Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Verdades do amor


Verdades do amor

Em que lugar o amor morre? Aonde ele se perde? Em que ponto do caminho do relacionamento a solidão vai para um lado, o costume e a carência para outro e o amor fica no chão, esmagado na confusão de sentimentos e ilusões? Onde reside o amor no coração dos que não gostam da própria existência, onde reside este nobre sentimento na alma daqueles que não confiam em quem dizem amar?
Complicado não é sentir, complicado não é viver, complicado é complicar o que nasceu para ser simples, leve e saudável: A vida e os sentimentos que são mananciais de alegria e rejubilo no coração dos que a eles se entregam, e, sabem se entregar sem medo de sofrer. Não sei se o amor morre, creio que o amor de verdade não morra nunca, apenas se esconde. Esconde-se embaixo do amor próprio daquele que, por algum motivo, se cansa.
Cansa-se de tentar, se cansa do convívio difícil, se cansa da ingratidão, se cansa das injustiças, se cansa de brigas tolas, de ciúmes idiotas, de desconfianças que magoam, de inquietudes desnecessárias, do egoísmo aterrorizante, da vaidade imbecil, do egocentrismo tragicômico. Cansa-se e vai embora, o que não significa que o amor tenha desaparecido, ele cedeu lugar a realidade de que, nem sempre, amar torna as pessoas melhores, mais valorosas, mais gentis, mais agradáveis ou mais felizes.
Existem situações intoleráveis, desrespeitos insuportáveis, desconfianças sem sentido, acusações infundadas e ofensivas, e o amor, ao contrário do que podem pensar alguns, não "agüenta tudo". Quem agüenta desaforos, quem "agüenta" tudo não ama, porque não se ama, talvez dependa emocional ou financeiramente, porque amor incondicional não existe, é mito, é devaneio romântico.
O amor também não se perde. Ou ele existe e permanece, ou ele se esconde para que amor próprio se liberte e o individuo consiga ser feliz, com ele mesmo e, quiçá, com outro alguém. Amor não se conjuga no passado, já dizia o poeta. Ou ele existe hoje, ou se escondeu para o auto-respeito prevalecer, ou, na verdade, nunca existiu. Foi paixão, foi ilusão ou, porque não, medo de solidão.
Certo, porém, é que aquele que não ama a si mesmo e a sua vida e nem dá a ela os seus melhores sentimentos não ama ninguém. Dizer que alguém que não ama a própria vida é capaz de amar verdadeiramente alguém é o mesmo que dizer que "chocolate é doce como limão": uma redundância estúpida que indica algo impossível. Confiança, respeito mútuo, capacidade de ceder e compreender são os maiores indicativos da existência de tal sentimento. E quem não confia em si mesmo, nem se respeita não pode dar ao outro o que não conhece e possui.
Relacionar-se, assim como viver é prazeroso. Prazeroso para quem tem prazer em ser quem é, viver como vive, amando a si mesmo e a vida que possui. O homem faz da sua vida, dos seus relacionamentos e dos seus sentimentos aquilo que pensa deles. Felizes no amor são os que acreditam nele, relacionamentos harmônicos possuem aqueles que acreditam que a inteligência, a sensibilidade e uma boa dose de sentimento puro podem tornar uma relação entre seres diferentes uma forma agradável de viver, aprender e crescer com união.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 16 de outubro de 2007.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.