Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

domingo, 24 de abril de 2011

Noite: mais um susto!

Noite: mais um susto!




Embora eu ame dançar e ouvir música, bem como as minhas duas amigas advogadas e parceiras, quando eu saio (de pouco a nada) na night fico bastante assustada, e costumo regressar mais apavorada ainda! Enjoada das mesmas pessoas e estilo mente-oca de boa parte delas, fomos eu e uma amiga querida e auto-respeitável para uma casa noturna bem conceituada noutra cidade.
De repente fomos para um camarote de um amigo dela, tudo bem, com exceção do que a vista geral do lugar me fez ver, inclusive dentro dele. Sei que existem mulheres interesseiras, conheço muitas, mas ver mulher se vender por vodka com suco é o tal do final de carreira. Das miseráveis, claro.
Lógico que para os homens que, graças as “piriguetes” começaram a achar que todas são como elas, é uma economia ótima. Sexo de graças, vodka mais barata do que nas casas de meretrício, e mulheres agindo como meretrizes, bêbadas, se agarrando no nanico gordinho, no esquálido, no fofão, nossa, ou elas têm muito amor para dar, ou não têm o mínimo apreço por si mesmas.
O incrível disso tudo é o anseio que elas têm por amor, atenção, respeito, e, claro, casar com um iludido abonado, etc. Moças! Moramos no interior, algumas mulheres daqui para conseguir casar tem que achar um paulistano, carioca, mineiro, baiano, porque por mais que os homens neguem, existe sim o preconceito.
Não me refiro a machismo, mas a preconceito, porque sou daquelas que tenho nojo de homem galinha que não valoriza o órgão que possui, tais quais as moçoilas que se agarram nos donos de camarote com seus micro vestidos, crentes que são elegantes. É, nessa hora eu penso que o cara tem que ser muito preguiçoso para ir em zona, ora, por que? Vodka é o ingresso, depois é só levar o prêmio.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 24 de abril de 2011.

domingo, 17 de abril de 2011

"Vinte e muitos anos"

“Vinte e muitos anos”.

Como é bom superar os “vinte e poucos anos”, para chegar aos “vinte e muitos “. Muito amor dado, muito recebido, muitos risos, muitas realizações, muitas perdas, muitos desgostos, muitas frustrações, muita felicidade, muitos sorrisos, muito aprendizado, você esta prestes a renascer aos 30 anos, e isso é muito bom! Creio que estar perto dos 30 anos me fez valorizar cada segundo de vida que tive: eu já não me importo com o tanto que sofri, já não me arrependo das minhas batalhas, lutadas com afinco mesmo na iminência da derrota, que também não me importa mais, da mesma forma já não me envaideço com minhas vitórias. O jogo da vida gira muito rápido para termos sentimentos fúteis como orgulho, egoísmo, pais do narcisismo. Hoje eu sou eu, e adoro isso! A beleza, o fogo, o entusiasmo, os sonhos, as metas, as expectativas, são mais aprimoradas do que a dos “vinte e poucos”. Eu era tão escultural com tal idade, tão cabeluda, tão tola, tão cheia de convicções, que a vida me ensinou, era uma mala de ilusões. A vida me ensinou que o tempo aprimora a alma, e que ela reflete nos olhos de quem nos vê e nos espelhos que nos enxergamos. Nos “quase trinta”, você se olha no espelho e vê uma mulher com uma vida a gerir: a sua. Você olha o seu sorriso e ele parece ser mais charmoso, mais “sacana”, você esta muito mais sensual do que na época que tinha tempo para malhar 3 horas por dia. Hoje a sua mente, a sua postura, a sua auto-estima e amor próprio é que estão fortes, quase inabaláveis. Aos quase trinta você já viveu um amor verdadeiro, ou mais que um. Aos quase trinta você já fez de tudo por um amor, você perdeu o temor, você tolerou tudo o que podia de alguém por amá-lo e, nunca deixou de perdoar. Você perdoou e foi feliz, mas, o que você não sabia aos “vinte e poucos “ e descobre aos “vinte e muitos” é que de nada adianta perdoar sem esquecer. Mas Deus não dá amnésia para quem Lhe pede, infelizmente. “Aos vinte e muitos” você vê a vida de outra forma, você tende a parar de achar que as pessoas podem ser objetos, você passa a respeitar mais a si mesmo e aos outros. Você cresceu e só quer grandiosidade, relações banais, sem sentimento, não lhe servem para nada e são substituídas divinamente por uma taça (ou uma garrafa) de um bom vinho e um banho quente. Aos quase trinta, você já superou seus medos e traumas, e quer se apaixonar, amar, ou, apenas, ficar só, então, para que perder tempo? Afinal, você não tem mais “vinte e poucos anos”.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 17 de abril de 2011.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Esquizofrenia contragiosa e psicopatia dos abastados.

Esquizofrenia contagiosa e psicopatia dos abastados.

Eis que o povo brasileiro experimenta uma grande comoção com a tragédia ocorrida em Realengo, ao mesmo tempo em que a mídia sensacionalista parece vibrar, pois, ao fazer extenuantes comparações com casos americanos de tragédias assemelhadas, dentre tudo o que realmente afirma, parece ficar subentendido o seguinte: “nós brasileiros também temos um jovem psicopata terrorista”. Mas, um instante, psicopata, não, ele é brasileiro, pobre, ele é esquizofrênico não tratado! Tudo bem que o menino Wellington, nascido de mãe doente mental, criado por familiar pobre, que tinha 5 filhos para educar, não teve um “berço esplêndido”, mas nada do que sofreu na infância ou na escola justifica seus atos atrozes. Ele carregava consigo uma frieza indecorosa diante da dor, uma falta de empatia extrema perante os sentimentos humanos. Ah, ele era esquizofrênico? Talvez, embora, em minha radical, porém modesta opinião pense que lhe diagnosticaram assim mais pela forma modesta em que vivia, porque ele era bem organizado, não tinha sentimentos de culpa, era astuto, nas cartas que escreveu tentou atribuir a responsabilidade pelos seus atos a outrem, às vítimas, se “vitimizando”, ou seja, características, de sociopatas. Mas, sendo baixa renda, sendo pobre, mais fácil é chamá-lo de esquizofrênico. Os nossos “transtornados concorrentes”, os americanos, de regra, são qualificados como psicopatas. País de primeiro mundo, vocês sabem como é, “elegante” até nos “CIDs”. Esquizofrênico é, na realidade o governo de certos estados americanos que permite que alunos e professores usem armas para evitar eventuais ataques terroristas e trágicos: a partir do momento em que o anseio pela auto defesa toma tais proporções significa que a doença foi introjetada pela coletividade, não sendo mais demérito de um ou outro doente mal intencionado. É o caos tomando conta, meus caros, é a doença gerindo as mentes até dos que se intitulam sãos e “normais”. Longe de mim!

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 11 de abril de 2011.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Eu, o Direito e os advogados pilantras.

Eu, o Direito e os advogados pilantras.

Meu casamento com o Direito esta em crise, em profunda crise, nada ligado à lei, nada ligado as minhas ações, nada ligado aos magistrados, à leniência do Judiciário, nem ao coleguismo dos poucos e bons colegas, mas, isto sim, a desonestidade de alguns, que queima o nome de muitos e causa certa dor no meu sofrido coração. Espanta-me saber que são os poucos e desonestos que fazem fama, que desfilam carros importados por ai, que arrojam seus ternos importados em sofás caríssimos localizados no interior de casas e apartamentos de alto valor. São esses que fazem a maioria virar tema de uma boa série de piadinhas “semi-cômicas”. Desonestidade existe em muitas classes, mas apenas os advogados estão ao lado da lei e devem estar ao lado das pessoas que lhes procuram, de quem, enfim nada, ou muito pouco, sabe acerca do Direito. Podem ser professores, médicos, profissionais liberais, quem bate a porta de um advogado, busca uma informação jurídica que desconhece, busca “socorro” frente a um problema jurídico, às vezes de suma relevância em sua vida. Como diria Francesco Carnelutti, o advogado é aquele que é chamado a socorrer (“Advocatus, vocatus ad”), tal qual o médico, o enfermeiro, mas apelas à ele é dado este nome, não admito, pois, que aquele que é chamado a socorrer o homem frente a injustiça, à levar a boa face da lei para a solução de problemas, logre seus clientes sacando alvarás ou, de qualquer forma, afira lucro indevido em processos as expensas de quem lhe contrata, isso, para mim, é furto qualificado. Amargue, nos períodos de dificuldade, meu caro colega, uma depressão, faça um empréstimo bancário, venda o carro caro, mas nunca, nunca logre quem lhe deu confiança, nunca se aproveite de quem lhe outorga procuração e esperança. E assim eu sigo nesta briga com o Direito que, de um lado me surpreende com a justiça de processos vindouros, e de outro lado me frustra com a calhordice dos colegas que, sequer tem vergonha dos jogos sujos que fazem, e sequer se recordam da bondade e da caridade que deixaram na classe da Faculdade de Direito quando venderam a alma diante de sua ganância e orgulho, diante da vontade de ser mais do que os outros, crentes que ter mais, é ser “mais” e ser “melhor”. Ficou no esquecimento destes doutos colegas, que bom mesmo é ser honesto e ter paz de espírito para poder olhar os clientes sempre nos olhos, sem titubear e sem precisar de uma secretária astuta para “contornar” situações amargas e embaraçosas.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 11 de abril de 2011.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Lamento informar.

Lamento informar.

Quem são essas pessoas que julgam você? Quem são esses senhores cheios de malícia e maldade que usam você como espelho a refletir apenas o que eles são? E, ainda assim, é de você que falam mal? As pessoas julgam umas as outras de acordo com o que elas são e de acordo com o que elas possuem dentro de si, não por menos, a maioria vive a falar mal dos outros, criticando, tripudiando, malbaratando os sentimentos de quem desconhece e nada sabe. Eu me assusto com o ser humano racional, aos poucos me parece que os animais são mais puros, mais valiosos, melhores, seu amor é mais genuíno, não esperam nada em troca, não esperam vantagem no carinho que dão, no olhar terno que devotam ao dono, na lealdade e na cumplicidade que criam com quem lhes cuidam com zelo. Entre os homens parece que há interesses circundando tudo, se “escolhe” um “amigo” por alguns “predicados” encontrados no “eleito”, se “escolhe” amores por algum “interesse”, há de se “ter” algum “lucro”, alguém que “acrescente” algo, e, pelo que vejo, este “acrescentar”, não precisa ter caráter afetivo ou afetuoso, nada no sentido de, carinho, atenção, ombro, abraço, ouvido, mão, confiança, esperança, força, palavras ternas, tem que ser apenas “status” e “boas referência” social. É: não adianta, o mundo acabou, mas esqueceram de lhe avisar meu amigo, lamento por você, lamento por mim. Vamos comer bem, beber o que gostamos e dormir tranqüilos, cedo ou tarde a morte virá nos avisar sobre o que já aconteceu, mas ainda não temos plena convicção, ou seja, a vida neste planeta, plena de amor, respeito e carinho, não existe mais há muito tempo: aceite e reze.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 09 de abril de 2011.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Conto de amor trágico

