejam para melhor, nos causam um certo abatimento emocional, enfim, chega ao final de mais um ano e nossa tolerância baixa, enquanto aumenta nossa esperança. Esperança de que no próximo ano tudo se alivie, embora, para mim tudo se alivia num gostoso banho de mar, mas, enquanto não chega o veraneio o solzinho regenera minhas energias.
Creio que não seja eu apenas, mas falo por mim: Gente mal humorada é terrível Faz de uma gota d´água uma enchente, de um comentário uma ofensa, busca (ainda que sem querer) motivos para discutir, pois qualquer mísero fato é motivo para alterar o tom de voz com o outro. Se Friedrich Nietzsche afirmou que gargalhar assemelha os homens a animais relinchando, uma pessoa que altera o tom de voz reclamando e se queixando de algo fica parecendo não apenas um bicho, mas um sujeito abominável, desses demônios que a gente vê em filmes no melhor estilo do clássico "O Exorcista".
A questão é a seguinte: Ergueu a voz, perdeu a razão. O tom de voz alto, a reclamação de um feito na frente de outros humilha e maltrata, é desumano, é um ato vil e desprovido de compaixão, afinal, quem quer ser vítima da ira alheia em público? Qual o empregado ou colega de trabalho deseja ser xingado em público? Qual o marido que gosta de ser repreendido pela esposa na frente de outras pessoas? Provavelmente ninguém, ao menos que exista algum masoquista por ai.
Bem ou mal, todas as pessoas agem tentando acertar e não é com gritos humilhantes que elas irão aprender alguma coisa, pelo contrário, isso só leva ao desamor, ao acúmulo de mágoas que arrasa com qualquer sentimento. Ter paciência é fundamental, paciência com todos. Não existem justificativas para o mau humor. Não dormiu de noite, esta cansado, não relaxou à noite? Azar, durma de dia e deixe os outros trabalharem em paz. Esta com dor de cabeça, dor na perna, dor no joelho, dor na alma? O problema é seu e nenhum ser humano no mundo é obrigado a enfrentar sua ranzinice sem que tenha lhe dado causa.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 22 de dezembro de 2009.

Intrigas no trabalho.

Intrigas no trabalho.

Tem gente por ai que não consegue se mostrar bem, que não consegue demonstrar que é bom, pelo simples fato de sê-lo, e vive tentando diminuir, tripudiar e criticar os outros como se esses fossem degraus de uma escada que lhes levam a um novo “status” social.
É por isso que o mundo é cheio de traições, lidando com seres humanos numa empresa a gente começa a perceber os artifícios dos quais os intelectualmente menos privilegiados fazem uso para “parecerem” bem aos olhos do “patrão”.
Mas apenas pessoas muito pouco experientes, muito tolas não percebem que a inveja reina entre pessoas que estão próximas no local de trabalho. A faxineira nunca terá inveja da executiva presidente de uma companhia, todavia entre ela e suas colegas, entre ela e a cozinheira, existirão muitos “tititis”.
É entre os colegas de trabalho que mais convivem que a inveja aparece solta: Na primeira oportunidade um chega até o chefe jogando pedra no telhado alheio. Pode sua função ser mal e parcamente cumprida, para ele o fato é que o outro “vive dando mancadas”.
O ser humano é cômico. Analisar o homem e suas fraquezas, seus artifícios vis e tolos de se mostrar melhor do que o outro faz até um infante dar risada. Se cada um cuidasse do seu papel, se esforçasse para ser o melhor que pode ser, ao invés de intrigas tragicômicas teríamos trabalhadores mais produtivos e, quiçá, mais bem remunerados e valorizados. Deixemos as fofoquinhas e as intrigas para as crianças que, se educadas por pais de bom caráter certamente deixarão esses atos no seu passado.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 21 de novembro de 2009.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

2009:Perdas e ganhos.


2009: Perdas e ganhos.

