Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quinta-feira, 28 de março de 2013

Ovos de páscoa

Ovos de páscoa 

Eu não tenho nada contra os ovos de páscoa, apesar de concordar que seu preço é muito alto. Mas, mesmo assim, gosto de comprá-los para dar e, obviamente, adoro receber também. 
Lembram-me o sabor doce dos domingos de páscoa na minha infância. Meu pai e minha mãe juntos, acordar e procurar os ovos que eles escondiam e depois ir celebrar a data com a família, churrasco e troca de ovinhos com os demais parentes. 
Os ovos de páscoa são caros, representa a “safra” dos fabricantes que se excedem demais. Todavia, eles me trazem boas lembranças e não me revolto em comprá-los. Poucas coisas são baratas hoje em dia, logo, a questão não é o preço, mas a alegria que o consumo de tais coisas nos proporciona. 
Enfim, o vinho que bebo também não é barato, a minha cuca de padaria predileta também não, sequer a ração do meu gato possui preço módico, tampouco os perfumes, bolsas, bijuterias e roupas que uso. No entanto, não deixo de comprar o que me apraz. 
O que fazer? A questão neste momento é que os ovos de páscoa trazem um simbolismo importante. E, o principal, não é seu sabor maravilhoso de chocolate e sua bela forma redondinha, mas, isto sim, que não se esqueça o que se comemora nesta data: a vida de Jesus Cristo. Enfim, que não se esqueça o seu legado e, principalmente, de tentar seguir seus exemplos. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 28 de março de 2013.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Mães, sempre mães!

Mães, sempre mães! 

Minha avó materna com 88 anos de idade sente saudades da mãe dela, da minha bisavó. Creio que todos os seres humanos guardem dentro de si características infantis: quase todo mundo quer um colo, um ombro para chorar, um abraço, um consolo. 
Mães são especiais. Elas fazem falta porque, via de regra, representam todo o carinho de que necessitamos para formar uma psique saudável. Afeto, toque, voz mansa, amor, respeito. 
Nem todos têm a sorte de ter mães bondosas, todavia, todos sabem do que precisam. Todo ser humano carece de afeto, afeição e amor. Mesmo quem não tenha uma mãe amorosa sente falta do que não teve: amor incondicional. 
Todos precisam de atenção, de valorização, de respeito, de harmonia, de carinho. E, não raramente, a realização de nossos anseios nos remete à nossa infância, época em que nos eram doados todos os bons sentimentos do mundo. 
É, sentir saudade da mãe, querida vovó, é sinal de que você foi bem amada por ela. Mães não são materialmente eternas, mas, com toda certeza elas se eternizam em cada palavra doce, afago e boas lembranças que deixam gravadas em nossos corações. 
 Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 27 de março de 2013.

Muita saudade!

Muita saudade! 

Como é bom ter uma família unida. Como é boa a idéia de que nossos pais se amam, são felizes e, conosco, formam uma família feliz. Que saudades eu sinto desta idéia que me deixava tão contente e plena de boas esperanças! 
Existem coisas nesta vida com as quais a gente se acostuma, mas não gosta. Coisas que a gente aceita por obrigação, não de bom grado. Coisas que nos fazem mal, mas que a gente junta forças para enfrentar. 
Exemplo disso é passar anos pensando que sua família é unida, feliz e sólida e, de repente, ver tudo se modificar. Mas você já é adulto e sua família se dissolve, então você não deve sofrer, certo? Errado. Na prática, muito errado. 
Talvez não “deva”, mas pode sofrer. E sofre. Talvez muito mais do que se, desde a infância você já estivesse acostumado com a “mamãe” de um lado e o “papai” de outro. 
Época de páscoa e Natal, principalmente, me causam uma saudade enorme dos tempos em que eu, meu pai e minha mãe íamos colher marcela, época em que meu pai trazia chocolate para mim, minha mãe fazia cestinha, meu pai assava peixe na sexta-feira santa e churrasco no domingo 
Como eu era feliz em tal época! Era feliz e sabia que era, só não previa que tais momentos jamais se repetiriam. Não previa que minha mãe iria dormir sozinha e frustrada para sempre, não previa que meu pai ia formar uma nova família e só iria me visitar a cada oito meses ou mais. 
Era bom sentir aquele amor entre os familiares, era bom ver que meu pai, apesar do trabalho, se esforçava para estar presente na minha vida. Agora, felizmente, ele esta bem e com saúde. Mas longe, muito longe. 
Nunca me viu chorar, não acompanhou minhas frustrações, minhas quedas, tampouco soube ver como eu consegui me reerguer. Eu sinto saudades do pai que eu tinha e da alegria da minha mãe quando ele chegava em casa. Sinto saudades da família feliz que eu, ao menos, achava que tinha. 
Hoje nem sei se meu amado pai me conhece. Pela distancia que se criou entre nós, creio que eu seja uma estranha para ele. Uma estranha que ele não julga muito bem. Uma estranha que o ama, mas que, no fundo, ele desconhece os motivos pelos quais se lamenta, pelos quais chora, pelos quais cai, pelos quais batalha e, apesar dos pesares, se levanta e se mantém viva. Mas nem sempre feliz. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 27 de março de 2013.

terça-feira, 26 de março de 2013

Loucos?

Loucos? 

 É incrível como a definição de “loucura” varia conforme a personalidade e estilo de vida de cada um. As pessoas adoram dizer que os outros são desequilibrados, fracassados ou algo assemelhado, simplesmente, porque não sabem ser empáticos e compreender as suas razões. 
Como eles não compreendem a coragem do outro em fazer ou deixar de fazer algo o criticam e, na melhor das hipóteses, atribuem alguma “anomalia” ao seu gênio. 
Então, nasce a fofoca maldosa: “tu viu que a fulana terminou outro relacionamento?”, “o fulano saiu do emprego novamente”, “ela vive naquele casamento sem graça sem saber o que é um parceiro de verdade”, “a sicrana não sai de casa nunca”, “a fulana vive indo em baladas”, etc. E assim seguem os comentários com um adendo: “eles devem ser malucos e infelizes”. 
Acontece que ninguém que tenha coragem de viver como bem entende é desequilibrado. Insanos são quem lhes criticam, quem não tem nada para fazer, (nem sequer um livro para ler), e, por isso, ocupam seu tempo inútil criticando as atitudes alheias sem conhecerem seus motivos. 
Todo ser humano tem como objetivo ser feliz nesta vida. Enquanto alguns toleram muito, outros não aceitam certas coisas. Questão de auto-estima. Pessoas com grande amor próprio são mais exigentes. 
Elas não são loucas, menos ainda covardes. Covarde é quem vive uma vida fracassada e monótona todos os dias e não faz nada para mudá-la e, ainda, projeta nos outros a frustração que lhe domina. 
 Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 26 de março de 2013.

Arrisque-se!

Arrisque-se! 

Se for para dar certo, vai dar. Mas só se você tentar. Ficar parado, estagnar no mesmo lugar, repetir as mesmas reclamações, orar e nada fazer é praticamente um indicio de demência. 
As coisas só podem mudar se você ousar agir diferente, se você for à luta, se você tentar! Eu tenho, pois, certa piedade daqueles seres humanos que agem da mesma forma, estagnam na sua “zona de conforto” e esperam resultados diferentes, enquanto fazem o que sempre fizeram. 
Creio que isso não indicie apenas insanidade, mas certa covardia. Nada muda se você não tiver coragem para operar mudanças na sua vida. E, creio que você saiba: reclamar de braços cruzados não ajuda em nada, só piora! 
Então aproveite a sua energia e faça algo para mudar a sua vida. Se você consegue lastimar, chorar e reclamar das “coisas como estão”, é igualmente capaz de usar o lado positivo de sua energia para mudar o que lhe desconserta. 
Tudo nesta vida depende de você e de seu livre arbítrio, portanto levante-se de sua cadeira confortável (ou, nem tanto) e faça algo de bom por si mesmo. Arrisque, tente, vá à luta, porque uma coisa é certa, sem correr riscos ninguém realiza nada. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 26 de março de 2013.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Santa paciência!

Santa paciência! 