Conto de amor trágico

Era uma vez um casal que se conheceu de uma forma inusitada. Ele, um homem da noite, acostumado com farras, muitas mulheres e bebedeiras, ela, uma moça estudiosa, bela, mas pouco afeta a festas e ao conhecimento do sexo oposto, uma moça que não era nada do que sua aparência voluptuosa podia aparentar que ela fosse, assim como ele, não era nada do que seu jeito interiorano poderia significar que ele fosse. Em dois dias eles se apaixonaram. Logo veio o sexo e eles se apaixonaram mais ainda, mas eles já estavam namorando, a confiança era, aparentemente, grande. Ela pensava que era, ela era tola demais. Mas eles moravam longe. Surgiram ciúmes, ela chamava a atenção por onde andava, ele bebia demais, tinha transtornos de humor e, para consertar a relação doente, os dois imaturos e apaixonados foram morar juntos. Ela estava encantada porque, em meio a solidão que sentia pelo abandono do pai que se separou de sua mãe e pouca atenção lhe dava, em meio as grandes cobranças maternas, o seu namorado que nada lhe cobrava- até então- apesar de viver de excessos, lhe fazia sentir-se livre de cobranças e respeitada: não lhe exigia que fosse sobre-humana, porque ele sabia que era fraco, só ela que não via o quanto. A moça, jovem, apaixonada, com míseros 24 aninhos, foi morar com o homem de 40 anos logo após uma briga, onde ele pensava que ela havia conhecido outro. Ele sentia ódio e amor, graças a sua imaginação, claro. Ele só não queria perde-la, isso nunca, jamais. Então, em menos de 11 meses de namoro, o casal iniciou uma união estável. Ele dizia que amava, ele tentava dar o seu melhor. Num dia eram flores, noutro cacos de vidro, noutro pedras, noutro facas. Ele mudava de humor demais, ele queria se vingar dela porque ela fez ele amá-la, ela, sem querer, fez ele se sentir vulnerável, e ele nunca gostou de perder, ou de sentir medo de perder alguma coisa, e, por ter tal medo, ele colocou o casamento não legalizado rio abaixo. Em oito meses, a jovem irada, mas, ainda, apaixonada, desistiu. A moça trabalhava, era sócia num escritório, sozinha, sem irmãos, sem ninguém para ajudá-la, moralmente ofendida, agredida intimamente, deixou tal homem que fez com ela tudo o que não podia: desistir de amá-lo. Mas ela nunca aceitou desistir de alguma coisa, a moça também não gostava de perder, todavia ela sempre soube que o tinha, ela sabia, mas ela o deixou e foi viver. Noites chorando, dias empurrados, alma rasgada. Mas, naquele momento ela o via como um sujeito que lhe maltratava e lhe fazia acreditar que ela é quem estava errada, não ele. O homem era para ela, naquele momento, uma máquina de enlouquecer pessoas. Mal sabia ela que, não era, apenas, “naquele momento”. Ela estava se tratando, tomando remédios para ansiedade, insônia e para síndrome do pânico, porque ele passou com uma camionete em frente ao seu prédio acelerando durante certa noite e chamou seu nome, a moça já extenuada, passou a ter medo de dormir, então, não comia, não relaxava mais. O psiquiatra disse que seu companheiro era um psicopata, mas mesmo sabendo disso, algo dentro dela não saia, ela ainda acreditava que ele não podia tê-la enganado tanto! Ela que era tão inteligente, que tinha lido tantos livros! Num belo dia, inesperadamente, ela conheceu um príncipe, um lord apaixonante. Quando ela menos esperava surgiu em sua vida uma pessoa extraordinária e encantadora. Todavia, no outro dia, ela ia veranear. Para sua surpresa, o príncipe foi atrás dela e a encontrou na cidade em que estava, lhe ligou, e alugou um lindo apartamento no prédio em que a mocinha estava com a família. Paixão. Ela se apaixonou, ele também. Mas, dias e dias após, voltarem do melhor verão que até então aquela jovem havia passado, aquele rapaz que lhe judiou voltou a importuná-la, e ela enlouqueceu, ela não sabia o que fazer, novamente, ela se perdeu. O moço queria casar, e a moça, tola, muito tola, ainda sonhava em usar uma aliança, e brava, muito brava com seu novo amor que lhe fazia ciúmes e lhe deixava insegura, inopinadamente, aceitou. Ela, numa decisão da qual, não desconfiava, ia amargar arrependimento todos os dias de sua vida, aceitou e desistiu de sua nova paixão para não se arriscar, e casou. Os primeiros dois meses de seu casamento foram ótimos e ela acreditou que seu amado havia mudado, mas no terceiro mês, ela já foi surpreendida com agressões verbais, reclamações ininterruptas, perguntas ofensivas, afinal o seu marido sabia que lhe tirou dos braços de outro, mas descumpriu a promessa de não tocar no assunto, lhe desrespeitando, como sempre. Até que ela se acidentou, mas não morreu, e lastimou tal fato por muito tempo. Ela pensava, “Deus, eu que fiz tanta gente sofrer, que estou sofrendo tanto, porque o Senhor não me levou, será que terei que sofrer mais?”. Ela espera a resposta, nunca obteve. A família do príncipe também sofreu, todos gostaram muito da jovem, e sua mãe faleceu logo em seguida ao rompimento, o rapaz, portanto, sofreu muito, sua mãe fazia lasanhas deliciosas que a jovem adorava, e, antes de partir, a senhora havia feito várias para ambos comerem juntos. Mas a moça covarde se evadiu, e disso se arrependeu todos os dias de sua vida um tanto desgraçada por sua má escolha. Após tal o acidente ela passou a conviver todos os dias com seu amado, assim como sua mãe, que se mudou de cidade para protegê-la do genro e de suas ofensas, afinal, inúmeras foram as ligações telefônicas da filha aos prantos pedindo ajuda para ela. De nada adiantou, pobre mão, pobre mulher, sofreu pela filha. Filha insana, filha que amargou tanto arrependimento, que, em cada grito que ouvia do marido, era como um tapa que ouvia por ter abandonado quem realmente gostava dela e lhe respeitava. Ela agüentava porque achava que estava purgando a culpa por ter abandonado o príncipe. Coração, maldito coração. Covardia, maldita covardia. A moça emagreceu 10 kg de tanto sofrer insultos, de tanto ser pressionada a ser boa na gestão dos negócios do marido. Ele nem reparou na perda de peso da miserável, que, oito meses após o casamento civil saiu de casa, perdida, vagando, sem saber de nada do que estava ocorrendo ao seu redor, todavia, ela saiu munida pela ira, pela raiva e dor da frustração. Ao completar doze meses da data do infeliz casamento, ela, cuja família levou para outro Estado, tamanha a situação de fraqueza emocional que estava, assinou em apartado do marido, a separação judicial porque ela se dispôs a assumir uma divida dele. Cinco meses após, ela estava noutro estado, sozinha, sem ter conhecido ninguém, sem ter ficado com ninguém, e reencontra o homem novamente e suas promessas, seu pedido de ajuda, porque estava usando drogas, porque só pararia com sua ajuda, do contrário se arruinaria, se mataria. Internet, um bem ou um mal no destino? Não se sabe, foi graças a ela que este casal se conheceu, e se reencontrou neste caso. A moça que outrora queria ter filhos sentiu-se como mãe do seu eterno amor, e, acredite, ela cedeu! De novo! Abaixo de chuva, deixou sua mãe, seus animais de estimação, sua linda casa, sua paz, e foi ao encontro dele. Levou duas malas, e lá ficou 5 meses lhe ajudando, recuperando crédito, lhe defendendo com seu trabalho, com seu amor, com sua garra, com sua força, com sua total ausência de medo, e sendo, desta vez, bem cuidada, bem amada, mas, de repente ela percebeu que algo não podia estar bem. Não estava, jamais poderia estar. Foi muito tempo, muito amor desperdiçado, muito tempo que poderia te sido bem utilizado para o bem viver, foram muitas palavras ofensivas, e ela não conseguia apagar da sua memória, por mais que perdoasse, ainda que amasse. Ele queria ter filhos, ele tinha planos, ele tomava muitos calmantes, muitos remédios, passava noites em claro, ela queria estudar, para ela, ele parecia drogado ou insano. E de repente, ela viu que ele não serviria para pai de seus filhos, de repente, ela viu que ele era aquele que lhe feriu desde o início, que lhe levou tantos sonhos, que lhe fez chorar até adormecer tantas noites, que lhe fez se arrepender de estar viva, de estar respirando, era ele, por mais que usasse outra fantasia, era o mesmo homem, e ela jamais poderia esquecer, Ele foi aquele que gritou com ela, ele foi aquele que humilhou sua mãe, que lhe escarneceu em público, que um dia lhe empurrou ao chão, lhe agredindo fisicamente, que lhe culpou por coisas tolas, que lhe desrespeitou, ele foi aquele que, quando ela mais lhe amava e queria ter filhos, fazia de conta que não ligava para ela e sua presença de companheira e esposa “não oficial”. E assim, numa bela tarde de dezembro, calma e serena, sem derramar uma lágrima ela disse: “agora, infelizmente, quem não quer mais sou eu, a vida, meu caro, é engraçada, mas agora, o meu amor morreu, e eu vou, para não voltar mais. O nosso tempo já passou, e quando era a nossa hora tudo era mais importante do que eu, o futebol, a televisão, a cerveja, os amigos, as jantas, o trabalho, as más influências, menos eu”. Desta vez ela não saiu com raiva, nem com dor, ela saiu sentindo carinho, piedade, respeito, não ódio, ela deu o seu melhor, mas algumas lembranças são insuperáveis, são mais fortes do que qualquer sentimento, e ela se entregou a esta realidade e, serena, foi viver sem o seu companheiro de quatro anos de vida, de loucuras e de paixão ardente. Ele que, enquanto estava ao lado da jovem nos últimos tempos, lhe mimava e cuidava, voltou para a esbórnia, para a vida desregrada ao extremo, para a promiscuidade, sem, nunca, porém, esquecer as palavras que ela lhe disse: “não lhe amo, não lhe admiro mais, passou nosso tempo”. Ele nunca se lembrou, claro, de tudo o que ela ouviu dele desde que o conheceu, durante os meses de casamento não oficial, durante os meses de casamento legal, ele não se lembra do que fala, do que faz para ferir, ele faz questão, porém de não esquecer do que ouve, para ser sempre a vítima dos atos alheios, mesmo que os outros tenham feito de tudo por ele, e, graças a sua ingratidão infeliz, ele, que podia, nunca conseguiu prosperar realmente. O que é triste, muito triste. Precisar de culpados para tudo é doentio, é frustrante. Sabe-se pouco dessa moça, alguns dizem que ela se perdeu por ai, que esta trabalhando, outros dizem que esta trancada num quarto e não quer ver o sol, alguns dizem que ela saia bastante, mas de repente sumiu, uns dizem que ela enlouqueceu porque não conseguiu se perdoar por ter deixado aquele rapaz que Deus colocou em seu caminho e ter decepcionado sua família, outros dizem que ela enlouqueceu, simplesmente porque sente raiva de si mesma por ter abdicado tanto de sua vida por amar uma pessoa narcisista, por ter magoado sua mãe e todos que a amavam de verdade, dizem que ela enlouqueceu de arrependimento por ter confiado tantas vezes em quem já havia lhe ferido, outros dizem que ela esta bem, que ela se casou com outro e se mudou de cidade e de Estado. Alguns dizem que ele usa drogas, que sempre usou, outros dizem que ele é apenas alcoólatra e ambicioso, alguns dizem que ele ainda a ama, outros, que nunca a amou, que sempre quis exibi-la como troféu e usar de sua bondade e boa vontade para ajudá-lo, outros dizem que ela foi seu único amor e que ele nunca se sentiu bom o suficiente para ela, quando tentou sê-lo, ela desistiu, de tanto mal que ele já havia lhe feito, então, ele que enlouqueceu. Eu não sei de nada, apenas acho que quem sabe da história são os personagens e, ainda assim, cada um tem sua versão da verdade. Uma certeza, apenas, eu tenho: essa miserável tinha tudo, realmente, para enlouquecer, se ela não surtou é porque a mulher é forte, muito forte. Cláudia de Marchi Passo Fundo, 07 de abril de 2011.

