Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

terça-feira, 21 de junho de 2011

As sementes mal plantadas

As sementes mal plantadas

Lembro-me que, na minha adolescência, ouvia uma música do Cazuza chamada "Blues da Piedade" e que, em meus momentos de reflexão e revolta, conseguia nela adequar a forma de pensar e de agir do pai, da avó, de algumas tias e de amigas. Muitos, como minha sábia mãe jamais mereceriam ouvi-la em uma rádio brega no estilo "esta vai para você", no entanto, no decorrer destes mais de 12 anos aprendi que, infelizmente, muitos fazem jus à cafona dedicatória do "Blues".
Transcrevo trechos desta música que jamais esquecerei e que, lamentavelmente é suscitada em minha mente com freqüência posto as atitudes das "sementes mal plantadas" que existem no mundo e é, mais ou menos assim que a letra se inicia, num misto de doçura e rispidez: "Agora eu vou cantar pros miseráveis que vagam pelo mundo derrotados, pra essas sementes mal plantadas que já nascem com cara de abortadas, pras pessoas de alma bem pequena remoendo pequenos problemas querendo sempre aquilo que não têm, pra quem vê a luz mas não ilumina suas mini-certezas [...] Vamos pedir piedade Senhor, piedade pra essa gente careta e covarde, vamos pedir piedade Senhor, piedade lhes dê grandeza e um pouco de coragem" e lá pelos últimos estrofes dizia :"Quero cantar só para as pessoas fracas que tão no mundo e perderam a viagem...Vamos pedir piedade, Senhor...[...] Mais lamentável do que a pobreza, do que a miséria, do que a falta de estudo e cultura é a pobreza do espírito, é a pequenez da alma, é não ter a luz na mente para simplificar a vida e vê-la como ela realmente é: descomplicada, sendo que a vida feliz é como uma fruta doce que nos foi dada, mas que apenas cortando-a com a faca da coragem poderemos saborear seu sumo. É a coragem provinda da grandeza da alma que propicia o entendimento real de que não existe complicações na vida e nas situações cotidianas.
Quem complica a vida colocando empecilhos, fazendo de pequenas questões, de situações simples motivo de desespero e angústia somos nós, afinal o que é realmente difícil é a morte fora dela nada é um celeuma insolúvel e complicado, tudo depende de nossa ação e humildade de espírito. Muitos são, realmente, caretas e covardes que passam a vida (ou o que resta dela) remoendo pequenos problemas, não valorizando os bens que possuem: a saúde, a situação financeira regular, os amigos, os filhos, o namorado, o marido, enfim, imersos em suas pequenas questões esquecem-se de valorizar o que possuem e assim, serem felizes e contentes de forma que terminam por aniquilar com a tranqüilidade de quem lhes cerca.
As pessoas "sementes mal-plantadas" sabem que poderiam ser mais felizes se agissem de outra forma, enfim, como diria a música, eles vêem a luz, que, no entanto, não os faz mudar, não é suficiente para que superem suas "mini-certezas", suas convicções egoístas normalmente justificadas pela mais vil das alegações das almas pequenas: "Eu sou assim, ninguém pode ser perfeito”, ou, “nesta fase de minha vida não mudo mais". Ora, nunca é tarde para fazer com que a luz da sapiência incida tornando forte e corajosa a alma covarde e pequena de forma que evoluamos de acordo com o mundo mas continuemos firme em nossas convicções morais, afinal uma coisa não é incompatível com a outra.
Nunca é tarde para simplificar a vida, para "ganhar a viagem" feita ao mundo. Para passar a tirar o peso que é colocado onde não há, para parar de dificultar o que é simples e de superestimar o que é ínfimo. Nunca é tarde para fazer a dádiva da vida valer a pena, para excluir o que é inútil, os sentimentos negativos, os pseudoamores frustrados que existem na memória, as pequenas e injustificáveis implicâncias, a insegurança que gera o ciúme que só leva à infelicidade pessoal e alheia.
Muitos merecem a dedicatória do "Blues da Piedade", mas, se quiserem podem deixar de merecê-la. Basta querer mudar, evoluir, tendo a ciência de que nosso nascimento é como uma passagem que ganhamos para uma viagem que não sabemos quando termina, mas que, enquanto não finda temos a possibilidade de mudar o rumo, de ver novas paisagens e passar a admirar o que, durante muito tempo não tínhamos sensibilidade para assimilar.
Cabe a nós unicamente pedirmos piedade pela nossa ignorância, pela pequenez de nosso egoísmo, pela mesquinhez fruto de nosso orgulho tosco.Quem é humilde o suficiente para isso demonstra possuir um espírito livre, sabe que é um errante no mundo, mas que, se desejar crescer aprendendo com o que a vida ensina, e passando a vê-la além de "seus" pequenos problemas irá superar-se e supera-los, rompendo com os entraves que impõe à sua própria alegria e felicidade, afinal quem vive remoendo pequenas coisas, quem complica a vida demonstra pequenez de espírito e covardia de forma que, infelizmente, irá perder a viagem da vida.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 20 de abril de 2005.

