Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Aceitação

Aceitação


A gente leva tempo lutando contra nós mesmos, exigindo de nossa alma respostas que ela não consegue nos dar, a gente, pois, perde muito tempo se revoltando com nossas más escolhas ou com o que, mesmo que não quiséssemos, acontece ou já aconteceu conosco.
Desde o ateu até o mais crente dos cristãos nenhum ser humano têm facilidade para aceitar a derrota, a frustração e os erros, inclusive os que ele mesmo comete sem a intenção de fazê-lo.
O remédio para toda revolta, a solução para as respostas irrespondíveis é apenas uma: aceitação. Jesus, um ser humano sábio e iluminado, aceitou o fardo que lhe coube sem revolta, ele via em si a força divina que lhe fortalecia. Carregou sua cruz, nela foi pregado, mas nunca blasfemou. Era um homem sábio, um homem forte e corajoso.
Não estou aqui a falar de atitudes supra-humanas. Jesus era especial, mas não era Deus, ele era sábio, era um profeta. O destino dos homens sapientes nada mais requer se não o aprendizado, a evolução, então, porque não aprender a aceitar ao invés de se revoltar?
A revolta não traz resposta, traz desilusão, tristeza, depressão. Alguns fatos em nossa vida nós conseguimos compreender, outros não, somos humanos. E seremos um pouco mais sábios quando compreendermos que, aquilo que não entendemos, deve ser aceito e respeitado, porque se existe alguém que manda no universo, lamento informar, mas não é você, nem eu, nem nossa vontade, mas, por outro lado, este Alguém nunca erra.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 02 de junho de 2011.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Dr. House e o "quase".

Dr. House e o “quase”.


O personagem grandioso e polêmico que dá nome ao seriado do canal de TV a cabo Universal, Dr. Gregory House afirma que “quase morrer não muda nada, morrer muda tudo”, concordo, afinal os “quases” não implicam em modificação alguma em nossas vidas, eles se tornam apenas lições a serem aprendidas. Por quem quer, é claro.
Na vida afetiva da gente existem afirmativas pertinentes como: “quase amar não muda nada, amar muda tudo”. Ninguém se torna a mesma pessoa após ter amado e se entregado verdadeiramente a alguém e quem “quase” amou, não amou, quem “quase” se entregou, não se entregou.
Outra afirmativa que, apenas quem passou pela experiência, pode dizer é a seguinte: “casar não muda tudo, mas a separação muda” e não apenas o estado civil: a separação de um casal é a admissão publica e pessoal do fracasso de uma tentativa. E fracassar dói, a frustração machuca e arde até nos corações mais duros.
Você faz tudo para dar certo, doa seu tempo, sua dedicação, seu afeto, seus sonhos mais puros, sua carência – legado de sua frustração familiar, por exemplo-, sua paciência, sua alma e, de repente, por um motivo ou outro, mas nunca por uma razão vã, você se obriga a desistir.
Então recolhe seus planos frustrados, sua mágoa, suas lembranças boas e más, passa dias inertes onde uma força imensa lhe puxa para a cama e para uma crise de solidão, se afoga em toda espécie de drogas licitas, comete erros dos quais não pode se dar ao luxo de se arrepender para não ter que aumentar a dose dos remédios que lhe fazem dormir.
A graça de tudo é que você não “quase” amou, você amou e deu sua palavra, compartilhou sua vida e coração. Você sofre e “quase” morre de dor, mas não morre e o fato é que apenas “morrer muda tudo”, conforme a sabedoria impiedosa do House, logo, existindo vida, ainda há esperança e um coração que, um dia, vai se abrir para um novo amor, porque mesmo partido, ele não parou de bater. Quase parou, mas o “quase”, no final, não faz nenhuma diferença, será apenas mais uma experiência vivida.


Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 1º de junho de 2011.

Famílias, mentiras e hipocrisia.

Famílias, mentiras e hipocrisia.


Assim como não existem pessoas perfeitas, não existem famílias perfeitas, existem aquelas com maior tendência a hipocrisia e falsidade que tentam, por maior tempo e com maior qualidade, manter as “aparências” de “exemplares”. Apenas isso.
Não existe DNA isento de probabilidade de enfermidades, assim como não existem famílias sem histórico de problemas, uns mais graves que outros: traição, violência verbal, agressão física e psíquica, abandono, negligência, desrespeito as diferenças de idéias e opiniões, este último sendo o principal fator de distanciamento entre pais e filhos, por exemplo. Um não se adéqua ao ideal do outro. O problema, pois não é a pessoa em si, mas o “ideal” do pai ou do filho sonhador.
Por mais que amemos ou por mais que nossa tendência biológica nos de o instinto de amar quem nos deu a vida ou a quem damos a vida é a falta de aceitação de diferenças inerentes, de concepções de mundo, de respeito a sonhos e gênios que geram a discórdia e a frustração da maioria das pessoas com seus familiares próximos.
Não existem dicas, nem livros que instruam, nem manual sobre a “realização e mantença da união e alegria familiar”, até porque desde os tempos de Caim e Abel isso é algo surreal e inatingível. É a mentira destinada a “não magoar”, ou seja, a hipocrisia que sustentam boa parte das famílias (ou seriam todas?), e isso não é de todo ruim, às vezes é preciso mentir, calar e silenciar porque o resultado da palavra e da verdade pode ser letal aos sentimentos alheios.
É preciso respeitar, aceitar, se distanciar, ignorar, fazer de conta que não há distancia quando existe um abismo imenso entre idéias e concepções de vida. As pessoas aprendem a ser hipócritas dentro de casa, quando a tia- avó fofoqueira leva aquela ambrosia doce e odiosa e a mamãe faz o filhinho dizer que “a sobremesa é deliciosa e que fica grato com a visita” (quando ele quer tomar sorvete e jogar bola). É a vida. É assim que as famílias se mantêm: com pequenas, grandes, mas sempre respeitáveis mentiras que erigem a hipocrisia à categoria de “salvadora” das pobres e ricas famílias deste mundo.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 1º de junho de 2011.

Os descontrolados

Os descontrolados.


Eu não suporto gritos. Não suporto pessoas descontroladas, iradas, instáveis e, obviamente, desequilibradas. Uma pessoa normal e psiquicamente saudável não desconta sua fúria gritando com os outros ou agindo com extrema impaciência: uma pessoa equilibrada pensa antes de falar e agir, logo, não grita, apenas age.
Tenho quase certeza que pessoas que gostam de gritar e não se importam com seu desequilíbrio interior deveriam trabalhar como boiadeiros ou algo do tipo já que não assumem sua personalidade e não se internam num hospital psiquiátrico. Claro que os animais não merecem os gritos que ouvem, mas eles precisam para “andarem” juntos, ademais eles não pensam.
Gente, ser humano, seja filho, marido, esposa, empregado, colega, amigo, ninguém merece aturar o seu desequilíbrio, por isso existem psiquiatras e psicólogos. Se você não agüenta algo, se esta infeliz e descontente, os outros não têm culpa e você vai afastar todas as pessoas sãs da sua vida, inclusive as que lhe amam e, com tantos motivos e gritos ouvidos, não vai ser difícil para elas lhe esquecer, certo?
As pessoas equilibradas agüentam os gritos dos raivosos assim como os enfermeiros, familiares e médicos suportam os delírios dos psicóticos e esquizofrênicos. Eles são vistos como insanos, e nenhuma pessoa racional quer discutir com um louco: eles se poupam porque louco é louco! O melhor é ficar quieto e ignorar já que ninguém sai com uma seringa de Haldol na bolsa.
Todavia, o perigo de conviver com uma pessoa sem controle sobre sua agressividade, raiva, e demais emoções é que essas pessoas além de magoar podem lhe enlouquecer ou transformar você num ser humano igualmente desequilibrado.
Os mais “mansos” se deprimem os mais agitados perdem o equilíbrio, mas ambos acabam por deixar sua normalidade psíquica soterrada, enquanto o doente nunca irá admitir que é mentalmente frágil e descontrolado, não por menos é preferível um desequilibrado e demente diagnosticado do que aquele que se faz de “normal” e, cedo ou tarde, mostra sua insanidade tentando achar motivos racionais para seus atos impensados.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 31 de maio 2011.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O homem e a esperança.

O homem e a esperança


O homem é racional embora às vezes aja como se não fosse. A esperança é a tábua de salvação de todos os indivíduos, é ela que faz com que as pessoas fujam ou se mantenham inertes: cada um tem uma forma de pensar, uns são ativos, outros passivos, mas todos esperam obter êxito na ação ou na inércia.
É por ter esperança que as pessoas se relacionam com quem não devem, é por ter esperança que as pessoas mais carentes se iludem, elas desejam “a pessoa certa”, o trabalho “realizador”, e, assim, entre o descontentamento com o presente e a incerteza do amanha vive, no coração humano, a bem aventurada “esperança”.
O sujeito descontente no casamento nele se mantém porque espera que, um dia, a paixão volte, que “algo” mude, ainda que nada faça para tanto. O rapaz que vive entre uma relação e outra também espera que, um dia ele dê “certo” no amor. A diferença é que um fica estagnado, outro age, mas ambos desejam ser felizes.
Os seres humanos podem viver muito bem sozinhos, podem ter paz e tranqüilidade, mas, de uma forma ou outra, todos desejam “dar certo” com alguém, construir uma relação sadia e prazerosa, assim como todos desejam trabalhar no que gostam e obter resultados, lucros, É a esperança que faz o homem despertar toda manha para sua vida, para sua realidade.


Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 27 de maio 2011.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Não II.

Não II.



Às vezes você esta passando por um período de carência, de mudança, onde sua auto estima declina e você deseja se elevar buscando diversão ou toda forma de distração para não ter que se auto-analisar, esta é uma das fases em que o “sim” impera na sua boca.
Você conhece uma pessoa diferente, que aparentemente não combina com você e diz “sim” para seus sentimentos mal nutridos em relação a ela, ou então você conhece uma pessoa super legal, mas que não deseja o que você deseja em tal momento- ela quer liberdade quando você quer compromisso, ou vice versa,- mas, apesar disso, você diz “sim” para seus desejos. Em ambos os casos você se machuca.
A tarefa mais difícil de todas é aprender a dizer não à nossas ilusões, e dizer sim a racionalidade e a nossa intuição, aceitar aquele “algo” dentro de nós que diz que esta ou aquela estrada não nos levará a lugar algum, ou, apenas, não ao lugar que desejamos ir (quando sabemos que lugar é esse).
Dizer não para si mesmo é difícil e é uma tarefa que apenas as pessoas maduras conseguem cumprir, ainda que a maturidade tenha sido alcançada à custa de muitos “sim” que não deveriam ser ditos. Fato é que, quem diz sim para tudo, acaba dizendo não para a própria paz de espírito.
É preciso dizer não a muitos desejos, a muitas vontades, quando, de uma forma ou outra, se sabe que, no final, elas não vão compensar e que o prazer imediato é menor que a dor que virá em longo prazo. Esta realmente é uma tarefa para gente grande. Grande e grandiosa.



Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 26 de maio 2011.

Não.

Não.