Maturidade

Maturidade

A cada aniversário que se aproxima, a cada ano que passa chego a convicção de que, o que sempre me faltou, foi o que eu achava que tinha e, por achar que possuía, fui displicente e me enredei na teia de minha própria ignorância arrogante, maturidade: dela eu carecia, nela eu confiava. Os filhos únicos, e todos que desde crianças são exigidos em demasia pelos pais, são cobrados demais e educados em meio a maioria de indivíduos adultos, tendem a crer que amadurecem mais cedo, talvez eles se tornem mais “sérios”, mas maturidade, real e verdadeira, não são todos que possuem, a maioria se ilude que tem. É com o sofrimento, é no dia a dia, é nas pequenas e nas grandes decepções emocionais, com amigos, conhecidos, amores, em relações profundas ou apenas superficiais que angariamos fundos para os cofres de nossa maturidade, esta sim, verdadeira e real, porque experimentada, vivida, e não ilusória, nem fruto de mente que parece crer que ela se transmite por “osmose”. Ademais, maturidade se relaciona com sabedoria, e o homem nunca é sábio demais, aquele que crê ter atingido alto grau de sabedoria, é porque precisa rever todos seus conceitos e recomeçar a aprender, porque seu aprendizado de nada serviu. Ninguém, nunca, sabe o suficiente sobre assunto algum, logo, nenhum homem será suficientemente maduro para se convencer de tal fato.

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 07 de abril de 2011.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Morto vivo

Morto vivo

Às vezes, por motivos variados a gente pode se sentir morto em vida. A gente caminha, mas não sente os pés, as pernas, e nem os braços a balançar, a gente não sente nada, nem mesmo o coração a bater. A gente olha, mas não vê, a gente enxerga as coisas, mas não capta a beleza, o encanto, a gente come, mas não sente o gosto, a gente bebe, e o sabor do melhor manjar, desce amargo. Este é o estado do que sofre, do que esta vivenciando um inferno interior. “Reaja, você tem que reagir”, todos dizem isso para o infeliz que esta em sofrimento. “Olhe para os lados, saia de casa, abra as janelas!” -, ele sabe disso, ele sabe. Mas ele se sente fraco, ele sente dor, ele sente arrependimento, ele se sente indigno de viver, indigno, simplesmente indigno de ter tido tantas oportunidades de recomeço e ter rechaçado todas, ter voltado sempre para os mesmos braços, para a mesma guerra, para fazer mais feridas, para se machucar ainda mais. E hoje, ele sofre de arrependimento, de raiva de si mesmo, hoje ele queria poder voltar atrás e fazer tudo correta e racionalmente, hoje ele queria ter a mesma coragem que teve para voltar para os campos de batalhas onde se feriu mais de uma vez e, finalmente se perdoar, finalmente superar o arrependimento que lhe corta o ar a cada suspirar.

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 06 de abril de 2011.

domingo, 3 de abril de 2011

Amor, ofensas, perdão e boa memória.

Amor, ofensas, perdão e boa memória.

Se um dia você sentir seu coração bater mais forte por alguém, se um dia, quando você for deixar essa pessoa em casa e, após beijá-la, uma dor invadir seu peito, como se fosse uma espécie de saudade ou medo de perdê-la, se um dia, você imaginar este alguém de braços dados com outro e sentir o estômago enjoar, pense bem, é o amor apontando em sua alma. E quando isso tudo ocorrer, fique atento, cuide de suas atitudes, evite qualquer ato para a qual precise pedir “desculpas” ou “perdão”, depois. Não conte nunca com o falso paradigma de que “o amor perdoa tudo”, porque existe outra forma forte e valiosa de amor, uma forma que só os sábios conhecem: o amor próprio. Evite ser rude com quem você ama, nunca humilhe quem ama você, não pise em quem tenta de tudo fazer para ajudá-lo, não malbarate os sentimentos de que quem se desdobra para lhe auxiliar, lhe fazer feliz, lhe facilitar a vida, lhe dar afeto, carinho e amor. Nunca, nunca, meu caro, machuque o coração de quem lhe ama, você não sabe até que ponto ele pode perdoar, e nem até que ponto ele pode esquecer sem voltar a recordar-se. Sim, porque perdão e esquecimento andam lado a lado, não basta para um coração perdoar, é preciso que o cérebro tenha pouca memória, do contrário, as lembranças virão à tona, cedo ou tarde, e farão aquele que perdoou reviver a dor, se maltratar, e enlouquecer por dentro, de forma que, nem sempre por total “falta de amor”, mas por amor próprio, ele cansará, e irá desistir. Não é simples, mas é humano, muito humano e, portanto, complexo.

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 04 de abril de 2011.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Estranheza de separada.

Estranheza de separada Não se trata de amor, não se trata de ódio, não se trata de paixão. Não se trata de nada óbvio, de nada que você possa denominar sem sentir, é tudo muito pessoal e introspectivo para ser definido. Não é, sequer, um misto dos sentimentos acima. É um bolo cuja base é a frustração, cujos componentes fundamentais são os sonhos abruptamente extintos, são os planos cortados, e, o ingrediente especial não é sentimento, é a agridoce rotina. Rotina que se extingue. Demora a passar a estranheza. Custa a gente se acostumar a ser solteiro, na verdade eu acho que algumas pessoas não nasceram para esta vida. E eu sou uma delas. Tem gente que gosta da companhia do sexo oposto de uma forma bem avantajada, não sei porque, mas tem. Talvez por hábito, costume. Depois que me separei não sei o que é acordar antes do meio dia num sábado. Se possível acho um barbitúrico para fomentar emendar com a tarde, quanto menos tempo acordada, melhor. Assistir filme, com quem? Ir comer em churrascaria, quem vai me servir com zelo? Namorar ouvindo música, de que jeito? Banheira, com quem? Deitar e rolar, beber, passear, com quem? E, principalmente, beijar e confiar, em quem? Sem chance, não rola, melhor dormir. À noite tudo é mais fácil, a gente vai para um boteco, conversa e da risada comportadamente. Claro, que o álcool e o resto do efeito dos barbitúricos podem resultar em um efeito amnésico perigoso, mas aliviam a estranheza. À noite a gente que devia estranhar ainda mais, acha dois “elixires”: se apega ao copo e a música. É. Sempre foi assim. Tem sido assim. E não é por amor, nem por paixão, não é por gostar, nenhum pouco por isso, é apenas uma fase do luto, da vivência do término e do “susto” que todos têm diante de uma nova etapa na vida. Mas vai passar, independente de um novo amor, vai passar. Há de passar. Cáudia de Marchi Passo Fundo, 02 de abril de 2011.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Intensidade e sentimentos.

Intensidade e sentimentos


Sou incapaz de negar meus sentimentos, minhas características, dentre as quais, a principal, a intensidade. Eu só sei viver e agir com intensidade, se for para ser superficial, eu desisto, se for loucura pouca, para mim, é bobagem, não vale a pena. Sou intensa na alegria, no riso, no sorriso, na lealdade, na paixão, no amor, na excitação, na energia, nas vontades, no ânimo, nos sonhos, na busca, mas também sou intensa na ira, no desprezo, no desdém, no repúdio, na tristeza, na depressão, em todos os sentimentos, dos mais nobres aos mais vis, eu não temo senti-los desde que, ao fim, eu os supere. Apesar de ser feliz, às vezes a dor me importuna, já passei por muitas, como, por exemplo, a da separação. Aquele sentimento terrível de cama vazia, coração despedaçado, vida usurpada, sonhos extintos, tempo desperdiçado, alma desconsertada, desvalorização e tristeza. Muita tristeza. Em momentos como este, que eu já passei, (logo, posso aconselhar): apenas sofra, não mascare a dor. Nenhuma garrafa de vodka, nem o melhor vinho, a melhor espumante, o melhor psicotrópico, o melhor chocolate e a bolsa Victor Hugo mais chique e linda lhe recomporão o coração. Acredite: em horas você estará chorando aos prantos na beira da privada regurgitando a bebidinha cara que tomou e tendo vontade de transformar o belo jacquard da bolsa nova em lenço. Qual o remédio, pois, para a tristeza da separação, para a dor da perda? O tempo e a fé, de que algo melhor há de ocorrer, qual o antídoto? No meu caso, de pessoa demasiado intensa, nenhum. Para as pessoas normais, talvez sirva de conselho o seguinte: tema mais, se resguarde. Lamentavelmente tal conselho não me serve, não se coaduna com a pessoa que sou. Mas, um dia, quem sabe, eu me torne menos intensa nos meus laços.

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 31 de março de 2011.

Encante-me.

Encante-me 

Encanto, encanto meu, surja do nada, surja sem explicação e, simplesmente, me cative, me encante, me tome como tua, porque nos nossos melhores momentos, é tua que quero ser! Mas não tenha pressa, não seja como todos, não seja comum, por favor, me encante, me deixe a vontade. Encante-me com tuas certezas, com tuas vontades implícitas, com teu silêncio mais explícito que os melhores discursos, com seu toque mais forte do que o mais apertado dos abraços, me encante com tua boca que não precisa expressar-se demais para, apenas, me encantar! Eu quero o encanto do brilho dos teus olhos, da tua vida isenta de mágoas, de traumas amorosos, de dores e inconvenientes, não superados, do passado. Encante-me com a pureza da tua vida, ainda que dura, mas uma vida limpa, transparente, batalhada. Não quero mais saber de gente com passado dolorido, de histórias de vidas traumáticas e pesadas, que me dão a responsabilidade de ser isenta de erros, quero uma paixão livre, entre iguais: passados sofridos, mas não presentes em nossos corações. Encante-me assim, sendo você, autêntico, espontâneo, entregue, amável, amante, doce, confiante, bondoso, puro. Encante-me sendo assim, ou não me encante, simplesmente siga a vida como sempre seguiu, sem mim. É uma questão de escolha, e eu nunca opto pelo sofrimento, nunca mais, ao menos. 
Cáudia de Marchi 
Passo Fundo, 31 de março de 2011.

terça-feira, 29 de março de 2011

Grotescos

Grotescos

Quando você acha que já viu ou ouviu tudo a respeito da indecorosidade humana, você ouve ou lê alguma barbaridade tão grande que lhe deixa boquiaberto e lhe dá a certeza de que, semelhante, atrai semelhante e com eles permanecem. Ser amigo do “garanhão” ou da moçoila que fica com todos não é defeito. Porque não importa com quantas o cara transou, mas com quantas ele foi sincero e leal, quantas vezes ele foi realmente honesto. Não é feio ser amiga da puta, feio é se aproveitar de quem quer que seja para tirar vantagem e se vangloriar “viu, eu sou mais decente do que ela”. Algumas pessoas se superestimam, acham que marcam a vida de alguém, acham que seus atos deixam boas e eternas lembranças, menosprezam a inteligência, o brio, o amor próprio e a beleza alheios, ora, meu camarada, as lembranças duram pouco, muito pouco, apenas pessoas estúpidas cultivam bons sentimentos por quem não lhes estima, por quem é, realmente, falso e acha que pessoas são brinquedos para lhes divertir. Em menos de dias a lucidez se recompõe e os ratos são enviados para o porão, local do qual nunca deviam ter saído, para fazer os barulhos abjetos que exprimem perto de gente de mente sã, alma pura e coração limpo, porém, tudo tem um propósito na vida. Quando nos frustramos com a empáfia doentia de determinada pessoa, com seu orgulho, egocentrismo, narcisismo, intrigas e grossura percebemos que aquele que já foi por ele criticado, apesar de saber de tudo é com ele “simpático”, porque é tão gélido, tão maldoso, e tão insignificante para o mundo e para nós que não vale a pena nem lembrar, ou melhor, vale, lembrar e economizar um activia ou um laxante, porque o efeito de pensar neste tipo de gente é este. Tão grotesco quanto tais miseráveis sujeitos. Cáudia de Marchi Passo Fundo, 30 de março de 2011.

segunda-feira, 28 de março de 2011

A burrice fantasiada de inteligência.

