Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Limite-se

Limite-se



A vida adulta é um eterno exercício dos chamados “limites”, o que não seria complicado se você fosse um eterno “bebezão” e tivesse alguém para estabelecê-los para você. Tudo muda com a responsabilidade da idade e, teoricamente, da “vida madura”, quando você precisa se limitar sem que ninguém lhe peça ou ordene.
Limite seus instintos de bondade, afeto e carinho com quem lhe responde com negligência ou estupidez. Não se vingue, apenas limite seu desprezo e revolta. Limite sua vontade de responder estupidamente às pessoas estúpidas, tolas e grosseiras: a sua resposta não vai mudá-las, apenas fará uma discussão se acentuar e, acredite, discutir com quem não quer lhe dar ouvidos e usa a ofensa como escudo é tolice. Acalme-se, limite sua raiva contra pessoas que não merecem nem o seu olhar “torto”.
Limite toda vontade de retribuir o mal com o mal, corra para longe do ciclo da discórdia e da ignorância, limite a vontade de falar “verdades” para quem acredita unicamente nas mentiras que inventa a si mesmo, limite seu desejo de ser “o bom” e reconhecido como tal, limite seu orgulho, sua arrogância, sua vontade de ser admirado e bem quisto, isso normalmente indica insegurança, portanto, invista em sua auto-estima, limite a dose dos remédios que “tratam” os sintomas, para averiguar a cura para seu mal (estar) afetivo, psíquico, emocional ou financeiro.
Limite suas palavras quando elas não forem justas, quando elas não forem nobres ou quando forem desnecessárias. O silêncio nunca falha, o silêncio não provoca guerras, celeumas ou brigas, ao menos que você conviva com um psicótico. Limite tudo o que não é bom, limite qualquer atitude ou palavra que, uma vez feita ou dita, possa fazê-lo arrepender-se.
Todavia, não limite o amor que você sente, não limite a vontade de abraçar, de acarinhar, não limite a vontade de dizer que “ama” à quem você ama, não limite a doçura, não limite palavras ternas, atos cordiais, bondosos e, sobretudo, puros e sinceros. Limite a simpatia hipócrita, mas não limite o sorriso nos lábios, o brilho no olhar e a gentileza de suas palavras quando sua alma, feliz e em paz, faz resplandecer beleza em seus atos.
Limite o que pode ferir alguém ou o que pode fazer-lhe sofrer, mas não limite o amor, a admiração, a candura, a doçura e todos os atos doces que tais sentimentos impulsionam você a fazer, porque, pode ter certeza, você nunca irá se arrepender de ter sido bondoso e agradável quando seu coração e índole lhe indicavam tal caminho. Boas pessoas não se arrependem de agir correta e agradavelmente, porque elas não buscam retribuição ou “resultado”, elas simplesmente agem de acordo com o que são e com o que sentem. Simples assim.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 13 de outubro de 2011.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fantasmas

Fantasmas




Como são egoístas, patéticos e tolos os seres humanos que não sabem perder. Aqueles que, por exemplo, admitem o pedido de demissão de um funcionário, mas não aceitam que ele encontre outro emprego, por exemplo.
A maldade humana, realmente, desde a época do Renato Russo, deixou de “ter nome”. Tornou-se tão vil, tão vã e estúpida que possui nítidos e infelizes caracteres tragicômicos.
A sua ex-mulher lhe assina o divórcio, pouco dialoga, tenta lhe cercar quando pode, até que ela descobre que você encontrou um novo amor, uma nova flor para seu jardim, então, a egoísta que, não em vão, perdeu seu apreço, resolve lhe procurar.
Você não quer lhe dar atenção e nem sequer lhe ouve, afinal você sabe o seu discurso decor, essa situação não é inédita e, se você for tolo mais uma vez e ceder às suplicas da infeliz, futuramente ela se repetirá. Esse momento é fantasmagórico e só acontece se você acreditar no reaparecimento da alma que já foi velada.
Não é amor, não é encanto, não é bem querer, é orgulho ferido, obsessão, egoísmo e, porque não dizer, burrice de quinta categoria: a sem vergonha aceitou perder todas as batalhas, mas quando você resolve encarar outro campo de batalha, outra “causa”, outra guerra, ela vem com canhão e munição, para dizer que quer lutar ao seu lado.
Piada! Piada de quinta categoria. Não seja tolo meu caro, se ela fosse boa não seria sua “ex”! Deixe o platonismo de lado, valorize quem valoriza você, estime quem lhe é sincero, fiel e amoroso e, nunca esqueça porque você incluiu ou excluiu pessoas de sua vida, afinal, sempre existem aquelas - sem noção alguma do ridículo-, que um dia baterão à sua porta dizendo que você estava equivocado, afinal ela não viu e nem estimou o seu sofrimento, a sua frustração e as amargas lágrimas que você chorou.



Cláudia de Marchi



Passo Fundo, 11 de outubro de 2011.

Maduros

Maduros


O que torna uma pessoa madura? A capacidade de aprender com a vida, com o que observa e, freqüentemente, com os equívocos que comete, ainda que na crença de estar “acertando”, ou seja, com o seu sofrimento e frustrações.
Não por menos, lágrimas, reclamações e a tradicional posse da “alentadora” posição de “vítima” perante os fatos é, não apenas inútil e iníqua, como vai de encontro com a ordem de evolução reservada ao homem, ou seja, errar, sofrer, aprender, crescer e se fortificar interiormente.
Errar é humano, se enganar com as pessoas é “normal” quando você é jovem e julga aos outros por você, ou seja: você só é amoroso, simpático, aprazível, puramente sincero e carinhoso com quem lhe desperta sentimentos nobres, logo, você presume que todos tenham tal “franqueza” e coerência entre seu pensar, seu agir e seu sentir, mas você se decepciona: as pessoas mentem e omitem fatos relevantes para conseguirem o que desejam de você, a sua confiança e admiração, por exemplo.
Ser inocente no mundo é como ser um cego solto em meio a leões, todavia, uma, duas ou três vezes derrubado, ferido, mas vivo, ainda que a tendência seja crer que os felinos a serem colocados novamente na jaula serão os “prometidos” gatinhos, o melhor é se proteger, ouvi-los, observar ao máximo e nas formas possíveis, as suas atitudes, antes de ser, novamente, decepcionado, malbaratado e judiado.
A inocência é privilégio dos homens bons, eles não a perdem por completo, o que conseguem com o sofrimento é aguçar seus instintos, sua intuição, sua capacidade de observação e, obviamente, de reconhecer uma pessoa digna dentre as demais.
O sofrimento amadurece o homem, mas apenas os que possuem a alma humilde para reconhecer que foram “vitimas” de suas próprias boas crenças, desejos puros e bondade, manter-se maduro, por outro lado, requer coragem, brio, destemor e auto-confiança para que, sem traumas pelos equívocos de outrora, o homem não desista de buscar pessoas a ele afins neste mundo, para maduro, forte e ciente do que deseja, poder viver feliz e tranqüilo com quem merecerá sua devoção.
Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 11 de outubro de 2011.

"Filhinho ouça bem: Não! Não e ponto final."



“Filhinho ouça bem: Não! Não e ponto final.”





Se você quiser ensinar alguém seja professor, pastor, instrutor de auto-escola, padre ou tenha um filho, de resto uma pessoa jamais terá o direito de bancar a “mestre” da vida alheia, ao menos que a pessoa lhe peça para ensinar algo, do contrário, silencie suas palavras e contenha seus atos.
Pois bem, ser pai e mãe é uma dádiva que poucos conseguem exercer com talento. A maior lição que os pais podem dar para um filho é ensiná-lo a aceitar, sem perder a auto-estima, os “nãos” necessários da vida e que, primeiramente, deverão sair de suas bocas.
Você não tem o direito de ensinar seu filho a “não querer” algo, a “não desejar” o que lhe parece belo, agradável e bom. Mas você, como mãe ou pai, não apenas pode, mas deve ensinar seu filho a conviver com a impossibilidade de ter tudo o que deseja, de ir aonde quer, no momento em que quer. Limites é sinal de amor, liberdade em excesso é indício de preguiça e descaso com a educação dos rebentos.
Se haverão gritos e lágrimas? Sim, muitos. Quanto mais esperta a criança, mas persuasiva, e, cá entre nós, existe melhor técnica de convencimento do que um rompante de lágrimas, de gritos, onde eles se “tornam” as vitimas e você “a fera”? Os pais morrem de vergonha, se irritam e, de regra, cedem.
Diga “não” para o seu filho e você estará lhe ensinando os primeiros passos para a felicidade: aceitar o que, no momento, não pode ocorrer ou ser modificado, aceitar que nem sempre ele será amado, e que às vezes, mesmo sendo adorável ouvirá “não” como resposta, a aceitar que a vida não é tolerante e nem “passa a mão” na cabeça de ninguém.
Você já ouviu falar de jovens que agridem seus pais ou de homens que agridem suas parceiras? Você já leu alguma noticia sobre homicídio passional, porque a mulher ou o homem não queria mais o relacionamento em detrimento da aceitação do homicida? Pois bem, meu caro, tenha certeza de que estes jovens, de que estes adultos, não ouviram “não” quando precisavam e, conseqüentemente, não aprenderam a perder, não aprenderam que é impossível ter tudo o que se deseja na vida, mas que, nem por isso, ela é ruim.




Os pais sofrem muito mais no futuro ao ver “quem” seus filhos se tornaram, do que teriam sofrido no passado se tivessem tido a coragem, o brio e o amor necessário para dizer-lhes “não”. O pior tipo de pessoa no mundo é aquela que não aceita o que precisa terminar, que não aceita o fim, que não aceita o “não”, que não aceita perder. Batalhar e lutar são virtudes, teimar a ponto de desestabilizar a paz alheia é doentio, é sinal de egoísmo crônico, de má-criação, cujo demérito, lamento informar, mas eu atribuo aos pais.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 10 de outubro de 2011.