Chega ao final o ano de 2009. Ano maravilhoso, cheio de surpresas, de boas novas, de mudanças, mas também cheio de riscos superados, de perdas, de partidas, de risos e de lágrimas.
Ano em que começamos trilhando uma estrada e, de repente mudamos de rumo. Ano em que rompemos laços fortes, mas tornamos real e verdadeiro em nossa vida o significado da palavra amor, liberdade e coragem.
Ano em que pais sofreram a maior de todas as dores: A de enterrar um filho. Ano em que filhos sentiram o maior vazio que o coração pode sentir: O de perder sua mãe. Ano em que muita gente perdeu o chão, mas ao mesmo tempo ganhou o céu caracterizado como aquele “um pouco a mais” de fé, de sapiência e esperança que brota no coração de todos que crêem que existe algo além de nosso arbítrio regendo nossa vida.
Todavia, 2009 não se encerra com missões cumpridas, não para os que estão vivos para começar 2010 com dez mil sonhos para realizar. A missão da gente não termina porque estamos educando bem nossos filhos, porque nosso saldo bancário esta positivo, porque demos apoio para quem necessita, porque nosso casamento esta cheio em alegria.
A missão do homem começa com a dádiva da vida e finda, apenas com o descanso (misterioso) chamado morte, e entre um e outro as perdas e os ganhos são inúmeros, basta estar atento, afinal, não existe escolha sem renúncia, nem perda sem algum ganho, ainda que seja de maturidade e sabedoria, atributos que constroem uma alma forte.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 12 de dezembro de 2009.

In memoriam Maria da Graça Marcondes Dal Piva, minha prima adorada. Força Roberta, Renata, Rafael e Olvide, a missão de vocês continua. Força sempre!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

As manipuladoras e o casamento.


As manipuladoras e o casamento.

Voltei à fase de leitora contumaz apesar de conviver 24 horas por dia com meu marido, nos momentos de folga (quando estou na bicicleta ergométrica, sozinha na banheira, ou quando ele viaja) puxo um livrinho para me fazer companhia.
Adquiri várias obras do Osho, e outras mais complexas, todavia uma aquisição da qual não me arrependo de ter feito é o livro “Porque os homens se casam com as manipuladoras”, não porque tenha gostado do que li, mas pela imensa carga de asneiras que a autora trás em seu pseudo manual que se resume em: “Arranje um marido se fazendo”.
Segundo ela as mulheres têm em mente unicamente casar e ter filhos e demonstram isso para os homens, assustando-lhes, obviamente. Então ela resolveu escrever uma obra afirmando que os homens gostam daquelas que lhes manipulam, das que demonstram distância quando querem aproximação, das que dizem não quando querem dizer sim, porque, segundo ela as mulheres devem ser misteriosas para seus pretendentes. (Se essa tese fosse verídica nenhum casamento duraria mais do que 12 meses).
Trata-se de uma espécie de livro de auto-ajuda para casamenteiras desesperadas que afirma que apenas as mulheres que conseguem manter a razão acima da emoção conseguem se casar. Transar num primeiro encontro? Jamais. Enfim, uma série de argumentos que caem por terra quando duas pessoas realmente se apaixonam e são maduras para assumir um relacionamento sério.
Não é preciso maltratar um homem para tê-lo aos seus pés. Na verdade não é preciso conter seus instintos e desejos para fazer um homem se apaixonar pela “manipuladora” que você não é. Aliás, que homem, ou melhor, que pessoa não gosta de um ser independente, dono de si mesmo, meigo e espontâneo? Quem gostaria de se unir a um ser robótico que “armou” circunstâncias para lhe cativar? Todavia, não deixo de recomendar o livro, porque também é preciso ler tolices para se construir boas idéias.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 08 de dezembro de 2009.

O bom da nossa história.

O bom da nossa história.