As lágrimas

As lágrimas

As lágrimas lavam nossa alma...
Chorar não é feio, não é motivo de vergonha. Choramos quando sentimos dor, muita dor física ou certa dor emocional com a qual não sabemos lidar.
Choramos porque, por mais que tentemos parecer fortes e insusceptíveis de abalos emocionais, nossa alma é frágil, nossos sentimentos são profundos. Doem na alma e as lágrimas escorrem pelo rosto.
Como a maioria dos fatos que envolvem emoções, mistificamos o choro: não devem os homens apiedarem-se das mulheres quando choram.Elas choram para lavar a tristeza, para retirar a máscara da ilusão e vestir a farda do aprendizado.
Não devemos impedir o choro da criança contrariada, ela tem o anseio inerente de ser satisfeita e quando não é chora. Se fizermos seus gostos formaremos um adulto fraco que não saberá lidar com as adversidades da vida.
Muitos homens e muitas mulheres voltarão atrás em resoluções por causa das lágrimas do outrora amado. Deixem-o chorar, as lágrimas trarão para eles um pouco de limpeza espiritual. Se sentires pena e voltares atrás estarão criando motivos para que formem um oceano de lágrimas futuramente, porque, no futuro a dor do término será maior.
Não me compadeço com lagrimas, é humano é natural chorar. O ser humano sente ânsia de chorar quando contrariado, o que não devemos é tentar impedir que chorem fazendo-lhes a vontade.
Deixemos chorar e compreendamos. Alguns possuem outras mágoas além das que alegam justificar o choro, portanto chorarão com mais facilidade. Choramos por mágoa, por raiva, por ódio, por medo,por tristeza. Enfim por qualquer emoção. Não choramos por amor ou por alegria, quando justificamos isso estamos chorando porque emocionados, por alguma lembrança boa e pela amargura melancólica que toda lembrança trás, afinal o que é lembrado não volta, assim omo as oportunidades perdidas que irão assombrar a casa de nossa memória.
Choramos assistindo a um filme porque estamos carentes e porque a história nos envolve, nos faz sentirmos identificados, nos emociona. Homens choram. E devem chorar, são humanos. Lembro-me de Jorge Amado que criou uma personagem com a qual eu sonhava ser, chamava-se "Tereza Batista", filha de todos os Orixás. Quem entende um pouco da cultura baiana se emociona com o romance e com os fatos da trama, ela dizia que "guerreira não chora".Tereza não chorava.Eu jamais serei como Tereza.
Ainda que guerreira as lágrimas “devem” surgir no silêncio para lavar a alma, para levar a amargura, o medo, e o sentimento de não ser suficientemente forte perante a vida, para o mar salgado do orgulho. Quando choramos nos desprendemos por um momento do orgulho. Chorar é nobre, é saudável, é necessário.É demasiadamente humano!

Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 12 de abril de 2004.

Auto-ilusão

Auto-ilusão



As pessoas não entendem as loucuras que você faz em nome da paixão. Na verdade, você não chama isso que lhe ensandece de “paixão”, você chama de “amor”, afinal esta palavra nunca significará dor, sofrimento, angústia.
Você mesma não sabe que esta vivendo uma paixão insana, ou, no mais “doce” dos sentidos: um amor bandido. Um amor onde você doa, se empenha, se aprimora, e o outro apenas rouba suas energias, físicas e morais, é claro.
Mas o homem nasce com uma vontade gravada na alma: a de viver um grande e intenso amor. E é graças a esta sua “ambição” que você se decepciona, se frustra, lamenta e chora como Maria chorou pelo seu filho injustiçado e ardendo em dores.
Eu já sofri tudo o que uma mulher poderia agüentar por amor, por paixão, por uma deliciosa sensação “orgástica”, cármica e forte, que, na realidade, nunca apagou a dor da injustiça, das ofensas e da mágoa sofrida, por mais longe que eu tenha ido, por mais que eu tenha fugido. A verdade é que não existe lugar no mundo onde possamos deixar nosso coração tolo e enganado fora de nosso corpo e seguir a vida sem ele.
O interessante na vida é saber que, por mais que as pessoas tentem, imaginem ou fantasiem, elas nunca saberão quão doída e triste foi a sua dor, a sua mágoa. Ah, mas será que valeu a pena, será que valeram as lágrimas derramadas e toda a dor sofrida?
Eu digo que sim. Eu digo que nada ocorre por acaso e que por mais estraçalhado que seu coração saia de um relacionamento, você sempre poderá reunir seus pedaços, se fortificar, e sair desta situação muito mais forte, mais sapiente, mais serena e em paz do que quando entrou. Nada, absolutamente nada, ocorre neste mundo por acaso. Aceite este fato, triste ou não, mas aceite da forma que você conseguir.

Cláudia de Marchi




Passo Fundo, 21 de junho de 2011.