Chega um dia na vida de todo ser humano cordial, imerso em compaixão e muito bem educado que ele tem que aprender a dizer uma palavrinha básica e de muito efeito: não.
Dizer sim para tudo há muito tempo deixou de ser sinal de cordialidade, posso afirmar que tal atitude denota carência, pouca auto-estima, insegurança e, em alguns casos, orgulho: a pessoa quer se mostrar virtuosa, poderosa, teme e tem vergonha de dizer não, mesmo quando o “sim” lhe prejudica (a hipocrisia, então esta “solta no ar”).
É preciso dizer não aos pedidos dos filhos mesmo que eles chorem e se descabelem. O ser humano nasce com certo egoísmo, eles desejam ser satisfeitos a qualquer custo, ou apelam para a chantagem emocional, e ninguém duvida que o choro estridente é uma forma de manipulação inconsciente, certo?
Pais que dizem sim a todos os desejos dos filhos criam os psicopatas do futuro, dão vazão e força ao egoísmo inerente ao ser humano, tornando ele um adulto sem educação e realmente egoísta, do tipo que só se satisfaz quando tudo converge para a consecução de seus interesses.
É preciso dizer não ao pretendente quando ele insiste em algo que você não quer, é preciso dizer não ao namorado, a amiga, ao marido, sempre que o “sim” venha aviltar sua personalidade, seus sentimentos e forma de pensar.
É preciso dizer não até para si mesmo quando a razão aponta o resultado infeliz de algum sentimento ou atitude, mas a emoção teima em nos empurrar para algo pouco valioso que pode nos ferir. Dizer sim para tudo é a principal forma de falsidade, fraqueza de personalidade e hipocrisia. O “não” pode não ser agradável a quem ouve, mas, de regra, é sincero.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 26 de maio 2011.

domingo, 22 de maio de 2011

Relações problemáticas

Relações problemáticas


Alguns relacionamentos marcam para sempre apesar da pouca duração. De repente você conhece alguém, passa um mês ou uma semana ao seu lado, e não esquece nunca mais. Nem deve esquecer, assim como tais relações não deviam durar mais do que duraram, basta se conformar.
Tal realidade é base para quase todo filme ou livro de romance que nos fazem chorar, dois de meus preferidos são “As pontes de Madison” e “Noites de Tormenta”, aquele bastante antigo, mas marcante, inesquecível. É possível amar pessoas de forma diferente, eis a polêmica da vida adulta: O amor é divisível. Ninguém deseja tal fato, nem quem ama, nem quem é amado, mas, alguém disse que a realidade da vida é “tranqüila e agradável”?
Toda relação é complexa porque une duas pessoas e, conseqüentemente, duas histórias diversas que, em alguns casos, não podem convergir, não podem durar mais do que poucos momentos, como um sonho que temos enquanto dormimos: O sono eterno é a morte, logo os sonhos precisam ter um fim. Precisamos acordar e seguir nossas vidas.
O mesmo ocorre naquele tipo de relação “bandida”, quando o casal termina e volta, volta e termina: Vício, paixão, pode parecer romântico em romances, mas é doença, um precisa do corpo, do cheiro e da presença do outro de forma que, distantes, enfraquecem, murcham. Todavia, o fato é que não é saudável, não é maduro e não deve ter continuidade, um dos dois deve colocar um ponto final na história para que ambos cresçam, apesar da dor.
Fora este tipo de relacionamento, o curto e marcante e o longo “viciante” os outros relacionamentos, os saudáveis e normais não dão “ibope”, não se tornam tema de filmes, são comuns e talvez insossos, todavia são estes os que duram e são almejados pelas pessoas normais e mentalmente sãs. Infelizmente os relacionamentos problemáticos são os que, de regra, nunca são esquecidos.


Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 22 de maio 2011.

sábado, 21 de maio de 2011

Sonhos e sucesso.

Sonhos e sucesso.

Tem gente que sonha com salário alto e dinheiro, eu sonho com realizações honestas. Tem gente que se realiza com uma conta bancária recheada, eu almejo a mente e o coração cheios: prefiro a consideração das pessoas por algo que eu diga, faça ou escreva, prefiro a fama ao dinheiro, pois.
Cada um tem a sua visão do que seja sucesso, e todos, de uma forma ou outra, silenciosos ou não, buscam sua concretude. É por isso que não devemos, em hipótese alguma, criticar os sonhos e os desejos alheios.
Os homens são diferentes entre si: enquanto um busca a estabilidade e a tranqüilidade, outros buscam a arte, a renovação, a criação. Cada pessoa tem como “grandioso” o que lhe apraz e nem todos buscam uma renda imensa para ter em mente que obteve “sucesso” na vida.
Irritam-me os homens que fazem pouco dos sonhos alheios, me anojam aqueles que crêem que seus sonhos valem mais ou são mais altos e melhores que os alheios. Cada pessoa tem como valoroso o que lhe apraz, os sonhos pertencem à alma, e não à toa, cada um tem a sua, que, diga-se, é única e imortal.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 21 de maio 2011.

As paredes

As paredes


As paredes me protegem, embora eu não tenha medo de sua ausência. O que me enjoou e causou-me desprezo foi o ser humano e suas mentiras, o homem e suas máscaras, o homem e sua falta de auto-respeito e consideração por si mesmo. A hipocrisia? Quanto asco me causa!
Enjoei em pouco tempo de ver gente reunida. Cansei da hipocrisia que reina no mundo, cansei do convívio em grupo onde cada um tenta ser superior ao outro e a consideração e o respeito são palavras idealizadas e não praticadas.
Tem gente que não cansa do mundo e das pessoas, eu cansei. Ficar em casa é mais seguro para meu cérebro, sempre foi. Outrora “sair e ver gente” me aprazia, até chegar o dia em que eu vi quão traiçoeira essa “gente” pode ser. É preferível confiar nos meus gatos.
Tenho alergia de hipocrisia, nojo de falsidade e ojeriza de ignorância e estupidez mascaradas por sorrisos insossos. Eu não tenho medo das pessoas, mas prefiro que as paredes me protejam de seus pensamentos e atos errôneos e equivocados.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 21 de maio 2011.

Novo tempo

Novo tempo


Sinto que o mundo esta carente de “coisas inéditas”. Chegamos ao ponto em que criar esta sendo praticamente impossível, chegamos ao ponto em que olhamos para trás e verificamos que não nos resta muito a fazer, embora se deseje a cura para algumas doenças, é claro. O “inédito” deixou de existir.
Talvez isso seja o que muitos tinham como o “final do mundo”: por mais geniais que sejam os profissionais, por exemplo, eles não têm hoje a consideração social e o lucro que os de outrora conseguiam. Existem muitos concorrentes, muitos profissionais geniais no mercado desejando a mesma coisa.
Antigamente poucos podiam estudar e a ignorância imperava, bastava, pois, formar-se em ensino superior para o sujeito começar a ganhar dinheiro, hoje tudo mudou e em todos os aspectos do conhecimento.
Na literatura o mesmo ocorre. Dizem os especialistas que é preciso produzir algo diferenciado para se “destacar” e publicar um livro, por exemplo. Mas, como fazê-lo se estamos na era da comunicação, da interação virtual, onde já foi escrito sobre praticamente tudo?
Creio que a solução seja avaliar a qualidade do que se faz ou produz e não ter o “inédito” como crédito. A era do conhecimento requer que as decisões sejam detalhistas e verifiquem o bom profissional pela sua dedicação, vocação e qualidade de serviço. O tempo onde o “inédito” era critério passou.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 21 de maio 2011.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A introspecção e a maturidade

A introspecção e a maturidade



A introspecção se torna habitual para o homem, vez que, na medida em que amadurece, é natural que passe a confiar num menor número de indivíduos, de forma a expor menos seu interior aos outros. Frise-se que não falei “confiar menos” nas pessoas, mas em menos pessoas.
A cada experiência que temos, seja no circulo de colegas de turma, de trabalho, de profissão, seja nos grupos de festa, ou naquele tradicional grupinho de “amigos com aspas” que possuímos, percebemos que são raros os que merecem nossa plena confiança.
Ao constatar isso passamos por uma pequena crise: a do afastamento. Refletindo, ficando a sós conosco e curtindo melhor a nossa própria companhia e pensamentos, verificamos quem merece e quem não merece nossa atenção, Lamentavelmente, averiguamos que muitas pessoas que merecem nosso apreço, por algum motivo, não podem estar ao nosso lado com a freqüência que desejamos.
É, são os males da “vida adulta”, tão almejada quando não possuíamos independência alguma, e tão “estranha” quando percebemos que, mesmo podendo ir para onde desejamos e fazer o que queremos, nem sempre teremos alguém realmente legal e confiável para nos fazer companhia.
A maturidade grita aos homens: “aprendam a serem contentes sozinhos, encontrem a paz e não a melancolia nos momentos de solidão, aceitem-se e selecionem bem quem vai entrar em seus corações!”. Não são todos que ouvem, uns precisam sofrer mais decepções que outros para compreender tal realidade, mas o fato é que ninguém sai desta vida sem aprender a referida (gritante) lição.

Cláudia de Marchi



Passo Fundo, 19 de maio 2011.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Solidão do bem.

Solidão do bem.


Depois de algum tempo afastada da maioria das pessoas que conheço, e dos locais que, outrora eu “simpatizava”, para uma interessante hospedagem no meu lar, tendo apenas minha mãe como companhia, para pensar a respeito da minha vida e atitudes, concluo que a solidão pode ser excelente.
É melhor ficar só do que ter que ouvir histórias que não gostamos e ter que ser “cordial” com o interlocutor psicótico, do que ouvir mentiras de gente que tenta se fazer de “santa” ou reflexões hipócritas de gente mal resolvida. É preferível ficar só a ter a companhia de gente que é o avesso do que somos, mas que supre nosso medo da solidão. Medo que não tenho mais, afinal a melhor companhia para uma pessoa madura é ela mesma.
Descobri que eu, uns DVDs e um bom vinho, formamos um trio forte e sapiente, mais ainda quando dois lindos gatos persas nos fazem companhia. Voltei a descobrir que tenho na minha mãe minha melhor amiga, com quem posso contar, nas madrugadas de insônia ou em qualquer momento, para boas conversas com ou sem um chimarrão a nos acompanhar.
Eu que tinha certeza que nasci para conviver, em especial para ter uma vida de “casada”, sei, agora, que me dou muito, mas muito bem sozinha, sem precisar de junção de gente que nem sempre me estima, de pessoas que me enganam ou mentem, de barulho, jantares ou amizades fajutas.
Não é por isso que deixo de crer que eu e um amor verdadeiro faríamos um belo par, mas hoje eu sei quão bom é estar longe da falsidade e perto de quem realmente me valoriza, de quem posso confiar por ser leal e sincero: eu, minha mãe, e poucos e bons seres humanos que me visitam quando desejam, afinal, para estes. a minha porta sempre está aberta.
Tomo a liberdade, pois de adaptar o verso de nosso poetinha, dizendo: fundamental é mesmo o amor, mas é possível ser feliz sozinho, porque em paz, tranqüilo, em equilíbrio interior, mas, sempre com a doce esperança de reencontrar um novo, intenso e profundo amor.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 16 de maio 2011.

sábado, 14 de maio de 2011

Os motes dos solitários

Os motes dos solitários


Ninguém se acostuma plenamente com a solidão sem criar alguns “fantasmas”, sem, de vez em quando, ser um pouco borderlaine: é preciso ser criativo e ter amor próprio para conseguir viver bem e sozinho sem sair mundo a fora fazendo besteiras. Mas eu não falei em perfeição, falei?
Todo solitário é humano, e, obviamente, imperfeito. Logo, é na ilusão que ele foge, que ele se distrai, que ele “passa” algum tempo. Cria uma meta, impinge todas suas forças psíquicas nela, e distrai-se, passam as horas, os dias, os meses, e ele não sente a dor que poderia sentir não fosse a distração que criou.
Como um esquizofrênico, o solitário esperto inventa personagens, inventa desejos, e vai atrás deles, todavia, como não é demente de fato, o faz silenciosamente, para salvar a sua alma da melancolia, não para atordoar ninguém. Ele sabe quando a sua ilusão inicia, ou seja, o que ela tem de real, e quando ela termina: ele a inventa, apenas, para dar um alento ao seu tédio.
E, assim, as pessoas terminam se “acostumando” com a solidão, entre uma “super dedicação” ao trabalho, entre uma paixão inventada, entre metas a serem cumpridas e entre tarefas pessoais a serem efetivadas, o solitário consegue viver sem afogar-se em amargura. É um mote, mas lhe vale a alegria real, ainda que solitária.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 15 de maio 2011.

