Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Aceitação II

Aceitação II 

Penso que amar é aceitar. Não concebo o amor sem a capacidade de aceitar ao outro de coração e alma. Seus defeitos, suas preferências, seu jeito, seus hábitos. 
 Quando existe vontade de mudar ao outro desconfio que inexista aceitação. E sem aceitação não vejo amor de verdade, vejo isto sim, uma paixão imersa em egoísmo e na vontade de que o outro seja uma copia fiel do que se é. Pelo fato, obviamente, de se achar mais sábio ou, em algum aspecto, melhor do que ele. 
O amor de verdade acentua a capacidade de o homem perdoar e aceitar quem ele ama. O amor não enternece apenas a alma, ela enternece a mente do amante. 
 Todavia, o amor não retira as faculdades mentais de ninguém. Aceitar não significa aprovar, tampouco admirar sempre o outro. A aceitação implica em tentar compreender, tentar entender a outra pessoa através do que se conhece dela, ou seja, experiências de vida, educação, decepções vividas. 
 Todo ser humano quer ser aceito, quer que o outro lhe compreenda e aceite sem querer mudá-lo. Se é verdade que as pessoas procuram amor, é fato que, mais do que isso, elas procuram aceitação. 
Enfim, amar não se coaduna com a vontade de tentar mudar o outro, menos ainda com a crença de que depois do (bom e velho) casamento a outra pessoa irá mudar. 
 As pessoas mudam quando elas vivenciam algo e aprendem com isso. De personalidade ninguém muda, porque o outro deseja ou tenta ensinar algo: seres humanos querem aceitação, não professores de virtudes. 
Amar é libertar, é compreender, e, principalmente, aceitar o outro sem afetar-se com o seu jeito, sem sentir-se triste ou mal. É, enfim, superar as diferenças sem impor os seus pensamentos, as suas vontades e expectativas. Para mim, amar implica em saber aceitar. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 1º de fevereiro de 2013.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A mentira compensa.

A mentira compensa. 

Falar a verdade não é difícil pelo ato de exprimi-la, mas pelos efeitos que ela causa. Mentir, por outro lado, trás efeitos amenos e até mesmo, agradáveis. Seja sincero e arque com conseqüências mais sérias, minta e sorria: quase ninguém se desagrada ao ouvir uma mentira. 
A mentira existe e é popular porque funciona. Se você passar um relacionamento todo mentindo, dificilmente existirão brigas ou qualquer tipo de divergência. Quem mente não diverge, anui. E, anuindo, não gera embates, mas concordâncias, que, claro, tem seu preço. 
Não deve ser muito fácil ser feliz brincando de fazer de conta o tempo inteiro, não deve ser fácil ser feliz se doando tanto para não divergir a ponto de tornar-se uma pessoa que você não é nem nunca foi. Todavia, existem pessoas que preferem assumir este risco, a ser elas mesmas. 
Enfim, de tanto ser sincera sobre meus atos e pensamentos, chego, às vezes, a pensar que a mentira compensa. Por que falar a verdade e ter que aguentar o descontentamento do outro e mil explicações e argumentos? 
Por que ter que aguentar a outra pessoa, aparentemente incapaz de ouvir uma opinião diversa da sua, argumentando a favor de suas idéias, olvidando da sua forma de pensar e, conseqüentemente, de ser? Não é mais fácil dar um sorriso, soltar uma mentirinha e não se incomodar com a outra pessoa? 
Não é melhor fingir que concorda, quedar-se inerte e deixar a outra pessoa comandar um assunto que lhe agrade, afinal, todo ser humano é um pouco vaidoso. A mentira faz bem para a pele! Mentirosos não se chateiam tanto, não entram em discussões, não precisam sentir-se mal por ter dito algo que desagradou ao outro, afinal, nove em dez vezes a mentira favorece a outra pessoa. 
Quase nunca, para não dizer “nunca”, alguém vai mentir para magoar, para afetar negativamente ao outro. A regra é mentir para agradar. E isso faz um belo efeito! Seres humanos costumam apreciar bons elogios, além de gostarem de obter a concordância alheia com as suas conclusões, opiniões e pensamentos. 
É difícil para a maioria das pessoas encarar bem o que lhes contraria, é muito melhor quando os outros concordam com o que dizem e pensam. Logo, para grande parte das pessoas, a mentira é uma dádiva, apesar de elas dizerem que querem ouvir a verdade.  
Se você fala a verdade sobre a sua forma de pensar, a outra pessoa tende a expor os seus motivos por um bom tempo, quase como que dizendo: “Veja bem, a minha opinião sobre isso é mais importante que a sua.”. Então, por que mesmo você insiste em dar a sua opinião verdadeira? A mentira é amiga do silencio: primeiro você silencia e diz um “aham”, depois você estende uma mentirinha dizendo “concordo”. E assim a paz se instala! 
Irrito-me, pois, com este meu habito quase anti-social, de falar a verdade, ainda que educadamente. A vida é, realmente, antinômica, afinal, as pessoas dizem que querem sinceridade, mas não suportam (bem) serem contrariadas, enfim, toleram mais as mentiras do que as verdades.
Cláudia de Marchi
Advogada e cronista

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Sertanejos

Sertanejos 

 A verdade é que a maioria das pessoas pode não ter valores pessoais, inteligência e perspicácia suficiente para eleger bem seus políticos ou programas de televisão preferidos, mas existe certa sabedoria por trás da predileção das massas em alguns aspectos. 
Exemplo disso é a predileção popular pelo gênero musical sertanejo. Os cantores deste gênero, apesar dos milhões que arrecadam, conservam uma simplicidade brejeira. E as pessoas sentem isso e se identificam com a sua humildade, afinal, a maioria deles não é filho de dono de gravadora ou gente rica. Vê-se isso no conteúdo da reportagem sobre os cantores sertanejos publicada na ultima revista Veja do mês de janeiro deste ano. 
Enquanto, por exemplo, ídolos de outros gêneros musicais possuem jatinhos, os sertanejos adquirem aeronaves mais simples, mas que aterrissam em qualquer terreno, mesmo tendo dinheiro de sobra para comprar jatos. Eles querem pousar em qualquer lugar do País. 
 As duplas mais antigas e milionárias incentivam as novas, do gênero sertanejo universitário, sem o desejo de “monopolizar” o meio artístico do ritmo. Tentam dar atenção para as fãs, mesmo que às vezes se incomodem, como é o caso do Luciano e do Bruno, sertanejos bem casados, que gostam de agradar as fãs sem que haja desrespeito por parte das fãs mais “assanhadinhas” para com eles e, conseqüentemente, suas esposas. 
 Enfim, as pessoas gostam deste gênero musical e dos cantores pela sua simplicidade, mesmo que ofereçam shows cheios de espetáculos de tecnologia, como é o caso dos da dupla Fernando e Sorocaba, Zezé Di Camargo e Luciano, dentre outras. 
 As letras simples e românticas são a preferência da maioria das pessoas, assim como as mais animadinhas e modernas que, infelizmente, não possuem letra tão bela quanto as mais lentas e imersas em romantismo, pelo contrário, às vezes são estupidamente apelativas (como o “Assim você me mata” do Michel Teló), agradam aos jovens. 
Todavia, o gênero cresceu e as pessoas escolhem as musicas, dentro dele, que mais lhe agradam. O cunho apelativo de certas músicas responde ao anseio dos jovens que estão cada vez mais “sexualizados”, logo, “delícia”, “gatinha assanhada”, “piradinha, dentre outros termos lhes cativam. 
 Não podemos esquecer que estamos vivendo uma era em que jovens com pouca roupa dentro de uma casa se tornam “celebridades” em poucos instantes. O vulgar tornou-se moda, poucos não se rendem a ela. Raras as pessoas ouvem Chitãozinho e Xororó ou “É o amor” em detrimento de “Ai se eu te pego” ou “Humilde Residência”. 
 Diga-se que o bom e velho rock nacional não produz nada tão interessante quando em décadas passadas. Continua tão velho quanto bom. Perdemos grandes artistas para doenças sexualmente transmissíveis e drogas. Os sertanejos, por outro lado, por razões que desconheço, parecem se distanciar mais de certos excessos prejudiciais. 
 Enfim, certo é que, numa analise geral do que os gêneros musicais oferecem é preferível, atualmente, o sertanejo ao funk, rap agressivo, rock pesado ou qualquer musica com letras violentas, sensuais demais e sem sentido. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 30 de janeiro de 2013.

É preciso saber ceder!