A burrice fantasiada de inteligência.

Não existe inteligência em uma visão uníssona da vida. Se você só lê uma categoria de livros, se você só ouve um ou dois tipos de musicas, se você só vai para o mesmo lugar veranear ou almoçar, comendo sempre a mesma coisa é porque seu cérebro deixou de ser curioso e, portanto vivo e instigante, porque instigado. É preciso exercitar a mente, ouvir com atenção músicas desconhecidas, colocar o preconceito de lado, que, certamente, até dentre o “desprezível” surgirão canções belas. É preciso provar novos pratos, novos sabores. A vida é uma só, ainda que não creiamos nisso, certo é que certezas não existem. Aliás, o ponto forte do homem inteligente é a dúvida, é a curiosidade que instiga, que impulsiona que lhe faz sair do trivial, do rotineiro, que lhe faz ler autores, hoje, desconhecidos, que amanha serão ovacionados, citados e aplaudidos. Foi pela curiosidade que a América esta ai, quem se contenta apenas com suas certezas mesquinhas é porque é mesquinho, tolo, ignorante. Quem não pára para ouvir um conselho, quem não reflete sobre seus próprios atos, quem, sem conhecer nada acerca de determinado indivíduo, o estigmatiza por meia dúzia de palavras ditas, não é normal, é esquizofrênico. Precisa de tratamento. Viver é conviver, viver é dar amor a quem nos merece, é amar quem é conosco afim, e respeitar com honradez quem não amamos, ou, quiçá, nem sequer simpatizamos, porque, por mais diversos de nós que o outro possa ser algo de bom, o mínimo que seja, ele terá. E a menor bondade faz a vida valer a pena porque anula a maior das maldades que provém do orgulho, da falsidade, da malícia, do egoísmo, e do interesse em obter quaisquer tipos de vantagens alheias. Cáudia de Marchi Passo Fundo, 28 de março de 2011.

Gente cansativa

Gente cansativa

Tem gente cuja maldade é imensurável, inominável. Normalmente são aquelas pessoas que adoram “se fazer” de queridas, de cordiais, de afáveis, e que dizem menosprezar a ingratidão e o desrespeito, isto, claro, quando a “ingratidão” alheia vai de encontro com seus anseios egoísticos. Algumas pessoas se sentem tão superiores as demais, algumas pessoas se sentem, tão moral e espiritualmente mais dignas e respeitáveis, que o orgulho corrompe o pouco de bondade que poderiam, de fato, albergar na alma. Onde essas pessoas estão elas causam discórdia, desconforto, deixam o ambiente pesado, porque querem tudo do seu jeito, não admitem a mínima contrariedade. Desconhecem o significado da palavra transigência e convivência. Suas idéias, seus gostos, seus desejos, devem prevalecer, do contrário, como crianças mimadas; elas começam a resmungar, a chorar, a reclamar sem parar, causando nas pessoas aquela ansiedade iracunda, aquela vontade peculiar de sair correndo e nunca mais voltar. Mas, como todo malandro tem humor, esse tipinho esquizóide de gente faz amizades! Todavia, de repente, sem motivo real algum, porque você não esta com uma amiga legal, porque você saiu com a amiga antipática (que ele mal conheceu), porque você beijou um sujeito numa festa ou bebeu demais (provavelmente porque você estava perdida e deprimida) ele some, sem saber se você esta bem, mal, ou precisando de um ombro. Essas pessoas querem amigos apenas para os bons momentos, querem amigos para fazer volume, querem, de preferência, amigos bem sucedidos, se você não for tudo isso, na menor gafe você é indigna de sua amizade, daí ele lhe mandará queimar fotografias, ou quiçá, nunca contar para ninguém que ocorreu uma pseudo amizade entre vocês. E isso magoa, isso fere, fere muito, faz você se sentir, aquilo que ele realmente pensa que você é: um ser inferior, muito inferior ao poço de sapiência que ele carrega na alma. Povero diavolo!

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 28 de março de 2011.

sábado, 26 de março de 2011

A Cláudia de antes

A Cláudia de antes

E eu que nada bebia, que nunca perdia a plausibilidade e racionalidade dos meus atos, eu que sabia ser puritana nos momentos certos, eu que nunca me embriaguei, para sempre estar no controle, e nunca esquecer de nada que eu tivesse feito; de repente me perdi, me virei do avesso, e, em certas horas me indaguei: onde eu fui parar?
Entre meio a desilusões, a humilhações, a juras de amor insanas, a atos enlouquecedores, a trocas de boas pessoas por outras ludibriadoras, entre meio ao arrependimento que me maltrata dia noite, noite e dia, sigo vivendo e lutando como posso apesar de ter tomado certas decisões (erradas) e colocado fé em quem não merecia.
E é o pesar que me fez ir a busca de tratamento, para reencontrar a “Cláudinha” sempre alegre, sempre sóbria, sempre auto-prevervadora que sempre foi, até alguém tirar-lhe um pouco dela mesma, um pouco do amor e da inocência doce que ela nutria, calada, por si mesma.
Cáudia de Marchi
Passo Fundo, 26 de março de 2011.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O homem iceberg

O homem iceberg

Pois, você chegou e me viu como realmente sou, simples, despretenciosa, espontânea, transparente e, inegavelmente, lógica. Você percebeu tudo e, de repente surgiu vestido com as roupas que eu gostava, com o perfume que me agradava, me tirando para dançar as musicas que eu apreciava.
De repente você fazia tudo o que eu gostava, de repente eras aquele ser agradabilíssimo, porque adequado a mim, no chão, na água, em tudo. De repente você era aquele sujeito encantador que todos achavam que ia além do romantismo aparente, mas que estava envolvendo-se num romance com a tola sorridente.
Mas, num belo dia você acordou, desceu as escadas e eu percebi que as roupas que eu gostava não existiam mais. Não apenas elas, por baixo delas não existia mais um corpo, menos ainda um coração. Naquele dia eu vi em seus olhos um vazio triste e indescritível, e, nas suas atitudes uma frieza de fazer inveja a um iceberg. Uma vontade de sumir e esquecer tudo o que ocorreu, tudo o que fez e a todos que enganou.
Nunca houve coração, nunca houve carinho, nunca houve afeto, nunca houve romance, nenhum beijo sincero, nenhum elogio realista, nenhuma atitude espontânea. Galanteios? Talvez, qualquer coisa que seria feita com qualquer uma. Qualquer uma, por isso nenhum elogio foi sincero, nenhum beijo genuíno.
Romance? Não houve, apenas um engano. Meu, é claro. O iceberg vestido de homem cantando musicas românticas me enganou, e eu, como um pingüim, cai na dança, alegre e faceira. Mas passa, assim como a alegria gerada pela sua falsidade, a tristeza vai passar. Nada como grandes e sofridos enganos para ensinar a gente a ver além do que o “agradável” tente ou possa parecer, realmente, ser.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 24 de março de 2011.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Eu e o psiquiatra.

Eu e o psiquiatra
Eu tenho sérias dificuldades para lidar com as frustrações. São problemas íntimos de filha única, sempre “exigida”, sempre sozinha, sempre paparicada e sempre muito bem amada. Hoje, pois, sem ninguém para amar, sem trabalho, sem ter onde focar meu imenso mar de energia psíquica resolvi ir a um médico, afinal desde a quarta-feira de cinzas uma maldita dor me cortava o coração.
As perguntas de sempre: relacionamentos, ex-marido, mãe, família, trabalho, escola, e pai. Este magnífico ser sorridente e ausente que Deus colocou em minha vida para eu chamá-lo de “meu”. Eis que, eu choro. Choro muito. Não sei onde esteve meu pai em todos estes anos difíceis que tive, não sei o que é um ombro de pai após a tomada de uma decisão que fez sangrar minha alma um pouco, ou muito. Já nem me recordo mais.
Mas hoje, analisando com o médico que não tenho nenhuma anormalidade de humor, pelo contrário, apenas uma ansiedade causada por problemas afetivos e frustrações, eu pude perceber que, quem realmente deveria procurar tratamento, não vai. Acha-se além e acima de qualquer problema.
Psiquiatras e psicólogos não são para loucos, talvez eles ajudem você, que não sabe aceitar a vida, as diferenças, que não sabe dizer não, que não sabe se posicionar com hombridade, ou se posiciona de tal forma, que machuca a todos, como se fosse Jesus Cristo encarnado a agir com mais maleabilidade e compaixão, a ser franco sem ser letal, e a ser pacifico sem ser covarde e patético.
São os que se julgam “certos” e “normais” que, muitas vezes, acabam com as forças psíquicas, acabam com a energia, com o ânimo e até com a alegria dos que são um pouco mais “normais”. Vida, cada um cuida da sua, escolhas cada um faz as suas, e se faz, nunca é com más intenções, pelo contrário, as pessoas escolhem o que lhes parece bom, ainda que paguem o alto preço da desilusão.
No meu caso, já estou até me acostumando com as frustrações, tenho até um remedinho na bolsa contra a sensação angustiante e dolorosa que elas me causam. Fazer o que se a fase esta pesada a tal ponto, se meus chutes são tão errados que se eu fosse jogador de futebol seria queimado em praça pública? Na verdade, na verdade, me recolhi e desisti de arriscar e de chutar, vou guardar meu coração a sete chaves e jogar a chave fora. Ou melhor, já fiz isso hoje à tarde. Eu desisti.
Quem vai pagar o preço da desilusão, ou qualquer outro, enfim, é quem escolhe. Perfeito ninguém é para julgar, com cátedra, pessoa alguma. Ademais, ninguém vive por ninguém, logo, ninguém tem o direito de interferir na vida alheia e tornar insanos os instintos de quem quer, apenas, viver. Viver bem e alegremente.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 24 de março de 2011.

Intransigentes

Intransigentes
Nunca mensurei qual seria o pior defeito humano, mas, ultimamente, estou verificando o quanto a intransigência é malévola: ela trás consigo a malícia, o orgulho, o egoísmo, a maldade, a intriga e a tolice.
A intransigência causa desavenças, causa mágoas, causa ofensas tolas. O intransigente crê ser superior aos outros, tem certeza que sua moral e seu espírito são superiores, e, assim, parece insano, mentalmente doente e termina por causar moléstia na alma alheia.
Viva e deixe viver, se você não aceita o outro, se cale, se retire, mas não apregoe aos quatro cantos suas razões, isso lhe torna orgulhoso, asqueroso e maldoso. Existe um limite muito tênue entre a razão e o erro, e este limite se chama plausibilidade, irmã do silêncio e filha da racionalidade.
Conviver é transigir: se você não consegue ser transigente, será solitário, este é o preço da soberba, este é o preço que pagam aqueles que acham que sabem mais do que os outros, que são mais cultos, mais justos, ou mais sábios.
A intransigência fere, magoa, faz doer os corações, a intransigência humilha, abate, maltrata. A humildade é o antídoto para a intransigência, porque faz o intransigente ver que, por mais sábio que ele possa ser, ou por mais virtudes que possua em alguns aspectos, ele é apenas diferente daquele que critica, e não melhor, pelo contrário, quanto mais tenta parecer que é superior, mais se inferioriza.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 23 de março de 2011.

