Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A esperança da mudança alheia.

A esperança da mudança alheia.

Como advogada ouço coisas assustadoras. Não falo de confissões de crimes, falo de pessoas, mulheres ou homens, que falam que passaram 26 anos casados com alguém que lhes tratava mal, com quem conversavam, tentavam deixar, mas, ouvindo promessas de mudanças davam chances: uma, duas, três, inúmeras chances, pensando que o outro mudaria. Falo de uma mulher jovem, que agindo em legítima defesa matou o marido que lhe batia: "Eu deixava dele, ele dizia que ia mudar e eu voltava".
Afirmativas assim, carregadas da mais triste das frustrações mechem com meus nervos. Até que ponto o amor perdoa? Até que ponto alguém pode mudar? Até que ponto uma pessoa consegue persuadir a outra em relação a sua mudança, e, porque e por quem, afinal, alguém pode mudar? São afirmativas de resposta difíceis, cujo sentido desconheço.
Segundo opinião de boa parte das pessoas que conheço ninguém muda. Segundo minhas concepções todos podem mudar, estamos na vida para aprender e melhorar, ou seja, sermos amanha um pouco mais, um pouco melhores do que somos hoje, logo, de uma forma ou de outra, a vida incita a mudança. A questão é o que pode motivar alguém a mudar, e quem é, de fato este alguém.
Pessoas de alma dura, de espírito empedernido (e existem várias), usam a afirmativa de que irão mudar para persuadir os outros. Eles mesmos não reconhecem seus defeitos, não conseguem se auto-perceber, logo, jamais conseguirão mudar de verdade sem tomarem consciência de si mesmos e de suas fraquezas. Pelo contrário, existem os que aprendem com a vida, seja através do amor, seja através da dor, estes, quiçá mereçam votos de confiança, e quiçá, também jamais precisem pedi-lo, porque mudam por si mesmos, sem que ninguém precise lhes pedir.
Mudar por alguém? Não sei se é necessário ou possível. A grande maioria das pessoas precisa mudar por ela mesma, por perceber que suas escolhas não estão lhe levando a um bom rumo, não estão lhe fazendo feliz. O homem muda, realmente, quando aprende algo que ainda não havia aprendido. Assim, a mudança será por ele mesmo, pelo seu próprio bem, todavia, tal crescimento é privilégio dos humildes de espírito e que possuem amor no coração. De outra forma, qualquer esperança de mudança por parte de quem é duro, implica em perda de tempo e aumento de sofrimento daquele que, triste, espera alguma mudança do outro.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo/RS, 20 de outubro de 2008.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Ciúmes e desconfiança

Ciúmes e desconfiança

Tão necessária quanto a coragem e a perseverança para o homem enfrentar a vida, é a confiança para o homem viver um amor. Nenhuma relação se mantém sem que exista confiança entre o casal.
As pessoas confundem ciúmes com desconfiança. Todo desconfiado sente ciúme, mas nem toda "ceninha" de ciúmes é inquinada por desconfiança. Um pouco de ciúmes, é normal, todo ser que ama sente um pouquinho, que pode ser um tanto saudável.
O problema não é o ciúme eventual, mas sim as atitudes de quem diz que ama, mas não confia no outro. Não confia nas amizades que o outro tem, na postura profissional do outro, nas afirmativas que ele faz de onde esta, esteve, foi, com quem esta ou esteve, e sobre o que faz ou fez em determinado período.
A desconfiança é uma praga que mata o amor, ou, ao menos, que torna o convívio insuportável, a relação caótica, catastrófica. A desconfiança ofende, magoa, avilta a alma, fere o coração, os sentimentos, o equilíbrio mais de quem é vitima do que de quem a sente. Relação sem respeito não se mantém, e a desconfiança é o mais sérios dos desrespeitos dentro de uma relação.
Quem desconfia inferniza a própria vida e a do outro, não tem paz, tranqüilidade e faz da relação um berço de desarmonia, demonstrando falta de confiança e apreço, primeiramente, por si mesmo. A confiança é uma prova de amor, acreditar no outro, em suas palavras, gestos e afirmações são demonstrações de carinho inestimáveis.
Ciúmes? Aquela sensação ruim de ver o amado conversando com outra, falando bem de ex-namorada ou admirando a conhecida bonitona é normal, mas daí a desconfiar do que ele afirma pela sua forma, quiçá inocente de agir, questionar, enfim, sua lealdade é algo ofensivo e desrespeitoso.
Um pouquinho de ciúme é perdoável, aceitável em certa medida, desde que no final prevaleça a confiança. Na verdade a confiança deve basear a relação, é ela que sustenta o amor. Onde reina a desconfiança o amor esmorece, e nasce o desgosto.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 20 de outubro de 2008
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Perigosa diferença

Perigosa diferença

As pessoas se acostumam com a vida que levam, e, muitas vezes, se bitolam no hábito sem saírem dele, sem conseguirem mudar a forma de ver a vida, enfim. Afinal, a forma com que o homem vive reflete seus pensamentos sobre o mundo, sobre o que é felicidade e sobre o que pensa e deseja da vida. A maioria das pessoas, depois de certo tempo, vive pelo hábito, e com base nele.
Depois de acostumar a ser só, por exemplo, nem o homem, nem a mulher, consegue visualizar a constituição de uma família, não assimila o conceito de ser pai, de ser mãe, de gerir afetiva ou financeiramente um lar. Se acostumou a levar a vida com extrema liberdade, a fazer tudo na hora que quer, nos dias que quer e com quem deseja? Provavelmente vai passar a vida sem se acostumar a viver de forma diferente.
"Ah, mas a pessoa pode mudar". Claro, até mesmo criminosos contumazes podem mudar. Desde que queiram, desde que reconheçam que estão levando um estilo de vida que os distancia de certos valores e sentimentos, ou em desacordo com a idade e maturidade que deveriam ter. Mas, cada um tem seu tempo, o que muitos aprendem aos 20, 30 anos, outros irão aprender com 60, e muitos jamais aprenderão. Questão de opção, de livre arbítrio.
Existem pessoas habituadas a viverem sozinhas, outras habituadas a terem parceiros, que gostam de viver a dois, outros que curtem viverem sós, apregoando o valor da "liberdade" e se sentem "presos" na menor ingerência do outro em suas rotinas milimetricamente calculadas, há os que valorizam a companhia de poucos e bons amigos, os que estimam a de muitos, de muitas turmas. Cada um na sua, todavia pessoas com hábitos de viver diferentes não se acertam bem e não conseguem ser felizes juntas porque todo relacionamento requer similitude de pensamento, sonhos, planos e anseios comuns.
Uma pessoa que deseja ter uma família, um lar harmonioso, jamais será feliz com quem quer viver apenas para si, curtindo a vida sempre com liberdade, com companhia do sexo oposto apenas quando deseja, porque as formas de pensar e de ver a vida inerentes ao estilo que a pessoa tem de vive-lá são a base de sua personalidade, demonstram a sua cultura.
Quem quer um lar, uma família, uma união, valoriza princípios que o outro, o "eterno livre" não estima, como parceria, cumplicidade, união e, com ela superação de dificuldades em "a dois", enquanto o outro estima o individualismo, a resolução pessoal de problemas e a "curtição" da vida sozinho, para fazer o que deseja no momento que deseja. Algumas diferenças são superáveis, mas a diferença na forma de ver o mundo e os relacionamentos sem que exista forte vontade de mudança e adaptação é, via de regra, insuperável. Insuportável.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 16 de outubro de 2008
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Amores dominicais

Amores dominicais

Que tipo de relacionamento você deseja? O anseio do ser humano tem muito haver com a fase da vida e de maturidade que ele tem, bem como com o que aprendeu com os relacionamentos vividos.
Tem gente que acha que namorar a distância é uma maravilha: “Não tem brigas, quando o casal se encontra são só bons papos, boas situações”. Tem gente que nem namorar quer: Quer ter todos, sem ser de ninguém, dormir com muitos e acordar sem nenhum.
Questão de personalidade, de sentimentos, de maturidade, de experiência. Por outro lado, tem gente que curte o bom e o mau do relacionamento. Amor só para horas boas é e sempre será uma ilusão, não é a toa que os padres falam: “Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza”.
Logo, namoro de final de semana, namoro a distância, namoro de pouco convívio se baseia em ilusão que termina após alguns meses de convívio direto, em que a gente tem que respeitar o mau humor, a euforia, a tristeza ou qualquer estado de espírito do outro. Não que a gente goste, a gente respeita e o respeito é o maior sinal de amor que existe.
Nada contra namoros à distância, obviamente não. O amor ultrapassa oceanos. Mas, o amor tem que ser apesar da distância e sempre com a vontade de encurtá-la, ela não pode ser pretexto para se evitar o dia-a-dia, mas sim, por coincidência do destino que uniu pessoas de cidades, Estados ou (até mesmo) Países diferentes.
Cada um na sua fase. Tem gente que casa, descasa e nunca mais quer casar. Tem gente que namora e nunca mais quer saber de compromisso. Tem de tudo neste mundo. Pessoalmente acho que o bom é se divertir levando a vida a sério, amando com seriedade, curtindo o amor, curtindo a dor, a fossa, a ressaca, a depre, juntos, respeitando o outro, no dia a dia, nos bons e nos maus momentos, enfim.
As pessoas casam pensando na separação, passaram a acreditar que precisam estar sempre “bem” para manter uma relação. Conheço muitas relações que sobreviveram a crises financeiras, a problemas homéricos, pelo amor, pelo respeito entre o casal, pelo carinho e pela vontade de ambos em ficar junto. Mas, quem casa pensando no fim, tem essa vontade? Duvido.
Amor só pra hora boa? Relacionamento só de final de semana? Amor de “tudo bem, tudo bom”, a gente beija, a gente come, a gente transa, a gente dorme? Isso é bom para os adolescentes, que não deveriam pensar em se casar cedo. Adulto tem que aprender a viver, a conviver com quem ama, nas horas boas, nas horas ruins, porque o amor adulto se prova no dia a dia, não é amor dominical, ou é de verdade e enfrenta as mazelas e as benesses da vida a dois, ou é amor de ilusão.
Dizem que relacionamentos à distância duram mais. Pode ser. Dizem que é maravilhoso curtir somente as horas boas, sem discussão, contas a pagar, comida feita às pressas pra comer. Pode ser, também. Para alguns o que importa é a duração da relação, para outros é sua intensidade. E intenso mesmo é o amor que se concretiza apesar dos pesares da vida a dois, apesar da rotina.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 13 de outubro de 2008.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A perda da Beth

A perda da Beth

Poucas relações são tão puras como a estabelecida entre o homem e o animal. Aquele bichinho que não fala, não diz nada que agrade ou magoe, manifesta no olhar, no gesto, na demonstração de apego ao dono um sentimento que enternece seu coração e alegra sua alma.
O animal não cobra nada, gosta com desprendimento, sem interesses escusos, não julga o dono, não critica, não é estúpido, não xinga quando não deve, não descarrega seus problemas nos outros bichos ou no dono que, pode até fazer isso com ele e será perdoado. Quem já viveu bastante, ou, ao menos, quem teve contato com muitas pessoas aprende a estimar e amar os animais.
Mais amados são os bichinhos que a gente chama de "nossos". Aqueles com os quais conversamos, apertamos, amassamos, damos comida, carinho, e recebemos seus atos irracionais mas de intensa demonstração de apreço em recompensa. Eles não pensam? Não, mas muitas vezes seu instinto é mais benévolo do que o de muita gente que diz que pensa e age como animais, mas não domésticos ou de estimação, e sim como os brutos, os selvagens.
Nunca perdi nenhuma pessoa próxima, mas ontem perdi a Beth, minha gatinha persa que morava há dez meses em Marau. Beth, uma gata linda, calma, que pouco miava, tinha uma boquinha cor de rosa capaz de fazer qualquer gatinho deseja-lá. A "bebê" (era chamada assim por mim e pelo co-dono dela) foi namorar pela primeira vez há poucos dias e estava prenha de um gato persa branco, não tão lindo quanto ela, lógico, afinal donos de bichos os chamam de "filhos" e nenhum filho é tão lindo quanto os da gente.
Uma camionete atropelou ela. O dono do carro estava correndo numa rua onde não poderia andar em alta velocidade, passou por cima, fez de conta que não viu e causou dor a muita gente que amava a Beth e sua meiguice magnífica. Seres humanos são assim: Vêem e fazem de conta que não viram, pisam, maltratam, dão o tapa e escondem a mão, não têm vergonha de errar, mas odeiam assumir os erros, magoam sem piedade e tentam justificar seus atos. A racionalidade é usada para justificar crueldades e imprudência.
Eu perdi uma gata, enquanto mães estão perdendo filhos por atos de pseudoracionais, e isso me faz lastimar mais a morte dela que, certamente, valia, para mim, mais do que muita gente que conheço e que existe por este mundo afora, ferindo os outros, maculando a paz alheia, sendo impiedosa e cruel, dizendo que é gente. "Gente boa", o que é pior.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 10 de outubro de 2008.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Amor e relacionamento

