Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ame ou deixe.


Ame ou deixe.

Respeitar é aceitar. Amar é aceitar com o coração as fraquezas alheias após conhece-lás, todavia antes de amar é o crivo da razão quem ordena: Aceitas ou não aceitas o outro como ele é?
Não se pode esperar que o outro mude de caráter, de tendência psicológica ou, enfim, de personalidade por você ou por quaisquer outros motivos. Ou as pessoas mudam porque percebem a necessidade de mudança ou jamais mudarão, podemos apontar suas falhas, que, inclusive, lhes podem ser prejudiciais, mas jamais seremos mágicos para realizar mudanças efetivas na personalidade alheia.
Sinceridade sim, mas com respeito. Dizer o que se pensa com jeito e demonstrando que prezamos o outro é uma forma de ajudá-lo, pelo contrário agirmos com intolerância é uma forma de magoar a outrem e perde-lo.
Porém, existe uma certeza que a maturidade traz: “Se quiser me amar, me ame como sou”. Quem sabe do seu bom caráter, das suas salutares intenções, e da sensibilidade da própria alma e coração, não pode sujeitar-se a ser criticado, tripudiado, desrespeitado, pois, constantemente.
Ninguém deseja isso, como a frase da época da ditadura substituindo o nome do País pelo nosso: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. A frase aplicada na época era vergonhosa, mas não tem tal atributo quando aplicada na nossa vida afetiva. Sabemos nosso valor, nossos méritos, quem respeita aceita e, principalmente, quem ama aceita com o coração, não tudo, é claro, mas a forma do outro ser e viver.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 1º de março de 2009.

domingo, 1 de março de 2009

Único Conselho

Único Conselho
Se eu tivesse e pudesse dar um conselho às pessoas que me requisitassem eu diria: Não esmoreçam jamais. Esta sofrendo a dor de uma perda? Chore, sofra, curta a dor sem esquecer que há muita diversão no mundo lá fora. E que um dia ela vai passar, depende da sua boa-vontade.Esta passando por dificuldades financeiras? Fique firme, verifique seus propósitos e vá à luta. Nada cai do céu, nem a felicidade. Muitas vezes precisamos dar uma cruzadinha pelo inferno para aprendermos a reconhecer os anjos divinos.Nada nos acontece na vida que não seja para o nosso bem e crescimento. Cada pessoa que entra em nossa existência entra por algum “porque”. O Mestre lá em cima sabe qual é, nós, se não soubermos olhar para nossas próprias condutas e vivência jamais conseguiremos aferi-lo.O recado é nunca desistir, nunca achar que as coisas estão perdidas, que as pessoas são todas iguais- positiva ou negativamente-, que temos um destino fadado a “isso” ou “àquilo”. Se quisermos devemos admitir que fomos fadados a ser felizes mesmo que superando percalços, se quisermos seremos felizes hoje, sem postergar o inadiável: O viver a vida com amor e fé no coração.Tudo, pois, depende da forma como vemos a vida e não da forma em que esta a nossa vida, afinal, como errantes podemos ter dado alguns tropeços que nos colocou em uma situação ruim, mas tudo parte de onde saiu, inclusive a mudança, a revolução, a evolução.Assim como do riso, diria o poeta, “de repente não mais que de repente” se torna pranto, do pranto pode emergir o riso, se chacoalharmos a poeira e seguirmos altivos na vida, procurando o que desejamos, afinal, quem sabe o que busca, um dia encontra.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 1º de março de 2009.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Mania de confiar

Mania de confiar

Tem gente que leva uns sopapos da vida, mas não perde a esperança. Eu, ao menos não perco a mania de apostar nas pessoas, de confiar nelas. Não sei por que, mas há alguns anos trás eu era muito mais “desconfiada” do que sou hoje, na verdade não tenho mais tal “característica”.
Antes eu dizia que “confio desconfiando”, hoje digo que confio de coração nas pessoas que presumo serem confiáveis, e, ainda que eu chegue a me enganar não consigo generalizar e passar a desconfiar de todos.
Amadureci, cresci. Deixei de ser insegura, ciumenta e tola. Hoje confio muito mais em mim do que em outros tempos, e, também confio mais em quem desperta bons sentimentos em meu coração que esta muito mais leve e ciente do que deseja do que na época em que desconfiava demais.
Não tenho medo de me decepcionar, mas sim de me tornar aquele tipo de gente “ranzinza” que desconfia de tudo e de todos cavando a cova de sua própria solidão, afinal o homem que se acostuma com ela esta morto e não sabe.
Não vislumbro a possibilidade de ser feliz sem ter esperança de que existam pessoas realmente sinceras e honestas no mundo. Viver desconfiando, temer a tudo e à todas atitudes alheias não é viver, mas dar um passo a mais por dia rumo à morte.
Rumo à solidão, aos recalques, à infelicidade, porque uma pessoa que desconfia demais é insegura, e pessoas inseguras não conseguem ser, realmente, felizes na vida. Elas existem, apenas, não vivem realmente.
Eis que a única espécie de gente em quem não confio mais é naquela que se apregoa “desconfiada”. Quem desconfia demais tem dor na consciência ou demasiada insegurança - tanto uma como outra são características de quem não merece a companhia de alguém de alma limpa e pura.
Detesto afirmativas categóricas (“categoricamente estúpidas”) tipo: “Nenhum homem é sincero”, “Mulher é interesseira”, “Todos os homens traem”. São o cúmulo da característica de quem nem em si mesmo confia e por isso desconfia das pessoas do sexo oposto, transformando a própria vida afetiva numa selva onde todos são mal julgados.
Eu não deixo de confiar no amor, no bom caráter do bom homem, na boa índole das boas mulheres. Na fidelidade de quem ama e daquele que é bem “servido” de parceira, acredito que as virtudes superam os defeitos quando as pessoas gostam realmente uma das outras, creio, pois que a verdade impere nessas circunstâncias.
Toda generalização é burra sendo que a “estigmatização sexista” conduz às pessoas rumo à introspecção, rumo à solidão e ao desamor. Eu acredito no amor, nas pessoas e nas suas virtudes. Nem todos merecem minha confiança, mas jamais irei generalizar tal fato. Caio, levanto, ando, mas não desisto de olhar para frente, com esperança e autoconfiança.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 14 de outubro de 2006.

A sabedoria e o amor

A sabedoria e o amor

Às vezes eu mesma me pergunto por que gosto tanto de falar, de escrever sobre o amor. O amor é a força motriz da vida humana, já afirmei este fato. Só quem já amou alguém, quem já se relacionou ou talvez, já confundiu paixão, desejo, carinho, e até mesmo “costume” com amor, sabe da importância de tal palavrinha de quatro letras no quadro de nossa vida - ela torna o fundo negro, algo mais claro, mais iluminado.
Pode um homem ter mil mulheres, fortuna avaliada em milhões, pode uma mulher ter inteligência fenomenal, um corpo magnífico e um rosto perfeito, pode ela ter todos os homens a seus pés, tudo muda depois de ter apenas alguém: Um amor para chamar de seu.
Existem definições magníficas para o amor, e o Rogério Flausino, vocalista da banda mineira Jota Quest foi extremamente feliz ao afirmar: “Amar não é ter que ter sempre certeza, é aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém e poder ser você mesmo e não precisar fingir, É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir (...) Já pensei em te largar já olhei tantas vezes pro lado, mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos.”
O amor às vezes assusta, assusta por ser inexplicável. Você pode explicar a beleza de seu amado, as virtudes que ele possui, os defeitos que têm, mas, no fundo, não consegue explicar o porque o ama, o porque ficar longe dele, o porque romper os laços é tão dificil, praticamente impossivel. O porque do “tentar esquecer e não conseguir fugir”.
Todavia, tudo se torna mais simples quando a gente entende a primeira frase do estrofe da música, ou seja, o amor não requer certezas constantes, mas deve trazer consigo uma: A de que amar alguem implica em compreender que o amado não é perfeito, (você também não) e que, ninguém deve caber no outro- as pessoas devem somar, e não se “perfectibilizar” como amendoin no melado.
As diferenças existem e devem ser respeitadas, porque é através delas que ambos podem crescer- um sempre tem algo a ensinar ao outro. O relacionamento a dois é a síntese mor da vida em sociedade, mas agraciada com o maior dote que os deuses nos lançaram- o amor.
“Feitos um para o outro” é frase mais afim com o romantismo do que com o amor. As pessoas são românticas, o amor não. O amor se conjuga no presente- a gente não perde um amor de verdade, a gente deixa passar pseudo-amores, o amores verdadeiros são reais, estão no hoje, sentados no nosso sofá, dormindo na nossa cama, ou reclamando de alguma coisa- mas estão ali, ao nosso lado.
Todavia, se estiverem apenas em nosso pensamento é porque andou nos faltando coragem para vive-lo intensamente, paciencia para nutri-lo, para ir busca-lo, porém se houver eco no coração do outro, sempre há tempo: As oportunidades são criadas, basta querer.
Ao nosso lado esta nosso amor do presente: nos fazendo felizes por existirem, por sorrirem, por nos olharem ternamente. Pessoas, pessoas como nós, capazes de ser extremamente chatas e irritantes às vezes, mas independente disso, amadas. Inexplicavelmente amadas e queridas. Sua presença nos faz falta, sua falta nos maltrata, nos tortura e nos torna mais irritados do que ficamos frente às brigas tolas.
Gosto e sempre vou falar de amor. Nasci em meio ao amor, “amada Cláudinha” esta escrito no meu primeiro álbum que “a mamãe formou, sempre com a ajuda do papai”. Minha mãe escreveu isso, e segue a vida me amando, o “papai” já não esta a seu lado, mas o amor entre eles foi real, triste é o fim, é ver que as traças da falta de zelo, de cultivo, de presença e de honestidade plena podem acabar com o que de mais precioso um homem pode construir.
Todo fim leva de nós um pouco de vida (porque viver é sonhar, é planejar), mas trás a força e a descoberta de que ter amor próprio é uma questão de sobrevivencia. O amor por si só não nos dá um atestado de eternidade, ele é um mistério que requer a sabedoria como aliada. Apenas os sábios conseguem aprender a se relacionar e a cultivar um relacionamento, e, consequentemente a manter o amor vivo mesmo diante das intempéries da vida.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 05 de abril de 2007.

Seres do bem

Seres do bem

Se de um lado existem os egoístas, orgulhosos, pessimistas, mentirosos ou sociopatas, por outro lado a vida coloca em nossa vida pessoas muito especiais. De repente, inusitadamente, de um instante para o outro nosso coração começa a bater diferente, nosso sorriso volta a se abrir espontaneamente para a vida.
De repente, sem justificativa exata ou racional, conhecemos uma pessoa que combina conosco, que fala o que sente sem medo, que manifesta suas emoções. Pessoas de coração aberto, de alma limpa.
Acredito que o Universo vem nos trazer pessoas boas quando somos bons, embora já tenhamos tido experiências ruins. Pessoas justas, amáveis, sinceras e bondosas um dia atraem pessoas com tais características.
O bom não se mantém preso ao mal por muito tempo, e vice versa. Mas almas límpidas, corações bondosos, coração que ainda tem a inocência para crer no amor não esmorece mesmo após ser maltratado ou sofrido decepções.
O amor próprio diz: “Vai, um pouquinho mais adiante que você verá o tesouro no fim do arco-íris”, e alguém pode duvidar do primeiro tipo de amor que devemos ter? Não.
É seguir adiante para esperar a surpresa agradável de, “de repente, não mais que de repente” conhecer uma pessoa especial, do jeito que sempre sonhávamos. Defeitos? Como nós ela terá os seus, mas o amor é o pai do respeito, e este sabe relevar, aceitar e perdoar. O importante é sentir no peito aquela sensação magnífica que só sabe quão boa é quem já a sentiu.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 11 de fevereiro de 2009.