É preciso saber ceder!

 Se você não quer ceder, se você é incapaz de ser complacente, de compreender o outro, ou, se impossível for concordar com ele, ao menos aceita-lo, desista de se relacionar. 
 Relacionamentos amorosos exigem muito mais do que amor, desejo e paixão. Eles exigem que você seja capaz de ceder, de recolher suas certezas, de mudar seus hábitos, amenizar suas manias e opiniões em prol do bem estar da relação. 
Você não precisa mudar de idéias, necessariamente, o que é sumamente necessário é aceitar as idéias do outro e, de uma forma ou outra, se adaptar a elas. Sim, é isso mesmo, você precisa ceder! 
Apesar das divergências que lhe irritam, é preciso encontrar uma forma de suportá-las, ainda que seja fazendo um “balanço” para ver se as virtudes e afinidades superam os defeitos do outro e as divergências. Você nunca pensou que matemática ajudasse na sua realização amorosa, certo? Mas, ajuda. Aliás, quando o seu interesse é manter o bom convívio, apesar dos pesares, tudo ajuda! 
Não é preciso fingir, não é preciso fazer de conta que você acha o que o outro pensa ou seus hábitos lindos e adequados. É preciso dialogar, é preciso encontrar uma forma de contemporizar qualquer situação. 
Todavia, um aviso: não seja o único a ceder, tampouco aceite que seja o outro. Relações em que apenas uma pessoa anui com as idéias da outra correm o risco de findar de formas tristes (para não dizer trágicas). Ninguém engole tudo sempre, sem que um dia regurgite. E quando isso acontece a raiva se instala. 
Ceder é preciso, mas com equilíbrio. Quando existe amor, inexiste escravidão, logo, não será apenas uma pessoa que irá se sujeitar a outra. Ambos conversam, ambos se entendem e ambos cedem. Simples assim. Ou melhor, nem tão simples, mas necessário. 
O amor é um caminho, ele não é o trajeto completo. Sem vontade de fazer dar certo, paciência e complacência relacionamento algum se mantém com felicidade e harmonia. 
Se ceder é difícil para você, saiba que o sucesso e a felicidade de seu romance depende disso. Busque uma forma, faça análise, terapia de casal, enfim, dê um jeito. Sem que você reforce a sua complacência sua relação não dará certo. Lamento a franqueza. 
Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 30 de janeiro de 2013.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Asco de discussões

Asco de discussões 

 Não gosto de discussões que se estendem demais. Conversas intermináveis demonstram pouca capacidade de se colocar no lugar do outro e, compreendendo seus motivos, encerrar e superar o assunto. 
Em nenhum relacionamento as pessoas pensarão sempre da mesma forma, logo, manter-se numa discussão buscando convencer o outro é de uma tolice tão grande que beira a crueldade. 
Eu opto por abrir mão de qualquer indicio de razão que paire sobre minhas opiniões. Razões todas as pessoas tem as suas. Ninguém é vencedor em discussões. Logo, opto por não insistir e tentar compreender. Entristeço-me quando percebo que procedo como exceção no mundo. 
 Sou combativa, sei discutir, sei defender o que penso, mas não gosto. Discussões e diálogos intermináveis me fazem sofrer, me causam angústia, me deixam mal. Falar, falar e falar sem que o outro me compreenda me entedia, me cansa. 
 Enfim, quando exponho o que penso e não me sinto compreendida, quando meus sentimentos e idéias não são captados, sinto uma imensa preguiça de falar, de argumentar. Nesse momento um "aham" salva o meu humor em substituição ao meu silêncio.  
Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 29 de janeiro de 2013.

Laços de sangue

Laços de sangue 

 É mais fácil amar amigos, se relacionar com pessoas distantes, procurar novos conhecidos do que compreender e aceitar quem tem o seu sangue. É fácil ouvir quem se conhece pouco, difícil é compreender e amar quem é da sua própria família. 
É dentro das famílias que se dão as maiores divergências. Por ter com o outro vinculo sanguíneo  impera uma espécie de egoísmo: se temos o mesmo sangue, por que ele não é como eu? Afinal, tendemos a achar que estamos certos em nosso pensar.
Por que o outro é mais isso, menos aquilo? Por que os pais têm tanta paciência com ele? Por que ninguém cobra nada dele, por que ele me critica se que ser aceito? Enfim, essas e outras perguntas passam na cabeça de muitas pessoas que tem diferenças com os próprios irmãos. 
 Deus dá o parentesco para que as pessoas convivam com quem não lhe é tão agradável por algum motivo. As provações imperam nesta vida. 
É por isso que é fácil fazer amizades e ter embates dentro de casa. As amizades nascem em dependência de nosso arbítrio, os laços familiares são determinados pelo Criador. 
Todavia, é por tal motivo que devemos nos deter em solucionar os problemas que temos em nossa família, afinal, os laços sanguíneos são determinados pelo criador do universo, é impossível olvidar da sua importância. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 29 de janeiro de 2013.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Porta aberta

Porta aberta 

 Eu sou uma pessoa razoavelmente inocente, já fui mais, mas, sinceramente, pessoas puras de coração não me incomodam tanto quanto aquelas que desconfiam de todos, que vêem maldade em tudo, que não conseguem ver quase nada com bons olhos, que sempre maliciam as intenções por trás das palavras (bondosas, inclusive) dos outros. 
 Dizem que de "médico e louco" todos temos um pouco. Pois é, me parece algo bem doentio a mania de deduzir maldade onde ela não se mostra explicitamente. 
 Agrada-me acreditar no mundo e nas pessoas do meu jeito, embora eu possa me decepcionar às vezes, prefiro a decepção eventual à desconfiança constante. 
Existe algo de neurótico, de psicótico, enfim, de absurdo neste hábito de deduzir o mal por trás de palavras comuns, de diálogos normais, agradáveis inclusive. 
Afinal, por que ver o mal onde ele não está obvio? Essa mania de desconfiar de tudo não traz sofrimento? Não é melhor entender o que o outro diz de forma literal do que presumir que ele fala algo para dizer outra coisa? A “volta” que a mente das pessoas faz para presumir maldade onde ela não existe é muito maior do que a de crer no que foi, meramente, dito. 
Por que, enfim, complicar demais? Para julgar o outro inferior a si próprio? Para sentir-se mais virtuoso? Para colocar-se na posição de vitima que pode fazer o que bem entender para se “defender”? 
Sei lá. Na verdade eu não entendo o motivo que faz com que alguns indivíduos desconfiem de tudo. Pode ser efeito de algum trauma e decepção passadas, enfim. Eu não sei a razão, mas sei que isso afasta as pessoas de bons relacionamentos e de outros indivíduos bondosos. A desconfiança demasiada é uma porta aberta que leva as pessoas a uma vida solitária. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 23 de janeiro de 2013.

Ser diferente

Ser diferente 

 Homens são racionais. Mulheres são emotivas. Homens são mais “isso”, mulheres são mais “aquilo”. Não gosto dessas conjeturas, embora eu não seja tola de achar que inexistem diferenças hormonais, dentre outras, entre os sexos. 
Todavia, creio que, antes de sermos mulheres ou homens, somos todos humanos. E seres humanos possuem anseios parecidos. Todos querem amar e ser correspondidos, todos desejam dormir em paz durante as suas noites, todos querem ser felizes. 
Então, não acredite em dicas que tratam o sexo feminino e masculino como “ETs” um para o outro. Sabe aquela dica de revistinha feminina que diz que a mulher não deve dar segurança ao homem? Isso não funciona, a menos, é claro, que o homem não goste da pretendente e não estabeleça um relacionamento sério com ela. Neste caso, ele não dará segurança à parceira e seria tolice ela agir de forma muito diferente da dele. 
Não afirmo que inexista um fundo de verdade nas dicas de revistas, ocorre que é preciso ser bem racional para analisá-las sem terminar caindo numa furada. Por exemplo, sem que exista um namoro, não convém a mulher ficar ligando para o homem desesperadamente. 
 Aliás, desespero não combina com atitudes de homens ou mulheres. Se a mulher se fizer de difícil, é igualmente tolo o homem ir atrás dela. Espontaneidade é cativante, agora seguir conselhos e se esquecer do que o próprio coração deseja é burrice, tal qual agir baseando em sentimentos, sem pensar antes. 
Homens e mulheres querem encontrar alguém para amar e ser por ele amado. Não existe dica no mundo que faça você encontrar seu grande amor, aquele com o qual você poderá se soltar e ser você mesmo todas as horas. Algumas coisas independem da sua vontade e dos livros de auto-ajuda. 
Todavia, só posso dizer que, quando você confirmar com as atitudes do outro o que o seu coração sente, quando você encontrar alguém que mexa com seus sentimentos e alma, não convém castrar-se, não convém abrir livros e revistinhas sexistas para saber o que fazer. 
Basta ser você mesmo, basta, principalmente, demonstrar o que você sente, afinal, se você quer ser amado, quer, também, se sentir seguro com a outra pessoa, então, saiba que ela também quer isso. Ela é humana, não é um super herói nem uma criatura de outro mundo. 
 Pense nisso e pare de menosprezar o sexo oposto, afinal, diferenças em alguns aspectos não implicam em inferioridade, nem em superioridade. Ser diferente não é ser melhor, nem pior, é, apenas e tão somente, ser diferente. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 23 de janeiro de 2013.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Felicidade e ignorância