Amor e relacionamento

Certo é que um relacionamento a dois precisa de muito mais do que amor para dar certo. Quem já viveu ou vive com alguém enfrentando os percalços diários sabe que é preciso muito mais do que este nobre sentimento para a relação se manter, ser legal, enfim, fluir bem e não findar rapidamente.
É preciso paciência, é preciso muito e sempre, excessivo respeito, o ato constante de “colocar-se no lugar do outro”, carinho, compreensão, confiança, jogo de cintura, bom humor, e, sempre, a vontade de ficar junto, de fazer dar certo, de enfrentar as adversidades em prol da união, de um futuro legal e ainda mais harmônico com quem se ama.
Por mais certo que seja que um relacionamento precisa de uma série de quesitos além do amor para dar certo, é igualmente certo que sem amor nada flui. Sem amor a gente não tem porque ser paciente, sem amor a gente não tem ânimo para evoluir, para mudar, para perdoar, para tentar novamente, para superar o que é preciso (porque os relacionamentos adultos sempre exigem alguma superação).
Amor a gente não força, no coração a gente não manda. Tem quem privilegie coisas materiais, tem quem force algo em prol de dinheiro e status, existem os interesseiros, infelizmente. Mas pessoas puras querem amar, amar sem porque, amar sem interesse, amar sem justificar, amar por amar.
A gente não escolhe quem vai amar, ou porque vai amar, na verdade a gente pode até tentar justificar porque ama alguém, mas a força inexplicável deste sentimento nos faz gaguejar. Podemos enlouquecer tentando justificar o amor que sentimos por alguém e jamais conseguiremos.
Logo, pode ser que o amor não seja suficiente para manter uma união, ele realmente não é, mas sem ele, não existe sequer motivos para se tentar conviver e ter um relacionamento com alguém. O amor não basta para fazer a relação dar certo, mas sem ele não existe porque existir uma relação, ele não é suficiente para fazer uma união fluir bem, mas sem ele nenhuma união nasce.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 08 de outubro de 2008.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Julgar

Julgar


Julgar é uma tarefa um tanto quanto difícil. Julgar pessoas deveria ser impossível, todavia, embora de fato seja, deveria ser algo impossível de gerar no homem a vontade que ele tanto possui de criticar o outro de forma tão rígida e pouco compreensiva.
Tendemos a julgar os erros e os defeitos alheios com grande rigidez, sem, pois, nos colocarmos no lugar do outro de forma realmente humana, ou seja, percebendo que, como nós, o outro também tem suas fraquezas, suas carências.Toda pessoa tem algo que lhe afeta, que lhe desconcerta. Nem todos reagem da mesma forma diante dos problemas, mas,muitas vezes, mesmo agindo de forma semelhante, todavia cada um com a sua realidade, tendemos a ver no agir do outro maior reprovabilidade e traços criticáveis do que no nosso.
Muitas vezes queremos ou precisamos para nos sentir mais fortes atestar a inferioridade do outro. É uma forma vil de superar frustrações, por exemplo. Vil, muito vil, mas humana. Duvido ser humano neste mundo que numa ou outra situação não tenha superdimensionado os defeitos e fraquezas alheias por desprezo, de forma quase involuntária ou para se auto enaltecer, para se tranqüilizar em relação a alguma decisão, a algum problema.
O tempo passa e a vida ensina, sendo através de nossos próprios problemas, de nossas dificuldades pessoais, através de mea culpa, através da análise de nossa própria vileza, de nossa ira ou revolta com um ou outro motivo que passamos a compreender melhor o outro e a sua revolta, a sua ira e os seus atos vis, que outrora podemos ter criticado. Ou seja, paramos de julgar e analisar o outro na medida em que julgamos e analisamos a nós mesmos.
Ora, mas é errado sentir ódio, nutrir revolta. É errado ter mágoa, é errado renegar pessoas e parentes, é errado isso, é errado aquilo. Pode ser que seja, mas a única pessoa que era extremamente certa para nos dizer o que é certo ou errado (porque acima do erro) morreu crucificada (é o que nos conta a história). Ser humano não justifica ser demasiado errante, mas explica, porque perfeitos, porque ser "acima de qualquer suspeita" ou vileza ninguém é neste mundo.
Pode ser que uma pessoa não cometa estes erros, mas comete aqueles, comete outros. E a vida esta cheia deles: O pecado, o erro, rondam a vida humana, e ser humano que se preze sempre comete um. Os que não cometem e julgam quem os faz, estão, no exato momento em que apontam a falha alheia, errando, por se acharem melhores do que são, melhores do que o outro.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 07 de outubro de 2008.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A opinião de quem nos importa.

A opinião de quem nos importa.

Com quem você se importa na vida? Pode parecer uma pergunta tola, mas é a resposta dada a ela que define nosso bem estar nesta existência. Querer agradar a todos, dar ouvidos as opiniões alheias, se incomodar com as idéias que as demais pessoas possuem e o que falam da gente pode ser nosso maior erro,do contrário, quando ouvimos e nos importamos com quem merece.
Mas, afinal, quem merece que ouçamos suas opiniões e a idéia que faz de nós? Quem, por não possuir nenhuma espécie de interesse nos estima, nos valoriza e nos respeita. O homem também é o que os outros pensam dele. Não podemos fugir desta realidade, afinal tendemos a ser juizes benevolentes conosco, e algozes julgadores da vida alheia, porém, é inegável que existe um pouco de razão no que os outros pensam de nós e que, muitas vezes, olvidamos por orgulho.
A questão é que não podemos nos tornar escravos da opinião alheia, devemos, isto sim, escolher quem tem importância em nossa vida, quem realmente nos ama, se importa conosco para, assim, podermos lhes dar ouvidos e, quiçá, crescer um pouco mais ouvindo opiniões sinceras abstidas de inveja, recalques ou pretensões vãs.
Quanto mais madura é a pessoa menor será o círculo de pessoas com as quais ela realmente se importa e confia na vida.Ora, mas que idéia negativa? Não acho. A vida ensina, e demonstra que ser realista às vezes pode parecer ser negativista, mas não é. Quando jovens temos mil parceiros: Parceiros do clube, da academia, parceiros para sair em baladas have, parceiros para festas mais convencionais, para shopping, para jantas, "grupinhos aqui", "grupinhos acolá", um casinho amoroso em cada ponto da cidade. Amigos de verdade? Estes desde a infância são raros. Amor? Mais raro ainda. Quando imaturos nos importamos um pouco com a opinião de todos, queremos "fazer bonito" com todos os "parceiros".
Com o passar do tempo a gente se torna mais independente, até mesmo as formas de diversão vão sendo melhor selecionadas, mais ainda as parcerias e amizades que passam, então, a ser melhor distinguidas. A gente quer alguns amigos leais (às vezes temos apenas um), um amor pra chamar de nosso, com o tempo, filhos, uma família na qual não seremos mais membros e sim chefes, gestores responsáveis. E é assim que vamos nos importando mais com quem nos ama e com quem amamos. O resto? Se tornam detalhes que, via de regra, adoram criticar, tripudiar e viver como expectadores da vida alheia. Importância dada e merecida por eles? Zero.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de outubro de 2008.

O amor e a conquista

O amor e a conquista

A vida é um desafio e quase todas as pessoas gostam de desafios, se não deles especificamente certo é que para todos maior é a satisfação quanto maior for a superação para te-lá. Todavia, na vida pessoal gostar de riscos, obstáculos, desafios, ter, enfim, o difícil e o imprevisível como apetecível, pode ser perigoso.
Conheço vários homens e mulheres que gostam do que é difícil. Até ai tudo bem, em especial num mundo em que conseguir companhia apenas para momentos de prazer é tão fácil. O problema é que se essa tendência for séria, a pessoa se esforça, conquista e logo acaba perdendo o amor da pessoa desejada, admita ou não, por sua própria culpa.
No amor todos se tornam óbvios: Quem ama dá carinho, quem ama cuida, quem ama se preocupa, quem ama estende a mão, quem ama zela, quem ama sente um pouco de ciúmes, quem ama, enfim, de uma forma ou outra (mas todas boas) demonstra o seu amor. Sim, e daí? Dai que meus amigos que gostam do "difícil", conquistam o amor de alguém e colocam tudo a perder, porque depois de conquistado e apaixonado, ninguém é difícil ou demasiado complicado, então eles passam a não dar a devida atenção àquele cujo coração lutaram para "amolecer".
Eis que, para a conquista se pode até preferir seres de restrito ou difícil acesso, mas o certo é que após ela, qualquer pessoa que ame precisa ser conquistada diariamente com gestos singelos, mas que, no mínimo, demonstrem carinho, afeto, amor. E é nesse quesito que meus amigos que gostam de conquistas difíceis se perdem e acabam sofrendo: Batalham, conquistam e depois perdem o interesse, justo quando o outro se apaixonou. E após a perda o que ocorre? Sofrem, vendo que erraram não valorizando quem lhes dava valor, quando lhes dava.
A maturidade ensina ao homem que o amor é o principal fator de descomplicação da vida. Casais que se amam tentam se entender, dialogar, se ajustar. Da mesma forma, a vida ensina que a gente deve gostar e valorizar quem nos gosta e estima, e que a maior conquista que podemos fazer é cativar diariamente o amor de uma só pessoa quando ela já esta simples e "fácil" por nos querer bem. A conquista frívola de conquistar o encanto de alguém estranho não é difícil, mas conquistar todos os dias alguém que já esta encantado, ou seja, manter uma conquista, é tarefa para pessoas maduras e bem resolvidas. É tarefa para poucos.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de outubro de 2008.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

As escolhas do homem

As escolhas do homem

Quais as diferenças básicas entre uma pessoa madura e uma imatura? As escolhas. Aliás, se conhece a pessoa pelas escolhas que ela faz, pessoas fúteis escolhem a futilidade, pessoas de coragem escolhem os desafios, pessoas covardes escolhem o que é cômodo, pessoas banais escolhem ter, pessoas sábias escolhem ser, pessoas intensas escolhem sentir, pessoas superficiais escolhem gozar.
A vida é, sim, feita de escolhas e as pessoas, os astros nesse imenso teatro, podem ser conhecidas pelas opções que fazem. A gente escolhe com quem se relaciona, a gente escolhe os conselhos que desejamos ouvir bem como o conselheiro que queremos, a gente escolhe o melhor caminho para ser feliz, o melhor travesseiro para abrigar nossos sonhos e a nossa consciência. Somos nós quem escolhemos entre o arrependimento e o aprendizado, entre a reclamação e a perseverança, entre o amigo falso e o sincero, entre as companhias banais e o amor verdadeiro.
O homem só não escolhe o momento em que nasce, nem o momento em que sua vida findará, de resto, entre seu nascimento e morte, tudo são escolhas e, querendo ou não, toda a responsabilidade pelos resultados delas advindos é sua, de quem a faz, de quem, podendo, pôde fazer escolhas diferentes. Ninguém é escravo de ninguém, apenas os fracos se entregam para algum vício ou hábito, e pessoas fracas existem, não vivem, andam como mortos pelo mundo sem perceber sua condição.
Se é fato que o homem é as escolhas que faz, é sempre bom analisarmos a situação de quem desejamos inserir em nossas vidas e coração. É analisando as suas escolhas que percebemos o caráter, a essência por trás da aparência, o coração por trás das palavras do individuo.
Nada muito complicado. A vida é simples, o lamentável é que o ser humano adora complica-lá tentando deixa-lá mais parecida com ele, afinal, infelizmente a maioria é complicada e descontente com a vida, devido as escolhas erradas que fez, das quais não conseguiu fugir das conseqüências. Existem estradas na vida que não tem retorno de fácil acesso, uma delas é a da banalidade.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 30 de setembro de 2008.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O molho desandado e a persistência