 Sou o tipo de pessoa que a vida ensinou a ter um pouco mais de paciência. Tento, seguidamente, conter a vontade que sinto de dizer aos outros o que acho, de dizer, enfim, quão irritantes eles podem ser (e são). 
Faço o possível para não magoar ninguém com o que penso a seu respeito, afinal, o que penso, é só o que penso! Não se trata de uma verdade absoluta e incontestável. 
Todavia, eu me magôo. Ver pessoas sendo estúpidas e dizendo absurdos sobre o que acham do mundo e de quem lhes cerca me assusta, ver pessoas crentes de que seu pensar é superior ao alheio também me assusta. E, portanto, afeta aquela minha tão "batalhada" paciência. Só me resta orar. 
Oro para pedir perdão pela raiva que sinto, oro para que eu não tenha vontade de bater em alguém, oro para não ofender quem eu amo e, como eu, é imperfeito, logo, capaz de me tirar do sério. 
Oro para aceitar as pessoas e o seu jeito sem impor-lhes minhas idéias, oro para saber mais amar do que odiar, mais aceitar do que rejeitar, mais compreender do que criticar. 
Enfim, faço preces silenciosas pedindo a Deus que, não apenas conserve a paciência que a maturidade me trouxe, mas que nunca deixe de me dar um pouco mais dela. Eu preciso. Todos precisam da famosa “santa paciência”. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 25 de março de 2013. 

domingo, 24 de março de 2013

Para frente!

Para frente! 

De todos os conselhos e frases bem elaboradas que ouvi e ouço da minha mãe a que mais me chama a atenção é aquela que diz: “Minha filha, é para frente que de anda!” 
Torna-se um pouco antinômico uma pessoa como eu ter uma mãe tão forte, cheia de bondade e coragem como a minha. Digo isso, porque, não raras vezes na minha vida, eu fiz o oposto do seu conselho. Eu fui para trás, não para frente. 
Sou o tipo de pessoa que, obviamente, com base no que o outro diz e demonstra ser, se ilude. Sou um ser humano que não desiste nunca de encontrar e ver a bondade nas pessoas. Por isso eu analiso-as, me engano e acredito nelas. Ocorre que as palavras enganam. 
Mas, teimosa como boa ariana eu sempre acreditei que poderiam existir mudanças, que quem me fez infeliz noutro momento me faria alegre e feliz no presente. Com base na esperança da evolução do outro, não raras vezes, eu voltei atrás nas minhas decisões. 
Eu fui estúpida e inocentemente ao encontro do que estava no passado, crendo em melhoras e ignorando o fato de que, se fosse bom, se fosse para mim, não teria sido eu a deixá-lo no meu ontem, não no hoje. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 24 de março de 2013.

sábado, 23 de março de 2013

Mudanças

Mudanças 

 Certa vez disse o Dr. House que "as coisas mudam, não quer dizer que melhoram". Pois bem, eu quero é mudança, porque o novo sempre me atrai! Não importa que inexista a certeza de melhora: é a mudança que me encanta. 
Ademais, com a experiência de vida que tenho, sei que vou interpretar como "bom" o futuro que virá afinal, é a ele que almejo, é a ele que escolho. Eu quero mudanças, independente de seus resultados. 
Não sou o tipo de pessoa que cria “zona de conforto”, apenas porque não se sente mal nela. Eu quero me sentir bem, quero agir, quero me sentir feliz fazendo o que gosto e vivendo de forma condizente com meu jeito. 
Jeito caseiro, simples, muito trabalho, um pouco de seriados de televisão, meu gato, um vinho razoável e boa comida. Não preciso de muito para ser feliz, mas, se for preciso mudar de cidade, de rotina, de Estado ou de País para realizar as mudanças que desejo em minha vida, eu o faço! 
Sei que mudança alguma significa, logicamente, melhora ou realização. Todavia sou responsável pelas escolhas que faço e sou forte o suficiente para honrá-las. Se eu quero mudanças é porque elas me farão bem, independente de existir eventuais dificuldades. Sou o tipo de mulher que sabe o que quer e que, principalmente, assume qualquer risco advindo de seus atos. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 23 de março de 2013.

Descontrole controlado

Descontrole controlado 

Ninguém é perfeito neste mundo, portanto desconfie de pessoas que nunca perdem a paciência, que nunca choram, que nunca alteram o tom de voz, que nunca bebem, que nunca perdem o controle. Quem nunca perde o controle, quem nunca se indigna com nada, quem nunca se revolta é chato. Muito chato. Pessoas legais são humanas, como diria Nietzsche, têm algo de “demasiado” humano em si e nos seus atos. 
Eu gosto de quem mostra que tem sangue quente nas veias. Gosto de quem se entusiasma, se anima, de quem bebe e fala tudo o que sente, gosto de quem consegue perder o controle. Por outro lado, nada disso significa ser arrogante, estúpido ou grosseiro. 
Eu gosto de gente intensa, não de gente chata, de quem pensa que tudo o que esta em sua mente é “imperdível” e precisa ser dito. Até gosto de pessoas que se descontrolam, mas com humildade. 
Gosto de quem declara amor, de quem mostra sua vulnerabilidade com humildade depois de umas taças de vinho. Gosto de quem fala o que pensa, mas pensa sobre o que fala. 
Não gosto de arrogância, de gente que age pensando no que os outros vão pensar. Não gosto de quem se torna marionete de uma sociedade hipócrita, gosto de gente autentica, mas, sobretudo, gosto de gente simples, que não complica a vida, afinal praticidade não faz mal a ninguém. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 23 de março de 2013.

Curiosidade e interesse

Curiosidade e interesse 

A curiosidade é irmã do interesse. Ninguém quer saber algo que não seja obvio de quem não lhe interessa, de quem não lhe atrai; Portanto, a curiosidade, raramente merece desprezo. 
 É obvio que existe a curiosidade maligna, aquela de pessoas que querem saber mais da sua vida para criar “causos”, para inventar histórias com base no que deduzem saber. Historias nas quais você é malbaratado e tripudiado. 
A verdade é que não existem ações ou atos nobres que não sejam comandados pela moram de quem age: pessoas boas fazem bom uso de qualquer possibilidade, pessoas más, pelo contrário, usam o bem para construir o mal. 
 Convém, portanto perceber as intenções alheias. Seguidamente uma pessoa curiosa quer, apenas, conhecer-lhe mais por ter se interessado por você, seja para construir uma bela amizade ou um relacionamento amoroso. 
Portanto, apesar de existirem os curiosos maldosos e fofoqueiros, vale à pena analisar a pessoa e ver se, no fundo, tudo o que ela quer é conhecer um pouco mais aquele que lhe desperta a atenção e o interesse. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 23 de março de 2013.

Planos

Planos 

A vida esta ai e várias oportunidades estão ao seu alcance. Se não der certo o seu primeiro plano, tente o segundo, se este falhar, tente o terceiro e siga tentando até realizar seus planos. 
Nada é impossível para quem esta vivo, tem saúde, fé e força de vontade. As cortinas desta existência só se fecham com a morte, logo, se você esta vivo, convém não desistir da vida nunca! 
Concordo que, em determinadas situações, a coragem esta no ato de desistir. Mas isso não significa abdicar de criar sonhos, mas, apenas, mudar de planos. Pessoas corajosas não desistem de tudo, apenas mudam de metas e correm atrás das novas. 
Insistir no que não dá certo é insanidade. Todavia, é preciso tentar, tentar com todas as suas forças e, apenas assim, se não der certo, valerá à pena deixar um plano no passado e buscar realizar outro, um novo sonho. 
Corajosos não são os que nunca desistem, são os que têm sabedoria suficiente para empreender novas idéias e sonhos, para correr atrás da realização de novos anseios em detrimento dos passados, daqueles que, apesar da luta, não puderam ser concretizados. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 23 de março de 2013.