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Vergonha na cara pós-moderna"

“Vergonha na cara pós-moderna”
A “vergonha na cara” na pós-modernidade me assusta. Na verdade nem sei se é possível chamar de “vergonha” o que me parece ser, apenas, um disfarce hipócrita.
As pessoas não têm vergonha de trair, de enganar, de roubar, de ludibriar os outros, elas têm “vergonha”, isto sim, de serem descobertas, elas temem que a vileza de seus atos seja conhecida pelos outros.E, para tanto, mentem e enganam.
Os indivíduos não se importam com seu caráter, mas com sua reputação, com o que os outros pensam ou irão pensar sobre ele, sobre seu agir, sobre sua personalidade.
Foi-se o tempo em que as pessoas pensavam em agir com nobreza. Hoje elas pensam, antes mesmo de seu agir, em como disfarçar seus erros. Não ocorreu perda da consciência sobre o certo e o errado, apenas, descobriu-se que é possível ser falso, que é possível falar bonito, enganar e pregar moral inexistente em si mesmo.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 21 de março de 2011.

domingo, 20 de março de 2011

Habilidades hipócritas

Habilidades hipócritas

Minhas habilidades hipócritas vão de zero a nada. Eu não consigo elogiar sem ser espontaneamente, não consigo fazer discurso enaltecendo pessoa alguma: a vida me ensinou que ninguém que mereça ser enaltecido o é em palavras. São nossos atos que valem.
Não consigo ser aprazível e simpática, como normalmente sou, com quem me irrita ou me parece inconveniente. Não consigo ver injustiças, falta de decoro e franqueza sem reclamar.
Não consigo interagir aberta e francamente com quem não simpatizo, aliás, sou muito antipática com quem não me afino, não estou na vida para desperdiçar meus sagrados minutos com pessoas que me irritam.
Todavia, sou tolerante. Respeito o ponto de vista alheio, respeito os gostos alheios. Cuido bem da minha vida, não preciso de ajuda para isso, e nem pretendo ajudar ninguém a fazer o que lhe compete.
Eu sou muito pacifica e tolerante com certas diferenças, mas não finjo seu existir dizendo palavras doces e inverídicas: cada pessoa em seu lugar, cada palavra, igualmente, em seu devido lugar.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 20 de março de 2011.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Eu finjo que acredito.

Eu finjo que acredito.
Eu quero a simplicidade de uma vida tranqüila, eu quero o carinho de pessoas sinceras, quero o amor de pessoas espontâneas, e o respeito de quem sabe se respeitar.
Eu quero as brutas palavras francas e não as melosas mentiras, para as quais eu sorrio e finjo que acredito. Eu não quero mais ter que ouvir gente hipócrita pregando moral que desconhece, eu não quero saber de gente desleal, infiel e infame se fazendo de decente na minha frente.
Eu quero que as pessoas consigam ver que, apesar da cor do cabelo, do vestido, da marca da bolsa, e dos sorrisos constantes existe algo em mim que rastreia mentira, e eu as respondo com sorriso, porque me alegra ver idiotas acreditando que estão me convencendo das asneiras que falam. Ninguém me engana quando mente, ao menos quando me convém fingir que creio no que ouço.
É lucrativo interpretar o papel de boba, é cômico, ou melhor, tragicômico ver a fragilidade dos que temem dizer a verdade e agir com sinceridade, porque seus atos são tão abjetos que eles mesmos sentem vergonha. É patético ver que alguns homens, não tem vergonha de errar, mas de que os outros saibam de seus erros.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 18 de março de 2011.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sustos noturnos


Sustos noturnos
A noite me assusta. Ou melhor, a postura das pessoas na noite me assusta e, até mesmo, me afugenta. Aquela busca insana por um olhar, por um sorriso, aquelas conversas mal estabelecidas em meio a muito barulho e ao fervor de hormônios sexuais, me causa estranheza.
Eu gosto de gente. Eu gosto de conversar. Adoro dar risada e interagir, mas não é sexo que busco quando eu saio. É a boa, simples e velha diversão, esquecida no mundo dos corações carentes e dos corpos insanos por calor. Calor fugaz, relações fugazes, entrega nula.
Não poucas vezes duvidei de minha normalidade, mas hoje me aceito. Sou antinômica, não sou óbvia, sou mais misteriosa do que eu mesma possa saber, mas, como diria a Rita Lee, “não sou freira, nem sou puta”. É só isso que posso garantir ao meu respeito.
Eu sei o que quero, e, com certeza, é algo que vai muito além do que se encontra na penumbra com corpos expostos e sedentos de tudo, de quase tudo, ao menos, claro, por uma noite. No outro dia “tudo” é nada, e o nada volta a valer o que realmente vale: nada.
E, assim, apavorada com as noites de “caçada” humana sigo a minha estranha vida de solteira. Uma vida com a qual, ainda não me adaptei, uma vida que parece que não foi feita para mim, nem eu para ela. Eu admito: Eu trocaria todas minhas noites de diversão em mesa de bar, por noites de diversão acompanhada por quem admira mais as palavras e os pensamentos do que a boca ou o sorriso. Trocaria, com certeza.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 17 de março de 2011.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Se o amor termina, ninguém tem culpa.

Se o amor termina, ninguém tem culpa.

Não existe amor sem doação. De uma forma ou outra todos os amantes se entregam, mudam algum aspecto de suas vidas, revolucionam seus anseios, em muitos aspectos. Por outro lado, não existe amor com cobranças.
Amor é entrega, é uma boa dose de abdicação, de vontades “sem porquês”, de realizações racionalmente inexplicáveis. É difícil saber quando o amor termina, na verdade, o seu fim é verificado indiciariamente, por pequenos detalhes e mudanças.
Uma das quais se chama “cobranças”: no inicio se agia por espontaneidade, carinho, afeição, vontade, depois, quando se analisa todo o amor dado, todas as modificações realizadas, resta um amargor, um arrependimento, um sentimento vazio e um “vitimismo” inconseqüente.
Ninguém pede para ser amado. Ninguém requer a abdicação, as mudanças, a complacência ou o perdão. Quem ama, abdica, muda, cede e perdoa porque quer, porque ama.
O desamor, as frustrações, as decepções e qualquer espécie de dor não devem ser deméritos do (ex) amado. É preciso buscar o equilíbrio apesar da dor, é preciso buscar a racionalidade apesar da revolta: Foi você quem amou, foi você quem escolheu, todavia, escolhas nunca faltam, ainda que seja a desistência. De amor ninguém morre. Ninguém.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 16 de março de 2011.

sábado, 12 de março de 2011

Minhas maiores virtudes...

Minhas maiores virtudes.

“Moça, quais suas maiores virtudes?”. São duas, uma ligada a outra. A primeira se chama pureza, um lado peculiar meu que me faz dar credibilidade ao que ouve, porque eu não minto e julgo os outros por mim. A segunda se chama resiliência.
Hoje eu sofro por paixão, hoje meu coração pode doer, minha alma rasgar, minha mente ficar confusa, hoje posso me sentir um joguete nas mãos de quem me enganou, hoje eu posso querer cama e sono. Hoje eu vivo a dor, sofro com “gosto” e intensidade, porque eu sei que amanha ela passa, então eu choro.
Amanha eu me recomponho. Olho-me bem nos espelho, no fundo de meus olhos e digo: “Nada, absolutamente nada, nem ninguém que lhe fez derrubar uma lágrima serve para você”, e, assim eu saio sorrindo pela vida. Contente comigo mesma, descontente ou, até mesmo frustrada com os outros.Outros que de nada me valem, que nada me valeram.
Os outros não me interessam, nem me importam. Quem me machucou é deletado de minha existência. Existem muitas pessoas boas que me amam,que me admiram, que são francas. Do que me importa quem nada vale, quem sequer marcou a minha essência? Nada.
Eu sou pura, eu sou sincera, eu sou calma, eu tenho fé (ainda) no amor e nas pessoas, mas eu não sou tola, eu tenho intuição e, principalmente, eu sei ser resiliente: Podem rasgar meu coração, podem puxar meu brio, basta eu querer, no outro dia eu volto a ser eu mesma: aalegre, contente, em paz e feliz.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 12 de março de 2011.

Tentações quase irresistíveis

Tentações quase irresistíveis

Não é humano quem nunca desejou algo, um beijo, um, toque, um afago quente, um abraço caloroso, uma sensação, ainda que, "ilusória" de bem querer, de paixão, de entrega, de carinho, quando, por algum motivo, "não pode" dar vazão a tais desejos.
As vezes alguns motivos racionais são aptos a frear nosso instinto, então, me questiono, vale a pena brecá-los? O desejo vai morrer ou vão continuar amanha? A melhor forma de vencer uma tentação, é, sem duvida, entregar-se a ela, apenas assim duas pessoas maduras, resolvem sob o que lhes convém, ou não.
É triste dormir com aquele desejo ardendo, é triste relaxar com a alma pululando de vontades, não existem remédios para amansar nossos desejos, apenas o uso da racionalidade. Mas ele me assusta. Não somos santos, por mais corretos e justos que queiramos ser.
Sempre irá chegar uma oportunidade em que a razão irá se afastar ainda mais, em que o sutil toque na pele, em que o olhar no fundo dos olhos, em que os movimentos atraentes dos lábios farão a tentação ressurgir, e, agora, irá convir escapar?
Valerá realmente a pena fugir de uma tentação que irá reincidir e, quiçá, nos atormentar? Francamente, eu duvido. O que se consegue, única e tão somente é postergar o beijo, as caricias, o envolvimento afetivo e um tanto físico, apenas isso. Ah, eu falei postergar, e não "anular" a realização desejos.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 12 de março de 2011.

sexta-feira, 11 de março de 2011

"Nadas" vagando pela vida.

“Nadas” vagando pela vida.

Quantos seres existem por ai que não passam de intérpretes na vida. Atores de um filme que nunca fará sucesso, atores de um filme que vai findar quando eles estiverem amargando o cachê da solidão e do desprezo alheio.
O que ganha uma pessoa que te engana? O que ganha uma pessoa de coração gélido, de alma fria, que interpreta um ser amável e, por algumas horas, te encanta? Nada, porque o resultado da interpretação comove no ato, mas a pessoa por trás dela desgosta sempre. Basta agir com sua frieza peculiar que o desgosto toma o lugar do encanto para nunca mais deixá-lo entrar.
Quantas pessoas existem por ai que vagam na posição de cidadãos bondosos, ponderados, educados e indulgentes, quando, na verdade, não passam de seres hipócritas, covardes, de atores em ação no palco da vida, de intérpretes que, por mais que tentem cativar certa platéia, jamais conseguirão conquistar o seu real e puro “bem querer”.
Se a alegria desses infelizes é interpretar um papel inquinado de amabilidade para, depois, mostrar seu real amargor e frieza afetiva, deixe-os viver. Infelizes são eles, que vivem num vácuo entre o que tentar parecer que são, e o que realmente são: “nadas” vagando pela vida.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 11 de março de 2011.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Não ouse...