Natureza

Natureza


A vida nunca se comprometeu a ser perfeita com você, ela nunca assumiu a obrigação de lhe dar prazer em todas as circunstâncias e de lhe fazer vencedor em todas as batalhas que pelo seu livre arbítrio você resolveu assumir.
A vida é silente, descompromissada e democrática, ela não assume nada com ninguém, quem se compromete com ela, ou com metas que quase a superam, são os homens, estas mesmas bestas, que cobram dela suas realizações.
A vida basta existir, ao dia basta raiar, as noites escurecer, as madrugadas despontar, ao sol basta aquecer, a chuva basta molhar, tudo o mais que se deseja, cabe ao homem procurar, buscar, sem, contudo, desrespeitar a vida e seu codinome: natureza.
Desrespeitando-a é que, pouco ao pouco, na medida em que seus cofres se avolumam, a humanidade vai padecendo de males desnecessários e fatais. A vida não tem culpa de nada, Deus também não. Quem vive e tem como dádiva a liberdade e o livre arbítrio é quem tem a responsabilidade pelo que faz e pelo que tenta dizer e provar que não faz.


Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 14 de maio 2011.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A verdadeira riqueza

A verdadeira riqueza


O homem não tem sabedoria o bastante para crer que as maiores riquezas são aquelas que ele não enxerga, não conta e, muitas vezes, nem percebe ou valoriza.
Mal sabem as pessoas que o poder esta dentro delas ao lado da riqueza, suas grandes ambições terrenas. Desejando tudo o que o dinheiro pode comprar, a beleza cativar, e aos outros ostentar, mostram-se pobres e vis, cegos para o que realmente possui valor.
Não estou dizendo que dinheiro não é bom, não sou hipócrita. Dinheiro honesto, trabalhado e valorizado é bom desde que o homem tenha maturidade para tê-lo e desde que a ele, e ao que ele propicia comprar, não se escravize. Numa sociedade materialista o homem abastado “conquista” tudo, e termina acreditando que é ele quem o faz, quando, na verdade, é o seu mestre: o dinheiro. Belas (?) mulheres, amizades, festas, convites, amores falsos, tudo captado pelo dinheiro, portanto sem valor, sem sabor, sem sentido.
São raras, mas ainda existem pessoas que procuram, além do encanto da beleza, o real e verdadeiro encantamento gerado pelas virtudes, pelo bom caráter, pela moral límpida e pela consciência tranqüila que resplandece no olhar e na energia que emana um homem de bem, aquele cujo coração é rico e a alma, belíssima.
De todas as riquezas, pois, que pode ter um homem, é na sua alma e no seu coração que se encontram as genuínas, as que realmente possuem valor, as que realmente lhe dão felicidade, serenidade e paz. Rico será o mundo quando disso se aperceber. Por enquanto, pois convivemos com ricos miseráveis e pobres ricos: abençoados sejam os que sabem distingui-los.


Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 09 de maio 2011.

sábado, 7 de maio de 2011

Inexplicáveis

Inexplicáveis


A semelhança entre os piores e os melhores fatos de nossa vida é uma só: a ausência de explicação lógica para ambos. Por mais que tentemos, por mais que utilizemos conhecimentos de Cristo ou de Freud, não adianta, tais acontecimentos não se explicam através de nosso olhar racional.
Tal é o motivo pelo qual a maioria das pessoas crê que “nada acontece por acaso”, e é verdade, afinal, ninguém sabe explicar o que seria o “acaso”. Os fatos surgem de forma inusitada, nosso coração reage de forma mais inusitada ainda e nossa mente tenta, mas não traduz em palavras os sentimentos agradáveis, ou não.
Porque você conheceu determinada pessoa e se encantou tanto por ela se mal a conhece? Porque dentre tantas opções você escolheu aquela que lhe feriu? Porque você estava naquele local, naquele dia, naquele momento e aconteceu o melhor encontro de sua vida? Não há explicação.
Para certos fatos, pois, nada nos resta a não ser aceitar, sejam eles bons ou ruins claro que, quando eles são agradáveis, são assimilados com sorriso em nossos lábios, quando não, é a tristeza que aparece pintada em nossa face. Sempre, porém, são as boas lembranças que devemos cultivar, porque quem alimenta a dor, digere uma tristeza infindável.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 07 de maio 2011.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Caindo na real"

Caindo na real.


Sabem aqueles dias, aquelas madrugadas insones que, no ócio, você se coloca a refletir? Pois bem, tenho tido muitas noites e madrugadas destas, em que eu olho para um quadro enorme com uma foto minha que há no meu quarto e me pergunto: quem era ela? Quem, pois, sou eu?
O que une o meu “eu” de hoje com o de alguns anos atrás? O que me separa dele? As decisões, as escolhas, as renúncias, obviamente. Todavia eu sou aquela que continua dormindo com ursinho de pelúcia, até quando era casada.
Opa! Uma decisão rara a favor de um cliente meu, após um recurso, no Judiciário! Que alegria! Mas, afinal, eu sou aquela que esta descontente com a advocacia ou aquela que, no fundo, tem medo de se frustrar novamente em seu ofício de batalhas com os colegas desonestos?
Eu sou a desiludida afetivamente, que de tanto sofrer aprendeu a ser fã de música sertaneja, ou eu sou a adolescente que fazia das músicas da Legião hinos a serem ecoados na escola? Eu sou aquela que fez de tudo por amor, ou a covarde que voltava para os mesmos braços por carência e solidão? Eu sou a moça que repetia atos (Freud explica, meu bem) ou a mulher que se amarra em casa para não repetir o que não lhe fez bem em qualquer aspecto?
Eu sou aquela que foi muito amada ou causou insegurança aos respectivos amores? Eu sou a mulher consciente e dona de si, eu sou a mulher decidida que não se arrepende do que faz e sempre tem um sorriso para dar? Ou sou a antipática, ou aquela que “sorri” demais e é criticada? Eu sou inteligente, esperta ou inocente? Definitivamente: Primeira e terceira opções estão corretas, sou e sempre serei uma tola que crê no amor e na lealdade das pessoas.
Eu sou todas estas e muito mais, enfim. Continuo sendo um poço de antinomias numa pessoa só, sem ser complicada, nem perfeita, eu sou humana e simples. Todavia, o fato é que, ao mundo, não importa quem eu sou realmente, mas o que as pessoas (que de “nada” a “coisa nenhuma” sabem de mim) dizem, pensam ou inventam sobre mim. Finalmente, esta sou eu: “caindo na real”.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 05 de maio 2011.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Plantando, semeando e colhendo.

Plantando, semeando e colhendo.




Nada de bom pode nascer em solo mal cuidado e cheio de inços, é preciso limpar, preparar a terra, para, então, plantar bons frutos, semeá-los, para que apenas no tempo certo eles mostrem quão belos são. É preciso calma para plantar, paciência para colher, e entusiasmo para festejar a boa colheita.
Na vida, assim como na agricultura, também é assim, obviamente, nada é calculado, previsível, aliás, é esta a emoção maior: de nada sabemos, mas precisamos zelar pelo nosso coração, precisamos ouvir nossa intuição- a voz da alma que nos impulsiona,- e, então, deixar a sementinha do bem-querer cair, para, os frutos nascerem, de preferência no solo regado e cuidado com zelo e afeto.
Não é possível plantar discórdia, vinganças, desaforos, egoísmo, ofensas, humilhações, e querer colher bem- querer, confiança, afeto. Não é possível plantar desdém, desprezo, desapreço e colher atenção e carinho.
A vida é dos emocionalmente inteligentes, mas é dominada pelos emocionalmente ignorantes, por seres que não estão nem ligando para os corações alheios e para os seus próprios, por pessoas materialistas e vãs.
Mas eu sei que neste mundo “estranho, com gente esquisita” existem pessoas como eu e como você, que apesar de tudo, ainda acreditam no amor, no bom plantio, na boa semeadura e na próspera colheita. Sem nenhuma dependência do acaso, porque nada ocorre por conta dele nesta vida.




Cláudia de Marchi




Passo Fundo, 03 de maio 2011.

Perdendo e ganhando

Perdendo e ganhando

A gente não perde pessoas apenas para a morte, a gente perde pessoas com o passar do tempo, a gente se afasta de alguns, se aproxima de outros, a gente muda de cidade, a gente viaja e, a gente se despede de quem amou, e perde, também um turbilhão de idéias e ideais, um mundo de sonhos, de sentimentos e paixão.
Quanto maior a dificuldade humana para lidar com a perda, tão maior será sua dificuldade para viver, onde uns vão aferir sabedoria com mais facilidade, outros vão adquirir frustração, dor e lágrimas, mas, olhe, veja só! Qual o homem que você conhece e acata bem suas frustrações? Das mínimas às grandes?
Quem quer constituir uma empresa e falir? Quem quer abrir um escritório e não conseguir mantê-lo? Quem quer ter filho com problema de saúde? Quem quer que a filha linda se vicie em drogas? Quem quer que o amor sucumba aos erros e as dores? Quem quer namorar, confiar, ou até mesmo casar, e ser traído? Ninguém, eu acho.
A gente nasce sabendo um pouco das manhas da vida: chora, ganha comida, faz necessidades, resmunga, geme de alegre, de dor, e assim vai. Acerca das frustrações, acerca das perdas e de tudo que temos que abdicar na vida para nos tornarmos realmente maduros, porém, podemos viver mais de cem anos e nunca teremos aprendido tudo. Sempre há o dia em que as lágrimas vão cair, em que, a sós, ou em meio a multidão, a gente se sentirá sozinho, com nossos sonhos frustrados. E isso dói, mas, como tudo na vida, passa.


Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de maio 2011

domingo, 1 de maio de 2011

Escolhas

Escolhas



Jamais faça de suas experiências afetivas frustradas e passadas paradigmas para o seu futuro, para as novas experiências que terá. Isso inclui os problemas infantis que conservamos em nossas mentes.
Ficou com um amigo e acabou perdendo os dois, o romance e o amigo? Acontece, é um risco, mas não significa que sempre tal ato vai ter o mesmo resultado. Casou e se decepcionou, se sentiu usado, frustrado, traído, mal amado? O problema jamais é o casamento, meu caro, é a pessoa que você escolheu para casar.
O amor em todas as suas formas sejam amizades, parentesco e romântico, entre um casal, merece e sempre vai merecer brindes, odes. O problema não foi o seu relacionamento que terminou, o problema foi a ausência de amor ou, se houve frustração, foi pela pessoa escolhida. Por você, frise-se bem.
O demérito de relacionamentos depende das pessoas que se relacionam. Amar é bom, namorar é ótimo, casar também, conviver igualmente, a questão é e sempre vai ser: Quem você escolheu para estar ao seu lado? E, por fim, a escolha foi de quem, mesmo?
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 1 de maio 2011.

domingo, 24 de abril de 2011

Noite: mais um susto!