Felicidade e ignorância 

 Não escondo de ninguém que concordo com as frases praticamente filosóficas do Dr. House, apesar, é claro, de achar a sua sinceridade demasiada em inúmeras situações. Dentre as várias frases do personagem que uso seguidamente, uma delas é esta: “Se quer mesmo ser feliz, vai ter que aprender a ignorar muita coisa.” 
Ninguém convive com outras pessoas mantendo o desejo de ser feliz se não for capaz de tolerar pensamentos diferentes, atitudes que frustram as suas expectativas e ocorrências da vida que contrariem os seus desejos. 
 A felicidade é privilégio dos ignorantes, enfim, daqueles que, naturalmente, desconhecem algumas coisas ou dos que escondem de si mesmos o que conhecem em privilegio do anseio de ser feliz, de ter ou manter a paz em seu íntimo. 
Pessoas muito “donas de si”, que desejam que tudo ocorra do seu modo e que os outros preencham suas expectativas, costumam se frustrar com freqüência. Costumam ser mais infelizes do que felizes, enfim. 
Da mesma forma que, criaturas demasiado altruístas, que pensam no bem estar de todos, que não se sentem em paz pela miséria dos países menos desenvolvidos, pelas situações catastróficas que se passam no submundo do nosso mundo, não se dão o direito de serem felizes. 
É impossível ser feliz sem ser um pouco egoísta. Diga-se, inclusive que pessoas felizes e apaixonadas possuem mais vontade de espalhar alegria e felicidade para quem não é feliz e contente. Se é preciso um pouco de egoísmo para ser feliz, é verdade que a felicidade torna o homem menos egoísta nos aspectos mais negativos da questão. 
Aliás, todos os sentimentos no mundo, inclusive o altruísmo e o egoísmo, devem ter alguns limites. Pessoas que não se dão ao direito de ser felizes pelas catástrofes do mundo, acabam por demonstrar certa ingratidão com o bom que a vida lhes deu. 
Ignorar muitas coisas para sentir-se feliz não é feio, não é ruim. Feio, por outro lado, é olvidar dos motivos que se tem para ser feliz, por levar tudo demasiado a sério. Sem uma dose de leveza, senso de humor e ignorância ser humano algum encontra a felicidade em si. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 22 de janeiro de 2013.

O limite da franqueza

O limite da franqueza 

 Ser sincero não é difícil, falar o que se pensa sobre os outros, sobre as situações da vida, enfim, sobre qualquer coisa, não é difícil, pelo contrário, é fácil e alivia, é simples, é normal. 
Difícil é conseguir se conter para não magoar aos outros, difícil é deixar de lado a necessidade de aliviar-se em prol dos sentimentos alheios. Falar o que se pensa é fácil, complicado mesmo é se calar por saber que a verdade sobre seu pensar nem sempre é bem vinda. 
A franqueza é saudável, é interessante e atraente, todavia, nem sempre é necessária. Portanto, pessoas francas e transparentes são admiráveis, especialmente quando a sua transparência consegue ser oportuna, ou seja, quando não é ilimitada, inconsequente e, por isso, inconveniente. 
A sinceridade é um assunto demasiado delicado, não à toa, algumas pessoas sinceras são tidas como mal educadas, grosseiras e estúpidas. É preciso ser sensível antes de ser sincero. 
A sensibilidade é capaz de fazer a pessoa ser empática, ter compaixão e, portanto, colocar-se no lugar do outro, pensar antes de falar e sopesar o que pretende dizer antes de “despejar” seus pensamentos nos ouvidos de quem se sentirá ferido ou magoado com eles. 
De nada adianta a franqueza na boca de almas frias, egoístas e insensíveis. Assim como, no mundo jurídico, alguns valores se sobrepõem a outros, como, por exemplo, a vida em relação ao patrimônio, na vida real algumas virtudes se sobrepõem a outras. Sendo assim, a sensibilidade e a compaixão estão acima da sinceridade e da transparência enquanto virtudes. 
De regra, as pessoas sinceras e grosseiras são aquelas que não “filtram” o que pensam colocando-se no lugar do seu interlocutor. Logo, a sua sinceridade se torna vã, para não dizer letal. 
Quem consegue se colocar no lugar do outro reflete sobre os efeitos de suas palavras antes de falar e, seguidamente, optam pelo silencio. Deixam o outro livre para pensar como pensa, fazer o que deseja e viver como lhe convém. Apenas pessoas sensíveis conseguem conter a necessidade de falar o que pensam para não ferir ao outro. 
Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 22 de janeiro de 2013.

Suportável

Suportável 

Dinheiro é bom, porque sem ele você não compra o que deseja, não satisfaz os seus desejos materiais, que, (verdade seja dita) são muitos. Passar por dificuldades financeiras é desagradável, todavia, passar por dificuldades emocionais e afetivas é quase insuportável. 
 Todavia, você suporta as adversidades emocionais, porque é forte, porque precisa e não vale a pena se entregar por carência de afeto, ainda que seja de quem deveria lhe dar, como, por exemplo, seus pais, companheira, enfim. 
 Ocorre que suportar é uma coisa, aceitar é outra. Aceitação envolve empatia. Entretanto, quando você "suporta" algo o faz, de regra, por não conseguir entender a atitude ou omissão do outro e, por isso, você sente dor. 
 Não uma dor física, tampouco aquela dorzinha de cabeça desagradável que você tem quando esta com dificuldades financeiras, mas a dor mais aguda que uma pessoa pode sentir: aquela que afeta sua alma e desconforta seu coração. 
Por outro lado, com algum esforço, você pode compreender o outro, pode usar boa parte de sua energia para entender as suas razões, as suas fraquezas e dificuldades, ato que, certamente, irá exigir que você coloque a sua dor de lado. 
Todavia, colocar os seus problemas, dores e pensamentos de lado é algo difícil para todos os seres humanos. Sem que você consiga superar a si mesmo e compreender aquele que lhe magoa será impossível ter tranqüilidade e ser feliz. 
 Frise-se, porém, que ser mais tranqüilo ou feliz não irá curar as feridas causadas por determinadas pessoas, irá, quiçá, apenas lhe consolar, apenas amenizar a sua dor, desde que, convém repetir, você use sua energia para compreender o que lhe parece incompreensível, mas é, na verdade, suportável. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 22 de janeiro de 2013.

Revolta e felicidade?

Revolta e felicidade? 