Os lugares dos desequilibrados



Os lugares dos desequilibrados





Eu tenho ojeriza à gente desequilibrada. Sofri muito tentando “ajudar” quem não se ajudava, pessoas que queriam ser o foco das atenções, pessoas que só sabiam ter necessidades, mas jamais compreenderam o sentido da palavra “doação”.
Pessoas com pouco equilíbrio psíquico têm lugares definidos na minha vida: o primeiro é a ante-sala de um psiquiatra, o segundo é a sala dele, depois é a vez da ante-sala de um psicólogo, após, é o divã, e se essa peregrinação não funcionar, o próximo e último local é um leito num hospital psiquiátrico a ser escolhido pelo doente, pai, mãe e, em último caso, irmãos, afinal, ex-filho e ex-irmão não existe.
Não conte, porém, com minhas palavras de apoio, com meu amor, com meu carinho, com minha atenção se você resolveu surtar, porque não consegue aceitar as frustrações da sua vida, inclusive as que você criou por carência ou incompetência. Eu não tenho piedade de quem se faz de louco para cativar os tolos e inexperientes.
Ninguém muda por você, não se meta com gente difícil, dura, teimosa, sem auto-equilíbrio, sem paz ou contentamento. Dinheiro algum compra a alegria e a tranqüilidade da normalidade psíquica, de, agora seu amigo ou parceiro estar feliz e daqui a duas horas, se nada demasiado grave ocorrer, ele continuar com o mesmo estado de espírito.
Pessoas desequilibradas tiram o seu equilíbrio, se alimentam da sua sanidade, mas a regurgitam: elas não querem ser “normais” e sãs, porque pretendem provar-lhe que são miseráveis e infelizes, ainda que, para isso, se afoguem e levem você junto.
Portanto, meu caro, seja humilde, ame a sua vida, e seja esperto! Eu já falei quais são os lugares das pessoas desequilibradas na minha vida? Pois bem, faça deles o lugar delas na sua também, eu garanto que você não vai se arrepender.

Cláudia de Marchi








Passo Fundo, 10 de outubro de 2011.

Se valorize!

Se valorize!


Quem não sabe dar não sabe receber, quem não sabe amar, não sabe receber amor, quem não dá carinho, é incapaz de recebê-lo e, quer saber? Nem merece! De todas as anomalias, de todas as deficiências humanas a moral e a afetiva são realmente abjetas, graves e imperdoáveis.
Ah, mas você é “cheio de amor pra dar”, não é mesmo?! Você “não se importa” que seu parceiro seja problemático, cheio das “reticências” e “bloqueios”, afinal, do alto de sua mente “superestimada” você tem certeza que o seu carinho, o seu bem querer, o seu amor e a sua dedicação irão revolucionar a alma e o coração frios do “dito cujo”, você pensa que vai fazer “milagres” na vida e na mente alheia?!
Ora, que meigo, que bela pretensão! Você se acha, praticamente, um “Jesus Cristo” pós-moderno, certo? Só pode ser isso, afinal nenhuma pessoa com o mínimo de experiência de vida, humildade de espírito e inteligência razoável “acha” que vai “mudar” alguém, que vai amolecer corações empedrados, que vai, pois fazer “surgir água em terra seca”.
Simplifique sua vida, a começar por suas intenções. Não seja módico em demasia nos anseios, mas não seja insano e inconseqüente a ponto de colocar seu coração a prova para “salvar” quem não pediu ajuda e, seja realista, ainda que alguém solicite sua ajuda, se o mal deste ser for a frieza, mande-o ir a um psicólogo ou psicanalista, não queira ser a “cura” de uma alma gélida, não se arrisque, não seja tolo!
A vida promete, o mundo conspira a favor de quem facilita a própria vida, de quem busca a felicidade na simplicidade, de quem quer ter paz, amar e ser amado e não ser “o mártir dos problemáticos” que mal sabem amar. Ora, meu amigo, se valorize, porque se você não fizer isso, eu lhe garanto: ninguém fará.
Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 10 de outubro de 2011.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ermitão pós-moderno

Ermitão pós-moderno




A vida não é um mistério, a vida é para os destemidos, a vida é para os bondosos e não para quem pensa que é melhor que os outros. É triste, mas não raras pessoas lamuriam a perda, o desgaste e o fim, sem que tenham cuidado para o equilíbrio, para a mantença e para o cultivo de algo em seu viver.
Viva meu caro, viva intensamente, mas fique sabendo que o tal do “amor” lhe torna responsável pelos seus atos, ao menos em relação a quem você diz amar. Não brinque de “roleta russa” afetiva, proteja o seu coração, mas proteja quem você ama.
Não basta ser belo, não basta ser educado, não basta ser elegante, e, muito menos, não basta ser abonado. Com exceção das prostitutas ou das mulheres que não valem um mísero níquel, as damas com “m” maiúsculo querem amar, acarinhar, mas querem se ser amadas, cuidadas, valorizadas, acarinhadas.
Para manter o amor é preciso atitude, boa vontade, respeito e uma vontade a ele inerente: a de “fazê-lo dar certo”. O que você acha que as pessoas de inteligência mediana podem presumir quando suas plantas morrem secas, por falta de água? Que você as deixou de lado, que em meio as 24h de seu dia, você não achou um minuto sequer para elas, que você as negligenciou em prol de qualquer coisa que não fosse o seu apreço pelas plantinhas que você escolheu ter!
Assim com a natureza e com os seres vivos “extra humanos” de sua vida, como com os humanos. O carinho e o amor não são abastecidos por palavras, assim como um veiculo automotor não pode ser guiado pela força de seu pensamento e fé. Você pode ter esperança e, até mesmo, fé de que seu relacionamento vai dar certo, mas se você quedar-se inerte, sem agir, falar, demonstrar e se decidir, nada, absolutamente nada vai acontecer.
A vida não tem troca de “cambio automática”, muito menos “piloto automático”, se você sente necessidade deles, abdique de conviver com pessoas e vá morar no mato e cuidar das plantas. Se “agüente” e se ature sozinho como um típico ermitão insensível, frustrado, mas que “jura” que é feliz!
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 07 de outubro de 2011.

Amor sem aspas.

Amor sem aspas.




Não se preocupe e nem se aflija com o mal estar que você sente quando se trata de dor, sofrimento ou sentimento de menosprezo afetivo. Esta chorando, com o coração dolorido e a alma aos prantos? Alente-se! O sofrimento passa, o aprendizado fica, os frutos da maturidade crescem e, cedo ou tarde, você irá colhê-los.
Não pense que o seu “amor” de música sertaneja é amor de verdade. O amor verdadeiro desconhece “cada volta é um recomeço”, “entre tapas e beijos”, “amor bandido” e tudo que se refira à ausência de afinidades que “somem” na cama. O amor une as pessoas de corpo e alma, por isso ele é divino, não basta o sexo, não basta o intelecto.
Os opostos se atraem? Sim, pode ser. Mas entre a atração, o amor e o tal de “dar certo” existe milhões de quilômetros de oceano profundo. Eu achei que tivesse amado na vida, eu sofri “por amor”, mas hoje eu se, que, se teve dor e sofrimento, se teve desatenção, falta de carinho ou desrespeito, não era amor, não era precioso, não era divino. Era ilusão, era uma paixão e, bem, eu não preciso explicar que esta palavra significa sofrimento, agrura e dor, certo?
Quando você amar sua vida vai mudar, seu espírito vai irradiar luz através de seus olhos, de seu sorriso, de suas palavras. Quando você amar, você não vai precisar conter seus pensamentos, seus sentimentos, suas vontades, seu carinho. Você não vai ter medo de nada, porque você vai sentir uma forte sintonia que vibra e lhe diz: “É agora, é agora! Chegou a sua hora de ser feliz”.
Amor condiz com carinho, respeito, afinidades, companheirismo, jamais com estupidez, descaso, frustração e lágrimas. Se você acha que sofre “por amor”, beba um bom vinho e se tranqüilize: você ainda não conhece o amor, talvez nunca venha a conhecê-lo (lamento, acontece com muitos nesta vida), mas isto que "justifica" sua “depre” e seu choro pode ser tudo, menos amor de verdade.
Você pode chamá-lo assim (de amor sem aspas) a sua vida inteira, caso nunca conheça o verdadeiro amor e veja quão “tola” foi sua tristeza, embora ela tenha lhe ensinado a "diferenciar" pessoas, "reconhecer" caráter, ser mais sensível e dono de si, e, quiçá, tenha lhe preparado para reconhecer o verdadeiro amor, afinal nada é em vão nesta vida.





Cláudia de Marchi






Passo Fundo, 07 de outubro de 2011.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Celulite e marido



Celulite e marido (Deboche!)



O que você é: uma mulher moderna e independente que quer ter uma companhia para compartilhar todo amor que tem em si ou uma “pseudo mulher” que acha que homens são o conjunto de um órgão sexual com cartões de crédito, carrão e grana? Você quer ter alguém para amar ou se contenta em colocar uma aliança e dizer que é casada, como se isso fosse critério de superioridade entre você e as demais?
Olha, em relação a segunda pergunta eu acho que muitas devem estar afirmando que querem uma companhia para amar e serem amadas e que não acham que “casamento” torne uma mulher mais feliz do que outra, certo? Mas, até que ponto você esta sendo sincera e até que ponto você não é muito diferente de sua avó que nasceu há mais de meio século atrás?
Se as mulheres fossem altruístas, realmente independentes e donas de si eu não teria tido a infelicidade de ver o número de mulheres que, via Facebook, colocaram no seu mural e “curtiram” a mal fadada frase da sempre polêmica Preta Gil, que, a meu ver, por não ter superado o pai em talento, tenta (e consegue, com maestria) superá-lo em ignorância e estupidez.
“Ah, qual é a frase?” você deve estar se perguntando, pois bem, a frase foi dita em um evento para 500 pessoas num Shopping Center de São Paulo: “Eu tenho celulite, mas tenho marido!”. Esta foi a frase curtida e aprovada por mulheres do Brasil inteiro. Em primeiro lugar, desde quando ter celulite é algo tão grave que a auto-estima só aumenta por você ter um “macho” para acariciar os buracos de gordura nas suas coxas, pernas ou barriga?
Em segundo lugar, o que diferencia uma mulher com celulite e solteira, de uma com celulite e casada, ou, de uma sem celulite e solteira ou sem celulite e casada? Nada, além da opinião que cada uma faz de si mesma e, sinto informar, achar que ter “marido” é troféu que compensa seus complexos, flacidez, gordura, celulite “ou seja lá o que for” que você não gosta em si, é uma forma de pensar arcaica e lamentável.
Eu tenho pena de mulheres que acham que ter namorado ou marido é ter um bônus na vida. Amar e ser amada são dádivas divinas, íntima, especial, mas, como todo o resto de benesses do mundo, não torna ninguém melhor do que os outros, talvez mais feliz, mas quem é feliz não se gaba por ter marido, mesmo sendo gorda ou com celulite. Valha-me Deus!
Cláudia de Marchi






Passo Fundo, 05 de outubro de 2011.

