Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quarta-feira, 30 de março de 2011

Intensidade e sentimentos.

Intensidade e sentimentos


Sou incapaz de negar meus sentimentos, minhas características, dentre as quais, a principal, a intensidade. Eu só sei viver e agir com intensidade, se for para ser superficial, eu desisto, se for loucura pouca, para mim, é bobagem, não vale a pena. Sou intensa na alegria, no riso, no sorriso, na lealdade, na paixão, no amor, na excitação, na energia, nas vontades, no ânimo, nos sonhos, na busca, mas também sou intensa na ira, no desprezo, no desdém, no repúdio, na tristeza, na depressão, em todos os sentimentos, dos mais nobres aos mais vis, eu não temo senti-los desde que, ao fim, eu os supere. Apesar de ser feliz, às vezes a dor me importuna, já passei por muitas, como, por exemplo, a da separação. Aquele sentimento terrível de cama vazia, coração despedaçado, vida usurpada, sonhos extintos, tempo desperdiçado, alma desconsertada, desvalorização e tristeza. Muita tristeza. Em momentos como este, que eu já passei, (logo, posso aconselhar): apenas sofra, não mascare a dor. Nenhuma garrafa de vodka, nem o melhor vinho, a melhor espumante, o melhor psicotrópico, o melhor chocolate e a bolsa Victor Hugo mais chique e linda lhe recomporão o coração. Acredite: em horas você estará chorando aos prantos na beira da privada regurgitando a bebidinha cara que tomou e tendo vontade de transformar o belo jacquard da bolsa nova em lenço. Qual o remédio, pois, para a tristeza da separação, para a dor da perda? O tempo e a fé, de que algo melhor há de ocorrer, qual o antídoto? No meu caso, de pessoa demasiado intensa, nenhum. Para as pessoas normais, talvez sirva de conselho o seguinte: tema mais, se resguarde. Lamentavelmente tal conselho não me serve, não se coaduna com a pessoa que sou. Mas, um dia, quem sabe, eu me torne menos intensa nos meus laços.

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 31 de março de 2011.

Encante-me.

Encante-me 

Encanto, encanto meu, surja do nada, surja sem explicação e, simplesmente, me cative, me encante, me tome como tua, porque nos nossos melhores momentos, é tua que quero ser! Mas não tenha pressa, não seja como todos, não seja comum, por favor, me encante, me deixe a vontade. Encante-me com tuas certezas, com tuas vontades implícitas, com teu silêncio mais explícito que os melhores discursos, com seu toque mais forte do que o mais apertado dos abraços, me encante com tua boca que não precisa expressar-se demais para, apenas, me encantar! Eu quero o encanto do brilho dos teus olhos, da tua vida isenta de mágoas, de traumas amorosos, de dores e inconvenientes, não superados, do passado. Encante-me com a pureza da tua vida, ainda que dura, mas uma vida limpa, transparente, batalhada. Não quero mais saber de gente com passado dolorido, de histórias de vidas traumáticas e pesadas, que me dão a responsabilidade de ser isenta de erros, quero uma paixão livre, entre iguais: passados sofridos, mas não presentes em nossos corações. Encante-me assim, sendo você, autêntico, espontâneo, entregue, amável, amante, doce, confiante, bondoso, puro. Encante-me sendo assim, ou não me encante, simplesmente siga a vida como sempre seguiu, sem mim. É uma questão de escolha, e eu nunca opto pelo sofrimento, nunca mais, ao menos. 
Cáudia de Marchi 
Passo Fundo, 31 de março de 2011.

terça-feira, 29 de março de 2011

Grotescos

Grotescos

Quando você acha que já viu ou ouviu tudo a respeito da indecorosidade humana, você ouve ou lê alguma barbaridade tão grande que lhe deixa boquiaberto e lhe dá a certeza de que, semelhante, atrai semelhante e com eles permanecem. Ser amigo do “garanhão” ou da moçoila que fica com todos não é defeito. Porque não importa com quantas o cara transou, mas com quantas ele foi sincero e leal, quantas vezes ele foi realmente honesto. Não é feio ser amiga da puta, feio é se aproveitar de quem quer que seja para tirar vantagem e se vangloriar “viu, eu sou mais decente do que ela”. Algumas pessoas se superestimam, acham que marcam a vida de alguém, acham que seus atos deixam boas e eternas lembranças, menosprezam a inteligência, o brio, o amor próprio e a beleza alheios, ora, meu camarada, as lembranças duram pouco, muito pouco, apenas pessoas estúpidas cultivam bons sentimentos por quem não lhes estima, por quem é, realmente, falso e acha que pessoas são brinquedos para lhes divertir. Em menos de dias a lucidez se recompõe e os ratos são enviados para o porão, local do qual nunca deviam ter saído, para fazer os barulhos abjetos que exprimem perto de gente de mente sã, alma pura e coração limpo, porém, tudo tem um propósito na vida. Quando nos frustramos com a empáfia doentia de determinada pessoa, com seu orgulho, egocentrismo, narcisismo, intrigas e grossura percebemos que aquele que já foi por ele criticado, apesar de saber de tudo é com ele “simpático”, porque é tão gélido, tão maldoso, e tão insignificante para o mundo e para nós que não vale a pena nem lembrar, ou melhor, vale, lembrar e economizar um activia ou um laxante, porque o efeito de pensar neste tipo de gente é este. Tão grotesco quanto tais miseráveis sujeitos. Cáudia de Marchi Passo Fundo, 30 de março de 2011.

segunda-feira, 28 de março de 2011

A burrice fantasiada de inteligência.

A burrice fantasiada de inteligência.

Não existe inteligência em uma visão uníssona da vida. Se você só lê uma categoria de livros, se você só ouve um ou dois tipos de musicas, se você só vai para o mesmo lugar veranear ou almoçar, comendo sempre a mesma coisa é porque seu cérebro deixou de ser curioso e, portanto vivo e instigante, porque instigado. É preciso exercitar a mente, ouvir com atenção músicas desconhecidas, colocar o preconceito de lado, que, certamente, até dentre o “desprezível” surgirão canções belas. É preciso provar novos pratos, novos sabores. A vida é uma só, ainda que não creiamos nisso, certo é que certezas não existem. Aliás, o ponto forte do homem inteligente é a dúvida, é a curiosidade que instiga, que impulsiona que lhe faz sair do trivial, do rotineiro, que lhe faz ler autores, hoje, desconhecidos, que amanha serão ovacionados, citados e aplaudidos. Foi pela curiosidade que a América esta ai, quem se contenta apenas com suas certezas mesquinhas é porque é mesquinho, tolo, ignorante. Quem não pára para ouvir um conselho, quem não reflete sobre seus próprios atos, quem, sem conhecer nada acerca de determinado indivíduo, o estigmatiza por meia dúzia de palavras ditas, não é normal, é esquizofrênico. Precisa de tratamento. Viver é conviver, viver é dar amor a quem nos merece, é amar quem é conosco afim, e respeitar com honradez quem não amamos, ou, quiçá, nem sequer simpatizamos, porque, por mais diversos de nós que o outro possa ser algo de bom, o mínimo que seja, ele terá. E a menor bondade faz a vida valer a pena porque anula a maior das maldades que provém do orgulho, da falsidade, da malícia, do egoísmo, e do interesse em obter quaisquer tipos de vantagens alheias. Cáudia de Marchi Passo Fundo, 28 de março de 2011.

Gente cansativa

Gente cansativa

Tem gente cuja maldade é imensurável, inominável. Normalmente são aquelas pessoas que adoram “se fazer” de queridas, de cordiais, de afáveis, e que dizem menosprezar a ingratidão e o desrespeito, isto, claro, quando a “ingratidão” alheia vai de encontro com seus anseios egoísticos. Algumas pessoas se sentem tão superiores as demais, algumas pessoas se sentem, tão moral e espiritualmente mais dignas e respeitáveis, que o orgulho corrompe o pouco de bondade que poderiam, de fato, albergar na alma. Onde essas pessoas estão elas causam discórdia, desconforto, deixam o ambiente pesado, porque querem tudo do seu jeito, não admitem a mínima contrariedade. Desconhecem o significado da palavra transigência e convivência. Suas idéias, seus gostos, seus desejos, devem prevalecer, do contrário, como crianças mimadas; elas começam a resmungar, a chorar, a reclamar sem parar, causando nas pessoas aquela ansiedade iracunda, aquela vontade peculiar de sair correndo e nunca mais voltar. Mas, como todo malandro tem humor, esse tipinho esquizóide de gente faz amizades! Todavia, de repente, sem motivo real algum, porque você não esta com uma amiga legal, porque você saiu com a amiga antipática (que ele mal conheceu), porque você beijou um sujeito numa festa ou bebeu demais (provavelmente porque você estava perdida e deprimida) ele some, sem saber se você esta bem, mal, ou precisando de um ombro. Essas pessoas querem amigos apenas para os bons momentos, querem amigos para fazer volume, querem, de preferência, amigos bem sucedidos, se você não for tudo isso, na menor gafe você é indigna de sua amizade, daí ele lhe mandará queimar fotografias, ou quiçá, nunca contar para ninguém que ocorreu uma pseudo amizade entre vocês. E isso magoa, isso fere, fere muito, faz você se sentir, aquilo que ele realmente pensa que você é: um ser inferior, muito inferior ao poço de sapiência que ele carrega na alma. Povero diavolo!

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 28 de março de 2011.

sábado, 26 de março de 2011

A Cláudia de antes

A Cláudia de antes

E eu que nada bebia, que nunca perdia a plausibilidade e racionalidade dos meus atos, eu que sabia ser puritana nos momentos certos, eu que nunca me embriaguei, para sempre estar no controle, e nunca esquecer de nada que eu tivesse feito; de repente me perdi, me virei do avesso, e, em certas horas me indaguei: onde eu fui parar?
Entre meio a desilusões, a humilhações, a juras de amor insanas, a atos enlouquecedores, a trocas de boas pessoas por outras ludibriadoras, entre meio ao arrependimento que me maltrata dia noite, noite e dia, sigo vivendo e lutando como posso apesar de ter tomado certas decisões (erradas) e colocado fé em quem não merecia.
E é o pesar que me fez ir a busca de tratamento, para reencontrar a “Cláudinha” sempre alegre, sempre sóbria, sempre auto-prevervadora que sempre foi, até alguém tirar-lhe um pouco dela mesma, um pouco do amor e da inocência doce que ela nutria, calada, por si mesma.
Cáudia de Marchi
Passo Fundo, 26 de março de 2011.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O homem iceberg

O homem iceberg

Pois, você chegou e me viu como realmente sou, simples, despretenciosa, espontânea, transparente e, inegavelmente, lógica. Você percebeu tudo e, de repente surgiu vestido com as roupas que eu gostava, com o perfume que me agradava, me tirando para dançar as musicas que eu apreciava.
De repente você fazia tudo o que eu gostava, de repente eras aquele ser agradabilíssimo, porque adequado a mim, no chão, na água, em tudo. De repente você era aquele sujeito encantador que todos achavam que ia além do romantismo aparente, mas que estava envolvendo-se num romance com a tola sorridente.
Mas, num belo dia você acordou, desceu as escadas e eu percebi que as roupas que eu gostava não existiam mais. Não apenas elas, por baixo delas não existia mais um corpo, menos ainda um coração. Naquele dia eu vi em seus olhos um vazio triste e indescritível, e, nas suas atitudes uma frieza de fazer inveja a um iceberg. Uma vontade de sumir e esquecer tudo o que ocorreu, tudo o que fez e a todos que enganou.
Nunca houve coração, nunca houve carinho, nunca houve afeto, nunca houve romance, nenhum beijo sincero, nenhum elogio realista, nenhuma atitude espontânea. Galanteios? Talvez, qualquer coisa que seria feita com qualquer uma. Qualquer uma, por isso nenhum elogio foi sincero, nenhum beijo genuíno.
Romance? Não houve, apenas um engano. Meu, é claro. O iceberg vestido de homem cantando musicas românticas me enganou, e eu, como um pingüim, cai na dança, alegre e faceira. Mas passa, assim como a alegria gerada pela sua falsidade, a tristeza vai passar. Nada como grandes e sofridos enganos para ensinar a gente a ver além do que o “agradável” tente ou possa parecer, realmente, ser.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 24 de março de 2011.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Eu e o psiquiatra.