Superação

Superação
Eu não tenho muitas lições para ensinar com 29 anos de idade, todavia eu acho que sejam muitas experiências extasiantes e outras tristes, tendo em vista que eu jamais imaginei que eu fosse estar com a bagagem de vida que tenho com tal idade.
Todavia, de tanto sofrimento, de tanto esforço, de tanto amor, cá estou eu, viva, lutando e, porque não dizer, renascendo das cinzas, recomeçando do nada, porque de tudo o que fiz para melhorar, me dedicando à minha vida amorosa e conjugal, resultaram num “Nada” com “m” maiúsculo e ponto final.
De todas as pessoas que gostaram ou se interessaram por mim, nenhuma, ou seja, ninguém conseguiu me compreender, ninguém conseguiu me decifrar, o que me tornou uma “incógnita” mal estudada, por mais simples que eu seja. Hoje, ao menos, eu tento ser decifrada e compreendida, por quem, creio mereça a minha confiança.
Ninguém chora porque quer, ninguém sofre porque deseja. Eu sempre tentei fazer tudo dar certo, absolutamente tudo, para, quem sabe, chegar aquele dia em que a gente vai para o hospital, no mínimo 12 kg mais gorda, para dar a luz a um pequeno ser humano.
Mas tal idéia evaporou da minha mente quando, finalmente, constatei o fato de que as pessoas não mudam, por mais que digam (mintam?) que sim, elas apenas constroem outro prédio sob os mesmos pilares e normalmente o problema esta neles, logo, cedo ou tarde, o amor acaba ruindo de novo.
Ai, ai, talvez só Deus saiba, o quanto eu sofri! Tanta vida que abri mão e deixei no vácuo entre os 24 e os 29 anos. Tanta, mas tanta vida que nem eu mesma “dimensiono” tudo o que perdi, tudo que poderia ter sido diferente, mas não foi, nunca foi e nunca seria.
Tal pessoa não era a “pessoa certa”, eu sei que não era, mas era o sujeito pelo qual eu era apaixonada, pelo qual eu era capaz de fazer de tudo, pelo qual eu me doei tanto, para fazer dar certo, que terminei doente, psiquicamente enferma, carecendo de distancia, de uma nova cidade, de um novo Estado.
Dos meus males de saúde eu me curei, mas, e dos da alma, o que aconteceu com eles? Nada, apenas se transmutaram em um pouco de sabedoria, ou melhor, de aprendizado. O vazio continua lá, num vácuo de gestos errados e solidão. Muita solidão. Meu Deus! Será que alguém entende o que eu fiz e que deixei de lado por uma paixão doente? Só eu sei, sei que não valeu nada, mas sei que tenho tudo para um novo recomeço.
Ah, e o meu pai? Por favor, não me peça, porque metade dos erros cujo pano de fundo se denomina “carência”, e eu os cometi, se devem àquele senhor, que deixou da mulher que mais o amou e que abriu mão de sua vida, cujos erros eu quase repeti, para deixar sua existência terrena no vácuo entre o amor e a vontade de ser feliz e de acertar.
Todavia, apesar de tanta dor, não morremos, não nos perdemos, não nos entregamos a nenhum de nossos males, a nenhuma de nossas aflições, e agora, minha querida mamãe, estamos aqui: lutando, engolindo o amargo das lágrimas e do arrependimento, e fazendo tudo o que podemos para, desta vez, não errarmos, não arruinarmos nosso coração, tão puro, tão tolo, tão bobo!
Mas, apesar de todos os equívocos era, ou melhor, é, um coração destemido, um coração que ama e que jamais vai se entregar à dor, à amargura e ao medo de sofrer de novo. Tudo vai ser diferente, eu sei e você sabe, nossos anjos também: recomeçamos sem cometer os mesmos erros, ou, sequer, os “parecidos”. Afinal queríamos a felicidade plena, queríamos que tivesse dado certo, então “por que” e “para que” pensarmos no que já foi provado que eram equívocos, enganos e erros?
Vamos seguir adiante. Nova vida, novo relacionamento, novos ares, novo tempo, vesperança renovada, fé redistribuída, nada a temer, nada do que se intimidar, apenas muita coragem para renascermos e ressurgirmos altivas e imersas em sabedoria, conquistadas as custas da dor, que poucos sabem quão grave e triste foi
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 21 de junho de 2011.

domingo, 19 de junho de 2011

Pense, pense e pense mais um pouco se for possível.

Pense, pense e pense mais um pouco se for possível.