O molho desandado e a persistência

Poucas vezes fazendo meu molho de maionese aconteceu dele "desandar". Para quem desconhece essa culinária esse molho desanda quando não endurece, colocamos ovos, azeite e, batendo no liquidificador ele demora para endurecer, ficando meio "aguado". Na esperança dele ficar bom vamos acrescentando cada vez mais azeite e ele continua mole, feio. Após constatar que ele desandou realmente percebemos que colocamos mais de 6 ovos e um litro de azeite fora investindo no molho que desde da primeira batida estava fadado a não dar certo.
Via de regra a maionese quando fica boa começa a endurecer com um ovo apenas, nas primeiras colocadas de azeite e batidas. No entanto, colocamos mais ovos e mais azeite na tentativa de fazer o molho ficar bom. Domingo aconteceu isso comigo: Estava fazendo o molho, coloquei quase um litro de azeite para, ao final, ter que colocar fora uma medida inteira de liquidificador fora.
Na vida da gente às vezes tentamos investir no que esta fadado a não dar certo. O problema é que desperdiçar ovos, azeite e alguns reais não macula nosso coração, o problema é quando investimos esperança, sentimentos, na crença de que algo possa melhorar, mudar de rumo. É nobre persistir, é nobre pensar que o que não foi bom pode melhorar. Até homicidas mudam de vida quando querem, o problema é que nem sempre as pessoas querem de verdade mudar alguma coisa. E não existe mudança sem vontade, sem esforço, sem abdicação.
Os ovos, o azeite e o liquidificar são coisas, eles não pensam, somos nós quem pensamos e achamos que podemos fazer o molho "desandado" ficar bom, somos nós e os ingredientes, dos quais apenas nós pensamos. Numa relação entre pessoas ambas têm vontade, e muitas vezes apenas uma possui força de vontade para fazer algo dar certo, e é ai que tudo desanda e vem a vida dizendo: Não adianta investir sozinho no que foi fadado ao insucesso.
Mas, insistimos porque não nos conformamos, porque achamos que podemos fazer algo errado se tornar direito, achamos que podemos fazer algo torto ficar reto. Mas não podemos, e, como quem insiste no molho de maionese desandado, estamos investindo nosso anseio no que, visivelmente, não tem conserto. Todavia, é errando que aprendemos, e de cada mancada surge um aprendizado, não necessariamente uma ruguinha a mais na face, mas, certamente e para quem deseja, um pouco de maturidade a mais.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 29 de setembro de 2008.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Sociedade Afetiva

Sociedade afetiva

Toda sociedade precisa do empenho de seus sócios. Empenho na mesma medida, embora cada qual com suas habilidades especificas. Nenhuma sociedade pode dar certo sem que a discórdia passe a reinar quando um se sente prejudicado pela leniência, pela incompetência ou falta de dedicação dos demais sócios. O casamento é uma sociedade conjugal, a união estável uma sociedade conjugal de fato, embora sem testemunhas e demais detalhes burocráticos.
Na verdade desde o namoro todo relacionamento sério se torna uma sociedade, onde as quotas não são aferíveis pecuniariamente, e o investimento básico é a doação do amor, da paciência e, enfim , de afeto. Como em toda sociedade, na medida em que as forças são despendidas de forma igualitária maior será a possibilidade de sucesso. Por outro lado, relação em que apenas um se doa e se empenha para fazer dar certo, a falência é o rumo.
É complicado se relacionar? É complicado ser casado? Não, não é. Já fui e afirmo que não é nada complicado, o problema é a falta de boa vontade mútua porque é preciso doação de ambos. Nenhuma relação dá certo quando uma apenas se doa e se empenha e o outro se resigna a cruzar os braços, lamentar e dizer que é "difícil conviver". Nada da certo quando alguém tenta dificultar e complicar, fugindo do diálogo, por exemplo, e, assim, não se empenhando para fazer a relação evoluir com a superação dos percalços, que são inerentes a um relacionamento entre pessoas diferentes.
Doação do que, na verdade? De alma, de coração. Quem ama tenta entender o outro, se coloca em seu lugar. Quem ama não diz ou faz o que não gostaria de ouvir ou de receber, em forma de atitude, do outro. É ser indulgente, é mesmo após um dia ruim ouvir o outro e lhe dar a mão. Apenas isso, doar afeto e carinho. Cuidar e deixar ser cuidado, sem orgulho ou egoísmo (este último é o inimigo mor do amor).
Cada um com a sua opinião, mas pessoas simples não complicam a vida. Quando existe amor não há porque complicar a situação. O amor é o maior fator de descomplicação do mundo, se a relação entornou é porque faltou esse fator, faltou boa vontade, faltou doação. Quem ama se doa, ouve, fala, esclarece, respeita, descomplica, busca simplificar. Lógico, quem ama e quem tem o mínimo de equilíbrio emocional, de inteligência emocional, enfim.
Se para um negócio entre sócios dar certo é preciso parceria e inteligência, para um casamento dar certo da mesma forma, além da lealdade, é preciso inteligência, vontade, doação, empenho. Não é à toa que a maioria dos casamentos não dão certo, via de regra um se acomoda, reclama e o outro se dedica, e é este quem tende a cansar e desistir decretando a falência do que poderia ter dado certo.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 23 de setembro de 2008

Uma nobre desistência

Uma nobre desistência

Li hoje uma frase de autoria atribuída à Bob Marley e me encantei: "Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama. Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer". Essa frase fala muito para quem, por uma razão ou outra teve que olvidar do amor e de sua força, para se auto-preservar, para salvar o próprio coração.
O ser humano pensa que o amor cura tudo, supera tudo, mas ele não cura, ele não supera. As pessoas pensam que quem ama nunca desiste, não cansa, mas elas estão enganadas porque todo amor que podemos sentir com sinceridade por alguém, é fruto do primeiro amor que podemos ter- o por nós mesmos, e é este que, mediante o sofrimento, um dia ou outro, se ergue e nos faz dizer: Desisto.
Nem todas as pessoas amam ou já amaram verdadeiramente alguém na vida, poucos são os que, por se amarem, tendo o espírito humilde e a alma limpa, conseguem entregar seus sentimentos de verdade numa relação. Felizes os que já amaram ou amam desta forma, porque o amor trás paz, trás felicidade e harmonia para o espírito de quem o sente vibrar.
Todavia, se é verdade que nem todos amaram verdadeiramente na vida também é fato que nem todos precisaram desistir, por brio, de lutar por um relacionamento, por um amor que poderia ter sido e não foi: Poderia ter sido harmonioso, poderia ter sido legal, poderia ter dado certo, e por um motivo qualquer, um erro, uma distração típica dos que não percebem o sentimento alheio, uma falta qualquer, inclusive de reciprocidade, não deu.
Não desejo à ninguém a desistência de um amor por não suportar mais alguma dor, mas admiro os que conseguem desistir do que outrora era desejado, sonhado, estimado. A dor ensina, principalmente os que não aprenderam pelo amor, que, por sua vez, fortalece aquele que o sentiu e precisou desistir dele para salvar a si mesmo. Na vida afetiva recuar é uma desistência nobre, e ninguém desiste em vão.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 24 de setembro de 2008.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A dor do arrependido

A dor do arrependido

Quem sofre mais com uma briga, com um rompimento, término de relação ou desentendimento entre amigos? Via de regra, a parte que se arrepende. Quem se arrepende de algo sofre em dobro, pelo rompimento e o sofrimento a ele inerente e pela culpa por ter errado.
Certamente o arrependimento causa as piores dores, mas com o tempo é assimilado e se torna aprendizado. Uma vez sofrido, uma vez curtido a dor pelos erro ou mancada cometida o homem de espírito humilde, que capta o aprendizado obtido com a dor, não se torna mais o mesmo: Errar nos mesmos pontos ele não errará mais, amadurece, cresce, enfim, se torna uma pessoa melhor.
Mas, será tarde demais para remediar o erro? Não se sabe, o outro sempre pode perdoar, e perdoa na medida em que ama, claro, dependendo das mancadas, mas não existe amor de verdade sem perdão, sem que algo seja ultrapassado em prol de um bem maior, com exceção de alguns erros praticamente imperdoáveis dentro dos conceitos de cada um, é claro.
Não houve perdão, o que fazer? Nada, o lucro do aprendizado sempre é melhor e a certeza de que o perdão não aconteceu é um incentivo para se erguer a cabeça e seguir adiante, sem cometer os mesmos equívocos. Erros sempre acontecerão, a questão é o homem não cometer os mesmos pelos quais já se arrependeu na vida.
Ninguém sofre em vão e, via de regra, após um rompimento menos padece quem mais investiu nele, porque sabe que não foi por falta da sua dedicação que a relação ruiu, sofre, mas não se arrepende de não ter feito algo, ou de ter sido relapso, de não ter cuidado do que precisava cuidar. A dor é menor, é menos incomodativa, menos aguda.
O arrependimento e a culpa tornam piores a dor de quem, por uma situação infeliz, os sente, todavia, se arrepender é algo saudável, cultivar o arrependimento sem nada fazer é atitude doentia: É preciso aprender, reconhecer o erro, crescer com ele, tentar o necessário, e se resignar com a situação quando não existe no outro a nobreza do perdão.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 18 de setembro de 2008.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O prazer da conquista

O prazer da conquista

Com exceção do prazer sexual todas as outras realizações do homem são maiores na medida em que maior foi o esforço despendido para sua realização. O homem não tem alegria em simplesmente ter alguma coisa, o contentamento, e consequentemente, a sua felicidade, será maior na medida em que conquistou aquilo por si mesmo.
Por isso que muitos dizem que dinheiro não trás felicidade. Dinheiro, em si, compra muitas coisas, compra companhia, viagens, parceria, luxo, até mesmo beleza, mas não compra realização pessoal, auto-estima e orgulho de ser quem se é. Feliz, não é o homem que ganhou dinheiro sem sentir o gosto da vitória de seus empreendimentos, feliz é aquele que tem dinheiro porque batalhou para te-lo.
O melhor sabor é o da trajetória, mais importante do que o destino é o rumo que se toma até ele. Existem lembranças indeléveis na alma do homem que buscou e realizou o que desejava, de forma que maior será o seu contentamento por saber tudo o que passou e o que enfrentou para ter o que conquistou.
O homem cujos bens ganhou sem precisar de esforço, via de regra não é feliz, por mais que tenha "coisas" que muitos invejam. Ele não teve trajetória para chegar até as benesses que possui. A felicidade do homem se liga muito ao orgulho que ele tem do que fez para ter o que adquiriu. Não àquele orgulho negativo, próprio dos soberbos que tentam convencer os outros que são bem resolvidos quando, na verdade, não são. Me refiro ao orgulho de ser contente consigo mesmo, orgulho do que fez, de quem foi e é na vida.
Eis que o homem não é feliz pelas posses que tem, mas sim pelo orgulho que possui por ter chegado até elas, e este, via de regra, só possui quem se esforçou para conquistar alguma coisa, não por menos existem tantos ricos infelizes, frustrados, deprimidos, alcoólatras, drogados. Falta-lhes o contentamento por terem conquistado algo, por terem lutado, escolhido o caminho e chegado até seus objetivos, o que não tem preço e é demonstrado através da alegria de viver e serenidade de espírito, atributos dos vitoriosos na vida.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 17 de setembro de 2008.