Eu e o psiquiatra
Eu tenho sérias dificuldades para lidar com as frustrações. São problemas íntimos de filha única, sempre “exigida”, sempre sozinha, sempre paparicada e sempre muito bem amada. Hoje, pois, sem ninguém para amar, sem trabalho, sem ter onde focar meu imenso mar de energia psíquica resolvi ir a um médico, afinal desde a quarta-feira de cinzas uma maldita dor me cortava o coração.
As perguntas de sempre: relacionamentos, ex-marido, mãe, família, trabalho, escola, e pai. Este magnífico ser sorridente e ausente que Deus colocou em minha vida para eu chamá-lo de “meu”. Eis que, eu choro. Choro muito. Não sei onde esteve meu pai em todos estes anos difíceis que tive, não sei o que é um ombro de pai após a tomada de uma decisão que fez sangrar minha alma um pouco, ou muito. Já nem me recordo mais.
Mas hoje, analisando com o médico que não tenho nenhuma anormalidade de humor, pelo contrário, apenas uma ansiedade causada por problemas afetivos e frustrações, eu pude perceber que, quem realmente deveria procurar tratamento, não vai. Acha-se além e acima de qualquer problema.
Psiquiatras e psicólogos não são para loucos, talvez eles ajudem você, que não sabe aceitar a vida, as diferenças, que não sabe dizer não, que não sabe se posicionar com hombridade, ou se posiciona de tal forma, que machuca a todos, como se fosse Jesus Cristo encarnado a agir com mais maleabilidade e compaixão, a ser franco sem ser letal, e a ser pacifico sem ser covarde e patético.
São os que se julgam “certos” e “normais” que, muitas vezes, acabam com as forças psíquicas, acabam com a energia, com o ânimo e até com a alegria dos que são um pouco mais “normais”. Vida, cada um cuida da sua, escolhas cada um faz as suas, e se faz, nunca é com más intenções, pelo contrário, as pessoas escolhem o que lhes parece bom, ainda que paguem o alto preço da desilusão.
No meu caso, já estou até me acostumando com as frustrações, tenho até um remedinho na bolsa contra a sensação angustiante e dolorosa que elas me causam. Fazer o que se a fase esta pesada a tal ponto, se meus chutes são tão errados que se eu fosse jogador de futebol seria queimado em praça pública? Na verdade, na verdade, me recolhi e desisti de arriscar e de chutar, vou guardar meu coração a sete chaves e jogar a chave fora. Ou melhor, já fiz isso hoje à tarde. Eu desisti.
Quem vai pagar o preço da desilusão, ou qualquer outro, enfim, é quem escolhe. Perfeito ninguém é para julgar, com cátedra, pessoa alguma. Ademais, ninguém vive por ninguém, logo, ninguém tem o direito de interferir na vida alheia e tornar insanos os instintos de quem quer, apenas, viver. Viver bem e alegremente.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 24 de março de 2011.

Intransigentes

Intransigentes
Nunca mensurei qual seria o pior defeito humano, mas, ultimamente, estou verificando o quanto a intransigência é malévola: ela trás consigo a malícia, o orgulho, o egoísmo, a maldade, a intriga e a tolice.
A intransigência causa desavenças, causa mágoas, causa ofensas tolas. O intransigente crê ser superior aos outros, tem certeza que sua moral e seu espírito são superiores, e, assim, parece insano, mentalmente doente e termina por causar moléstia na alma alheia.
Viva e deixe viver, se você não aceita o outro, se cale, se retire, mas não apregoe aos quatro cantos suas razões, isso lhe torna orgulhoso, asqueroso e maldoso. Existe um limite muito tênue entre a razão e o erro, e este limite se chama plausibilidade, irmã do silêncio e filha da racionalidade.
Conviver é transigir: se você não consegue ser transigente, será solitário, este é o preço da soberba, este é o preço que pagam aqueles que acham que sabem mais do que os outros, que são mais cultos, mais justos, ou mais sábios.
A intransigência fere, magoa, faz doer os corações, a intransigência humilha, abate, maltrata. A humildade é o antídoto para a intransigência, porque faz o intransigente ver que, por mais sábio que ele possa ser, ou por mais virtudes que possua em alguns aspectos, ele é apenas diferente daquele que critica, e não melhor, pelo contrário, quanto mais tenta parecer que é superior, mais se inferioriza.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 23 de março de 2011.

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Vergonha na cara pós-moderna"

“Vergonha na cara pós-moderna”
A “vergonha na cara” na pós-modernidade me assusta. Na verdade nem sei se é possível chamar de “vergonha” o que me parece ser, apenas, um disfarce hipócrita.
As pessoas não têm vergonha de trair, de enganar, de roubar, de ludibriar os outros, elas têm “vergonha”, isto sim, de serem descobertas, elas temem que a vileza de seus atos seja conhecida pelos outros.E, para tanto, mentem e enganam.
Os indivíduos não se importam com seu caráter, mas com sua reputação, com o que os outros pensam ou irão pensar sobre ele, sobre seu agir, sobre sua personalidade.
Foi-se o tempo em que as pessoas pensavam em agir com nobreza. Hoje elas pensam, antes mesmo de seu agir, em como disfarçar seus erros. Não ocorreu perda da consciência sobre o certo e o errado, apenas, descobriu-se que é possível ser falso, que é possível falar bonito, enganar e pregar moral inexistente em si mesmo.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 21 de março de 2011.

domingo, 20 de março de 2011

Habilidades hipócritas

Habilidades hipócritas

Minhas habilidades hipócritas vão de zero a nada. Eu não consigo elogiar sem ser espontaneamente, não consigo fazer discurso enaltecendo pessoa alguma: a vida me ensinou que ninguém que mereça ser enaltecido o é em palavras. São nossos atos que valem.
Não consigo ser aprazível e simpática, como normalmente sou, com quem me irrita ou me parece inconveniente. Não consigo ver injustiças, falta de decoro e franqueza sem reclamar.
Não consigo interagir aberta e francamente com quem não simpatizo, aliás, sou muito antipática com quem não me afino, não estou na vida para desperdiçar meus sagrados minutos com pessoas que me irritam.
Todavia, sou tolerante. Respeito o ponto de vista alheio, respeito os gostos alheios. Cuido bem da minha vida, não preciso de ajuda para isso, e nem pretendo ajudar ninguém a fazer o que lhe compete.
Eu sou muito pacifica e tolerante com certas diferenças, mas não finjo seu existir dizendo palavras doces e inverídicas: cada pessoa em seu lugar, cada palavra, igualmente, em seu devido lugar.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 20 de março de 2011.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Eu finjo que acredito.

Eu finjo que acredito.
Eu quero a simplicidade de uma vida tranqüila, eu quero o carinho de pessoas sinceras, quero o amor de pessoas espontâneas, e o respeito de quem sabe se respeitar.
Eu quero as brutas palavras francas e não as melosas mentiras, para as quais eu sorrio e finjo que acredito. Eu não quero mais ter que ouvir gente hipócrita pregando moral que desconhece, eu não quero saber de gente desleal, infiel e infame se fazendo de decente na minha frente.
Eu quero que as pessoas consigam ver que, apesar da cor do cabelo, do vestido, da marca da bolsa, e dos sorrisos constantes existe algo em mim que rastreia mentira, e eu as respondo com sorriso, porque me alegra ver idiotas acreditando que estão me convencendo das asneiras que falam. Ninguém me engana quando mente, ao menos quando me convém fingir que creio no que ouço.
É lucrativo interpretar o papel de boba, é cômico, ou melhor, tragicômico ver a fragilidade dos que temem dizer a verdade e agir com sinceridade, porque seus atos são tão abjetos que eles mesmos sentem vergonha. É patético ver que alguns homens, não tem vergonha de errar, mas de que os outros saibam de seus erros.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 18 de março de 2011.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sustos noturnos


Sustos noturnos
A noite me assusta. Ou melhor, a postura das pessoas na noite me assusta e, até mesmo, me afugenta. Aquela busca insana por um olhar, por um sorriso, aquelas conversas mal estabelecidas em meio a muito barulho e ao fervor de hormônios sexuais, me causa estranheza.
Eu gosto de gente. Eu gosto de conversar. Adoro dar risada e interagir, mas não é sexo que busco quando eu saio. É a boa, simples e velha diversão, esquecida no mundo dos corações carentes e dos corpos insanos por calor. Calor fugaz, relações fugazes, entrega nula.
Não poucas vezes duvidei de minha normalidade, mas hoje me aceito. Sou antinômica, não sou óbvia, sou mais misteriosa do que eu mesma possa saber, mas, como diria a Rita Lee, “não sou freira, nem sou puta”. É só isso que posso garantir ao meu respeito.
Eu sei o que quero, e, com certeza, é algo que vai muito além do que se encontra na penumbra com corpos expostos e sedentos de tudo, de quase tudo, ao menos, claro, por uma noite. No outro dia “tudo” é nada, e o nada volta a valer o que realmente vale: nada.
E, assim, apavorada com as noites de “caçada” humana sigo a minha estranha vida de solteira. Uma vida com a qual, ainda não me adaptei, uma vida que parece que não foi feita para mim, nem eu para ela. Eu admito: Eu trocaria todas minhas noites de diversão em mesa de bar, por noites de diversão acompanhada por quem admira mais as palavras e os pensamentos do que a boca ou o sorriso. Trocaria, com certeza.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 17 de março de 2011.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Se o amor termina, ninguém tem culpa.

Se o amor termina, ninguém tem culpa.