Onde existe revolta, inexiste felicidade. Se você quer ser feliz vai ter que aprender a compreender o que lhe causa dor, o que lhe irrita, o que, certamente, lhe é mais difícil de compreender e aceitar. Sem tolerância e paciência é impossível ser feliz nesta vida. 
 Todavia, você pode ser contente e feliz com muitos aspectos de sua vida, mas ter algo que, especificamente, lhe deixa triste. Enfim, quanto a determinado assunto você não é feliz. 
 Ocorre que a felicidade plena requer tranqüilidade e paz, logo, se algo lhe tira a tranqüilidade você não será feliz em relação a ele e gozará de uma felicidade “parcial” o que, sejamos francos, é muito se comparado ao que sente a maioria das pessoas. 
Outra verdade, diga-se, é que a maioria não é mestra em felicidade, sequer em civilidade, educação e cultura, do contrário viveríamos num mundo melhor. Logo, não é preciso comparar-se com os outros, com a maioria das pessoas, mas com o melhor que lhe é possível ser, o que, invariavelmente, irá requerer a sua capacidade de ser empático e, portanto, de compreender quem lhe causa estranheza. 
 Enfim, é preciso ter o desejo de se aprimorar, de se tornar uma pessoa mais madura, mais tranquila  mais pacifica e tolerante, é preciso, primeiramente, querer evoluir e ser plenamente feliz, em segundo lugar, é necessário exercitar a paciência e superar-se aos poucos. O importante é não desistir diante de dificuldades. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 22 de janeiro de 2013.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Valores banais

Valores banais 

 A sensibilidade, a espiritualidade e a inteligência emocional são antídotos contra a futilidade. Pessoas com valores nobres e propósitos elevados não se deixam encantar por banalidades. 
Deixa-se cativar exclusivamente pela beleza, dinheiro e poder quem não tem em si mesmos valores fortes, enfim, quem não valoriza nada além do superficial, do banal. 
As pessoas se encantam por aquilo que elas respeitam e admiram. Seres humanos que valorizam a humildade, a alegria, a compaixão, a bondade, a inteligência e a doçura das pessoas irão valorizar mais as virtudes da alma do que as benesses materiais que o homem possa ter. 
É verdade para o homem aquilo que habita em sua alma, logo, as pessoas tendem a achar superiores os seus valores, independente de eles realmente serem e, por isso, estendem o seu julgamento aos outros. 
Ou seja, pessoas interesseiras e fúteis não conseguem imaginar as outras como seres que valorizam mais a essência do outro do que a sua aparência ou poder aquisitivo. 
 A “realidade” do homem se condiciona a seu pensar, a seus princípios e valores, é por isso que pessoas inocentes e de coração puro presumem a inocência e a pureza alheia, mesmo que ela não exista. 
Por outro lado, pessoas materialistas não acreditam no amor puro e desinteressado, não acreditam na valorização do outro por sua essência e não como um ser belo ou rico. As suas crenças se condicionam aos seus valores. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 16 de janeiro de 2013.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sinceridade e crueldade

Sinceridade e crueldade 

O oposto da crueldade esta longe de ser a sinceridade, mas a capacidade de falar sem ferir, capacidade de saber quando omitir a tal “verdade” para consolar e não criticar ou magoar ao outro. 
A grande questão que circunda o assunto da sinceridade é a verdade, que, diga-se, é algo de uma fragilidade imensa, afinal, cada um tem como verdadeiro o que pensa. E as pessoas tendem a pensar de forma diversa sobre os mesmos assuntos. 
Cada um tem as suas verdades, os seus conceitos e pontos de vista sobre qualquer assunto e é uma tendência humana supervalorizar as próprias opiniões. Existe, portanto, uma verdade para cada pessoa no mundo. 
Então, quando uma pessoa ousa falar a verdade para a outra, ela não esta sendo necessariamente justa, ela esta falando a sua verdade para uma pessoa que, na maioria das vezes, tem a sua. Desta forma, ser sincero é mais saudável para quem fala do que para quem ouve. 
 Quem fala se alivia, desabafa aquilo que tem como certo e verdadeiro, enquanto quem ouve pode se magoar, sentir-se ferido ou contrariado no seu ponto de vista. Sendo assim, será que vale a pena cultuar a sinceridade acima de tudo? 
Não é mais nobre silenciar? Não falar “verdades” ao outro, não implica em lhe mentir, tampouco em dizer o oposto do que se pensa apenas para agradar ou parecer virtuoso, pode implicar, apenas num sorriso afável e no silencio. 
Falso não é o homem que omite o que pensa, falso é o sujeito que fala o oposto do que pensa na frente de uma pessoa e fala mal dela pelas costas. A questão da falsidade esta na intenção de quem omite a verdade sobre o que pensa. 
Quem esconde seus pensamentos para poder ouvir o outro e tripudiá-lo em sua ausência age com certa maldade, com falsidade. Todavia, dizer sempre o que se pensa pode ser um ato mais cruel do que correto. 
Por outro lado, quem fala o que não pensa ou omite o que pensa para não magoar ao outro demonstra bondade e caridade. A famosa franqueza alivia quem fala, não necessariamente quem se torna vitima da pessoa franca, logo, “maquiar” a verdade, ou melhor, o que se tem como verdadeiro, pode ser um gesto caridoso e de pura compaixão. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 15 de janeiro de 2013.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Solidão e riscos

Solidão e riscos 

 Existem três tipos de relacionamentos na vida humana: aquele entre pessoas com várias afinidades e que convivem harmonicamente sem precisarem ceder demais, aquele entre pessoas que pensam de forma muito diferente onde um termina por se escravizar ao gênio do outro e aqueles que, diante das diferenças, terminam, pois nenhum dos parceiros quer ceder e se subjugar ao pensar do outro. 
Não existem muitos mistérios nas relações amorosas quando, existe carinho e atração, mas faltam semelhanças e sintonia psíquica. Enfim, é elementar que este tipo de relacionamento termine ou que alguém tenha que ceder o tempo todo para que isso não ocorra. (E, acredite, ceder um dia cansa até o mais paciente e compassivo dos homens). 
 Nenhuma coisa nem outra é certa ou justa. Quando se trata de amor e relacionamentos não existe o “certo” e o “errado”, existe, isto sim, o que combina melhor com as pessoas envolvidas na relação e o que elas acham necessário fazer para serem felizes. 
Ademais, nem todo ser humano consegue viver bem sozinho. Seguidamente as pessoas seguem a música do Erasmo: “você precisa de um homem para chamar de seu, mesmo que esse homem seja eu”. Ou seja, vigora no mundo, ainda que tacitamente, o “antes mal acompanhado do que só”. 
Frise-se que o “mal acompanhado” não se consubstancia em estar em companhia ruim, mas estar com alguém que não lhe faz plenamente feliz, estar com alguém com quem se tem embates freqüentemente, com quem lhe atrai, mas não suscita admiração e entusiasmo. 
 Viver só é um risco. Talvez você encontre alguém parecido com você, alguém com que construirá uma relação equilibrada, com cumplicidade e alegria, talvez não. O fato é que só conquista o melhor quem se arrisca a enfrentar o que não é tão bom, a solidão, no caso. 
Com raras exceções, as pessoas que possuem um relacionamento afetivo feliz, harmônico e com muitas afinidades com seu parceiro, são aquelas que não tiveram medo de terminar relações que não lhe faziam plenamente bem por causa da ausência de afinidades. É, meus caros, no amor, no jogo e na vida, só vence quem arrisca! 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 09 de janeiro de 2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Provações de virtudes

Provações de virtudes 

 Todo mundo tem um pouco de necessidade de auto-afirmação. Sei lá, deve ser uma necessidade da mente humana para não se sentir muito mal diante da vida e do que lhe acontece. 
 Todavia, tudo o que é demais, sobra! Logo, gente que precisa se elogiar a todo instante desconsiderando as outras pessoas e o valor que elas possuem, termina por se imergir em arrogância.  
E arrogância, orgulho, prepotência e egocentrismo não costumam ser nada agradáveis, por outro lado, são características que terminam “caminhando” juntas. De regra uma pessoa arrogante é orgulhosa e, seguidamente, uma pessoa egocêntrica é prepotente. 
Temos em nós tendências a tudo isso, todavia, estamos no mundo para alimentarmos o que temos de melhor e, aos poucos, aniquilarmos nossas más tendências. “Vigiai e orai”, certo? Vigiemos, portanto, a nós mesmos. 
Ninguém é superior a ninguém, inferioriza-se, porém, o homem que se acha melhor que os outros. O orgulho rebaixa as pessoas. O homem mais culto, inteligente e perspicaz do mundo se torna menos admirável se for arrogante, vaidoso ou orgulhoso. 
Continuará tendo as suas virtudes, mas não com o brilho que possuiria se fosse humilde, gentil e simples. A humildade torna as virtudes mais belas, enquanto o orgulho tira a graciosidade das pessoas, por mais inteligentes e cultas que elas sejam. 
Todavia, o fato é que não existem apenas homens cultos e inteligentes imbuídos de orgulho e arrogância. Existem pessoas sem cultura, sem posses e com inteligência parca, que são orgulhosas e arrogantes. Fraquezas morais não privilegiam classes sociais. 
 Entretanto, é mais comum as pessoas ricas, belas e inteligentes tenderem ao orgulho, afinal possuem atributos que a grande maioria das pessoas estima. É por tal motivo que a riqueza, a beleza, a cultura e a inteligência são espécies de provações das virtudes humanas. Então, como você esta se saindo diante das provas que a vida lhe impõe?
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 07 de janeiro de 2013.