Medo

Medo 

Todo ser humano tem algum tipo de medo, todavia a diferença entre os fracassados e os realizados está na importância que eles dão a seus temores: uns vão a luta mesmo temendo, outros fogem dela e, fugindo, abrem mão da felicidade. 
Você pode ter medo de sofrer, você pode ter medo da solidão. Todavia, se você não se arriscar a conhecer novas pessoas você irá sofrer da forma que sempre temia: sozinho. 
Você pode ter medo de sentir-se sempre descontente com sua vida financeira, de nunca se realizar profissionalmente, mas se você não deixar algumas coisas de lado e ir em busca de seus sonhos, continuará sentindo-se fracassado pelo resto de sua vida. 
O medo prostra as pessoas, lhes impedindo de ir à diante. O medo faz com que os indivíduos enxerguem os empecilhos e as pedras em seu caminho como se fossem maiores do que são. 
Quando as pessoas se libertam de seus temores elas conseguem o que desejam, elas superam o seu pior inimigo e, enfim, conquistam a possibilidade de ter, ser e fazer o que bem entenderem. É, portanto, o medo o pior algoz da realização pessoal, afetiva e profissional dos seres humanos. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 23 de março de 2013.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Dedicação

Dedicação 

 Acho que salários motivam, mas não definem competência. Gente competente usa a dedicação para crescer, os incompetentes fazem pouco e reclamam muito e, seguidamente, fazem por merecer menos do que ganham. 
Sou uma pessoa que pensa que algumas coisas na vida devem ser levadas muito a sério. Creio no poder da responsabilidade para que o mundo evolua, logo, agir com zelo na profissão que escolhida para mim, é sumamente necessário. 
Não importa se você é ministro, deputado, médico, advogado, publicitário, empresário, gari, vendedor ambulante ou seja lá o que for: se você não for bom no que faz, alguém ira passar por cima de você. 
Quando procuramos um profissional, de qualquer área, seja um vendedor de tequila mexicana ou um corretor de imóveis, procuramos o melhor atendimento. Então você diz, “mas o vendedor de bebidas ganha pouco o de imóveis ganha muito mais”. E eu lhe digo: não importa! 
Presume-se, sempre, que a pessoa trabalhe na área que escolheu. Independente de seus motivos. Responsabilidade profissional faz-se necessária sempre, mesmo que você tenha se tornado professor, porque não podia cursar Medicina. 
Então, ao invés de esperar o bem do mundo, dos outros, comece, você mesmo, a ser um profissional mais dedicado, mais competente, mais estudioso. Não importa a profissão que você tem, mas a dedicação que você coloca naquilo que faz. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 22 de março de 2013.

Mentira feia

Mentira feia 

Todo mundo mente. A razão pela qual as pessoas mentem é que varia. Até a omissão de certos fatos que é capaz de fazer o outro crer em algo fora da realidade é uma espécie de mentira: uma mentira silenciosa. 
Eu entendo que a mentira, seguidamente ajude a instaurar a paz nos relacionamentos, todavia, foge ao meu entendimento o habito de algumas pessoas em mentir descaradamente, menosprezando a inteligência alheia. Essas pessoas mentem de forma patológica. Não são normais, tampouco bondosas. Afaste-se de quem mente com maestria como se a falácia fosse verdade. Isso é indicio de transtorno de personalidade anti-social, vulgo “psicopatia”. 
Sabe aquele ditado que diz que o “fulano mata e chora no velório”? Pois, acredite, infelizmente existem muitas pessoas assim. Pessoas que separam os seus sentimentos de suas palavras. Sentem uma coisa, mas falam outra. 
Pessoas que não mentem para proteger alguém de um mal, pessoas que mentem por, simplesmente, mentir, sem que nada de bom advenha da sua mentira. Esses indivíduos são maus. 
Você pensa que a mentira nunca pode gerar nada de bom? Então pense no alivio que você causa a sua mãe quando ela pergunta se você, que está distante, esta bem e, mesmo triste, você diz que sim. 
Pense na sua namorada agoniada perguntando se esta gorda e você, se recusando a ser sincero e fazê-la sentir-se pior, mente para não ferir, para não magoar. O que de ruim advém dessas humildes mentirinhas? Creio que nada, ou praticamente nada! 
Essas mentiras não indiciam doença ou personalidade fria, por outro lado, quem se gaba com freqüência, quem conta histórias que não viveu, quem coloca palavras na boca alheia, com certeza, não é confiável. É um ser humano perigoso. Muito perigoso. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 22 de março de 2013.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Nada é perfeito

Nada é perfeito. 

 Nada é perfeito neste mundo, nem mesmo a esperança que costuma nos dar força para seguir adiante, mas faz com que repitamos alguns atos que, outrora, nos levaram ao sofrimento. 
Então a gente aposta em alguma coisa, acredita, confia, dá o nosso melhor. Daí nos decepcionamos, mas nos conformamos crentes de que o sofrimento nos ensinou alguma lição importante, crentes de que não foi em vão nenhuma lagrima. 
Crentes que aprendemos algo, diante de situação semelhante, repetimos os mesmos atos que outrora nos levaram a desilusão. Sabe por quê? Porque temos esperança de que “desta” vez será diferente. 
“Desta” vez vai dar certo! “Desta” vez o esforço valerá a pena. “Desta” vez tudo valerá a pena e a gente não vai chorar ou sentir pena de nós mesmos, porque confiamos demais, nos entregamos demais e terminamos decepcionados. 
Ocorre que, seguidamente, as coisas se repetem. A gente se decepciona, a gente se desilude, a gente chora. E cansa. Cansa e diz que “nunca” mais vai cometer os mesmos “erros”. “Nunca” mais até ter esperança de novo. 
Mas então, fica a dúvida, será que confiar, acreditar e se entregar a alguém ou a algum projeto é “erro”? Ou é, na verdade, ato corajoso de quem ainda tem fé no ser humano e na vida? 
Eu fico com a segunda opção, porque crer que nada pode ser diferente, para mim é suicídio psíquico. Quem disse que é preciso morrer para estar morto nesta vida? Quem perde a crença de que um dia as coisas poderão dar certo, perde tudo. Morre em vida. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 13 de março de 2013.

Aprendendo a viver

Aprendendo a viver 

Certa vez eu fui num médico psiquiatria a procura de algum remédio que fizesse eu me sentir melhor. Contei para ele o que estava acontecendo na minha vida e ele me disse: “Mas você não tem nada esta, apenas, passando por uma fase ruim.” 
E eu saí do consultório sem remédio algum, afinal, eu não tinha doença nenhuma. Meu mal estar se devia a tal da “fase ruim”, que, segundo o médico (como se eu não soubesse), “todos passam na vida”. 
Pois bem, eu não sou muito diferente de pessoa alguma. Às vezes a gente quer um remédio, uma cápsula milagrosa que faça a fase ruim passar ou que, ao menos, amortize a dor que ela nos causa. 
Então eu resolvi mentir. Pesquisei no Dr. Google o nome de um antidepressivo interessante e consultei um médico desconhecido alegando que eu estava me tratando com outra pessoa, noutra cidade e vinha tomando tal remédio. 
Não sei se o novo psiquiatra acreditou. Falei apenas como me sentia e não o que estava se passando na minha vida. Assim eu saí do consultório contente, com um remédio que iria me ajudar a enfrentar a “fase ruim” da minha vida. 
A verdade é que remédio algum ajuda. Não existe pílula mágica. Nenhum remédio vai impedir você de se frustrar, de chorar, de se decepcionar. Não existem milagres. A questão é aceitar a vida como ela é: fases boas, outras nem tanto. 
É preciso, na verdade, aprender a criar menos expectativas, para evitar muitas quedas e, conseqüentemente, o nascimento de outras “fases ruins”, fases de frustração e descontentamento. O remédio, na verdade, é cair, levantar e aprender a viver, ou, ao menos, se equilibrar entre tombos e caídas. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 13 de março de 2013.

Dó dos infelizes, no mundo dos felizes.

Dó dos infelizes, no mundo dos felizes. 