A vida ilusória

A vida ilusória

Na era dos amores descartáveis, do sexo fácil, da disponibilização de tudo a qualquer instante para quem se disponha a pagar, o amor vem perdendo valor. As ilusões são cada vez mais valorizadas: Muitas mulheres lindas, homens charmosos, galanteios variados, festas ocorrendo quase todo dia da semana, boas bebidas, teor alcoólico alto, um antidepressivo aqui, um ansiolítico lá, qualquer remedinho para dormir e fugir momentaneamente da vida.
De dia o trabalho, de noite a festa, a companhia com a qual não se pode dormir (tampouco sonhar junto), e logo após alguma cápsula para o sono chegar mais depressa (caso a bebida em excesso não ajude), para impedir que os pensamentos venham atordoar a consciência.
Na era do vale tudo por bons momentos o amor esta sendo malbaratado, legado à categoria de "devaneio adolescente". As pessoas afirmam que ser livre e poder tudo a qualquer hora é uma dádiva, um êxtase.
Não se encontram mais pessoas racionais, mas um pouco românticas, homens desejando uma mulher só, mulheres querendo compromisso sério, sexo diário com uma única pessoa. Todos querem todos, ninguém é de ninguém, todos são públicos, são do mundo. Na verdade, o homem deixou de ser seu mesmo para se transformar num fantoche de suas próprias ilusões, e ainda se gaba por isso.
Com dinheiro ou beleza conquista companhia, mas não cativa corações nem amor, não cativa o amor de quem possa não apenas lhe dar o prazer da cama, mas o prazer do companheirismo, da estima, do poder ter em quem confiar, da parceria, da admiração pela sua alma e mente, e não apenas pelo seu status, cartão de crédito, belo corpo, boca ou par de olhos.
Muita coisa me cativa e já me conquistou nesta vida. Todavia, a cada dia que passa percebo que melhor do que sair pelo mundo todas as noites atraindo olhares de vários homens, é poder acordar com o olhar apaixonado de um só, dormir pegando na mão de uma única pessoa e poder contar com ela para situações muito além dos magníficos prazeres físicos.
Não sou imune à estas ilusões, mas elas não criam raízes em minha vida. Tão rápido quanto duram, elas morrem, fazendo nascer o meu desprezo pela fugacidade com que a vida pode me possibilitar viver. A grande maioria das pessoas que conheço, porém vivem iludidas na vida. Acham que serão eternas, que o dinheiro que cativa companhia não terminará,e que as companhias adquiras são sinceras, acham que as festas e sua alegria momentânea tem mais relevância do que bons momentos com amigos de verdade e com um amor sincero.
Romântica? Pode ser. Eu acredito no amor e não vejo como viver muito tempo sem um romance sincero e respeitoso na vida. A cada dia que passa e que vivo usufruindo um pouco do mundo das ilusões eu valorizo mais aquilo que o dinheiro, a elegância física e a beleza não compram: Sentimentos, afeto, preocupação e amor sinceros.
Festa, bebedeira, falsas amizades? Isso um dia cansa, assim como brincar de casinha me enjoava quando eu era criança. Tudo o que é de "faz de conta" cria tédio. Felizes são os que, vivendo com os pés no chão têm alguém para amar e confiar, isso sim tem valor nesta vida, o lamentável é que a maioria troque a possibilidade de felicidade sincera, pelo êxtase de alegrias frívolas e momentâneas, da pseudosolidão regada à ilusões constantes e parcerias banais.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 16 de setembro de 2008.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Acima das críticas dos hipócritas.

Acima das críticas dos hipócritas.

Na vida ou a gente se coloca acima, desprezando, ou, ao lado, se misturando, ou, abaixo, cedendo e dando forças à maldade humana. Ser livre de espírito, ter liberdade suficiente para rir, chorar, errar, se reerguer, se divertir, se entregar a momentos inusitados é algo peculiar, nem todos possuem, mas, via de regra, incomoda a maioria.
A maioria das pessoas é e sempre será hipócrita. Não teme o erro, o despudor, o vexame, não tem receio do hediondo desde que seja tácito, desde que ninguém saiba. A maioria é imoral, mas se coloca em posição de santo em altar.O homem não teme trair, não teme ludibriar amigos, inventar algo sobre o outro, ele teme, apenas que determinada, ou determinadas pessoas, saibam. É a "vergonha sem-vergonha", a vergonha dos hipócritas que domina o mundo adulto.
Todos um dia na vida cometem equívocos.Todos um dia fazem algo de que possam não se orgulhar- sim, porque se arrepender é uma questão de momento, erros a gente deve assimilar, aprender e seguir adiante, - não repeti-los é que é uma questão de nobreza de caráter.
Acima das fofocas, acima das críticas, das palavras de julgamento dos pseudoperfeitos deve estar o homem de alma livre e nobre. Sempre existirão mais pessoas para malbaratar as condutas alheias, para se erigir contra o que eles enchem a boca para dizer que são as "falhas" do outro, porque assim as suas maldades, as suas imoralidades, a sua estupidez, as suas vilezas ficam escondidas em sua consciência.
Eu tenho asco das pessoas que não possuem liberdade para gozarem suas vidas como desejam, que tem pudores e medos de assumirem seus equivocos e erros, sabendo, apenas apontar os alheios. A falsidade junto com a hipocrisia torna as pessoas perigosas, mas, certamente, abaixo dos que sabem bem viver ignorando suas línguas felinas, abaixo, pois dos homens de alma livre.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 16 de setembro de 2008.

domingo, 7 de setembro de 2008

Os que eram felizes sem saber.

Os que eram felizes sem saber.

Outro dia minha mãe passou comigo por uma localidade onde ela lecionou há anos atrás, me contou sobre tal época e afirmou várias vezes que ela "era feliz e não sabia". Tal afirmação me dá agonia, me entristece, me faz sentir dó.
Sou o tipo de pessoa que é feliz e sabe que é, sempre gozei meus momentos com intensidade sendo alegre, sentindo a felicidade, gozando e valorizando os momentos que a vida me proporcionou com as companhias que escolhi, sem desejar perde-los, e sem pensar que sem eles eu os valorizaria. Sou feliz e sei disso no hoje como sabia que o era no ontem.
Mas, dizem, que as pessoas só valorizam quando perdem algo, quando perdem alguém, quando perdem um amor, uma amizade, quando deixam o tempo passar sem sentir seus momentos, sem aproveitar com alegria o bom da vida. O tempo passou, a felicidade sentida e não valorizada, portanto, gera a constatação triste da minha mãe.
Sinto pelas pessoas que não valorizam o bom da vida, o amor, o afeto, a atenção, a mão quente, o toque doce, a voz suave, a compreensão, as amizades, a cumplicidade, a saúde, a força, a fé, o conforto e precisam perder algo para aprender a dar valor.
Essas pessoas são masoquistas sem saber, afinal tudo pode ser tão fácil e simples na vida se usarem sua inteligência e boa vontade para serem felizes no hoje e, assim, vivendo com mente e corpo no presente sentirão sua energia sem pensar que amanha será melhor ou que o passado não agradou. Quem pensa no ontem e sonha demais com o amanha desperdiça o hoje e os sentimentos que pode viver no único momento real que têm: O presente.
Gostaria que ninguém mais nesse mundo afirmasse que era feliz e não sabia. Eu lamento por quem constata isso, porque o faz tarde demais. Sou a favor de se viver com intensidade o presente, sem receios, falsos medos, travas, sem pensar que a vida é eterna, que o amor do outro nunca terminará, que o bem estar será vitalício e poderá ser reconhecido mais tarde. A vida é uma caixa de surpresas, e o momento para ser feliz- com consciência da própria felicidade- é o hoje, amanha pode ser tarde demais para tudo, inclusive para viver.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 07 de setembro de 2008.

Dura na queda

Dura na queda

"- Claudinha, o que você sentiu fazendo isso?
- Nada.
- Nossa! Você é dura na queda!"
Transcrevo trecho de um diálogo onde ouvi o melhor elogio dos últimos anos na minha vida. Uma verdade a meu respeito, mas ao ouvi-lá parei para pensar nas minhas virtudes, nos meus defeitos, bem como no de todas as pessoas que conheço e pensei que ser duro, na queda, é uma grande virtude. A gente tem que ser maleável na vida, sensível no sentimento e duro nos baques.
Tem muita gente neste mundo que não tem essa maleabilidade: Que é duro nos sentimentos, frágil nas quedas, e insensíveis na própria existência. Nas quedas, quem é fraco não aprende. Sim, porque até nas frustrações, nas dificuldades a dureza mantém a alma pacífica para captar o aprendizado, usar a razão a favor de nossas crenças nos impedindo de mudar de meta ou plano. Afinal, diante de uma queda temos que reconstruir planos, buscar outras estradas, ficar no chão lastimando é típico dos fracos.
Pelas quedas, pelas frustrações a gente passa, infeliz é quem passa por elas fraquejando, ou, enfim, quem passa por elas sem delas nada aferir em matéria de aprendizado. Realmente eu sou dura na queda, posso cair de onde for que não me estraçalho em pedaços. Pelo contrário, me fortaleço e fico mais convicta do que quero, na verdade a dureza é um sinal de que já se tem convicção do que se deseja, ou, ao menos, do que não se deseja mais.
A gente cai de ideais, a gente cai de sonhos, a gente cai ao desamar alguém e mandar para o ralo do esquecimento sentimentos e sonhos que nutrimos, a gente cai ao deixar uma relação, uma profissão, um trabalho, a gente cai ao se decepcionar com um amigo, com um parente, a gente cai por qualquer forma de traição ou ofensa. Cai, do sentimento para um pior, cai do sonho para outro, cai de um sentimento para outro, mas, jamais devemos cair para o nada, para o vazio, para a depressão. Cair, se frustrar, enfim?Sim, claro, é humano, mas com altivez, com brio, com dureza, fazendo do azedo dos limões uma adocicada limonada, ou, para quem não pretende dirigir, uma saborosa caipirinha.
Fazer das dificuldades aprendizado, dos inconvenientes maturidade e força, decair de sonhos com dureza porque já erigindo novas metas e anseios é uma virtude que gosto de ter. Na verdade ser intensa em tudo é uma característica minha, só não sou intensa na dor. Amo intensamente, vivo intensamente, sou alegre, contente e feliz com intensidade, sou intensa na bondade, mas também consigo ser melhor ainda na maldade, na dureza, na indiferença, ao menos, obviamente, para quem julgo merece-lá. Perfeita? Não, nenhum pouco. Maldosa? Sim, às vezes. Justa? Sempre, aos bons minha bondade, minha pureza, aos maus, no mínimo, minha indiferença, meu desprezo.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 04 de setembro de 2008.

sábado, 6 de setembro de 2008

Época de pensar

Época de pensar.

Qual o critério das pessoas para escolherem seus candidatos? Depende do eleitor, mas confesso que muita coisa me assusta quanto o assunto é política no Brasil: Tem gente que escolhe o candidato pensando nos benefícios pessoais que irá obter, "não importa se alguns serão desamparados, voto nele porque pode me ajudar", vigora uma forma implícita de compra de votos, graças a imoralidade de alguns eleitores.
E tem aqueles e aquelas que olham para o candidato e votam no mais bonitinho, ou na mais bonitinha. Este é o votos dos fúteis, dos completos imbecis. Os que votam visando interesses pessoais são os "metidos a espertos", os que votam pela beleza do candidato assinam atestado de que são mentecaptos, porque, certamente não irão "faturar" o corpo do político eleito.
Cada povo tem o governo que merece, e não é por menos que nossa Câmara de Vereadores, Prefeitura, Assembléia Legislativa, Senado, enfim, são o que são, onde, muitas vezes assistir as suas sessões televisionadas é melhor do que assistir a um filme de comédia para um humorado cidadão, um filme de terror para os sarcásticos ou uma novela dramática para os mais desanimados (pouco aconselhável, vai que o suicídio lhe passe pela cabeça e a coragem chegue às mãos?).
Talvez, quem escolhe candidato pela beleza esteja pensando em vê-lo bem na televisão. Ora, eis uma possibilidade (!). Todas as citadas porém, são lamentáveis e esdrúxulas. Político a gente tem que escolher pelo caráter, pela vontade de fazer o bem em prol da coletividade, pela fama de honesto (porque certeza é um tanto difícil), a gente tem que escolher bem, com afinco, porque depois não adianta reclamar. É impossível tirar uma puta da zona e contar com sua eterna fidelidade e respeito, com políticos a mesma coisa.
As pessoas não buscam se interar sobre fatos óbvios e é por isso que nosso quadro político fica parecendo uma tragédia, e, seguidamente os eleitores são considerados, por seus eleitos, um bando de néscios. Votou como tolo, agora agüenta cidadão. Esta é a época de pensar, afinal perder a esperança não adianta.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 06 de setembro de 2008.