Nunca pense que seu pensamento pode agradar à todos. De uma forma ou outra suas idéias irão colidir com a daqueles que você julga “importantes” e relevantes em sua vida. Quer uma idéia “aconselhadora”? Não ouse deixar seus pensamentos e ideais de lado em prol das pessoas que você ama. O amor implica em respeito e o respeito permite a manifestação de pensamentos, desde que, sejam pacíficos, racionais e coerentes.
O amor, portanto, tem dois princípios básicos: o da confiança, quase cega naqueles por quem seu coração bate mais forte, por quem seus instintos afloram e sua intuição “palpita” positivamente e um outro, não menos nobre e divino, o principio do respeito: cada um pensa o quer, como e porque deseja, logo não cabe a ninguém tripudiar das metas, dos sonhos e nem mesmo das frustrações alheias.
O amor enquanto sinônimo de respeito significa resignação, complacência, paciência, aceitação e, frise-se bem: não significa “concordância” plena ou “escravidão moral” com tudo o que o outro diz ou pensa, fosse a vida de tal forma, a palavra “respeito” não existiria e nem careceria existir.
Quem concorda com todos, inclusive com quem ama, apenas “por concordar” é infeliz, covarde e frustrado. Aceitar a opinião alheia para evitar fortes colisões de idéias e, quiçá, de opiniões, significa perda total da fé, do amor à Cristo e a si mesmo. Dar a sua opinião é sábio, mas brigar para que ela prevaleça é burrice. Calar-se em todos os momentos e nunca manifestar opiniões "diverergentes" é um “grande” atributo dos fracos, daqueles que não evoluem e nem sequer ajudam os outros a se aprimorarem espiritualmente.
Não querer discutir, silenciar ao invés de abrir a boca para discordar de quem ama, não significa personalidade fraca ou frágil, muito pelo contrário, é preciso ser forte, ter brio e coragem para respeitar ao invés de digladiar com alguém quando isso é desnecessário e, desta forma, continuar querendo ganhar e ter razão, você perde a sua, perde a razoabilidade, além da beleza e da bondade que possam inquinar seus pensamentos.
Cale-se e ganha muito. Cale-se e ganha a paz. Cale-se e ganhe a sabedoria. Cale-se e ganhe a razão, que irás perder ao discutir. Respeite as diferenças. Não existem idéias ou pensamentos maus ou ruins, cale-se e coloque o silêncio e as diferenças humanas na berlinda, seja racional, afetivo e esqueça-se de querer ser conveniente e bom com todos. Jesus Cristo foi, e terminou assassinado, cruelmente crucificado. Descubra a graça e a luz de ser você mesmo sem precisar se fantasiar de “capacho” para ser pisado.
Dê suas idéias educada e respeitosamente, com toda a certeza, são elas que podem mudar a energia de qualquer local e educação de seus freqüentadores. É preferível calar-se a brigar com quem lhe “chama” para a baixeza das agressões verbais e físicas.
Ademais, se gritar ajudasse a vencer batalhas não seriam necessárias a coragem, a fé, a força, a determinação e a esperança. Tente ser justo e correto com as pessoas, não lhes fazendo o que não gostaria que lhe fizessem, Tudo na vida parte deste princípio cristão que, se fosse seguido, o mundo não estaria caótico como, infelizmente esta, como realmente é.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 20 de junho de 2011.

Não julgue!!!

Não julgue!



Não julgue as pessoas pelas aparências e pelos atos “aparentes” delas. Você não lhes conhece, não sabe de seus princípios, de sua vida pouco usufruída, dos fardos que teve que carregar pela expectativa absurda dos pais, por exemplo.
O triste é que, nos dias de hoje, em que vigora a liberdade sexual de ambos os sexos (que virou libertinagem, quase ao ponto de levar à falência as zonas de meretrício), a impressão que tenho é que as pessoas têm interesse apenas em conhecer o outro física e sexualmente. Esqueceram-se do fundamental: do amor correspondido, do amor amigo, do amor “sacanagem- de bom”.
Sou uma mulher romântica, acredito no amor apesar de tudo que sofri, mas não consigo conceber, ou melhor, imaginar “uma transa” entre pessoas que não se interessam umas pelas outras, não consigo conceber nada que signifique “fazer por fazer”. Ou me dôo, e me entrego, ou fico em casa lendo, ouvindo músicas, assistindo filmes ou com minha mamãe, minha melhor amiga e companheira, tomando meu delicioso vinho, na companhia do meu gato persa Zeus e do Eros (quando não esta na clínica doentinho). Ademais, tudo melhora com a confiança (para os não enfermos psiquicamente), com o tempo de relacionamento se aprimora tendo em vista que a intimidade, o conhecimento mútuo e a confiança se aprimoram, portanto, neste mundo de expiações e seres imperfeitos ainda acredito no amor e nas pessoas que nele, também crêem.
A beleza do sexo é sua “intermediação” com o amor, é fazer com quem você esta envolvido, com quem lhe conquistou. Com quem lhe cativou, com quem, mesmo com a possibilidade de estar lhe enganando, conquistou sua confiança, assim sendo “vale tudo” entre quatro paredes, (e os vizinhos do apartamento abaixo do seu que preparem o diazepan, lexotan, rivotril, e toda espécie de benzodiazepínicos assemelhados, além de sedativos, para conseguir pegar no sono!) Sexo bom é o despudorado, mas ele se torna ótimo quando os parceiros interagem, se conhecem, sabem da história de vida um da outro, se respeitam, se entendem, se apaixonam, sem julgar ou tripudiar da história do parceiro.
Uma separação, um divórcio, muda por completo a forma com que você vê a vida e interpreta as linhas sinuosas do amor. Você sabe muito mais do que achava que sabia outrora, você descobre o que quer realmente, e, isso não ocorre apenas por pudor “excessivo”, “pseudopudor”, ou amor-próprio desfalcado, você, independente e emocionalmente equilibrado, só “vai para a cama” e se entrega para quem, por um motivo ou outro, lhe encantou e cativou, e vai com "certeza", porque quer, sem se importar com nada, afinal ninguém paga suas benditas contas.
“Ah, mas os homens mentem.” Isso é verdade e enganam quando lhe desejam, apenas para usufruir de seu belo corpo, mas assim como a vida lhe ensinou tal realidade deve ter lhe ensinado que para toda exceção, existe uma regra, por mais difícil que seja encontrá-la. Ademais, quem disse que quem só quer “o corpinho” não é a mulher? Hellooo! Estamos na pós-modernidade! Foi-se o tempo em que os homens "usavam" as mulheres, hoje em dia, a questão me parece bilateral.
Convém salientar que as pessoas, em geral, mentem em prol de “vantagens pessoais, sexuais ou emocionais”, é o caso da mulher interesseira, daquela que se faz de “santinha” para aparentar uma decência e um caráter que não possui. Santos não mentem, santos não se fazem de “especiais” (eles são, e ponto!). Eles não são frívolos e banais, agem com ética, vivacidade, humilde e silenciosamente. (Bem, este parágrafo é desnecessário, vez que não existe santo algum por aqui, todavia a espiritualidade me fascina. Escusas, meu caro leitor).
Por incrível que possa parecer, mas as mulheres puras e inexperientes são as que falam o que pensam, sem se flagrarem que sua afirmativa possa parecer vulgar, neste mundo de hipócritas crônicos, são, as que não vêem maldade, são as que confiam no que ouvem, são aquelas que acreditam no amor e não no poder aquisitivo como “mote” para a felicidade.
Enfim, homens e mulheres mentem, a questão é “para quem e por que”, fato é que, de regra, o fazem para o de indíviduo de coração mais puro, de alma mais bela e espírito virtuoso, cheio de fé e de vontade de amar. Assim como um serial killer, escolhe suas vitimas, os “falsos amantes”,escolhem seus "falsamente amados" para não precisarem se "estressar" com novas mentiras.
Cada pessoa tem seu jeito, sua personalidade, todavia não sei transar mais de uma vez com quem não quer me conhecer verdadeiramente ou namorar. Eu desisto e não repito o “capítulo” indecoroso. Eu quero alguém que me ame, e não um amante na cama. Prefiro a solidão a ser volúvel, prefiro ser solteira (separada judicialmente vida inteira, a entrar na “moda” de “fazer sexo com qualquer um”. Eu sou boa demais para isso, e me valorizo demais para entregar-me a qualquer sujeito. Sei o que faço, sempre soube e nunca me arrependi (nem me recordo a ultima vez que isso ocorreu). Sei de meus erros, peço desculpas, mas, como sou franca, azar de quem não me compreende e não as aceitar. Entretanto, eu nunca deixei ou haverei de deixar tentar, e ter fé no amor.
Você não é melhor ou pior se faz sexo com quem você não conhece muito desde que esteja decidida, desde que queira e desde que saiba que beijos não são "promessas" e caricias não são “atestados de eu amo você”. A gente sente quem quer nos amar, quem quer nos assumir como namorada, quem quer experimentar o paraíso ao nosso lado. A gente sente uma energia sobrenatural, enfim.
A questão cerne do assunto é confiar, a questão é a pessoa mostrar-se confiável, apesar do fato ( infeliz) de que as pessoas mentem, mas é melhor arriscar-se e verificar a verdade do que sai da boca do parceiro, é preciso ver com seus próprios olhos e alma o que é muito melhor do que seguir dando “corda para a “falação” do povo inútil que adora uma fofoca, para demonstrar que sabem falar e não são asnos anômalos de duas penas.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 19 de junho de 2011.