Seres do mal

Seres do mal

A vida e suas peças. Assim como uma casa só tem graça, só adquire personalidade de acordo com as características do seu dono que nela fez um lar, a vida de cada um tem as suas características.
Existem pessoas que vivem de mentira. Existem pessoas cuja vida se torna um mar de mentira, em que elas chegam a acreditar nos absurdos que inventam para se passarem por bonzinhos, vítimas da má-fé alheia, serem queridos e respeitados. O famoso “jogo da pena”.
Gente que no fundo é incapaz de amar à alguém, gente que não aceita perder, que mente para não assumir uma derrota, pessoas de espírito pobre que julgam que o ataque é a melhor defesa. Pessoas más, praticamente sem alma. Psicopatas que andam ao nosso lado. E eles nunca mudam porque sempre acham que estão corretos. Sem cura: Frios, sem sentimento de culpa, com tendência para persuadir aos outros, tudo isso com uma boa dose de charme e certa eloqüência.
É bom estar sempre atento a cada fato, às pequenas circunstancias que envolvam ataque desproporcional a ofensa, defesa exagerada de ponto de vista, impulsividade, agressividade, pessoas que querem sempre ser bem julgadas e que se acham mais importante do que estão, que se superestimam como megalomaníacos e narcisistas, afinal, “o psicopata mora ao lado”
[1], e a maioria deles não costuma matar, mas podem destruir vidas do ponto de vista emocional.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 11 de fevereiro de 2009.

[1] Baseado no livro “Mentes Perigosas: O Psicopata mora ao lado”, da autora Ana Beatriz Barbosa Silva.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A responsabilidade inerente ao amor.


A responsabilidade inerente ao amor.

Já escrevi muito sobre o amor e relacionamentos entre as pessoas. Mas este tema não tem fim. É no amor que nos realizamos, que reconstruímos, construímos ou arruinamos com parte de nosso coração. Não existe dinheiro que minimize a dor da perda de um amor, não há psicotrópico para isso, da mesma forma não existe elixir para a dor de quem se arrepende de algo.
Todos são iguais perante a dor do amor. Com exceção de quem não sabe amar. Mas, ora, existe quem não o saiba? Sim, existe quem seja disso incapaz.
Para viver um amor e manter uma relação é necessário tirar o foco de seu próprio mundo, é preciso saber ver e vivenciar o amor: De forma saudável ele, o ser amado, deve ser nosso porto seguro, de aconchego, carinho, risos, abraços, prazer e nosso ombro na hora em que precisamos chorar.
Para manter uma relação legal, com união, é preciso saber deixar de fora dela os problemas de índole profissional ou econômica, é preciso tentar “separar” as situações, ou, em não conseguindo não fazer que os problemas de “fora” da relação influenciem negativamente nela. Todos nós temos o direito de ficarmos aborrecidos e com raiva, já disse Shakespeare, mas ninguém tem o direito de ser cruel com o outro. Ignorar, não falar, nem desabafar com quem se diz amar é uma forma lamentável de feri-lo.
O fundamental para se viver um amor, é, pois, ver nele o que ele é: Um recanto de paz, de harmonia, ver no nosso parceiro alguém em que podemos confiar, desabafar e apesar de tudo que ocorre fora de nosso recanto, ser amado e admirado e sentir-nos amados e contentes, ao menos porque conhecemos o que é o amor e o bem estar que ele pode gerar.
O fundamental da vida e das relações que nela entabulamos consiste em dar o que se deseja receber, de fazer o que se deseja seja feito para si, e de se manter dentro desta baliza. Ignorar o outro, não pedir perdão, não abraçar, não demonstrar sentimento, não acarinhar, não dizer nada que manifeste o sentimento é pedir para que o outro se decepcione, se frustre, se canse.
E caso ocorra frustração? E caso o amor termine? Há dor, sensação de perda, mas nenhum amor acaba quando, como uma planta for bem regado, ninguém tolera ou aceita perdoar facilmente o que lhe afetou a auto estima e o auto respeito, por isso do inicio ao fim de relacionamento precisamos cuidar do nosso coração e do de quem amamos, se assim agirmos, certamente não será necessário falar em “término”. Quando amamos alguém e resolvemos ter ela em nossa vida assumimos responsabilidade pelo seu coração também.
É fácil, mas tem gente que não sabe amar, tem gente que esquece do que falou ou fez, que busca razão em detalhes, que não admite nada, tem gente que mente que ama, tem gente, como diria o Renato Russo, que esta ao nosso lado, mas deveria “estar do lado de lá”, aqueles que machucam os outros, aqueles que não sabem amar. Todavia, um dia a gente vê, cai em exaustão, e, “fim”.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 08 de fevereiro de 2009.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O ser humano e sua "memória seletiva"


O ser humano e sua “memória seletiva”

É um ato tipicamente humano o fato de criar uma certa “memória seletiva” para esquecer ou, simplesmente, não recordar de suas atitudes vis, das quais se arrepende ou se envergonha.
Quem humilha se esquece da humilhação que causou, quem é humilhado não. Quem magoa, fere e machuca um coração se esquece de seus atos, mas quem foi magoado e ferido não, ainda que queira é mais difícil esquecer e, portanto, perdoar. Difícil, não impossível afinal tudo é possível quando uma pessoa se dispõe a operar mudanças em sua própria vida e forma de ser.
Bom, seria se as pessoas conseguissem controlar suas emoções e colocar-se no lugar do outro antes de lhe humilhar, magoar e ferir. Certo é ter uma boa lembrança de tudo, inclusive dos atos que se deseja esquecer, sob pena de nos tornarmos “armas letais ambulantes” que saem por ai destilando veneno sem piedade.
Errar é humano, mas perdoar é divino. Concordo, logo precisamos pensar antes de agir e após as mancadas cometidas, para perdoarmos à nós mesmos pelos danos que causamos ao ferir alguém, sem mandar essa lembrança para o saco sem fundo chamado “esquecimento”.
Quem se sente ferido, pode esquecer, mas apenas após perdoar porque, via de regra, tudo o que sentimos na pele parece doer mais do que aquilo que jogamos na pele alheia. Pensar antes de agir ou falar? Sim, eis a solução.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 28 de janeiro de 2008.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Do amor à revolta.

Do amor à revolta.

O ser humano sofre mais quando se frustra ou decepciona com quem mais ama. O abalo psicológico da frustração que se tem por quem nos criou, com nossos pais, enfim, ou com quem escolhemos para chamar de "amor" é mais doída, mais difícil de superar do que com a que podemos ter com qualquer pessoa neste mundo.
A sensação de traição, de rompimento de expectativas, a dor por ofensas objetivas ou subjetivamente feitas, a dor no coração pelo fato do outro ter "quebrado" em nós o que dele esperávamos por ama-lo é pior e mais traumatizante do que qualquer mágoa que quem não amamos possa nos causar.
Assim, como é fato que quando amamos gostamos da presença, de poder sentir e dar amor ao outro, quando gostamos apenas, a ausência não dói, a falta não machuca, não é problema. Mas e quando quem amamos nos fere, nos frustra, não demonstra ou deixa de demonstrar afeto, quando quem amamos some e deixa um lar vazio sem mostrar valorizar a ninguém?
A tristeza é maior, a raiva também tende se tornar grande, surge revolta, medos, desconfiança porque o mesmo ódio que nos maltrata sai da fonte que nos fazia alegres e contentes. E quanto mais amamos, mais seremos capazes de sentir sentimentos baixos (mas humanos) como o ódio a ira e a revolta.
Todavia, o tempo é senhor da razão e coloca as coisas no seu devido lugar, pode trazer ou não o perdão, pode fomentar o desprendimento e fazer-nos ignorar a existência de quem outrora era sumamente necessário em nossa vida. Só um dia depois do outro, o aprendizado e a maturidade podem fazer-nos mudar de posição, ou não.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 21 de janeiro de 2009.

P.S.: Em homenagem (especificando) à meu pai.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ternura e outras especialidades.



Ternura e outras especialidades.

Existem gestos, atitudes e virtudes que alimentam a alma da gente, que mais do que qualquer importância em dinheiro nos fazem levantar da cama alegres, em paz, contentes, felizes com a vida.
Ternura, carinho, delicadeza, afeto, apenas isso. Uma tarde, uma noite, uma manha, qualquer momento se torna especial quando estamos com pessoas ternas e carinhosas. A vida nos sorri quando somos abraçados, beijados, mimados, acarinhados por quem julgamos ser especial.
Muitos se tornam especiais justamente por surgirem em nossas vidas com seus corações calorosos, com sua forma terna de tratar, ser e afagar no momento em que precisávamos ser bem cuidados, afinal, quem não precisa de carinho? Quem não quer redescobrir sentimentos em uma forma simples de amar, de gostar, de curtir um relacionamento?
Sexo, cama, festa? É fácil de achar companhia, mas ternura, sinceridade no olhar, força e delicadeza no tocar, demonstração de valorização e estima são raros, não se encontram em qualquer esquina, assim como não encontramos facilmente pessoas dignas de tais atos, porque embora todos gostem de ser bem tratados, nem todos sabem bem tratar, bem amar.
Fato é que não existe dinheiro, não existe absolutamente nada que supra um beijo terno, um abraço apertado, um toque, um carinho no rosto, no pé, uma massagem nas costas. Ser bem tratado e bem tratar é ambicionado por muitos e conquistado por poucos.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 15 de janeiro de 2009.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Quem guarda tem, quem cuida não perde.

Quem guarda tem, quem cuida não perde.

Já dizia meu avô que quem “guarda tem”. Quem guarda, quem cuida, realmente tem, ou mantém por mais tempo os papéis nas gavetas. Quem cuida do que gosta, invariavelmente, também vai poder gozar por mais tempo do objeto prezado.
Relacionamentos, amizades, amores, romances enfim, são como plantas - eles duram na medida em que deles cuidamos, zelamos, regamos. Quem não sabe cuidar de algo, quem não tem a paciência de um semeador, via de regra, acaba com a semeadura antes da germinação da semente.
Existe um refrão de uma musiquinha que fala em tom de ordem: “Cuide bem de seu amor, seja quem for”. Esse “seja quem for” acho meio sem rima, sem graça e sem sentido porque para quem ama “seja quem for” esse alguém possui muita significância a ponto de se tornar a pessoa mais iluminada da existência do amante.
Embora, o “seja quem for” ser sem sentido, o “cuide bem de seu amor” faz muito sentido. Ora, mas como cuidar bem de um amor? Como se cuida de qualquer coisa valiosa, como se cuida de uma jóia, de algo pelo qual temos muito apreço: Com delicadeza, zelo, atenção.
É simples, não tem segredos. O amor não tem segredos - o coração intui, a alma sente, o corpo se exalta num calor doce que queima sem ser visto, como diria o grande Camões. Não é preciso muitos paparicos, mas zelo, cuidado com o que se diz, com as atitudes que se toma, com a coerência entre o que se sente, pensa e diz.
Ninguém deixa um anel de diamantes exposto na chuva em cima de um carro, certo? Da mesma forma quem ama não expõe seu amor às intempéries, cuida, zela, evita o mau tempo para curtir bons momentos. A vida ensina. A vida ensina a amar e a ser bem amado também.
É, nada como um dia depois do outro para fazer a gente ver como é importante guardar para se ter, e cuidar do que se preza para não perder por pouco o que não se acha tão fácil. Cuide bem do seu amor, porque o anel de diamantes pode ser roubado, perdido e readquirido, mas um grande amor não se vende em qualquer joalheria. Pessoas não são como objetos, possuem alma não são seres inanimados.
Só quem já teve a coragem suficiente para entregar seu coração ao amor sabe que não existem benesses que lhe supra a falta, não existe dinheiro que o compre, apesar de que, graças aos anjos ele existe (money) para suprir na vida humana a falta que um amor de verdade ou a dor que sua perda pode trazer.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 26 de dezembro de 2006.