Razão e emoção

Razão e emoção



Meus receios são limitados, não sou o tipo de pessoa que possui muitos medos. A vida me ensinou que razão e emoção são importantes, mas, dependendo da escolha a ser feita, uma se sobressai sobre a outra.
Viver é como dançar: não importa a perfeição de seus passos, cada um deve cuidar dos seus, o que realmente importa é você estar “curtindo” a música, a energia, se não estiver, mude de pista, de local, de ambiente. Cada um cuida de si e, de regra, quem critica o molejo (ou a falta dele) dos outros é quem fica parado num canto vendo a festa passar, enquanto olha com soberba para os que se divertem e lhe ignoram.
Eu não tenho medo de me jogar na água e me afogar, eu tenho medo de água suja e do mal que ela pode fazer para a minha saúde, ou seja, eu não tenho medo de me entregar a quem eu vejo que é transparente e bondoso, a vida me ensinou a ter receio apenas do que, molhado como água é poluído como esgoto.
Eis que é preciso saber quando usar a razão e, de vez em quando, lhe dar umas “férias”. Se todas nossas decisões fossem abstidas do que sentimos seriamos robôs, marionetes, qualquer coisa, menos seres humanos. Para o amor o zelo, a intuição, o bem sentir, para os investimentos financeiros, os cálculos, o sopesar de prós e contras, o raciocinar. Confundir uma coisa com a outra pode levar o homem à bancarrota, afetiva ou financeira.
Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 05 de outubro de 2011.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sem complicações!

Sem complicações!



Não é de minha índole ser desconfiada, analisar a vida alheia, ver maldade nas pessoas ou, como diria meu pai, “procurar cabelos em ovos”. Eu falo a verdade e confio em quem elejo para conviver comigo, não me vale a pena complicar o que é simples. E viver é simples! Tenho uma forma literal de interpretar a vida, tenho intuição e me entendo com ela, todavia a simplicidade e espontaneidade se tornaram meus motes de bem viver numa fase mais madura da minha existência.
Quem não me ama a ponto de respeitar meu jeito atrapalhado, ainda que organizado, animado, humorado, demasiado leve, sincero, alegre, responsável, espontâneo sorridente e altivo, por exemplo, basta seguir sua vida, sem achar que eu sou um joguete em suas mãos. Não mudo para agradar a ninguém, eu posso mudar, é claro, para melhor, apenas se eu perceber tal necessidade. Não quero que a amargura de minhas decepções do passado azede o meu futuro e nem retraia meu sorriso esperançoso, cheio de fé e confiança no presente e, talvez, num amanha ainda melhor.
Gosto de simplicidade, gosto de descomplicação! Não tenho medo de morrer, mas também não tenho pressa, não tenho medo de ser mais uma infeliz e frustrada que deixou sua vida passar, mas apesar disso, eu ando rápido e abraço as oportunidades que, sinto, irão me fazer feliz. Não tenho tempo para manter as pernas cruzadas, encher a barriga de chocolate e lamuriar meu passado, afinal, não fosse a inocência malbaratada nele, hoje eu seria mais uma tola quase balzaquiana no mundo.
A felicidade a sós esta no auto-respeito, no amor próprio, na capacidade de ouvir seu próprio coração, de reavaliar seus atos, sem sentir culpa, revolta ou pena de si mesmo. A felicidade do homem solitário esta em ter uma consciência tranqüila, fé em si mesmo e na vida, nos seus pensamentos positivos, em especial.
A felicidade afetiva do homem, por sua vez, só passa a depender dele quando ele encontra alguém que lhe valha a pena, que balance seu coração, que lhe faça pensar: “Onde ela estava que eu não havia lhe encontrado”. Surgindo daí a correspondência mútua de sentimentos, o caminho para a realização é a confiança, o destemor, o respeito, o carinho e a vontade de ser feliz com a pessoa escolhida, com aquela cuja sintonia se dá de forma transparente, simples, descomplicada e justa.
A vida é simples, não encane quando seus anseios, em comparação com a realidade, lhe traírem. Se erga, sacuda a poeira e siga adiante, antes de ser atropelada e ficar no chão em definitivo, ou melhor, a sete palmos abaixo dele. Leva-se muito tempo para crescer na vida, leva-se muito tempo para formar-se uma grande personalidade e, também, leva-se muito tempo para perceber que a felicidade é irmã da simplicidade: onde existem muitos “poréns” e detalhes o amor se evade, ele não gosta de complicações ou “dramas” desnecessários.
Ele não precisa de odes, de luxo ou ovações, apenas de transparência, sinceridade e franqueza. O amor, como a vida, é simples, complicado é achar alguém que mereça o seu verdadeiro amor, a sua mais pura entrega. Mas, como diria o Renato, “confie em si mesmo, quem acredita sempre alcança”. E alcança mesmo, não desista, afinal não existem infelizes no mundo, apenas pessoas desistentes, inseguras e covardes.
Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 05 de outubro de 2011.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Réplicas

Réplicas



Eu não sou esnobe, mas sou sincera de todas as maneiras. Se a bolsa é réplica eu não compro, sim, gosto de bolsas caras, porque sou da opinião de que uma boa bolsa tem vida própria: você pode estar meio down, não muito arrumada, mas uma bolsa elegante e de grife grita “esta mulher é chique, mas não esta num dia bom”.
Não sou assim com muitas coisas, jóias, por exemplo, se não quero ou não posso gastar um monte de dinheiro numa peça da Vivara original, gasto um pouco menos numa réplica. Todavia não se comparam os valores de uma jóia chique com o de uma bolsa, certo?!
Confesso que tenho duas paixões materialistas na minha vida: bolsas e jóias, as outras são mais baratinhas, bons vinhos, boa comida, enfim, os prazeres para os quais nosso dinheiro foi feito para ser gastado, ou melhor, investido. Qualidade de vida é investimento, não desperdício.
Toda pessoa tem uma ou outra excentricidade financeira, faz parte da personalidade delas, tenham bom ou mal gosto, afinal, ele não se compra. Você pode ser rica, se tem mal gosto, vai sair de sua Mercedes parecendo a sua doméstica no meio da faxina, se tem bom gosto vai sair do seu trabalho, como doméstica, elegante, sorridente e bem vestida. Nada mal, a auto-estima agradece!
Aliás, amor próprio é outra coisa que não se compra. E ai entra o tipo de réplica que eu jamais quero encarar, (apesar de detestar bolsa Victor Hugo “para inglês ver”), o que me tira do sério mesmo é réplica de gente bem resolvida, réplica de gente feliz, réplica de gente contente, réplica de gente sincera e de bem com a vida.
Não suporto gente com pouca auto estima, que se auto-afirma e quer parecer, aos outros, feliz, virtuosa, exemplo de “moral e bons costumes”. Réplicas para mim são objetos e pessoas falsas. Objetos a gente doa, coloca no lixo, gente falsa tinha que nascer com uma tarjeta preta na testa: “Sou tóxica. Mantenha distância.”
Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 01 de outubro de 2011.

Limpando sua vida.



Limpando sua vida.





Faça uma faxina em sua vida. Você pode ter uma faxineira para limpar a sua casa, por exemplo, mas, com certeza você gosta dos objetos guardados da sua forma, do seu gosto, na sua vida, mais ainda: ninguém pode mudar as “coisas” de lugar sem que seja você.
Afaste de seu mundo pessoas mesquinhas, egoístas, esnobes e pobres de espírito, fique atento para os seus “amigos” e separe os “pseudo” de seu rol, não ouça e nem valorize quem lhe inveja. Aguce seus sentidos, perceba quem lhe emana energia positiva, quem suga o seu astral e quem quer tripudiar de seu bem estar para lhe ver “mal”.
Amigo verdadeiro não é apenas o que lhe estende a mão quando você esta por baixo, mas o que não se incomoda quando você esta melhor, quando você esta por cima. Amigo verdadeiro quer lhe ver feliz, não lhe inveja e nem lhe engana.
Afaste-se de pessoas egocêntricas e narcisistas, fuja das pessoas que acham que você é uma “fonte” de auxilio. Ajudar, estender a mão para quem precisa é virtuoso, mas virar uma Madre Tereza para pessoas ingratas e incapazes de resolverem seus próprios problemas é a visão do inferno. Ademais, quando você soluciona os problemas alheios, você só ajuda o seu próprio ego a inflar, o outro individuo vai continuar semi-inútil e ingrato.
Não aceite mais que as pessoas tentem lhe fazer de bobo porque você é bondoso. Dê um basta no que não lhe agrega boas energias, bons sentimentos e não lhe faz um bem enorme. Sim, não se contente apenas com o que lhe faz “bem”, queira um bem muito maior e mais sublime: você merece! Não aceite que as pessoas frustradas e negativas queiram lhe contaminar, simplesmente, peça licença e diga: “Lamento por você, mas enquanto você remói seu passado eu vou cuidar do meu presente. Good bye!”
Cláudia de Marchi




Passo Fundo, 02 de outubro de 2011.

Filhos e separação: quem você "deixa"?







Filhos e separação: quem você “deixa”?







Se você teve responsabilidade e prazer para fazer um filho e colocá-lo no mundo tenha uma certeza simples: a sua responsabilidade de amar, respeitar, zelar e ser mãe ou pai não se extingue com a maturidade, com o sucesso profissional, financeiro, com a colação de grau de seu filho, nem mesmo com seu casamento.
Filhos são para sempre e é por isso que eles devem ser planejados e, de preferência, nascerem do amor de um casal que possui afinidades psíquicas, morais e espirituais, entre pessoas afins, equilibradas e maduras o suficiente para saber que, uma vez colocados no mundo, os rebentos são uma eterna responsabilidade, não um fardo.
A responsabilidade dos pais consiste em amar, apoiar, acarinhar, proteger, admirar, e incentivar seus filhos da infância à velhice, do filho é claro, afinal bons pais são pais até quando a senilidade lhes debilita, um filho nunca deixa de ser um filho, ele pode ser uma criança que cresceu, mas não deixou de precisar da demonstração de amor dos seus pais.
Se acaso um dia você se separe da mãe de seu filho, compreenda que não é dele que você esta se divorciando, não é ele que você esta abandonando, trocando ou, apenas, deixando de lado porque seus objetivos e forma de pensar a vida mudaram. A separação entre casais é compreensível e, não raras vezes, ainda que existam filhos, é necessária.
Duas pessoas infelizes, que não se tratam com carinho, que não se admiram e nem se amam mais, com o passar do tempo instalam um clima de beligerância doméstica, e criança alguma merece viver em meio a um ambiente de frustrações, cobranças e arrependimentos criado pela infelicidade amorosa dos pais. Então, tão relevante quanto saber amar, saber desistir é saber como e a quem “desamar”.
A separação é um rompimento de vinculo matrimonial, não matriarcal ou patriarcal. Filhos são eternas crianças a espera de um carinho, de um abraço, de um olhar de compreensão, de um gesto de apoio, não compreender isso ou ignorar tal fato é uma forma injusta de romper um vinculo afetivo com quem não merece, com quem nada fez para ser deixado de lado, ignorado e, aparentemente, esquecido. E, outra verdade simples, mas que vale a pena ser lembrada, é a seguinte: sem convívio, sem diálogo, sem atenção e com afastamento, a transparência e a confiança inerentes ao amor entre pai e filho se esvaem, fica o “instinto” de bem querer, e não a admiração e o carinho autênticos, o que é lamentavelmente triste e, com o decurso do tempo, praticamente irremediável.
Cláudia de Marchi