 É quase trágico sentir-se infeliz num mundo em que todo mundo faz questão de disfarçar a sua tristeza e frustrações. Aparentemente a humanidade imbuiu-se da missão de guardar para si o próprio sofrimento. 
E assim a vida segue. Quase todo mundo apregoando a busca pela melhora interior, a felicidade com que se levantam todos os dias da cama, a tranqüilidade de espírito que possuem, a alegria pela chegada de toda sexta-feira. 
Ninguém reclama, ninguém se sente só, todos são bem sucedidos no amor e na profissão. Sim, quem diz que as pessoas são bem sucedidas numa área ou noutra da vida é pessimista. Todos são realizados nos mais variados aspectos. 
Se a depressão era o mal do século que passou, a hipocrisia vem se mostrando o mal deste século. Pessoas deprimidas não encontram eco para a dor que sentem num mundo em que todos apregoam o bem estar e a felicidade. 
Reclama-se do governo, reclama-se da falta de cuidado com o meio ambiente, reclama-se da corrupção, reclama-se de tudo, mas pessoa alguma, que se sinta desconfortável na própria vida, sente-se à vontade para falar de seu pesar interior. 
É tanta gente feliz, contente e que se preocupa com um mundo melhor nas redes sociais e no dia a dia da gente que, se existe alguém deprimido no mundo, a pessoa tente a sentir-se cada vez mais sozinha e isolada: ninguém é vil, ninguém se sente descontente com a própria vida, ninguém fala de frustração alguma. 
Todos são só sorrisos, fotos bonitas, alegria, projetos sociais, ânimo elevado. Pessoa alguma confessa sentir-se triste, solitária, apesar de ter amigos, ninguém é infeliz ou frustrado. Tenho, portanto, pena das pessoas que não se adéquam a esta felicidade obrigatória que tomou conta do mundo. 
Não penso que a vida é ruim, mas sei que ela não vai ao encontro de todas as expectativas que podemos ter. Existem injustiças, existe tristeza, existe frustração, existem sonhos que desmoronam. Todavia, a regra virou uma apologia estranha ao bem estar, a fé e a alegria. Como se sentir-se mal fosse um pecado, uma heresia. Isso me preocupa. 
 Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 13 de março de 2013.

Procure

Procure 

Procure alguém que se importe. Alguém que tenha curiosidade pelo seu dia a dia, alguém que lhe indague sobre seus sentimentos, sobre suas frustrações e alegrias. Procure alguém que respeite seus sentimentos, sua sensibilidade. 
Procure alguém que pergunte sobre tudo que diz respeito a você. Acredite, só tem curiosidade quem se importa, quem quer conhecer, quem quer saber quem você é e o que você já passou na vida. 
Procure alguém que tenta lhe entender ao invés de lhe julgar. Procure quem, antes de criticar as suas escolhas, valoriza quem você se tornou graças a elas. Procure quem lhe valoriza como você é. 
Procure alguém que não queira você diferente, que lhe ache bonito e interessante. Quem tem a ousadia de ser sincero sobre o que gostaria de ver você mudar, ainda que na forma de se vestir ou na aparência, um dia irá demonstrar que quer que você mude noutros aspectos também. 
Procure alguém que seja capaz de não ser sincero para não lhe magoar. Não queira alguém que fala tudo o que pensa a seu respeito. Procure alguém que não queira lhe magoar, ainda que remotamente. Procure alguém que silencia para não correr o risco de lhe ferir. 
Procure, enfim, alguém que se importe com você e não com o que gostaria que você fosse. Deseje alguém que queira lhe proteger e não lhe julgar ou criticar. Procure alguém que lhe aceite como você é e queira estar ao seu lado. Ao seu lado, apenas isso. 
Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 13 de março de 2013.

terça-feira, 12 de março de 2013

Roupas e lembranças

Roupas e lembranças 

Mudança de casa, bagunça e reorganização de guarda roupa. Olhando cada peça de roupa que tenho, cada sapato, é estranho quantas lembranças eles me trazem. 
Mulheres, de regra, têm uma ligação especial com as peças de seu vestuário. A gente compra uma blusa pensando em usar com uma saia em determinada ocasião quando estaremos com uma pessoa especial. 
Compramos um sapato pensando em usar numa viagem importante, uma calça para “aquela” ocasião social, um vestido para uma festa. E, acredite, não é a festa, a ocasião ou a viagem que nos marcam: são as pessoas que estarão conosco nestes eventos. O nosso estado de espírito naqueles momentos. 
E, assim, as roupas nos trazem lembranças. Boas ou ruins. Olhando cada peça de roupa que tenho eu consigo visualizar os risos que dei, as lagrimas que chorei, o quanto fui feliz ou o quanto me incomodei quando a vestia. 
Alias, por ter uma personalidade saudosista, não é muito difícil para eu recordar-me de momentos agradáveis ou não tão bons por ter vestido alguma roupa. Todavia, comprovei que quase tudo em mim se relaciona a sentimentos. Inclusive o que visto. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 12 de março de 2013.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Certezas e duvidas

Certezas e duvidas 

Existem coisas que você acha que pode suportar, mas não consegue. Existem outras coisas que você acha que vão lhe fazer bem, mas não fazem. Você amadurece quando passa a ter certeza do que é capaz de tolerar e do que, realmente, lhe faz feliz. 
Às vezes você acha que pode conseguir aceitar algo. Seja a forma de ser de alguém, seja a forma com que a outra pessoa leva a vida, suas metas, seus hábitos, às vezes você acha que consegue se adaptar a alguma situação, largar o trabalho, voltar a estudar, trabalhar em casa, enfim. 
Então você vivencia a “tal” situação e percebe que não consegue se adaptar a ela. Que não consegue, se quer, compreende - lá. 
Seguidamente nos iludimos acerca do que podemos aceitar ou gostar. É quando vivenciamos determinadas situações, quando nossos nervos, nossa paciência e coração são colocados a prova, é que podemos ter certeza sobre o que nos é “aceitável” e sobre o que nos é “inaceitável”, intolerável. 
A nossa tolerância, a nossa paciência e o nosso apreço por qualquer coisa neste mundo só podem ser, categoricamente, afirmados quando experimentamos certas circunstancias. No mundo das nossas idéias e no mundo real, muitas coisas são diferentes. Muito diferentes. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 11 de março de 2013.

Tempo

Tempo 

 Estou numa fase de poucas certezas e muitas indagações. Não é a melhor fase da minha vida. Em alguns momentos eu sei o que quero, noutros eu penso: "Será que não existe algo melhor para se desejar?". 
 E, no intervalo entre uma confusão e outra, a minha vida vai passando. Mas eu estou vivendo ela, como posso, não como eu gostaria. Gosto de ter mais certezas do que dúvidas, mas, fazer o que? O negócio é se conformar. As coisas mudam. Tudo muda. Então, eu espero. 
Espero o tempo passar e as coisas se ajeitarem dentro de mim. Talvez descobrir o que realmente é importante para mim, para, então, saber o que sou capaz de tolerar e o que, para mim, é impossível de agüentar. 
Eu que sempre fui uma moça cheia de certezas, me tornei uma mulher cheia de duvidas, de questionamentos. Eu que já pensei em ser “presidente” de uma nação, não estou conseguindo presidir, com talento, a minha própria vida. 
 Alias, quando chega o momento em que entregamos ao decurso do tempo a melhora de nossa vida é porque, realmente, estamos numa fase complicada. 
O tempo urge como solucionador de problemas quando o ser humano não tem nenhuma solução inteligente em mente. Eis o meu caso. Ainda não descobri quem eu realmente sou e o que, de verdade, tem mais importância na minha vida. Mas o tempo vai passar e eu terei as respostas. Assim espero. 
Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 11 de março de 2013.

De perto

De perto 

 A inveja existe porque as pessoas não valorizam o que possuem e dão um valor excessivo ao que vêem e pouco conhecem. Pessoas invejosas só vêem as aparências e julgam por isso, logo, invejam por isso! 
Nove em dez vezes se o invejoso conhecesse bem a realidade do invejado, não o invejaria. Sabe aquela frase: “De perto ninguém é normal”? Pois é, de perto ninguém é plenamente realizado. 
De perto todo mundo abre mão de alguma coisa para ter outra, de perto ninguém é perfeito, de perto nenhum relacionamento é como nas propagandas de televisão. De perto o marido ou a esposa perfeita se mostra inexistente. 
 Acredite, de perto ninguém é 100% realizado em todos os aspectos da vida. De perto ninguém é sempre feliz como nas fotos, sempre arrumado, sempre bonito, sempre elegante, sempre atraente. De perto as pessoas têm problemas, acordam de mau humor, não são sempre finas, elegantes ou sinceras. De perto nada é sempre bonito e invejável. 
De perto o rico sofre, o pobre sofre, o bonito chora, o feio chora, o humorado reclama, o mal humorado também. De perto ninguém é sempre interessante, na verdade, de perto as pessoas costumam ser bem diferentes do que aparentam. Mas só quem esta perto vê. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 11 de março de 2013.

