Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

domingo, 20 de março de 2016

Minhas conjeturas de uma manha nublada de sábado em Sorriso.

Minhas conjeturas de uma manha nublada de sábado em Sorriso.

Eis que na nublada manhã de sábado de ontem me peguei usando/estudando o novo Código de Processo Civil para confeccionar duas ações: uma execução de contrato e outra declaratória de inexistência de débito tendo como defesa do próprio autor a exceção do contrato não cumprido. Enfim, meu cliente não cumpriu com o pacto, porque o réu não fez sua parte de acordo com o avençado.
Entre trabalho, música, afagos nos gatos eu pensava sobre minha situação econômica, inadimplência de algumas clientes, conta bancária, demissão injustificada e inesperada em pleno começo do semestre, (ou melhor, justificada, segundo os inúmeros alunos que chegam até mim, por eles terem excesso de simpatia para comigo), e, sei bem sei, o meu modo de ser não é (e espero que nunca seja!) suficientemente arrogante intelectualmente para ser uma professora no curso de Direito da UNIC de Sorriso, sobretudo com sua atual direção.
Também pensava nos meus relacionamentos amorosos, na sazonalidade da advocacia, na falta do meu salário de professora, no machismo do interior quanto à mulheres advogadas, no meu saldo bancário, nas injustiças do povo "cristão" que reza e vira a cara para o pedinte afrodescendente na rua, nas cantadas toscas que ouço de homem comprometido que vai à missa no domingo com a família e olha para o traseiro de qualquer uma que passa.
Pensava na minha dívida para com a Receita Federal, no quanto gasto com atualização, livros, periódicos, no quanto estudo, leio e me responsabilizo por problemas alheios homéricos e, dentre tantos pensamentos conclui que se eu tivesse virado puta, teria ganhado mais grana, teria tomado no "%#^*" de forma mais prazerosa e, quem sabe, convivido menos com seus filhos, sempre tão arrogantes, egocêntricos e medíocres!
Sim, eu falei sério e foi uma conclusão séria! Fato é que nos últimos dias eu tenho me sentido triste, não deprimida, apenas decepcionada, psicologicamente cansada da raça humana. Aprendi, no entanto, que em momentos assim você não deve querer se “curar”. Você não está deprimido clinicamente, você só está triste.
A sua saúde está boa, você é que não está bem. Permita-se a solidão, a companhia de poucos e bons, permita-se formular estratégias de mudança, permita-se o sono, aceite até a insônia, a falta de apetite, o excesso de fome, permita-se mudar, permita-se chorar e não conviva com quem requer que você use máscaras.
Fuja de gente que irá se contentar com seu desânimo, porque além de ser permanentemente infeliz, é maldosa e tosca. Você é feliz, você só está triste, compreende? É um momento, uma fase, uma má ocasião! Fases ruins passam, mas passá-las e enfrenta-las com dignidade e brio, só depende de você!
Ah, e não se esqueça: são nos momentos de tristeza que conseguimos, em nós mesmos, o impulso necessário para revolucionarmos a nossa vida, são nos momentos de tristeza que descobrimos quão fortes e quão nobres somos: fortes por, através da paciência, conseguirmos superar a dor, nobres por não termos sido nós, o espírito de porco que cometeu uma injustiça frente a alguém. E, entre tudo, ainda penso que a prostituição é uma opção! (Risos...).

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