Amor bandido

Amor bandido

Todo mundo já teve ou então vai ter um amor bandido na vida. Ah, você não? Namora há 10 anos, esta casado há 20 e não vai ter? Tudo bem, cada um sabe de si, mas amores bandidos ensinam muito. Mas, o que é amor bandido? É o amor das ex-namoradas do Fernandinho Beira-Mar? Pode ser, mas amor bandido não é necessariamente o amor por um marginal.
É aquele amor cheio dos "poréns", é aquele que faz bem e que faz mal ao mesmo tempo, que dá calor e logo rouba a paz, pode ser aquele entre pessoas de gênios diferentes, por pessoa complicada, que não se ajuda a ser feliz e faz cena a todo instante, é aquele que as pessoas terminam e voltam como se fossem viciadas uma na outra, aquele cheio de ciúme, insegurança e brigas tolas.
O amor bandido é amor de letra de música sertaneja (os que a desprezam que me desculpem, mas no fundo em algum lugar ou situação, todos já ouviram tal gênero), começa com o ânimo inocente de "É o amor", se torna "Amor Selvagem", "Entre tapas e beijos" chega a ser "Cara de Pau", e não termina cedo, afinal "Cada Volta é um Recomeço". Mas um dia alguém diz "Pare", e sai fora.
É aquele amor de vício, de pele e não de razão, de ponderação, e calmaria. É o amor de fogo, de paixão, de ânimo, que o tempo e o convívio, podem apagar ou torná-lo menos bandido, na mais remota das possibilidades.
As pessoas sabem que o amor bandido é difícil de dar certo, pelas diferenças, pela excessiva complicação da personalidade do outro, que, muitas vezes, pode estar em constante crise existencial, depressão ou algo assemelhado. Todo amor bandido impõe desafios e quem o encara e o faz por gostar do perigo excitante a ele inerente, perigo este que o o faz achar que pode fazer o sertão virar mar e o mar virar sertão.
Viver um amor bandido é uma burrada, casar com o amor bandido já é uma mancada das grandes. Mas se aprende, ninguém vive para sempre com um amor bandido. O amor de verdade se sustenta na similitude, opostos se atraem mas não permanecem, esta é a verdade. Se um amor é bandido porque o amado é problemático, complicado ou down, e o amante é alto astral e simples, um dia este desanima, do contrário, se amado e amante são complicados e "deprimidos", há relação entre semelhantes.
Amor bom pra se viver tem que ser calmo e paciente, tem que ser por pessoa com personalidade semelhante a nossa. Pessoa alto astral, descomplicada, que quer ter uma família, união legal, parceria forte, cama quente, carinho, respeito, não fica com amor bandido, termina dando um tiro na sua raiz e se desvencilhando, indo buscar um amor paciente, um amor honesto no sentir e no viver, um amor em que nenhum escora nem precisa de escoro, em que as mãos se unem e os amantes andam lado a lado, confiando, compreendendo e respeitando um ao outro.
Mas, é bom um amor bandido? Tudo o que a gente mantém por algum tempo é bom enquanto dura. A questão é a maturidade. Pessoas maduras superam amores bandidos, pessoas imaturas precisam sofrer o dobro para aprender, mas, um dia aprendem, ou não, (como diriam nossos "poetas compositores" baianos). Todavia, existe uma bela coincidência: depois de amores bandidos, com os pecados purgados, as boas pessoas terminam encontrando um belo amor honesto.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 06 de setembro de 2008.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A importância do sexo nas relações

A importância do sexo nas relações

Há alguns dias o programa dominical Fantástico mostrou um casal que, por idéia da mulher, resolveram fazer sexo todos os dias, durante um ano para salvar o casamento de 10 anos, com filhos. Apesar dos percalços, o plano deu certo e o casal conseguiu seu objetivo quer era criar mais intimidade, mas, seria válido tal meio para consecução de tal propósito? Creio que entre duas pessoas inteligentes, que se amam e sabem do que "carece" sua relação que esta prestes a ruir, qualquer atitude para reconstruí-lá é saudável, é sinal de sabedoria.
Sexo no casamento é fundamental, assim como respeito, cumplicidade, afeto, compreensão, parceria. Tudo funciona no sistema mútuo: O homem para com a mulher, a mulher para com o homem, é por isso que pessoas que querem apenas receber sem dar não conseguem estabelecer uma relação harmônica com ninguém. A regra para os relacionamentos afetivos é e sempre será: Não fazer e não dizer ao outro o que não deseja que o outro faça ou diga.
Sou da teoria que no início da relação entre casais novos - não considero muito 10 anos de casamento para quem ainda acredita que, existindo amor, respeito e parceria uma relação pode durar mais, ou até mesmo para sempre (falei outro dia que não acredito em amor eterno quando um dos parceiros acha que pode desrespeitar o outro, o que é regra neste mundo, mas como toda pessoa pretensiosa no que tange ao bom da vida almejo encontrar, ter e ser a exceção),- sexo corresponde a 80% do relacionamento.
No início as pessoas não se conhecem tão bem, costumam se desentender um pouco mais e o sexo com carinho estabiliza, acalma os ânimos e anima qualquer pessoa a ter um dia bom com um sorriso nos lábios, apesar dos inconvenientes de qualquer profissão. Com o passar dos anos, o diálogo, o afago, o "eu te entendo", o "vamos sair passear", o "fala que eu te escuto", passam a ter 70% de importância, e o sexo - que deve ser sempre bom- diminui bastante em importância.
É preciso compatibilidade não apenas de gênios, mas de alegria de viver, de vontade de fazer o relacionamento dar certo, de ânimo perante a vida, e, obviamente, para o sexo. Nenhum relacionamento pode dar certo sem o término ou sem casos extraconjugais quando um tem mais apetite sexual do que o outro. Mas as pessoas teimam, mais por hipocrisia do que por amor, afinal sua educação sempre frisou que sexo não é tudo, então, para que assumir sua real importância? Acabam aturando o outro, quiçá lhe traindo, mas não o deixam "apenas" por isso.
Mas sexo não é um "apenas", é um muito quando existe afeto, amor e respeito entre um casal. Ninguém agüenta viver com quem esta sempre desanimado, com dor de cabeça, ou qualquer coisa assim, não sem cansar, não sem pensar em trair, sem efetivar uma traição ou, o que é mais correto, sem dizer um belo "tchau". Isso, obviamente para quem não é hipócrita.
Deixo, pois minhas parabenizações a distância ao casal americano Charla e Brad Muller cuja inteligência emocional, sinceridade, despudor, parceria e falta de hipocrisia salvou seu casamento. O livro chamado "365 noites - Memórias de uma intimidade”, de autoria do casal, ainda não foi editado no Brasil, mas creio que sua leitura seja recomendável.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 03 de setembro de 2008.

Crise de novo solteiro.

Crise de novo solteiro.

Depois de algum tempo namorando ou casada a pessoa volta a vida de solteira e se depara com milhares de sustos, apesar da alegria de festas, novas parcerias, eventos, liberdade, novas amizades, quem gosta de ter uma companhia legal do sexo oposto acaba estranhando até mesmo as conversas dos "solteiros costumados", todavia, por ser seguidora do "antes só do que mal acompanhada", às vezes é necessário aproveitar a vida sozinha.
Ademais, com o passar dos tempos, com o aprendizado que todo relacionamento traz a gente se torna cada vez mais seletivo no que tange a novas escolhas. Se quando começamos a relação passada desejávamos esta ou aquela virtude do outro e da união, ao terminar temos uma outra a mais a exigir: Normalmente a que não encontramos no parceiro antigo.
Mas, enfim e a "crise de novo solteiro"? Sim, essa existe, em especial para quem não assimila bem os novos conceitos de relacionamento humano existentes por trás dos verbos: "Ficar", "pegar", "sair". (Seriam "relacionamentos" mesmo?). Tem gente que nasceu mesmo para "casar", não no sentido literal, mas no de ter apenas um alguém, sair passear com esse essa pessoa, conversar, compartilhar bons e maus momentos, fazer uma comidinha que mesmo sendo ruim o outro educadamente vai saborear, tomar um vinho, essas coisas.
Creio que não existam mais pessoas "para namorar" ou para "não namorar", existem, isto sim, pessoas que gostam mais de ficarem solteiras, sozinhas e outras que preferem ter uma companhia.
Existe até uma frase que me apavora: "Solteiro sim, sozinho nunca". Sozinho ninguém é, todos têm algum amigo, família, mãe, um animal de estimação, fé em algum ser extra-matéria, enfim. Solteiro é o estado civil de quem não é casado, e, em sentido amplo, o de quem não tem compromisso com ninguém. Esse "sozinho nunca", quer dizer que a pessoa tem alguma companhia para cama, para sexo, ainda que não tenha para um almoço, para um final de semana legal, nem tenha a liberdade de encostar a cabeça no ombro do outro e desabafar. É sinal de falta de coragem para bem escolher não apenas a quem namorar, mas com quem se deitar.
A moral da história é que ficar solteira me faz ver como é bom namorar e saber que se pode confiar em alguém, na sua lealdade e carinho.A questão é que depois de relações findadas, encontrar uma pessoa madura que tenha as virtudes que passamos a desejar após as frustrações pretéritas não é tão fácil.
Enquanto solteiro e sozinho é preciso se adequar a um dos grupos: O de quem esta solteiro e gosta ou o daqueles que estão, temporariamente, até encontrar alguém legal, afinal, quem procura fugacidade, a atrai, quem procura amor, um dia, também encontra. Como tudo na vida é uma questão de paciência, já me disse um amigo que as melhores maçãs estão no topo da árvore.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 1º de setembro de 2008.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O racionalizador



O racionalizador

Não precisamos ser psicanalistas para percebermos quantas pessoas vivem tentando racionalizar suas condutas e pensamentos. Racionalização é o ato do sujeito que tenta colocar dentro da lógica, da coerência, do que se pode ter como “justo” pensamentos e idéias que são, via de regra, o seu oposto.
O racionalizador é um chato por excelência, afinal fala e crê em absurdos, têm pensamentos e conduta egoísta, idéias tolas e egocêntricas e tenta apregoa-las como racionais e “acima de qualquer critica” não aceitando o pensamento alheio achando que o seu é certo, justo e coerente. Ninguém atura por muito tempo sua companhia.
Ele se torna aquela pessoa sobre a qual as pessoas comentam “não adianta falar nada para ele”, “ele precisa se tratar”. Quem é que agüenta o convívio com uma pessoa que não aceita opiniões diversas das suas sem criar cenas, que acha que seus pensamentos excêntricos, egoístas e presunçosos são corretos e inquestionáveis, que seu agir estúpido e grosseiro não merece defesa? Pessoas assim afastam de suas vidas quem lhes estima e continuam achando que as corretas e injustiçadas são elas.
O racionalizador para se defender, também costuma atribuir a outros forma de ser, pensamentos e sentimentos que não admite ter, possuir e sentir. Ele projeta no outro o que na verdade ele é, além de se valer da racionalização como mecanismo de defesa do ego passa a usar de forma excessiva a projeção.
O outro é o egoísta, o outro que quer se aparecer, o outro que quer ser o foco das atenções, o outro que foi ajudado e mimado em demasia, o outro que teve empreendimentos e vida afetiva fracassada: Ele é o forte, o imbatível, o insuperável, o bem sucedido, o poderoso, quando todos sabem que, na verdade, ele é o coitado que perde amores, amigos e o seu respeito sem perceber.
O racionalizador é aquele de quem as pessoas têm pena, aquele para o qual todos gostariam de dizer verdades duras, mas poucos se habilitam, simplesmente por acharem que não vale a pena perder seu tempo com pessoa intransigente, praticamente irracional que vive justificando com veemência suas mancadas, ainda que tripudiando dos outros e dos seus sentimentos, inventando histórias para se sentir mais forte, para se auto-afirmar.
Ele é fadado a morrer na solidão dizendo que a sorte lhe virou as costas, racionalizando, portanto, a dor de ser quem é, cruzando os braços para as possibilidades de mudança de vida para não dar o braço a torcer e mostrar que tem coração, sentimentos e, por ser humano, é errante como todos.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 30 de agosto de 2008.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