Noite: mais um susto!




Embora eu ame dançar e ouvir música, bem como as minhas duas amigas advogadas e parceiras, quando eu saio (de pouco a nada) na night fico bastante assustada, e costumo regressar mais apavorada ainda! Enjoada das mesmas pessoas e estilo mente-oca de boa parte delas, fomos eu e uma amiga querida e auto-respeitável para uma casa noturna bem conceituada noutra cidade.
De repente fomos para um camarote de um amigo dela, tudo bem, com exceção do que a vista geral do lugar me fez ver, inclusive dentro dele. Sei que existem mulheres interesseiras, conheço muitas, mas ver mulher se vender por vodka com suco é o tal do final de carreira. Das miseráveis, claro.
Lógico que para os homens que, graças as “piriguetes” começaram a achar que todas são como elas, é uma economia ótima. Sexo de graças, vodka mais barata do que nas casas de meretrício, e mulheres agindo como meretrizes, bêbadas, se agarrando no nanico gordinho, no esquálido, no fofão, nossa, ou elas têm muito amor para dar, ou não têm o mínimo apreço por si mesmas.
O incrível disso tudo é o anseio que elas têm por amor, atenção, respeito, e, claro, casar com um iludido abonado, etc. Moças! Moramos no interior, algumas mulheres daqui para conseguir casar tem que achar um paulistano, carioca, mineiro, baiano, porque por mais que os homens neguem, existe sim o preconceito.
Não me refiro a machismo, mas a preconceito, porque sou daquelas que tenho nojo de homem galinha que não valoriza o órgão que possui, tais quais as moçoilas que se agarram nos donos de camarote com seus micro vestidos, crentes que são elegantes. É, nessa hora eu penso que o cara tem que ser muito preguiçoso para ir em zona, ora, por que? Vodka é o ingresso, depois é só levar o prêmio.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 24 de abril de 2011.

domingo, 17 de abril de 2011

"Vinte e muitos anos"

“Vinte e muitos anos”.

Como é bom superar os “vinte e poucos anos”, para chegar aos “vinte e muitos “. Muito amor dado, muito recebido, muitos risos, muitas realizações, muitas perdas, muitos desgostos, muitas frustrações, muita felicidade, muitos sorrisos, muito aprendizado, você esta prestes a renascer aos 30 anos, e isso é muito bom! Creio que estar perto dos 30 anos me fez valorizar cada segundo de vida que tive: eu já não me importo com o tanto que sofri, já não me arrependo das minhas batalhas, lutadas com afinco mesmo na iminência da derrota, que também não me importa mais, da mesma forma já não me envaideço com minhas vitórias. O jogo da vida gira muito rápido para termos sentimentos fúteis como orgulho, egoísmo, pais do narcisismo. Hoje eu sou eu, e adoro isso! A beleza, o fogo, o entusiasmo, os sonhos, as metas, as expectativas, são mais aprimoradas do que a dos “vinte e poucos”. Eu era tão escultural com tal idade, tão cabeluda, tão tola, tão cheia de convicções, que a vida me ensinou, era uma mala de ilusões. A vida me ensinou que o tempo aprimora a alma, e que ela reflete nos olhos de quem nos vê e nos espelhos que nos enxergamos. Nos “quase trinta”, você se olha no espelho e vê uma mulher com uma vida a gerir: a sua. Você olha o seu sorriso e ele parece ser mais charmoso, mais “sacana”, você esta muito mais sensual do que na época que tinha tempo para malhar 3 horas por dia. Hoje a sua mente, a sua postura, a sua auto-estima e amor próprio é que estão fortes, quase inabaláveis. Aos quase trinta você já viveu um amor verdadeiro, ou mais que um. Aos quase trinta você já fez de tudo por um amor, você perdeu o temor, você tolerou tudo o que podia de alguém por amá-lo e, nunca deixou de perdoar. Você perdoou e foi feliz, mas, o que você não sabia aos “vinte e poucos “ e descobre aos “vinte e muitos” é que de nada adianta perdoar sem esquecer. Mas Deus não dá amnésia para quem Lhe pede, infelizmente. “Aos vinte e muitos” você vê a vida de outra forma, você tende a parar de achar que as pessoas podem ser objetos, você passa a respeitar mais a si mesmo e aos outros. Você cresceu e só quer grandiosidade, relações banais, sem sentimento, não lhe servem para nada e são substituídas divinamente por uma taça (ou uma garrafa) de um bom vinho e um banho quente. Aos quase trinta, você já superou seus medos e traumas, e quer se apaixonar, amar, ou, apenas, ficar só, então, para que perder tempo? Afinal, você não tem mais “vinte e poucos anos”.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 17 de abril de 2011.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Esquizofrenia contragiosa e psicopatia dos abastados.

Esquizofrenia contagiosa e psicopatia dos abastados.

Eis que o povo brasileiro experimenta uma grande comoção com a tragédia ocorrida em Realengo, ao mesmo tempo em que a mídia sensacionalista parece vibrar, pois, ao fazer extenuantes comparações com casos americanos de tragédias assemelhadas, dentre tudo o que realmente afirma, parece ficar subentendido o seguinte: “nós brasileiros também temos um jovem psicopata terrorista”. Mas, um instante, psicopata, não, ele é brasileiro, pobre, ele é esquizofrênico não tratado! Tudo bem que o menino Wellington, nascido de mãe doente mental, criado por familiar pobre, que tinha 5 filhos para educar, não teve um “berço esplêndido”, mas nada do que sofreu na infância ou na escola justifica seus atos atrozes. Ele carregava consigo uma frieza indecorosa diante da dor, uma falta de empatia extrema perante os sentimentos humanos. Ah, ele era esquizofrênico? Talvez, embora, em minha radical, porém modesta opinião pense que lhe diagnosticaram assim mais pela forma modesta em que vivia, porque ele era bem organizado, não tinha sentimentos de culpa, era astuto, nas cartas que escreveu tentou atribuir a responsabilidade pelos seus atos a outrem, às vítimas, se “vitimizando”, ou seja, características, de sociopatas. Mas, sendo baixa renda, sendo pobre, mais fácil é chamá-lo de esquizofrênico. Os nossos “transtornados concorrentes”, os americanos, de regra, são qualificados como psicopatas. País de primeiro mundo, vocês sabem como é, “elegante” até nos “CIDs”. Esquizofrênico é, na realidade o governo de certos estados americanos que permite que alunos e professores usem armas para evitar eventuais ataques terroristas e trágicos: a partir do momento em que o anseio pela auto defesa toma tais proporções significa que a doença foi introjetada pela coletividade, não sendo mais demérito de um ou outro doente mal intencionado. É o caos tomando conta, meus caros, é a doença gerindo as mentes até dos que se intitulam sãos e “normais”. Longe de mim!

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 11 de abril de 2011.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Eu, o Direito e os advogados pilantras.

Eu, o Direito e os advogados pilantras.

Meu casamento com o Direito esta em crise, em profunda crise, nada ligado à lei, nada ligado as minhas ações, nada ligado aos magistrados, à leniência do Judiciário, nem ao coleguismo dos poucos e bons colegas, mas, isto sim, a desonestidade de alguns, que queima o nome de muitos e causa certa dor no meu sofrido coração. Espanta-me saber que são os poucos e desonestos que fazem fama, que desfilam carros importados por ai, que arrojam seus ternos importados em sofás caríssimos localizados no interior de casas e apartamentos de alto valor. São esses que fazem a maioria virar tema de uma boa série de piadinhas “semi-cômicas”. Desonestidade existe em muitas classes, mas apenas os advogados estão ao lado da lei e devem estar ao lado das pessoas que lhes procuram, de quem, enfim nada, ou muito pouco, sabe acerca do Direito. Podem ser professores, médicos, profissionais liberais, quem bate a porta de um advogado, busca uma informação jurídica que desconhece, busca “socorro” frente a um problema jurídico, às vezes de suma relevância em sua vida. Como diria Francesco Carnelutti, o advogado é aquele que é chamado a socorrer (“Advocatus, vocatus ad”), tal qual o médico, o enfermeiro, mas apelas à ele é dado este nome, não admito, pois, que aquele que é chamado a socorrer o homem frente a injustiça, à levar a boa face da lei para a solução de problemas, logre seus clientes sacando alvarás ou, de qualquer forma, afira lucro indevido em processos as expensas de quem lhe contrata, isso, para mim, é furto qualificado. Amargue, nos períodos de dificuldade, meu caro colega, uma depressão, faça um empréstimo bancário, venda o carro caro, mas nunca, nunca logre quem lhe deu confiança, nunca se aproveite de quem lhe outorga procuração e esperança. E assim eu sigo nesta briga com o Direito que, de um lado me surpreende com a justiça de processos vindouros, e de outro lado me frustra com a calhordice dos colegas que, sequer tem vergonha dos jogos sujos que fazem, e sequer se recordam da bondade e da caridade que deixaram na classe da Faculdade de Direito quando venderam a alma diante de sua ganância e orgulho, diante da vontade de ser mais do que os outros, crentes que ter mais, é ser “mais” e ser “melhor”. Ficou no esquecimento destes doutos colegas, que bom mesmo é ser honesto e ter paz de espírito para poder olhar os clientes sempre nos olhos, sem titubear e sem precisar de uma secretária astuta para “contornar” situações amargas e embaraçosas.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 11 de abril de 2011.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Lamento informar.

Lamento informar.