Além das aparências

Além das aparências 

 Pessoas são o que pensam e sentem, não o que possuem e ostentam financeira ou esteticamente. Não simpatizo com a conduta de pessoas movidas pelo interesse nos bens materiais alheios. Gosto de gente simples que afere quem a pessoa é pelo que ela sente, não pelo que tem. 
Poucas coisas são tão vazias quanto uma conta bancária cheia e um coração frio, uma alma seca e uma mente oca. Gosto de bons princípios, de cultura, de espiritualidade, não me importa o cargo, o salário, o carro, a casa ou o corpo. 
Valorizo o que o Governo não tributa e nem ladrões ou intempérie alguma pode levar. Valorizo almas belas e por isso não tenho medo da velhice: o mesmo tempo que trás flacidez e rugas, enche as almas humildes de conhecimento e de sabedoria. 
Vamos enxergar o que esta por trás das aparências, vamos valorizar o que esta por trás do status social, vamos valorizar a pessoa por trás do corpo, o ser humano por trás do estigma de “pobre”, “rico” ou “remediado”. 
 Demos as costas à futilidade que, seguidamente, surge em nós. Superemos nossa tendência de olhar com bons olhos o belo e ignorar o que não é tão bonito. Vamos atrás da beleza que está escondida pela aparência, porque, acredite, é essa que merece o seu valor. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 07 de janeiro de 2013.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Compreensão

Compreensão 

 Você quer ser respeitado, compreendido e amado. Não será o julgamento alheio que lhe fará falta, mas a empatia e a aceitação de você com suas fraquezas e virtudes. 
 O ser humano carece de afeto e de respeito por sua individualidade, afinal os homens não são idênticos entre si. Todavia, apenas o amor e o respeito aproximam e mantêm as pessoas unidas. 
Da mesma forma que, somente um olhar amoroso é capaz de fazer o homem compreender o outro sem ter necessidade de lhe julgar, de lhe analisar ou menosprezar as suas atitudes. 
Quem tem amor no coração compreende e aceita, sem preconceitos, sem julgamentos rigorosos. Não é preciso concordar para ter empatia, basta ter a habilidade de sentir compaixão, de colocar-se no lugar do outro e de respeitar as diferenças. 
As pessoas não almejam coisas muito diferentes no que tange ao convívio humano. Todas querem falar e serem ouvidas, todas desejam sentirem-se compreendidas e aceitas, sem serem julgadas e repreendidas. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 06 de janeiro de 2013.

Emoções humanas

Emoções humanas 

 Não existem pessoas tão más que não tenham algo de bom, nem tão boas que não tenham algo de ruim, da mesma forma que homem algum pode ser tão sábio que não tenha o que aprender.  
Os seres humanos são capazes de sentir qualquer tipo de emoção, das mais nobres até as mais vis. Prepondera, porém, aquelas que são mais nutridas, aquelas às quais direciona maior atenção e energia.
É por tal motivo que existem pessoas mais ternas e positivas do que outras. São estas as que, apesar de serem passiveis de sentirem ira, inveja, raiva, orgulho e outros sentimentos ruins, reprimem melhor os negativos e exaltam, em si mesmas, os sentimentos positivos. 
 São as emoções sentidas e alimentadas pelo homem que norteiam os seus pensamentos e atitudes. Quem nutre más emoções tende a agir pior do que aquele que alimenta bons sentimentos. 
 Não existem pessoas ruins, pessoas egoístas, pessoas invejosas, pessoas arrogantes, pessoas estúpidas, pessoas ignorantes, existem, isto sim, pessoas que estão mais egoístas, que estão sentindo mais inveja, que estão agindo com rispidez. Existe muita diferença entre “ser” e estar e, de regra, quem esta sentindo más emoções não goza de tranqüilidade e paz de espírito. 
 Na vida ninguém “é”, as pessoas apenas “estão”. Basta que mudem as suas emoções, basta que busquem modificar a sua forma de pensar, sentir e agir que logo elas “estarão” de outra forma. Não existe o essencial e totalmente bom ou ruim nesta vida. 
 Logo, é possível mudar, desde que a pessoa se esforce para tanto. Todo mundo muda, desde que deseje, basta que busque sentir boas emoções e que se afaste das que lhe tornam mais frio, pessimista e negativo. Amor gera amor, alegria gera alegria, entusiasmo gera entusiasmo, compaixão gera compaixão, enfim, bons sentimentos atraem bons sentimentos. 
 A vida é uma lousa em branco: escrevemos o que desejamos e sempre teremos espaço para aprendermos mais, para apagarmos pensamentos antigos e ruins a fim de escrevermos novas e melhores lições. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 06 de janeiro de 2013.

Decida

Decida 

 Ter fé em Deus e reclamar da vida são atos que não combinam. Logo, decida quem você é e o que você quer: ter fé e esperança e resignar-se ou duvidar dos propósitos divinos e reclamar das experiências que tem. 
 Tudo o que você passa na vida liga-se ao seu livre arbítrio e a alguma espécie de necessidade. Ou seja, existem caminhos que, ao escolher, você assume o risco do que irá enfrentar, assim como existe um propósito maior por trás de tudo de bom ou ruim que lhe acontece. 
 Você não é vitima de nada na vida, pelo contrário, é você quem decide o que fazer com a dor e a frustração que lhe acometem. Deles se tira a força inerente à experiência e aprendizado ou a amargura que, infelizmente, lhe levará a mais dissabores no futuro. 
 Talvez você não escolha ser infeliz, não escolha chorar ou se decepcionar, mas escolhe o que fazer com o que lhe acontece. Você escolhe quem vai se tornar após sofrer, embora não escolha o sofrimento. 
 Então, se você tem fé em Deus, agradeça a tudo o que passou, pois são os fatos que você enfrentou que lhe tornaram uma pessoa capaz de ser feliz e fazer boas escolhas no presente. 
Nada acontece por acaso, chegará o dia em que você verá que todos os percalços do seu caminho lhe levaram ao destino em que se encontra que, de tão bom, lhe faz rejubilar-se com o que, outrora, era dolorido. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 06 de janeiro de 2013.

Fácil?

Fácil? 

 Ser feliz é bom, mas não é muito fácil. Somos criados para enfrentar dificuldades, superar frustrações, encarar o que é ruim e pesaroso, logo, nos é mais comum a infelicidade do que a felicidade. A primeira requer resignação, a segunda nos pede ação. 
A felicidade traz consigo algumas responsabilidades, afinal, nenhuma pessoa feliz aceita inerte a tristeza de quem lhe cerca. Pessoas felizes são altruístas, sentem vontade de ajudar ao outro, de fazê-lo sorrir, de dar-lhe alento. 
 Por outro lado, pessoas infelizes gostam de falar de si, de reclamar das suas dores. Não se importam se estão sendo grosseiras ou insensíveis, terminam por achar que a sua infelicidade justifica o seu agir e, portanto, pensam pouco antes de falar e tomar qualquer atitude. 
 O infeliz busca a empatia dos outros, o feliz, por outro lado, preocupa-se em ser empático, preocupa-se em compreender ao outro, em lhe estender a mão. 
 A pessoa triste busca uma mão para se agarrar, busca uma escora, um ombro, enquanto a pessoa contente e feliz oferece o seu ombro, oferece a sua mão e afeto. 
 Quem é feliz se preocupa em viver bem, mas também se sente mais tocado pelas dificuldades e pesares alheios, logo, se preocupa mais com os problemas do mundo e de quem lhe cerca. 
Pessoas bem resolvidas são menos egoístas, são mais caridosas e gentis. A vida exige mais de quem é feliz. Quem é triste encontra consolo e se importa menos com quem esta ao seu redor, afinal, imerso naquilo que chama de “problemas”, as dificuldades alheias lhe parecem pequenas e irrelevantes. 
 Logo, ser infeliz é mais fácil, mais leve e mais comum. Diante de uma maioria frustrada e descontente, a pessoa feliz sente certa culpa pela felicidade que possui, a ponto de tentar disfarçá-la diante dos outros que, seguidamente, não suportam muito a alegria alheia. 
 Sabemos lidar melhor com a tristeza do que com a felicidade, porque a preocupação com a infelicidade é sempre tão grande que nos habituamos à idéia de sermos descontentes, enquanto a felicidade é uma eterna surpresa, é aquilo que, de tão bom e raro, nos assusta, mas também nos torna pessoas melhores. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 06 de janeiro de 2013.

