Sobre o verdadeiro pecado!

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"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sábado, 23 de agosto de 2014

Nietzsche, inveja e felicidade: algumas conjeturas.

Nietzsche, inveja e felicidade: algumas conjeturas.

Ontem, na companhia de uma pessoa excelente, diante da sua pureza, lembrei-me do conteúdo de um dos meus livros preferidos do inicio da minha fase adulta, final da adolescência, o sempre magnifico “Humano, demasiado humano” de Friedrich Nietzsche.
Um dos aforismos do livro diz que “a falta de amigos faz pensar em inveja ou presunção. Há pessoas que devem seus amigos à feliz circunstância de não ter motivo para a inveja.” Pois eu concordo.
Então, alguém pode pensar, “ora, mas você tem pouquíssimos amigos, então é presunçosa ou invejosa.” Não, não sou. Meu caro, existe muita diferença entre ter poucos amigos e ser pouco amiga, capiche? Se não cultivo muitas amizades é porque a vida me mostrou que, apesar de minha franqueza e transparência, algumas pessoas são falsas e problemáticas, logo, tornei-me seletiva em tudo, nas amizades inclusive.
Não chamo qualquer conhecido ou colega de amigo. Amizade requer confiança, cumplicidade e um amor terno, de forma que a pessoa não lhe estenda a mão apenas quando você está mal, mas consiga lhe abraçar quando ela carece de abraço e você esta exultante de feliz (com o perdão da redundância). A maioria dos amigos a gente encontra no primeiro caso, infelizmente.
Crescer na vida e estar em um momento melhor do que o do amigo é uma provação para a amizade. E confirma a frase do meu filósofo preferido. Mas eu faço um adendo, dizendo que há pessoas que devem o seu “agir amigável” a feliz circunstância de não ter motivo para a inveja, afinal, não raras vezes, damos confiança e chamamos de amigos pessoas que não mereciam nem o nosso “olá”, muito menos o nosso prezar.
Gente invejosa consegue se passar por amiga de muitos, mas, cedo ou tarde, estragam a amizade, porque a inveja faz com que o sujeito tenha aquele ânimo maligno de, utilizando-se da intimidade, difamar o proceder alheio para parecer ao outro superior, vez que o invejoso tem um momento de lucidez: ele sabe que é inferior, ao menos moralmente, ao invejado. Se não fosse, não seria invejoso! Seria um simples admirador, uma pessoa que se rejubila com a alegria de quem gosta.  
E, acredite, não é ser mais feio, mais pobre ou mais ignorante que o invejado que gera a inveja, é ser mais infeliz, menos alegre, porque a felicidade imotivada gera mais inveja do que tudo no mundo. O brilho, a alegria e ânimo de uma pessoa feliz e alegre aniquilam com a autoestima dos infelizes.
Dinheiro causa inveja? Com certeza, mas não tanto quanto a alegria, afinal, se dinheiro resolvesse tudo não teríamos gente milionária se matando por depressão. Felicidade, nos dias de hoje, é a maior fonte despertadora da inveja alheia. Infelizmente, porque ser feliz é uma responsabilidade do homem para consigo mesmo, nada que venha de fora conseguirá mudar uma circunstância que deve nascer na alma, quando nos encontramos com a nossa essência.  
A alegria costuma se relacionar ao sucesso, aos amores correspondidos, ao trabalho, ao dinheiro, até mesmo à aparência, a felicidade, porém, se relaciona, pura e simplesmente, com o “ser bem resolvido” psíquica e emocionalmente e ela, definitivamente, não tem preço e não se adquire. Todavia, se você está infeliz, mas endinheirado, não titubeie: viaje! Numa dessas, em Paris ou Nova York, você encontra a sua essência, se resolve e passa a ser feliz, além de rico, elegante e culturalmente abastado.

Cláudia de Marchi


Sorriso/MT, 23 de agosto de 2014.

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