Quem são essas pessoas que julgam você? Quem são esses senhores cheios de malícia e maldade que usam você como espelho a refletir apenas o que eles são? E, ainda assim, é de você que falam mal? As pessoas julgam umas as outras de acordo com o que elas são e de acordo com o que elas possuem dentro de si, não por menos, a maioria vive a falar mal dos outros, criticando, tripudiando, malbaratando os sentimentos de quem desconhece e nada sabe. Eu me assusto com o ser humano racional, aos poucos me parece que os animais são mais puros, mais valiosos, melhores, seu amor é mais genuíno, não esperam nada em troca, não esperam vantagem no carinho que dão, no olhar terno que devotam ao dono, na lealdade e na cumplicidade que criam com quem lhes cuidam com zelo. Entre os homens parece que há interesses circundando tudo, se “escolhe” um “amigo” por alguns “predicados” encontrados no “eleito”, se “escolhe” amores por algum “interesse”, há de se “ter” algum “lucro”, alguém que “acrescente” algo, e, pelo que vejo, este “acrescentar”, não precisa ter caráter afetivo ou afetuoso, nada no sentido de, carinho, atenção, ombro, abraço, ouvido, mão, confiança, esperança, força, palavras ternas, tem que ser apenas “status” e “boas referência” social. É: não adianta, o mundo acabou, mas esqueceram de lhe avisar meu amigo, lamento por você, lamento por mim. Vamos comer bem, beber o que gostamos e dormir tranqüilos, cedo ou tarde a morte virá nos avisar sobre o que já aconteceu, mas ainda não temos plena convicção, ou seja, a vida neste planeta, plena de amor, respeito e carinho, não existe mais há muito tempo: aceite e reze.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 09 de abril de 2011.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Conto de amor trágico

Conto de amor trágico

Era uma vez um casal que se conheceu de uma forma inusitada. Ele, um homem da noite, acostumado com farras, muitas mulheres e bebedeiras, ela, uma moça estudiosa, bela, mas pouco afeta a festas e ao conhecimento do sexo oposto, uma moça que não era nada do que sua aparência voluptuosa podia aparentar que ela fosse, assim como ele, não era nada do que seu jeito interiorano poderia significar que ele fosse. Em dois dias eles se apaixonaram. Logo veio o sexo e eles se apaixonaram mais ainda, mas eles já estavam namorando, a confiança era, aparentemente, grande. Ela pensava que era, ela era tola demais. Mas eles moravam longe. Surgiram ciúmes, ela chamava a atenção por onde andava, ele bebia demais, tinha transtornos de humor e, para consertar a relação doente, os dois imaturos e apaixonados foram morar juntos. Ela estava encantada porque, em meio a solidão que sentia pelo abandono do pai que se separou de sua mãe e pouca atenção lhe dava, em meio as grandes cobranças maternas, o seu namorado que nada lhe cobrava- até então- apesar de viver de excessos, lhe fazia sentir-se livre de cobranças e respeitada: não lhe exigia que fosse sobre-humana, porque ele sabia que era fraco, só ela que não via o quanto. A moça, jovem, apaixonada, com míseros 24 aninhos, foi morar com o homem de 40 anos logo após uma briga, onde ele pensava que ela havia conhecido outro. Ele sentia ódio e amor, graças a sua imaginação, claro. Ele só não queria perde-la, isso nunca, jamais. Então, em menos de 11 meses de namoro, o casal iniciou uma união estável. Ele dizia que amava, ele tentava dar o seu melhor. Num dia eram flores, noutro cacos de vidro, noutro pedras, noutro facas. Ele mudava de humor demais, ele queria se vingar dela porque ela fez ele amá-la, ela, sem querer, fez ele se sentir vulnerável, e ele nunca gostou de perder, ou de sentir medo de perder alguma coisa, e, por ter tal medo, ele colocou o casamento não legalizado rio abaixo. Em oito meses, a jovem irada, mas, ainda, apaixonada, desistiu. A moça trabalhava, era sócia num escritório, sozinha, sem irmãos, sem ninguém para ajudá-la, moralmente ofendida, agredida intimamente, deixou tal homem que fez com ela tudo o que não podia: desistir de amá-lo. Mas ela nunca aceitou desistir de alguma coisa, a moça também não gostava de perder, todavia ela sempre soube que o tinha, ela sabia, mas ela o deixou e foi viver. Noites chorando, dias empurrados, alma rasgada. Mas, naquele momento ela o via como um sujeito que lhe maltratava e lhe fazia acreditar que ela é quem estava errada, não ele. O homem era para ela, naquele momento, uma máquina de enlouquecer pessoas. Mal sabia ela que, não era, apenas, “naquele momento”. Ela estava se tratando, tomando remédios para ansiedade, insônia e para síndrome do pânico, porque ele passou com uma camionete em frente ao seu prédio acelerando durante certa noite e chamou seu nome, a moça já extenuada, passou a ter medo de dormir, então, não comia, não relaxava mais. O psiquiatra disse que seu companheiro era um psicopata, mas mesmo sabendo disso, algo dentro dela não saia, ela ainda acreditava que ele não podia tê-la enganado tanto! Ela que era tão inteligente, que tinha lido tantos livros! Num belo dia, inesperadamente, ela conheceu um príncipe, um lord apaixonante. Quando ela menos esperava surgiu em sua vida uma pessoa extraordinária e encantadora. Todavia, no outro dia, ela ia veranear. Para sua surpresa, o príncipe foi atrás dela e a encontrou na cidade em que estava, lhe ligou, e alugou um lindo apartamento no prédio em que a mocinha estava com a família. Paixão. Ela se apaixonou, ele também. Mas, dias e dias após, voltarem do melhor verão que até então aquela jovem havia passado, aquele rapaz que lhe judiou voltou a importuná-la, e ela enlouqueceu, ela não sabia o que fazer, novamente, ela se perdeu. O moço queria casar, e a moça, tola, muito tola, ainda sonhava em usar uma aliança, e brava, muito brava com seu novo amor que lhe fazia ciúmes e lhe deixava insegura, inopinadamente, aceitou. Ela, numa decisão da qual, não desconfiava, ia amargar arrependimento todos os dias de sua vida, aceitou e desistiu de sua nova paixão para não se arriscar, e casou. Os primeiros dois meses de seu casamento foram ótimos e ela acreditou que seu amado havia mudado, mas no terceiro mês, ela já foi surpreendida com agressões verbais, reclamações ininterruptas, perguntas ofensivas, afinal o seu marido sabia que lhe tirou dos braços de outro, mas descumpriu a promessa de não tocar no assunto, lhe desrespeitando, como sempre. Até que ela se acidentou, mas não morreu, e lastimou tal fato por muito tempo. Ela pensava, “Deus, eu que fiz tanta gente sofrer, que estou sofrendo tanto, porque o Senhor não me levou, será que terei que sofrer mais?”. Ela espera a resposta, nunca obteve. A família do príncipe também sofreu, todos gostaram muito da jovem, e sua mãe faleceu logo em seguida ao rompimento, o rapaz, portanto, sofreu muito, sua mãe fazia lasanhas deliciosas que a jovem adorava, e, antes de partir, a senhora havia feito várias para ambos comerem juntos. Mas a moça covarde se evadiu, e disso se arrependeu todos os dias de sua vida um tanto desgraçada por sua má escolha. Após tal o acidente ela passou a conviver todos os dias com seu amado, assim como sua mãe, que se mudou de cidade para protegê-la do genro e de suas ofensas, afinal, inúmeras foram as ligações telefônicas da filha aos prantos pedindo ajuda para ela. De nada adiantou, pobre mão, pobre mulher, sofreu pela filha. Filha insana, filha que amargou tanto arrependimento, que, em cada grito que ouvia do marido, era como um tapa que ouvia por ter abandonado quem realmente gostava dela e lhe respeitava. Ela agüentava porque achava que estava purgando a culpa por ter abandonado o príncipe. Coração, maldito coração. Covardia, maldita covardia. A moça emagreceu 10 kg de tanto sofrer insultos, de tanto ser pressionada a ser boa na gestão dos negócios do marido. Ele nem reparou na perda de peso da miserável, que, oito meses após o casamento civil saiu de casa, perdida, vagando, sem saber de nada do que estava ocorrendo ao seu redor, todavia, ela saiu munida pela ira, pela raiva e dor da frustração. Ao completar doze meses da data do infeliz casamento, ela, cuja família levou para outro Estado, tamanha a situação de fraqueza emocional que estava, assinou em apartado do marido, a separação judicial porque ela se dispôs a assumir uma divida dele. Cinco meses após, ela estava noutro estado, sozinha, sem ter conhecido ninguém, sem ter ficado com ninguém, e reencontra o homem novamente e suas promessas, seu pedido de ajuda, porque estava usando drogas, porque só pararia com sua ajuda, do contrário se arruinaria, se mataria. Internet, um bem ou um mal no destino? Não se sabe, foi graças a ela que este casal se conheceu, e se reencontrou neste caso. A moça que outrora queria ter filhos sentiu-se como mãe do seu eterno amor, e, acredite, ela cedeu! De novo! Abaixo de chuva, deixou sua mãe, seus animais de estimação, sua linda casa, sua paz, e foi ao encontro dele. Levou duas malas, e lá ficou 5 meses lhe ajudando, recuperando crédito, lhe defendendo com seu trabalho, com seu amor, com sua garra, com sua força, com sua total ausência de medo, e sendo, desta vez, bem cuidada, bem amada, mas, de repente ela percebeu que algo não podia estar bem. Não estava, jamais poderia estar. Foi muito tempo, muito amor desperdiçado, muito tempo que poderia te sido bem utilizado para o bem viver, foram muitas palavras ofensivas, e ela não conseguia apagar da sua memória, por mais que perdoasse, ainda que amasse. Ele queria ter filhos, ele tinha planos, ele tomava muitos calmantes, muitos remédios, passava noites em claro, ela queria estudar, para ela, ele parecia drogado ou insano. E de repente, ela viu que ele não serviria para pai de seus filhos, de repente, ela viu que ele era aquele que lhe feriu desde o início, que lhe levou tantos sonhos, que lhe fez chorar até adormecer tantas noites, que lhe fez se arrepender de estar viva, de estar respirando, era ele, por mais que usasse outra fantasia, era o mesmo homem, e ela jamais poderia esquecer, Ele foi aquele que gritou com ela, ele foi aquele que humilhou sua mãe, que lhe escarneceu em público, que um dia lhe empurrou ao chão, lhe agredindo fisicamente, que lhe culpou por coisas tolas, que lhe desrespeitou, ele foi aquele que, quando ela mais lhe amava e queria ter filhos, fazia de conta que não ligava para ela e sua presença de companheira e esposa “não oficial”. E assim, numa bela tarde de dezembro, calma e serena, sem derramar uma lágrima ela disse: “agora, infelizmente, quem não quer mais sou eu, a vida, meu caro, é engraçada, mas agora, o meu amor morreu, e eu vou, para não voltar mais. O nosso tempo já passou, e quando era a nossa hora tudo era mais importante do que eu, o futebol, a televisão, a cerveja, os amigos, as jantas, o trabalho, as más influências, menos eu”. Desta vez ela não saiu com raiva, nem com dor, ela saiu sentindo carinho, piedade, respeito, não ódio, ela deu o seu melhor, mas algumas lembranças são insuperáveis, são mais fortes do que qualquer sentimento, e ela se entregou a esta realidade e, serena, foi viver sem o seu companheiro de quatro anos de vida, de loucuras e de paixão ardente. Ele que, enquanto estava ao lado da jovem nos últimos tempos, lhe mimava e cuidava, voltou para a esbórnia, para a vida desregrada ao extremo, para a promiscuidade, sem, nunca, porém, esquecer as palavras que ela lhe disse: “não lhe amo, não lhe admiro mais, passou nosso tempo”. Ele nunca se lembrou, claro, de tudo o que ela ouviu dele desde que o conheceu, durante os meses de casamento não oficial, durante os meses de casamento legal, ele não se lembra do que fala, do que faz para ferir, ele faz questão, porém de não esquecer do que ouve, para ser sempre a vítima dos atos alheios, mesmo que os outros tenham feito de tudo por ele, e, graças a sua ingratidão infeliz, ele, que podia, nunca conseguiu prosperar realmente. O que é triste, muito triste. Precisar de culpados para tudo é doentio, é frustrante. Sabe-se pouco dessa moça, alguns dizem que ela se perdeu por ai, que esta trabalhando, outros dizem que esta trancada num quarto e não quer ver o sol, alguns dizem que ela saia bastante, mas de repente sumiu, uns dizem que ela enlouqueceu porque não conseguiu se perdoar por ter deixado aquele rapaz que Deus colocou em seu caminho e ter decepcionado sua família, outros dizem que ela enlouqueceu, simplesmente porque sente raiva de si mesma por ter abdicado tanto de sua vida por amar uma pessoa narcisista, por ter magoado sua mãe e todos que a amavam de verdade, dizem que ela enlouqueceu de arrependimento por ter confiado tantas vezes em quem já havia lhe ferido, outros dizem que ela esta bem, que ela se casou com outro e se mudou de cidade e de Estado. Alguns dizem que ele usa drogas, que sempre usou, outros dizem que ele é apenas alcoólatra e ambicioso, alguns dizem que ele ainda a ama, outros, que nunca a amou, que sempre quis exibi-la como troféu e usar de sua bondade e boa vontade para ajudá-lo, outros dizem que ela foi seu único amor e que ele nunca se sentiu bom o suficiente para ela, quando tentou sê-lo, ela desistiu, de tanto mal que ele já havia lhe feito, então, ele que enlouqueceu. Eu não sei de nada, apenas acho que quem sabe da história são os personagens e, ainda assim, cada um tem sua versão da verdade. Uma certeza, apenas, eu tenho: essa miserável tinha tudo, realmente, para enlouquecer, se ela não surtou é porque a mulher é forte, muito forte. Cláudia de Marchi Passo Fundo, 07 de abril de 2011.