Passo Fundo, 03 de outubro de 2011.

domingo, 2 de outubro de 2011

Realista

Realista


Não se iluda nem seja estúpido, você não vai ser feliz durante todas as horas da sua vida, durante todo seu tempo, para isso seria necessário um belo desfalque psiquiátrico (uma oligofrenia avantajada, em suma) ou uma frieza moral de dar inveja às geleiras do Alasca.
A vida é simples, só consegue ser feliz quem aprende a dançar de acordo com seu ritmo, quem dá valor para o que possui, para o que conseguiu realizar e tem fé no que esta por vir e nas conquistas a serem realizadas. Só consegue ser feliz o homem que entende que a felicidade esta nos momentos simples e singelos, mas não em todos os seus momentos.
É preciso ter sofrido e conhecido o lado complexo do que pretendia ser bom, mas não foi, para valorizar a simplicidade imanente a felicidade, afinal quem nunca provou um vinho da uva malbec não saberá diferenciá-lo de um cabernet.
Não é possível ser feliz sempre, mas sempre é possível desejar ser feliz, desejar a melhor companhia, o amor mais puro e leal, a amizade mais sincera, a companheira mais carinhosa, o trabalho mais promissor, um hoje excelente e um amanha melhor ainda. Certo é que, quem não espera o melhor, não o reconhece quando encontra.
Então viva com humildade, aprenda com seus erros, aprenda com o que você ouve, sinta-se frustrado quando for impossível se sentir contente, sinta-se triste quando for impossível ficar alegre, mas nunca, em momento algum desista de ser feliz, não desista de esperar o melhor, porque quem acredita e espera, sempre alcança, e quem não crê não valoriza o que encontra, por melhor que possa ser.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 02 de outubro de 2011.

O que é bom

O que é bom


O que é bom chega sem pedir licença, o que é bom chega sem lero-lero, sem marra, sem falso pudor, sem falsa vergonha, sem falsa simpatia, sem falso romantismo. O que é bom chega e se estabelece porque “é”, não porque “pretende ser” ou fazer-se “passar por”.
O que é bom chega com o gosto que tem, não tenta ser mais doce, mais apimentado, mais amargo ou mais saboroso do que é. O que é bom chega espontânea e despretensiosamente, mas voluntariamente escolhe você, escolhe ficar com você, sem pressão, sem medo, apenas porque reconheceu sua sinceridade e beleza interior que muitos ignoram.
O que é bom não promete demais, o que é bom demonstra o que sente, não jura, atua, age, vivencia e faz você vivenciar momentos simples, porém inesquecíveis. O que é bom chega e age com simplicidade, sem pretensão ou sem afirmar a verdade inerente ao fato de que o que é especial, marcante e apaixonante é simples. São momentos, doces momentos.
O que é bom para você deseja você, admira você, ouve você, respeita você e aceita suas virtudes, seus defeitos, suas pequenas mancadas, seus pequenos “atrapalhos”, simplesmente porque quem é bom chega para você valorizando o seu lado bom, as suas virtudes, a sua luz, e assim surge o entrosamento, a compatibilidade energética e de almas. O resto é “resto” e nem convém ser mencionado.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 02 de outubro de 2011.

sábado, 1 de outubro de 2011

Reconhecendo exceções

Reconhecendo exceções


Você pode conhecer muitas pessoas, você pode ter mil formas de se “proteger” do que parece que pode lhe ferir ou magoar, mas você nunca vai ser feliz se não conseguir agir “excepcionalmente” com quem lhe parece ser uma exceção, ou seja, com quem pode lhe fazer um bem enorme e lhe deixar realmente contente.
Eu digo “parece” porque as certezas vêm com o tempo, no inicio tudo é intuição, boa ou má, é claro. Então, se você consegue perceber, notar, sentir que esta diante de uma exceção as regras que você conhece, não seja tolo nem covarde, ouse, aja como você não costuma agir, de regra é assim que belas e verdadeiras histórias surgem.
É bom você saber como se defender, é bom não confiar em qualquer pessoa, é bom olhar no fundo dos olhos de quem demonstra interesse por você, é bom você sentir a energia, aquele “algo” cósmico que existe entre as pessoas e só os olhos na alma conseguem enxergar.
Se você sentir, perceber e notar algo que lhe surpreenda positivamente, vá em frente, não fique preso aos seus medos e receios de sempre, pena de passar o resto de sua existência levando a sua vida “protegida”, mas insossa de sempre.
Faz parte da evolução humana, sofrer, aprender, errar, acertar e, sobretudo, aprender a reconhecer as exceções em meio às regras, aquelas para quais suas loucuras não serão loucuras e a confiança atribuída não será um ato temerário, mas natural, saudável. Normalmente é o que ocorre quando “exceções” se encontram e, sobretudo, se “reconhecem”.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 01 de outubro de 2011.

Pacto

Pacto


Eu já fui muito disciplinada com os cuidados com minha saúde, em especial com meu corpo. Fazia musculação todos os dias, caminhava religiosamente aos domingos e, quando ansiosa, pedalava numa ergométrica que sempre tive em casa, mas a vida foi passando, e outras batalhas passaram a ocupar meus dias, trabalho, mudança de rotina, e restou a ergométrica e uma plataforma vibratória de última geração.
Sempre que possível, mais de 3 dias por semana, ao menos, eu as utilizava, até descobrir que a discopatia degenerativa que tenho há anos praticamente terminou por “secar” quase meus discos intravertebrais, logo, antes que uma vértebra encoste na outra, o melhor foi trocar a vaidade pela fisioterapia e um certo remédio caríssimo para dor crônica. São os ônus da genética tacanha e da vaidade demasiada.
Hoje em dia, no entanto, eu fiz um pacto com a verdade, com a sinceridade na minha vida, porque, sem elas, a existência humana não tem valor algum. Uma pessoa mentirosa não vale o que defeca, com o perdão de minha peculiar franqueza. Então o meu pacto é simples: eu não minto por mim e não mentirei por ninguém, pode alguém se ferir, podem me magoar, posso perder clientes, mas eu não minto.
A mentira além de abjeta é cara e exigente: requer uma série de outras invenções para ser mantida, ela nunca vale a pena, apenas para aqueles que se acostumaram a ser “atores” na vida, cuja existência, a meu ver, vale “tanto” quanto a de um personagem de um filme que morre no final (ou no meio, ou no início): de fato, no mundo real, nem morto ele faz falta.
A gente amadurece e muda de foco, de idéias, aprimora a personalidade. O corpo dos 20 talvez eu não tenha mais, nem mesmo a saúde, mas para ambos existem médicos, intervenções cirúrgicas, remédios, cremes e as benditas cirurgias plásticas, mas para uma alma deteriorada, não existe conserto, não existe solução, nada pode dar nobreza ou beleza a uma alma vil e feia, usando um pouco, mas dando o meu toque ao final do “Poema em Linha Reta”
[1], meu preferido de Fernando Pessoa: feia no sentido mais esdrúxulo e ridículo da feiúra.
[1] “Poderão as mulheres não os terem amado,Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?Eu, que venho sido vil, literalmente vil,Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.”
Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 01 de outubro de 2011.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Inexplicável

Inexplicável


A beleza da vida e o mistério que une corações, enquanto outros se afastam, esta no fato de, por mais “andanças” que você tenha, por mais “vida” que você tenha bem vivido, algumas pessoas sempre lhe deixarão alguma marca, sempre serão “inéditas” para seu coração, por mais indivíduos que você tenha conhecido, conversado, convivido ou, até mesmo, se relacionado.
O romance, a paixão, aqueles sentimentos que palpitam seu coração e agitam sua alma, mas iluminam seus sonhos e dias, não têm receita para surgir, não se trata de um cálculo matemático, tampouco de uma canção cujas notas você toca em seu violão, nem um prato gastronômico ou uma sobremesa saborosa cujo “modo de fazer” você lê em seu caderninho: não depende de ingredientes especiais, não depende de “treino” e nem requer seu esmero, não para aparecer em sua vida, é claro.
A sensação de se envolver por alguém não surge por motivos explicados pela lógica ou transmutável em “receita”, um relacionamento, por sua vez, depende da junção de alguns ingredientes, como paciência, confiança, bem querer, amor, afeto e carinho para dar certo, mas nada de racional e lógico explica a “química” entre duas pessoas. Quem consegue explicar “isso” com racionalidade ou naturalidade é mais frio do que ou nunca sentiu o calor no coração causado por um “bem-querer” que surge inesperada ou despretensiosamente.
Eis que a graça no nascer das relações, independente se elas irão durar “para sempre”, “por muito tempo”, ou “o tempo suficiente para se tornarem inesquecíveis”, é cada olhar, cada toque, cada beijo, cada abraço, cada sorriso, cada carinho, feito com o ímpeto de sua alma, quando você não sabe porque seu coração esta batendo mais forte ou porque suas pernas tremem, quando você não se importa com “porquês” e deseja, apenas, viver o bem estar de todas as sensações que lhe invadem e, nada mais quer, do que deixar que elas lhe dominem e iluminem com outras cores a sua vida.
Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 01 de outubro de 2011.