Não existe amor sem doação. De uma forma ou outra todos os amantes se entregam, mudam algum aspecto de suas vidas, revolucionam seus anseios, em muitos aspectos. Por outro lado, não existe amor com cobranças.
Amor é entrega, é uma boa dose de abdicação, de vontades “sem porquês”, de realizações racionalmente inexplicáveis. É difícil saber quando o amor termina, na verdade, o seu fim é verificado indiciariamente, por pequenos detalhes e mudanças.
Uma das quais se chama “cobranças”: no inicio se agia por espontaneidade, carinho, afeição, vontade, depois, quando se analisa todo o amor dado, todas as modificações realizadas, resta um amargor, um arrependimento, um sentimento vazio e um “vitimismo” inconseqüente.
Ninguém pede para ser amado. Ninguém requer a abdicação, as mudanças, a complacência ou o perdão. Quem ama, abdica, muda, cede e perdoa porque quer, porque ama.
O desamor, as frustrações, as decepções e qualquer espécie de dor não devem ser deméritos do (ex) amado. É preciso buscar o equilíbrio apesar da dor, é preciso buscar a racionalidade apesar da revolta: Foi você quem amou, foi você quem escolheu, todavia, escolhas nunca faltam, ainda que seja a desistência. De amor ninguém morre. Ninguém.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 16 de março de 2011.

sábado, 12 de março de 2011

Minhas maiores virtudes...

Minhas maiores virtudes.

“Moça, quais suas maiores virtudes?”. São duas, uma ligada a outra. A primeira se chama pureza, um lado peculiar meu que me faz dar credibilidade ao que ouve, porque eu não minto e julgo os outros por mim. A segunda se chama resiliência.
Hoje eu sofro por paixão, hoje meu coração pode doer, minha alma rasgar, minha mente ficar confusa, hoje posso me sentir um joguete nas mãos de quem me enganou, hoje eu posso querer cama e sono. Hoje eu vivo a dor, sofro com “gosto” e intensidade, porque eu sei que amanha ela passa, então eu choro.
Amanha eu me recomponho. Olho-me bem nos espelho, no fundo de meus olhos e digo: “Nada, absolutamente nada, nem ninguém que lhe fez derrubar uma lágrima serve para você”, e, assim eu saio sorrindo pela vida. Contente comigo mesma, descontente ou, até mesmo frustrada com os outros.Outros que de nada me valem, que nada me valeram.
Os outros não me interessam, nem me importam. Quem me machucou é deletado de minha existência. Existem muitas pessoas boas que me amam,que me admiram, que são francas. Do que me importa quem nada vale, quem sequer marcou a minha essência? Nada.
Eu sou pura, eu sou sincera, eu sou calma, eu tenho fé (ainda) no amor e nas pessoas, mas eu não sou tola, eu tenho intuição e, principalmente, eu sei ser resiliente: Podem rasgar meu coração, podem puxar meu brio, basta eu querer, no outro dia eu volto a ser eu mesma: aalegre, contente, em paz e feliz.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 12 de março de 2011.

Tentações quase irresistíveis

Tentações quase irresistíveis

Não é humano quem nunca desejou algo, um beijo, um, toque, um afago quente, um abraço caloroso, uma sensação, ainda que, "ilusória" de bem querer, de paixão, de entrega, de carinho, quando, por algum motivo, "não pode" dar vazão a tais desejos.
As vezes alguns motivos racionais são aptos a frear nosso instinto, então, me questiono, vale a pena brecá-los? O desejo vai morrer ou vão continuar amanha? A melhor forma de vencer uma tentação, é, sem duvida, entregar-se a ela, apenas assim duas pessoas maduras, resolvem sob o que lhes convém, ou não.
É triste dormir com aquele desejo ardendo, é triste relaxar com a alma pululando de vontades, não existem remédios para amansar nossos desejos, apenas o uso da racionalidade. Mas ele me assusta. Não somos santos, por mais corretos e justos que queiramos ser.
Sempre irá chegar uma oportunidade em que a razão irá se afastar ainda mais, em que o sutil toque na pele, em que o olhar no fundo dos olhos, em que os movimentos atraentes dos lábios farão a tentação ressurgir, e, agora, irá convir escapar?
Valerá realmente a pena fugir de uma tentação que irá reincidir e, quiçá, nos atormentar? Francamente, eu duvido. O que se consegue, única e tão somente é postergar o beijo, as caricias, o envolvimento afetivo e um tanto físico, apenas isso. Ah, eu falei postergar, e não "anular" a realização desejos.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 12 de março de 2011.

sexta-feira, 11 de março de 2011

"Nadas" vagando pela vida.

“Nadas” vagando pela vida.

Quantos seres existem por ai que não passam de intérpretes na vida. Atores de um filme que nunca fará sucesso, atores de um filme que vai findar quando eles estiverem amargando o cachê da solidão e do desprezo alheio.
O que ganha uma pessoa que te engana? O que ganha uma pessoa de coração gélido, de alma fria, que interpreta um ser amável e, por algumas horas, te encanta? Nada, porque o resultado da interpretação comove no ato, mas a pessoa por trás dela desgosta sempre. Basta agir com sua frieza peculiar que o desgosto toma o lugar do encanto para nunca mais deixá-lo entrar.
Quantas pessoas existem por ai que vagam na posição de cidadãos bondosos, ponderados, educados e indulgentes, quando, na verdade, não passam de seres hipócritas, covardes, de atores em ação no palco da vida, de intérpretes que, por mais que tentem cativar certa platéia, jamais conseguirão conquistar o seu real e puro “bem querer”.
Se a alegria desses infelizes é interpretar um papel inquinado de amabilidade para, depois, mostrar seu real amargor e frieza afetiva, deixe-os viver. Infelizes são eles, que vivem num vácuo entre o que tentar parecer que são, e o que realmente são: “nadas” vagando pela vida.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 11 de março de 2011.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Não ouse...

Não ouse...
Não ouse dar atenção para quem não lhe desperta interesse, não ouse dar carinho a quem, no outro dia, não pretender ver, menos ainda, acarinhar, não ouse dar mel, a quem, no outro dia deixará o amargor da estranheza, da solidão, da ausência de doçura.
As pessoas se iludem porque querem? Talvez, mas elas se iludem, principalmente porque alguém dá vazão aos seus anseios, elas se iludem com aqueles que demonstram que possuem o que elas desejam, e, em muitos casos, isso não passa de conversas interessantes, inteligência, humor, afeto e respeito.
Não ouse despertar o afeto, a admiração, o bem querer de quem você não deseja, sequer, querer, isso é muito injusto e um tanto abjeto. Seja leal com suas intenções, seja claro, seja explicito, quem concordar vai ficar, quem discordar vai partir, mas, ao menos, sem dor, sem decepção.
A sinceridade muda tudo, a sinceridade desmistifica tudo. Existem pessoas que são acostumadas e não se importam com falsas esperanças, elas mesmas conseguem inventá-las. Por outro lado, existem pessoas inocentes e francas, que fazem apenas o que desejam, que acreditam nas pessoas e acham que todas são transparentes como elas.
Normalmente é este segundo tipo de gente que padece com as atitudes cordiais, doces, meigas e encantadoras, daqueles que, de uma hora para a outra, resolvem mostrar “a que vieram” e o que “buscam”, e, normalmente, a resposta é “nada”.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 10 de maio de 2011.

A falta de franqueza e a paixão.

A falta de franqueza e a paixão
Não tem graça viver a vida sem paixão, são tão sem graça os dias sem ter o coração batendo mais forte por alguém. Infelizmente, sou uma pessoa que não me interesso por 99% das pessoas que conheço, e o 1% que me resta geralmente é mais complicado do que simples.
Difícil, para mim, não é me apaixonar, mas encontrar alguém apaixonante, que me desperte o interesse, que me chame a atenção. Todavia, os maiores riscos que enfrentamos, além de investimentos na bolsa de valores, é o de nos apaixonarmos. Por quem não devemos, é claro.
A gente reclama da falta de ter quem nos atraia e nos interesse e, às vezes, nos interessamos por quem não esta nem ai em nosso carinho e em nosso afeto, por quem não vê em nós a mesma graça que vimos.
E é assim, que nos tornamos pessoas medrosas. “Por que irei me entregar e me envolver se posso estar sendo deletado da vida alheia num piscar de olhos?”, “por que deixar-me render pelo tratamento cordial e mimoso se ao acordar serei descartado?”. Para nada.
Não adianta, acho que o negócio é blindar o coração, é trocar a vontade de amar pela de trabalhar, o carinho que treme para ser dado por paparicos em bichos de estimação, a fé nas palavras que se ouve pela fé em Deus, porque este sim, nunca nos engana, e as pessoas hoje em dia, até mesmo sem querer, criam falsas expectativas nos corações mais bondosos e inocentes.
Os relacionamentos humanos seriam muito melhores se as pessoas aprendessem a deixar claras suas intenções: “eu quero só sexo”, “eu não quero relacionamento sério”, “eu quero um romance no carnaval, e nada mais”, “eu não quero me envolver e nem amar”. Se a franqueza preponderasse ninguém sofreria injustamente.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 10 de março de 2010.

"Desculpa, mas recém sai de um relacionamento."

“Desculpa, mas recém sai de um relacionamento.”

O bom de ser recém separado são os motes que você adquire para se livrar de pessoas que não lhe interessam psíquica, física ou sexualmente. É uma maravilha o tal do “não estou preparada, acabo de sair de uma relação longa ou complicada”.
Como uma mulher que já se separou três vezes (da mesma pessoa) eu sei bem como funcionam estes motes e, quando ditos para seres inteligentes eles funcionam na hora: O sujeito que de tolo só tem a cara, vaza da sua vida e não aparece nem que você compre o corpo da Juliana Paes e o rosto da Angelina Jolie.
Todavia, este mote pode ser verdadeiro e sincero, ou simplesmente, uma forma mais simples de mandar a “p.q.p.” quem não lhe interessou em nada. Quando é verdadeiro, nele implícito o seguinte: “Eu sai de um longo relacionamento e não estou preparado para nada sério ou meio sério (porque eu amo o meu ex e minha vida esta sem chão na ausência dele, não quero que ele saiba que estou com outra pessoa).
Pois é, este parêntese ai não é dito, mas, para quem sabe ler, um pingo é letra. Essa afirmativa pseudo-inocente é prima irmã daquela "o problema não é você, sou eu". Formas simplistas e tolas de, deixar a sinceridade e a compaixão de lado, e mandar o outro "à". Bem, mandar o outro para onde eu prefiro nem comentar.
Independente de ser verdadeiro ou não, quem ouviu essa afirmativa tosca pode ter certeza, ganhou um fora. Um categórico, óbvio e explicito fora. Mas, não há porque desanimar. É melhor ser excluído do campo de atração dos outros do que ser o povero diavolo que, ou padece de amor pelo ex, ou tem medo de amar novamente, ou não tem coragem para assumir um relacionamento sério com alguém que, quiçá, lhe assuste. É meu caro, é a vida, e é bonita, e é bonita.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 10 de março de 2011.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Mal de quarta-feira de cinzas.

Mal de quarta-feira de cinzas.