As máscaras e o tempo

As máscaras e o tempo
Existe muita gente neste mundo que critica a vida alheia sem analisar as mazelas da sua, que pinta verbalmente a sua história com tinta colorida para omitir os fatos negros de seu passado, os erros, as fraquezas. Quanta gente, pois, por ser fraca fala que é forte, por ser vil fala que é especial, por ser de coração duro, fala que é bom e caridoso.
A gente só conhece as pessoas quando convive com elas, só podemos ter certeza sobre a bondade de alguém convivendo com essa pessoa, vendo sua forma de agir com quem lhe ama, com que esta perto dele, com a família, com as pessoas próximas. É fácil ser caridoso e bondoso com estranhos, ao contrário, é ser nobre com aqueles temos mais contato.
Todas as palavras de um homem, seu alto-enaltecimento, sua forma de, verbalmente se colocar no mundo, são inúteis diante da constatação do que realmente fez na sua vida para ser feliz. Um homem não é o seu presente e afirmações, o ser humano é, também, o seu passado, os seus segredos, as suas omissões.
A vida ensina e as máscaras caem com o passar do tempo. Uma pessoa pode se fazer de bondosa, pode dizer que é forte, mas, apenas com o passar dos dias a sua dureza de coração, a sua fraqueza de espírito ficará evidenciada. O tempo, é sagrado também para mostrar que as palavras não importam nada diante da conduta do homem. Condutas presentes e pretéritas.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 29 de agosto de 2008.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Antes do chega (!)

Antes do chega (!).

O término de um relacionamento dói mais para quem não deu todo amor que podia: A dor se liga a alguma forma de arrependimento. Aquele que, por amar, respeitou, fez o seu melhor para que a relação permanecesse e se mantivesse em harmonia, aquele que sabe quão bom parceiro foi (ou tentou ser), quando desiste da relação sai tranqüilo, ainda que com alguma mágoa.
Todo relacionamento frustrado deixa alguma mágoa, todavia, relacionamento bom é relacionamento presente, tudo o que se pode chamar de “ex” é porque não era bom, não estava à altura de nossos sonhos, ideais, anseios e sentimentos. Não era, pois o que desejávamos para nós.
Quando a gente se entrega à relação e o outro não, quando, de alguma forma ou por algum motivo nos sentimos traídos, quando a decepção surge com palavras mal colocadas, com atitudes tolas, com omissões e ingratidão, o amor, cedo ou tarde, evapora pelo ar.
Aquele que amou de verdade, que sabe o que fez para o bem da relação, ainda que frustrado pelo término se sente mais forte, de bem, ao menos, consigo mesmo. Sofre? Talvez, mas pouco, porque traz na memória a lembrança da falta de entrega, respeito, afeto do outro, ou, enfim, do que fez o amor ruir.
O sofrimento, muitas vezes, se dá antes do término, o fim de tal relação acaba trazendo alivio para o cansaço de um espírito que sofreu antes de ter coragem, antes, enfim, de decidir optar pela solidão.
Quem se entregou, quem se decepcionou com o outro, sofre mais no decorrer da relação, quando a decepção se realiza, de forma que o término do relacionamento se torna a salvação de seu coração, de sua própria alma que teve suas marcas antes do bendito “chega” (com direito a ponto de exclamação no final).

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 26 de agosto de 2008.

Não existe amor eterno (?).

Não existe amor eterno (?).

O tipo de amor que passa mais perto da possibilidade de durar para sempre diante de injustiças é o amor de mãe e por time. As mães perdoam as falhas dos filhos, até mesmo a sua ingratidão e brutalidade, de time a pessoa não muda mesmo tendo decepções, o respeito por ele permanece por toda a vida do homem.
Todavia, o amor entre duas pessoas que escolhem uma a outra para compartilhar seus dias, sua cama, sua mesa, sua vida não é eterno, via de regra, porque juntamente com a paciência, o amor tem limites ditados pelo amor próprio, pela auto-estima e auto-respeito.
Existem pessoas que querem o melhor do amor, o melhor da vida a dois sem colocarem seu coração na relação. Querem demais, e dão pouco, quase nada. O amor precisa de investimento de ambos os parceiros, na verdade ele precisa é que ambos se vejam como iguais sem que um queira se sobrepor ao outro, mostrar que é mais forte ou superior.
O que mata o amor é o orgulho, o egoísmo, é a desconsideração, a falta de respeito, de união, de cumplicidade, a falta de valorização do outro como ser humano que é.
Tem gente que não quer ser ofendido, desconsiderado ou ultrajado, mas se sente forte ao fazê-lo, e enquanto seu ego infla o amor do outro morre: Em busca da bijuteria do auto-enaltecimento ele despreza a jóia do amor e admiração alheios. Eterno mesmo diante de desrespeitos e ingratidões é amor de mãe, amor entre duas pessoas que querem viver junto depende muito mais de respeito mútuo, afeto e cumplicidade do que da vontade de ser feito eterno.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 25 de agosto de 2008.

sábado, 23 de agosto de 2008

Vontade de amar

Vontade de amar

Para manter um casamento, uma união entre um casal é preciso vontade de ficar junto, vontade de ficar ao lado do outro, além de amor é preciso força de vontade e boa vontade para viver o amor. Obviamente que o amor por uma pessoa faz com que mudemos, com que passemos a ceder mais, a compreender, a se colocar no lugar do outro, o grande problema é a banalização dessa palavra: Tem muita gente por ai que não ama nem a própria vida, nem a si mesmo, mas esta sempre disposto a dizer "eu te amo".
Li numa revista feminina uma entrevista com a atriz Cláudia Raia que esta casada há 15 anos com o colega Edson Celulari. Um casamento feliz entre duas pessoas que, além de se amarem e se respeitarem desejam ficar juntas, esta foi a resposta dela para explicar o "segredo" da união feliz. Hoje em dia, nos tempos em que as pessoas acham sexo e companhia em qualquer esquina nem todos cultivam essa vontade, as pessoas vivem a ilusão do "excesso de corpos", quando, na verdade, nesta grande confusão, há a ausência de alma, de essência, de sentimentos.
"Nem todos", é verdade, mas a maturidade trás sapiência e o homem sapiente sabe que sexo, companhia para grandes festas e porres não enchem a alma, e, assim, o homem que realmente, por se estimar é capaz de amar verdadeiramente alguém, lhe respeitando e admirando, não deseja apenas uma relação em que diante dos impasses e diferenças seja findada com um "não quer, vai embora, ache outra". Vivemos, lamentavelmente na era dos amores substituíveis.
A pessoa madura para se relacionar luta para manter o relacionamento, conversa, dialoga, expõe seus pensamentos respeitando os sentimentos do outro, e, junto com ele acha a melhor solução para os problemas, para as dificuldades inerentes a vida e a qualquer união, afinal, nunca existirão pares perfeitos, é preciso força de vontade, também, para o amor, para manter a união em clima de paz, de carinho e cumplicidade.
Ora, mas existem tantas separações? Sim, existem e sempre existirão porque a maioria dos seres é imatura, egoísta, e, principalmente, gozando as ilusões do mundo das facilidades, fugacidades e egocentrismo, lhes falta amor próprio, apreço pela própria vida, de forma que, para viver um grande amor em que o egoísmo é colocado de lado, em que a revolta cede lugar a paciência, respeito e compreensão, essa maioria é inapta.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 23 de agosto de 2008.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A justiça da vida


A justiça da vida.

Pobre do homem que acha que sua ingratidão, soberba, egoísmo e crueldade com os sentimentos alheios passarão sem retorno nesta vida. Quer queiramos ver, quer não, a vida é justa e cobra do homem, pouco a pouco, hoje ou amanha, cedo ou tarde, o preço de seus erros e, principalmente de suas injustiças. É fácil para o homem ser juiz da vida alheia, apontar as feridas e as ações erradas do outro, difícil é sopesar na balança de seu julgamento os atos injustos que ele mesmo comete.
Injusto não é apenas o homicida, o sonegador de impostos, injustas não são apenas as decisões judiciais que nos contrariam ou todo aquele agir do outro que nos fere. Nós costumamos ser injustos, e muito. Somos injustos quando agimos com rispidez com nossos pais, nosso irmão ou com nosso companheiro sem que eles tenham nos feito algo para nos magoar, quando somos secos com que nada noz fez, quando xingamos o parente, o marido, o amigo ou o funcionário por pouca coisa ou nada, apenas porque estamos descontentes com algo que, talvez, eles nem saibam o que seja.
Tendemos a justificar: "Desculpa, mas estou indignado com tal coisa". Afinal, adoramos justificar a nossa crueldade, séria mesmo é a do outro, a nossa é sempre explicável. Somos como juizes algozes com o julgamento de nosso semelhante e como mães ternas e amorosas ao explicar nossas atitudes independente de serem cruéis e pérfidas.
Todavia, chega um dia em que a Justiça chega à nossa porta sem oficial de justiça, sem marcar hora nem local para nos mostrar que nossas atitudes injustas estão sendo cobradas. E é ai que nossa estupidez, nossa raiva mal descontada, nosso egoísmo, nossas traições da confiança alheia, nossa ingratidão com quem nos ama e auxilia e nossa soberba ao analisar o mundo ao nosso redor são purgados.
Tenho pena daquele que acha que pode tudo, daquele que crê que não será cobrado pelas suas más-ações. Cedo ou tarde a vida cobra o homem. Alguns chamam de Justiça Divina, de "pagamento de pecados", eu chamo de perfeição concretizada. No judiciário da vida ninguém sai devendo, ainda que pague em parcelas, seus erros são cobrados. É a vida, pois, demonstrando que ainda que o homem seja injusto, ela não é, e todo mal feito, toda ignorância, crueldade, todo pisar nos sentimentos alheios não passam em branco nela.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 20 de agosto de 2008.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Pais e Filhos

Pais e Filhos
Levei quase 15 anos para entender o que o Renato Russo queria dizer na música Pais e Filhos: "Você culpa seus pais por tudo, e isso é um absurdo, são crianças como você". Muitas pessoas atribuem aos pais várias espécies de culpas: Não foram tão afetuosos, não dialogaram como deveriam, não ouviram quando precisava, não fizeram isso ou aquilo, exageraram aqui ou acolá. Não param para pensar que os pais fizeram o que sabiam, como podiam, tentaram fazer o seu melhor. Hoje somos filhos, amanha seremos pais, e será que seremos perfeitos? Será, pois que podemos criticar os nossos pais sem sequer sabemos como nós seremos quando tivermos os nossos filhos?A maternidade, a paternidade, não faz com que nos tornemos santos, com que passemos a saber todas as verdades do mundo, a melhor forma de agir com as pessoas. É isso que significa que nossos pais são crianças como nós, psíquica e espiritualmente são o que eram antes de se tornar pais, são, também aprendizes na escola da vida.Fato é que os pais amam seus filhos, fazem o que sabem visando sempre o seu bem estar, a sua alegria. Erram? Sim, bastante, mas sem desejar. Fazem algumas maldades? Sim, como todo ser humano, mas os erros, as mancadas, as surras, as palmadas, os gritos inapropriados, o exagero, nada afasta a existência do amor, do anseio por sua felicidade.As mães rezam pela felicidade dos filhos, querem o bem deles, muitas vezes, é verdade, querem o bem dentro do que elas consideram bom e correto, olvidando do desejo do filho, mas, ainda assim, para que critica-lá? Seu desejo é puro, é bondoso. Falta aos filhos a abdicação de egoísmo que todo pai tem. É por abdicar do egoísmo que um pai que, mesmo sem ter sido demasiado carinhoso na infância do filho, constrói um bom patrimônio para lhe deixar bem, lhe paga estudo, faculdade, lhe ajuda a montar um negócio. Ele poderia gastar consigo, mas prefere construir um patrimônio para deixar para o filho que, muitas vezes, não dá valor algum ao esforço do pai.Compreender que não se pode esperar dos pais a perfeição que não temos enquanto filhos é fundamental. Compreender que nossos pais foram criados em outra época e que o que fizeram condiz com o pouco que sabiam é uma atitude nobre. Culpar, criticar, malbaratar as atitudes dos pais é atitude do mais indigno, maldoso, tolo e egoísta dos filhos, que apesar disso é perdoado pelo pai. Os pais não se tornam santos após a paternidade, mas, certamente, se tornam pessoas mais nobres na medida em que, de seu modo, amam seus filhos.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 19 de agosto de 2008.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Superação