Maturidade

Maturidade

A cada aniversário que se aproxima, a cada ano que passa chego a convicção de que, o que sempre me faltou, foi o que eu achava que tinha e, por achar que possuía, fui displicente e me enredei na teia de minha própria ignorância arrogante, maturidade: dela eu carecia, nela eu confiava. Os filhos únicos, e todos que desde crianças são exigidos em demasia pelos pais, são cobrados demais e educados em meio a maioria de indivíduos adultos, tendem a crer que amadurecem mais cedo, talvez eles se tornem mais “sérios”, mas maturidade, real e verdadeira, não são todos que possuem, a maioria se ilude que tem. É com o sofrimento, é no dia a dia, é nas pequenas e nas grandes decepções emocionais, com amigos, conhecidos, amores, em relações profundas ou apenas superficiais que angariamos fundos para os cofres de nossa maturidade, esta sim, verdadeira e real, porque experimentada, vivida, e não ilusória, nem fruto de mente que parece crer que ela se transmite por “osmose”. Ademais, maturidade se relaciona com sabedoria, e o homem nunca é sábio demais, aquele que crê ter atingido alto grau de sabedoria, é porque precisa rever todos seus conceitos e recomeçar a aprender, porque seu aprendizado de nada serviu. Ninguém, nunca, sabe o suficiente sobre assunto algum, logo, nenhum homem será suficientemente maduro para se convencer de tal fato.

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 07 de abril de 2011.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Morto vivo

Morto vivo

Às vezes, por motivos variados a gente pode se sentir morto em vida. A gente caminha, mas não sente os pés, as pernas, e nem os braços a balançar, a gente não sente nada, nem mesmo o coração a bater. A gente olha, mas não vê, a gente enxerga as coisas, mas não capta a beleza, o encanto, a gente come, mas não sente o gosto, a gente bebe, e o sabor do melhor manjar, desce amargo. Este é o estado do que sofre, do que esta vivenciando um inferno interior. “Reaja, você tem que reagir”, todos dizem isso para o infeliz que esta em sofrimento. “Olhe para os lados, saia de casa, abra as janelas!” -, ele sabe disso, ele sabe. Mas ele se sente fraco, ele sente dor, ele sente arrependimento, ele se sente indigno de viver, indigno, simplesmente indigno de ter tido tantas oportunidades de recomeço e ter rechaçado todas, ter voltado sempre para os mesmos braços, para a mesma guerra, para fazer mais feridas, para se machucar ainda mais. E hoje, ele sofre de arrependimento, de raiva de si mesmo, hoje ele queria poder voltar atrás e fazer tudo correta e racionalmente, hoje ele queria ter a mesma coragem que teve para voltar para os campos de batalhas onde se feriu mais de uma vez e, finalmente se perdoar, finalmente superar o arrependimento que lhe corta o ar a cada suspirar.

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 06 de abril de 2011.

domingo, 3 de abril de 2011

Amor, ofensas, perdão e boa memória.

Amor, ofensas, perdão e boa memória.

Se um dia você sentir seu coração bater mais forte por alguém, se um dia, quando você for deixar essa pessoa em casa e, após beijá-la, uma dor invadir seu peito, como se fosse uma espécie de saudade ou medo de perdê-la, se um dia, você imaginar este alguém de braços dados com outro e sentir o estômago enjoar, pense bem, é o amor apontando em sua alma. E quando isso tudo ocorrer, fique atento, cuide de suas atitudes, evite qualquer ato para a qual precise pedir “desculpas” ou “perdão”, depois. Não conte nunca com o falso paradigma de que “o amor perdoa tudo”, porque existe outra forma forte e valiosa de amor, uma forma que só os sábios conhecem: o amor próprio. Evite ser rude com quem você ama, nunca humilhe quem ama você, não pise em quem tenta de tudo fazer para ajudá-lo, não malbarate os sentimentos de que quem se desdobra para lhe auxiliar, lhe fazer feliz, lhe facilitar a vida, lhe dar afeto, carinho e amor. Nunca, nunca, meu caro, machuque o coração de quem lhe ama, você não sabe até que ponto ele pode perdoar, e nem até que ponto ele pode esquecer sem voltar a recordar-se. Sim, porque perdão e esquecimento andam lado a lado, não basta para um coração perdoar, é preciso que o cérebro tenha pouca memória, do contrário, as lembranças virão à tona, cedo ou tarde, e farão aquele que perdoou reviver a dor, se maltratar, e enlouquecer por dentro, de forma que, nem sempre por total “falta de amor”, mas por amor próprio, ele cansará, e irá desistir. Não é simples, mas é humano, muito humano e, portanto, complexo.

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 04 de abril de 2011.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Estranheza de separada.

Estranheza de separada Não se trata de amor, não se trata de ódio, não se trata de paixão. Não se trata de nada óbvio, de nada que você possa denominar sem sentir, é tudo muito pessoal e introspectivo para ser definido. Não é, sequer, um misto dos sentimentos acima. É um bolo cuja base é a frustração, cujos componentes fundamentais são os sonhos abruptamente extintos, são os planos cortados, e, o ingrediente especial não é sentimento, é a agridoce rotina. Rotina que se extingue. Demora a passar a estranheza. Custa a gente se acostumar a ser solteiro, na verdade eu acho que algumas pessoas não nasceram para esta vida. E eu sou uma delas. Tem gente que gosta da companhia do sexo oposto de uma forma bem avantajada, não sei porque, mas tem. Talvez por hábito, costume. Depois que me separei não sei o que é acordar antes do meio dia num sábado. Se possível acho um barbitúrico para fomentar emendar com a tarde, quanto menos tempo acordada, melhor. Assistir filme, com quem? Ir comer em churrascaria, quem vai me servir com zelo? Namorar ouvindo música, de que jeito? Banheira, com quem? Deitar e rolar, beber, passear, com quem? E, principalmente, beijar e confiar, em quem? Sem chance, não rola, melhor dormir. À noite tudo é mais fácil, a gente vai para um boteco, conversa e da risada comportadamente. Claro, que o álcool e o resto do efeito dos barbitúricos podem resultar em um efeito amnésico perigoso, mas aliviam a estranheza. À noite a gente que devia estranhar ainda mais, acha dois “elixires”: se apega ao copo e a música. É. Sempre foi assim. Tem sido assim. E não é por amor, nem por paixão, não é por gostar, nenhum pouco por isso, é apenas uma fase do luto, da vivência do término e do “susto” que todos têm diante de uma nova etapa na vida. Mas vai passar, independente de um novo amor, vai passar. Há de passar. Cáudia de Marchi Passo Fundo, 02 de abril de 2011.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Intensidade e sentimentos.

Intensidade e sentimentos


Sou incapaz de negar meus sentimentos, minhas características, dentre as quais, a principal, a intensidade. Eu só sei viver e agir com intensidade, se for para ser superficial, eu desisto, se for loucura pouca, para mim, é bobagem, não vale a pena. Sou intensa na alegria, no riso, no sorriso, na lealdade, na paixão, no amor, na excitação, na energia, nas vontades, no ânimo, nos sonhos, na busca, mas também sou intensa na ira, no desprezo, no desdém, no repúdio, na tristeza, na depressão, em todos os sentimentos, dos mais nobres aos mais vis, eu não temo senti-los desde que, ao fim, eu os supere. Apesar de ser feliz, às vezes a dor me importuna, já passei por muitas, como, por exemplo, a da separação. Aquele sentimento terrível de cama vazia, coração despedaçado, vida usurpada, sonhos extintos, tempo desperdiçado, alma desconsertada, desvalorização e tristeza. Muita tristeza. Em momentos como este, que eu já passei, (logo, posso aconselhar): apenas sofra, não mascare a dor. Nenhuma garrafa de vodka, nem o melhor vinho, a melhor espumante, o melhor psicotrópico, o melhor chocolate e a bolsa Victor Hugo mais chique e linda lhe recomporão o coração. Acredite: em horas você estará chorando aos prantos na beira da privada regurgitando a bebidinha cara que tomou e tendo vontade de transformar o belo jacquard da bolsa nova em lenço. Qual o remédio, pois, para a tristeza da separação, para a dor da perda? O tempo e a fé, de que algo melhor há de ocorrer, qual o antídoto? No meu caso, de pessoa demasiado intensa, nenhum. Para as pessoas normais, talvez sirva de conselho o seguinte: tema mais, se resguarde. Lamentavelmente tal conselho não me serve, não se coaduna com a pessoa que sou. Mas, um dia, quem sabe, eu me torne menos intensa nos meus laços.

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 31 de março de 2011.

Encante-me.