O bom da vida

O bom da vida 

 Chegamos em 2013! Com o início de mais um ano em nossas vidas, retoma a necessidade da renovação de nossa esperança, de nossos sonhos, bem como da construção de novos anseios. 
 Terminei o ano que passou com a certeza de que, acreditando, todos são capazes de conquistar o que desejam. Todavia, é preciso ser forte, é preciso manter-se no caminho do bem e acreditar na bondade, acreditar naquilo que é bom, apesar de qualquer pesar. 
 Só conquista o bem para si o homem que acredita nele. Não importa o quanto você tenha sofrido, não importam quantas decepções você teve, nem quantos rios de lágrimas possa ter chorado, é preciso acreditar nas exceções a qualquer tipo de “regra”. 
 Viver é a arte da superação, mas, sobretudo, é a arte do ter fé na vida e na bondade humana, apesar dos tombos, da falsidade de alguns, das traições e frustrações que determinadas pessoas lhe causaram.
Apesar de tudo que possa ter lhe feito sofrer, existe um mar de possibilidades para lhe fazer sorrir, para lhe fazer feliz. Existem maravilhas, existem pessoas surpreendentemente bondosas e amáveis, todavia, só vivencia a maravilha que a vida é e convive com pessoas ótimas quem acredita nestas possibilidades.
É possível viver a felicidade dos contos de fadas, desde que se acredite neles. Se você perder a esperança, a fé na vida e nos homens não será este o ano em que sua vida será melhor, mais alegre e plena. 
 A sua vida só muda quando você muda, ela só se tornará realmente boa e contente quando você acreditar nisso, quando você se imbuir de bons sentimentos e pensamentos, afinal, só vivencia uma existência feliz, quem acredita no bem e nutre a bondade em seu coração, sem duvidar de tudo e de todos. Enfim, chegou a época de acreditar para realizar! 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 06 de janeiro de 2013.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Quase sempre

Quase sempre 

 Não sei mensurar exatamente quando eu me tornei uma pessoa que mais cala do que fala quando o assunto é a forma com que o outro pensa e vive. 
Passei a ter a nítida certeza de que meus pensamentos não servirão para mudar os de ninguém, quiçá seja eu quem precise mudar, mas, por algum motivo não desejo, esta bom assim. 
Talvez as pessoas que eu julgo necessitar de mudanças pensem como eu: estejam felizes com a vida que levam, com a forma com que pensam e agem.
 Existe um grande abismo entre o meu pensar e o dos outros, logo eu desisti de correr riscos e tentar lhe transpor. Se o outro quiser, por sua vontade, vir até os meus pensamentos, ele vem, todavia, não serei eu quem vai ir até os dele quando as diferenças são significativas. 
 Talvez quem eu julgue ser ignorante e errado pense que a errada sou eu, logo, sendo que ninguém é superior a ninguém, como irei tentar impor os meus pensamentos se eles podem estar equivocados ou se o outro pode pensar isso a respeito de minhas idéias? 
 Conselhos? Só dou quando me pedem, quando dizem claramente que querem ouvir a minha forma de pensar, mas, ainda assim, verifico se a pessoa não precisa, realmente, de apoio a seus pensamentos, por qualquer espécie de insegurança. Neste caso, lhe dou anuência para fazer o que sua mente e coração lhe dizem. 
 Vivo de acordo com o que penso, vivo de forma livre e não me importo com o que os outros podem pensar a meu respeito. Tenho a alma liberta e faço o que desejo desde que não macule o coração de quem amo. 
Portanto, respeito o pensamento de todos, concordo com uns poucos e me calo quase sempre, porque quase nunca gosto que se intrometam na minha forma de ser, por mais errada que eu possa estar. 
Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 27 de dezembro de 2012.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Esperança

Esperança 

 O grande problema da desesperança que assola as pessoas é a falta de reflexão e comodismo que anda junto com ela, afinal, se as coisas não podem melhorar, então porque pensar bem antes de agir e tomar decisões? 
Se todos os políticos são desonestos, se todos os homens são infiéis, se todas as amigas mulheres são falsas, se toda a imprensa é parcial, se todos os poderosos são burocratas, por que escolher o melhor dentre eles? 
Por que eu irei selecionar o mais competente e apto dentre os profissionais ou candidatos a algum cargo se o que existe é igualdade? Se todos são ruins, não existem diferenças, não há o honesto, o correto, o justo, o sincero. 
 Por trás da falta de esperança existe o comodismo, a inércia mental que impede as pessoas de raciocinarem corretamente, afinal se me considero bondoso e justo, por que não existirão pessoas como eu no mundo? 
 Em época de final de ano, refletir a respeito da necessidade de ter esperança e cultivá-la é interessante, para não dizer imprescindível. Precisamos acreditar que o mundo pode melhorar, precisamos acreditar que existem exceções a todas as regras e cabe a nós procurá-las. 
Cabe a nós nos informarmos, cabe a nós buscarmos soluções para os problemas que nos cercam e não desistirmos da resolução daqueles que, mesmo distante de nós, nos afetam. 
 As pessoas possuem mais poder em suas mãos do que percebem e a esperança é e sempre será propulsora de boas decisões e grandes feitos por parte da humanidade. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 26 de dezembro de 2012.

Simplicidade e bem estar

Simplicidade e bem estar 

 Não me atrai a forma hedonista de viver e buscar a felicidade, não simpatizo com a busca de algo tão significativo através de atos irrefletidos e superficiais. Todavia acredito que certa simplicidade e um pouco de individualismo não faz mal algum. 
Quando me refiro a individualismo não me refiro a atos egoístas, mas a necessidade de priorizar o seu bem estar para viver bem e ser feliz. Quem se esquece de priorizar a si mesmo termina se tornando infeliz e fazendo os outros infelizes. 
Faça o que for necessário para viver bem, para ter paz e alegria de viver desde que não fira a liberdade do outro de fazer o que lhe apraz para ser, igualmente, feliz. 
 Não se acomode, não fique perto de quem lhe faz mal e de quem não lhe ama, apenas por conveniência. A cada sorriso falso e anuência com o que não lhe enternece a alma, quem se afasta do caminho do contentamento e felicidade é você mesmo. 
 Seja sincero consigo próprio, não se engane, não se iluda. Simplifique a vida, se afaste de pessoas invejosas, falsas e arrogantes, se afaste de quem não lhe alegra, mantenha-se longe de pessoas nas quais você não pode falar o que realmente pensa, fique longe de quem fala mal de você pelas costas. 
 Não é preciso viver de forma imprudente, não é preciso viver como se a vida terminasse amanha e seus atos não tivessem conseqüência, da mesma forma que não é preciso passar por cima de ninguém para ser feliz. Atropelar pessoas é atitude vil, se afastar delas é gesto nobre, tanto para você mesmo, como para quem não lhe preza verdadeiramente. 
 Todavia, tão equivocado quanto o ato de passar por cima do outro visando à própria felicidade é o de atropelar seus próprios anseios e forma de pensar em prol de relações que não lhe fazem feliz, que não lhe acrescentam sorrisos sinceros e bem estar. 
 Goze a sua liberdade, compreenda que você não é necessário na vida de quem não lhe faz feliz, assim como ninguém é imprescindível para você se a sua companhia não lhe alegra, se você não pode ser quem realmente é, ao seu lado. 
 Então, valorize a sua própria vida e exerça o direito de se afastar e manter-se longe de amizades superficiais, parentes falsos, conhecidos mal resolvidos e pessoas invejosas. 
 Mantenha-se, por outro lado, perto de quem possui afinidades com você, afinal a vida é muito curta para você desperdiçar seus momentos com quem não lhe estima verdadeiramente e, por algum motivo, não é por você, realmente, estimado.
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 26 de dezembro de 2012.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Altruísmo e sinceridade

Altruísmo e sinceridade 

 Sensibilidade não é apenas necessária para que você fale o que tem como certo, mas para que perceba o que deve ser dito em consonância com o estado de espírito e anseios do outro. 
Seguidamente as pessoas não desejam conselhos, elas querem apenas falar e serem ouvidas. Elas não querem que você lhes aponte falhas ou soluções, elas querem apoio. 
Dar apoio, porém não significa gostar e concordar profundamente com aquilo que lhe é dito, mas usar as palavras necessárias para que a outra pessoa sinta-se mais segura e a vontade para fazer o que ela mesma deseja. 
Você não ajuda ao outro quando lhe passa o seu ponto de vista, aliás, dizer o que pensa é melhor para quem fala do que para quem ouve. Certamente é bom sentir-se a vontade para dar a sua opinião sobre a vida e atos alheios, mas, não raras vezes, isso é desnecessário para o outro. 
A maioria das pessoas que vem lhe falar quer apoio e não criticas, querem que você de “força” para as idéias que já possuem, elas não querem saber o que você realmente pensa e acha que elas devem fazer. 
Aliás, presumo que quando o homem possui muita necessidade de manifestar os seus pensamentos a respeito das experiências e vivencias existe mais orgulho do que caridade em suas palavras: “ele age de forma tão tola, vou dizer-lhe o meu ponto de vista que é mais saudável, quem sabe assim ele muda suas atitudes.” 
Se bem analisado o pensamento implícito na necessidade de aconselhar gratuitamente, existe mais presunção do que empatia e sensibilidade pura. 
 Logo, “frear” a própria sinceridade é um gesto de altruísmo e compaixão para com o outro quando ele deseja apenas falar e não ser aconselhado ou criticado. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 24 de dezembro de 2012.