A verdade sobre a irrelevância.

A verdade sobre a irrelevância.

Tudo na vida possui o valor que atribuímos, o significado, pois que lhes damos. Nada nasce importante, “querido”, estimado, ou desprezado, somos nós que atribuímos às pessoas e coisas estes adjetivos de acordo com nosso prezar, ou falta dele, para com elas.
Podemos dar importância demasiada a determinado fato ou pessoa, por mais que não gostemos de sua lembrança ou existência. Esta ocorrência passada, ou este ser passarão a ter “influência” em nossa vida porque iremos falar e pensar neles.
Através do pensamento e das palavras atraímos coisas boas, e afastamos o que é negativo de nós. Pensar em algo inconveniente, dar importância à existência de alguém que não nos agrada irá causar problemas ainda maiores porque ela irá ganhar importância porque estamos lhe dando certa “atenção” e relevância maior que possui.
A melhor forma de atribuir a pessoas e a fatos a característica de “insignificante” é não falar, tampouco pensar neles, pois, a partir do momento em que “estudar” acontecimentos passados ou psique
 de nossos desafetos acontece, demonstramos que, na verdade, eles possuem significância em nossa trajetória.
Significância porque usamos do pouco tempo que possuímos para pensar em certas pessoas, remoer atos e acontecimentos, lamenta-los ou critica-los. Quando algo realmente é insignificante para nós não precisamos dizer que ele é. Nós simplesmente não falamos dele.


Cláudia de Marchi

Passo Fundo/RS
, 13 de agosto de 2006.

Altos e Baixos

Altos e Baixos

Ontem o dia foi entediante, hoje parece que até as formigas no chão estão sorrindo para nós. A vida é assim, não muda muito de um dia para o outro no que diz respeito a ocorrências grandiosas, todavia muda nossa forma de encarar os dias, por uma razão ou outra, geralmente simples de compreender.
Sem dúvida podemos ter uma segunda-feira assoberbada, enfrentar problemas com colegas de trabalho, clientes grosseiros ou inadimplentes, enfim. Todavia podemos ter uma terça-feira calma, com bastante trabalho, mas sem nenhum “dissabor”. Nada ocorreu de especial, porém nada se deu que infectasse nosso humor.
É nas entrelinhas de nossa existência que percebemos que a dinâmica de nossa vida é a mudança, são os “altos e baixos” ainda que em nossa forma de julgá-la. Hoje estamos alegres e tudo parece lindo, amanha estamos chateados e o mais doce bombom parece ser amargo.
Quando olhamos para um eletrocardiograma percebemos em sua leitura que há pequenas elevações e declínios nas batidas de um coração saudável. Quando a linha fica reta é sinal que a pessoa morreu.
Mudanças de pensamentos, de expectativas, frustrações, surpresas, alegrias, tristezas, fazem parte de nossos dias e da forma com que os encaramos. Viver é estar em constante mudança por mais que não seja perceptível, assim como o pulsar de nosso coração: Ninguém pára para analisar suas batidas, mas ele bate a todo instante.
Viver bem é curtir um dia após o outro com a mesma esperança no coração, fé no futuro e na realização dos sonhos, é tentar rir no final do dia “meia boca” porque amanha poderemos ter um “sorriso inteiro” estampado no rosto. Mudanças e “altos e baixos” indiciam o fluir da vida em nosso corpo e dia a dia.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 25 de outubro de 2006.
APÓS ALGUMAS SEMANAS DE ESTRESSE EXTREMO E BAIXA INSPIRAÇÃO, INSIRO TEXTOS ANTIGOS PARA OS LEITORES QUE AINDA NÃO OS CONHECEM, ÓBVIO QUE ELES ESTARÃO ACIMA DESTE RECADO...
FÉRIAS!!QUEM NÃO PRECISA DELAS?! ESTOU PRECISANDO, MAS SÓ EM FEVEREIRO, POR ENQUANTO: ÂNIMO VENHA À NÓS!!!!!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Tertuliano

Tertuliano

Desde criança minha mãe teve o hábito de recitar-me alguns poemas e poesias em circunstâncias nas quais, segundo ela, eles seriam pertinentes. Há muito tempo atrás ela recitou esse, cujo autor desconhecia, mas que “poderia” ser de Carlos Drummond, há dois dias atrás ela voltou a recitar-me:

“Tertuliano, frívolo peralta, Paspalhão desde fedelho, Incapaz de ouvir um bom conselho;Tipo que, morto, não faria falta.Mas um dia deixou de andar à malta.E indo à casa do pai, honrado e velho,Mirou-se diante de um espelho,E à própria imagem disse em voz bem alta:Tertuliano, és um rapaz formoso,És rico, és talentoso.Que na vida se te faz preciso?O pai, sisudo,Que por trás da cortina ouvia tudo,Serenamente respondeu: JUÍZO!...”

Sempre achei cômico e gostaria de ter certeza sobre a autoria do poema. Tertuliano era um megalomaníaco, do tipo que esbarramos na rua a cada instante. Do tipo que crê que o universo gira em torno de seu umbigo, que não se conforma quando as coisas não saem de seu jeito, perde o controle, se descabela blasfema: “Ora, como Deus não pôde fazer tudo da forma que desejo? Este mundo esta torto, só pode!”.
Tertuliano se achava demais, certamente era menos belo do que a imagem que refletia no espelho, menos rico do que ostentava e menos talentoso do que dizia ser, ele como bom megalomaníaco, se sentia mais do que era e nunca tendo ouvido conselhos, obviamente trilhou o caminho errado e para não admitir seu fracasso, na casa de seu pai, se gabava de seus dotes.
Quem é bom de caráter e alma nunca se gaba. Quem é bom não se vangloria, quem tem importância social não apregoa aos quatro ventos o que é, ou o que um dia foi. Tertuliano era um frustrado, um mal criado, cuja mãe – e pai- deixou-lhe fazer o que queria sem impedir que o paspalhão se criasse de melhor forma.
Existem muitos tertulianos e tertulianas no mundo, já diria minha mãe. Muitos que passaram pela vida de muitos homens, de muitas mulheres, valorosas, sinceras, belas, e lhes fizeram mal, lhes maltrataram, mas, doentes por serem megalomaníacos ainda dizem que poderiam “lhes ter de volta a hora que quisessem”.
Ora, Tertuliano, elas, eles?Voltarem para você? Para o vazio da falta de carinho, para o excesso de egocentrismo com doses se alguma bebida hight class, para a brutalidade e violência física ou verbal, sem afeto, toques sensuais, elogios e beijos? Não, os tertulianos precisam mesmo é de um bom analista. São megalomaníacos e egocêntricos, um perigo para quem com eles convive, não sabem se controlar nem refletir, e como todo bom doente nunca reconhece que precisa de ajuda, afinal eles sabem mais do que todos.
Na verdade muitos, realmente, mortos, pouca falta fariam. Não souberam amar, dar carinho e conforto a quem lhe amou em vida, ignorou os bons princípios, viveu só afastando de si boas pessoas, foi rude, grosseiro, porque “ele era o melhor”, ele estava acima dos outros. Talvez para sua mãe e pai Tertuliano fizesse falta, talvez para seus filhos não, tertulianos não são bons pais, eles querem ser o centro do Universo e jamais conseguiriam assumir um pequeno, um “filhote” como alguém que precisa de toda sua atenção.
Pobres tertulianos, vagando pelo mundo como nadas ambulantes inserindo em sua parca mente e coração – vazio de sentimentos nobres - que possuem alguma importância a mais do que os demais transeuntes na estrada da vida. Coitados, justamente por se acharem além dos outros é que são menos, quase nada nesta vida. São, realmente, aqueles que mortos pouca falta fariam (talvez para o Governo se pagam em dia seus impostos, ou para os pais, cuja ausência logo superariam: Gente que não sabe dar atenção e carinho é esquecida facilmente).
Arrependimento os tertulianos não têm. Mas quanto de tal sentimento sentem os que um dia lhes deram credibilidade, lhes viram como gente decente. Tratando um tertuliano bijuteria, como se fosse uma jóia rara. Esses morrem um pouco por dentro, de arrependimento por terem convivido com um desses tipos que mortos não fazem falta. Mas, ao mesmo tempo, se regozijam porque existem muitos seres especiais neste mundo. Especiais e humildes de espírito.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 29 de dezembro de 2008.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O maior valor

O maior valor.

É incrível o quão mais fácil, ou quiçá mais nobre é para o homem aprender com seus tropeços. Com a superação de cada problema ou dificuldades de espécies várias nós nos tornamos mais maduros e melhores enquanto seres humanos.
Às vezes é enfrentando mentiras, falta de respeito e atenção, desprezo ou qualquer tipo de ato infeliz que aprendemos a ver de longe o que realmente é bom e tem valor nessa vida: O amor.
Não falo do amor carnal, “hetero” ou homossexual, mas o amor à vida, o amor que gera gratidão, respeito, o amor que gera uniões que perseveram, que faz com que as pessoas se disponham aos mais incríveis atos, que nutram boas virtudes e tenham humildade.
Piegas ou não, é o amor que o homem dá e recebe na vida que baliza o que podemos taxar de “seu verdadeiro valor”. Bens materiais vão, a pele dura envelhece, o rosto bonito enruga, a virilidade diminui, mas o amor e respeito que devemos nutrir pela vida, por nossa existência e por aqueles que foram colocados no nosso caminho só aumenta e nos torna mais fortes, se lhes damos importância e os cultivamos, afinal belas flores não nascem em terra seca.
É bom ter grana? Vida boa? Conforto? Luxo? Beleza? Claro, mas a uma grande diferença entre ser valoroso e bom e ser essencial. O essencial, esta além do que os olhos podem ver, esta no coração do homem e na sua capacidade de amar e respeitar o outro, tal qual deseja ser amado e respeitado.
Feliz aquele que quando desta vida sai é lembrado por ter sido bom, por ter amado e dado amor a quem estava a seu redor, que valorizou a própria vida, que não deixou para traz corações injustiçados ou almas doídas por terem sido iludidas, feliz, pois o homem que tem amor no coração, é este amor que lhe eternizará na lembrança dos que nela ficam.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 09 de janeiro de 2009

Pesados conselhos de ano novo.

Pesados conselhos de ano novo.