Encante-me 

Encanto, encanto meu, surja do nada, surja sem explicação e, simplesmente, me cative, me encante, me tome como tua, porque nos nossos melhores momentos, é tua que quero ser! Mas não tenha pressa, não seja como todos, não seja comum, por favor, me encante, me deixe a vontade. Encante-me com tuas certezas, com tuas vontades implícitas, com teu silêncio mais explícito que os melhores discursos, com seu toque mais forte do que o mais apertado dos abraços, me encante com tua boca que não precisa expressar-se demais para, apenas, me encantar! Eu quero o encanto do brilho dos teus olhos, da tua vida isenta de mágoas, de traumas amorosos, de dores e inconvenientes, não superados, do passado. Encante-me com a pureza da tua vida, ainda que dura, mas uma vida limpa, transparente, batalhada. Não quero mais saber de gente com passado dolorido, de histórias de vidas traumáticas e pesadas, que me dão a responsabilidade de ser isenta de erros, quero uma paixão livre, entre iguais: passados sofridos, mas não presentes em nossos corações. Encante-me assim, sendo você, autêntico, espontâneo, entregue, amável, amante, doce, confiante, bondoso, puro. Encante-me sendo assim, ou não me encante, simplesmente siga a vida como sempre seguiu, sem mim. É uma questão de escolha, e eu nunca opto pelo sofrimento, nunca mais, ao menos. 
Cáudia de Marchi 
Passo Fundo, 31 de março de 2011.

terça-feira, 29 de março de 2011

Grotescos

Grotescos

Quando você acha que já viu ou ouviu tudo a respeito da indecorosidade humana, você ouve ou lê alguma barbaridade tão grande que lhe deixa boquiaberto e lhe dá a certeza de que, semelhante, atrai semelhante e com eles permanecem. Ser amigo do “garanhão” ou da moçoila que fica com todos não é defeito. Porque não importa com quantas o cara transou, mas com quantas ele foi sincero e leal, quantas vezes ele foi realmente honesto. Não é feio ser amiga da puta, feio é se aproveitar de quem quer que seja para tirar vantagem e se vangloriar “viu, eu sou mais decente do que ela”. Algumas pessoas se superestimam, acham que marcam a vida de alguém, acham que seus atos deixam boas e eternas lembranças, menosprezam a inteligência, o brio, o amor próprio e a beleza alheios, ora, meu camarada, as lembranças duram pouco, muito pouco, apenas pessoas estúpidas cultivam bons sentimentos por quem não lhes estima, por quem é, realmente, falso e acha que pessoas são brinquedos para lhes divertir. Em menos de dias a lucidez se recompõe e os ratos são enviados para o porão, local do qual nunca deviam ter saído, para fazer os barulhos abjetos que exprimem perto de gente de mente sã, alma pura e coração limpo, porém, tudo tem um propósito na vida. Quando nos frustramos com a empáfia doentia de determinada pessoa, com seu orgulho, egocentrismo, narcisismo, intrigas e grossura percebemos que aquele que já foi por ele criticado, apesar de saber de tudo é com ele “simpático”, porque é tão gélido, tão maldoso, e tão insignificante para o mundo e para nós que não vale a pena nem lembrar, ou melhor, vale, lembrar e economizar um activia ou um laxante, porque o efeito de pensar neste tipo de gente é este. Tão grotesco quanto tais miseráveis sujeitos. Cáudia de Marchi Passo Fundo, 30 de março de 2011.

segunda-feira, 28 de março de 2011

A burrice fantasiada de inteligência.

A burrice fantasiada de inteligência.

Não existe inteligência em uma visão uníssona da vida. Se você só lê uma categoria de livros, se você só ouve um ou dois tipos de musicas, se você só vai para o mesmo lugar veranear ou almoçar, comendo sempre a mesma coisa é porque seu cérebro deixou de ser curioso e, portanto vivo e instigante, porque instigado. É preciso exercitar a mente, ouvir com atenção músicas desconhecidas, colocar o preconceito de lado, que, certamente, até dentre o “desprezível” surgirão canções belas. É preciso provar novos pratos, novos sabores. A vida é uma só, ainda que não creiamos nisso, certo é que certezas não existem. Aliás, o ponto forte do homem inteligente é a dúvida, é a curiosidade que instiga, que impulsiona que lhe faz sair do trivial, do rotineiro, que lhe faz ler autores, hoje, desconhecidos, que amanha serão ovacionados, citados e aplaudidos. Foi pela curiosidade que a América esta ai, quem se contenta apenas com suas certezas mesquinhas é porque é mesquinho, tolo, ignorante. Quem não pára para ouvir um conselho, quem não reflete sobre seus próprios atos, quem, sem conhecer nada acerca de determinado indivíduo, o estigmatiza por meia dúzia de palavras ditas, não é normal, é esquizofrênico. Precisa de tratamento. Viver é conviver, viver é dar amor a quem nos merece, é amar quem é conosco afim, e respeitar com honradez quem não amamos, ou, quiçá, nem sequer simpatizamos, porque, por mais diversos de nós que o outro possa ser algo de bom, o mínimo que seja, ele terá. E a menor bondade faz a vida valer a pena porque anula a maior das maldades que provém do orgulho, da falsidade, da malícia, do egoísmo, e do interesse em obter quaisquer tipos de vantagens alheias. Cáudia de Marchi Passo Fundo, 28 de março de 2011.

Gente cansativa

Gente cansativa

Tem gente cuja maldade é imensurável, inominável. Normalmente são aquelas pessoas que adoram “se fazer” de queridas, de cordiais, de afáveis, e que dizem menosprezar a ingratidão e o desrespeito, isto, claro, quando a “ingratidão” alheia vai de encontro com seus anseios egoísticos. Algumas pessoas se sentem tão superiores as demais, algumas pessoas se sentem, tão moral e espiritualmente mais dignas e respeitáveis, que o orgulho corrompe o pouco de bondade que poderiam, de fato, albergar na alma. Onde essas pessoas estão elas causam discórdia, desconforto, deixam o ambiente pesado, porque querem tudo do seu jeito, não admitem a mínima contrariedade. Desconhecem o significado da palavra transigência e convivência. Suas idéias, seus gostos, seus desejos, devem prevalecer, do contrário, como crianças mimadas; elas começam a resmungar, a chorar, a reclamar sem parar, causando nas pessoas aquela ansiedade iracunda, aquela vontade peculiar de sair correndo e nunca mais voltar. Mas, como todo malandro tem humor, esse tipinho esquizóide de gente faz amizades! Todavia, de repente, sem motivo real algum, porque você não esta com uma amiga legal, porque você saiu com a amiga antipática (que ele mal conheceu), porque você beijou um sujeito numa festa ou bebeu demais (provavelmente porque você estava perdida e deprimida) ele some, sem saber se você esta bem, mal, ou precisando de um ombro. Essas pessoas querem amigos apenas para os bons momentos, querem amigos para fazer volume, querem, de preferência, amigos bem sucedidos, se você não for tudo isso, na menor gafe você é indigna de sua amizade, daí ele lhe mandará queimar fotografias, ou quiçá, nunca contar para ninguém que ocorreu uma pseudo amizade entre vocês. E isso magoa, isso fere, fere muito, faz você se sentir, aquilo que ele realmente pensa que você é: um ser inferior, muito inferior ao poço de sapiência que ele carrega na alma. Povero diavolo!

Cáudia de Marchi

Passo Fundo, 28 de março de 2011.

sábado, 26 de março de 2011

A Cláudia de antes

A Cláudia de antes

E eu que nada bebia, que nunca perdia a plausibilidade e racionalidade dos meus atos, eu que sabia ser puritana nos momentos certos, eu que nunca me embriaguei, para sempre estar no controle, e nunca esquecer de nada que eu tivesse feito; de repente me perdi, me virei do avesso, e, em certas horas me indaguei: onde eu fui parar?
Entre meio a desilusões, a humilhações, a juras de amor insanas, a atos enlouquecedores, a trocas de boas pessoas por outras ludibriadoras, entre meio ao arrependimento que me maltrata dia noite, noite e dia, sigo vivendo e lutando como posso apesar de ter tomado certas decisões (erradas) e colocado fé em quem não merecia.
E é o pesar que me fez ir a busca de tratamento, para reencontrar a “Cláudinha” sempre alegre, sempre sóbria, sempre auto-prevervadora que sempre foi, até alguém tirar-lhe um pouco dela mesma, um pouco do amor e da inocência doce que ela nutria, calada, por si mesma.
Cáudia de Marchi
Passo Fundo, 26 de março de 2011.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O homem iceberg

O homem iceberg

Pois, você chegou e me viu como realmente sou, simples, despretenciosa, espontânea, transparente e, inegavelmente, lógica. Você percebeu tudo e, de repente surgiu vestido com as roupas que eu gostava, com o perfume que me agradava, me tirando para dançar as musicas que eu apreciava.
De repente você fazia tudo o que eu gostava, de repente eras aquele ser agradabilíssimo, porque adequado a mim, no chão, na água, em tudo. De repente você era aquele sujeito encantador que todos achavam que ia além do romantismo aparente, mas que estava envolvendo-se num romance com a tola sorridente.
Mas, num belo dia você acordou, desceu as escadas e eu percebi que as roupas que eu gostava não existiam mais. Não apenas elas, por baixo delas não existia mais um corpo, menos ainda um coração. Naquele dia eu vi em seus olhos um vazio triste e indescritível, e, nas suas atitudes uma frieza de fazer inveja a um iceberg. Uma vontade de sumir e esquecer tudo o que ocorreu, tudo o que fez e a todos que enganou.
Nunca houve coração, nunca houve carinho, nunca houve afeto, nunca houve romance, nenhum beijo sincero, nenhum elogio realista, nenhuma atitude espontânea. Galanteios? Talvez, qualquer coisa que seria feita com qualquer uma. Qualquer uma, por isso nenhum elogio foi sincero, nenhum beijo genuíno.
Romance? Não houve, apenas um engano. Meu, é claro. O iceberg vestido de homem cantando musicas românticas me enganou, e eu, como um pingüim, cai na dança, alegre e faceira. Mas passa, assim como a alegria gerada pela sua falsidade, a tristeza vai passar. Nada como grandes e sofridos enganos para ensinar a gente a ver além do que o “agradável” tente ou possa parecer, realmente, ser.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 24 de março de 2011.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Eu e o psiquiatra.

Eu e o psiquiatra
Eu tenho sérias dificuldades para lidar com as frustrações. São problemas íntimos de filha única, sempre “exigida”, sempre sozinha, sempre paparicada e sempre muito bem amada. Hoje, pois, sem ninguém para amar, sem trabalho, sem ter onde focar meu imenso mar de energia psíquica resolvi ir a um médico, afinal desde a quarta-feira de cinzas uma maldita dor me cortava o coração.
As perguntas de sempre: relacionamentos, ex-marido, mãe, família, trabalho, escola, e pai. Este magnífico ser sorridente e ausente que Deus colocou em minha vida para eu chamá-lo de “meu”. Eis que, eu choro. Choro muito. Não sei onde esteve meu pai em todos estes anos difíceis que tive, não sei o que é um ombro de pai após a tomada de uma decisão que fez sangrar minha alma um pouco, ou muito. Já nem me recordo mais.
Mas hoje, analisando com o médico que não tenho nenhuma anormalidade de humor, pelo contrário, apenas uma ansiedade causada por problemas afetivos e frustrações, eu pude perceber que, quem realmente deveria procurar tratamento, não vai. Acha-se além e acima de qualquer problema.
Psiquiatras e psicólogos não são para loucos, talvez eles ajudem você, que não sabe aceitar a vida, as diferenças, que não sabe dizer não, que não sabe se posicionar com hombridade, ou se posiciona de tal forma, que machuca a todos, como se fosse Jesus Cristo encarnado a agir com mais maleabilidade e compaixão, a ser franco sem ser letal, e a ser pacifico sem ser covarde e patético.
São os que se julgam “certos” e “normais” que, muitas vezes, acabam com as forças psíquicas, acabam com a energia, com o ânimo e até com a alegria dos que são um pouco mais “normais”. Vida, cada um cuida da sua, escolhas cada um faz as suas, e se faz, nunca é com más intenções, pelo contrário, as pessoas escolhem o que lhes parece bom, ainda que paguem o alto preço da desilusão.
No meu caso, já estou até me acostumando com as frustrações, tenho até um remedinho na bolsa contra a sensação angustiante e dolorosa que elas me causam. Fazer o que se a fase esta pesada a tal ponto, se meus chutes são tão errados que se eu fosse jogador de futebol seria queimado em praça pública? Na verdade, na verdade, me recolhi e desisti de arriscar e de chutar, vou guardar meu coração a sete chaves e jogar a chave fora. Ou melhor, já fiz isso hoje à tarde. Eu desisti.
Quem vai pagar o preço da desilusão, ou qualquer outro, enfim, é quem escolhe. Perfeito ninguém é para julgar, com cátedra, pessoa alguma. Ademais, ninguém vive por ninguém, logo, ninguém tem o direito de interferir na vida alheia e tornar insanos os instintos de quem quer, apenas, viver. Viver bem e alegremente.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 24 de março de 2011.