Afinidades e admiração

Afinidades e admiração


Você não precisa se relacionar com pessoas semelhantes a você, no que diz respeito a cultura e princípios, apenas porque serão dois fatores a menos para causar brigas, mas, pelo contrário: não existe amor sem admiração e, de regra, ninguém admira o que desconhece ou não valoriza, eis a importância de tais afinidades.
O sujeito pode se apaixonar porque você é bem humorada, bonita, e carinhosa, mas, cedo ou tarde, ele irá lhe decepcionar porque, o que ele valoriza em você, é muito pouco em relação ao que você realmente é, ou seja, uma mulher inteligente, batalhadora, culta, boa leitora, enfim, uma pessoa que gosta das mais variadas espécies de arte e que não acha “Matrix” um clássico cinematográfico.
As semelhanças unem as pessoas, as afinidades verdadeiras são terreno fértil para relacionamentos alegres, baseados na sinceridade, na parceria, e, principalmente, no prazer de estar ao lado de alguém que se interessa pelo que você fala, pensa, lê ou escreve.
Atração física? Importante, sem ela nenhuma relação se “consuma”, mas “sozinha” não mantém nenhum relacionamento saudável, tranqüilo, alegre e feliz. É preciso convergência de princípios, de culturas, de visões de mundo, para que o convívio seja mais fácil, mais simples, mais natural e mais feliz.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 30 de setembro de 2011.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sério

Sério




Eu gosto de coisas sérias, de amizades sérias, de relacionamentos sérios. Bom humor, brincadeiras, sarcasmo? Adoro, mas existem momentos apropriados para eles. Uma relação baseada na seriedade me deixa segura e à vontade para demonstrar em atos todo o meu carinho e amor. Definitivamente eu nasci, porém não sou, em essência, da era do “ficar” ou “amizade colorida”.
Quando a pessoa que pretende ter algo com você, seja sexo ou mera companhia, ela muda de idéia, lhe valoriza e assume uma relação baseada na seriedade, no respeito a sua individualidade e liberdade. Frise-se que, sem esses dois, nenhuma relação que se entabule traz paz, alegria e felicidade.
Ter um monte de amigos para beber com você e, seguidamente, por “sua conta”, ter alguém que quer apenas transar e dormir com você, não me serve para nada, é vazio, vazio demais para mim.
Estamos na era em que uns assumem compromisso de forma demasiado rápida e, outros, ignoram a existência do amor e do bem que ele pode lhe trazer, logo, essas pessoas “ficam”, por medo de se apaixonar, de se entregar.
Não adianta, meio termo não é comigo, até mesmo porque, com a experiência que tenho, posso afirmar que deixo quem eu amo livre, para voltar e ficar ao meu lado apenas se quiser, caso isso não ocorra eu choro, sofro, aprendo, mas não morro! É através da liberdade, do respeito a individualidade do outro e da confiança nele que se configura o maior sinal de amor que pode existir. Nem mesmo um belo colar de brilhantes se compara a isso.
É nas atitudes de quem amamos que devemos reconhecer seu amor, presentes demais, flores demais, viagens demais, me levam a crer em culpa, em consciência pesada. Quem lhe ama, lhe respeita e lhe leva a sério, não precisa bajular-lhe com presentes materiais, basta que esteja ao seu lado nos bons e nos maus momentos, basta que lhe admire, que seja fiel e lhe respeite, nada mais que isso.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 27 de setembro de 2011.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Um sonho

Um sonho


Às vezes eu sonho que Deus me deu a oportunidade de voltar atrás, de ser no passado a mulher que eu queria ser, que eu pretensiosamente achava que era, mas que me tornei apenas hoje, a custa de algum sofrimento.
Neste sonho eu ajo com justiça, eu não perdôo quem, hoje eu sei, jamais mereceu meu perdão, eu ouço quem, por covardia, egoísmo e medo de me arriscar, deixei falando sozinho, e me entrego apenas a quem me ama de forma sincera e nobre.
Voltando no tempo, através deste sonho, eu ignoro pessoas que eu jamais deveria ter chamado de “amigas”, “queridas” ou “amadas”. Eu não me incomodo tanto e nem me estresso com as pessoas que não gostam de mim e me criticam, afinal, voltando no tempo com a maturidade que tenho hoje, eu sei que ninguém jamais vai agradar a todo mundo e que o desejo de ser estimado por todos é absurdo vez que denota presunção e orgulho, coisas tipicamente “juvenis”.
No meu sonho eu não magôo quem me ama, eu sou compreensiva e me coloco no lugar das pessoas, mas não sou mais tola e “iludível”, ao perceber uma mentira, pequena ou não, eu não dou mais ouvidos a quem quis me enganar, afinal, quem mente uma vez, mente sempre.
Neste doce sonho eu não quero mudar ninguém, eu aceito as pessoas boas e suas imperfeições, repúdio as mentirosas e sua falsidade, eu aceito o mundo como ele é e eu como sou: imperfeita, errante, mas com muita fé no amor e na vida.
Todavia, de repente eu acordo assustada e vejo que tive um lindo sonho e que, na verdade, eu não pude voltar no tempo e agir de forma matura e franca, porque foram meus erros e enganos do passado que me tornaram uma pessoa justa, ainda imperfeita, mas muito melhor do que fora outrora. Então eu volto a dormir, em paz.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 26 de setembro de 2011.

A dor e a delícia de ser o que é.

A dor e a delícia de ser o que é.


Caetano estava certo quando escreveu que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, lamentável, por outro lado, é ver pessoas amargas e infelizes querendo ver o sofrimento alheio e a dor na vida dos outros, para poderem se sentir “aliviadas”, e, apenas assim, enxergarem beleza, doçura e encanto em sua existência nublada, descontente e falsa.
É irritantemente triste e digno de pena ver uma pessoa procurando problemas e sofrimento na vida de quem não esta “nem ai” para ela, apenas para se auto-afirmar, para se sentir melhor. É lamentável precisar da dor, da desgraça, do sofrimento e da frustração alheia para se sentir “realmente bem” no mundo.
“A vida da fulana não é fácil, mas ela escolheu”, “a sicrana é pobre”, “ainda bem que eu não fiz como a fulaninha e estou bem melhor assim”, “me falaram que é difícil ter êxito nesse trabalho, o sicrano me garantiu, vamos ver como será a luta da fulana”, e segue. Infelizmente segue o rol desta espécie abjeta de “torcida” pela desgraça alheia com boa dose de projeção, certamente.
A pessoa descontente consigo e com a vida que possui “projeta” nos outros o seu descontentamento, a sua infelicidade e irresignação, para não ter que admitir que acha a sua vida difícil, dura e cheia de inconvenientes, tais indivíduos projetam “isso” (e muito mais) na vida dos outros para sentirem-se mais contentes, mais tranqüilos. Impossível, no entanto, existirem amizades leais e sinceras quando uma pessoa, no silêncio de sua alma, precisa depreciar as demais para se sentir bem ou “melhor”.
A amizade nasce da pureza, da aceitação do outro, do respeito, do carinho, da decência e do bom caráter, apenas “falsos amigos” precisam criticar os “seus” para se sentirem melhores, para se sentirem bem. Amizade não é competição de quem é mais bonito, mais rico, mais alegre ou mais bem casado, amizade é doação e cumplicidade, apesar de todos os pesares que todo ser humano e relação humana possuem.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 26 de setembro de 2011.

domingo, 25 de setembro de 2011

Pense, não fale!

Pense, não fale!




Um dos sinais sutis de saúde mental, emocional, psíquica se chama “inibição”, ela é a capacidade das pessoas “guardarem” para pensamentos e idéias que não agregam em nada aos seus ouvintes por não lhes dizer respeito ou por ser demasiado grosseiro, tolo e ofensivo.
Com o passar do tempo e na medida em que convivemos com as pessoas chegamos à óbvia conclusão de que algumas coisas não devem ser faladas, ditas, embora possam ser pensadas. O pensamento é o único campo de domínio único e livre do individuo, a partir do momento que ele expõe o que pensa, arrisca-se a ser “analisado” e, inclusive, tido como doente mental ou como uma pessoa carente e infeliz, que se fantasia de bem amada e bem sucedida para sair exibindo “sorrisos” mundo a fora.
Você pode ter medo de espíritos, de assombrações e de demônios, mas poucas coisas podem ser mais assustadoras do que a expressão humana de pensamentos fúteis, estapafúrdios, egoístas, orgulhosos, egocêntricos e de plena “auto-afirmação”. Nada é tão assustador quanto ouvir, pela boca de um ser humano, palavras e afirmativas que ele deveria levar para o túmulo consigo.
Se você acha seu corpo lindíssimo, seu rosto perfeito, seu futuro magnífico, porque será herdeiro de um grande patrimônio, se você nutre a certeza de que todas as pessoas se apaixonam por você, que você vai casar com um “lord” riquíssimo, que você é o melhor na cama, na cozinha, na mesa e no saldo bancário, pense, não fale!
Não dê às pessoas a certeza de que você é um pobre moço rico e imbecil, siga meu conselho: não fale o que você pensa, viva com o “beneficio” da dúvida antes de falar e dar aos demais a certeza de sua frivolidade, superficialidade e idiotice.
A futilidade, a arrogância, o materialismo excessivo, o “interesseirismo”, a inveja, a vontade das pessoas frustradas, problemáticas e infelizes de seu auto-afirmarem me anoja e assusta. Se você tem dinheiro e energia suficiente para falar para o mundo as imundícias que pensa, procure um psicanalista, ele é a pessoa ideal para lhe aturar, até mesmo porque, cobra para lhe ouvir. Benditos sejam tais profissionais!
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 26 de setembro de 2011.

sábado, 24 de setembro de 2011

Não durma com estranhos.

Não durma com estranhos.



Se eu pudesse dar um conselho às mulheres que ainda são um pouco românticas e sentimentais eu lhes diria: “Não durma com estranhos. Transe com um homem, apenas quando você sentir que o conhece razoavelmente bem, que possuem afinidades morais, e que você o admira pela forma com que age”.
O sexo deixou de ser tabu há muito tempo, mas do jeito que anda a nossa vida, é sempre bom poupar a pele e a beleza de alguns enganos desnecessários. Ora, você é uma mulher e não uma cadela, se esta excitada, masturbe-se, mas não durma com qualquer idiota, antes que você se torne uma perfeita idiota de tanto “errar sabendo”. Valorize-se antes de “gostar” de “qualquer coisa” ou pessoa.
Saia com o sujeito, jante com ele, almoce com ele, vá ao cinema, converse sobre trabalho, relacionamentos, morte, família, tente vê-lo sóbrio o máximo de vezes possível, não tenha pressa, se ele gostar de você não vai fugir em “reprimenda” ao seu auto-respeito excessivo (nos moldes atuais) e, então, se após a “atração” inicial (que após o primeiro beijo se confunde com a “excitação” inicial) você ainda sentir vontade de dormir com o privilegiado, vá em frente.
Pode ser que você tenha transado com estranhos e estabelecido um bom relacionamento com eles, mas isso é exceção, logo, é sempre melhor garantir sua saúde psíquica e emocional. Sexo seguro existe, estamos na era das camisinhas e contraceptivos pós-modernos, mas “envolvimento afetivo ou sexual emocionalmente seguro” não se compra em farmácia, aliás, ele não existe, a menos, que você o “fabrique”. Logo, tudo depende da sua vontade e atitude.
A regra é que, se você vai para a cama com o sujeito sem conhecê-lo bem, o fator “afinidade sexual” pode turvar a sua visão, e você pode terminar se casando com o ignorante que mente sobre tudo, ou desapontada com o cara que parecia ser “autoconfiante”. Sim, meu querido, tesão emburrece: porque você e sua lady se dão magnificamente bem na cama, você começa olvidar do fato dela ser insegura, grosseira, fútil, maliciosa, dependente ou materialista, da mesma forma a senhorita, começa a relevar a incompetência profissional do sujeito, a forma objetiva e irritante com que ele marca compromissos com você, a falta de seriedade, sensibilidade e franqueza com que leva a vida e o pouco valor que dá a seus familiares, por exemplo.
Aliás, existe outra possibilidade infeliz: você vai para cama com o cidadão, por um motivo ou outro não “gosta” (talvez ainda estivesse pensando naquele seu ex, no seu “amor bandido) e resolve se evadir da vida do moço. Deixa, pois de conhecer uma pessoa calma, honesta, batalhadora, fiel, leal e que, estava apaixonado por você, mas como você resolveu se “aligeirar” terminou tomando decisões antes da hora e não deu o devido valor a uma boa pessoa. Pessoa que você nem se deu a oportunidade de conhecer melhor.
Enfim, não transar com estranhos é uma medida de segurança emocional, uma medida de proteção aos seus sentimentos e coração. Claro, estou esquecendo aqueles e aquelas que querem transar por transar, é que isso passa longe da minha realidade atual, afinal propugno a “auto-realização sexual” e não a promiscuidade: satisfaça-se você mesma, mas não durma com qualquer um, muito menos se você tiver bebido!
Enfim, vá para a cama com quem você quiser, mas nunca esqueça que, quanto mais você puder conhecer a pessoa, melhor será para você, afinal, poderá mudar de idéia ou ter mais convicção do que deseja, e nada pode ser melhor do que decisões tomadas com firmeza, para tanto, pense bem e aja quando você estiver sóbria, porque, do contrário, nenhuma decisão pode ser considerada racional. Os animais não bebem, mas os atos dos homens quando bêbados são extremamente “animalescos” (para não dizer “grotescos” e irracionais, mas nenhum pouco “meigos”).
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 24 de setembro de 2011.

