Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sábado, 3 de setembro de 2011

Intolerância a mentiras.

Intolerância a mentiras.


Com o passar do tempo e na medida em que passamos a conhecer melhor os seres humanos nos tornamos menos tolerantes em relação a certas características, atos ou caráter. O que outrora levávamos tempo para perceber ou notar, passa a ser observado mais cedo, em certos casos, instantaneamente, o que antes relevávamos, agora não aceitamos, não digerimos, não assimilamos.
Eu me tornei intolerante a mentiras. Não aceito, embora finja que não me importo com mentirinhas singelas, como as que se referem a idade, por exemplo: Se você tem 29 anos, diga que é 29, nem 30, nem 28! Tem 43 anos? Diga que é 43, nem 45, nem 40! Eu não digo para as pessoas que não tolero nem tal espécie imbecil de mentira para não parecer uma criatura demasiado franca ou louca, mas eu sou. Ou melhor, eu sou demasiado franca, a loucura eu deixo para os seres que se acostumaram com a falsidade, com a hipocrisia, com mentiras desnecessárias, tolas e incabíveis.
Você pode se arrepender de tudo na vida, menos de ser sincero e falar a verdade. Não proponho a sinceridade grosseira ou estúpida, mas a necessária, a que tolera afeto e palavras brandas, sem anuir com falácias, com engodos, com enganos sérios que possam criar falsas expectativas e crenças na mente e no coração alheio.
Dizer para a namorada que a macarronada dela estava “ótima” pode ser conveniente se você não quiser se casar com ela. Cedo ou tarde você vai ter que dizer que o creme de leite e o queijo do molho lhe causam indigestão ou que o excesso de tomate lhe dá dor de estômago.
A menos que você pretenda comer uma vez ou outra sua comida, o que significa ausência total de planos futuros, então: para que namorar? Deixe a moça livre para ela conhecer um sujeito que goste do tempero de sua comida e dela, mais do que você, com certeza. Não faça ninguém perder tempo ao seu lado quando você não deseja, de coração, “ter” aquilo que faz a pessoa crer, através de atos ou omissões, que você quer.
Nenhuma mentira é interessante quando você pensa no amanha e no trabalho que terá para sustentá-la, para mantê-la. É por essas e outras tantas razões que a verdade é sempre mais conveniente, mais justa. Ela não tem várias faces, ela não requer mais invenções, desculpas e toda espécie de falsidade e atos vis que um homem é capaz de ter.
A verdade condiz com dignidade, a mentira, por outro lado, é típica dos indignos e é indignante. Há sempre uma forma saudável de expor a verdade, há sempre uma forma bonita de não fazer ao outro o que você não deseja que ele lhe faça, há sempre uma forma espontânea de ação que não permite que você iluda quem não precisa e nem deve ser iludido, simplesmente porque merece respeito, por ser humano, por ter alma e coração, assim como você.
Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 03 de setembro de 2011.

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