Mais um ano se inicia, amor, tolerância, paz, respeito, força de vontade, garra, fé, dentre tantos atributos é o que desejamos uns para os outros, todavia por ser pessoa experiente na lida dos amores frustrados e das “mentes perigosas”
[1], venho desejar a cada um, outros anseios.
Desejo, minhas caras amigas e amigos, que não se deixem enganar por lobos em pele de cordeiros, que tenham medo e não piedade daquele que se fazem sempre de vítima: Vítima dos pais, dos irmãos, do médico, dos clientes, de todos. Tema, aqueles que não dizem “eu fui culpado”. São pessoas perigosas aquelas que não sabem assumir suas próprias culpas e responsabilidades.
Temam, da mesma maneira aqueles que não assumem suas responsabilidades em diálogos maduros e sem ofensas, aqueles que tendo lhes magoado são incapazes de secar-lhe as lágrimas e pedir perdão. E, se pestanejar lhes empurram para longe de suas vistas em atos de brutalidade descontrolada.
Tenham medo dos que perdem o controle sobre si mesmos, sobre seus gestos, atos e palavras, que são brutos, que tomam atitudes bruscas, não pensem lindas donzelas, no hoje e no bom sexo (?) que às espera à noite, pensem no pai que desejam para seus filhos: Uma pessoa equilibrada e afetuosa ou uma pessoa instável e cheia de rompantes?
Tenham desconfiança também daqueles que querem lhes afastar da opinião alheia, da opinião que a comunidade tem a seu respeito: Um homem também é o que os outros dizem dele. Onde há fumaça, há fogo. E se avistarem a fumaça, tentem desvendar a origem da queimada.
Fujam dos indivíduos que se acham superiores aos demais e que em seu interior admitem suas fraquezas, dos que bebem demais, reclamam demais, ao mesmo tempo em que se auto-elogiam em demasia como se fossem hoje os mesmos bebês ou adolescentes lindos que eram outrora.
E, sobretudo, meus caros, sigam os conselhos dos pais se ainda os tiverem por perto. Uma mãe não se engana, ela vê mais longe do que qualquer olho pode ver, ela enxerga com a intuição, com o sexto - sentido, com um “que” que só as boas mães possuem. E, assim, desejo felicidades à todos, nos negócios e em quaisquer empreendimentos, no caso, os afetivos, afinal, do que seria a vida sem o amor?

Passo Fundo, 1º de janeiro de 2009.

[1] Silva, Ana Beatris Barbosa. Mentes Perigosas – O psicopata mora ao lado. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2008.
Por ter identificação com o texto acima transcrevo parte da música "Mais uma Vez" da Legião Urbana:
"Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!"

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Aproveitar a vida

Aproveitar a vida

É no conteúdo implícito em certos conselhos ou “palavras de incentivo” que podemos perceber a notória diferença entre um individuo e outro exemplo disso é o tradicional: “Você tem que aproveitar a vida!”.
“Sim, mas eu vivo com o intuito de aproveitar minha vida e em cada ato acho que estou gozando bem o meu viver, por que me dizer isso?” Simples: Na opinião de muitas pessoas o que para mim é aproveitar, pode ser vegetar, viver em tédio, em mesmice.
Outro dia um amigo me aconselhou a aproveitar a vida dizendo para eu sair mais, curtir mais a noite, ficar (transar, sendo mais específica) com sujeitos com os quais eu não namore e tal, pra ter “experiência”. Daí eu disse que pra mim aproveitar a vida eu já aproveito e pra curtir a noite acho melhor com parceria (namorado) ou, se sozinha, dançando muito, sem beber em excesso.
Dispenso o sexo casual no “aproveitamento da minha vida”, pelo menos no sentido referido, pra “curtir”. Existem coisas que só são “excelentes” (e eu me contento com excelência e não com “muito bom”) quando feitas com quem realmente vale a pena, e isso não acontece numa noitada depois de uns tragos, em que mal e parcamente a gente consegue contar até 100. Ou seja, o que para uns é curtir, aproveitar, pára mim é desperdício de corpo, tempo e quiçá de sentimentos, porque existem sempre aquelas donzelas que criam “apego” fácil.
Quem esta certo, quem esta errado? Ora, não há certo nem errado quando o assunto é viver e ser feliz. Porque o que importa na vida, é unicamente isso: Ser feliz. Se uma pessoa é feliz trancada num quarto com uma garrafa de água e outra de vinho, que seja!
Se uma pessoa é feliz sendo monástica, que seja! A vida é dela, quem vai rir, chorar ou lamentar os efeitos de suas ações é ela e mais ninguém (sim, porque hoje ou amanha os efeitos de nossas atitudes vêm bater à nossa porta). Bem aventurados, pois, os que aproveitam a vida sendo sinceros com os outros e consigo mesmos.
Então, se você acha que a pessoa que vive de forma oposta a sua é infeliz ou não esta curtindo a vida, saiba que, no conceito dela o “infeliz” pode ser você. Cada um faz o que quer com a própria vida e, certamente, vive na certeza de que esta no caminho certo da tranqüilidade e felicidade de espírito, do contrário mudaria de rota.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 06 de janeiro de 2008.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Seres que se tornam "presentes".

Seres que se tornam “presentes”.

Certa vez me falaram que Deus às vezes nos fala pela boca de outras pessoas. E no decurso do tempo de minha existência passei a ver que é verdade, que da boca de um desconhecido por sair algo que ilumine nossas idéias e o rumo que daremos à nossa vida.
Também acho que em determinados momentos de nossa vida Deus nos envia anjos em corpos humanos para secarem nossas lágrimas nos dando carinho, alento, entusiasmo, afeto, e, quiçá, uma nova crença no amor.
Nada nesta vida é em vão, sequer as ofensas que nos são ditas, e nos fazem de alguém desgostar ou desprezar, são à toa, elas podem nos servir para mostrar quão mal acompanhados estávamos sem termos percebido. É um direito humano o de ser respeitado. É um direito de todas as mulheres e homens de serem abraçados, acarinhados, beijados, bem tratados, bem, muito bem amados, em especial quando sabem bem amar.
E é por isso que olhando para as pessoas e seu entusiasmo nesta época de transição que é o término do ano, vendo que mais do que presentes comestíveis ou perecíveis Deus nos presenteia com pessoas de bom coração e alma pura para nos fazer felizes, que eu vejo o milagre que é viver.
Pessoas que irão segurar nossa mão em momentos alegres ou de dificuldade, que ao nosso lado não nos deixam ver as horas e minutos passarem, faz, conforme dito, confirmar a minha teoria de que viver, de que estar vivo é um milagre que deve nos bastar para contentar nossa alma que insiste em querer mais do que possui olvidando do que esta na sua frente e das dádivas que estão ao seu redor.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 29 de dezembro de 2008.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Indiferença

Indiferença

Como é triste para o homem a sensação de indiferença. Triste, é claro para aquele objeto do sentimento por parte alheia. Aquele que já ouviu desaforos demais, que já viu muitas cenas de perda de controle do outro, e, de repente tudo o que passa a sair da sua boca não tem mais o mínimo valor para lhe afetar o ego.
Palavras agressivas, afirmativas bruscas, ofensas morais, tripudio de sentimentos e afirmações, nada afeta aquele que se tornou indiferente ao outro e seus devaneios.
Não sente nada, absolutamente mais nada de tantas que foram as vezes em que, perdendo a controle sobre si mesmo o outro falou o que não devia e voltou atrás. Logo, qualquer afirmação que faça, positiva ou negativa, passa a não ter valor algum para aquele que as ouve.
Pobre do homem que deixa suas relações chegaram a tal ponto, perdeu o respeito por si mesmo e pelos demais, ao ponto em que tudo que possa falar ou fazer para atingir alguém termine batendo no escudo, por este formado, chamado indiferença. E ser indiferente a quem demonstrou não merecer nosso prezar, cá entre nós, é uma das sensações mais prazerosas do mundo.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 27 de dezembro de 2008.

Quando a vida puxa nosso tapete.

Quando a vida puxa nosso tapete.

Os homens podem perder muitas coisas dentre eles, a fé, a confiança, a admiração, o amor, mas o respeito, jamais. Perder o respeito por quem convivemos no presente ou no passado é jogar podridão em cima de piso limpo.
Ter raiva, revolta, falar palavras ofensivas? Todos, alguma vez na vida já o fizeram. Mas tripudiar de forma vulgar, de forma baixa, demonstra ausência de caráter, ou, como diria minha mãe um “caráter marginal”.
Existem coisas que ainda que sejam ditas com mero propósito de criar mágoa ou vingança não devem ser ditas nem para nosso pior inimigo. Acredite o homem ou não, o universo tem suas leis, e uma delas é a do retorno. Se a palavra dita pode não voltar atrás, o resultado de sua afirmação volta para o ofensor na forma dos mais variados sofrimentos.
Não à toa existem tantas pessoas sofrendo nesta vida. Pelo Universo nada passa impune: Nenhuma palavra mal colocada, nenhum ato estúpido, nenhuma ofensa exagerada, nenhum ato de brutalidade física ou verbal, nenhuma enganação voluntária ou não, nem mesmo o orgulho passa impune.
Algo sempre acontece para mostrar ao homem o seu lugar: Ao lado dos demais, nem acima, nem abaixo, um mero vivente, errante neste planeta chamado Terra, quiçá mais infeliz do que os outros, porque o orgulhoso sofre em dobro: Por ter tal sentimento e por ver que por mais que queira não é melhor do que ninguém.
Infeliz aquele que algum dia se sentiu superior e se agarrou a este fato para manter sua estima própria elevada. A vida passa, ele pode continuar se sentindo acima dos outros, enquanto estes o julgam com piedade, com dó, simplesmente porque a vida passou e ele não encontrou o seu lugar: O mesmo do de todos, vez que não nunca foi melhor ou pior que ninguém.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 27 de dezembro de 2008.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Se for para sofrer (?)

Se for para sofrer (?)