Não ouse...
Não ouse dar atenção para quem não lhe desperta interesse, não ouse dar carinho a quem, no outro dia, não pretender ver, menos ainda, acarinhar, não ouse dar mel, a quem, no outro dia deixará o amargor da estranheza, da solidão, da ausência de doçura.
As pessoas se iludem porque querem? Talvez, mas elas se iludem, principalmente porque alguém dá vazão aos seus anseios, elas se iludem com aqueles que demonstram que possuem o que elas desejam, e, em muitos casos, isso não passa de conversas interessantes, inteligência, humor, afeto e respeito.
Não ouse despertar o afeto, a admiração, o bem querer de quem você não deseja, sequer, querer, isso é muito injusto e um tanto abjeto. Seja leal com suas intenções, seja claro, seja explicito, quem concordar vai ficar, quem discordar vai partir, mas, ao menos, sem dor, sem decepção.
A sinceridade muda tudo, a sinceridade desmistifica tudo. Existem pessoas que são acostumadas e não se importam com falsas esperanças, elas mesmas conseguem inventá-las. Por outro lado, existem pessoas inocentes e francas, que fazem apenas o que desejam, que acreditam nas pessoas e acham que todas são transparentes como elas.
Normalmente é este segundo tipo de gente que padece com as atitudes cordiais, doces, meigas e encantadoras, daqueles que, de uma hora para a outra, resolvem mostrar “a que vieram” e o que “buscam”, e, normalmente, a resposta é “nada”.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 10 de maio de 2011.

A falta de franqueza e a paixão.

A falta de franqueza e a paixão
Não tem graça viver a vida sem paixão, são tão sem graça os dias sem ter o coração batendo mais forte por alguém. Infelizmente, sou uma pessoa que não me interesso por 99% das pessoas que conheço, e o 1% que me resta geralmente é mais complicado do que simples.
Difícil, para mim, não é me apaixonar, mas encontrar alguém apaixonante, que me desperte o interesse, que me chame a atenção. Todavia, os maiores riscos que enfrentamos, além de investimentos na bolsa de valores, é o de nos apaixonarmos. Por quem não devemos, é claro.
A gente reclama da falta de ter quem nos atraia e nos interesse e, às vezes, nos interessamos por quem não esta nem ai em nosso carinho e em nosso afeto, por quem não vê em nós a mesma graça que vimos.
E é assim, que nos tornamos pessoas medrosas. “Por que irei me entregar e me envolver se posso estar sendo deletado da vida alheia num piscar de olhos?”, “por que deixar-me render pelo tratamento cordial e mimoso se ao acordar serei descartado?”. Para nada.
Não adianta, acho que o negócio é blindar o coração, é trocar a vontade de amar pela de trabalhar, o carinho que treme para ser dado por paparicos em bichos de estimação, a fé nas palavras que se ouve pela fé em Deus, porque este sim, nunca nos engana, e as pessoas hoje em dia, até mesmo sem querer, criam falsas expectativas nos corações mais bondosos e inocentes.
Os relacionamentos humanos seriam muito melhores se as pessoas aprendessem a deixar claras suas intenções: “eu quero só sexo”, “eu não quero relacionamento sério”, “eu quero um romance no carnaval, e nada mais”, “eu não quero me envolver e nem amar”. Se a franqueza preponderasse ninguém sofreria injustamente.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 10 de março de 2010.

"Desculpa, mas recém sai de um relacionamento."

“Desculpa, mas recém sai de um relacionamento.”

O bom de ser recém separado são os motes que você adquire para se livrar de pessoas que não lhe interessam psíquica, física ou sexualmente. É uma maravilha o tal do “não estou preparada, acabo de sair de uma relação longa ou complicada”.
Como uma mulher que já se separou três vezes (da mesma pessoa) eu sei bem como funcionam estes motes e, quando ditos para seres inteligentes eles funcionam na hora: O sujeito que de tolo só tem a cara, vaza da sua vida e não aparece nem que você compre o corpo da Juliana Paes e o rosto da Angelina Jolie.
Todavia, este mote pode ser verdadeiro e sincero, ou simplesmente, uma forma mais simples de mandar a “p.q.p.” quem não lhe interessou em nada. Quando é verdadeiro, nele implícito o seguinte: “Eu sai de um longo relacionamento e não estou preparado para nada sério ou meio sério (porque eu amo o meu ex e minha vida esta sem chão na ausência dele, não quero que ele saiba que estou com outra pessoa).
Pois é, este parêntese ai não é dito, mas, para quem sabe ler, um pingo é letra. Essa afirmativa pseudo-inocente é prima irmã daquela "o problema não é você, sou eu". Formas simplistas e tolas de, deixar a sinceridade e a compaixão de lado, e mandar o outro "à". Bem, mandar o outro para onde eu prefiro nem comentar.
Independente de ser verdadeiro ou não, quem ouviu essa afirmativa tosca pode ter certeza, ganhou um fora. Um categórico, óbvio e explicito fora. Mas, não há porque desanimar. É melhor ser excluído do campo de atração dos outros do que ser o povero diavolo que, ou padece de amor pelo ex, ou tem medo de amar novamente, ou não tem coragem para assumir um relacionamento sério com alguém que, quiçá, lhe assuste. É meu caro, é a vida, e é bonita, e é bonita.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 10 de março de 2011.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Mal de quarta-feira de cinzas.

Mal de quarta-feira de cinzas.

De repente uma tristeza imensamente grande tomou conta de minha alma. O curioso é que eu não sei ao certo o motivo, mas sei que toda essa tristeza não se opõe a minha felicidade latente, mas a minha alegria costumeira.
De repente sinto um aperto realmente forte e doído no peito, uma vontade grande de chorar, mas, chorar de que jeito com tantas coisas para fazer? Borrar a maquiagem em pleno dia de trabalho não dá.
Então eu penso na noite. Ai, que vontade que caia a escuridão, que o lindo sol do dia se vá, porque hoje, definitivamente, ele não esta combinando comigo! Quero tirar o vestido azul, o batom rosado, quero me deitar e no conforto da minha cama chorar. Chorar muito para ver se o vazio diminui, se a dor passa. Vai passar, ela sempre passou.
Eu, triste? Eu que já chorei mais do que qualquer pessoa que conheço possa ter chorado, eu que já padeci com toda espécie de dor e desilusão, eu que vi meu mundo cair, minha vida perder o rumo, eu que perdi o chão debaixo de meus pés e consegui me recolocar em solo firme, depois de tudo, eu, triste? Não entendo, mas estou.
Deve ser mal de quarta-feira de cinzas. Deve ser mal de garota afobada, deve ser mal de quem já teve o coração estraçalhado, mas nunca se entregou a descrença do amor, deve ser mal de quem tem fé nos homens, deve ser mal de garota teimosa, deve ser mal de garota boba e meio carente, deve ser um mal qualquer. Um mal que me machuca, me confunde e me dói demais.
Mas, seja o que for que esta me doendo por dentro, vai passar. Quem passou por metade do que já passei na vida não se entrega jamais, menos ainda quem passou por tudo que passei. “Ela passou pelo que”? Jamais quero contar, ninguém precisa saber, mas sofri o suficiente para saber que qualquer coisa que me machuque é pouco e vai passar logo.
Eu preciso mesmo é da minha cama, do escuro, eu preciso mesmo é chorar, daí a alma lava e a alegria volta aos meus lábios que sorriem mesmo quando o coração se corta. Apesar da tristeza, o contentamento comigo mesma não passa. O que me dói é um descontentamento com o que não esta em mim e nem vem de mim.
É, deve ser mal de quarta-feira de cinzas, mas amanha o sol vai nascer lindamente e vai combinar comigo, amanha a minha alegria, já restabelecida, com ele, vai brilhar novamente. Amanha é outro dia e, tristeza na minha vida, se afina apenas com a quarta-feira de cinzas. Na quinta-feira ela já terá ido embora. E que chegue logo esta noite, minha cama e minhas lágrimas.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 09 de março de 2011.

A complexidade humana e as diferenças.

A complexidade humana e as diferenças.

Por mais diferente que alguém seja de nós, por mais tolo ou banal que ele nos pareça ser, como nós, ele é um mar de complexidades. Todo ser humano é complexo, as atitudes objetivas e simples podem, apenas, facilitar o convívio, mas, em si mesmo, o homem não é simples.
Pode ser que a pessoa tenha gostos simplórios, pode ser que se traje com simplicidade, que seja avesso ao luxo, sua alma é e sempre será complexa. Complexa, não complicada. Complicado é conviver com as diferenças entre os seres complexos.
“Complicados” são os atos de quem não simplifica suas vontades, “complicado” é o ato de quem quer dizer uma coisa e diz outra, de quem quer fazer algo e faz coisa bem diversa.
Complexa é a alma humana. Complexo é o ser humano que nasce com características inerentes, que se molda com a educação e que por mais estudioso, culto e inteligente que seja, deve aprender diariamente para se tornar uma pessoa melhor.
Inerente a complexidade de cada um estão as diferenças gritantes entre as pessoas e daí, as contrariedades. Cada pessoa é única por mais que possamos- pelas diferenças- achar que alguém é “inferior” a nós, quer pela educação, cultura, forma de pensar e agir.
Não creio que exista inferioridade, creio que existam diferenças, algumas das quais podemos tolerar, outras não. Se quisermos ser felizes e manter nosso equilíbrio psíquico devemos conviver com quem possui afinidades conosco, do contrário, quem se prejudica somos nós, apenas nós.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 09 de março de 2011.

Hipocrisia reinante

Hipocrisia reinante
Ao que me parece a hipocrisia dominou o mundo, ao que me parece a autenticidade deixou de ser virtude, ao que me parece é bem quisto o homem que cerceia seus instintos e desejos para parecer aos outros melhor, enfim, para cativá-los.
Em todos os aspectos da vida humana a sinceridade é valorizada “da boca para fora”: As pessoas gostam das ilusões doces, das aparências inocentes, das palavras pré-moldadas para o agrado, das atitudes contidas para que nenhum ato passível de “mau julgamento” ocorra.
As pessoas gostam das palavras doces e daquilo que aparenta a perfeição, olvidando do fato que, quanto mais “aparentemente adequado” à sua personalidade alguém possa parecer, menos sincero e honesto ele pode estar sendo.
A hipocrisia, a sinceridade, a franqueza, a lealdade, a fidelidade, são virtudes ideais pelas quais as pessoas dizem “erguer” bandeiras de defesa e apoio, todavia, o que lhes cativa e conquista é o seu oposto: os atos dos falsos são, para a maioria, mais cativantes, mais emocionantes.
Felizes, pois, neste mundo de hipocrisia reinante, os maliciosos porque conseguem deixar sua real personalidade de lado para conquistar os pobres diabos que se encantam por belas palavras e atos, ignorando o sentimento que as move.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 08 de março de 2011.

Intuição e outras conjeturas.

Intuição e outras conjeturas.
Tenho em mim tanta pureza e inocência, tanto amor, tantos desejos, tanta alegria, tanta energia boa e forte que às vezes sinto que minha alma vai transbordar. Por outro lado a solidão me assola, porque me faz perceber que ninguém neste mundo me conhece realmente.
Não conheço ninguém que me conheça. Não conheço quem queira conhecer algo mais profundo de mim, algo além das aparências. Não sem ter medo, é claro. O que me mantém inteira na vida, o que mantém meu coração longe do envolvimento com a superficialidade de relações banais e pessoas vãs é aquilo pelo qual outrora eu chorei, é aquilo que foi trauma superado: A dor da desilusão.
Ninguém sabe o que eu passei para ser quem eu sou. Eu não preciso que saibam. Apesar de tanta inocência, apesar da bondade, eu tenho na alma um pouco do gosto amargo das lembranças dos tombos que cai, das mentiras nas quais acreditei, dos engodos que já ouvi, e de tudo que me avassalou, mas jamais me venceu.
O mal que sofri é o bem que me protege de novos erros. O gosto amargo do sofrimento que tive me deram força, me deram esperteza e uma intuição apurada. Apuradíssima, a bem da verdade. Eu sinto a mentira, eu sinto os sentimentos dos outros por mim, e pelos outros.
Eu sei quando tentam me enganar, sei quando eu mesma me engano e sei quando quero ser enganada para aproveitar um pouco o lado “normal” do mundo. Eu não acredito mais nas palavras, eu acredito no que sinto e no que minha intuição fala. Para mim, ela é infalível.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 08 de março de 2011.

terça-feira, 1 de março de 2011

Foi-se o tempo...