Infelizes

Infelizes 

 Pessoas felizes e bem resolvidas podem fazer muito pelo mundo! Por outro lado, poucos são os seres humanos que, descontentes com a própria existência, preocupam-se em fazer algo pelos outros. 
 Nada disso é estranho ou pouco natural. Creio que raro mesmo seja pessoas frustradas quererem fazer o bem pelos outros, queiram ajudar quem esta mal, queiram mudar o mundo. 
Quem esta mal, ou melhor, quem se sente mal não tem energia para fazer o bem. Não é maldade, nem má vontade: pessoas descontentes consigo mesmas mal conseguem pensar no outro, no mundo. 
A infelicidade torna as pessoas mais egoístas. Gente infeliz pouco se importa com o bem estar alheio. Elas estão mal e ponto final. Não conseguem enxergar nada além do próprio mal estar. 
 Certamente um mundo onde todos se sentem bem na própria pele seria um lugar melhor para se viver. Ocorre que vivemos num mundo em que a maioria sente-se infeliz e poucos são os que estão contentes e tem animo para ajudar ao próximo. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 11 de março de 2013.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Saudade II

Saudade II 

 Eu sou uma pessoa que tem grande tendência a sentir saudades. Não que eu não viva intensamente o presente, na verdade não consigo explicar este meu habito estranho de sentir saudade. 
Sinto saudades de pessoas, de momentos, de lugares, de risos e de lágrimas. Sim, até os momentos tristes me causam saudade, porque hoje eu consigo vê-los com outros olhos. 
 Eles não são mais tristes, são, para mim, momentos que serviram para eu aprender e crescer muito. Então, eu sinto saudades. Sem as lágrimas derramadas outrora, eu não seria quem sou. E eu gosto de quem me tornei, mas sinto saudades, também, de quem eu fui. 
Sinto saudades das esperanças, das ilusões, das convicções que a vida derrubou. Sinto saudades da pessoa cheia de certezas que eu fui. Pessoa que deixei de ser graças a muitas lágrimas. Abençoadas lágrimas que levaram a arrogância imatura para longe da minha alma! 
Tenho saudades da idéia errada que eu fazia de muitas pessoas. Como elas eram surpreendentemente boas na minha cabeça! Como eu seria feliz ao seu lado nos meus sonhos mais tolos. Sonhos que a realidade aniquilou! 
Como eu sinto saudades dos ideais de família que eu tinha. Como a minha família era linda! Como meus pais se amavam e como era bom acreditar que os casamentos eram praticamente indissolúveis! 
Pois é, eu realmente sinto saudades de muita coisa. Mas, o que me resta fazer? Levantar-me do sofá onde passo a mão nos cabelos amargando a saudade que sinto de quase tudo que vivi, para ir viver! Afinal, devo viver bem o hoje, porque, com certeza, será do presente que, no futuro, eu sentirei saudades. 
 Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 04 de março de 2013.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Nada

Nada 

Certa paz e tranqüilidade me dominam. Não sinto vontade de falar nada, nem de argumentar contra coisa alguma. 
O silêncio me faz bem neste momento. Não me sinto mal, mas não me sinto ótima. Estou num meio termo estranho, mas, com certeza estou bem, obrigada! Nada esta me causando indignação, logo, não estou inspirada. 
Tudo que me descontenta, desconserta e desatina me inspira. Sendo muito bom ou muito ruim. Emoções fortes, de qualquer natureza, me dão inspiração para escrever, para argumentar, para falar. 
Na falta de emoções arrebatadoras o silêncio me acompanha. Confesso, é algo sem graça, sem brilho. Para uma ariana como eu, coisas sem muita força não agradam, mas, confesso, também não desagradam demais. 
 Digamos que eu não esteja me sentindo nem bem, nem mal. Não estou sentindo nada. Um nada sem graça, mas, ao menos, nada que faça meu sangue ferver de indignação, nada que afete a estima que tenho por mim mesma, nada que me machuque ou fira meus princípios. 
 Não sinto dor, mas também não estou sentindo um ânimo de alegria muito grande em mim. E isso me incomoda um pouco, mas, fazer o que? A vida é feita de fases e é preferível passar esta fase insossa sem sentir dor, do que rir a noite para chorar pela manha. Fase, (benzadeus), já superada na minha vida. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 1º de março de 2013.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Sem vitimismo

Sem vitimismo 

 Em minha opinião humildade não tem nada haver com "coitadismo", com essa coisa quase patológica de aceitar tudo de todos que mais indicia falta de amor próprio do que qualquer outra coisa. 
Eu gosto de gente bem resolvida, alto astral, que sabe o momento certo de falar e o de silenciar e, por isso, demonstra humildade. Não aprecio gente que acha que suas opiniões são "imperdíveis" e devem ser ditas em detrimento da vontade do outro em sabê-las. 
Da mesma forma, não admiro quem nunca fala o que pensa mesmo que esteja sendo menosprezado. Gosto de pessoas com atitude, mas humildes, não gosto de quem se humilha aceitando o que lhe fere, nem que quem se mete onde não é solicitado. 
Não gosto de quem se ofende por qualquer coisa, não gosto de quem, apesar de não ter dinheiro ou um bom salário, sai apregoando aos outros que é pobre e não tem o que deseja. 
Acho feio, da mesma forma, a mania de algumas pessoas de supervalorizarem o que não possuem ao invés de agradecer o que têm. Ser orgulhoso e arrogante pelo que possui é muito diferente de ser grato pela mesma coisa. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 27 de fevereiro de 2013.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Relacionamentos

Relacionamentos 

 Relacionamentos devem existir para você ser feliz, sorrir e amar, para você sentir-se bem sendo você mesmo, sem precisar castrar-se para agradar ao outro. Se uma relação começa a lhe incomodar e a lhe fazer chorar significa que você ficará melhor sozinho. 
Às vezes o homem precisa sofrer acompanhado para perceber que a solidão pode ser sua amiga. Uma boa amiga. Eu não falo em exigir um relacionamento perfeito, mas se você tem amor próprio, não vai aceitar viver uma relação amorosa em que seus princípios e forma de ser são aviltados pela forma do outro pensar. 
Sou da opinião, já conhecida por muitos, de que não é o amor que sustenta o relacionamento, mas a forma de se relacionar que mantém o amor. Logo, relacionamentos afetivos em que tudo é dito sem que se pense no mal estar do outro, em que inexiste respeito à individualidade alheia, não são legais. 
Quando as palavras do outro, com freqüência, lhe atingem, lhe ferem, magoam e fazem chorar, algo está errado. Quando o que a outra pessoa pensa sobre você e sobre o que você ama lhe ofende, algo esta errado. Muito errado. Ademais, se seu parceiro lhe respeita e lhe ama realmente ele não terá coragem de expor o que pensa a seu respeito se isso for desagradável. Haverá empatia, não uma sinceridade cruel e despropositada. 
O fato é que a solidão não mata. É preferível ter paz sozinho a sofrer, chorar e sentir-se mal na companhia de alguém. Você não depende de pessoa alguma nesta vida, logo, é loucura manter-se ao lado de uma pessoa cuja forma de pensar a seu respeito lhe fere. Se o outro não sabe silenciar e lhe respeitar, a melhor opção é ficar só. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 24 de fevereiro de 2013.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Gosto II

Gosto II

Eu gosto de gente leve, de gente alegre, de gente simples, educada e elegante, gosto de gente feliz, de gente sensível, de quem pensa antes de falar, gosto, enfim, de quem valoriza mais o silencio do que as palavras! 
Gosto de quem comemora as pequenas conquistas, de quem se rejubila com o sol no amanhecer e com a chuva que refresca a terra, gosto de quem tenta descomplicar o que lhe parece difícil e, mais ainda, gosto de quem não complica a vida. 
Gosto de quem se ama, se valoriza, se respeita e aceita os outros como são. Gosto de quem sabe amar com liberdade sem querer do outro nada além do que é inerente a tal ato: amor e respeito! 
Gosto de ver quem eu amo sorrir! Fico feliz vendo a realização de meus amigos, o sucesso de quem admiro e a felicidade de quem me cerca! Tenho asco à inveja e prefiro transmutar qualquer sentimento parecido com ela em admiração e alegria pela felicidade do outro. 
Gosto de quem não tem medo de ser como é, de quem assume o que sente, de quem não contém o riso, não segura as lágrimas. Gosto de quem se aceita como é, mas tem humildade para aprender com a vida. 
Gosto de quem respeita plenamente o outro compreendendo que ele é o melhor que pode ser, gosto de quem não fala tudo que pensa, mas pensa sobre tudo o que fala. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 21 de fevereiro de 2013.