sábado, 18 de junho de 2011

A ilusão falsa e o realismo impiedoso.

A ilusão falsa e o realismo impiedoso.


Eu sinto saudades da minha infância. Não nasci em berço de ouro, mas meus pais fizeram o possível para “folhá-lo”. Criança alegre, sorridente, ansiosa, com mil idéias na cabeça e pouquíssimas possibilidades de realizá-las. Sinto falta, unicamente, da minha pequena família unida, do meu pai comprando cigarros para minha mãe e pantufas para o inverno, brincando de esconde-esconde comigo. Eu sinto falta do que via, dos simples detalhes, e às vezes careço de tais ilusões porque, na verdade, o mundo adulto, machuca, dói.
Então, meu caro, não seríamos nós, seres humanos, realmente complexos? Choramos e lastimamos perdas reais, de emprego, de relacionamentos, da morte do bichinho de estimação, do avô que já estava senil, dentre outras situações compreensíveis. Todavia, são as doces lembranças e pequenas ilusões, que nos cortam a alma, que sangram nosso coração e estraçalham com nosso ego,( nosso “falso eu”).
Você, minha cara adolescente, não chora porque teu namoradinho ficou com outra, você chora porque estava iludida e achava que o jovem que mal saiu das fraldas era um “bom partido”, porque filho de família abastada (logo, poderia casar com a senhorita) afora isso, apenas lhe fazia sorrir e tinha um abdômen sarado (atributo típico, na maioria das vezes, dos que nada fazem, dos preguiçosos e vaidosos).
As pessoas choram por vários motivos, mas por trás de suas lágrimas esta ela, a altiva, a elegante, cheia de jóias, perfume e beleza: a ilusão. Com sua estirpe e docilidade ela lhe ajuda a, com base em seus sentimentos e pensamentos irreais (ou seriam “devaneosos”?), erguer castelos, erigir o jovem maconheiro a categoria de príncipe, e menosprezar os pais devotos a categoria de serviçais.
A vida é feita para quem vive com os dois pés no chão e o olhar adiante, não para quem olha somente para dentro de si (corrijo: “dentro, não” fora, para seu umbigo), buscando esperança onde ela não pode ser encontrada, paz onde só existem turbulências, acreditando no implausível.
A “realidade”, salva tudo e a todos os homens lúcidos, apesar de não se vestir com roupas chiques e adornos, ela “é o que é”, ela tem poder mesmo em sua simplicidade, tem energias, não trai, não ilude, não engana, não esnoba. Somente o homem devoto e forte é capaz de aprimorar sua realidade, desde que não caia nas unhas postiças da ilusão e suas comparsas: a vaidade, a arrogância e o orgulho,
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 18 de junho de 2011.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O tempo passa, apenas isso.