Superação

Há mais de 10 anos meu pai tentou me ensinar a dirigir, até que um belo dia, em Uruguaiana, fui estacionar, mas acelerei e quase atropelei uma família. Pior do que isso foi o que ouvi dele, terminei criando um bloqueio, um grande medo de dirigir.
Aos 18 anos já no segundo semestre da faculdade, arrumei pretextos e não fiz auto-escola, aos 22, formada após passar no exame da OAB, resolvi fazer. Passei na prova teórica e das 15 aulas práticas pagas fiz sete e desisti usando como pretexto a excessiva simpatia do instrutor. Aos 25 resolvi procurar uma psicóloga para me ajudar, na quinta consulta já me sentia apta para guiar, mais corajosa, me inscrevi na auto escola onde paguei a segunda habilitação da minha vida, pois a primeira prescreveu.
Há menos de 30 dias meu marido me deu sua camionete para guiar no interior. Vim guiando rumo à cidade, quando percebi que o trânsito não me assustava, estava super confiante em meu poder de guiar. “O carro é uma extensão do teu corpo”, dizia minha psicóloga, e assim, com a confiança de quem guia seu próprio corpo passei a guiar.
Muitos devem estar se perguntando: “Sim, o que eu tenho haver com isso?”. Com minha dificuldade para dirigir, nada, mas com a existência de um obstáculo a ser superado na vida, tudo. Todo ser humano possui alguma dificuldade, ainda que emocional, a ser superada. Sim, porque toda dificuldade existe para ser superada, toda pedra em nosso caminho esta ali para ser ultrapassada, ou, ao menos, pisada. Nenhum percalço existe para nos fazer parar.
Quando deixamos nossas dificuldades, nossos bloqueios nos parar estamos lhes deixando grandes e nos tornando pequenos diante deles. Cabe unicamente a nós tarefa de ultrapassar barreiras e vencer nossas dificuldades. Precisamos nos conhecer e achar uma forma de superá-los, ela sempre existe.
Temos em nós a força, a razão e a sensibilidade necessárias para compreender a nós mesmos e, assim, superar nossas dificuldades, com paciência, obviamente, porque nenhuma construção grandiosa se faz da noite para o dia, assim como nenhuma mudança importante ocorre rapidamente. O tempo, a boa vontade e a paciência conspiram sempre a favor de quem deseja evoluir.

Marau, 18 de agosto de 2008.

Cláudia de Marchi

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Ilusões a dois.

Ilusões a dois.

Analisando a série de relacionamentos frustrados que conheço fico me perguntando: Afinal, quem se ilude? Quem ilude quem? Sempre acreditei que o ser humano cria as próprias ilusões no silêncio de sua alma, que não precisa do outro para se enganar.
O ser humano adora uma ilusão, espera da vida sempre mais do que a realidade lhe propicia. Não quer apenas fidelidade, companheirismo, união, quer milhares de “eu te amo”, quer o parceiro hiper-mega-super-ultra-romântico, mas que, obviamente seja um Don Juan de uma só.
O homem espera “a mulher”: Corpo definido, rosto bonito, olhar sensual, inteligência sensacional, dona de casa de primeira, mas independente financeiramente e, obviamente, quer uma amante que faça qualquer meretriz se contorcer de inveja.
Todavia, apesar dessa tendência humana de esperar e desejar o magnífico, de criar expectativas grandiosas nos mais variados aspectos de sua vida, creio que num relacionamento sério as ilusões criadas são regadas pelo outro. Logo, ele tem responsabilidade pelos planos frustrados do parceiro porque, ainda que através da omissão de seus pensamentos, deixou o outro sonhar.
“Amor quando eu me aposentar vamos viajar”, “quando a filha se formar vamos passear nos finais de semana”, e o outro concordando, ou, ao menos silenciando e fazendo gesto afirmativo com a cabeça, mas, ora vejam só: Antes disso tudo acontecer o “amor”, o “bem”, o “querido” deixa a esposa com mais de quarenta anos para se aventurar na vida, ou, enfim, para namorar a moça mais jovem.
A esposa se iludiu? Pode ser. Criou expectativas? Obviamente, mas não fez sozinha, afinal o pressuposto é o amor numa relação amorosa, é o amanha ao lado do companheiro. Nenhum desses anseios são devaneosos ou absurdos, em especial quando o parceiro não expõe seu anseio pelo fim.
Por ver esses e outros exemplos aprendi que todos os sonhos e ilusões criadas numa relação firme podem surgir na mente de um, mas são direta ou indiretamente cultivadas pelo outro. Todavia, o que fazer com as frustrações? Lamentar sem se entregar para a dor e esperar o tempo passar, ele apaga os ferimentos, apesar de não curar as cicatrizes, mas matar elas não matam.

Cláudia de Marchi

Marau, 15 de agosto de 2008.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O homem e as traições na vida

O homem e as traições na vida


Ninguém passa pela vida sem sofrer alguma espécie de traição. Pode ser um par de chifres da pessoa outrora (espero que em todos os casos se use essa referência temporal) amada, pode ser a falta de consideração do "amigo" demonstrando que inexiste amizade verdadeira e sim algo que se assemelha mais a alguma espécie de interesse do que, propriamente, de sentimento e afinidade. E, em outros casos, pode ser a constatação de que aquele em quem confiamos nos inveja e não deseja o nosso bem.
Natural que as traições ocorram neste mundo em que a grande maioria das pessoas se rende a futilidade, em que parcerias de anos são ignoradas em prol de bebedeiras com amigos e "esticadinha" em locais em que é proibido levar aquele que dorme ao lado na cama, em que confraternização com pessoas amigas e leais são trocadas por uma saidinha com a "bonitinha" da vez, por uma festinha diferente ou por uma transa banal. Natural em um mundo que valoriza mais a quantidade do que a qualidade das relações, em que o homem passa a ser bem julgado pelo dinheiro que tem, pela barriga dura, pelo glúteo definido, pelo que aparenta ser, enfim, do que pelos sentimentos e forma de pensar que possui.
Natural que a confiança alheia e o sentimento do outro sejam banalizados numa época em que grande parte das pessoas deseja respeito de todos, amor e atenção do mundo, mas é emocionalmente incapaz de amar e respeitar a ponto de não conseguir se colocar no lugar do outro vez que sua mente se atrofiou em relação ao sentido das palavras compaixão e respeito. Respeito tem aquele que se dá, respeito merece aquele que também sabe respeitar, obviamente que o homem de bem respeita à todos, nem sempre por apreço, mas muitas vezes por piedade.
Mas, "homens de bem" seriam maioria neste mundo? Depende do ponto de vista, mas a vida me ensinou que o homem é capaz de vilezas que não admite nem para ele mesmo, então, em benefício da dúvida, é preferível não esperar muito de todos, assim a queda frente a eventual frustração se torna um pouco menos desastrosa. É amenizada pelo colchão do realismo. Ser realista, não é ser pessimista, é analisar o mundo e a vida como são frente as experiências tidas e observadas também (pessoas inteligentes conseguem aprender vendo, ouvindo e se colocando no lugar alheio, captando de forma emocional e racional a dor do outro). Um povo que é traído diariamente pelos governantes que ele mesmo elegeu ("cada povo tem o governo que merece" é tema que rende outros escritos, não convém se alongar) não deve esperar demais do próprio vizinho.
A gente pode ser traído por quem elege para compartilhar uma vida, para compartilhar nossos momentos, para dar nossa confiança, nosso carinho, nossa atenção, nosso prezar. Mas, se somos honestos, se somos felizes por sermos bons e por (ainda) conseguirmos confiar em alguém não devemos esmorecer.
Num mundo de maioria vil e traiçoeira, de maioria fugaz rumo a "mentecaptação", a minoria proba, honesta, sincera, leal e respeitosa se destaca e atrai a atenção, ainda que seja dos seus semelhantes, mas algum homem bom quer ao seu lado um "traíra", uma pessoa fútil que banaliza os sentimentos alheios e a sua própria vida? Creio que não. Logo, é melhor continuar tendo fé na bondade e ignorar as maldades alheias. Coitados são os que perdem o apreço de boas pessoas.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo 25 de julho de 2008.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

As necessidades desnecessárias

As necessidades desnecessárias

Viajar com o pensamento é bom, mas às vezes os pontos turísticos desta viagem nos assustam, nos causam terror. Certo é que o ser humano sempre inventa necessidades novas, necessidades banais. As básicas? São e sempre serão as mesmas: Comida para viver, amor, carinho, respeito, saúde, dignidade e um pouco de lazer. Dinheiro? Sim, mas sem que para conquistá-lo seja preciso vilipendiar o conceito de honestidade e brio.
Mas e essas outras necessidades, as inventadas? Essas mudam muito e, o que é pior, nem sempre para melhor. Algumas gerações se assustavam com a bandeira “sexo, drogas e rock´n roll”. Assustavam-se com a liberdade feminina pós-anticoncepcionais. O susto era a criação em forma de afirmativa dessas necessidades aparentemente desnecessárias.
Hoje em dia o “rock” cedeu lugar à música eletrônica e suas batidas intermitentes, a maconha e a cocaína (esta em casos mais graves de vício) estão sendo superadas por substâncias em comprimidos, crack, drogas mais pesadas que levam o individuo mais rápido ao êxtase procurado. Êxtase que chamo de fuga. Fuga dos infelizes, dos covardes, dos que não tem apreço por si mesmos e pela vida. Fuga dos coitados (Coitados com “c” maísculo).
Sexo? Cada vez mais banal, cada vez mais sem sentimento. Promiscuidade em alta, amor em baixa. Sexo grupal, homens, mulheres, todos juntos, ilustres desconhecidos compartilhando o melhor da intimidade humana sem conversa, sem sentimento, sem carinho e, muitas vezes, com pouco ou nenhum beijo na boca. Só corpo, só prazer físico, via de regra tão fugaz quando o êxtase dos drogados. Não basta a esposa bonita é preciso amantes, é preciso desrespeitar o outro para se auto-enaltecer.
E os corpos atraentes, a vaidade? Outrora mulheres curvilíneas eram as atraentes e tomavam um chopinho com seus parceiros. Hoje é preciso mais, é preciso ser sarada, quase perfeita, sem celulite, barriga reta, coxa dura e peito grande. Não basta malhar, fazer exercícios, é preciso massagens, e em certos casos a paranóia é tanta que tem mulher que come e regurgita para evitar quilinhos a mais. Chopinho ou um vinho com o namorado? Depende, é preciso contar calorias, deixar de jantar. Batata frita? Heresia, leva à fogueira do inferno. É a geração das plásticas, das lipos, a geração das bocas infladas, do silicone. Felizes estão os cirurgiões plásticos, os traficantes, os donos de motéis e os governantes.
O trio sexo, drogas e rock´n roll vai ser lembrado com saudade. Não por ser uma bela propagação, mas porque a realidade do presente é mais abjeta, mais infeliz, mais vazia. Antes, nos assustávamos ouvindo a bandeira dos modernos (da época, é claro), hoje os jovens das raves não erguem bandeiras. Esta tudo liberado e fácil demais para usarem seu tempo formando frases chocantes, e é isso que me assusta. Até quando as necessidades desnecessárias arruinarão vidas com o codinome de diversão, de vaidade e de prazer?