Intransigentes

Intransigentes
Nunca mensurei qual seria o pior defeito humano, mas, ultimamente, estou verificando o quanto a intransigência é malévola: ela trás consigo a malícia, o orgulho, o egoísmo, a maldade, a intriga e a tolice.
A intransigência causa desavenças, causa mágoas, causa ofensas tolas. O intransigente crê ser superior aos outros, tem certeza que sua moral e seu espírito são superiores, e, assim, parece insano, mentalmente doente e termina por causar moléstia na alma alheia.
Viva e deixe viver, se você não aceita o outro, se cale, se retire, mas não apregoe aos quatro cantos suas razões, isso lhe torna orgulhoso, asqueroso e maldoso. Existe um limite muito tênue entre a razão e o erro, e este limite se chama plausibilidade, irmã do silêncio e filha da racionalidade.
Conviver é transigir: se você não consegue ser transigente, será solitário, este é o preço da soberba, este é o preço que pagam aqueles que acham que sabem mais do que os outros, que são mais cultos, mais justos, ou mais sábios.
A intransigência fere, magoa, faz doer os corações, a intransigência humilha, abate, maltrata. A humildade é o antídoto para a intransigência, porque faz o intransigente ver que, por mais sábio que ele possa ser, ou por mais virtudes que possua em alguns aspectos, ele é apenas diferente daquele que critica, e não melhor, pelo contrário, quanto mais tenta parecer que é superior, mais se inferioriza.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 23 de março de 2011.

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Vergonha na cara pós-moderna"

“Vergonha na cara pós-moderna”
A “vergonha na cara” na pós-modernidade me assusta. Na verdade nem sei se é possível chamar de “vergonha” o que me parece ser, apenas, um disfarce hipócrita.
As pessoas não têm vergonha de trair, de enganar, de roubar, de ludibriar os outros, elas têm “vergonha”, isto sim, de serem descobertas, elas temem que a vileza de seus atos seja conhecida pelos outros.E, para tanto, mentem e enganam.
Os indivíduos não se importam com seu caráter, mas com sua reputação, com o que os outros pensam ou irão pensar sobre ele, sobre seu agir, sobre sua personalidade.
Foi-se o tempo em que as pessoas pensavam em agir com nobreza. Hoje elas pensam, antes mesmo de seu agir, em como disfarçar seus erros. Não ocorreu perda da consciência sobre o certo e o errado, apenas, descobriu-se que é possível ser falso, que é possível falar bonito, enganar e pregar moral inexistente em si mesmo.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 21 de março de 2011.

domingo, 20 de março de 2011

Habilidades hipócritas

Habilidades hipócritas

Minhas habilidades hipócritas vão de zero a nada. Eu não consigo elogiar sem ser espontaneamente, não consigo fazer discurso enaltecendo pessoa alguma: a vida me ensinou que ninguém que mereça ser enaltecido o é em palavras. São nossos atos que valem.
Não consigo ser aprazível e simpática, como normalmente sou, com quem me irrita ou me parece inconveniente. Não consigo ver injustiças, falta de decoro e franqueza sem reclamar.
Não consigo interagir aberta e francamente com quem não simpatizo, aliás, sou muito antipática com quem não me afino, não estou na vida para desperdiçar meus sagrados minutos com pessoas que me irritam.
Todavia, sou tolerante. Respeito o ponto de vista alheio, respeito os gostos alheios. Cuido bem da minha vida, não preciso de ajuda para isso, e nem pretendo ajudar ninguém a fazer o que lhe compete.
Eu sou muito pacifica e tolerante com certas diferenças, mas não finjo seu existir dizendo palavras doces e inverídicas: cada pessoa em seu lugar, cada palavra, igualmente, em seu devido lugar.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 20 de março de 2011.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Eu finjo que acredito.

Eu finjo que acredito.
Eu quero a simplicidade de uma vida tranqüila, eu quero o carinho de pessoas sinceras, quero o amor de pessoas espontâneas, e o respeito de quem sabe se respeitar.
Eu quero as brutas palavras francas e não as melosas mentiras, para as quais eu sorrio e finjo que acredito. Eu não quero mais ter que ouvir gente hipócrita pregando moral que desconhece, eu não quero saber de gente desleal, infiel e infame se fazendo de decente na minha frente.
Eu quero que as pessoas consigam ver que, apesar da cor do cabelo, do vestido, da marca da bolsa, e dos sorrisos constantes existe algo em mim que rastreia mentira, e eu as respondo com sorriso, porque me alegra ver idiotas acreditando que estão me convencendo das asneiras que falam. Ninguém me engana quando mente, ao menos quando me convém fingir que creio no que ouço.
É lucrativo interpretar o papel de boba, é cômico, ou melhor, tragicômico ver a fragilidade dos que temem dizer a verdade e agir com sinceridade, porque seus atos são tão abjetos que eles mesmos sentem vergonha. É patético ver que alguns homens, não tem vergonha de errar, mas de que os outros saibam de seus erros.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 18 de março de 2011.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sustos noturnos


Sustos noturnos
A noite me assusta. Ou melhor, a postura das pessoas na noite me assusta e, até mesmo, me afugenta. Aquela busca insana por um olhar, por um sorriso, aquelas conversas mal estabelecidas em meio a muito barulho e ao fervor de hormônios sexuais, me causa estranheza.
Eu gosto de gente. Eu gosto de conversar. Adoro dar risada e interagir, mas não é sexo que busco quando eu saio. É a boa, simples e velha diversão, esquecida no mundo dos corações carentes e dos corpos insanos por calor. Calor fugaz, relações fugazes, entrega nula.
Não poucas vezes duvidei de minha normalidade, mas hoje me aceito. Sou antinômica, não sou óbvia, sou mais misteriosa do que eu mesma possa saber, mas, como diria a Rita Lee, “não sou freira, nem sou puta”. É só isso que posso garantir ao meu respeito.
Eu sei o que quero, e, com certeza, é algo que vai muito além do que se encontra na penumbra com corpos expostos e sedentos de tudo, de quase tudo, ao menos, claro, por uma noite. No outro dia “tudo” é nada, e o nada volta a valer o que realmente vale: nada.
E, assim, apavorada com as noites de “caçada” humana sigo a minha estranha vida de solteira. Uma vida com a qual, ainda não me adaptei, uma vida que parece que não foi feita para mim, nem eu para ela. Eu admito: Eu trocaria todas minhas noites de diversão em mesa de bar, por noites de diversão acompanhada por quem admira mais as palavras e os pensamentos do que a boca ou o sorriso. Trocaria, com certeza.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 17 de março de 2011.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Se o amor termina, ninguém tem culpa.

Se o amor termina, ninguém tem culpa.

Não existe amor sem doação. De uma forma ou outra todos os amantes se entregam, mudam algum aspecto de suas vidas, revolucionam seus anseios, em muitos aspectos. Por outro lado, não existe amor com cobranças.
Amor é entrega, é uma boa dose de abdicação, de vontades “sem porquês”, de realizações racionalmente inexplicáveis. É difícil saber quando o amor termina, na verdade, o seu fim é verificado indiciariamente, por pequenos detalhes e mudanças.
Uma das quais se chama “cobranças”: no inicio se agia por espontaneidade, carinho, afeição, vontade, depois, quando se analisa todo o amor dado, todas as modificações realizadas, resta um amargor, um arrependimento, um sentimento vazio e um “vitimismo” inconseqüente.
Ninguém pede para ser amado. Ninguém requer a abdicação, as mudanças, a complacência ou o perdão. Quem ama, abdica, muda, cede e perdoa porque quer, porque ama.
O desamor, as frustrações, as decepções e qualquer espécie de dor não devem ser deméritos do (ex) amado. É preciso buscar o equilíbrio apesar da dor, é preciso buscar a racionalidade apesar da revolta: Foi você quem amou, foi você quem escolheu, todavia, escolhas nunca faltam, ainda que seja a desistência. De amor ninguém morre. Ninguém.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 16 de março de 2011.

sábado, 12 de março de 2011

Minhas maiores virtudes...

Minhas maiores virtudes.

“Moça, quais suas maiores virtudes?”. São duas, uma ligada a outra. A primeira se chama pureza, um lado peculiar meu que me faz dar credibilidade ao que ouve, porque eu não minto e julgo os outros por mim. A segunda se chama resiliência.
Hoje eu sofro por paixão, hoje meu coração pode doer, minha alma rasgar, minha mente ficar confusa, hoje posso me sentir um joguete nas mãos de quem me enganou, hoje eu posso querer cama e sono. Hoje eu vivo a dor, sofro com “gosto” e intensidade, porque eu sei que amanha ela passa, então eu choro.
Amanha eu me recomponho. Olho-me bem nos espelho, no fundo de meus olhos e digo: “Nada, absolutamente nada, nem ninguém que lhe fez derrubar uma lágrima serve para você”, e, assim eu saio sorrindo pela vida. Contente comigo mesma, descontente ou, até mesmo frustrada com os outros.Outros que de nada me valem, que nada me valeram.
Os outros não me interessam, nem me importam. Quem me machucou é deletado de minha existência. Existem muitas pessoas boas que me amam,que me admiram, que são francas. Do que me importa quem nada vale, quem sequer marcou a minha essência? Nada.
Eu sou pura, eu sou sincera, eu sou calma, eu tenho fé (ainda) no amor e nas pessoas, mas eu não sou tola, eu tenho intuição e, principalmente, eu sei ser resiliente: Podem rasgar meu coração, podem puxar meu brio, basta eu querer, no outro dia eu volto a ser eu mesma: aalegre, contente, em paz e feliz.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 12 de março de 2011.

Tentações quase irresistíveis

Tentações quase irresistíveis

Não é humano quem nunca desejou algo, um beijo, um, toque, um afago quente, um abraço caloroso, uma sensação, ainda que, "ilusória" de bem querer, de paixão, de entrega, de carinho, quando, por algum motivo, "não pode" dar vazão a tais desejos.
As vezes alguns motivos racionais são aptos a frear nosso instinto, então, me questiono, vale a pena brecá-los? O desejo vai morrer ou vão continuar amanha? A melhor forma de vencer uma tentação, é, sem duvida, entregar-se a ela, apenas assim duas pessoas maduras, resolvem sob o que lhes convém, ou não.
É triste dormir com aquele desejo ardendo, é triste relaxar com a alma pululando de vontades, não existem remédios para amansar nossos desejos, apenas o uso da racionalidade. Mas ele me assusta. Não somos santos, por mais corretos e justos que queiramos ser.
Sempre irá chegar uma oportunidade em que a razão irá se afastar ainda mais, em que o sutil toque na pele, em que o olhar no fundo dos olhos, em que os movimentos atraentes dos lábios farão a tentação ressurgir, e, agora, irá convir escapar?
Valerá realmente a pena fugir de uma tentação que irá reincidir e, quiçá, nos atormentar? Francamente, eu duvido. O que se consegue, única e tão somente é postergar o beijo, as caricias, o envolvimento afetivo e um tanto físico, apenas isso. Ah, eu falei postergar, e não "anular" a realização desejos.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 12 de março de 2011.