Foi-se o tempo...

Foi-se o tempo em que eu guardava os números de telefone dos vários "caras" que se interessavam por mim no meu celular. Foi-se o tempo em que eu tinha muitos contatos no “MSN”, foi-se o tempo em que eu tentava olhar para os lados para ver se eu chamava atenção.
Na verdade foi-se o tempo em que chamar a atenção alheia era interessante para mim e que eu conversava alegremente até com quem não me despertava interesse.
Hoje eu ando focada em coisas muito diversas de romances, de paqueras e flertes que nunca me cativaram. Flertes que ficaram no âmbito “virtual” para o meu ego deduzir: “Eles me querem, eu não”.
A maturidade me tornou objetiva: se eu não os quero, não converso, não dou trela e minimizo minha habitual simpatia. Não guardo telefone algum em minha agenda de celular, e apago pessoas que não me interessam do meu MSN, com exceção dos meus amigos, porque estes me interessam muito ultimamente: Amigos, trabalho e as palavras, claro.
Foi-se o tempo em que beleza, altivez, humildade, simpatia, cultura e respeito, por si só faziam eu me interessar por alguém. Eu ando difícil, um pouco mais dura do que sempre fui. O estranho é que por trás da dureza existe (sim!) uma vontade de amar. A questão é que ninguém esta parecendo “amável” aos meus olhos.
“Como essa mulher é complicada”, pode ser uma afirmativa procedente, mas eu diria que estou, sou e sempre fui complexa, e a maturidade, por sua vez, apenas me tornou mais dona de mim, mais autoconfiante e, portanto mais seletiva. Seletiva como eu pensava que era, mas nunca fui até realmente amadurecer. Até realmente ter errado, sofrido e aprendido.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 1º de março de 2011.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Quero distância!

Quero distância.
Diga-me o que pensas e eu te direi quem és, mostre-me como julgas aos outros e eu te mostrarei quem és. As pessoas não são as companhias que andam, não são o que aparentam ser e passam longe de serem os anjos que querem fazer os outros crer que são.
Boas pessoas não se importam com o julgamento alheio, pessoas de personalidade não dão importância à análise de pessoas recalcadas, inseguras e mal amadas que tentam lhes menosprezar para conseguir um pouco mais de relevância no mundo.
Definitivamente aboli da minha convivência pessoas que sorriem na frente dos outros e criticam por trás, aboli de meu convívio pessoas que julgam aos outros como se fossem deuses, apenas porque são mais jovens, talvez mais abastados, mas nunca mais especiais, porque são, isto sim, mais inseguros, desleais e maldosos.
A seletividade crônica tomou conta de minhas decisões: Ou a pessoa possui bom coração e caráter, ou a pessoa possui personalidade forte para ser quem é independente da companhia que anda ou do julgamento alheio, ou seu convívio não me serve, porque sei que na minha frente é dos outros que falam mal, e ao virar as costas, serei eu a criticada. De gente falsa eu quero mais do que distância, quero desconhecer a existência. Na minha vida, é claro.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 25 de fevereiro de 2011.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Quero apenas a mim.

Quero apenas a mim.

Quem quer todos, não é de ninguém, nem de si mesmo. Quem sabe o valor que possui não se entrega ou se “dá” para qualquer um. Quem quer tudo, não quer nada. Nada com nada.
Quem quer demais, acaba tendo “de menos”, quem é do mundo, não é de si mesmo, quem se perde vida a fora, se perde de si. A cada dia que passa tudo esta se tornando mais aberto, mais geral, menos íntimo, menos afetivo, menos intenso. Foi-se a afetividade, a intimidade, a lealdade, o carinho, o respeito e ficaram as relações fugazes, sem beleza, sem sabor, sem cor.
Tudo cada vez mais “comum”, mais sem graça, sem sentido, sem calor, sem segurança, sem firmeza, sem carinho, sem afeto, sem nada, sem absolutamente nada de especial e raro. Tudo tão fácil, mas tão banal, tão perene, tão facilmente “substituível” que a frieza humana passou a me assustar.
Então, eu fugi do mundo para me encontrar de novo. Eu quero amigos, quero trabalho, quero leitura, quero festas, quero carnaval, quero sucesso, quero progresso, mas não quero dormir com ninguém para me iludir. Não quero noites graciosas, manhãs silenciosas, tardes vazias e anoitecer solitário. É tudo muito “normal” e banal demais para o meu gosto simplório, mas auto-respeitável.
Eu não sei me relacionar sem paixão, e ninguém esta merecendo um por cento do bem que trago comigo. Ninguém, claro que pertença a este mundo onde todos são de todos e ninguém pertence a ninguém. Nem a si mesmos. Não quero nenhuma pessoa deste mundo em que amor não existe, paixão é utopia e sexo é mais importante do que sentimentos.
No momento eu quero apenas a mim mesma, e estou mais feliz assim, sem dar valor a quem não merece, sem dar carinho a quem não devo, sem ser leal com quem não merece lealdade. Sem ser, nem por um minuto, de quem não merece nem meio segundo de meu precioso tempo e apreço.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 23 de fevereiro de 2011.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Gente bonita

Gente bonita

O anseio mais nobre das pessoas de aparência bonita é serem apreciadas pelas virtudes que sua aparência não evidencia, é serem admiradas pelo caráter que possuem, pelo seu jeito de ser e forma de pensar quem têm.
Num mundo em que a todo instante as pessoas pensam em se tornarem mais atraentes, ainda existem pessoas inteligentes que não querem ser para os outros apenas um corpo bonito e um rosto agradável. Pessoas que são boas e por tal querem ser conhecidas e reconhecidas.
Enquanto muitos querem aparentar bem, outros tantos querem significar algo bom no mundo. Ser chamada de “bonita” hoje em dia me assusta. Toda pessoa razoavelmente bela sabe que é, mas, e daí? Você pensa que ser bonito ou não muda realmente alguma coisa? Talvez sim, para os belos de alma vazia, não para os que possuem um conteúdo mais lindo do que apenas sua aparência.
Beleza e elegância não são nada, auto estima é tudo, e por mais que alguns queiram negar, uma coisa independe da outra, mas, de tudo o que mais encanta é o jeito seguro de si daqueles que se aceitam como são e tem orgulho de serem eles mesmos apesar das imperfeições estéticas neste mundo de gente que só pensa em ser belo e esquece-se de ser gente: Gente racional, emocional, afetiva e bem resolvida, enfim gente de alma bonita.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 22 de fevereiro de 2011.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Uma paixão leve

Uma paixão leve

Eu quero viver um belo romance, uma intensa e calorosa paixão. Eu quero sentir o frio na espinha, o calor que resplandece em todo o corpo, quero me entregar a quem me deixe segura, mas há de ser uma paixão vivida com uma pessoa leve, tranqüila, segura de si.
Eu quero uma companhia leve, quero me apaixonar pelo sujeito bem humorado, pelo sujeito arrojado, que tem responsabilidades, mas não surta com elas, eu não quero um homem que me ofereça segurança financeira, eu quero apenas um cara que confie em si mesmo e em mim. Quero um relacionamento legal, não uma conta bancária.
Quero um homem que não tenha medo de se entregar a paixão, que não tenha medo de ser bondoso e que não faça dos traumas do passado escudos para acobertar sua covardia afetiva. Não quero um sujeito acomodado que me deixe em segundo plano. Ou dá valor e prioridade, ou me deixa sozinha.
Eu quero um homem que tenha vivido o suficiente para saber diferenciar uma mulher da outra, para não generalizar os defeitos e nem as virtudes, um homem com certa sensibilidade para captar a minha alma e tudo aquilo que não se pode depreender vendo apenas minha aparência. Um homem com certa maturidade para ver as minhas características mais especiais e especificas.
Eu quero a sorte de ter ao meu lado um sujeito tranqüilo, sereno, quente, capaz de análises profundas, mas com a alma leve, um homem que não se escraviza a nada, um homem que queira bem viver, bem amar, bem sonhar, que seja do bem e feliz. Leveza, tranqüilidade, perspicácia para me decifrar, alegria, humor, destemor para se apaixonar e um pouco de sacanagem me aprazem. E muito.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 21 de fevereiro de 2011.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os homens maduros e os jovens homens

Os homens maduros e os jovens homens.
Nada como adquirir experiência conhecendo pessoas, conversando com elas e ouvindo suas idéias e planos, nada como captar nas entrelinhas a verdade sobre muitas coisas, afinal, “para quem sabe ler um pingo é letra”.
Há dias me questiono sobre as diferenças entre os homens mais velhos, bem mais velhos do que eu e os mais jovens, até mesmo mais novos do que eu. Eis que a diferença não se mostrava tão real até esta semana em que, analisando a inércia dos jovens e as atitudes firmes dos homens maduros, descobri o cerne da diferença entre as atitudes firmes dos homens maduros e a leveza das atitudes dos relapsos jovenzinhos.
Percebo que os homens mais vividos sabem o que desejam numa mulher, já sofreram bastante, conheceram muitas pessoas e quando se encantam e simpatizam com alguém tendem a procurá-la, a querer “demarcar” território, afinal a vida lhes ensinou que o que é realmente bom é mais do que raro, logo deve ser valorizado e cuidado.
Claro, que quando o cara se encanta pela jovem e ela não sente o mesmo fica mais difícil afastá-lo, mas se o sujeito tem brio ele se resigna e segue sua vida, triste quando sabe que perdeu uma mulher rara.
Os caras mais jovens, porém até conseguem perceber que a mulher é diferente, especial, não tão comum, mas eles, querendo curtir a vida com o furor de quem aparentemente pensa que ela terminará logo, deixam a boa moça de lado. Eles crêem que irão encontrar outras até mesmo melhores do que ela, afinal são “novos, boa pinta e com um belo futuro financeiro”.
Os homens maduros sabem que nem sempre a sorte volta a bater a sua porta, eles já perderam muitas oportunidades de ouro quando jovens enquanto os rapazes que estão vivendo a juventude deixam raridades de mulheres de lado para encher a cara com os amigos e ficar com as jovenzinhas mais oferecidas porque crêem que conhecerão muitas “boas mulheres”.
E eles estão errados, os homens mais velhos sabem muito bem disso e as mulheres raras e inteligentes também, lhes restando cruzar as pernas e deixar o tempo passar, afinal, para uma boa mulher boas opções de romance nunca faltam. E nem faltarão.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 19 de fevereiro de 2011.

Amar é divino.

Amar é divino.
Amar é tão divino e necessário que rima com ar. De todas as fases e períodos da vida de um homem os mais inesquecíveis e especiais são aqueles vividos com amor, enquanto ama, ou, ao menos, deseja amar e ser amado.
De nada adiantam beijos, toques, afagos, diálogos, sem ao menos existir a intenção de amor que pode até ser ilusória: a vontade de amar por si apenas, torna os momentos mais especiais, menos comuns, vulgares e materiais.
Não acredito em nada que seja feito sem entrega. Pode ser que o amor termine, que ele se esvaia após erros e tropeços, a certeza que tenho é que ele diviniza as relações humanas, tornando as horas, os minutos e os segundos decorrido mais leves, mais doces, mais interessantes.
O homem que perde a fé no amor desiste de ser feliz. Pode desistir das pessoas, mas jamais do amor, ele é sublime demais para ser abdicado, sem ele não adianta dinheiro, carro do ano, sexo e festas. Tudo é vazio de significado e sentido quando não existe amor nas atitudes humanas.
A felicidade que sentimos quando amamos não tem preço, tampouco descrição, ela é especial, divina, nobre. O amor faz tudo valer a pena, inclusive nossas lágrimas. Deus é mais indulgente para com aquele que agiu e até mesmo pecou por amor. Tenho certeza disso.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 19 de fevereiro de 2011.

