Sobre o verdadeiro pecado!

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"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

terça-feira, 15 de março de 2016

Forastieri, os shortinhos e o machismo.

Forastieri, os shortinhos e o machismo.

Li agorinha um print de uma frase escrita no Twitter em 05/02 pelo tal de André Forastieri que dizia o seguinte: “Só para avisar as colegiais: sim, shortinhos curtos distraem os meninos. De todas as idades”. Frase “magnifica”, “esplêndida” e “fabulosa”, não é mesmo? . Eu não comentei no meu blog ou redes sociais sobre a “polêmica” dos shortinhos gerada pelas corajosas e audaciosas estudantes porto-alegrenses, primeiro, porque estava dispersa com outros assuntos (é muita coisa ridícula acontecendo no Brasil atualmente, não dá pra se informar ou opinar sobre tudo, em especial se você também precisa advogar pra sobreviver!).
Em segundo lugar, porque a ideia de, em pleno 2016, num País tropical, quente pra cacete, ter que lutar pelo direito de usar short pra ir à aula, porque os meninos são educados desde bem cedo a não respeitarem as mulheres e a medir a sua “moralidade” pelo cumprimento de suas vestes, me parece meio assustador! Porto Alegre no versão é terrivelmente quente, praticamente uma sucursal do inferno.
Nós temos liberdade de expressão, liberdade de ir e vir e, obviamente, de vestir o que nos parece mais confortável para o momento, para a estação. Se isso atinge a libido masculina, então está na hora dos papais e das mamães ensinarem aos seus garotinhos (futuros machistas que usarão o fato de terem pênis como desculpa pra atrocidades e desrespeito contra as mulheres) que o fato de a menina estar com um short curto não lhe dá o direito de faltar-lhe com o respeito, porque ela é um ser humano como ele e merece respeito!
Ela não precisa “se dar” o que ela merece por ser gente, entendido? O tal do respeito! Vocês já ouviram falar de manifesto de homens ou meninos para poderem jogar futebol ou sei lá o que sem camisa, porque a mulherada não pode ver seus abdomens sarados e lhes avança? Essa desculpa “homens são visuais”, por exemplo, me anoja. Homens são criados e educados para usarem a aparência, roupas e postura feminina como desculpa para atos escrotos, só isso! “Visual” todos somos, todos temos olhos, hormônios, órgão sexual, libido e tato!
A questão é cultural, é cercear o direito das meninas de se vestirem como bem entendem para evitar que um machistinha se “passe” com ela. Por que, pois não educar decentemente seus filhos homens? Por que não deixar as meninas se vestirem como quiserem? Por que, enfim, não ensinar aos machos a controlar os próprios hormônios e órgão sexual desde cedo? O machismo, no fundo, pugna pela irracionalidade masculina, o machismo, na verdade, é o menosprezo da inteligência do homem e a demasiada imposição de limites às mulheres, afinal, eles não podem se “controlar”, eles são “visuais”.
Mães, as senhoras que reproduzem o machismo seguidamente por falta de cultura, ignorância e etc., por favor, vocês tem muita responsabilidade a partir do momento em que colocam um ser humano no mundo: eduquem seus filhos homens como seres racionais e não justifiquem sua imbecilidade pelo fato de ele ser machinho e ter um pintinho, porque ele tem cérebro e, acredite, ele é capaz de fazer maravilhas pra eles, como, por exemplo, focar na aula, no livro, na coxinha da cantina, no excesso de batata dentro do pacote de ar de Ruffles, nos olhos da coleguinha, no jogo de truco, no livro policial da moda ou sei lá no que ao invés de ficar olhando pras coxas e pra bunda das mina até ficarem com o pau duro! Parem de coisificar e objetificar as meninas, enquanto "vitimizam" os "seus" meninos!
Ah, e esse cara aí é um machista-tarado-irracional clássico que confundiu cérebro com escroto! Porque é isso que o machismo impõe a vocês gatinhos: irracionalidade, taradice e bestialidade. Jovens, acreditem, o cérebro de vocês funciona e deve ser usado, mas já está mais do que na hora de suas educadoras (mamães) pararem de agir como agiam nos tempos de Freud e cria-los plenamente livres por ter um falo e as meninas reprimidas por não tê-lo! Credo gente, é 2016! (2016! 2016! Nem acredito que escrevi isso!)
Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 15 de março de 2016.

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