Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Não é desamor querido, é amor próprio!

Não é desamor querido, é amor próprio!

As pessoas têm a infeliz mania de achar que nos afastamos delas, porque não gostamos delas. Vivenciei isso em divórcio e até no fim do que nem bem começou. Antes do gostar de alguém ou até mesmo ser apaixonado por alguém, existe uma espécie de amor eterno: o que nutrimos por nós mesmos.
E, sobretudo, existe uma espécie madura e em extinção de pessoa que, mesmo sofrendo com a "retirada", não esmorece, por saber que merece mais do que o outro pode ou quer lhe oferecer afetivamente. Eu pertenço a esta espécie.
Não digo "tchau" por desprezo ou desgosto, digo "tchau" por me amar. Engana-se quem pensa que o amor aceita tudo! A falta de amor próprio aceita tudo, o "interesseirismo", a carência e a dependência aceitam tudo. O amor só aceita o afim, o recíproco, o cuidado, a lealdade, a atenção e o bom trato.
Lamento toda vez que vejo homens e mulheres se contentarem com pouco. Homens carentes que se contentam com atenção e sexo de mulheres usurpadoras que estão mais interessadas em viver bem e às suas custas do que em qualquer outra coisa realmente “do coração”.
Ou mulheres que tem parceiros relapsos, pouco afetuosos, mas se contentam com esmolas da sua atenção e do seu carinho, apenas para não ficarem sozinhas. Digo, sozinhas perante a sociedade, porque mesmo acompanhadas, elas são solitárias.
Eu lamento, enfim, ver pessoas amando demais e se amando de menos, confiando demais e confiando de pouco a nada em si mesmas. As pessoas deveriam saber que dizer “eu não quero mais” para alguém não significa rejeitar suas características admiráveis, suas virtudes, seu lado bom.
Dizer “eu não quero isso pra mim”, nem sempre quer dizer “eu não gosto de você ou não quero você”, às vezes significa, simplesmente: “Eu quero bem demais a mim!”. Eu quero alguém que me trate do jeito que mereço, que me cuide e que me queira o mesmo bem que eu quero e, no momento, você não age desta forma! Simples.
Não é sem decepção, sem dor, sem lagrimas que você sai da vida de alguém por amar a si mesmo. As pessoas que não foram quem você merecia e desejava para si, de regra, fazem pouco caso do que você sentia. “Se fosse sincero o que ela sentia, não me deixava!”. Ledo engano, uma visão romantizada do amor que não existe mais!
Sabe por quê? Porque não existe amor, sem amor próprio e é impossível amar alguém sem se amar. Quando, porém, amamos e não temos do outro o afeto, o equilíbrio e a dedicação que lhe damos ou desejamos, sair da sua vida para que busquemos alguém que se afine conosco é uma questão de brio, de caráter e de respeito, não de desamor.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 19 de agosto de 2015. 

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