De repente uma tristeza imensamente grande tomou conta de minha alma. O curioso é que eu não sei ao certo o motivo, mas sei que toda essa tristeza não se opõe a minha felicidade latente, mas a minha alegria costumeira.
De repente sinto um aperto realmente forte e doído no peito, uma vontade grande de chorar, mas, chorar de que jeito com tantas coisas para fazer? Borrar a maquiagem em pleno dia de trabalho não dá.
Então eu penso na noite. Ai, que vontade que caia a escuridão, que o lindo sol do dia se vá, porque hoje, definitivamente, ele não esta combinando comigo! Quero tirar o vestido azul, o batom rosado, quero me deitar e no conforto da minha cama chorar. Chorar muito para ver se o vazio diminui, se a dor passa. Vai passar, ela sempre passou.
Eu, triste? Eu que já chorei mais do que qualquer pessoa que conheço possa ter chorado, eu que já padeci com toda espécie de dor e desilusão, eu que vi meu mundo cair, minha vida perder o rumo, eu que perdi o chão debaixo de meus pés e consegui me recolocar em solo firme, depois de tudo, eu, triste? Não entendo, mas estou.
Deve ser mal de quarta-feira de cinzas. Deve ser mal de garota afobada, deve ser mal de quem já teve o coração estraçalhado, mas nunca se entregou a descrença do amor, deve ser mal de quem tem fé nos homens, deve ser mal de garota teimosa, deve ser mal de garota boba e meio carente, deve ser um mal qualquer. Um mal que me machuca, me confunde e me dói demais.
Mas, seja o que for que esta me doendo por dentro, vai passar. Quem passou por metade do que já passei na vida não se entrega jamais, menos ainda quem passou por tudo que passei. “Ela passou pelo que”? Jamais quero contar, ninguém precisa saber, mas sofri o suficiente para saber que qualquer coisa que me machuque é pouco e vai passar logo.
Eu preciso mesmo é da minha cama, do escuro, eu preciso mesmo é chorar, daí a alma lava e a alegria volta aos meus lábios que sorriem mesmo quando o coração se corta. Apesar da tristeza, o contentamento comigo mesma não passa. O que me dói é um descontentamento com o que não esta em mim e nem vem de mim.
É, deve ser mal de quarta-feira de cinzas, mas amanha o sol vai nascer lindamente e vai combinar comigo, amanha a minha alegria, já restabelecida, com ele, vai brilhar novamente. Amanha é outro dia e, tristeza na minha vida, se afina apenas com a quarta-feira de cinzas. Na quinta-feira ela já terá ido embora. E que chegue logo esta noite, minha cama e minhas lágrimas.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 09 de março de 2011.

A complexidade humana e as diferenças.

A complexidade humana e as diferenças.

Por mais diferente que alguém seja de nós, por mais tolo ou banal que ele nos pareça ser, como nós, ele é um mar de complexidades. Todo ser humano é complexo, as atitudes objetivas e simples podem, apenas, facilitar o convívio, mas, em si mesmo, o homem não é simples.
Pode ser que a pessoa tenha gostos simplórios, pode ser que se traje com simplicidade, que seja avesso ao luxo, sua alma é e sempre será complexa. Complexa, não complicada. Complicado é conviver com as diferenças entre os seres complexos.
“Complicados” são os atos de quem não simplifica suas vontades, “complicado” é o ato de quem quer dizer uma coisa e diz outra, de quem quer fazer algo e faz coisa bem diversa.
Complexa é a alma humana. Complexo é o ser humano que nasce com características inerentes, que se molda com a educação e que por mais estudioso, culto e inteligente que seja, deve aprender diariamente para se tornar uma pessoa melhor.
Inerente a complexidade de cada um estão as diferenças gritantes entre as pessoas e daí, as contrariedades. Cada pessoa é única por mais que possamos- pelas diferenças- achar que alguém é “inferior” a nós, quer pela educação, cultura, forma de pensar e agir.
Não creio que exista inferioridade, creio que existam diferenças, algumas das quais podemos tolerar, outras não. Se quisermos ser felizes e manter nosso equilíbrio psíquico devemos conviver com quem possui afinidades conosco, do contrário, quem se prejudica somos nós, apenas nós.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 09 de março de 2011.

Hipocrisia reinante

Hipocrisia reinante
Ao que me parece a hipocrisia dominou o mundo, ao que me parece a autenticidade deixou de ser virtude, ao que me parece é bem quisto o homem que cerceia seus instintos e desejos para parecer aos outros melhor, enfim, para cativá-los.
Em todos os aspectos da vida humana a sinceridade é valorizada “da boca para fora”: As pessoas gostam das ilusões doces, das aparências inocentes, das palavras pré-moldadas para o agrado, das atitudes contidas para que nenhum ato passível de “mau julgamento” ocorra.
As pessoas gostam das palavras doces e daquilo que aparenta a perfeição, olvidando do fato que, quanto mais “aparentemente adequado” à sua personalidade alguém possa parecer, menos sincero e honesto ele pode estar sendo.
A hipocrisia, a sinceridade, a franqueza, a lealdade, a fidelidade, são virtudes ideais pelas quais as pessoas dizem “erguer” bandeiras de defesa e apoio, todavia, o que lhes cativa e conquista é o seu oposto: os atos dos falsos são, para a maioria, mais cativantes, mais emocionantes.
Felizes, pois, neste mundo de hipocrisia reinante, os maliciosos porque conseguem deixar sua real personalidade de lado para conquistar os pobres diabos que se encantam por belas palavras e atos, ignorando o sentimento que as move.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 08 de março de 2011.

Intuição e outras conjeturas.

Intuição e outras conjeturas.
Tenho em mim tanta pureza e inocência, tanto amor, tantos desejos, tanta alegria, tanta energia boa e forte que às vezes sinto que minha alma vai transbordar. Por outro lado a solidão me assola, porque me faz perceber que ninguém neste mundo me conhece realmente.
Não conheço ninguém que me conheça. Não conheço quem queira conhecer algo mais profundo de mim, algo além das aparências. Não sem ter medo, é claro. O que me mantém inteira na vida, o que mantém meu coração longe do envolvimento com a superficialidade de relações banais e pessoas vãs é aquilo pelo qual outrora eu chorei, é aquilo que foi trauma superado: A dor da desilusão.
Ninguém sabe o que eu passei para ser quem eu sou. Eu não preciso que saibam. Apesar de tanta inocência, apesar da bondade, eu tenho na alma um pouco do gosto amargo das lembranças dos tombos que cai, das mentiras nas quais acreditei, dos engodos que já ouvi, e de tudo que me avassalou, mas jamais me venceu.
O mal que sofri é o bem que me protege de novos erros. O gosto amargo do sofrimento que tive me deram força, me deram esperteza e uma intuição apurada. Apuradíssima, a bem da verdade. Eu sinto a mentira, eu sinto os sentimentos dos outros por mim, e pelos outros.
Eu sei quando tentam me enganar, sei quando eu mesma me engano e sei quando quero ser enganada para aproveitar um pouco o lado “normal” do mundo. Eu não acredito mais nas palavras, eu acredito no que sinto e no que minha intuição fala. Para mim, ela é infalível.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 08 de março de 2011.

terça-feira, 1 de março de 2011

Foi-se o tempo...

Foi-se o tempo...

Foi-se o tempo em que eu guardava os números de telefone dos vários "caras" que se interessavam por mim no meu celular. Foi-se o tempo em que eu tinha muitos contatos no “MSN”, foi-se o tempo em que eu tentava olhar para os lados para ver se eu chamava atenção.
Na verdade foi-se o tempo em que chamar a atenção alheia era interessante para mim e que eu conversava alegremente até com quem não me despertava interesse.
Hoje eu ando focada em coisas muito diversas de romances, de paqueras e flertes que nunca me cativaram. Flertes que ficaram no âmbito “virtual” para o meu ego deduzir: “Eles me querem, eu não”.
A maturidade me tornou objetiva: se eu não os quero, não converso, não dou trela e minimizo minha habitual simpatia. Não guardo telefone algum em minha agenda de celular, e apago pessoas que não me interessam do meu MSN, com exceção dos meus amigos, porque estes me interessam muito ultimamente: Amigos, trabalho e as palavras, claro.
Foi-se o tempo em que beleza, altivez, humildade, simpatia, cultura e respeito, por si só faziam eu me interessar por alguém. Eu ando difícil, um pouco mais dura do que sempre fui. O estranho é que por trás da dureza existe (sim!) uma vontade de amar. A questão é que ninguém esta parecendo “amável” aos meus olhos.
“Como essa mulher é complicada”, pode ser uma afirmativa procedente, mas eu diria que estou, sou e sempre fui complexa, e a maturidade, por sua vez, apenas me tornou mais dona de mim, mais autoconfiante e, portanto mais seletiva. Seletiva como eu pensava que era, mas nunca fui até realmente amadurecer. Até realmente ter errado, sofrido e aprendido.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 1º de março de 2011.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Quero distância!

Quero distância.
Diga-me o que pensas e eu te direi quem és, mostre-me como julgas aos outros e eu te mostrarei quem és. As pessoas não são as companhias que andam, não são o que aparentam ser e passam longe de serem os anjos que querem fazer os outros crer que são.
Boas pessoas não se importam com o julgamento alheio, pessoas de personalidade não dão importância à análise de pessoas recalcadas, inseguras e mal amadas que tentam lhes menosprezar para conseguir um pouco mais de relevância no mundo.
Definitivamente aboli da minha convivência pessoas que sorriem na frente dos outros e criticam por trás, aboli de meu convívio pessoas que julgam aos outros como se fossem deuses, apenas porque são mais jovens, talvez mais abastados, mas nunca mais especiais, porque são, isto sim, mais inseguros, desleais e maldosos.
A seletividade crônica tomou conta de minhas decisões: Ou a pessoa possui bom coração e caráter, ou a pessoa possui personalidade forte para ser quem é independente da companhia que anda ou do julgamento alheio, ou seu convívio não me serve, porque sei que na minha frente é dos outros que falam mal, e ao virar as costas, serei eu a criticada. De gente falsa eu quero mais do que distância, quero desconhecer a existência. Na minha vida, é claro.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 25 de fevereiro de 2011.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Quero apenas a mim.

Quero apenas a mim.

