Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

terça-feira, 21 de junho de 2011

Superação

Superação
Eu não tenho muitas lições para ensinar com 29 anos de idade, todavia eu acho que sejam muitas experiências extasiantes e outras tristes, tendo em vista que eu jamais imaginei que eu fosse estar com a bagagem de vida que tenho com tal idade.
Todavia, de tanto sofrimento, de tanto esforço, de tanto amor, cá estou eu, viva, lutando e, porque não dizer, renascendo das cinzas, recomeçando do nada, porque de tudo o que fiz para melhorar, me dedicando à minha vida amorosa e conjugal, resultaram num “Nada” com “m” maiúsculo e ponto final.
De todas as pessoas que gostaram ou se interessaram por mim, nenhuma, ou seja, ninguém conseguiu me compreender, ninguém conseguiu me decifrar, o que me tornou uma “incógnita” mal estudada, por mais simples que eu seja. Hoje, ao menos, eu tento ser decifrada e compreendida, por quem, creio mereça a minha confiança.
Ninguém chora porque quer, ninguém sofre porque deseja. Eu sempre tentei fazer tudo dar certo, absolutamente tudo, para, quem sabe, chegar aquele dia em que a gente vai para o hospital, no mínimo 12 kg mais gorda, para dar a luz a um pequeno ser humano.
Mas tal idéia evaporou da minha mente quando, finalmente, constatei o fato de que as pessoas não mudam, por mais que digam (mintam?) que sim, elas apenas constroem outro prédio sob os mesmos pilares e normalmente o problema esta neles, logo, cedo ou tarde, o amor acaba ruindo de novo.
Ai, ai, talvez só Deus saiba, o quanto eu sofri! Tanta vida que abri mão e deixei no vácuo entre os 24 e os 29 anos. Tanta, mas tanta vida que nem eu mesma “dimensiono” tudo o que perdi, tudo que poderia ter sido diferente, mas não foi, nunca foi e nunca seria.
Tal pessoa não era a “pessoa certa”, eu sei que não era, mas era o sujeito pelo qual eu era apaixonada, pelo qual eu era capaz de fazer de tudo, pelo qual eu me doei tanto, para fazer dar certo, que terminei doente, psiquicamente enferma, carecendo de distancia, de uma nova cidade, de um novo Estado.
Dos meus males de saúde eu me curei, mas, e dos da alma, o que aconteceu com eles? Nada, apenas se transmutaram em um pouco de sabedoria, ou melhor, de aprendizado. O vazio continua lá, num vácuo de gestos errados e solidão. Muita solidão. Meu Deus! Será que alguém entende o que eu fiz e que deixei de lado por uma paixão doente? Só eu sei, sei que não valeu nada, mas sei que tenho tudo para um novo recomeço.
Ah, e o meu pai? Por favor, não me peça, porque metade dos erros cujo pano de fundo se denomina “carência”, e eu os cometi, se devem àquele senhor, que deixou da mulher que mais o amou e que abriu mão de sua vida, cujos erros eu quase repeti, para deixar sua existência terrena no vácuo entre o amor e a vontade de ser feliz e de acertar.
Todavia, apesar de tanta dor, não morremos, não nos perdemos, não nos entregamos a nenhum de nossos males, a nenhuma de nossas aflições, e agora, minha querida mamãe, estamos aqui: lutando, engolindo o amargo das lágrimas e do arrependimento, e fazendo tudo o que podemos para, desta vez, não errarmos, não arruinarmos nosso coração, tão puro, tão tolo, tão bobo!
Mas, apesar de todos os equívocos era, ou melhor, é, um coração destemido, um coração que ama e que jamais vai se entregar à dor, à amargura e ao medo de sofrer de novo. Tudo vai ser diferente, eu sei e você sabe, nossos anjos também: recomeçamos sem cometer os mesmos erros, ou, sequer, os “parecidos”. Afinal queríamos a felicidade plena, queríamos que tivesse dado certo, então “por que” e “para que” pensarmos no que já foi provado que eram equívocos, enganos e erros?
Vamos seguir adiante. Nova vida, novo relacionamento, novos ares, novo tempo, vesperança renovada, fé redistribuída, nada a temer, nada do que se intimidar, apenas muita coragem para renascermos e ressurgirmos altivas e imersas em sabedoria, conquistadas as custas da dor, que poucos sabem quão grave e triste foi
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 21 de junho de 2011.

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