Discernimento

Discernimento 

 Não existe nada de errado com a política. Ela é necessária. O que pode ser discutível ou criticável são as atitudes de alguns políticos. Existe muita diferença entre a “coisa” em si e o que o homem faz com ela. 
Da mesma forma que ter dinheiro não é ruim, o que pode sê-lo é aquilo que o homem endinheirado faz ou deixa de fazer com o que possui: falta de caridade, orgulho, arrogância, egoísmo, ambição excessiva, sovinice, dentre outros problemas. 
Assim como ser pobre não implica em defeitos, o ruim é relacionar a pobreza financeira com a espiritual e psíquica, é não desejar evoluir, é acomodar-se a ponto de deixar de ter senso critico e vontade de progredir intelectualmente. 
 Nenhuma espécie de poder é, por si só, boa ou má, o que pode ser louvável ou abjeto é aquilo que o homem poderoso faz com o poder que possui. São as atitudes do homem que determinam as virtudes daquilo que ele tem. 
 Da mesma forma que não são os Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo ruins, tampouco a mídia e a policia, o que pode ser ruim são os atos dos homens investidos de poder e responsáveis por levar informação séria e segurança a população. 
 Em todos os meios, dentre todas as pessoas, existem aqueles que se dedicam a ser o melhor que lhes é possível, existem os honestos, os justos, os sérios, logo, não cabe ao cidadão inteligente estigmatizar classes e malbaratar a utilidade de nada. 
Compete-lhe, isto sim, ter discernimento para distinguir o bom político do mau, o bom rico do fútil e vil, os bons profissionais dos maus e aqueles que usam o poder que possuem em beneficio da sociedade daqueles que querem lhe escravizar.
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 24 de dezembro de 2012.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Mais um Natal

Mais um Natal 

 Eis que mais um Natal se aproxima, momento de reflexão, época em que as pessoas se encontram com seus valores: a maioria direciona-se ao comércio, compras, boa comida e festividades, poucos são os que refletem, os que agradecem as benesses divinas que a vida lhes apresenta ano a ano, poucos reconhecem que as suas dores lhes aproxima da força, da evolução e das virtudes. 
Desejo que meus amigos se divirtam com seus familiares queridos, mas, sobretudo, pensem a respeito do amor, da necessidade de paciência e carinho com aqueles que testam o nosso bom humor e, seguidamente, são os que mais precisam de piedade e compaixão. 
 Espero que as pessoas valorizem aquilo que seu dinheiro não compra, as coisas simples, as coisas do coração que, para muitos, são as mais difíceis de conquistar. 
Desejo que todos reconheçam o valor do perdão, da indulgencia, da paciência e da feliz capacidade de colocar-se no lugar do outro, de compreender aquele cujas vivencias podem ser muito diversas das nossas, mas que não é inferior ou superior a nós. 
Quero que as pessoas compreendam o valor do respeito, virtude praticamente equivalente ao amor e que, sobretudo, ele não provém do medo, mas da empatia, da compaixão e da mansuetude de espírito.  
Desejo um Natal cheio de alegrias, mas muitas, muitas reflexões e agradecimentos, afinal, independente do que nos acontece, somos nós que escolhemos o que fazer com o que nos fere. E que sempre tentemos escolher o melhor! 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 23 de dezembro de 2012.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Clareza

Clareza 

 Quando você conversar com alguém tenha em mente que a clareza deve ser um objetivo. Não pense que as suas palavras são sempre claras, é preciso perscrutar a clareza, a objetividade e a maior sintonia entre o que é dito e o que é sentido. 
Seguidamente as suas palavras são interpretadas de acordo com o que aquele que as ouve sente ou de acordo com as experiências de vida de seu interlocutor. 
 Logo, priorizar a transparência é fundamental para que não se criem falhas na comunicação e, conseqüentemente, alguma espécie séria de mal entendido. 
Diga o que você pensa, mas busque as palavras adequadas para isso e, sobretudo, seja empático, coloque-se no lugar do outro. 
Nem sempre o que você diz é assimilado com a mesma inocência que havia ao ser dito, às vezes o outro pode receber o que lhe é falado de uma forma negativa, todavia, inexiste culpa de ambos os lados: a sua intenção é uma, mas o efeito das suas palavras pode resultar em algo diferente. 
Imprescindível, portanto que você compreenda a necessidade de clareza daquilo que é dito a outra pessoa, o que, certamente, só pode ser obtido se você pensar antes de falar. E se for impossível pensar? Não fale ou o faça, mas arque com as conseqüências. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 18 de dezembro de 2012.

Mea culpa

Mea culpa

 Mea culpa, é isso que as pessoas devem aprender a fazer. A humanidade não carece de homens arrogantes que brigam para ter uma razão que perdem no exato momento em que se exaltam. 
O mundo precisa de homens que saibam reconhecer os seus erros. Se cada pessoa cuidasse de seus atos e pensamentos, viveríamos num mundo um pouco melhor, no entanto, a maioria dos seres humanos sente-se melhor ao apontar os erros dos outros, independente de suas criticas serem baseadas em fatos ou em mera suposição pretensiosa que mais julga do que compreende. 
Criam-se laços mais fortes quando a pessoa cuida melhor de suas atitudes do que das alheias, quando, enfim, o homem preocupa-se mais em analisar suas próprias falhas do que em apedrejar os erros do outro. 
 Casamentos e amizades terminam quando as pessoas colocam o amor de lado para brigar por motivos vis, para batalhar pelo falso mérito de ter “razão” e, portanto, sair-se vencedor em determinada discussão. 
Pessoas sábias pedem desculpas até quando, intimamente, crêem que não erraram, apenas para apaziguar a situação. Pessoas sábias querem sorrisos e paz, não discórdia e tensão. 
 Pessoas sábias fazem mea culpa, não tentam culpar a outrem, afinal, pessoas sapientes compreendem, não criticam e nem menosprezam ao outro e sua forma de pensar e viver. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 18 de dezembro de 2012.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Fé e alegria

Fé e alegria 

 O tempo que traz o que você deseja e merece possuir, afasta de sua vida aquilo que não lhe pertence, independente das ilusões que você possa ter. O decurso do tempo desmistifica tudo.
 Quando você estiver triste e desapontado com algo, valorize o poder da esperança: encha seu coração de bons desejos e espere o tempo passar para que tudo se organize e melhore. 
Certo que as coisas não podem mudar se você não fizer nada, ocorre que “agir” nem sempre significa tomar atitudes do ponto de vista “físico”, pode significar, simplesmente, mudar a forma com que se pensa, ou seja, munir-se de fé e pensamentos positivos significa “fazer” algo! 
Não faz nada aquele que se mantém em sofrimento cultivando pensamentos ruins e pena de si mesmo, aquele que não nutre esperança de que o amanha revela verdades e traz aquilo que é de seu merecimento possuir. 
Viver é a arte de lidar com seus próprios pensamentos e sentimentos. De regra nenhum inimigo é mais algoz do que os pensamentos do homem, mudando a forma de pensar é possível construir uma nova vida. 
Depressão, ansiedade, angústia, nervosismo, todos os problemas que assolam a maioria das pessoas é fruto de sua dificuldade em administrar os próprios pensamentos e os sentimentos que advém da forma com que pensa. É por isso que a fé opera milagres na maioria das pessoas. 
O homem que tem capacidade de acreditar em algo que esta acima de seus desejos mundanos desenvolve a capacidade de ser calmo, equilibrado e feliz na própria vida, independente dos acontecimentos que ocorrem ao seu redor. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 17 de dezembro de 2012.

Exija!

Exija! 