Palavras doces

Palavras doces 

Elogios, palavras doces, sedutoras e atraentes nunca afetaram meu coração. Já senti muita dor na minha alma que elogio algum amenizou. 
Eu gosto de afeto sincero, de ser compreendida, de carinho, de aceitação, de amor. Não me envaideço facilmente. Gosto do que toca a alma, não o ego. Sou uma pessoa que gosta mais de atos do que de palavras, não valorizo tanto o que ouço, mas o que vejo. 
Por tal motivo nada me toca mais do que ver atos singelos e gentis, do que atitudes nobres e respeitosas, do que pessoas carinhosas, afetuosas e humoradas. Gosto de pessoas de alma pura, de seres humanos bem intencionados. 
Por outro lado, não desdenho pessoa alguma, não desprezo quem tenta me seduzir com palavras adocicadas. Eu apenas lhes respeito, lhes agradeço. Existe uma grande diferença entre tratar com educação e dar importância ao que se ouve. 
 A importância toca a alma, a educação afeta aos ouvidos. Logo, agradeço elogios e tenho gentileza com todos, inclusive com quem tem valores diversos dos meus. O fato é que gosto, cores, amores e valores não se discutem. Cada um cultiva os que lhe apraz, e não sou eu quem vai questionar o pensamento alheio. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 20 de fevereiro de 2013.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sinceridade e crueldade II

Sinceridade e crueldade II 

 Você deve ser sincero sobre o que você sente, não necessariamente sobre o que você pensa do outro. Seguidamente dizer a uma pessoa o que você acha de pouco agradável nela, magoa e fere. É um ato cruel, não louvável. 
Ademais, o que você pensa sobre o outro tem haver com seus conceitos, com seu ponto de vista, não se coaduna necessariamente com os dele. Cada um é feliz sendo como é, ninguém precisa ser criticado, analisado, julgado e exposto com seus pontos de vista. 
Dizer a uma pessoa o que você pensa sobre o que considera ser fraco ou ruim nela é de uma estupidez e crueldade imensuráveis. Viva e deixe viver, ninguém quer saber a sua opinião sobre seus atos, gestos, forma de pensar e viver. 
Cuide da sua vida, use seu poder de criticar e refletir a respeito das coisas para pensar e refletir sobre as suas atitudes. Se policie, não saia pelo mundo propagando a sua forma de pensar, analisando quem você ama e o que tal pessoa gosta. 
Sinceridade tem haver com sentimentos, não com pensamentos. O que você pensa sobre as outras pessoas, sua vida e atitudes é apenas o que você pensa! Não significa que seja uma verdade absoluta, tanto que o outro vive de acordo com as verdades que possui e não com as suas. 
Ademais, o que você pensa sobre os outros não lhes mudará, irá causar, isto sim, asco deles em relação a você o que, provavelmente, lhes fará se afastar da sua pessoa. 
O que, afinal, você deve fazer quando seu conceito sobre o outro é negativo e seu jeito lhe incomoda? Ao invés de lhe falar, suma de sua vida! Siga o conselho do Capitão Nascimento: "Pede pra sair!". Cedo ou tarde ele vai encontrar uma pessoa que não se incomoda com sua forma de pensar, agir e ser. O que, saliente-se, é um direito dele. 
O que não é um dever seu é falar o que você pensa sobre um ser humano que, provavelmente, lhe estima. Reflita e pense se ele é bom para você, se for, cale-se, não seja cruel achando que expor a sua mera opinião é sinceridade ou algo sumamente necessário, porque não é! 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 20 de fevereiro de 2013.

Sem culpa

Sem culpa 

Seguidamente "culpa" é uma palavra tola. Não raras vezes não importa de quem ou do que é a culpa por qualquer coisa. O fato é que às vezes as coisas não dão certo, não acontecem como planejávamos. 
O que não deu certo foi porque não havia maneira de dar, às vezes as pessoas discutem e se desentendem apenas porque são diferentes e porque tolerar o gênio e o pensar do outro é aviltante ao seu próprio coração. 
Às vezes a visão deturpada que o outro faz de nós nos decepciona. Nada é muito explicável: o outro tem o direito de pensar o que quiser ao nosso respeito e nós temos o direito de não aceitar seus pensamentos. 
Não raras vezes a idéia que o outro tem do que estimamos e de nós mesmos causa-nos um mal estar irremediável, afinal, queremos alguém que tenha afinidades conosco e, principalmente, nos respeite. 
O que o outro pensa a nosso respeito não muda quem somos, mas muda o nosso conceito sobre ele. E essa mudança de conceito trás sérios resultados. O outro, porém, não é culpado por pensar como pensa, tampouco nós de não querermos saber o que se passa em sua cabeça, vez que, seguidamente, o que a outra pessoa pensa diz mais sobre ela do que sobre nós. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 20 de fevereiro de 2013.

A vida segue

A vida segue 

Deixar o passado para trás e viver em harmonia o presente indicia maturidade e evolução psíquica. Só se prende a fatos passados quem não cresce e não tem gratidão pelo que possui no presente. 
Viver é um eterno deixar para trás. Para a vida seguir, você precisa superar muitas coisas e, portanto, deixá-las onde ocorreram: no ontem, no seu passado. Para ser feliz é preciso admitir que, boas ou más lembranças, são apenas lembranças e não devem ser o foco de suas energias. 
Se ontem você sofreu, se ontem alguém lhe humilhou, se ontem alguém lhe feriu e lhe magoou, se ontem você sentiu-se só, se ontem seus pais lhe ignoraram, se ontem seus direitos foram malbaratados, enfim, foi ontem! Já passou. 
É preciso superar o passado para construir um presente harmonioso e plantar as sementes de um futuro feliz. Pessoas que remoem o que passou não seguem adiante. Pensam que seguem porque estão vivendo no presente, mas não estão: elas apenas estão existindo num tempo que não valorizam. 
Do passado resta o aprendizado, algumas lembranças boas, outras nem tanto, resta a possibilidade de amadurecer, de crescer. O passado não deve ser lastimado, porque graças a ele você é quem é no momento presente. Apenas assim você pode dizer quer a vida segue. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 20 de fevereiro de 2013.

Sem reclamações

Sem reclamações 

Penso que viver bem a vida, não significa aproveitar seus bons momentos. É muito fácil ser feliz e contente quando tudo esta ao nosso favor. Viver bem, para mim, é ser capaz de superar as adversidades com brio, com calma e com força. 
Viver bem é, enfim, enfrentar o que acontece de ruim sem revoltar-se contra o que não pode ser modificado, mas com esperança e perseverança para agir em prol do que é possível mudar. 
Creio, porém que estas atitudes sejam inerentes a pessoas de almas grandiosas, independente da crença religiosa que possuam. Crer em Deus é ótimo, mas acreditar, apesar de todos os pesares, na vida, em si mesmo e na bondade humana faz toda a diferença. 
Agir bem, para fazer o bem, isso é sumamente necessário. Sou uma grande admiradora de pessoas que agem muito e reclamam pouco, afinal, apenas seres humanos sábios sabem o momento de resignar-se, o momento de agir e, sobretudo, sabem que reclamações não modificam nada nesta vida. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 20 de fevereiro de 2013.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Descrentes

Descrentes 

 Você pode ter a fé que quiser em Deus, espíritos, santos ou seja o que for, se você não for capaz de tolerar opiniões opostas ou meramente diferentes das suas, a sua religiosidade será praticamente inútil. 
Antes um ateu de mente aberta e humilde, do que um crente arrogante que acha que as suas opiniões são tão boas que precisam ser expostas até 
quando não são solicitadas. 
Eu não valorizo as pessoas pelas crenças que elas possuem, mas pelas as atitudes que elas tomam, pela forma com que elas pensam, pela capacidade de tolerar o diferente e conviver com ele, pela inteligência humilde, pela capacidade de transigir, relevar e perdoar. 
Acreditar em belas filosofias religiosas é fácil, praticar o bem, não. Da mesma forma que ter belas crenças e se tornar orgulhoso delas a ponto de menosprezar o ponto de vista alheio também é fácil. E desprezível. Por isso não me surpreendo com as pessoas pelo que elas crêem, mas pela forma com que agem e pelo que elas fazem com aquilo em que acreditam. 
 Pessoas religiosas não são melhores do que pessoas descrentes, a única diferença são, obviamente, as suas crenças. O que distingue as pessoas uma das outras são as atitudes que tomam, é por isso que indivíduos menos crentes, que contam menos com o “perdão divino” podem agir de forma mais honrosa e nobre do que aquelas que crêem nele. 
Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 11 de fevereiro de 2013.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Se eu quiser.