Cláudia de Marchi
Marau, 23 de julho de 2008
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O homem e a racionalidade

O homem e a racionalidade

O ser humano é um animal racional. Parece frase de livro de Biologia, mas tem sido uma afirmação que repito para mim na intenção de voltar a crer nela. Com o passar dos anos passei a pensar que existe um longo abismo entre a teoria e a prática da "realidade" desta frase.
Será que é racional um ser que mata sem motivo? Que não cuida do próprio meio ambiente em que esta inserido? Que trai a confiança do outro sem se colocar em seu lugar para obter algum lucro ou, simplesmente, ter um orgasmo? Será que é racional um homem que, eleito pelo povo, rouba pensando em engordar seu saldo bancário enquanto leva o País a uma anorexia (não nervosa) econômica?
E, mais ainda, onde esta a racionalidade de um povo que perdeu a capacidade de indignação, que diante de "CPIs" sem resultado se contenta em ver a secretária, amante ou ex-amante de algum corrupto aparecer pelada em revista masculina? Onde foram parar os que pensam, os que se revoltam e, dentro do possível, manifestam seu pensamento? A ditadura se foi, a censura também, mas parece que com elas terminou as manifestações populares, o ânimo popular, a capacidade de se erigir contra o que incomoda. Ou será que nada mais esta incomodando neste Brasil?
O "imposto do cheque" poderia voltar. Nada de mobilização contrária. O povo brasileiro assumiu seu comodismo, escândalos políticos, assassinatos, morte nas estradas, más condições das estradas, nada, enfim, parece mexer com o brio das pessoas. Creio, pois, que a racionalidade parece ser um substantivo existente, mas mal usado, e tudo o que é usado negativamente quando deveria funcionar de forma inversa fica legado à inocuidade, ou melhor, à inexistência.
O homem se aproxima da perfeição na medida em que consegue pensar, refletir, constatar os seus próprios erros e, também, se indignar com as mazelas mundanas (inclusive com as que ele causa). Aliás, tal ato demonstra a verdadeira racionalidade humana.
Ter compaixão é uma forma de demonstrar o uso da razão, se colocar no lugar do outro e pautar a sua atitude vendo na outra pessoa um ser que também sente e sofre. Portanto, todos os seres são, em tese, racionais, mas poucos gozam da racionalidade na prática. Muitas vezes até os animais são mais sensíveis do que o homem, e é na sensibilidade que esta a beleza e a candura da razão.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 23 de julho de 2008.

Do Rock ao Sertanejo

Do Rock ao Sertanejo

Fui à um show de uma banda cover da saudosa Legião Urbana neste final de semana. A Legião é e sempre será, para mim, a melhor banda de rock nacional. Letras de uma qualidade magnífica, profundas, verdadeiras, que faziam e sempre farão as pessoas inteligentes pensarem.Tinha muitos fãs, mas não era pop como as que vieram depois dela. A Legião cantava frases complexas, não tinha refrões populares e vagos, suas músicas embalaram minha adolescência semi-solitária.
Eu sempre tive amigos mas adorava curtir uma certa solidão. Ouvir Legião e Cazuza no meu quarto, onde sonhos e pensamentos fortes cheios de convicções adolescentes me faziam companhia, era algo bom para mim. No show que assisti acho que eu era uma das poucas pessoas que sabia todas as letras, afinal tenho todos os cds. Um de meus sonhos era fazer o Renato Russo virar heterossexual, sua forma de pensar me surpreendia, me inspirava.
A geração Coca-Cola não era a minha, mas eu fui criada dentre seus membros, que, porém não eram burgueses sem religião e tampouco foram o futuro da nação, ao menos não o bom futuro da nação, porque este continua sendo uma esperança e não uma realidade.
Filha única e um pouco mimada de caminhoneiro que estudava em bons colégios, essa foi boa parte da minha vida. Me recordo das viagens de caminhão com meu pai quando ele ouvia músicas sertanejas: Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Chororó, Zezé di Camargo e Luciano, e outros dos quais não me recordo o nome, com exceção de uns tais Tonico e Tinoco e Milionário e José Rico, além de Sérgio Reis. Me lembro que eu fazia cara de nojo ao ouvir suas músicas, e logo pedia para colocar minhas fitas da Legião, Capital Inicial e Paralamas.
Pois é, a vida muda. Creio que depois do primeiro amor e da inserção real no mundo adulto a vida da gente se transforma. Na minha época rock em que a variação musical mais inusitada que eu fazia era U2, The Doors, Blondie e Guns´n Roses eu amava apenas a vida (sim, essa sempre foi minha paixão), meus pais e minhas amigas. Não tinha namoradinho nem nenhum romance findado.
Antes do primeiro romance o estilo musical mais romântico que eu ouvia era o Renato e a Zizi Possi cantando em italiano além do magnífico Andrea Bocelli, e, também Eros Ramazzotti. Mas, depois entrou Bruno e Marrone, Zezé di Camargo e Luciano. Brega? Anti-pop? Meu marido que me desculpe, mas adoro ouvir e assistir um dvd deles quando ele não esta perto, afinal critica o meu gosto.
(Confesso que dizer em público que músicas sertanejas me inspiram é como fazer topless, afinal a minha cultura e meu meio propagam o "pop", o clássico, a música da minoria e não da massa, do povo.)
Curto Amy Winehouse, Ana Carolina, Luisa Possi, Cássia Eller, Duncan, Calcanhoto, continuo fã da Legião, Paralamas, Capital Inicial, Biquini, Nenhum de Nós, U2, Guns, da boa e velha MPB, Caetano, Gil, Elis, Jobim, Milton Nascimento, gosto de boas músicas e, principalmente de boas letras, e talvez por isso tenha me tornado fã dos dois filhos de Francisco, por exemplo. Letras românticas? Dor de corno? Até onde sei nunca fui traída, mas letras musicais que falam de amor, amor reconquistado, perdido, amor que deu certo ou errado me acalmam. Não sou nenhuma romântica a moda antiga, não gosto de romance platônico, mas o amor em si me interessa e é por isso que tenho aos 26 anos um gosto musical diverso do que tinha há 10 anos atrás.
O Renato era fenomenal, o Cazuza também, mas ambos tiveram uma existência de extremos. Pessoas de inteligência rara, não tiveram uma vida que me desperte admiração, morreram cedo graças à seus excessos: Álcool, drogas, promiscuidade. Muitos roqueiros não vivem assim e suas músicas são sucesso, todavia não são letras tão chocantes e boas quanto as que eles escreviam e ouvir música moderninha de letra com 15 linhas não me agrada tanto. Esse também é um dos motivos que me faz admirar os cantores que, como diz meu parceiro, "vieram do meio do interior do fim do mundo".
A vida da gente tem fases, inclusive verificada no nosso gosto musical. Depois de conhecer o bom e o ruim do amor, da união, do companheirismo, depois de ver que meus heróis morreram de overdose, aids e outros males causados pelo seu excesso e falta de verdadeiro amor pela vida (quem ama cuida, quem se ama, se cuida) aprendi a respeitar as músicas sertanejas e, mais do que isso, me tornei uma fã delas.
Ideologia, como diria o Cazuza, eu quero uma para viver, mas a vida nos faz mudar de ideologias. Eu tive a ideologia da revolta, "o governo é uma porcaria, o Brasil uma comédia". Creio que tudo continue assim, mas a minha ideologia no momento é viver bem e fazer o que posso pelo mundo e por quem eu tenho apreço.
Podem me criticar, podem me tripudiar, apesar de continuar eclética, escuto bastante música sertaneja. E que venham Vitor e Léo, Bruno e Marrone, César Menotti e Fabiano e cia. Eu gosto, e se quiser que meus filhos sigam algum exemplo em relação a cantores famosos, prefiro que seja o dos que vieram do nada e estão vivos com mais de 40 anos do que o do cara inteligente e classe média que criticava com maestria a vida, mas não teve pela sua própria o respeito que ela merecia, e, por isso procurou e achou cedo a morte.
Certa vez achava que existiam pessoas que morriam cedo porque eram especiais, hoje eu acho que é especial aquele que vive bem durante o tempo que sua vida dura fazendo dela o melhor que ela pode ser.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 27 de julho de 2008.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Alegria de viver

Alegria de viver.

Felicidade. É um ideal, todos desejam, alguns possuem, outros divagam e muitos estão, neste momento, filosofando em mesa de bar a respeito dela: “Se constitui de alguns momentos”, “se baseia no contentamento”. Enfim, não faltam idéias a respeito da felicidade.
Todavia, quero falar é da tal alegria. Alegria de viver. Aquela empolgação por saber que se esta vivo, que o mundo esta andando numa justa sincronia e que temos a liberdade para buscar nossas realizações nele. (Estamos vivos, somos abençoados).
Enquanto a maioria reclama do seio pequeno, da bunda grande demais, das pernas finas, do nariz “estranho”, da boca fininha, da esposa ranzinza ou da falta de um amor para chamar de “seu”, das contas, do cheque especial estourado, alguns vêem o outro lado de si mesmo e da própria vida.
O outro lado é a percepção do “apesar”. Apesar da falta de seios, apesar da bunda grande, apesar da solidão, apesar das contas: Existe algo, existem virtudes, existem sentimentos, existe inteligência, existe amor, existem amigos, existe a família, existem outros atributos físicos atraentes, enfim.
Quem vê apesar daquilo que se pode lamentar tem alegria de viver, não se cobra demais, não se autocritica em excesso: Respeita seus limites e segue acordando animadamente durante as manhãs por perceber que a vida é especial na medida em que assim somos com ela.
Quem não vê na própria existência a graça de estar vivo constrói uma vida frustrada. O lamentável é que são pouquíssimas as pessoas que tem alegria de viver, a maioria prefere viver em “busca de algo”, reclamando demais, olvidando do fato de que sua própria existência é uma dádiva.

Cláudia de Marchi

Marau, 04 de julho de 2008
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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Pensar antes de falar.

Pensar antes de falar.

Existem dias em que a gente esta mentalmente cansado e de humor irritável. Dias em que a gente crê que o que nos passa pela cabeça são verdades inexoráveis e tem vontade de despeja-las para o mundo, para que quem nos cerca fique ciente de nossos pensamentos a respeito de suas atitudes e afirmativas.
A vida me ensinou que nesses dias o que realmente temos que fazer é o oposto da nossa vontade: Ficar de boca fechada. Falar o que se pensa pode causar danos imensuráveis, em especial porque, além de estarmos nos sujeitando a ouvir o que não desejamos, podemos nos arrepender. Não apenas nos arrepender de ter falado, mas, pior: De ter pensando.
Podemos mudar nossa opinião e ver que o que estávamos pensando tinha um certo grau de equívoco. Não à toda os pais instruem seus filhos a pensar antes de falar. A maturidade nos mostra que não são apenas minutos que devem ser despendidos para essa tarefa, muitas vezes são necessários dias, meses para confirmarmos se nosso pensamento esta correto e se vale a pena ser expressado verbalmente.
Uma vez expressada a palavra não volta atrás. Desculpas, perdão? Sim, são válidos e o homem maduro e de alma nobre sempre o concede por saber que também é passível de erros, de "pecar pela boca", todavia, convém analisar: Vale a pena magoar, ofender (mesmo sem ser essa a intenção deliberada), criar um clima pesado para tentar redimir tudo com um "me desculpa"? Não é melhor esfriar a cabeça, deixar o tempo passar e guardar o pensamento para que o amanha mostre sua exatidão ou engano?
Viver é sensacional, conviver, porém é uma arte que requer o uso constante da razão. Emoções são ótimas de serem gozadas: Amor, paixão, desejo, e até mesmo uma dose comedida de ira (ela nos faz sentir vivos), mas é a razão que deve nortear a vida humana para que o homem não siga seu instinto e termine malbaratando o sentimento alheio arriscando o bom convívio e seus relacionamentos.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de julho de 2008.