A "Faculdade" da vida

A “Faculdade” da vida


Você pode estudar e conquistar todos os títulos possíveis na sua área de atuação profissional, sem que, concomitante a tal “evolução”, você se gradue na “Faculdade da vida”, afinal ela não requer tanta leitura, mas carece de empenho e destemor para que suas lições sejam aprendidas.
Ninguém se forma na “Faculdade da vida” se é covarde, se não se arrisca, se, por medo de sofrer ou fracassar, queda-se silente em seu “casulo de auto-proteção” que serve, apenas, para deixá-lo mais frágil, para mantê-lo tolo e inexperiente, ou seja, para impedi-lo de crescer, de aprender, ainda que à custa de várias lágrimas.
Existem duas disciplinas fundamentais na Escola da vida: a primeira se chama “observação” e a segunda se chama “sofrimento”. De regra as pessoas mais observadoras e atentas tendem a se magoar e a sofrer menos porque elas fazem escolhas melhores. A observação quando bem “utilizada” é um “dom”.
Todavia, quem não obtém conhecimento para ser aprovado da disciplina da “Observação” precisa cursar a do “Sofrimento” cuja aprovação é uma espécie de “pré-requisito” para o futuro êxito na matéria da “Observação”. Depois de sofrer, de se frustrar e derramar muitas lágrimas, o homem aprende, passa a ser mais atento no que tange a quem merece ou não o seu apreço, seu carinho, sua confiança.
Após passar pelo “sofrimento” e ter aprendido com ele, o homem se torna mais observador. A dor ensina àqueles que desejam aprender, logo, não se pode ter medo de viver, de sofrer, de chorar ou de se frustrar. Só se diploma na vida quem é destemido, corajoso e humilde o suficiente para saber que sempre terá o que aprender e o que melhorar para se tornar um ser humano mais sábio, mais tranqüilo, mais equilibrado e mais feliz.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 24 de setembro de 2011.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Complicado demais? Fuja rápido!



Complicado demais? Fuja rápido!





Algumas coisas e algumas pessoas possuem “graça” e nos interessam justamente porque não conseguimos lhes compreender. O que não é compreendido pode nos atrair, pode até ser realmente interessante, mas se nos deixarmos envolver pelo que não entendemos, estaremos colocando nosso coração em risco, e isso nunca vale a pena. É preciso muita maturidade para lidar com quem você não compreende e, por isso, lhe interessa, sem se envolver por tal individuo e pelo “charme” de seus “mistérios”.
O que vale a pena ser provado e experimentado se abre para você. O que deve ser objeto de seu desejo não faz muitos mistérios, é franco e transparente sem precisar ser previsível, afinal tudo que é demasiado óbvio se torna desinteressante para boa parte dos seres humanos.
Um pouco de mistério é bom, mas muitos mistérios é chateação, um pouco de dúvida é atraente, cria suspense, muitas dúvidas geram terror, tudo o que é demais sobra e não faz bem, principalmente no que tange a relacionamentos humanos, sejam amizades ou romances. Pessoas não são “casos” de polícia e relacionamentos não são “investigações criminais”, tudo é bom quando não há nada a ser descoberto e “solucionado”, se você pensa diferente pare de assistir seriados e filmes policiais.
Não duvide das pessoas quando elas dizem que são “complicadas”, “difíceis” e que suas vidas são “muito complicadas”, não se relacione intimamente com quem você espera fazer “mudar”, “ajudar”, “compreender” e fazer ser, pelos outros, “compreendido”.
Deus deu a vida a cada pessoa para cada uma cuidar da sua, se você quiser “ajudar” alguém, há uma grande probabilidade de você sair ferido, extenuado, triste e, o que é pior, sem conseguir “resultado” algum. As pessoas fazem o que bem entendem de suas vidas: se você conhece alguém que “precisa” ser ajudado, ou esta pessoa agiu de forma errada quase sempre e necessita de um “segundo pai” ou, por pior que seja sua vida, tal pessoa não reconhece que “precisa” de alguém, logo você estará se arriscando em vão ao assumir uma “missão” dispensável, que dispensa você.
As pessoas não mentem quando falam de seus defeitos ou da “complicação” que suas vidas são, então, se você quer ser feliz, fuja de complicações, existe um mar de oportunidades lhe esperando. Oportunidades descomplicadas, simples como uma onda que chega à areia da praia numa manhã ensolarada de verão.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 22 de setembro de 2011.

Sonhos, metas e idéias.

Sonhos, metas e idéias.


Assim como é verdade que você não pode ouvir quem diga que seus sonhos e planos “nunca” irão “dar certo”, que você “nunca” conseguirá realizá-los é preciso ter muito cuidado quando você recebe “incentivo” para tentar realizar algo que você quis deixar “guardado”, em sua mente, numa gavetinha denominada “para recordar e sonhar”.
Você deve ambicionar e batalhar para realizar seus sonhos, todavia, se teve algo em sua vida que você preferiu guardar para si e que lhe faz companhia nos seus momentos de solidão e romantismo, você deve saber o porquê de ter “arquivado” tal circunstância para vivenciá-la apenas em mente.
Aliás, muitos desejos e até mesmo “sonhos” jamais devem ser realizados novamente, sob pena de voltarem a se chamar “pesadelos”. Sim, eu disse “voltarem”, porque ninguém armazena na caixinha “para recordar e sonhar” algo que tenha vivido na realidade e que tenha lhe feito bem, que tenha valido a pena.
Mais pessoal do que a sua relação com seus planos e metas, é a sua relação com o que já foi real e que você prefere deixar apenas em sua mente para sonhar com as partes boas do que você viveu. Nunca deixe que ninguém se meta em sua vida pessoal, os sonhos, os ideais, as metas e as idéias são exclusivamente suas porque cabe apenas a você cuidar delas.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 22 de setembro de 2011.

domingo, 18 de setembro de 2011

Êxito

Êxito



Entre “destino” e escolhas eu prefiro acreditar nestas. Não acredito que existam pessoas perdedoras ou fracassadas, eu acredito que existam pessoas fracas e desistentes neste mundo. Nem toda pessoa que desiste de seus planos é fraca, mas quase toda pessoa fraca faz opções erradas e não prospera, ainda que não desista por opção, desiste, ao final, porque se coloca em situações que lhe levam a derrocada total.
Se você não é bom em determinado negócio mude de ramo ou se torne bom. Desistir de determinado plano não é sinal de fraqueza, mas de inteligência. Sinal de fraqueza é teimar e ter que desistir no final, porque se esgotaram as chances, as possibilidades.
Desistir de uma batalha para se aventurar noutra não indica fragilidade moral, mas insistir nela até ter a prova de que não deveria ter “teimado”, porque precisou abdicar da guerra, é lamentável. Enquanto existem possibilidades elas devem ser exploradas, porque, ou você prospera ou desiste com a consciência tranqüila de que foi, tentou, lutou, mas não conseguiu então você decide se é um perdedor, um lutador, um fracassado ou um mal “predestinado”.
Vá atrás de seus sonhos, lute e não aceite que lhe digam que não vai dar certo. Se você obterá ou não êxito, não diz respeito a ninguém, o que você nunca deve fazer é deixar o seu “papel”, nesta trajetória em que o protagonista é você, de lado, afinal, ou você “conquista” uma alma tranqüila por ter cumprido seu dever, ou você realiza seus sonhos e se considera uma pessoa realizada. O risco sempre compensa.
É preciso saber sonhar, saber lutar, mas, antes de tudo é preciso ter sonhos e metas, sem eles ninguém chega a lugar algum, seja ele bom ou ruim. Sem sonhos o homem não trafega na vida, ele estagna, morre no mesmo lugar como um legitimo “covarde”. Nada pode ser pior do que remoer suas perdas sabendo que você não fez o mínimo que lhe cabia: batalhar pelo seu êxito.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 18 de setembro de 2011.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Antipática