Quem quer todos, não é de ninguém, nem de si mesmo. Quem sabe o valor que possui não se entrega ou se “dá” para qualquer um. Quem quer tudo, não quer nada. Nada com nada.
Quem quer demais, acaba tendo “de menos”, quem é do mundo, não é de si mesmo, quem se perde vida a fora, se perde de si. A cada dia que passa tudo esta se tornando mais aberto, mais geral, menos íntimo, menos afetivo, menos intenso. Foi-se a afetividade, a intimidade, a lealdade, o carinho, o respeito e ficaram as relações fugazes, sem beleza, sem sabor, sem cor.
Tudo cada vez mais “comum”, mais sem graça, sem sentido, sem calor, sem segurança, sem firmeza, sem carinho, sem afeto, sem nada, sem absolutamente nada de especial e raro. Tudo tão fácil, mas tão banal, tão perene, tão facilmente “substituível” que a frieza humana passou a me assustar.
Então, eu fugi do mundo para me encontrar de novo. Eu quero amigos, quero trabalho, quero leitura, quero festas, quero carnaval, quero sucesso, quero progresso, mas não quero dormir com ninguém para me iludir. Não quero noites graciosas, manhãs silenciosas, tardes vazias e anoitecer solitário. É tudo muito “normal” e banal demais para o meu gosto simplório, mas auto-respeitável.
Eu não sei me relacionar sem paixão, e ninguém esta merecendo um por cento do bem que trago comigo. Ninguém, claro que pertença a este mundo onde todos são de todos e ninguém pertence a ninguém. Nem a si mesmos. Não quero nenhuma pessoa deste mundo em que amor não existe, paixão é utopia e sexo é mais importante do que sentimentos.
No momento eu quero apenas a mim mesma, e estou mais feliz assim, sem dar valor a quem não merece, sem dar carinho a quem não devo, sem ser leal com quem não merece lealdade. Sem ser, nem por um minuto, de quem não merece nem meio segundo de meu precioso tempo e apreço.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 23 de fevereiro de 2011.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Gente bonita

Gente bonita

O anseio mais nobre das pessoas de aparência bonita é serem apreciadas pelas virtudes que sua aparência não evidencia, é serem admiradas pelo caráter que possuem, pelo seu jeito de ser e forma de pensar quem têm.
Num mundo em que a todo instante as pessoas pensam em se tornarem mais atraentes, ainda existem pessoas inteligentes que não querem ser para os outros apenas um corpo bonito e um rosto agradável. Pessoas que são boas e por tal querem ser conhecidas e reconhecidas.
Enquanto muitos querem aparentar bem, outros tantos querem significar algo bom no mundo. Ser chamada de “bonita” hoje em dia me assusta. Toda pessoa razoavelmente bela sabe que é, mas, e daí? Você pensa que ser bonito ou não muda realmente alguma coisa? Talvez sim, para os belos de alma vazia, não para os que possuem um conteúdo mais lindo do que apenas sua aparência.
Beleza e elegância não são nada, auto estima é tudo, e por mais que alguns queiram negar, uma coisa independe da outra, mas, de tudo o que mais encanta é o jeito seguro de si daqueles que se aceitam como são e tem orgulho de serem eles mesmos apesar das imperfeições estéticas neste mundo de gente que só pensa em ser belo e esquece-se de ser gente: Gente racional, emocional, afetiva e bem resolvida, enfim gente de alma bonita.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 22 de fevereiro de 2011.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Uma paixão leve

Uma paixão leve

Eu quero viver um belo romance, uma intensa e calorosa paixão. Eu quero sentir o frio na espinha, o calor que resplandece em todo o corpo, quero me entregar a quem me deixe segura, mas há de ser uma paixão vivida com uma pessoa leve, tranqüila, segura de si.
Eu quero uma companhia leve, quero me apaixonar pelo sujeito bem humorado, pelo sujeito arrojado, que tem responsabilidades, mas não surta com elas, eu não quero um homem que me ofereça segurança financeira, eu quero apenas um cara que confie em si mesmo e em mim. Quero um relacionamento legal, não uma conta bancária.
Quero um homem que não tenha medo de se entregar a paixão, que não tenha medo de ser bondoso e que não faça dos traumas do passado escudos para acobertar sua covardia afetiva. Não quero um sujeito acomodado que me deixe em segundo plano. Ou dá valor e prioridade, ou me deixa sozinha.
Eu quero um homem que tenha vivido o suficiente para saber diferenciar uma mulher da outra, para não generalizar os defeitos e nem as virtudes, um homem com certa sensibilidade para captar a minha alma e tudo aquilo que não se pode depreender vendo apenas minha aparência. Um homem com certa maturidade para ver as minhas características mais especiais e especificas.
Eu quero a sorte de ter ao meu lado um sujeito tranqüilo, sereno, quente, capaz de análises profundas, mas com a alma leve, um homem que não se escraviza a nada, um homem que queira bem viver, bem amar, bem sonhar, que seja do bem e feliz. Leveza, tranqüilidade, perspicácia para me decifrar, alegria, humor, destemor para se apaixonar e um pouco de sacanagem me aprazem. E muito.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 21 de fevereiro de 2011.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os homens maduros e os jovens homens

Os homens maduros e os jovens homens.
Nada como adquirir experiência conhecendo pessoas, conversando com elas e ouvindo suas idéias e planos, nada como captar nas entrelinhas a verdade sobre muitas coisas, afinal, “para quem sabe ler um pingo é letra”.
Há dias me questiono sobre as diferenças entre os homens mais velhos, bem mais velhos do que eu e os mais jovens, até mesmo mais novos do que eu. Eis que a diferença não se mostrava tão real até esta semana em que, analisando a inércia dos jovens e as atitudes firmes dos homens maduros, descobri o cerne da diferença entre as atitudes firmes dos homens maduros e a leveza das atitudes dos relapsos jovenzinhos.
Percebo que os homens mais vividos sabem o que desejam numa mulher, já sofreram bastante, conheceram muitas pessoas e quando se encantam e simpatizam com alguém tendem a procurá-la, a querer “demarcar” território, afinal a vida lhes ensinou que o que é realmente bom é mais do que raro, logo deve ser valorizado e cuidado.
Claro, que quando o cara se encanta pela jovem e ela não sente o mesmo fica mais difícil afastá-lo, mas se o sujeito tem brio ele se resigna e segue sua vida, triste quando sabe que perdeu uma mulher rara.
Os caras mais jovens, porém até conseguem perceber que a mulher é diferente, especial, não tão comum, mas eles, querendo curtir a vida com o furor de quem aparentemente pensa que ela terminará logo, deixam a boa moça de lado. Eles crêem que irão encontrar outras até mesmo melhores do que ela, afinal são “novos, boa pinta e com um belo futuro financeiro”.
Os homens maduros sabem que nem sempre a sorte volta a bater a sua porta, eles já perderam muitas oportunidades de ouro quando jovens enquanto os rapazes que estão vivendo a juventude deixam raridades de mulheres de lado para encher a cara com os amigos e ficar com as jovenzinhas mais oferecidas porque crêem que conhecerão muitas “boas mulheres”.
E eles estão errados, os homens mais velhos sabem muito bem disso e as mulheres raras e inteligentes também, lhes restando cruzar as pernas e deixar o tempo passar, afinal, para uma boa mulher boas opções de romance nunca faltam. E nem faltarão.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 19 de fevereiro de 2011.

Amar é divino.

Amar é divino.
Amar é tão divino e necessário que rima com ar. De todas as fases e períodos da vida de um homem os mais inesquecíveis e especiais são aqueles vividos com amor, enquanto ama, ou, ao menos, deseja amar e ser amado.
De nada adiantam beijos, toques, afagos, diálogos, sem ao menos existir a intenção de amor que pode até ser ilusória: a vontade de amar por si apenas, torna os momentos mais especiais, menos comuns, vulgares e materiais.
Não acredito em nada que seja feito sem entrega. Pode ser que o amor termine, que ele se esvaia após erros e tropeços, a certeza que tenho é que ele diviniza as relações humanas, tornando as horas, os minutos e os segundos decorrido mais leves, mais doces, mais interessantes.
O homem que perde a fé no amor desiste de ser feliz. Pode desistir das pessoas, mas jamais do amor, ele é sublime demais para ser abdicado, sem ele não adianta dinheiro, carro do ano, sexo e festas. Tudo é vazio de significado e sentido quando não existe amor nas atitudes humanas.
A felicidade que sentimos quando amamos não tem preço, tampouco descrição, ela é especial, divina, nobre. O amor faz tudo valer a pena, inclusive nossas lágrimas. Deus é mais indulgente para com aquele que agiu e até mesmo pecou por amor. Tenho certeza disso.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 19 de fevereiro de 2011.

O que é de nosso passado.

O que é de nosso passado.


O que é de nosso passado a ele pertence. Um ser humano inteligente aprende que não vale a pena remexer em velhas feridas sob pena de abri-las e ter que padecer novamente com a dor outrora sofrida.
O que deixamos para trás deve ficar lá, onde deixamos, porque se deixamos é porque não valia mais a pena; e uma vez não valendo, nunca valerá.
Pessoas, fatos, problemas, absolutamente tudo para o qual um dia dissemos “não”, podem ressurgir com outras formas, com outra aparência, mas jamais com outro conteúdo, cedo ou tarde precisarão de outros “nãos” e quem sofre é quem acata a sua “ressurreição”.
Pessoas não mudam de caráter, e costumam causar os mesmos ou novos problemas. É preciso "deletar" de nossa mente, mandar para a "lixeira" de nossa alma e nunca mais tentar "recuperá-las" ou tentar fazê-lo. Nunca mais.


Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 19 de fevereiro de 2011.




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A pessoa que julga.


A pessoa que julga
A cada dia que passa e convivo com as pessoas me convenço mais que de as virtudes ou os defeitos estão no coração de quem julga e não na pessoa que é “analisada”.
A pureza, a maldade, a coragem, a honestidade, a malícia, a decência, e todas as demais virtudes e seus opostos estão no coração, na alma e na mente de quem atribui ao outro “esta” ou “aquela” característica.
Pessoas puras jamais verão com facilidade a malícia alheia, embora ela exista, assim como pessoas maliciosas não enxergam a pureza notória do outro: cada um “dá” em palavras, (ao analisar o outro) o que possui dentro de si.
Assim sendo, eu me assusto com pessoas que criticam negativamente o outro, me espanta ver seres defeituosos criticando quem mal nenhum lhes faz, e, quem pouco conhecem. As pessoas e suas palavras mal-ditas e mal colocadas me assustam mais do que a morte ou qualquer outra fobia que eu poderia ter (mas não tenho).

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 17 de fevereiro de 2011.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

As relações modernas, a lealdade e eu.

As relações modernas, a lealdade e eu.

Você pode até conseguir ser feliz sendo desleal com os outros, mas nunca conseguirá sorrir sendo desleal consigo mesmo. A fidelidade a si mesmo torna as pessoas mais espontâneas e, conseqüentemente, mais felizes e tranqüilas.
Cada pessoa tem uma forma única de ser e pensar. O que é extremamente difícil para um, pode ser fácil ou mesmo habitual para outro. Benditas sejam as diferenças, são elas que nos oportunizam recomeçar após um término, uma mudança.
As diferenças e a consciência que temos do que elas implicam nos possibilitam ter fé no amor e nas relações humanas, afinal se hoje alguém nos causa desgosto e decepção por certas características que possui, apenas conseguimos deixá-lo de lado e seguir adiante porque sabemos que, não sendo todos iguais, encontraremos alguém diferente de determinada pessoa e conosco mais “afins”.
Sendo leal comigo mesma eu percebi que eu sou uma mulher antiga no tempo moderno, um misto de idosa com criança, um ser que não se adéqua facilmente ao mundo moderno, mas que também não pertence apenas ao passado e aos princípios de outrora.
Eu acredito no amor e não sei viver sem ele. Eu acredito na entrega e não consigo me relacionar quando é preciso conter os sentimentos e ficar apenas na superfície, apenas o profundo me fascina.
Apenas o que é completo me apraz, é por isso que as relações afetivas modernas não são para mim e eu não sou para elas: Não sei “ficar”, até já quis aprender, mas surtei constatando que não sei e, sinceramente, não quero saber. Eu sei o que eu quero. Quem acredita no amor sabe o que quer e, assim eu sigo adiante, cuidando silenciosamente de alentar a solidão sem usar ninguém para passar meu tempo, e sem desperdiçá-lo, o que é melhor.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 15 de fevereiro de 2011.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Piedade, pena, dó.

Piedade, pena, dó.