O tempo passa, apenas isso.




“É o que as pessoas dizem [que o tempo muda tudo]. Não é verdade. Fazer coisas é o que muda algo. Não fazer nada, deixa as coisas do jeito que eram.” Mais uma frase do meu amante televisivo, Dr, House.
Nossa relação é boa, eu não falo o que não devo com ele, não o magôo sem querer (até porque nosso affair é uma ficção), e sua franqueza me excita. Ele é fictício, o amante perfeito para uma especialista em afastar homens acidentalmente de sua vida.
Bem, voltando à frase inicial. O tempo como remédio para os males é a mentira dos hipócritas ao ver a dor ou o sofrimento de alguém querido no presente. Daí surge o “Tempo” como um “Deus” milagroso, para consertar a vida das pessoas.
O decurso do tempo causa alguns esquecimentos, alguns problemas de saúde, rugas, mas não muda nada na vida de quem não age, na vida de quem não se propõe a mudar, a recomeçar, a fazer “dar certo” seja o que for que objetive nesta vida.
O tempo é apenas algo que passa, que torna as pessoas mais velhas, que nem sempre amadurece os imaturos, que enobrece a alma dos humildes, que dá sabedoria a quem a procura.
Na verdade é a busca pelo aprimoramento moral e espiritual através do decurso do tempo que muda algumas vidas, porque aprimoramento físico inexiste. A cada dia que passa mais perto do fim da vida você chega, a questão é usufruir os bons momentos e tomar boas decisões para ser feliz, afinal como dizia o Toquinho e o Vinicius, “a gente mal nasce, começa a morrer”. Mas, seguindo sua composição, “sei lá,a vida tem sempre razão”.

Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 16 de junho de 2011.

Eu queria ser infalível.

Eu queria ser infalível.


Eu queria ser infalível, eu queria nunca cometer gafes, me relacionar com quem não me preza ou confundir nomes quando estou adorando e entregue à pessoa que esta comigo, por alto teor alcoólico no sangue e dor na consciência, eu também, gostaria de nunca me atrapalhar e perder. Eu não gosto de perder, não na minha vida profissional, especialmente, e nem na afetiva.
Se tudo pode dar certo e uma falha idiota estraga tudo é porque a pessoa que deseja não lhe quer da mesma forma. Pessoas racionais e inteligentes perdoam, compreendem, ainda que se irritem, sofram, e se magoem, elas entendem o erro do semelhante, afinal, embora eu, você e muitas pessoas queiram ser infalíveis, ninguém é.
Para tanto existe a compaixão, o espírito solidário, a capacidade de se colocar no lugar do outro quando ele erra, e perceber que, às vezes, o equivocado sai mais ferido do que sua “vítima”, talvez por ser mais sensível, carente, talvez por estar mais envolvido ou por sentir culpa por ter errado.
As pessoas boas se culpam pelos seus erros, choram, lamuriam, se desprezam por certo tempo, mas o fato é que nenhuma dor dura para sempre, nem a dor da culpa ou do arrependimento.
Nada acontece por acaso: se a pessoa com a qual falhaste merecer o seu apreço e lágrimas derramadas, ela vai refletir, vai lhe perdoar, se não, a esqueça, afinal, quem nunca errou de tal maneira ou de forma muito mais grave do que por palavras errôneas que me atire a primeira pedra.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 16 de junho de 2011.

Falta de talento

Falta de talento.


Todo mundo mente, seja por que for, sobre o que for, as variáveis são várias, mas a verdade é simples: as pessoas mentem, todavia, como em tudo na vida, uns possuem mais talento que outros.
O meu problema é que eu não sei mentir bem. Eu tento, mas é mais fácil eu fugir, me esconder em casa, embaixo das cobertas do que mentir para as pessoas. Quando eu faço isso minha consciência me cobra e eu me “entrego”, cometo gafes e coloco tudo o que não deveria a perder. Cometo atos falhos e magôo quem não merece, quem eu gosto.
Enfim, eu me equivoco, me atrapalho, me confundo, cometo erros homéricos, tudo por não saber mentir, por ficar com a consciência pesada de, por um motivo qualquer, enganar alguém. E isso é uma falta de talento nata que se acentua com qualquer dose de álcool no sangue, por exemplo.
Mas, por outro lado, eu não iludo, eu faço o que desejo com quem eu quero, eu me entrego quando acho que convém e, para quem, mesmo que tenha mais talento do que eu para mentir, me parece ser merecedor do meu afeto, porque eu não sei fazer nada sem bem querer, sem carinho, sem afago, sem afetividade, por mais que eu me equivoque e termine confundindo jóia com bijuteria, afinal, pessoas do bem sabem se colocar no lugar das outras e superar o orgulho, compreendendo as mancadas alheias, afinal ninguém é isento da possibilidade de errar.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 16 de junho de 2011.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Eu ainda "sinto muito".

Eu ainda "sinto muito".