O que é de nosso passado.

O que é de nosso passado.


O que é de nosso passado a ele pertence. Um ser humano inteligente aprende que não vale a pena remexer em velhas feridas sob pena de abri-las e ter que padecer novamente com a dor outrora sofrida.
O que deixamos para trás deve ficar lá, onde deixamos, porque se deixamos é porque não valia mais a pena; e uma vez não valendo, nunca valerá.
Pessoas, fatos, problemas, absolutamente tudo para o qual um dia dissemos “não”, podem ressurgir com outras formas, com outra aparência, mas jamais com outro conteúdo, cedo ou tarde precisarão de outros “nãos” e quem sofre é quem acata a sua “ressurreição”.
Pessoas não mudam de caráter, e costumam causar os mesmos ou novos problemas. É preciso "deletar" de nossa mente, mandar para a "lixeira" de nossa alma e nunca mais tentar "recuperá-las" ou tentar fazê-lo. Nunca mais.


Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 19 de fevereiro de 2011.




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A pessoa que julga.


A pessoa que julga
A cada dia que passa e convivo com as pessoas me convenço mais que de as virtudes ou os defeitos estão no coração de quem julga e não na pessoa que é “analisada”.
A pureza, a maldade, a coragem, a honestidade, a malícia, a decência, e todas as demais virtudes e seus opostos estão no coração, na alma e na mente de quem atribui ao outro “esta” ou “aquela” característica.
Pessoas puras jamais verão com facilidade a malícia alheia, embora ela exista, assim como pessoas maliciosas não enxergam a pureza notória do outro: cada um “dá” em palavras, (ao analisar o outro) o que possui dentro de si.
Assim sendo, eu me assusto com pessoas que criticam negativamente o outro, me espanta ver seres defeituosos criticando quem mal nenhum lhes faz, e, quem pouco conhecem. As pessoas e suas palavras mal-ditas e mal colocadas me assustam mais do que a morte ou qualquer outra fobia que eu poderia ter (mas não tenho).

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 17 de fevereiro de 2011.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

As relações modernas, a lealdade e eu.

As relações modernas, a lealdade e eu.

Você pode até conseguir ser feliz sendo desleal com os outros, mas nunca conseguirá sorrir sendo desleal consigo mesmo. A fidelidade a si mesmo torna as pessoas mais espontâneas e, conseqüentemente, mais felizes e tranqüilas.
Cada pessoa tem uma forma única de ser e pensar. O que é extremamente difícil para um, pode ser fácil ou mesmo habitual para outro. Benditas sejam as diferenças, são elas que nos oportunizam recomeçar após um término, uma mudança.
As diferenças e a consciência que temos do que elas implicam nos possibilitam ter fé no amor e nas relações humanas, afinal se hoje alguém nos causa desgosto e decepção por certas características que possui, apenas conseguimos deixá-lo de lado e seguir adiante porque sabemos que, não sendo todos iguais, encontraremos alguém diferente de determinada pessoa e conosco mais “afins”.
Sendo leal comigo mesma eu percebi que eu sou uma mulher antiga no tempo moderno, um misto de idosa com criança, um ser que não se adéqua facilmente ao mundo moderno, mas que também não pertence apenas ao passado e aos princípios de outrora.
Eu acredito no amor e não sei viver sem ele. Eu acredito na entrega e não consigo me relacionar quando é preciso conter os sentimentos e ficar apenas na superfície, apenas o profundo me fascina.
Apenas o que é completo me apraz, é por isso que as relações afetivas modernas não são para mim e eu não sou para elas: Não sei “ficar”, até já quis aprender, mas surtei constatando que não sei e, sinceramente, não quero saber. Eu sei o que eu quero. Quem acredita no amor sabe o que quer e, assim eu sigo adiante, cuidando silenciosamente de alentar a solidão sem usar ninguém para passar meu tempo, e sem desperdiçá-lo, o que é melhor.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 15 de fevereiro de 2011.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Piedade, pena, dó.

Piedade, pena, dó.

A vida me ensinou a ter pena, muita pena. A vida me ensinou a ter dó e não raiva, a vida me ensinou a ver as pessoas irritantes e odiosas com piedade. Se é triste ser vítima de seus atos, tão mais triste é, então, ser elas mesmas (!).
Eu prefiro ser a usurpada a ser aquele que usurpa, eu prefiro ser aquela que acredita a ser aquela que mente, eu prefiro ser a roubada a ser quem rouba eu prefiro ser aquela que tem esperança a ser aquela que corta as esperanças alheias com palavras enraivecidas, eu prefiro sofrer a ser aquele que maltrata. Tudo passa, mas coração e mentes ocos jamais serão preenchidos.
A vida me ensinou que o que realmente conta é a nobreza de caráter e não o que as aparências ou a conta bancária possam “expressar”. Não importa o quanto uma pessoa tem para comprar o que importa é o quanto ela vale. E pessoas que merecem nosso apreço possuem valor não aferível monetariamente.
A vida me ensinou que nem sempre é possível esquecer por mais que se tente, a vida me ensinou que por mais que perdoemos a boa memória pode atrapalhar nosso sossego, logo, algumas pessoas devem ser perdoadas, mas não é por isso que devemos conviver com elas. (As lembranças irão lhe atormentar, cedo ou tarde, eu garanto e o que não é visto, não será lembrado.)
De todas as lições que tive, das escritas, das pensadas e das que prefiro não narrar, a mais recente e emocionante é a de transmutar a raiva e o desprezo em piedade. Coitados daqueles que me prejudicam, que me fazem mal, que me magoaram.
Quem esta mal, quem fez por mal ou simplesmente “fez” é quem não merece nem meu ódio, apenas minha pena. A ira maltrata quem sente, a piedade não fere ninguém. Sim, eu sei o que estas pensando: Eu também já acreditei que ninguém merece dó graças ao livre arbítrio e a um monte de outras “idéias idealizadas”, fato é que alguns seres merecem pena.
Eu não falo dos doentes, do mendigo, da criança de rua, eu falo daqueles que são tolos, que são vãos, que são moralmente ruins ou “questionáveis”, eu falo dos que não possuem princípios, ética e vergonha na cara: Miseráveis! Aquilo que lhes falta dinheiro nenhum irá mudar ou comprar, eles merecem dó ou desprezo, nada mais que isso.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 14 de fevereiro de 2011.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Brincadeiras sinceras

Brincadeiras sinceras

É brincando com as palavras que o homem fala as maiores verdades contando que os outros não irão perceber e irão dar risada ou distrair-se olvidando do caráter revelado através delas.
Nas entrelinhas das “brincadeiras” os homens falam sérias verdades sobre sua personalidade, revelando o que jamais irão revelar “falando sério” com a certeza de que um “estou brincando” vai distrair quem lhes ouve.
De regra todos ignoram as verdades implícitas nas “brincadeiras” verbais que as pessoas fazem, ignoram que o cara bagaceiro, desonesto, inseguro, pudico ou malicioso mostra tais características nas “brincadeiras” que faz e não quando fala “sério”, até porque deseja omitir muitos atributos de sua personalidade, em especial os que sabe que são “defeituosos”.
A partir do momento em que percebemos que as pessoas “brincam” com sinceridade, sem perceberem que o fazem, passamos a conhecer muito melhor quem nos cerca.
É através dos “eu estava brincando” que muitas pessoas acham que encerram um assunto, quando, na verdade “dizem o que pensam” e o assunto deve, apenas começar.

Cláudia de Marchi

Férias- BC/SC, 10 de fevereiro de 2011.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O sujeito imprestável

O sujeito imprestável

Sabem qual o tipo de homem que vale menos? O que fala mais. Homens que falam demais não valem muita coisa porque é pela boca que se perdem, é pela língua que eles próprios se aniquilam quando e enquanto tentam aniquilar os outros.
O cara que não vale muito conta o que não deve ser contado, fala o que não deve ser falado, e inventa o que não deveria inventar, é o larápio que mente quando quer se enaltecer e conta até segredos íntimos para se gabar quando eles são verdadeiros. É aquele que senta numa mesa de bar com um amigo ou conhecido e começa a falar sem parar.
Um pouco conta outro pouco inventa, mas fala, fala muito e faz pouco, até mesmo porque se fizesse alguma coisa teria coisa melhor para fazer do que estar bebendo com outro infeliz, soltando o verbo como político em palanque para “aparecer” para o outro.
O cara conta como a ex-mulher era boa na cama, conta detalhes do corpo de quem dormia com ele, inventa defeitos que os outros não têm, vomita verbos que não conhece e virtudes que não possui. E acha que convence. Há a quem convença, mas ele não se flagra que são poucos porque sua credibilidade é praticamente nula. O sujeito não se enxerga, ao menos não nos espelhos que existem no mundo real.
O infeliz não respeita a ninguém, fala o que quer sem medo das conseqüências. Na verdade ele pouco pensa, se pensasse fechava a boca, engoliria suas mentiras e fatos que deveriam ficar em sua memória com a cerveja que toma e iria para casa dormir, pensar na vida e nos erros que cometeu para ser um sujeito sozinho, infeliz e dependente emocional de palavras que não deveriam sair de sua boca tola.

Cláudia de Marchi

Férias- BC/SC, 09 de fevereiro de 2011.

Os recém separados

Os recém separados


Se os recém casados possuem pontos em comum por seu êxtase de amor e realização os recém separados também possuem, em sua maioria, com o perdão da minoria, claro.
Os recém separados de regra dão uma bela barrada na vida após a separação. Eles colidem com experiências que ficaram em seu passado, tudo (ou quase tudo) é, de certa forma, “novo”. Ninguém sabe o que tal emoção significa até ser um recém separado, mas é claro que, como tudo na vida, tais sensações possuem um aspecto enaltecedor.
De regra os recém separados saem do casamento fazendo algumas besteiras como adolescentes após receber o primeiro salário. Bebem demais, saem de casa além do normal, beijam quem não devem, se envolvem precocemente com alguém, fazem sexo antes do tempo ou sem seletividade alguma com desconhecidos ou quase desconhecidos (caso dos homens, em sua maioria). Citando algumas das tais “besteiras”, é claro.
Na verdade os recém separados se perdem no tempo, eles agem com pressa de viver porque, de regra, possuem a idéia de que vegetaram por um bom tempo de suas vidas, afinal se o casamento tivesse lhes satisfeito não seriam separados, é claro.
Então, por isso eles saem do casamento com a tal ânsia de viver como se não fossem ter tempo o bastante para isso, eles querem rua, até porque a casa lhes lembra a vida acomodada de outrora e vários fatos que não lhes faz bem recordar.
Eles querem novas experiências: a recatada se torna mais expansiva, a sóbria, toma um porre (ou dois, ou um por dia), a santa deixa os pudores de lado, enfim logo após a separação boa parte dos recém separados não age como costumava agir e nem aparenta ser o que realmente é. Seus atos devem ser ignorados um pouco até verem que a vida segue e não vai terminar amanha como seu casamento.
Os recém separados experimentam um alivio frustrante com a separação. Só após o período de luto (assimilação da perda e do fim) é que voltam a agir como sempre agiram até terem a fatídica e necessária experiência: o divórcio. 

Cláudia de Marchi

Férias- BC/SC, 08 de fevereiro de 2011.