 Nós somos as decisões que tomamos, é por isso que exigir e selecionar amizades e romances é sempre importante para a nossa felicidade e contentamento intimo. 
A questão é que exigir o que é mais do que bom é algo que poucos fazem, por carência ou medo da solidão e da frustração a maioria das pessoas se contenta com o que não é “tão” excelente para seus próprios padrões. 
Existe, em todo ser humano, uma espécie de insegurança em relação à concretização de seus anseios e desejos, como um instinto tolo de auto-sabotagem as pessoas não tem facilidade para acreditar que podem conquistar aquilo que mais desejam, portanto elas diminuem o patamar de suas expectativas para adequá-lo ao que é comum e “fácil” de ser encontrado. 
Há, sem sombra de dúvida, uma contradição entre o medo da frustração e a facilidade com que o “não tão bom” é aceito, afinal, se é possível contentar-se com o que não nos faz plenamente feliz, porque ter medo de frustrar-se ao tentar encontrar o “excelente”? 
A ousadia e o destemor são os atributos que fazem com que algumas pessoas encontrem o que desejam. Mais do que decepção ninguém encontra quando ousa, logo, porque ter medo do desapontamento com o que pode lhe ser ótimo se o razoável é inerentemente frustrante? 
 Seguir o poeta Fernando Pessoa que disse que “tudo vale a pena se a alma não é pequena” é sumamente necessário para quem deseja ser feliz, portanto eu digo: reconheça o seu valor e seja exigente em relação ao que deseja encontrar na vida, pois, com certeza, quando você tiver em seu coração aquilo pelo qual ansiou irá perceber que vale a pena exigir o melhor! 
Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 17 de dezembro de 2012.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Conceitos simples

Conceitos simples 

 Não compreendo a ambição desmedida de certas pessoas, não consigo entender com precisão o que se passa na mente do homem que deseja apenas acumular bens sem fazer o bem, sem ser bom. 
 Sou uma pessoa que possui dificuldades para compreender o que não toca o seu coração, logo, tenho conceitos extremamente pessoais daquilo que a maioria das pessoas julga de forma diversa. 
 O que é riqueza para boa parte das pessoas não significa muita coisa para mim. Dinheiro, carro caríssimo, casa chiquérrima, viagens freqüentes podem ser bastante interessantes, mas não me interessam mais do que simplicidade, afetuosidade, compaixão, bondade, alegria de viver e contentamento intimo. 
 Em minha opinião é rico o homem que ama a vida, que ama a si mesmo e ao próximo, é rico o homem que sabe respeitar quem lhe cerca, que não é egoísta, que tem empatia, que é paciente e feliz com o que tem e com a vida que leva. É rico o homem que tem sobre o que falar, que pensa a respeito da vida, que é curioso, alegre e humorado. Dinheiro é bom, mas não é tudo, pelo contrário, comparado com os bens imateriais que valorizo, ele não é nada. 
O que é ter sucesso para você? Para mim é estar onde se deseja, fazer o que lhe faz bem, gostar do que se faz, logo, não é algo medido por fama ou valores financeiros. 
 Conheço muitos ricos pobres e muitos pobres ricos. Tenho, portanto afinidades com aqueles que possuem virtudes, afetuosidade e leveza na forma com que vivem. 
 Simpatizo com pessoas de alma simples, com pessoas que gostam de si mesmas, que amam quem lhe cerca e, principalmente, que não sentem inveja de ninguém, porque possuem contentamento com quem são, com a forma que vivem e com o aquilo que possuem. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 11 de dezembro de 2012.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Relacionamentos frustrados

Relacionamentos frustrados 

 O homem sofre as suas piores dores na sua vida afetiva, afinal, o sucesso de um relacionamento depende de duas pessoas e não apenas do empenho e fé de uma delas, o que acontece quando o assunto são batalhas profissionais. 
 A vida muda as pessoas e revela aspectos da personalidade alheia que não eram descobertos antes do inicio de um relacionamento amoroso. Fato é que, plenamente, é impossível conhecer alguém. 
 Todavia, quanto mais afinidades, maior a probabilidade do casal superar as dificuldades que o convívio e a vida lhes impõem. Ocorre que nem todos os relacionamentos amorosos têm similitudes de caráter e forma de ser como pano de fundo. 
 É por tal razão que separações e rompimentos amorosos são tão comuns: pessoas que vêem a vida de forma diferente tendem a distanciarem-se muito com o decurso do tempo e experiências de vida. 
Não importa quanto uma relação dura, quando ela termina existirá sempre o saldo positivo e o negativo, afinal a relação deu certo por determinado tempo, mas deixou de funcionar posteriormente. 
 O amor pode mudar de feição no decorrer da vida, assim como as pessoas. Eis a razão pela qual as diferenças na forma de ver o mundo podem se tornar pesarosas: o tempo pode acentuar as características das pessoas e o sentimento pode não ser suficiente para manter o casal unido. 
 É um tanto triste ver como as separações funcionam, afinal, quem esta de fora percebe as diferenças que a paixão omite dos amantes que, lamentavelmente, vêm a se decepcionar com o outro quando a ilusão inicial finda. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 10 de dezembro de 2012.

Virtudes e palavras

Virtudes e palavras 

 Você não precisa se preocupar em falar sobre as suas virtudes se você não esta concorrendo a nenhum cargo político. Virtudes se mostram com atos, não com palavras. 
 Sentimentos, por sua vez, devem ser objetos de suas afirmações. Falar o que se sente faz bem para quem fala e para quem ouve, o que, obviamente, não impede os atos de demonstração de sentimentos que são sumamente necessários para qualquer relacionamento saudável. 
 O que não é necessário é fazer propaganda de si mesmo, é gabar-se e enaltecer-se. O decurso do tempo e a forma com que você viveu as suas experiências pretéritas falam mais de você do que qualquer monólogo que possa ser feito. 
 A alma humana é desvelada através de atitudes e não de palavras, é por isso que, aquilo que o homem já passou na vida, diz muito a seu respeito, afinal, do passado, de seus equívocos e experiência o ser humano pode se afastar, mas de seus efeitos e daquilo que a sua vivencia lhe tornou é impossível fugir. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 10 de dezembro de 2012.

Seletividade

Seletividade 

 Nenhuma pessoa é integralmente boa ou má. Todo homem bom é capaz de atos vis em determinadas situações. Todavia, para convivermos com alguém é preciso que o lado ruim desta pessoa não avilte as nossas próprias virtudes. É por isso que não admiramos, gostamos ou "suportamos" todo mundo. 
O homem maduro tende a gostar e desejar proximidade com pessoas que lhe agregam algo, com quem lhe faz bem, com quem tem afinidades e anseios em comum. 
Embora as pessoas boas respeitem as opiniões de todos, não é com todo mundo que tais indivíduos irão conviver e admirar. Todos têm seus “critérios” de seleção no que tange as pessoas que mantêm por perto em suas vidas. 
 Podemos respeitar os defeitos e as fragilidades alheias, mas não iremos amar e querer por perto pessoas cujas características aviltam o nosso melhor, as nossas virtudes e os nossos ideais. Este fato caracteriza a chamada “seletividade”. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 10 de dezembro de 2012.

Merecedores

Merecedores 

 Quando você menos espera a vida lhe surpreende com pessoas e fatos capazes de fazer valer a pena todas as dificuldades que você passou até encontrá-los! 
Então, no momento em que você sente que toda a dor enfrentada valeu a pena para você se tornar a pessoa que é e receber as benesses que a vida lhe deu, você experimenta a mais pura sensação de paz e felicidade que um ser humano pode sentir. 
A verdade é que todos os dissabores são úteis para que o homem amadureça e sinta o sabor da alegria e do contentamento. Doloridas ou não, todas as experiências são necessárias para nosso aprimoramento pessoal e, posteriormente, para que nos tornemos merecedores de dádivas divinas especiais. 
Talvez hoje você seja aquele que chora e disfarça a própria angústia todas as manhas quando vai trabalhar, talvez você seja aquele que acredita que tudo dará certo, apesar de estar passando por momentos tristes e por agruras na vida afetiva. 
O certo é que, se você acreditar, viver bem e fazer o bem, cedo ou tarde a vida lhe trará o mesmo, ou seja, bens imateriais super valorosos! Alegria, realização afetiva, trabalho, um amor verdadeiro ou seja o que for que o homem de bem deseja estará em sua vida quando ele menos esperar, porque a vida trás coisas boas para quem é justo e bondoso, para quem merece, enfim. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 10 de dezembro de 2012.