Eu sei que eu erro, que eu escolho opções erradas para demonstrar o que eu não consigo dizer em palavras, sei que eu sumo por covardia, por medo de magoar com palavras ou me entregar por completo, eu sei que meu coração às vezes se divide em quatro partes e minha mente fica atordoada com mil idéias. E eu também sei que eu machuco quem eu não devo, mesmo prevendo que aconteceria se fosse comigo (ou seja, eu me machucaria).
Ou será que não machuco quem eu penso que poderia ferir?Ou será que mesmo agindo com a intenção de ferir para ver se eu obtenho uma resposta, ninguém se magoa, ninguém sente dor ou mágoa? Será que alguém neste mundo dá atenção ao que os outros podem sentir?
Esses “lances” hodiernos, de “ficar” por “diversão”, de gente que só quer sexo, amizade colorida, que não quer saber de romance, monogamia e seus prazeres e divertimentos, (que são muitos por mais que os tolos neguem), me faz pensar que estou vivendo num mundo de homens insensíveis, e de mulheres igualmente frias de coração.
Eu erro, bebo e falo ou faço o que não devo ou, mesmo na maior sobriedade, às vezes acho que vou acertar e erro, mas eu sinto dor, eu me arrependo de magoar as pessoas, eu choro quando eu ofendo ou machuco quem eu gosto. Todavia, às vezes parece que sou “a boba da corte” do mundo, porque ninguém mais parece se importar com os sentimentos dos outros.
As pessoas costumam usar umas as outras e inventaram uma nova maneira de descartá-las, a forma “fantasmagórica”: elas aparecem quando lhes convém e, como um espírito vagante, somem, mas, para atormentá-lo, reaparecem, criando situações e relações embaraçosas, infelizes e sem definição, onde o único agradado é o que “usa” o outro, o “fantasma”, enfim.
É por isso que eu penso que a maioria das pessoas perdeu a sensibilidade, elas não sofrem, elas não choram, não se magoam, não sentem falta da presença alheia: elas aprenderam a usar o outro, como quem usa uma calça e depois esquece dela no armário, até vê-la e ter vontade de colocá-la novamente. Eu ainda me arrependo de magoar as pessoas que gostam de mim, mas, daí eu me questiono, será que elas “gostam” de mim ou querem “usar-me” de alguma forma?
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 15 de junho de 2011.

As ilusões do começo das relações.

As ilusões do começo das relações.


O amor embriaga os amantes e apaixonados. Todo início de relacionamento, das gafes aos episódios imprevistos e inusitados deixam uma doce lembrança na memória, não por menos, na fase intensa da relação os casais salivam em demasia quando contam “como se conheceram”.
Talvez para quem lhes ouça não exista tanta graça, mas como o amor é embriagante, o casal se emociona, dá risada e acha o “máximo” sua história, por mais simples e banal que seja. Para quem ama ela sempre será “especial”, só muda de “atributo” quando o amor se abala, a desilusão vigora e ambos começam a pensar: “Céus, como eu era tolo naquela época!”.
Fato é que vários relacionamentos falidos e desgastados se sustentam pela ilusão do casal. Sabe aquela ilusão que eu referi, do inicio da relação? “Deus, foi tudo tão perfeito, nossos olhares se cruzaram e não foi por acaso! Superamos tantos obstáculos, ela mudou tanto, seremos sempre felizes juntos, nada irá nos separar”, pois é tem casal que mesmo após anos de sexo sem paixão, de discordância de metas e sonhos, de desrespeitos, de discussões humilhantes, de acusações injustas, de adultério, consegue, por orgulho, teimosia ou tolice, reviver em pensamento a ilusão do começo do relacionamento, como se ele fosse uma árvore e tais ilusões, a raiz. Desta forma se mantém juntos.
Mais da metade dos relacionamentos que se mantém por anos são baseados nestes pensamentos, na recordação do “inicio” perfeito que distrai a “culpa” dos cônjuges pelos erros do “durante”, pela infidelidade, pela falta de atenção e carinho, pelo pouco apoio aos sonhos do outro. Alguns dos outros relacionamentos findam sem ilusão, outros se mantém pela hipocrisia que faz com que erros sejam relevados em prol da “boa aparência social” do casal, e alguns, muito raros, se mantém com base no amor. Para estes eu bato palmas.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 14 de junho de 2011.

Vingança

Vingança


A vingança é praticamente um instinto humano: ele me machuca, um dia eu vou machucá-lo, ele me roubou, um dia eu o farei perder dinheiro, vida, beleza. O problema da vingança é apenas o pronome que vem antes do desejo vingativo: eu. Não cabe ao homem de bem buscar a vingança e se afundar em ódio.
Como todo instinto humano o de se vingar tem dois lados, aquele que satisfaz e aquele que rebaixa, que iguala em maldade, perfídia e baixeza moral o vingado e o vingador.
O homem é responsável por seus atos, não pelos dos outros. A fé na Justiça Divina é o melhor benzodiazepínico para acalmar as almas iradas e imersas em ódio e vontade de se vingar. A fé é o melhor remédio para todos os males da vida humana, esta é a verdade.
Quem sabe que age com justiça para com seus semelhantes, quem sabe que faz o que pode para não causar discórdia, para não magoar ou humilhar em quem lhe cerca e possui “aquela” força interior proveniente da fé de que existe um Ser Superior analisando suas condutas, suaviza seus sentimentos e entrega seus problemas a este Ser. Este homem pode sentir raiva, vontade de se vingar, de maltratar, mas a fé abranda o coração que ferve em ira.
Ninguém sai desta vida sem que pague cada palavra mal colocada, cada gesto que feriu quem não merecia, cada atitude injusta, cada estupidez, cada lágrima que fez um inocente chorar, cada traição, cada mentira, cada engodo. Acredite, você pode pensar que aquela pessoa que lhe maltratou não sofre, mas se não sofre, vai sofrer, e ela não depende de atos errôneos seus para pagar o que lhe fez.
Não é preciso você agir para se vingar, basta confiar no fato de que todos pagam na terra os seus erros, pequenos ou grandes, cometidos contra quem não merecia. Ah, mas e se no futuro aparecer a “oportunidade” de você dar uma pisadinha em quem já lhe atropelou?
Meu lado demasiado humano diz que “boas oportunidades” são dádivas e podem ser moderadamente aproveitadas, meu lado hipócrita diz que não vale a pena se vingar depois de tanto tempo. Mas, embora eu tenha fé, deixo a hipocrisia que tanto desdenho, a parte: se a oportunidade surgiu, porque não aproveitá-la? Ela “apareceu” não foi criada por você, este é o diferencial.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 14 de junho de 2011.