Antipática





Eu não sou simpática, eu era simpática antes dos 25 anos de idade, antes de aprender que as pessoas mentem e manipulam até mesmo quem elas dizem que amam, antes de ver que os “simpáticos” são seres frustrados que precisam da “aprovação social” de seu jeito de ser. São pessoas que não merecem admiração e nem são valorizadas. Eu não sou simpática, eu fui simpática.
Se você me acha simpática das duas uma: ou eu tenho motivos para ir com a sua cara, como por exemplo, saber ou achar que você é uma pessoa decente, humilde e valorosa, ou eu estava sorrindo para a vida e você achou que era para você. Enganos acontecem. Há uma terceira hipótese, caso você tenha me encontrado num bar depois das 22h, ou seja, eu posso ter bebido, mas isso é muito raro hoje em dia e você vai ver que eu estava rindo e sorrindo com minhas amigas, não era para você, e caso seja, é porque eu tenho motivos para simpatizar com você, apenas isso.
Não simpatizo mais com muitas coisas na vida, não simpatizo com álcool, nem com quem não tem limites para ingeri-lo, não simpatizo com quem mente a idade, ainda que seja um ou dois anos, não vou com a cara de homem muito “agradável” e que me elogia demais. Opa, com estes eu nunca simpatizei. Aliás, eu não simpatizo com elogios vindos de quem me acha bonita, eu não confio na opinião de quem se sente atraído por mim, não sou nenhuma “bella senz’anima”, mas não sou nenhuma menina bobinha há muito tempo.
Não simpatizo com pessoas que se fazem de vítima e tenho pena, apenas de quem não tem pena de si mesmo, quem se acha coitado não tem a minha concordância ou apoio. Tenho ojeriza a autopiedade, a falsidade e a mentiras. Odeio pessoas mentirosas. Se você me mentiu uma vez jamais terá minha simpatia de volta. Jamais e “ponto final”, com a minha idade e experiência de vida a gente não usa mais “mas” e nem muitas vírgulas.
Eu não sou popular, nunca fui. As pessoas me amam ou me odeiam, dentre as do segundo grupo estão as que me invejam e aquelas para quem eu não fui sempre simpática, muito provavelmente porque elas não foram leais ou justas comigo ou porque acharam que eu era mais boba do que eu sou, ou porque elas mentiram para mim: não tenho receios de dividir o veneno com quem quer me matar.
Aliás, de regra quem me acha “simpática” acha que eu sou tola, enfim não me conhece e nem chega a conhecer. As pessoas não sabem diferenciar educação de falsidade, eu sou bem educada e até cordial, mas não sou falsa e nem simpática com quem eu não gosto, não vou com a cara ou, simplesmente, não quero.
O cara simpático demais é “palhaço”. Ninguém admira uma pessoa muito simpática, todos adoram beber ao seu lado, fazer festa com ele e rir do que ele fala, mas não lhe admiram. Os simpáticos, via de regra, são falsos e ninguém lhes dá valor, eles acham que são valorizados, mas não são; eles são usados.
Eu sou simpática com quem eu realmente “simpatizo”, com quem eu acho interessante e sério, com quem não se excede e nem passa do “ponto”, com quem se valoriza, mas não é prepotente e nem se “acha” mais do que é, porque eu não sou melhor do que ninguém e não simpatizo em nada com quem se acha mais do que os outros, pelo contrário, eu fujo!
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 16 de setembro de 2011.

Quase dementes

Quase dementes


O egoísmo de algumas pessoas lhes faz parecer doentes mentais. É impossível não ter que “rir para não chorar” do que falam os homens que se sentem superiores aos outros, que acham que tudo que lhes diga respeito é mais importante do que aquilo que se refere aos demais.
Essas pessoas não toleram ouvir as outras, são incapazes de se colocar no lugar alheio, têm a plena e doentia certeza de que são mais “sofridas” e “infelizes” que as outras e, portanto, não se importam com elas, de uma forma ou de outra juram que a razão esta de seu lado.
Mentem sem perceber que estão mentindo, enganam sem notar que estão enganadas, juram falsas verdades com a convicção de um esquizofrênico que conversa com sua própria sombra. Essas pessoas me assustam e me anojam ao mesmo tempo, pensar nelas e em seus atos é como me imaginar afogada no Rio Tietê, me dá agonia, pavor, medo e asco.
Toda pessoa persuasiva que tem pena de si mesma é perigosa. Ela pode maltratar você, fazer pouco caso de sua dor, lhe ferir e desapontar, mas, ainda assim podem lhe convencer de que as vitimas são elas e, o que é igualmente amedrontador: elas podem convencer quem esta ao seu lado de que elas são quem realmente padeceu. Cuidado com esse tipo de gente, elas não mudam e sempre vão fazer mal a quem nelas confiar.
Tais seres abjetos parecem ser dementes, mas não são, e ai reside o seu perigo: por tal motivo elas conseguem o que desejam, ou seja, são julgadas com mais “doçura”, como se fossem o que passam longe de ser. Elas são astutas, espertas e maldosas, são quase dementes e o que é “quase qualquer coisa” não é coisa alguma, enfim, elas são tão sãs psiquicamente quanto você, todavia são mais perigosas e pérfidas, apenas isso.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 16 de setembro de 2011.

Ciclos

Ciclos


A vida é um eterno oceano onde as ondas que batem nuns se afasta de outros. Enquanto uns aprendem outros querem deixar de lado o que sabem, enquanto uns querem chegar, outros desejam partir, onde uns começam a crer no que outros já não acreditam mais.
A arte do convívio e do respeito às diferenças é o único bem que todos os homens deveriam possuir para que a sociedade evolua e funcione de forma saudável, justa e aprazível. No entanto, cada pessoa prefere crer que sabe mais que a outra, que esta numa fase melhor ou de mais “sabedoria” em relação às demais e faz pouco caso daquilo que não diga respeito a sua vida e que, com a boca cheia, chama de “problemas”.
Aliás, é algo muito interessante e tragicômico alguns episódios que “assistimos” ou “participamos” em nossa existência, em especial aqueles onde as pessoas brigam, não apenas para demonstrarem o que pretensamente chamam de “razão”, mas para atestar que são mais “sofridas”, mais “injustiçadas” e que possuem o “fardo” mais pesado para carregar. O egoísmo e o orgulho estão aniquilando a denominada “racionalidade humana”.
Enquanto na época de Jesus ninguém lhe ajudou a carregar sua cruz, hoje em dia as pessoas querem medir o tamanho das suas e, por incrível que pareça aos olhos das poucas pessoas sensatas que existem no mundo, querem que as suas sejam mais pesadas, porque crêem que é uma boa forma de serem admiradas: atrair a piedade alheia para demonstrar que são “fortes” e “superiores”.
Não há dúvida de que vivemos em tempos de epidemia da hipocrisia, em tempos estranhos onde as pessoas perderam-se por completo dos valores morais e do que seja o real sentido da palavra compaixão e do verbo “compadecer”, onde o pronome “eu” é o mais “necessário” e popularmente conhecido.
Se uma pessoa deixa de acreditar em certas coisas é porque teve motivos para tanto, se outra passa a crer é porque precisa disso em sua vida, todavia se as pessoas respeitassem verdadeiramente a opinião umas das outras poderiam crescer ouvindo ao outro e o que lhe fez mudar de opiniões e, assim, evitariam sofrimentos futuros, aprenderiam e evoluiriam mais, mas, para tanto, seria necessário ouvir e se importar com o próximo, e, no fundo, quase ninguém se importa com o que não diga respeito estritamente a sua vida. O conceito de “próximo” esta cada vez mais distante dos indivíduos que só se importam consigo mesmos.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 16 de setembro de 2011.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O pior vício

O pior vício


As pessoas se habituam ao que gostam e viciam no que lhes faz bem sem que precisem fazer esforço, sem que precisem refletir, se dedicar, ter compaixão ou pensar nas conseqüências. O vício pressupõe três coisas: o ato de “experimentar”, o gostar, e a repetição que gera o hábito.
Não falo de vícios em produtos químicos lícitos ou não, me refiro mais especialmente ao vicio em certas atitudes, em atos desonestos, tolos, falsos, egoístas, mas que “satisfazem” seu “autor” que consegue o que deseja e olvida do efeito de suas ações na vida ou na alma das outras pessoas.
De todas as atitudes malévolas e “viciantes” a mentira é a mais perigosa, a mais letal, não tanto para quem a comete, mas para suas “vítimas”. O sujeito só se habitua e, conseqüentemente, se vicia em mentir porque ele consegue o que quer enganando os outros, porque a sua mentira “dá certo”.
Todavia, roubar, dar calotes (estelionato) e, até mesmo, matar pode “dar certo”, mas além de atos imorais, são ilícitos. Nem tudo o que satisfaz ou dá resultado “fácil” é bom, pelo contrário, em longo prazo é ruim para quem age e para quem é vitimado por suas atitudes. No final, nem o crime, nem a mentira compensam.
O fato triste em questão é que, uma vez que a pessoa se torna mentirosa, ou seja, mente uma, duas, três ou mais vezes e se sente bem com o “resultado” de seu agir, ela nunca mais perderá este hábito. A mentira é um vício que não se larga.
Todas as pessoas mentem, mas quando passam a mentir “sempre” e com a intenção de obterem lucro ou prazer à custa dos corações alheios e de sua boa-fé, elas nunca param, obviamente, irão mentir que jamais vão lhe enganar, mas se você lhes der ouvidos, elas já estarão lhe enganando. Acredite, mentirosos não mudam! Dificilmente uma pessoa muda, mas os mentirosos não mudam nem na hora do desencarne: morrem mentindo, assim como viveram.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 14 de setembro de 2011.

Eu, House e a dor.



Eu, House e a dor.