Se eu quiser. 

Sou franca demais, transparente demais e leve demais. Levo a vida com leveza, fico onde desejo, me mantenho perto apenas de quem me faz bem. Afasto-me de todo o resto. Não tenho tempo a perder. 
Talvez tudo isso seja errado, talvez eu esteja errada, mas, uma coisa é certa: só fico perto de quem não me acha equivocada, de quem não me critica, mas respeita. 
Eu posso pensar qualquer coisa sobre minha aparência, intelecto e alma, mas não fico perto de quem não goste inteiramente de mim. Mudar? Talvez, mas só por mim e graças à vida. 
Quem pensa que sou difícil comete um erro. Eu sou uma pessoa que respeita de forma incomum todas as pessoas que me cercam. Permito, sem intrometer-me, que todos pensem, ajam e sejam o que bem entenderem. 
Não critico e nem cerceio a liberdade de quem amo e de quem esta a meu redor. Não exijo muito das pessoas, delas eu quero, apenas, que me deixem ser como sou, pois só eu sei as lágrimas que chorei para me tornar quem me tornei. 
Não gosta de mim assim? Não me admira? Quer-me diferente? Deixe-me, pois não posso me tornar uma pessoa infeliz para satisfazer aos seus anseios. Sou o que sou e apenas a vida pode me mudar, mas, ainda assim, somente se eu quiser e permitir. Algumas coisas na minha existência dependem apenas de mim, todavia, nela fica quem quer.
 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 08 de fevereiro de 2013.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Exercitar o silêncio

Exercitar o silêncio 

Lembro de ter lido que o grande Chico Xavier disse que se as pessoas exercitassem o silêncio não ocorreriam tantas separações conjugais. Concordo com ele, apesar de achar que todos os relacionamentos humanos seriam mais saudáveis se houvesse mais silêncio e menos criticas, menos vontade de instruir o outro a pensar da sua forma. Silenciar é uma forma de fomentar a liberdade que todos têm para viver como desejam. Todavia, parei para pensar no que seria “exercitar o silêncio” nos relacionamentos amorosos. 
Cheguei, pois, a conclusão de que ele se referia ao fato de que nem todas as diferenças deveriam ser questionadas, nem todas as idéias contrárias rebatidas, afinal, quando o casal pensa igual, ninguém sente vontade de dizer nada. Basta um “é verdade”.  
Quase todos os dilemas de relacionamentos amorosos surgem graças às diferenças e ao pouco respeito que o casal tem entre si. Aliás, o problema não são os pontos de vista divergentes, mas o desrespeito ao outro e certa dose de orgulho da sua forma de pensar em detrimento da alheia. 
 Refiro-me a este orgulho brando, porque quando a pessoa é verdadeiramente humilde ela tolera o pensamento do outro sem a necessidade de expor o seu, sem a necessidade de muitas palavras ou de obter a concordância do amado. 
Você ama, o outro pensa de forma diferente da sua, mas, além de muito amar, você respeita? Certo, então você ouve, tenta entender o ponto de vista alheio e, conseguindo ou não, você silencia. 
 Até mesmo porque, quando o amor é grande ninguém gosta de entrar em embates de idéias, se silencia para se bem viver, o que não ocorre quando alguém quer ver o outro pensar de forma igual a sua. 
O que é, obviamente, um desejo estranho quando se trata de amor de verdade, afinal, o amor puro tudo aceita, pouco contesta e não deseja a igualdade, mas a união, a paz e a tranqüilidade no relacionamento. Reina o respeito, a aceitação e a compreensão. 
Logo, se existe amor e vontade de manter o relacionamento faz-se necessário exercitar o silêncio ao invés de muitas palavras, divagações e diálogos sobre o que existe de divergência entre o casal. 
 Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 06 de fevereiro de 2013.

Não estigmatize

Não estigmatize 

Nem toda pessoa com poucos recursos materiais e culturais é humilde. Tem muita gente sem dinheiro, sem elegância, sem beleza, sem bom gosto, estudo e cultura que se acha melhor do que os outros. 
Da mesma forma que nem toda pessoa rica, bela ou culta é arrogante, orgulhosa, ambiciosa ou fútil. Muitas pessoas sem condições financeiras sonham em encontrar parceiros ricos, por exemplo. Isso indica valores fúteis e materialistas. 
Simplicidade é a capacidade de conviver com pessoas de todas as classes sociais e culturais sem se achar superior a ninguém. Posso garantir que esse conceito não se liga a poderes materiais. 
A relação da simplicidade e da humildade com dinheiro é a mesma da higiene e do bom gosto com a ausência de condições econômicas: pobreza não é defeito, mas pouco capricho e zelo para com seu próprio corpo e casa são. 
Sendo assim, não estigmatize as pessoas. Não busque conviver com pobres por achar que eles são humildes, nem fuja de pessoas financeiramente abastadas por presumir seu orgulho. Conheça as pessoas, não as julgue antes disso. 
Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 06 de fevereiro de 2013.

Más surpresas

Más surpresas 

Ninguém é isento de más surpresas, de equívocos. Você pode ter vivido, se decepcionado e aprendido algumas lições, nada disso lhe fará imune a outras frustrações, com outras pessoas, em outros aspectos, em outros dias, em novos tempos. 
A verdade é que o que determina o teor da sua decepção são as ilusões que você constrói. De regra, você cria expectativas com base no que deseja, sendo assim é fácil se iludir e arrumar a cama do próprio sofrimento para deitar-se depois. 
Algumas pessoas podem tentar lhe iludir, mas isso é raro, seguidamente você se ilude sem que o outro queira. Enfim, cedo ou tarde todos mostram quem são, ocorre que, por algum motivo, em algumas circunstancias, mesmo diante da realidade você insiste em acreditar no que não vê. 
Criar ilusões é comum, se desapontar também, triste mesmo é quando, apesar da realidade, você insiste em crer no que não existe e se mantém crente de que o outro irá se tornar a pessoa que você quer que ele seja. 
Nada neste mundo irá se adequar a idéia que você tem, àquilo que você quer, apenas porque este é um desejo seu. Ou você se contenta com a realidade, ou sofre, chora e busca novas realidades, novas experiências, novas pessoas. 
Logo, por mais que você já tenha se decepcionado e sofrido muito, enquanto manter-se distante do realismo e do gostar do que e de quem lhe cerca do jeito que é, estará sujeito a se iludir e sofrer novamente. O realismo é um antídoto contra as ilusões que fazem o ser humano sofrer. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 06 de fevereiro de 2013.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Perfeito para mim.

Perfeito para mim.

A melhor declaração de amor que a gente pode ouvir não é “eu te amo”, tampouco “você é linda”, “você é maravilhoso”, o que queremos ouvir é um simples: “Você é perfeito para mim”. 
Tal frase define o ideal de amor para a maioria das pessoas. Ninguém é perfeito e pessoas psiquicamente sãs não buscam perfeição, afinal, sabem que nunca a encontrarão. 
O que as pessoas desejam é encontrar alguém, para quem, elas, do seu jeito, com seus defeitos, virtudes e limites, sejam perfeitas. Alguém que não queira o seu melhor, mas que as queiram como elas são. 
A gente chora, a gente sofre, a gente erra e aprende. O que somos no momento é o melhor que conseguimos nos tornar. E a gente costuma gostar de quem somos, logo, buscamos alguém que respeite, aceite e goste de nós tal qual somos. 
Não importa se somos errantes, se nos equivocamos, se temos uma personalidade fraca ou forte, o que queremos é, não apenas o amor e o respeito do outro, queremos ser o melhor que ele pode desejar. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 05 de fevereiro de 2013.