Disseram-me que “se for para sofrer nesta vida, então que seja por amor”. Eu concordei. Até que resolvi pensar que amar não faz sofrer, que o que dói é a frustração de um amor terminado, mal resolvido, ou, simplesmente, mal construído.
Todos sofrem pela frustração de um bem querer ao menos uma vez na vida. Afogamos nossa tristeza num livro de poesia, num copo de whisky, numa taça de espumante às duas da madrugada, num encontro desencontrado pelas ruas da cidade, num porre ou numa boa dose de remédio pra dormir (o sono, a fuga dos covardes que sofrem- dentre os quais me inseri várias vezes).
A gente tenta é fugir da dor. Da pior das dores que é a de um coração partido, de uma decepção, a dor do luto na tentativa da conformação: “Era amor? Era desejo? Era paixão? Virou frustração: Agora aceite e siga adiante”. É este o recado da vida para o amante frustrado que se debate em pensamentos, lágrimas e aquela dor no coração que não é de infarto mas aperta doído como uma pequena facada.
Fato é que a vida pulsa, que a vida nos possibilita amar de novo, reconstruir velhos e fazer nascer novos amores. O coração dói, os olhos choram, mas a vida pulsa, e enquanto existir vida, fé e esperança, existirá no coração do homem a fé no amor.
Não no amor que faz sofrer, mas no amor que dura além das expectativas, no amor de equilíbrio, de respeito, de companheirismo, no amor que segue adiante ilustrado pelas mãos dadas dos amantes que sabem o que desejam entre si: Doar-se um ao outro, sem cobranças ou desrespeitos.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 27 de dezembro de 2008
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

A jovem e o velho na estrada da vida

A jovem e o velho na estrada da vida

- Moça, o que esperas da vida sendo assim tão jovem, bela e altruísta, com o carro parado diante deste trevo?
- Eu espero conquistar aquilo que busco, corro atrás profissionalmente dos meus objetivos, mas tirei férias para refletir sobre aspectos que não competem apenas a eu decidir, o senhor entende? “Aqueles” aspectos afetivos, do coração, simplesmente estou deixando a vida me trazer.
- Hum...Eu sou velho, sou sábio: Você quer sucesso, reconhecimento, prosperar na carreira, mas também quer amar, quer ter alguém em quem confiar?
- Sim, exatamente.
- Mas como você vai saber quem merece sua confiança?
- Meu caro senhor, eu sou um pouco inocente, mas não sou de todo tola, apesar de já ter me enganado algumas vezes, não foram enganos de semanas, foram enganos de anos, logo foram “bons e longos equívocos”, posso lhe dizer. Equívocos pelos quais fui culpada por mantê-los.
- Mas como esperas um dia acertar? Um dia encontrar alguém para amor devotar e amor receber?
- Porque na verdade eu sei, meu senhor, que muitas pessoas dizem que querem amar quando querem ter alguém para passar o tempo, que muitos mentem que amam porque querem uma bela estátua como troféu, e que muitos outros buscam o amor de forma errada: Deitando-se em camas desconhecidas onde confundem o gozo físico com o prazer do amar e ser amado. Eu sei o que quero, e considero isso um bom primeiro passo, não achas?
- Pois é, minha cara moça, mulher de corpo feito e olhar penetrante, você sabe o que quer e desejo-lhe sorte para trilhar a estrada do que procuras, porque de todas as estradas que o homem enfrenta, tanto quando a da busca por dinheiro, sucesso, e prosperidade é na do amor que ele costuma se perder mais facilmente nas curvas e chorar diante de morros, diante de precipícios.
- É verdade, meu sábio senhor, apesar de que, sei que nem todos têm real capacidade para amar. Eu, ao menos, sei que tenho a alma e coração libertos e aptos para tal dadivoso sentimento.
- Então, querida, siga em frente, porque em tudo nesta vida, o homem que acredita, que tem fé e que busca um dia alcança. Mas não esqueças de usar sua inteligência, porque não quero vê-la, com seus belos cabelos jogados diante de seu rosto chorando novamente a beira do precipício chamado engano, ou do precipício chamado ilusão. Siga adiante, buscando ou não, o amor verdadeiro um dia chegará até você.
- Obrigada, e se me permite, termino nosso diálogo dizendo: Assim seja.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 26 de dezembro de 2006.

A natureza dos solitários


A natureza dos solitários

O escorpião pediu para o sapo lhe levar até o outro lado do rio vez que ele não sabia nadar, o sapo, temeroso, lhe indagou se não iria soltar o seu veneno, quando o escorpião disse que obviamente não, do contrário ambos morreriam afogados. Atravessaram ao chegar do outro lado do rio o escorpião cravou seu ferrão mortal no sapo que lhe perguntou, porque ele havia feito isso, quando o escorpião respondeu:
Porque essa é a minha natureza!
Retirei esta fábula do livro chamado “Mentes Perigosas” da autora Ana Beatriz Barbosa Silva, que trata sobre psicopatas, todavia, não é sobre eles que desejo falar. Quero falar sobre a natureza e aptidão afetiva de cada homem para a solidão.
O amor é um anseio quase geral, mas ele não envolve o mero sentir, o coração tremer, as pernas ficarem moles, as mãos suarem, o desejo, com o tempo o amor requer o ato de conviver, ceder, ser paciente, ser complacente, abdicar de algumas naturais benesses da liberdade total. E é ai que muitos não conseguem, ora, mas, por quê? Porque é da natureza (ou de algo intrínseco proveniente da educação tida) de alguns seres a aptidão para a solidão, ou então é uma natureza obtida pelo costume que se insiste em manter: O hábito de não dividir o coração, as dificuldades, tampouco a vida com ninguém.
Para, enfim, sentirem-se bem sozinhos, sem a companhia de ninguém para lhes chamar para jantar, para solicitar sua presença, para, como um gato manhoso se esfregar dentre suas pernas e braços pedindo carinho: Existem pessoas cuja natureza lhes tornou solitárias, e esvaziou seu coração para a capacidade real de amar, porque se Lya Luft disse que “Pensar é Transgredir”, eu afirmo que amar também é transigir, é interagir, ceder, se abrir, ouvir e ser paciente.
Ora, quem tem essa capacidade sabe que o amor exige concessões, exige principal e unicamente o respeito: “Não me faça o que não desejas que eu te faça”. Mas, como explicar essa natureza mencionada que alguns homens possuem? Sobre a dos psicopatas a autora discorre em seu livro, mas sobre aqueles que se tornaram amantes da solidão eu, ao menos, não quero sequer chegar muito perto de casos para estudo. Pessoas assim fazem os outros sofrer, não sabem, não conseguem amar, tanto quanto os sociopatas são de perigoso convívio.
Basta dizer, que antes de qualquer envolvimento afetivo é preciso saber quais são os bloqueios do outro, a sua natureza pró ou contra o convívio amoroso. Caso exista a natureza pró-solidão, é melhor deixar. O outro será feliz como deseja, sozinho, e você, segue sua vida, seu rumo, porque para o homem de coração harmonioso a vida sempre reserva boas venturas.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 26 de dezembro de 2008.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Final de ano

Final de ano

Mais um ano que finda, lamentos que nos assolam, boas lembranças, más recordações, mas o coração ainda pulsando por novas realizações, desejos, para que o amanha, para que o próximo ano seja melhor do que o que esta terminando.
Quando algo termina é para nascer algo novo, a gente sofre, chora, lamenta, mas sempre lucra: Cresce, aprende, evolui, nos tornamos, de certa forma novas pessoas. E assim acontece com os términos dos anos, comemoramos o inicio de um novo ano e o fim de outro, porque sempre resta o aprendizado apesar de qualquer dificuldade que tenhamos enfrentado.
Eu desejo que as pessoas se amem mais, desejo que compreendam que em todo amor que possam devotar à alguém tem algo delas mesmas: Só ama e respeita quem se ama e se respeita.
Desejo que o respeito e a compaixão sejam regras da vida humana, que ninguém faça ou diga ao outro o que não deseja que este lhe faça ou fale. Espero mais cordialidade entre as pessoas, espero que os filhos aprendam a entender a influência e, até mesmo, culpa de seus pais pelo que se tornaram, mas que tenham sapiência suficiente para buscar a mudança sem criticá-los.
Espero que as pessoas aprendam a ter espírito humilde, a reconhecer seus erros e a pedir perdão. Desejo que os casais nunca durmam brigados, que o diálogo impere, o respeito, o carinho, o amor e tudo de bom que uma relação madura e saudável pode trazer para duas pessoas que se amam e respeitam.
Desejo que tenhamos prosperidade sem precisar cometer nenhuma infração legal, que todos tenham a profissão que amam, porque apenas assim não irão chamar seu oficio de “árduo”, ou “chato”. Felizes os que trabalham fazendo o que amam.
Desejo que aprendamos a respeitar as limitações alheias e, sobretudo, a nos auto-analisar e criticar antes de qualquer ato. Pensar muito antes de agir, colocar-se no lugar do outro.
Somos humanos, não feras indomáveis, animais estúpidos e sem racionalidade, devemos aprender a pensar e não agir por impulso ou instinto. Não somos animais, portanto, vamos pensar mais, sentir mais, amar mais, e aproveitar mais a vida, porque é impossível sabermos quando podemos dela sair.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 23 de dezembro de 2008
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domingo, 21 de dezembro de 2008

Os engambeladores

Os engambeladores

Nem sempre nossos pais têm razão em relação ao que dizem e pensam sobre nossa vida, sobre o mundo ou em relação aos conselhos que nos dão. Nem sempre, mas na maioria das vezes eles têm razão sim, não à toa são nossos pais: Viveram mais e aprenderam, ao menos, um pouco com a vida.
Meu pai sempre disse que as pessoas que falam demais o que “você” deseja ouvir são larápios em potencial, sempre disse que amor se traduz em respeito e admiração, não em elogios melosos.
Muitas pessoas sabem disso, mas, às vezes, por carência ou algo do tipo terminam dando credibilidade àquele que lhes quer iludir, fazendo-as crer que são únicas, especiais, magníficas, em quanto na esquina, na casa ou na cidade ao lado dizem o mesmo para outra.
O engambelador “crônico” não pode ser facilmente identificado, pode ser o caminhoneiro, o garagista, o viajante, mas também pode ser o médico, o advogado, o engenheiro. O que eles querem é conquistar a afeição, a confiança de outrem, ainda que para isso precisem enganar várias pessoas.
Assim ele segue, como um pescador: Atira as iscas, o que peixe que vier é “lucro”. No fundo são pessoas que não confiam em seu potencial físico, ou psíquico e acham que ditando palavras doces no ouvido de uma dama a terá em suas mãos.
Algumas damas são inocentes e acreditam, outras, por sorte ou esperteza (inteligência), desconfiam do cidadão que fala cedo demais de sentimentos e intenções que só o convívio e o futuro poderá tornar real, afinal, conto de fadas não existe, mas sapos querendo se fazer de príncipes existem, e muitos.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 21 de dezembro de 2008.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Respeito

Respeito

Se hoje me perguntassem qual a atitude humana mais nobre, praticamente tanto quanto o sentimento chamado amor, eu diria que é o ato de respeitar.Respeitar as limitações alheias, colocar-se no lugar do outro antes de agir, de tripudiar, de falar.
Hoje em dia estamos numa selva onde as pessoas imergiram-se em egoísmo. Fazem o que desejam para serem felizes, libertas, olvidando que algumas de suas atitudes podem ferir (e muito) o orgulho do outro, inclusive, maculando o seu amor.
Quem ama, antes de qualquer coisa ama a si próprio e é por isso que o amor não aceita tudo, quem ama se doa, mas quer respeito, não existe relacionamento que dê certo se não esta baseado na frase básica: Não faça ao outro o que não deseja que este lhe faça.
Traição? Sim, é a maior e mais inaceitável forma de desrespeito dentro de um relacionamento amoroso, mas existem várias espécies dela. Tem a traição do homem que não afaga a esposa porque esta sempre com pressa para o trabalho, a traição daquele que deixa a família em casa para ir beber com amigos, daquele que troca a mulher que diz amar para ficar com colegas, amigos, discutindo coisas sem importância, enquanto deixam quem lhes devota amor e preocupação em casa, inerte (ou não, algumas chamam o bom e velho "Ricardão").
Trair tem vários aspectos, vai além de casos extraconjugais, engloba o “deixar de lado” a mulher, o não valoriza-la, o achar que tudo se pode fazer que a “donzela” estará lá, esperando como uma lady da década de 40. Os tempos mudaram, e muito (ainda bem).
Respeito é tudo, é a base de qualquer relacionamento sadio, forte e com potencial para dar certo. Críticas, ofensas, deboches, afirmar uma coisa e fazer outra, são atos vis, atos que decepcionam e levam o amor, aos poucos, escorrer pelo ralo da frustração.
É por essa e por outras que é sempre bom pensar antes de agir. Um dia a mágoa das palavras mal colocadas fala mais alto e mesmo sem letreiros com nome de atores famosos a história finda pelo cansaço: “The end”. Fim de linha para o amor onde o respeito não imperou, afinal não basta amar ou dizer que ama, é preciso demonstrar e isso só se faz com carinho e muito, muito respeito.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 20 de dezembro de 2008.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Dica para o ano novo.