A vida me ensinou a ter pena, muita pena. A vida me ensinou a ter dó e não raiva, a vida me ensinou a ver as pessoas irritantes e odiosas com piedade. Se é triste ser vítima de seus atos, tão mais triste é, então, ser elas mesmas (!).
Eu prefiro ser a usurpada a ser aquele que usurpa, eu prefiro ser aquela que acredita a ser aquela que mente, eu prefiro ser a roubada a ser quem rouba eu prefiro ser aquela que tem esperança a ser aquela que corta as esperanças alheias com palavras enraivecidas, eu prefiro sofrer a ser aquele que maltrata. Tudo passa, mas coração e mentes ocos jamais serão preenchidos.
A vida me ensinou que o que realmente conta é a nobreza de caráter e não o que as aparências ou a conta bancária possam “expressar”. Não importa o quanto uma pessoa tem para comprar o que importa é o quanto ela vale. E pessoas que merecem nosso apreço possuem valor não aferível monetariamente.
A vida me ensinou que nem sempre é possível esquecer por mais que se tente, a vida me ensinou que por mais que perdoemos a boa memória pode atrapalhar nosso sossego, logo, algumas pessoas devem ser perdoadas, mas não é por isso que devemos conviver com elas. (As lembranças irão lhe atormentar, cedo ou tarde, eu garanto e o que não é visto, não será lembrado.)
De todas as lições que tive, das escritas, das pensadas e das que prefiro não narrar, a mais recente e emocionante é a de transmutar a raiva e o desprezo em piedade. Coitados daqueles que me prejudicam, que me fazem mal, que me magoaram.
Quem esta mal, quem fez por mal ou simplesmente “fez” é quem não merece nem meu ódio, apenas minha pena. A ira maltrata quem sente, a piedade não fere ninguém. Sim, eu sei o que estas pensando: Eu também já acreditei que ninguém merece dó graças ao livre arbítrio e a um monte de outras “idéias idealizadas”, fato é que alguns seres merecem pena.
Eu não falo dos doentes, do mendigo, da criança de rua, eu falo daqueles que são tolos, que são vãos, que são moralmente ruins ou “questionáveis”, eu falo dos que não possuem princípios, ética e vergonha na cara: Miseráveis! Aquilo que lhes falta dinheiro nenhum irá mudar ou comprar, eles merecem dó ou desprezo, nada mais que isso.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 14 de fevereiro de 2011.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Brincadeiras sinceras

Brincadeiras sinceras

É brincando com as palavras que o homem fala as maiores verdades contando que os outros não irão perceber e irão dar risada ou distrair-se olvidando do caráter revelado através delas.
Nas entrelinhas das “brincadeiras” os homens falam sérias verdades sobre sua personalidade, revelando o que jamais irão revelar “falando sério” com a certeza de que um “estou brincando” vai distrair quem lhes ouve.
De regra todos ignoram as verdades implícitas nas “brincadeiras” verbais que as pessoas fazem, ignoram que o cara bagaceiro, desonesto, inseguro, pudico ou malicioso mostra tais características nas “brincadeiras” que faz e não quando fala “sério”, até porque deseja omitir muitos atributos de sua personalidade, em especial os que sabe que são “defeituosos”.
A partir do momento em que percebemos que as pessoas “brincam” com sinceridade, sem perceberem que o fazem, passamos a conhecer muito melhor quem nos cerca.
É através dos “eu estava brincando” que muitas pessoas acham que encerram um assunto, quando, na verdade “dizem o que pensam” e o assunto deve, apenas começar.

Cláudia de Marchi

Férias- BC/SC, 10 de fevereiro de 2011.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O sujeito imprestável

O sujeito imprestável

Sabem qual o tipo de homem que vale menos? O que fala mais. Homens que falam demais não valem muita coisa porque é pela boca que se perdem, é pela língua que eles próprios se aniquilam quando e enquanto tentam aniquilar os outros.
O cara que não vale muito conta o que não deve ser contado, fala o que não deve ser falado, e inventa o que não deveria inventar, é o larápio que mente quando quer se enaltecer e conta até segredos íntimos para se gabar quando eles são verdadeiros. É aquele que senta numa mesa de bar com um amigo ou conhecido e começa a falar sem parar.
Um pouco conta outro pouco inventa, mas fala, fala muito e faz pouco, até mesmo porque se fizesse alguma coisa teria coisa melhor para fazer do que estar bebendo com outro infeliz, soltando o verbo como político em palanque para “aparecer” para o outro.
O cara conta como a ex-mulher era boa na cama, conta detalhes do corpo de quem dormia com ele, inventa defeitos que os outros não têm, vomita verbos que não conhece e virtudes que não possui. E acha que convence. Há a quem convença, mas ele não se flagra que são poucos porque sua credibilidade é praticamente nula. O sujeito não se enxerga, ao menos não nos espelhos que existem no mundo real.
O infeliz não respeita a ninguém, fala o que quer sem medo das conseqüências. Na verdade ele pouco pensa, se pensasse fechava a boca, engoliria suas mentiras e fatos que deveriam ficar em sua memória com a cerveja que toma e iria para casa dormir, pensar na vida e nos erros que cometeu para ser um sujeito sozinho, infeliz e dependente emocional de palavras que não deveriam sair de sua boca tola.

Cláudia de Marchi

Férias- BC/SC, 09 de fevereiro de 2011.

Os recém separados

Os recém separados


Se os recém casados possuem pontos em comum por seu êxtase de amor e realização os recém separados também possuem, em sua maioria, com o perdão da minoria, claro.
Os recém separados de regra dão uma bela barrada na vida após a separação. Eles colidem com experiências que ficaram em seu passado, tudo (ou quase tudo) é, de certa forma, “novo”. Ninguém sabe o que tal emoção significa até ser um recém separado, mas é claro que, como tudo na vida, tais sensações possuem um aspecto enaltecedor.
De regra os recém separados saem do casamento fazendo algumas besteiras como adolescentes após receber o primeiro salário. Bebem demais, saem de casa além do normal, beijam quem não devem, se envolvem precocemente com alguém, fazem sexo antes do tempo ou sem seletividade alguma com desconhecidos ou quase desconhecidos (caso dos homens, em sua maioria). Citando algumas das tais “besteiras”, é claro.
Na verdade os recém separados se perdem no tempo, eles agem com pressa de viver porque, de regra, possuem a idéia de que vegetaram por um bom tempo de suas vidas, afinal se o casamento tivesse lhes satisfeito não seriam separados, é claro.
Então, por isso eles saem do casamento com a tal ânsia de viver como se não fossem ter tempo o bastante para isso, eles querem rua, até porque a casa lhes lembra a vida acomodada de outrora e vários fatos que não lhes faz bem recordar.
Eles querem novas experiências: a recatada se torna mais expansiva, a sóbria, toma um porre (ou dois, ou um por dia), a santa deixa os pudores de lado, enfim logo após a separação boa parte dos recém separados não age como costumava agir e nem aparenta ser o que realmente é. Seus atos devem ser ignorados um pouco até verem que a vida segue e não vai terminar amanha como seu casamento.
Os recém separados experimentam um alivio frustrante com a separação. Só após o período de luto (assimilação da perda e do fim) é que voltam a agir como sempre agiram até terem a fatídica e necessária experiência: o divórcio. 

Cláudia de Marchi

Férias- BC/SC, 08 de fevereiro de 2011.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Aquele que não teme

Aquele que não teme
Um pouco de medo não significa covardia, mas racionalidade, inteligência. O homem que nada teme se coloca diante de perigos desnecessários, se expõe a pessoas, a riscos, ao ódio e a represálias porque não vê o outro como pessoa, não sopesa os seus atos e nem os alheios.
Temer é um ato racional nobre, todo o homem que reza, teme. Seja um ser que ora e não um destemido tolo que não mede as conseqüências de seus próprios atos, que age de forma vil e vã ferindo pessoas sem ter medo dos atos que elas terão em sua própria defesa.
Assusta-me ver os atos dos homens que não temem, me assusta ver as atitudes daquele que não enxerga o outro como pessoa capaz de se defender e de agir, me assusta as atitudes dos que crêem que os outros são seus joguetes, seus objetos.
É sempre bom temer, é sempre bom ter um pouco de medo para se defender, do contrário não há escudo, não há proteção, pelo contrário, há super exposição a riscos. Riscos evitáveis e desnecessários para o homem inteligente, ou melhor, para o homem que teme.

Cláudia de Marchi
Férias- BC/SC, 05 de fevereiro de 2011.

Simplificando

Simplificando
Dispense o dispensável antes que o indispensável dispense você. Estabeleça prioridades em sua vida, pondere, e fuja de qualquer coisa que possa macular sua estabilidade emocional o mais rápido possível, o que inclui pessoas e relacionamentos inaptos para você.
A vida não nos dá segundas chances de graça, aliás a regra é uma única chance e “adeus”. Hoje é hoje e o amanha talvez nem chegue, então dispense o que pode lhe causar dor agora, não espere outro momento, não passe nenhum dia ao lado de quem lhe magoa ou pode lhe magoar pelas escolhas que faz e pensamentos que possui.
Se as pessoas vivessem com mais objetividade sofreriam menos, não entrariam freqüentemente em relações que já nascem abortadas (usando um pouco da “dramaticidade verbal” de Cazuza), não sofreriam por poucas coisas unicamente porque ignoram que o pouco de hoje pode se tornar o problema grande de amanha.
Não é simplificar demais a vida, é não complicar o que é simples demais. Não vai dar certo amanha? Então deixe de lado, ou será que vale a pena se envolver e sofrer o dobro no outro dia?
No fundo a gente sabe sempre no que irá “dar” nossas escolhas, o problema é a prostração, a carência e o comodismo que faz o homem agir quando não deve ou nada fazer quando deve.
Cláudia de Marchi
Férias- BC/SC, 05 de fevereiro de 2011.

Amor sem segredos

Amor sem segredos
Qual o segredo de um casal feliz? Qual o segredo para ser feliz afetivamente com alguém? Homem mais velho, mulher mais jovem? Mulher mais velha com homem mais jovem? Mesma idade, altura, cultura e renda? O que enfim?
Não existem segredos para a junção de um casal ser feliz, é preciso unicamente afinidades de idéias, de pensamentos. O cara que adora os amigos não vai dar muito certo com a mulher que quer ficar sozinha com ele em todos os momentos. Que quer a companhia do sujeito, um livro e nada mais.
A mulher festeira e animada não vai envelhecer bem ao lado do sujeito cujo máximo de companhia que curte é um cão que late pouco. É preciso afinidades de pensamentos para a relação superar as crises de todas as fases. Sim, porque crises fazem parte de qualquer relacionamento e fases, bem, a vida é feita delas, negá-las é negar a própria existência.
Idade, teor da conta bancária, altura, peso, beleza, todos estes aspectos são mais do que secundários, são dispensáveis quando o que se analisa é a possibilidade de dar certo ao lado de alguém, isso, claro, quando não se cogita da companhia apenas por algumas horas ou noites.
Quando se pensa em amar, em ficar junto o máximo de tempo possível, em constituir uma relação sólida com alguém o segredo é inexistente diante da simplicidade de seu conteúdo: Semelhança de pensamentos, afinidades de idéias e gostos, apenas isso.
Cláudia de Marchi
Férias- BC/SC, 05 de fevereiro de 2011.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Antes tarde do que nunca.

Antes tarde do que nunca.