Bela vida

Bela vida 

Não importa quão boas são suas crenças, não importa quantos bons princípios você tenha, se você for incapaz de colocar em prática o que sabe, eles não valerão nada. 
Não adianta você ir à igreja toda semana, ler vários livros sobre tudo, se você é incapaz de conviver bem com sua família, de aceitar quem Deus colocou a seu lado, de perdoar e buscar a harmonia com as pessoas ao seu redor, sua religiosidade será inócua. 
Da mesma forma que todos os conceitos que você tem sobre amor, carinho e respeito, não terão valor algum se você for incapaz de aceitar o outro como ele é, inclusive, sendo diferente de você. 
A verdade é que o bem viver requer leveza, mais sentimento, entrega e menos teorias. Se você levar tudo e todos muito a sério corre o risco de sofrer e, principalmente, fazer quem lhe cerca sofrer. 
Seguidamente o que importa é a sua capacidade de aproveitar bem os seus momentos, usar o seu humor e não a sua habilidade de muito pensar sobre tudo. Quem pensa demais, não faz nada, só sofre e cansa quem esta ao seu lado. 
De regra pessoas boas não se preocupam o tempo todo em serem boas. Elas simplesmente são. A bondade genuína é despretensiosa e espontânea. Você age de forma boa mesmo que não se esforce para tanto. 
A felicidade requer a sua capacidade de relevar muitas coisas e de ignorar outras tantas. De nada adiantarão os seus belos conceitos se você não é capaz de deixá-los de lado para viver uma bela vida. 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 05 de fevereiro de 2013.

Suas verdades

Suas verdades 

Nunca esqueça que quando você é franco e fala "verdades", manifesta unicamente o que é verdadeiro para você. Não exija que o outro concorde, não pense que ele deve anuir com as suas certezas. 
Cada pessoa é um mundo de experiências, convicções e verdades, afinal, a verdade que você fala é sua, não necessariamente de mais alguém. Nove em dez vezes ser sincero alivia mais quem fala do que quem ouve. 
É bom poder falar o que se pensa, mas às vezes o seu pensar magoa e ofende, justamente porque colide com as verdades alheias. Respeito e empatia são, portanto, a chave para qualquer forma de convívio humano ser boa e harmônica. 
Existe uma linha tênue entre a sinceridade e a crueldade. Seguidamente somos cruéis e egoístas quando despejamos as nossas verdades nos ouvidos alheios, mais ainda quando falamos a respeito de suas características e forma de ser. 
Cada pessoa neste mundo é o que lhe convém ser, vive, pensa e age da melhor forma que lhe é possível e, também, da maneira que consegue ser feliz. Pessoa alguma vive como é para ser infeliz, logo, é preciso pensar mil vezes antes de criticar sua forma de ser e viver. 
Se lhe é impossível tolerar a forma do outro viver, se lhe é difícil viver perto de alguém sem falar-lhe o que é verdade para você sobre seu jeito de ser, deixe-o, mas não tente fazer-lhe ser o que você quer, não o julgue severamente nem lhe fale o que pensa a seu respeito. 
 O seu pensamento sobre o que o outro é e como ele vive é apenas o seu pensamento. Da mesma forma que tudo o que você pensa e diz das pessoas e do mundo fala mais sobre você do que sobre aquilo que julga. Portanto, não supervalorize as suas idéias nem pense que elas são “imperdíveis”. 
Silencie mais, reflita mais e, sobretudo, seja sincero consigo mesmo. Se algo ou alguém lhe fere ou irrita, se afaste, sem pensar que a sua sinceridade o mudará. Silenciar e recolher-se pode ser mais virtuoso e justo do que jogar aos outros aquilo que é verdadeiro para você. 
Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 05 de fevereiro de 2013.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sem razões

Sem razões 

Felicidade sem motivo, paz inexplicável, amor imotivado, tranqüilidade que não se explica! As melhores coisas da vida e as melhores sensações são sentidas sem que se precise explicá-las. 
São aquelas que simplesmente invadem a nossa alma, estupefazem o nosso íntimo e nos deixam pasmos diante do bem estar que nos causam, basta que nos entreguemos ao momento sem muito pensar e, principalmente, sem muitas palavras. 
Os melhores momentos de nossas vidas ocorrem de olhos fechados, quando sentimos a energia, a pele, o toque e o carinho do outro. Quando nos sentimos entregues sem questionar o que motiva nossa alegria e vontades. 
Não é de dinheiro; nem de poder, nem de luxo, que nossa alma necessita, o que nos anima, entusiasma e encanta é aquilo que nossos sentidos percebem, nosso coração capta e faz nosso espírito se entusiasmar, sem que, sequer, saibamos explicar. 
Todas as oportunidades materiais podem ser interessantes, mas quando nos sentimos encantados por algo sem que tenhamos palavras para elucidar a sensação que nos toca, percebemos que o que é realmente bom não tem preço, não tem, sequer, explicação! 
Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 04 de fevereiro de 2013.

Certezas

Certezas 

 O ser humano gosta de cultivar certezas como uma forma de sentir-se mais forte, mais sapiente. As certezas que as pessoas cultivam, de regra, afugentam seus medos. 
 Entretanto, quando, por algum motivo, as suas convicções são colocadas a prova, paira sobre elas uma forte sensação de insegurança. 
Quem, afinal, a gente se torna sem aquelas convicções que nos protegiam tal qual um cobertor do frio? Tornaremos-nos pessoas melhores sem elas? Ou, na verdade, continuaremos sendo errantes, porém com outras certezas? 
Creio que esta última possibilidade seja a real. Precisamos acreditar profundamente em algo, precisamos nos achar corretos para termos tranqüilidade. A gente não deixa de ter convicções, apenas adquirimos outras. 
O fato é que, seguidamente, as nossas certezas dificultam a nossa mudança ou, pelo menos, a nossa capacidade de reconhecer que precisamos mudar algo em nossa personalidade: estamos certos de que nosso pensar é correto, de que é, enfim, o melhor que podemos ter. 
Então vem a vida e mostra que devemos rever nossas certezas, nos mostrando que nem sempre os conceitos que temos das coisas e dos sentimentos é o que nos fará bem em todos os momentos. 
Resta-nos, portanto conservar a humildade para sermos felizes mudando nossas crenças na medida em que crescemos, sofremos e, enfim, aprendemos. 
As nossas convicções podem ser fortes e arraigadas em nossa alma, mas se não forem mutáveis poderão nos fazer extremamente infelizes. 
 Cláudia de Marchi 
Passo Fundo, 04 de fevereiro de 2013.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Aceitação II

Aceitação II 

Penso que amar é aceitar. Não concebo o amor sem a capacidade de aceitar ao outro de coração e alma. Seus defeitos, suas preferências, seu jeito, seus hábitos. 
 Quando existe vontade de mudar ao outro desconfio que inexista aceitação. E sem aceitação não vejo amor de verdade, vejo isto sim, uma paixão imersa em egoísmo e na vontade de que o outro seja uma copia fiel do que se é. Pelo fato, obviamente, de se achar mais sábio ou, em algum aspecto, melhor do que ele. 
O amor de verdade acentua a capacidade de o homem perdoar e aceitar quem ele ama. O amor não enternece apenas a alma, ela enternece a mente do amante. 
 Todavia, o amor não retira as faculdades mentais de ninguém. Aceitar não significa aprovar, tampouco admirar sempre o outro. A aceitação implica em tentar compreender, tentar entender a outra pessoa através do que se conhece dela, ou seja, experiências de vida, educação, decepções vividas. 
 Todo ser humano quer ser aceito, quer que o outro lhe compreenda e aceite sem querer mudá-lo. Se é verdade que as pessoas procuram amor, é fato que, mais do que isso, elas procuram aceitação. 
Enfim, amar não se coaduna com a vontade de tentar mudar o outro, menos ainda com a crença de que depois do (bom e velho) casamento a outra pessoa irá mudar. 
 As pessoas mudam quando elas vivenciam algo e aprendem com isso. De personalidade ninguém muda, porque o outro deseja ou tenta ensinar algo: seres humanos querem aceitação, não professores de virtudes. 
Amar é libertar, é compreender, e, principalmente, aceitar o outro sem afetar-se com o seu jeito, sem sentir-se triste ou mal. É, enfim, superar as diferenças sem impor os seus pensamentos, as suas vontades e expectativas. Para mim, amar implica em saber aceitar. 
 Cláudia de Marchi 
 Passo Fundo, 1º de fevereiro de 2013.