Dica para o ano novo.

O que realmente tem valor para você? O que realmente você valoriza nas amizades, nos relacionamentos amorosos e interpessoais? O que, de fato, você quer de uma relação afetiva e espera dela? Podem parecer perguntas tolas, mas na verdade nem sempre o que conscientemente afirmamos desejar é o que satisfaz nosso íntimo, psicanaliticamente, denominado de inconsciente.
É por isso que eu dou um conselho à todas as pessoas do mundo que foram educadas por alguém, pai, mães, avós, família adotiva, enfim, por qualquer ser humano errante: Procure, em alguma fase de sua vida, fazer análise, ir num psicólogo.
Nós introjetamos (colocamos dentro de nossa cabecinha, no inconsciente) muitas coisas que, depois, passamos a vida afirmando que é feio, que não queremos para nós, e na verdade, terminamos repetindo tudo o que julgávamos errado, repetimos os erros de nossos pais, os mais abjetos. Sem que nos auto-analisemos, ou sem o empurrãozinho de um psicólogo tenderemos a repetir aquilo que quando jovens pensávamos “eu jamais quero ser assim ou fazer isso”
[1].
Na beirada de 2009, quando o ser humano além de dinheiro precisa de equilíbrio interior, paz de espírito e autocontrole, submeter-se a um divã de uma boa psicóloga é um dos melhores investimentos que podem ser feitos, falo por experiência própria.
Podem meus amigos tripudiar, podem ser descrentes, pode o mundo dar risada, mas a minha dica para 2009 para todos os indivíduos que tiveram um pai e uma mãe (ou substitutos) e possuem certa condição econômica é a seguinte: Procure um psicólogo.
Nenhum ser humano é bem resolvido enquanto vive uma vida de jogos, de romances feitos e desfeitos, de “agora eu quero, depois não quero”, de “as coisas tem que ser assim se não eu vou surtar”. Ser humano realmente bem resolvido, se existiu, morreu e foi pregado numa cruz, de resto, todos nós somos errantes e precisamos buscar a nossa melhora e evolução interior e não apenas status e dinheiro. Existem honras e prazeres muito além do que notas de reais podem comprar, vá em frente e veja, ou, aprenda pela forma contrária: Junte muito dinheiro, e perceba que sente um vazio interior não preenchido por altos depósitos bancários: Uma hora ou outra a vida irá lhe chamar para a reflexão. Isto é certo.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 17 de dezembro de 2008.

[1]Katz, Bernie, Munchin Philip Van. “Por que sua vida amorosa não está dando certo...Na real, a culpa é dos seus pais...e o que fazer para conserta-la”.São Paulo: Editora Academia de Inteligência, 2008.
Este livro esta dentre os mais vendidos da lista do The New York Times.
Celular de férias
Meu celular estragou. Ligo, ele fica ligado uns minutos e desliga novamente, e assim vai, o aparelho ficou praticamente autodidata. Óbvio que preciso comprar um novo,mas me faltou tempo, e, o que é mais estranho, sem ele eu estou me sentindo um pouco mais livre, menos sobrecarregada.Clientes não me ligam mais à noite, ao meio dia naquela hora em que estou com a boca farta de comida tamanha a fome e o cansaço, na hora da janta, em que se pode saborear um belo prato, quiçá (para os quem tem companhia) acompanhado de um bom vinho ou espumante. Sou eu e eu no mundo, sem o celular que acabou se tornando uma extensão do meu ser.“Onde você estava que não atendeu o celular?”, “Porque não atendeu o celular minha filha?”, as respostas são várias, estava malhando (sim, porque até na academia se leva o aparelho), porque estava dentro da piscina, porque estava dormindo, porque estava no banho. O celular é apenas um aparelho tecnológico com várias utilidades, ele não é um membro do corpo humano, não é um dedo, uma mão, uma orelha, tampouco um rastreador!
Impossível, pois, negar que passar uns dias com o aparelho celular praticamente sem funcionar dá uma sensação de alívio, em especial nessa época do ano onde se deseja abrir um buraquinho no chão e se esconder dentro dele tamanha a fadiga da alma, é incrível a sensação de estar em qualquer lugar (inclusive e principalmente deitados em nossas confortáveis caminhas) sem poder ser encontrado por clientes, amigos ou qualquer pessoa quando julgamos inconveniente o momento (frise-se: o momento, não as pessoas). É, meus caros, o final de ano traz com ele o estresse onde até o barulhinho do aparelho faz surgir em nosso corpo uma sensação leve de gastrite.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 16 de dezembro de 2008.
Perto do fim do ano...
Sábios foram os que inventaram o calendário e o dividiram em anos. Tão sábios quando os que inventaram as férias, reconhecendo a necessidade humana de, após meses de trabalho intenso, colocar sua mente e corpo para repousar e descansar.O estresse mental causa muitos males, diminui a imunidade, de gripe à conjuntivite, de depressão à síndromes mais leves ou graves o ser humano fica mais vulnerável, dizem que pode ser culpa dos tempos modernos, da correria, da batalha, em que não apenas o homem mas as mulheres matam um leão por dia. Pode ser.Final de ano também é época de refletir, e toda reflexão, assim como tudo que chamamos através da memória do nosso ontem para o hoje faz reviver em nós diversos sentimentos, inclusive os mais desconfortáveis, as dores mais doídas, os fardos mais pesados que passamos e parecem que, revividos, nos sobrecarregam novamente. Mas é necessário, porque é olhando para trás que o homem aprende a agir do presente para diante.Essa reflexão também meche com o individuo. Nenhuma pessoa empreende algo pensando no fracasso, ninguém faz uma sociedade pensando que dará errado, abre um estabelecimento comercial pensando em uma derrocada, da mesma forma ninguém namora, casa ou vai morar com alguém pensando na frustração, no “the end”, muito embora ele sempre seja uma possibilidade.O homem investe seu coração, seus melhores sentimentos em seus empreendimentos afetivos, sentimentos que, provavelmente dinheiro algum pagaria. E quando dá errado? Faz um mea culpa, reflete, analisa as circunstâncias pessoais e alheias e, obviamente, tenta extrair do gosto amargo da frustração o sabor doce da maturidade, do aprendizado. É a única possibilidade, é o que lhe resta.O sofrimento ensina, mas também machuca, deixa cicatrizes que não gostaríamos de ter em nosso coração, quando se ama ou se estima alguém não se conta com a frustração, com o ver o lado negativo do parceiro e ter que abandona-lo. Quem ama, assim como todos que estão pensando no ano que se inicia, quer colher bons e belos frutos, quer sorrir, quer ter paz e ser feliz, sem mal estar, sem desavenças, sem complicações, sem ter que romper com sonhos, com desejos, com metas.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 16 de dezembro de 2008.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Espinhos

Espinhos

Existem coisas que não se explicam, mas o homem vive buscando a explicação. Da mesma forma, têm coisas que não se exteriorizam da mesma forma com que são sentidas, têm dores que não são vistas, lágrimas que escorrem de forma invisível por rostos que, obrigados (por motivos cuja explicação, também é desnecessária), esbanjam sorrisos.
Existem sensações que só quem sente sabe o que é, só quem sentiu pode fazer idéia da dor ou da glória de determinada conquista ou desgosto. Por que uma pessoa esta triste? Por que esta contente? A segunda resposta é sempre fácil de dar porque a pessoa alegre é movida pela empolgação e se abre com mais facilidade.
Mas explicar uma certa tristeza, colocar em palavras sentimentos confusos, alguma dor ou frustração que se traga no peito é complicado, é mais difícil, porque às vezes são uma série de espinhos que causam a machucadura e não um corte apenas, o que não significa que não arda, que o ferimento não seja demasiado doloroso.
As pessoas, também costumam se preocupar umas com as outras, mas muitas vezes na ânsia de tirar-lhe os espinhos, lhes fincam outros, porque o homem precisa de respeito e paz até mesmo para sofrer, porque quando, por si mesmo, ele tirar os espinhos, restarão as cicatrizes e um aprendizado que fará compensar a dor que sentiu.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 10 de janeiro de 2008.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Aquele vazio

Aquele vazio

Desde o nascimento a criança precisa de carinho, atenção, demonstrações de amor para que criem uma mente saudável. Mas, enquanto adultos todos também precisamos ser respeitados, cuidados, acarinhados de vez em quando.
Mas existem dias, existem muitos momentos nos quais, ainda que rodeados de gente, a gente sente um vazio, uma falta de alguma coisa que não conseguimos, ou melhor, não queremos especificar o que seja, quiçá por acharmos melhor superar a fase a regredir, enfim, cada um com suas razões.
Eu aprendi a lidar com a solidão escrevendo. Quanto mais solitária me sinto, quando o desamparo me pega, são as palavras que me ancoram. Ora, mas como uma “moça jovem, inteligente e bonita pode ter crises de depre”?
Porque é humana, e humanos sentem a dor da própria frustração e da alheia, humanos fraquejam, sentem o lado amargo do “estar só no mundo”, porque moças bonitas e inteligentes, muitas vezes lamentam não ter quem lhes valorize mais a inteligência e espírito do que o corpo bonito, olhar e sorrisos atraentes. Porque, todos uma vez na vida se sentem vazios, todavia se o vazio persiste existem profissionais habilitados para prestar auxílio, porém me refiro as angústias existenciais momentâneas, não patológicas.
Enfim, queiram ou não, todos gostam de ter alguém pra abraçar, alguém que ouça nossas lamúrias e nos permita falar as nossas, alguém que nos deixe à vontade, que demonstre que nos estima e quer viver bem ao nosso lado. Aprendi na vida, que é na vida afetiva que o homem purga seus erros. Dinheiro? Sucesso? Faz bem para o ego, mas sem amor sempre restará um vazio incomodo que requer boas doses de whisky num sábado à noite.
Aprender a viver bem sozinhos? Lógico, essencial. A solidão que me refiro não é a de estar só, mas de se sentir incomodo sozinho, apesar de ter gozado das benesses da solidão individualista. É a solidão que agonia, e aperta o coração, e não a solidão de dormir e acordar sem ninguém ao lado.
Por mais que sorrimos, que demos boas e altas risadas, que cuidemos do corpo, do bronzeado e da beleza, muitos dias nos sentimos sós no mundo. Nós e Deus? Para quem acredita, ou, simplesmente, nós e mais ninguém, e depende de nós mudarmos de perspectiva, olhar para cima e voltar a sorrir com convicção e altruísmo. Podemos tropeçar e escorregar, mas cair nas mazelas da vida, jamais.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 07 de dezembro de 2008.