"Antes tarde do que nunca?" Sim, sempre. Antes tarde do que nunca acordar para a realidade, antes tarde do que nunca sair do engano, antes tarde do que nunca desistir do que nunca deveria ter sido tentando. Antes tarde do que nunca mudar para melhor a ter sempre a soberba da falsa sabedoria.
Antes tarde do que nunca juntar os pedaços de si mesmo, antes tarde do que nunca poder se reconstruir, antes tarde do que nunca a cura. Seja ela de feridas físicas ou da alma. Antes tarde do que nunca recomeçar, antes tarde do que nunca começar uma nova vida e findar velhos planos.
Antes tarde do que nunca reconhecer uma vocação, reconhecer uma possibilidade, uma nova estrada, um novo, ainda que estranho caminho. Antes tarde do que nunca (re) conhecer seus próprios limites e fugir do que possa causar dor. Antes tarde do que nunca deixar de ser tola, deixar de ser cega, antes tarde do que nunca enxergar o que todos sempre viram.
Antes tarde do que nunca se arrepender, antes tarde do que nunca chorar a dor do arrependimento, antes tarde do que nunca secar as lágrimas e seguir uma nova vida. Antes tarde do que nunca tudo que não seja a morte da esperança e da fé na vida.
Cláudia de Marchi
BC/SC, 02 de fevereiro de 2011.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ode ao casamento II

Ode ao casamento II
Enquanto casada eu fazia ode ao casamento, e continuo fazendo. Com exceção de um tediozinho proveniente da acomodação de um dos cônjuges a vida de casado é ótima, quando há amor, paixão e, claro, muito sexo. Porque me separei? Porque algumas coisas simplesmente terminam, mas que era boa a vida de casada isso era.
Não é a amizade, a cumplicidade, o diálogo nem nada desses enfeites que seguram um casamento feliz, é o sexo. Você pode odiar a forma com que sua esposa escova os dentes, a sujeira que o seu marido deixa na pia, mas se na cama, na banheira, na cozinha, na sala, no mato, no tapete ou em qualquer outro lugar o negócio fluir bem, você vai esquecer aqueles detalhes tolos. Quais eram mesmo?
Irrita-me muito ouvir de pessoas inexperientes e pouco vividas que não querem casar, porque que casamento é “isso”, é “aquilo”, ora, não falem mal da comida antes de tê-la saboreado. Isso é ignorância, preconceito e burrice, porque não sabem o que estão perdendo. O detalhe, é claro, é a dificuldade de se encontrarem- em especial- mulheres “casáveis”, mas isso já não é problema meu (benzadeus!).
O que costuma arruinar com o bem estar da vida a dois é o hábito feminino de achar que, porque casou, adquiriu uma marionete e, assim, cerceia a liberdade do parceiro tentando modificá-lo a todo custo. Na medida em que a esposa se torna chata e irritante o marido se torna igual a ela e assim instaura-se o caos e até mesmo o bom sexo se torna razoável.
Case. Case com a pessoa que despertar o seu amor, case com a pessoa cujo olhar transmite boa energia, cujo olhar tira sua roupa, case com o cara cujo olhar resplandece “eu te amo”, mas, por favor, case com o sujeito que você conheceu, que você aceitou e não tende mudá-lo, pois se assim você fizer, logo, logo os olhos dele irão brilhar por outra.
Casamento é união de quem se dá bem na cama e em alguns pontos fora dela, é união de quem quer ser fiel e leal, e, principalmente, é uma união que só dá certo quando há respeito e aceitação mutuas, faltando isso, nada feito. Mas toda experiência é válida, ridículo mesmo é dar opinião sobre o que não se viveu.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 31 de janeiro de 2011.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Coisas de mulher.

Coisas de mulher.

Há alguns dias um rapaz muito legal me disse que sou exigente por ser escritora. Ledo engano, eu sou apenas organizada e objetiva, gosto de, digamos, “denominar os bois”, detesto ficar no vácuo de incertezas, gosto de saber o que significo para o outro e ele para mim, afinal um “nada” de quaisquer dos lados implica em retornar a boa, porém saudável solidão.
Antes de ser cronista e advogada eu sou uma mulher madura e autoconfiante, nas de carne, osso, coração, hormônios e alma, logo nada me impede de desejar atenção, admiração física e psíquica, respeito e consideração. Não custa nada para o homem que curte a presença da mulher elogiar sua dama que com ele dorme ao invés de falar bem das siliconadas da televisão. Elogio é forma de carinho mais terna que existe, desde que sincero.
Da mesma forma não custa nada ligar, conversar, passear, tomar sorvete de mãos dadas, admitir se gosta ou não da companhia do outro. Não custa nada para pessoa alguma conhecer com mais convívio o outro e não julga-lo sem lhe conhecer muito bem.
Não nasci para relações fugazes e superficiais, ou tem intensidade ou não, porque o risco do desamor chegar existe sempre, em qualquer relação, seja num “ficar”, namorar ou casar, a questão é achar alguém que valha a pena e cultivar a relação com afetuosidade sem tratar a pessoa como uma opção das opções.
Mulheres bem resolvidas querem saber onde pisam, elas não querem mandar, apenas não querem cair na areia movediça de uma paixão não correspondida, isso vale de escritoras a garis, tudo, claro, dependendo de sua auto-estima, mas mesmo que ela exista e seja imensa, carinho e uma dose de romantismo fazem qualquer mulher ansiar ao bom momento de deitar-se com o seu love e se entregar por completo. (Homem que não capta isso deveria mudar de opção sexual, porque "isso" é o básico sobre a alma feminina).
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 30 de janeiro de 2010.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Dormindo com a saudade.

Dormindo com a saudade.

Quem me olha não vê, nem mesmo eu consigo olhar minha imagem no espelho e aferir algo sobre todas as usurpações que sofri, algo sobre a humilhação silenciosa, algo sobre as traições verbais, algo sobre o desprezo, sobre o engano baseado em grandes falácias, algo sobre a dor que cortou meu coração ao meio e quase me enlouqueceu, a dor que me adoeceu. Mas de sorrir eu nunca deixei, a dor pode ser forte, mas ela passa, então jamais podemos nos entregar a ela.
Amor? Não, eu falo de dor, típica e inerente a paixão, o amor não humilha, não massacra, não escraviza, não subjuga. Ao menos eu sinto uma energia jovem vindo de meu coração cheio de planos e, principalmente, cheio de vontade de amar, de amar, de amar, de amar e de amar muito e cada dia mais quem me ame, quem mereça a plenitude da minha doçura e sentimentos.
Quando a noite cai e o silêncio se instala minha consciência me agita, ela me culpa por eu ter judiado dela e de mim mesma com minha teimosia, quando a noite cai. eu reflito, eu me arrependo, eu me agito, eu tento me compreender, eu peço a Deus para que, assim como a felicidade passou, essa dor também passe um dia. Eu peço serenidade, o resto é de minha responsabilidade.
Quando a noite cai, eu me recordo dos bons momentos que passei com alguns dos amores que tive na vida. Homens exemplares, românticos, carinhosos, e então algo volta a rasgar-me por dentro: eu podia ter feito tudo diferente, mas não, eu teimei, eu lutei, fui soberba, desperdicei oportunidades que nunca mais voltaram.
Quando a noite silenciosa chega, eu sinto saudades de mim. Da moça esperançosa, jovem, cheia de ideais, mas ao mesmo tempo ela me revolta porque achava que sabia tudo sobre a vida nos seus vinte e poucos anos, e, na verdade, sabia de pouco a nada, tinha era orgulho demasiado, e por isso quase foi atropelada por um vagão de trem. Um vagão vazio, mas letal.
Hoje eu sei que o amor feliz não requer luta, ele exige apenas união, companheirismo e paciência, amor verdadeiro não precisa ser lutado, basta ser vivido. Agora eu sei, mas vivi muito tempo sem saber, e, assim, na calada da noite eu durmo com a saudade, é ela quem me faz companhia. Saudade não do que eu vivi, mas das oportunidades que desperdicei. Para sempre.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 30 de janeiro de 2011.

O que fica.

O que fica.
Não faça de sua vida uma cartilha de segunda categoria onde você segue princípios que acha que aprendeu em sua pequena vivência. Eu já fui tola a tal ponto e hoje eu sei o que realmente é dor, o que realmente é usurpação e o que realmente o sofrimento pode fazer com um coração humano.
Mas de tudo e apesar de tudo ficou a certeza de que a gente nunca vai se arrepender do carinho que deu, da fidelidade que dedicou, da atenção que dispensou, do abraço apertado que deu enquanto o outro chorava, da admiração que nutriu e demonstrou, dos “eu te quero”, “eu te adoro” ou “eu te amo” que falou.
Pode vir a desilusão, as más surpresas, o que será sempre digno e importante é que fomos espontâneos, seguimos a voz de nossa alma, de nosso coração, porque em muitos casos um “eu te admiro e te adoro” mudam a história de uma vida. Ah, você duvida? Então é porque realmente viveu pouco. Fazer a nossa parte na vida muda tudo, alenta nossa alma quando ela se agita.
A vida esta nos sentimentos que temos, na expressão que deles que fizemos, nas palavras que expressamos, no carinho que doamos, o resto é papo de botequim, o resto é bom, engraçado, mas é perene, passa, e termina quando as luzes se apagam.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 29 de janeiro de 2011.

As mulheres, a segurança e a admiração.

As mulheres, a segurança e a admiração.

A maior ambição de uma mulher não é ser amada, é ser admirada. A mulher se sente bem e deseja por um homem que valorize a comida que ela fez, o zelo com os filhos ou cães, o profissionalismo, o talento para artesanatos, culinária ou outra forma de arte especificamente.
A mulher não quer planos para daqui há décadas, ela quer saber o que farão no sábado à noite para poder escolher bem a roupa, para dispensar as amigas, ou para se reunir com elas.. É tudo simples, a maioria dos homens é que não tem sensibilidade para captar a alma feminina e ainda assim a critica.
Critica por falta de competência para conhecê-la. Alguns homens hoje em dia não querem mulheres, querem bonecas que lhes sirvam quando eles desejam e que, de preferência, nem falem muito para deixar-lhes descansar do porre que tomou com os amigos.
O problema é que nas idas e vindas da vida rola aquela paixãozinha bandida por um sujeito bem humorado que não valoriza nada do que ela fala, pensa, não admira seu trabalho nem seu talento artístico, porque, simplesmente não os entende, não curte, enfim, nem esta ai se ela é uma boa escritora ou atriz, ele nem liga pra isso. Ele quer ela na cama e olhe lá!
E, assim, da mesma forma rápida como surgiu a relação vem a racionalidade (sim, porque uma mulher bem resolvida nunca a deixa tão de lado assim) e faz com que ela diga “tchau”. Depois de tanto sofrer com caras que não admiravam seus dotes intelectuais, a nova mulher quer alguém que a admire por completo.
Mulheres gostam de se sentirem seguras, admiradas, querem saber onde pisam e é por isso que homens que deixam tudo muito ao acaso perdem boas oportunidades, afinal quando o acaso dá margem a insegurança a mulher costuma fugir, é tão mais fácil ser feliz sozinha sem ter ninguém para amar, mas sem ter ninguém que lhe faça pensar “e hoje o que será que vai ser da gente”. Não, não, antes só, relacionamentos sérios ou não precisam de respeito, de atenção e admiração mutuas, se não, porque existirem?

