Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quinta-feira, 3 de março de 2016

Os “fé” de mais.


Os “fé” de mais.

A pessoa escreve nos perfis das redes sociais que é, profissionalmente, isso e aquilo e que ama a Deus. Lindo! Mas a pessoa não cumprimenta aos colegas, menos ainda aos porteiros, serventes ou outros profissionais, a pessoa ignora quem não crê no mesmo deus do qual ela é amante, não olha nos olhos de quem não crê em Deus algum, insiste em prejudicar quem pensa dela diferente e se acha melhor que todo mundo!
Oh, criatura! Parabéns! Você ama a Deus, mas é uma merda de ser humano! Ou seja, nem sendo uma católica devota, uma religiosa, um ser humano com fervorosa fé que “jura” que compreende tudo da Bíblia e que ela é um livro imensamente “perfeito”, você tem um bom coração.
Obviamente e isso é um fato mais do que logico, mais do que elementar, mais do que óbvio: ninguém precisa de crença para ser bom. A bondade de uma pessoa se mede pela forma com que ela age com todo e qualquer ser humano sem esperar dele nada em troca. Ou melhor, “só deles” não, mas sem esperar do universo uma recompensa.
E qual é a recompensa que os crentes, que os religiosos e carolas tanto esperam? Ele, o sublime, o corruptor, o lindo suborno: o céu! Agir de forma decente por esperar uma recompensa após a morte não faz de ninguém justo ou bom, pelo contrário, demonstra plena ausência de compaixão e empatia genuína. Aquela que você sente pelo simples fato de conseguir se colocar no lugar do outro sem precisar “ganhar” nada em “troca”.
Agir de forma correta deriva unicamente da ética da reciprocidade que é anterior a Cristo: não fazer ao outro o que não espera que ele lhe faça. E nessa ética não existem “poréns” como “agir da melhor forma para ter um bom lugar no céu”, “agir de forma justa para não ir para o inferno”. Ela requer única e exclusivamente empatia e compaixão. E isso, acredite, não se adquire em templos ou através de orações. É da alma, do caráter, da moralidade, daquilo que há no homem independente do seu credo ou da sua fé.
Mas, como disse Platão: "tem gente que fede mais, tem gente que fé de menos". E pessoas como você só tem fé, mas não conhece a bondade! Pessoas como você foi religiosamente doutrinada, mas não tem uma alma boa. Acredite queridinha, não existe bondade alguma em ser uma pessoa arrogante, egoísta e que só estima quem pensa como você ou só trata de forma educada e aprazível quem é uma extensão de você ou tem algo de bom a lhe dar. Enfim, fé e religião você tem, bom caráter e bondade não! Mas, fique feliz, pelo menos você fede “mais” que os outros!

Cláudia de Marchi

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