Como é bom construir uma história, como é bom saber que demos alegria com sinceridade, que transmitimos força para quem estimamos no momento em que ele precisava, que demos amor e carinho para quem nos deu amor e o prazer de sua companhia. Nossa história pode não ser inserida em livro algum, mas não por isso deixa de ser especial.
Aliás, a nossa história é especial porque é nossa, porque nenhuma outra pessoa no mundo sentiu o prazer que sentimos, ninguém se entregou como nós a um momento extraordinário, ninguém se doou, ninguém se frustrou e sentiu dor como nós, ninguém viveu o que vivemos sejam os mais nobres sentimentos que sentimos, sejam os mais dolorosos.
Cada um constrói a sua história, e assim como refletimos sobre a nossa história de vida às vezes podemos nos dar ao vão trabalho de pensar e julgar a história de quem passou por nós. Todavia, se é verdade que só nós sabemos o que de fato sentimos, é, também verdade que apenas o outro sabe o que de fato se passou em sua mente, em seu coração, e o porque agiu desta ou daquela maneira.
Sei que é bom ter vivido bons momentos na vida. Ter sido julgada como mocinha, como vilã, como leal, como vingativa, mas, principalmente, ter sido o melhor que eu poderia no momento em que vivia, que, apesar dos pesares, sempre foram inquinados de grande ingenuidade. É bom saber que no final de cada ano tenho uma gavetinha cheia de aprendizado guardada no mais profundo de meu coração. Sempre tem algo do qual nos orgulhamos, algo do qual podemos nos arrepender, mas o bom é saber que no final podemos brindar por termos sido sinceros e feito o bem para quem nos cerca, e caso tenhamos magoado alguém, que tenha sido sem querer como aconteceu com aquela taça cristal linda que quebramos na ânsia pela festa.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 04 de dezembro de 2009.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A confiança na vida.

A confiança na vida.

A vida da gente não se cinge as perdas e ganhos que nela obtemos, afinal, sempre que perdemos alguma coisa, acabamos ganhando outra, mesmo que não seja aquilo que desejávamos. Conseguimos, pois descobrir novas paisagens, novos caminhos e, enfim, aprendemos uma nova forma de ver o mundo.
Não resta mais nada para quem quer ser feliz do que ter esperança, fé e confiança em si mesmo. Confiança de que, apesar do lago de lágrimas quentes derramadas, existe um oceano de felicidade lhe cobrando um belo e refrescante mergulho.Todavia, queiramos ou não, para cada escolha existem renúncias. E se você tivesse optado por medicina e não odontologia? E se tivesse deixado teu namoradinho de 15 anos para ir estudar inglês em Londres? E se você, cansada, dispensasse o companheiro preguiçoso? E se tivesse optado por casar com aquela outra que era apaixonada por você?
Poderia, certamente ter dado outro rumo a sua vida, afinal ela é construída por nossas escolhas, mas opções são pessoais e nenhuma pode ser considerada errada. Ninguém opta por este ou por aquele caminho pensando em ser frustrado ou infeliz, e é ai que entra o orgulho pessoal: Porque chorar, e lamentar se você tomou as decisões que acreditava serem certas? Se as escolheu de coração aberto?
Não falo daquele orgulho ligado à empáfia e a arrogância, mas orgulho do que se viveu, do que se foi na vida, do sincero amor dado e recebido, das boas marcas que deixou na vida de muitas pessoas, e pelo perdão dado à quem magoou. Orgulho de ter vivido sendo bondoso é algo que nem a morte apagará.
Portanto nunca paute sua auto estima em sua beleza, em seu belo corpo, em seu sucesso profissional e no dinheiro que afere. Tudo isso pode passar, pode mudar, pode sumir, pode te ser tirado de um instante para o outro, mas a alegria de viver e compreender a vida sem lamentos e auto piedade não podem ser destruídos nunca e fazem de seus donos pessoas de alma forte, apesar de sensível.

Cláudia de Marchi Pagnussat

Marau, 30 de novembro de 2009.