Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Carência de realismo

Carência de realismo


Num mundo que vangloria o misticismo e toda espécie de justificativa “espiritual” para os erros que geraram fracassos na vida humana o realismo, ou seja, a noção nua e crua da realidade se tornou uma raridade necessária e quase “milagreira” para o homem viver bem.
As pessoas não apenas iludem umas as outras como iludem a si mesmas, o que não é nenhuma novidade, Freud e todos os bons psicanalistas que vieram depois dele explicaram os mecanismos de defesa dos quais o ego se utiliza para não entrar em “pane total”.
A negação e a projeção me chamam a atenção. Os homens preferem culpar a qualquer coisa ou qualquer pessoa pelas suas agruras, equívocos, frustrações, sofrimento ou derrocada. As pessoas querem acreditar que os outros lhes fazem mal e passam a crer nisso, querem ser amadas por alguém e passam a “ver” amor onde ele nunca esteve, por exemplo.
Se não encontram um “bode expiatório” para tranqüilizar suas mentes, passam a “viver de seu passado”, ou seja, de uma época que lhes aprazia, simplesmente porque elas não achavam que fossem sofrer e que a vida lhes faria pagar pela irresponsabilidade tida perante ela e durante o decurso de seu tempo.
É fácil se enganar, se iludir, inventar toda espécie de absurdo para não assumir que se é falível, humano e capaz de errar. O triste é que, quanto mais afastado do realismo o homem vive, mais ele se separa da possibilidade de aprender com seus erros, de crescer e de tornar-se uma pessoa melhor nos únicos momentos que deveria lhes importar: o presente, o hoje e o futuro.
A vida é feita de escolhas e a tristeza ou felicidade do ser humano depende unicamente delas, das opções que faz. Ninguém deve ser ou é culpado por suas frustrações, você teve liberdade para agir certo ou não, e agiu, ainda que “achando” estar correto, quando não estava. Ademais, você paga um preço por isso que, convém dizer, ninguém pagará em seu lugar posto que a vida não permite aval e nem fiança no que tange a escolhas pessoais.
Não é, pois, mais saudável e útil fazer o mea culpa e seguir a vida com a certeza de que ninguém, nem nada, podem ser responsabilizados pelo que lhe acontece ou ocorreu? A vida é e sempre foi sua, demais ninguém, bem como a responsabilidade e oportunidades, usufruídas ou desprezadas. É preciso ser realista para se ter uma mente, uma alma e uma existência saudável que rume ao progresso, à melhora e ao aprimoramento.
Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de setembro de 2011.

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