Não é novidade para ninguém que me conhece ou que lê o que escrevo a minha simpatia pelo seriado da “Universal Channel” chamado House, cujo protagonista é um médico manco, “viciado” em analgésicos e comumente franco, muito franco. O Dr. Gregory House adora afirmar que “não se importa”, assim como usa a sinceridade como uma forma de se “defender”, de impor ao mundo que não precisa de ninguém e que não deseja ser admirado pelo que “não é”, afinal ele “não se importa” por ser criticado ou mal quisto desde que não haja com falsidade.
Talvez o Dr. House não se importe com a opinião alheia a seu respeito, talvez não goste de ouvir as pessoas, mas quase ninguém é sincero quando diz que “gosta” de ouvir os outros, afinal os seres humanos podem ser muito irritantes, egoístas, maldosos, e ignorantes o que não faz bem a ninguém, muito menos para alguém que sinta fortes dores físicas e valorize o seu tempo. Creio, portanto que o personagem se importa muito com o cumprimento de seu dever, ele pode não gostar das pessoas e de suas atitudes, mas não quer e, tampouco aceita agir de forma a colocar a vida de seus pacientes em risco, ao menos que seja para conseguir salvá-los quando a morte é iminente.
Então, será que ele realmente “não se importa” ou apenas “não se importa” com o que a maioria das pessoas se importa? Em ser simpático, bem quisto, admirado, mimado pelo paciente e seus familiares, em ser considerado “bondoso”, afável e competente? Ele cumpre seu dever sem exigir ou querer “condecorações” por isso ele diz que não se importa, mas coloca sua carreira em risco para salvar a vida de pacientes que, não raras vezes, nem deseja conversar, tampouco conhecer.
Desde os 22 anos de idade eu descobri que minha saúde não é “das” melhores, pois tenho uma doença degenerativa dos discos que ficam entre as vértebras de minha coluna lombar, problemas de tireóide e sérias “tendências” a desenvolver doenças cardíacas graves.
Apenas a dor aguda na coluna lombar me faz ficar introspectiva, me faz pensar na vida, porque a dor muda a sua forma de viver, de ver o mundo, de agir e de encarar a sua existência. A dor constante, a dor que não melhora quase nunca, apenas tende piorar em determinados momentos, não lhe deixa ser uma pessoa plenamente normal. Você se esforça, trabalha, estuda, faz o que ama, mas, ali esta ela (a dor) a lhe chamar para a realidade da imperfeição da sua vida, da imperfeição da vida humana. O que quase ninguém quer ver ou admitir, não sem se sentir ou se fazer de “vítima” do “universo” para obter “vantagens” com isso.
Quando você convive com a dor, ou melhor, aprende a viver com ela, você deixa de se importar com muitas coisas, em especial com que o que os outros vão pensar a seu respeito, porque você vive dentre eles sofrendo, gemendo, sem que eles se importem com a sua dor, afinal eles não a sentem, eles não sabem como é tal agrura, logo, é mais fácil falarem que você toma remédios demais, que você fica estranho “se” e “quando” bebe, que você é muito sincero e “espontâneo” sem saberem que você procura e precisa encontrar alívio em analgésicos, relaxantes musculares fortes, antiinflamatórios e tudo que possa lhe fazer “sentir bem”, ainda que por poucas horas, o que inclui falar o que pensa e agir sem se importar com o julgamento alheio.
A dor faz você ver que, por mais que você seja amado ou odiado, isso não muda muita coisa: você chorou pela primeira vez ao vir ao mundo de olhos fechados, teoricamente sozinho, numa sala ou quarto que, ainda que estivessem cheios de pessoas, ninguém podia lhe entender, de forma que cada fisgada, cada gemido, cada “ai” que você diz ou murmura faz você reviver o fato de que, querendo ou não, continua sozinho em sua vida, porque as pessoas que não são doentes ou não sentem dores, costumam “inventar” enfermidades e problemas para fugirem da realidade, para não terem que admitir que seus fardos são mais leves do que os de muitos seres humanos, com os quais elas não se importam, apenas fingem que dão importância para serem consideradas “legais”, “boas” e “virtuosas”.
Então, assim como o personagem magnificamente criado, eu não tenho medo do julgamento alheio, eu “não me importo” desde que eu faça o meu papel, que talvez se resuma a não magoar quem me ama, não intencionalmente, não por querer. Eu “não me importo” desde que eu faça o que eu desejo, apenas quando desejo de coração e mente, eu “não me importo” desde que eu me contente e não fira ninguém. Logo, se você acha que o Dr. Greg “não se importa”, você não entende o personagem. Ele criou o seu mundo, com sua dor, sua muleta, seu único amigo e remédios e eu o meu, com meu trabalho, minhas palavras, minha dor, minhas crenças e descrenças.




Se você pensa que eu escrevo porque eu “sei” escrever, você se engana, porque eu não sei! Não sou mestra em língua portuguesa e não me importo com quem me critica e não gosta do que eu penso ou como me expresso, eu escrevo porque me faz bem, se isso agrada alguém, ótimo, eu fico contente, se não agrada, não me interessa, eu não preciso agradar, eu preciso escrever, desabafar porque isso alivia a minha alma. Faz parte do meu mundo, eu não preciso que faça parte do mundo alheio, o que advier de bom disso, ou seja, se houverem pessoas que simpatizam com o que penso é um acaso feliz, não uma meta.
O sarcasmo do Dr. House se tornou sua “graça”, ainda que muitos achem um sinal de “rabugice”, sua sinceridade é sua defesa, porque ele não quer se entregar para a hipocrisia, para falsos sorrisos e para uma falsa forma de ser e de viver. Ele sabe que ninguém ou quase ninguém se importa com sua vida ou lhe compreende, então é mais fácil viver na “defensiva”, salvar vidas, se entregar ao trabalho a ter que admitir que possui uma forma peculiar (e talvez “especial”) de dar importância à vida, mas, para que admitir isso se a dor ensinou ele a ser solitário e a não confiar nas pessoas que, em sua maioria, não quer saber de quase nada que não seja de seu agrado?
House se “entope” de analgésicos, enquanto o mundo se afoga em hipocrisia. Eu o entendo, porque nos maus momentos da minha vida, nos momentos em que a dor me enfraqueceu, ninguém tentou me animar dizendo que eu estava sendo “forte” por estar de pé, todos sempre querem mais, esperam mais, para poder criticar e “mal julgar” mais. É a vida, é a realidade e saber disso talvez seja realmente doído e, o que é pior, totalmente irremediável, não é algo que piore a cada dia como a degeneração dos meus discos intravertebrais, é algo que estragado “desde sempre” e jamais irá melhorar ou mudar. Lamento admitir, mas citando o personagem: “Para que não o magoem, o melhor é fechar-se num calabouço e engolir a chave.”
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 14 de setembro de 2011.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Os homens, seu órgão sexual e outras disputas tolas.

Os homens, seu órgão sexual e outras disputas tolas.





Eu que, normalmente, sou julgada como machista venho expor idéias de pouco decoro, mas em prol das mulheres. Os homens, de regra, têm seu ego satisfeito ou pelo valor que possuem em cofres e contas bancárias, ou pelo alto rendimento que aferem mensalmente, ou pelos carros que ostentam sua condição financeira, ou por suas casas confortáveis e chiques, ou pelo seu status ou, finalmente, pelo tamanho de seu órgão sexual!
Pode ser um tanto inconveniente menstruar todos os meses e se desdobrar em mil para dar conta de profissão, filhos, marido, saúde, corpo, além de averiguar as tarefas designadas para uma doméstica (sim, eu nem cogito o fato de uma mulher moderna fazer toda a função doméstica em sua casa). Todavia, mais inconveniente do que isso é ter que usar calção na praia, é não poder esconder quando se excita e nem quando “brocha” ou não goza, é não ter desculpa para o mau humor (eles não podem dizer que estão com TPM!), da mesma forma que deve ser terrível a sensação de “competição” com os membros da mesma raça (masculina). Ademais, os "orgasmos múltiplos" pertencem a quem, quem? As abençoadas mulheres, que de "sexo frágil" não têm nada!
De forma imatura, infantil e praticamente tragicômica, (aos olhos femininos), os homens competem, tacitamente, entre si: um quer mostrar para o outro que casou com a mulher mais linda, ou mais rica, ou mais inteligente, ou mais “tarada”, que é mais bem sucedido, que, apesar da idade, esta em “melhor forma”, que tem o melhor salário, a melhor casa, o melhor carro e que, ainda “abala corações” juvenis. O mundo da futilidade masculina é mais cruel do que o das mulheres.
Ademais, os homens, em sua maioria, subestimam ou superestimam as mulheres, é difícil para eles encontrar o “meio termo” saudável ao julgar uma dama. Eles pensam que as mulheres não falam de seu desempenho na cama para as amigas, mas elas falam, o que gera, dentre eles, mais um “nível” de competição: quem é o melhor na cama, o mais dedicado, o mais “garanhão”, o mais “abastado” (além de financeira) sexualmente. Haja infantilidade!
Pois bem, confesso que é bastante irritante ver homens muito mais velhos ou mais deselegantes e feios do que as mulheres, por exemplo, exigirem perfeição psíquica e física daquelas por quem se interessam, quando, na verdade, não é novidade dentre elas que o sujeito é ruim de cama ou tem o pênis pequeno (ou ambos, não raras vezes espessura é documento). Cheguei, pois, a conclusão de que o grau de dificuldade, exigência e "chatice" de um homem, para escolher uma parceira e se apaixonar, é inversamente proporcional ao tamanho de seu órgão sexual e diretamente proporcional ao seu poder aquisitivo. O que "fala" mais "alto"? O primeiro fato, embora o homem lute e batalhe por dinheiro, sempre o que ele não pode comprar o fascina mais, afinal, é de maior "raridade".
Como conclui isso? Com certeza não foi transando com um monte de homens em caráter “experimental” ou com “cunho de pesquisa cientifica” (se você é homem e pensou isso, acabou de mostrar que subestima as mulheres e as julga por você!), mas através do que ouvi em muitas conversas em mesas de bar, jantares e festas com conhecidas que, tímida ou abertamente, contaram como o fulano ou sicrano “é”.
Logo, eu que não sou boba, vendo que ele não dá certo com mulher alguma, que não desperta paixão em nenhuma senhorita decente, não materialista ou interesseira, conclui que o sujeito que "luta" para mostrar para os demais a “ficante”, a namorada ou a esposa mais bonita ou "especial" é o que tem o pênis menor ou o que se sente inferior aos outros pela carência de um ou mais dos “itens” constante na “lista de disputas” inerente as relações masculinas. Alguns homens podem crescer, mas, em muitos casos, assim como seu pênis a sua maturidade jamais se torna avantajada: isso é triste, muito triste, tristíssimo!
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 13 de setembro de 2011.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Olhando para os lados.

Olhando para os lados.


Eu só conheço uma espécie de gente burra, fraca e irritante: a que não olha para os lados nem para trás, a que entra em depressão por não valorizar quem é e nem a vida e oportunidades que tem ou já teve, a que não consegue abdicar do egoísmo nem mesmo em prol de sua felicidade.
A felicidade é o caminho, a chegada é uma contingência, mas os homens preferem andar em círculos, lastimando o “ilastimável”, sentindo-se vítimas da vida, desejando que tudo seja perfeito e aconteça no momento em que querem, como se eles fossem Deus, como se seus intentos fossem os mais urgentes e necessários no mundo.
Eu não pugno pelo comodismo, leniência e falta de perseverança, o ser humano precisa de sonhos e metas para viver, a esperança é a mais leal companhia do homem até seu desencarne, ela precisa existir. Eu faço ode, isto sim, à humildade de espírito que ajuda o homem a olhar quem esta na sua frente com admiração, com respeito e vê-lo como um exemplo daquilo que ele deseja ser ou ter, mas, para não esquecer-se de que seu presente não é tão infeliz, é preciso olhar para trás e para os lados, para quem esta em situação pior, portanto.
Acredite, você não é o único no mundo que sofre, você não é e nem vai ser a última pessoa que deseja ver chuva num dia de sol porque as nuvens carregadas se afinam mais com seu estado de espírito. Dias de tristeza e melancolia todos têm, eles são necessários como teste de sua força de espírito, eles são saudáveis para a reflexão, afinal, só não se mantém melancólico e triste quem persevera e analisa a sua vida, olha para os lados, se enxerga no espelho, sorri e muda de humor porque reconhece que não é o único que tem problemas e agruras no planeta.
Nada pode ser mais infame e grotesco do que a autopiedade, do que o “coitadismo” de certas pessoas que sempre se sentem em “desvantagem” em relação ao mundo e aos outros; se você não deseja que eles tenham pena de você, não tenha você mesmo! Ser considerado um infeliz ou coitado pelo povo (que adora uma fofoca maldosa) é ruim, mas se considerar um pobre coitado é mais abjeto e vil, é o cúmulo da degradação e da falta de respeito do homem para consigo.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 12 de setembro de 2011.