Envolvimento emocional

Envolvimento emocional

Eu não reclamo da modernidade, eu não reclamo exatamente das relações “modernas”, não critico necessariamente a liberdade que virou libertinagem, o que mais me assusta é a falta de envolvimento emocional que ocorre entre pessoas que fazem juntas o que pode existir de mais sexy e íntimo.
A cada dia que passa as mulheres e homens passam a crer que “aproveitar” a vida é curti-lá sem compromisso, sem dever de fidelidade, sem, enfim, a responsabilidade pelo coraçãozinho de um outro alguém. Sexo? Arranja-se fácil muitas vezes é só pagar uma bebidinhas e fazer umas afirmativas elogiosas, as presas, carentes, caem fácil.
O “aproveitar a vida”, neste aspecto especifico, significa para quem o apregoa, ter alguém (ou vários) sem se envolver com ninguém, porque envolvimento significa admirar o outro, gostar da companhia alheia dentro e fora das quatro paredes de um quarto, significa se orgulhar do outro, fazer coisas divertidas juntos, respeitar sua liberdade e, assumir, pois a responsabilidade de ter uma relação com nome definido. Andar de mãos dadas nas ruas, nos bares, beijar em público, acarinhar, demonstrar afeto e sentir o coração palpitar na companhia desta pessoa.
Mas as pessoas fogem, elas passaram a ter medo do compromisso, do envolvimento emocional, como crianças com medo das reprimendas maternas. Eles se deslumbram com a possibilidade de ter todos e não ser de ninguém, até chegar o dia da maturidade real momento no qual surgirá o pensamento: “Tá, mas e o meu amor, aquele que posso chamar de amor, quem é e onde está?Cadê a pessoa que posso confiar e chamar de ´minha querida´”.
A vida engana, e o homem adora se divertir com os enganos que ele mesmo cria, vivendo “light”, para não dizer: Vivendo displicentemente, com pouca responsabilidade sob seus sentimentos e alheios. Comprometer-se, com quem vale a pena, assumir um amor que merece ser assim chamado, é uma sorte de poucos, porque os muitos que a tiveram, desperdiçaram em prol da “curtição”, como crianças que preferem brincar na hora de almoçar.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 06 de dezembro de 2008.

Atitude

Atitude

Existem coisas nesta vida que não tem preço, uma delas se chama: Atitude. Sentir-se convictamente capaz de tomar esta ou aquela atitude ignorando o mundo, os outros e suas línguas sempre aptas a nos criticar e tripudiar, agir sem medo, sem receios do que podem dizer ou falar a nosso respeito: Sentir-se livre e de tudo capaz (tudo que nos contente e dê prazer) na vida, não tem preço.
Tomar esta ou aquela atitude numa determinada fase de nossa vida, em que nos sentimos mais donos de nós mesmos, mais livres em nossos espíritos, nos faz “amarmo-nos” ainda mais. Sempre é bom ter uma vida com surpresas, mais ainda é poder nos auto-surpreender, ficarmos boquiabertos com as nossas ações.
Atitudes, ousadias, que jamais pensávamos que tomaríamos, desde procurar um especialista em psiquiatra ou psicologia, desde flertar com o tipo que sabemos não ter coragem para tanto por uma razão ou outra, são atos de valor inestimável.
Inestimável para nossa auto-estima, para nossa alegria e constatação de liberdade interior: Somos capazes de atos e gestos que outrora jamais pensávamos conseguir fazer. Superar as próprias barreiras, preconceitos e bloqueios são as maiores conquistas quotidianas do ser humano.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 06 de dezembro de 2008.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

As benesses da verdade

As benesses da verdade

Se for para amar que seja com intensidade, sinceridade, verdade. Se for para chorar que seja para lavar a alma, que seja para o salgado das lágrimas levar para longe nossas agonias, se for para viver, que seja com espontaneidade.
A vida se torna enfadonha porque as pessoas perderam a espontaneidade. Elas se preocupam em ser um “ideal” que não são, ou seja, elas vivem criando máscaras para agradar a alguém, ou à todos.
A grande maioria das pessoas não vive sendo o que é. Ora, que frase estranha! Possui tal característica por corresponder a uma verdade igualmente esquisita, fora dos eixos, fora do que pode ser definido como belo, como inteligente e interessante.
Os seres se acostumaram a vestir suas faces com sorrisos pouco verdadeiros, a colocar nas palavras um açúcar que não possuem na língua: a apregoar virtudes e caráter que não possuem, a falar o que não sentem - para agradar, para conquistar a confiança ou o coração alheios, e, depois, mentem para manter o doce sabor que inventaram.
E é nesse rumo que a falsidade, a mentira e a pouca espontaneidade se tornam atributos humanos que deixam a vida dos sinceros e dos que desejam curti-la com intensidade e sinceridade um tanto nublada.
Todavia, nada que o sol da força de vontade e da esperança não faça iluminar. Nada que o sol de nosso coração sincero não consiga esquentar e afastar as nuvens carregadas. A vida ensina que se não é possível se surpreender e ser feliz com as atitudes alheias temos que ser contentes em nosso pequeno universo, em nosso coração.
Quem tem a consciência de que vive calcado na verdade, de que ama com sinceridade, de que fala o que pensa, diz o que sente e pensa no que fala, aprende a não exigir o mesmo do mundo, mas a ser feliz em silêncio porque tem a mente sã e, principalmente, em paz. A consciência da pessoa sincera é leve e esta leveza traz a felicidade.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 16 de janeiro de 2007
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Dorzinha de amor

Dorzinha de amor

Acho que qualquer pessoa que já sofreu ou sofre por amor consegue entender o mais rico e “complexo” dos poemas. O amor pode ser falado em muitas línguas, sentidos de várias formas, afinal, nem todos têm a mesma forma de amar. Mas ele sempre será o rei dos sentimentos, o único que opera milagres.
Têm gente neste mundo que não sofre por amar, mas, isto sim, por não conseguir se relacionar, por não conseguir tirar de seu inconsciente lembranças ruins da infância, pessoas que não conseguem, sem que se dêem conta de que precisam, se tratar para crescer afetivamente.
Crianças que não receberam todo o amor, admiração e apoio dos pais tendem a ser filhos que, de certa forma, farão o mesmo com quem vierem a amar, Freud explica. Introjeção, projeção, repetição, e outros mecanismos de defesa (sim, estou lendo até Anna Freud).
Se relacionar é algo complexo, mas amar é algo mágico. Por amor a gente tenta, a gente se esforça, dialoga, se adapta, mas, por amor também, a gente perde um pouco de esperança, perde um pouco de fé na vida. Em especial quando ele termina. Dói e nos sentimos como crianças quando caem e se machucam, os pais consolam porque o infante age e pensa que a dor nunca vai passar, todavia a marca fica, mas a dor, essa passa mais rápido.
Quando um relacionamento acaba, cedo ou tarde a ficha cai: Quem sou eu sem aquela perna do meu lado à noite? Que barulho é esse, ele foi na cozinha? E assim vai, e a gente se dá conta que a cama é grande, mas estamos sozinhos, ninguém foi à cozinha nem se espreguiçou, estamos em outro lugar, e que para nos levantarmos na manha seguinte precisaremos criar outras metas, outros sonhos,
Romper vínculos afetivos é doloroso, superar perdas é terrível, mas quando o outro, ou ambos, não conseguem se entender, admitir suas culpas, a fazer o seu mea culpa, ou quando, enfim, se descobre que não havia nem paixão nem amor, mas comodismo, medo da solidão, o sofrimento também é grande. A pessoa se sente culpada, por tolice, afinal ninguém engana ninguém, as pessoas se deixam enganar, criam seus castelos, sem ver nada além de seu foco: O que elas desejam, ignorando muitas vezes o desejo do outro.
Todo sofrimento, toda a dor, toda a lágrima derramada, toda a frustração, nos faz crescer, aprender, nos torna pessoas melhores, mais sapientes, experientes, embora com uma dorzinha a mais no peito. Mas tudo, absolutamente tudo neste mundo é uma questão de tempo, o tempo não une quem deve ficar desunido, nem desune quem deveria se unir. Ele coloca tudo em ordem, a vida não é ideal nem perfeita porque esperamos demais dela, mas a sua sincronia é infinitamente organizada, bela e, porque não dizer, perfeita. Imperfeitos somos nós.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 05 de dezembro de 2008.

Momento Fernando Pessoa

Momento Fernando Pessoa

Milagres acontecem diariamente. Não falo daquelas curas espiritualmente justificadas, falo do contato do homem com ele mesmo que se dá em algum momento de sua meditação sobre a vida, num minuto qualquer. Um momento que o faz sentir único e especial no universo. Em que ele sente como se tivesse se reencontrado, se achado.
Nunca fui dada à práticas de meditação apesar de ser fã e ter lido vários obras de Osho. Mas eu senti e tenho certeza que todos podem sentir, em contato consigo mesmos, essa sensação dúplice, afinal nos faz sentir o poder de sermos únicos no universo, ao mesmo tempo nos dá certeza de que há algo superior a nós, nos gerindo, talvez.
A primeira vez que tive essa sensação estava tomando sol em São Domingos do Sul em 2005. Agora, em minha fase de introspecção praticamente lutuosa, voltei a ler, a me voltar para mim mesma, e queiram ou não afirmar que já estou morena o suficiente para 3 verões continuo indo ao sol. E é junto a ele que essa sensação, hoje voltou a invadir minha alma.
Não estou apoiando quem não se cuida e toma sol em horários impróprios. A questão não é o sol, mas a auto-reflexão, a capacidade de se despir mentalmente de toda a hipocrisia que temos, de nos ver nus, sem a calça do pudor, sem a camisa do “eu sou mais eu”, sem o perfume da covardia e o ar de soberba. Nós, errantes, humanos, demasiadamente humanos.
Falo, pois de momentos de reflexão, de captar a infinita energia emanada do sol, da vida enfim para nós. Falo da possibilidade de crescermos em auto-estima, ao constatarmos que em meio a milhões e milhões de pessoas, não existe nenhuma igual a nós, com as mesmas virtudes, atributos, e defeitos, o que não nos torna desumanos, pelo contrário, mostra quão especiais somos nesta vida.
É por sermos errantes, por podermos nos confundir, investir dinheiro quando não devíamos, investir sentimento e coração em relacionamento que não nos despertou nada de especial, ou, simplesmente onde não fomos correspondidos. Eu chamaria essa meditação de “momento Fernando Pessoa”, porque refletindo sobre nossas vidas e conseguindo nos sentir especiais e únicos no mundo, vem à minha mente a frase do poeta: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. E gozar a vida com amor, auto-conhecimento, destemor e intensidade é a maior das dádivas que podemos ter.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 05 de dezembro de 2008.

As que não gostam de si mesmas...

As que não gostam de si mesmas...