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 29 de janeiro de 2011.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A mulher que cada homem merece.

A mulher que cada homem merece.

A diferença essencial entre um homem jovem e imaturo e um homem realmente maduro é o que lhe faz sentir bem num relacionamento afetivo. O jovem preza pela liberdade exacerbada, por amigos e mais amigos, que quando chegar na fase madura vai ver que dos mais de cem sobraram menos de dois que realmente os estimam pelo que eles são e não pelas cervejas e festas que lhes proporcionam.
O homem maduro aprende isso, e ao contrário do jovem ele passa a dar mais valor ao amor da mulher que cativou, porque é ela quem vai segurar suas barras nos momentos de crise, de mau humor e auto estima falha, em especial quando os tão queridos “amigos” de outrora viram a cara porque você passou por uma crise financeira ou emocional, por exemplo.
O jovem quer uma mulher para transar sem precisar de camisinha, ele não quer amar e nem um amor, o jovem quer passatempo, quanto menos a mulher gostar do rapaz jovem mais admiração ele irá nutrir por ela, afinal, ele preza a liberdade ilimitada, lembram? Então se a moça estiver pouco ligando para eles, se ela não tiver ciúme algum (e, claro, amor algum) eles vão adorá-la: ela não vai ligar, não vai fazer planos para um dia ou final de semana, não vai ficar ansiosa para beijá-lo, não vai fazer nada disso que as que gostam costumam fazer, claro que dentro da normalidade psíquica e afetiva.
Elas jamais vão ligar, mandar mensagem, planejar jantas ou qualquer evento para ficar ao lado do tolinho por quem estão apaixonadinhas, elas vão fazer questão que ele saia com os amigos e lhes deixe em paz, assim elas podem “galinhar” a vontade e paquerar outros bofes. É sempre assim, e os rapazes imaturos se iludem e acham isso o máximo. Você duvida que seja assim, então viva mais uns 10 anos e me conte.
Claro que não vale apenas para os jovens, mas para os homens de pouca sensibilidade em geral, o carinho, a atenção, a vontade de transar, de ficar perto é pouco, o que lhes importa é a companhia dos amigos, o excesso de bebida, a mulher é terceiro plano, e é assim que as que gostam deles, mas mais de si mesmas desistem, e é assim que a maioria fica com aquelas que fingem que gostam e pouco se lixam para eles. Cada homem, realmente, tem a mulher que merece e recebe dela o valor que lhe dá.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 27 de janeiro de 2011..

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Preparada para as relações modernas?

Preparada para as relações modernas?

Se você quer ser feliz o primeiro (se não o único) passo é o de reconhecer os seus limites. Afinal, o que você tolera para viver uma paixão? Você aceita a liberdade do talvez ou precisa saber em que solo esta pisando?
Nestes tempos modernos de relacionamentos descartáveis em que por uma série de motivos imaturos e tolos as pessoas têm medo de se comprometerem umas com as outras essas perguntas aparecem em voga para mim.
Não são todas as mulheres que se sentem bem transando com um cara por dias sem saber se ele é amigo, alguém que transa com você, ou seja lá o que for, até porque esse lance de “ficante” é démodé demais para meu humilde gosto.
Os homens querem dormir com as senhoritas para descansar das noitadas com os amigos, nesse ínterim eles perdem excelentes parceiras, e, infelizmente o fato é que quando eles quiserem uma mulher bela, decente e que goste deles vão se ver numa situação infeliz e incomum (raramente irão encontrar), isso é constatação da realidade, afinal convivi com homens mais velhos durante toda a minha vida. Juventude afetiva desperdiçada, fase madura em solidão. É sempre assim.
A questão é que nem todas as mulheres são acostumadas com relações sem compromisso, nem todas as mulheres conseguem digerir a palavra “amigo” dirigida ao cara com quem elas tem relacionamento sexual e, muitas vezes, emocional, afinal nem todas são vulgares e sem coração.
A cama, a conversa, as afinidades verbais, o sexo, criam apego naquelas que não tem o coração oco (por enquanto) essas são totalmente despreparadas para estes relacionamentos modernos e vazios e devem fugir deles porque certamente já sofreram o suficiente para se arriscarem numa relação sem nome, sem base e sem comprometimento.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 25 de janeiro de 2011.

"Estar a fim."

“Estar a fim”

A mulherada se engana feio nesse mundo de relacionamentos fúteis em quem um bando de amigos interesseiros e uma grade de cerveja valem mais do que uma boa e rara mulher.
Eis que uma menina diz pra outra “ele esta a fim de ti, nem vai lá onde os amigos estão porque quer ficar contigo”. Sim, eu não nego, ele esta a fim dela, mas a fim do que? De sexo com uma guria razoavelmente confiável, bonitinha e que não cobra nada para transar? Sim, isso mesmo.
Sim, minhas caras, na maioria das vezes o cara esta “a fim” disso. Quem acha que o cara gosta da guria de verdade porque deixa os amigos beberrões de lado uma ou duas noites esta enganada.
O cara que gosta liga, cuida, te convida pra sair jantar, te faz carinho, não vira pro lado cheio de tédio porque preferia estar numa junção masculina a estar com você. Querida, abre o olho, estar a fim de ficar é uma coisa e de se entregar e, conseqüentemente, amar, é outra bem diferente!
Se você acha bom ficar escondida com ele transando até ele ter um compromisso mais interessante com os amigos e te deixar a ver navios, tudo bem acredite que ele esta “a fim de você”.
Mas se você se ama e quer muito mais na vida do que essas aventuras primárias, mude de rumo, tem muito cara bom por ai que cansou de “estar a fim” de pirainhas só pra rolar sexo no final da noite e que vai te valorizar e, quem sabe, admirar você e constituir uma relação baseada no respeito e na liberdade individual, sem esse lance de “estamos, mas não estamos, eu não estou preparado pra namorar”. Fuja desse barco furado querida, antes de se afogar.
Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 12 de janeiro de 2011.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Eu trago comigo...

Eu trago comigo...
Eu trago comigo toda sensibilidade do mundo. Eu sou forte e muito mais sofrida do que meu sorriso possa demonstrar, eu já sangrei demais por dentro diante de desilusões e explorações homéricas, mas, ainda assim eu carrego comigo toda esperança do mundo.
Eu não perco a fé no homem e que dentro deles exista um coração capaz de captar a honradez e o valor de uma mulher que não “pega”, não é “pegada”, apenas se envolve, apenas se entrega, apenas confia.
Eu trago comigo todo desinteresse financeiro, tenho apenas o anseio pelo bom trato, pelas surpresas, pelos beijos inesperados, pelos brindes sem motivo, pelo abraço forte sem motivo algum, por estes atos singelos e típicos de quem realmente gosta de mim,
Estar “a fim” e me querer por querer sem estimar minhas palavras, minhas idéias, minhas escritas, a alma por trás do corpo, é pouco, é muito pouco.
Há de se surgir um sentimento que realmente me valha a pena, que realmente me faça sair de mãos dadas sem soltar, há de surgir algo que nunca tive, um amor de verdade calcado no respeito a individualidade alheia, porque, sinceramente? Eu carrego em mim todo o amor do mundo, para poucos, mas carrego. Eu transbordo carinho, afeto e amor humano.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 24 de janeiro de 2011.

Deixe para lá...

Deixe para lá...

Vivemos na época dos relacionamentos descartáveis, em que as pessoas se tornaram mais substituíveis do que garrafas plásticas e plantas ornamentais, mas, então eu lhe pergunto o que você quer para você?
Você quer ser o passatempo do sujeito que quer transar com você sempre, mas que não tolera e nem sequer pensa em ouvir seus sonhos ou levar você dar uma volta pela cidade e ir ver um filminho em público? Quando o sujeito gosta de você ele quer a sua presença nem que seja para passar a mão no teu corpo, te olhar, apalpar, te sentir. Quando o cara gosta de você ele simplesmente te quer e não te trata como opção dentre outras opções.
Você quer ser um joguete nas mãos do homem que não quer assumir compromisso algum porque prioriza as amizades (amigos “leais” que na primeira oportunidade falam mal dele e mais um pouco flertam com você), os porres e a liberdade plena, inclusive, é claro de flertar com qualquer gostosona acéfala que encontrar pela frente?
Antes de valorizar o sujeito bem humorado, bom de cama e simpático que lhe leva para seu apartamento escondido de todo mundo é bom você começar a valorizar você mesma e o que você quer para você.
Amor, respeito, admiração e atenção, então, pare, analise e escute a voz da sua alma, não vai ser você quem vai fazer o cara que não quer saber de compromisso mudar de opinião, ele só vai mudar se ele realmente amadurecer ainda que seja perdendo uma mulher de brio e caráter como você, então minha querida, esqueça o sujeito, relaxa, viva sua vida com decência que o tempo faz milagres.
Se ele te valorizar e perceber quão rara você é neste mundo de vagabundinhas de bom sobrenome que estão no mundo caçando dotes, se um dia ele parar para pensar que nem sempre as boas oportunidades surgem quando se deseja (mas antes e sem possibilidade de retorno), talvez ainda exista tempo de ele fazer as coisas mudarem, ou não, mas quem é que sai perdendo? Ele, minha cara, ele, então desencana porque quem merece você um dia vai surgir e vai ter olhos e atitude para assumir a jóia que encontrou neste mundo de bijuterias de quinta categoria.

Cláudia de Marchi

Que saudades do romantismo!

Que saudades do romantismo!

Como faz falta o romantismo neste mundo de Peter Pans, como faz falta o romantismo neste mundo de relações descartáveis, em que se deseja uma pessoa na cama e em seguida a plena liberdade para ignorá-la e fazer apenas o que lhe aprouve.
Como faz falta o romantismo neste pérfido mundo de “solteiro sim, sozinho nunca”, como faz falta o romantismo para que se sinta um coração quente e pulsando por baixo do decote e dos seios fartos que, hoje são mais valorizados do que a alma que abrigam,
Como faz falta andar de mãos dadas, trocar beijos na praça, receber um botão de rosa ou qualquer modesta lembrancinha despretensiosa, como faz falta o elogio sutil, o aperto de mãos, o carinho em público, o olhar admirado e terno, céus, como faz falta uma dose saudável e real de romantismo para animar os relacionamentos hoje em dia!
Mundo da ganância, mundo da objetividade, mundo do “se quer, quer, se não quer se dane”, como faz falta um abraço forte, um elogio, um gesto de carinho. Todavia, os homens olham os corpos na televisão e os elogiam, mas não a mulher que esta ao seu lado, e é assim, que, pouco a pouco elas cansam, elas vão embora, ou, elas simplesmente, arrumam um outro cara que valorize a elas que são de carne e osso e não ajustadas por ângulo de câmara de vídeo.
Fazem faltas as rosas, os jantares em restaurantes legais, faz falta o apreço do sujeito por uma mulher só, o olhar admirado, o diálogo, o carinho e o simples sentir-se bem na presença do outro. Sem romantismo, definitivamente, relacionamento algum tem graça. Não para mim.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 23 de janeiro de 2011
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