Sobre o verdadeiro pecado!

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"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sábado, 20 de junho de 2015

Religião, perdão e mudanças: procede ou confunde?

Religião, perdão e mudanças: procede ou confunde?

Venho relatar aqui o que não tive tempo para fazer antes. Estive na quinta-feira última (18/06) no Centro de Ressocialização de Sorriso (presidio municipal) junto com um orientando de trabalho de conclusão de curso, a temida monografia.
O acadêmico anotava as respostas ao questionário que elaboramos e eu dialogava com os detentos que, ao que vi, foram “estrategicamente” escolhidos pelo educado diretor da instituição que, em ato digno, cedeu-nos sua sala particular, com ar condicionado (enfim, vez que a da OAB é lamentável), para realizarmos a tarefa. Ouvimos 5 detentos, sendo 3 condenados por trafico e dois presos preventivos.
Dentre tudo, além obviamente, de verificar que 4 deles estavam lá pelo artigo 33 da 11.343/06 vulgo “lei de entorpecentes”, todos eles demonstraram-se, no momento, tementes a Deus. Dois se tornaram pastores evangélicos, alegando que ao sair de lá não querem reincidir pelo encontro que tiveram com “Jesus” e porque o presidio e a restrição de liberdade são ruins (o que é lógico).
Eu sempre digo e morrerei dizendo que religião não faz homens bens, mas obedientes. Moral e ética (famosa “ética da reciprocidade”) independem de credo, mas não posso negar que em mim abriu uma inocente esperança: será que, com a ausência do freio moral de tais seres que passaram a ter o “freio religioso”, teoricamente em si, eles não poderão efetivamente agir melhor no mundo?
E, repito, não um “agir melhor” por moralidade e bondade, mas por obediência e o tal do “temer a Deus”? Sinceramente, acho que, para tais indivíduos, quiçá a religião venha a ajudar-lhes a agir melhor.
É uma esperança, se a religião freia os erros dos homens que moralmente não conseguem agir bem, isso seria um “bem”, não irei negar. Só espero que consigam, embora eu tenha conceitos particulares a respeito da criação (surgimento)  do mundo e do homem, de um “criador” e da “vida após a morte” nada pode ser tão “inútil” ou tolo que para nada sirva, inclusive a crença e a “inexplicabilidade lógico-racional” que lhe acompanha.
Enfim, eu tenho esperança, mas daí me lembro que a religião diz que Cristo tudo perdoa e já fico confusa novamente, afinal, se perdoa e eles errarem de novo com o outro ser humano, ganharam o céu da mesma forma, daí meu pensamento lasca e eu me confundo de novo!

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 20 de junho de 2015. 

Um comentário:

  1. Pois é...
    Num mundo onde há imensa carência no cultivo de Valores e Princípios Elevados, manifestando com ênfase a Bondade, a Responsabilidade e Respeito aos demais, a obediência é um paliativo necessário para refrear a inconsequência, o egoísmo e a violência. Contudo, a obediência age tão somente restringindo os efeitos mas não alcança as causas. Para isso, precisamos de algo raro, um ser humano diferenciado, consciente da necessidade de cultivar valores interiores superiores a influência do meio ondese encontra inserido, à semelhança de um lírio que é perfumado, belo e esplendoroso, mesmo plantado e crescendo numa área encharcada, onde o mau cheiro, a carênciade beleza de cores e arranjos em seu entorno, não são capazes de subverter sua própria essência, que se manifesta em traje de gala.

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