O mundo esta se tornando algo “fenomenalmente” estranho. Ontem pela tarde recebi em meu escritório um amigo e cliente, extremamente bem sucedido, que tem uma namorada (esposa, vez que moram juntos) linda e é, em si, o legítimo “moreno, alto, bonito e sensual”, além de ser honesto e leal.
Meu amigo - de longa data, convém dizer - me afirmou que caso ele fosse infiel passaria a cobrar para “dar conta” das mulheres que o procuram, tamanha a falta de vergonha e descaramento delas.
Minha boca ficou ainda mais aberta quando ele disse que enxergou um livro chamado “Homens Gostam de Mulheres que Gostam de Si Mesmas” e pensou em comprar para conseguir entender o que leva algumas- a maioria- das mulheres serem tão fáceis e porque ele- e grande parte de seus amigos- “fazem de conta” que gostam do tipo “independente” de mulher.
O tipo “independente” é aquele que sai pra balada e diz “o corpo é meu, faço o que quero, lavou esta novo”. Estou em fase de grandes leituras sobre relacionamentos, dependência afetiva, mecanismos de defesa do ego, e um dos livros que pensei em comprar foi o citado pelo meu amigo (prometo que comentarei quando ler).
É bom ser independente, ganhar nosso dinheiro, poder fazer festas, beber além da conta de vez em quando, curtir as amigas, falar umas besteirinhas, dançar muito, mas se oferecer em demasia, correr atrás de homem até quando são comprometidos, é um sinal de pouca estima por si mesmas. Não que eles não aceitem serem galanteados - aceitam, e até gostam, apenas para ter uns momentos de prazer ou, nada impede, que uma moçoila ousada conquiste o coração de um jovem tímido (!?). Agora, para valorizar, apreciar, amar, namorar? Daí depende muito, e na maioria dos casos a resposta é não. Não aceitam, não conseguem confiar.
Mas o que é afinal gostar de si mesma? Ai, falo como mulher. É se auto-admirar: “Sou contente, alegre, tenho meu trabalho, um belo futuro, sou ou serei bem sucedida, tenho meus atrativos físicos, uma alma a ser apreciada, uma vida inteira pra viver, quero amar, ser amada, respeitada e respeitar. Logo eu sei o meu valor”. Pelo contrário, as mulheres estão se oferecendo, indo atrás de homens de baixo nível, não me refiro a financeiro, mas ao moral.
Bem, então vem o dado fático: Cada mulher deve agir de acordo com a reação que deseja, posteriormente, do “parceiro do dia”. Os homens observam, fazem fofoquinhas entre si, falam da conduta feminina, como nós falamos de quais deles são “galinhas ou fáceis demais”.
Então, minha querida, se quiseres continuar se oferecendo para o meu amigo “moreno, alto, bonito e sensual” (rico e humorado), vai lá, mas saiba que ele não vai te dar o mínimo valor, porque ele, como muitos, pensam que, pela tua “facilidade” você não gosta de si mesma. O tempo passa, o mundo evoluiu, mas muitas idéias se mantêm no inconsciente das pessoas, em especial no masculino. Os homens também são misteriosos e nem tão fáceis de entender, embora queiram expor o contrário, assim eles saem “sexualmente” no lucro. (Machismo a parte, me embasei na opinião do referido amigo e de outros que possuo).

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 05 de dezembro de 2008
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O benefício da solidão

O benefício da solidão

A solidão em determinados períodos da vida da gente é uma benção. Trocar os amigos pela cama e um livro, trocar a confraternização por uma garrafa de vinho comprada especialmente para si mesmo, tentar se entender, assimilar as próprias angústias, dores e, dormir.Dormir muitas vezes mal, acordar à noite, se virar, pensar, repensar, colocar as idéias no lugar, sentir falta, saudade de algo e tentar superar algum mal estar.
A solidão nos ajuda a compreender o bem e o mal de ser nós mesmos. O homem nasceu para se entender na solidão e viver em comunhão. Momentos de solidão são necessários e especiais a vida inteira, ouvir o silêncio, ouvir o próprio coração e seu pulsar sempre serão atos salutares.
Mas, para quem sai de uma relação sofrida, para quem teve uma série de sonhos, planos e desejos frustrados, por mais que no início se tente o convívio afoito com inúmeras pessoas é a solidão que ajuda na cicatrização das feridas, até ele ficar bom, um pouco mais marcadinho, mas recuperado para se expor à vida, romances e suas intempéries novamente.
Ler, pensar, escrever, quem sabe colocar no papel a dor sentida, a frustração e seus motivos, o que era esperado, o que, de fato ocorreu, o que se deseja da vida, talvez seja uma boa forma de aprender, de se fortificar, de crescer. Vestir preto e rezar não adianta nada nunca, a força vem do pensamento, e pensa melhor quem pensa sozinho, ainda que acompanhado de um bom livro.
Falo em ficar sozinho, sem falsas companhias, sem "amores-de-faz-de-conta", sem cobertor descartável para corpo e cama, ficar só, fazer o tradicional mea culpa, sofrer pelo que ainda há para sofrer, assimilar a perda do que não tem volta, ou a volta do que se pode retornar de forma diferente são benefícios de bons momentos de solidão, nos quais, quem entra jamais sai o mesmo: Sai mais rico em essência, embora externamente sozinho, sai um pouco mais completo e menos vazio por dentro.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de dezembro de 2008.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O meu Seguro de Vida

O meu Seguro de Vida

Eis que aos 26 anos resolvi fazer um Seguro de Vida. Um seguro que cobre diagnósticos de doenças como câncer e males cardíacos, invalidez permanente por acidente e, obviamente morte. E urgiram afirmativas como: "Você é louca?!", "Procura um psiquiatra antes de fazer", "Eu não faço porque se eu morrer não vou usufruir mesmo", "Você é muito novinha".
De psiquiatra talvez eu precise, mas por outros motivos. Louca creio que não seja, apesar de concordar que de médico e insanos todos temos um pouco, não irei usufruir, mas deixarei uma compensação para quem amo caso venha a sair cedo da vida. Novinha? Sim, mas quem diz que a morte escolhe seus alvos por idade, beleza ou possibilidade de futuro?
E as doenças? Cada vez mais cedo jovens vem sendo cometidos por doenças graves, de tumores a doenças cardíacas, acidentes de caro são cada vez mais comuns. Sempre fui uma mulher prevenida, e o seguro de vida me fez sentir bem, tranqüila, em paz comigo mesma.
Da vida a gente só sabe a hora que nasce (porque a mãe, a parteira, o pai ou, enfim, os médicos dizem) e que um dia dela sairemos. Quando? Impossível saber, quem sabe possamos um dia intuir, mas saber jamais.
O homem, como costumo dizer, é um ser que vive ciente da morte mas age como se fosse eterno. Deixa para amanha o beijo que podia dar hoje, deixa para amanha o "eu te amo" que podia dizer hoje, o abraço no pai, o agradinho de gratidão à mãe, aquela confraternização com os poucos e bons amigos, a brincadeira com o filho.Creio que a maioria dos que vão para o tal "lado desconhecido" levam um monte de vontades frustradas e uma sensação lamentável de "se eu pudesse voltar atrás".
Talvez por isso eu seja tão teimosa, talvez por isso eu insista no que me dizem que é perdido, eu lute, eu acredite, eu tenha fé, talvez por isso eu trate bem e com amor quem me cerca e me desperta o apreço, porque apesar do Seguro de Vida, eu vivo cada dia como se fosse o último e tenho, sim, muitos sonhos e metas para o futuro, mas de hoje em diante uma coisa é certa: Caso eu não possa cumpri-las não deixarei quem amo em situação periclitante. Porque o hoje é certeza, o ontem desde nossa entrada na vida até à noite anterior a esta pode ser saudade, mas o amanha, este sim, é sinônimo de mistério, pelo menos no que diz respeito a nossa partida.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de dezembro de 2008.

Nossas pequenas calhordices

Nossas pequenas calhordices

Nós assumimos responsabilidade pelo que cativamos, o que significa que seduzir, atrair alguém pode ser uma dádiva bastante perigosa. Pessoas têm sentimentos, ideais, é fácil lidar com elas, é fácil estabelecer relacionamentos: Verificadas as diferenças na forma de pensar, nos anseios e desejos, ou seja, se não combinam de imediato, não envolva o outro, não lhe deixe acreditar que algo pode ser diferente.
É fácil julgar ao outro, dizer que os outros são espertos, que os outros são os "galanteadores", que os outros tem pouco ou mau caráter, são frívolos ou mulherengos, difícil é admitir que algum dia na vida quem cai na calhordice somos nós, homens ou mulheres: Criando, ainda que por poucos momentos, um ambiente que inspira sedução, quando, na verdade, não queremos nos deixar seduzir, não queremos nos apaixonar, mas, quem sabe, criar no outro inspiração para tal sentir.
É bom, todos sabem, ter alguém que se interesse por nós. Aquele alguém que a gente pode dizer que "nos procura". Eu já achei isso um belo elixir para o ego, uma boa forma de elevar a auto-estima, hoje em dia eu chamo de "cafajestice", masculina ou feminina. Não devemos tentar despertar o apreço de uma pessoa quando não desejamos nos envolver com ninguém, ao menos que sejamos capazes de julgar um ser humano como "nada", como "ninguém".
Mas o homem tem fases, eu mesma já tive minha fase de "muitas conquistas", flertes, de dar corda e atenção por quem nutria interesse por mim e eu não queria, apenas para poder dizer, em silêncio: Eu sou capaz, eu conquisto, eu chamo a atenção.
Bobagens imaturas, típicas da juventude, afinal a vida nos ensina a ser responsável nas atitudes, nos mais singelos gestos, nas afirmativas, no ambiente que criamos, na aura que nossa voz suave emana. Nós temos responsabilidade por tudo o que despertamos pela primeira vez no coração ou na alma alheia, e é por isso que é necessário ser cauteloso, cuidadoso, e, antes de qualquer pequeno ato: Sermos sinceros com nosso próprio coração.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de dezembro de 2008.

Para viver um grande amor.



Para viver um grande amor.

Resolvi, após alguns meses guardar meus livros, coloca-los em ordem, quando me deparo com um livro de poemas e crônicas do eterno Vinicius de Moraes chamado “Para viver um grande amor”, de conteúdo doce e belo como tudo o que escreveu o poeta.Mas não foi o conteúdo que me trouxe lembranças ou fez refletir, mas o título, o que, afinal, é necessário “para viver um grande amor” em pleno ano 2008 (poderia dizer 2009, vez que falta menos de um mês para este ano findar)?Para viver um grande amor minha gente, é preciso encontrar alguém confiável, alguém que não queira que sejamos um objeto para passar tempo, um banco para sustento, uma empregada ou um bibelô bonitinho para os outros verem. Alguém que nos veja por trás das aparências e valorize essa essência.Alguém que sendo confiável, confie e nos respeite, tanto nas potencialidades quanto nas limitações.Para viver um grande amor é preciso auto-conhecimento, vontade de amar, de se entregar, de ser leal e fazer, como diria o outro poeta do amor, dele a maior sacanagem (tem coisas que, realmente, só a intimidade dos grandes amantes podem fazer por nosso prazer).Para viver um grande amor é preciso paciência, compreensão, é preciso vontade de amar, mas não vontade de aprisionar o outro. Vontade de amor saudável, sem demasiadas discussões, com interação, diálogo e uma certa dose de humor. Amores, grandes ou pequenos, não se contabilizam em dias, tampouco em anos, mas em momentos bem vividos, em sentimentos bem gozados, aqueles que chegam a amedrontar tamanho bem estar que nos dão.Para viver um grande amor é preciso não temer e conseguir enxergar muito além dos corpos, das aparências, é preciso ouvir além das palavras, e ver muito além dos olhos (espelhos da alma), é necessário transcender a sensibilidade do toque, todo ser que vive um grande amor, por instantes se torna um mágico.Enfim, viver um grande amor é uma delícia, mas se manter ao lado dele é um mistério que requer mais do que amor, requer inteligência e vontade, o que nem todos possuem no mundo da "correria" onde os seres passam a ver seus umbigos como foco de atenção de suas vidas, e seus (possíveis) grandes amores, por não surgirem no momento e na hora julgados "certos", passam despercebidos como uma belo pássaro ao cruzar o céu numa tarde de verão.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de dezembro de 2008.