sábado, 11 de junho de 2011

A mentira e a conquista

A mentira e a conquista



A melhor forma de conquistar a confiança das pessoas é dar vazão a suas idéias, apoiá-las. Num mundo de pessoas doentiamente carentes um “concordo”, “você, além de belo, é um gênio” faz com que as pessoas “amem” você.
As pessoas, em sua imensa maioria, não querem a verdade, elas não precisam dela. São hipócritas quando dizem que valorizam a “franqueza”, elas querem palavras dóceis, querem apoio à suas idéias e às versões que contam sobre fatos de sua vida, elas querem ser enaltecidas com sua concordância, de preferência, elogiosa.
Ser sincero não agrada a maioria, ser sincero pode machucar, e as pessoas gostam da ilusão. Metade dos orgasmos que mulheres estão sentindo enquanto escrevo este texto se deve à isso: frases elogiosas, palavras doces, 80% de mentira, ou mais, depende do talento do “galante”. Ah, e não duvide, meu caro pseudo Don Juan, que os “oh, hummm....gostoso” que ouves não sejam falsos.
Você engana e é enganado, é a vida neste século onde uma mísera minoria “se salva”. A carência pede frases doces, os homens que se sentem solitários querem encontrar uma companhia que lhes faça sentir importante, nem que para isso olvidem das segundas e terceiras intenções da mulher e vice-versa.
Hoje é dia dos namorados: o dia mor do “romantismo comercial”. Os casais em crise, aqueles que anteontem discutiram, aqueles que traem, enfim, todos saem para jantar, trocam presentes, vão aos melhores restaurantes, tomam um bom vinho, fazem sexo, como se tudo fosse o que parece aos olhos dos tolos: “perfeito”.
Nada é perfeito e o que é, ou melhor, o que esta em real e justo equilíbrio não precisa ser visto e “avalizado” pela sociedade. Não precisa de exibicionismo, nem de auto-afirmações, que, diga-se, é a máscara dos mal-amados, a maquiagem dos infelizes e frustrados.
Quem ama e é feliz não espalha a “notícia” por ai, o amor é vivido a dois, ademais, pessoas espertas fogem da inveja alheia. Quem “proclama” sentimentos é porque carece deles, mas tem vergonha de calar-se e mostrar que é apenas mais um solitário no mundo. Ser só e tranqüilo não é defeito, triste é ser solitário, sentir auto-piedade, ser, pois um infeliz mentiroso.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 12 de junho de 2011.

Fracassados, ou não?

Fracassados, ou não?



Você só é fracassado ou incompetente quando admite que é. Enquanto você luta, enquanto você batalha e, mesmo caindo, tenta se levantar você é um lutador, uma pessoa de brio e garra.
Alguns adjetivos, negativos ou positivos, só se tornam reais e existem para aqueles que os acatam, que os aceitam e admitem que são o que eles significam, enfim para aqueles que descem ao fundo do poço e não tentam subir, ficando lá "acomodados" porque, ao menos. conseguem “vencer” as aranhas e os ratos.
Derrotados, frustrados, fracassados, infelizes, mal-amados, coitados, azarados, incompetentes, inconseqüentes, ou qualquer adjetivo maléfico que possa ser dirigido à alguém só significam a “verdade” quando o “ofendido” ou “não virtuoso” os aceita.
Logo, se você possui amor próprio, se você conhece sua força, sabe que pode vencer e ultrapassar as dificuldades momentâneas você não é um perdedor, um fracassado. Frustrações, perdas e dificuldades passam, mas só se mantém frustrado e amargo quem deseja.



Cláudia de Marchi



Passo Fundo, 12 de junho de 2011.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A balança da Diké e o amor.

A balança da Diké e o amor.


A balança da justiça segurada pela deusa grega Diké (filha de Zeus e de Thémis) símbolo do Direito deveria “estar” em nossas mentes, em nosso coração, para pesarmos os prós e os contras de nossas decisões em nossa vida amorosa, bem como os sentimentos nossos e de nosso parceiro. Onde a balança pende para um lado é porque algo esta faltando no outro e, então, será que esta falta não pode causar muitos “danos”? O equilíbrio é o ideal em todos os aspectos da vida humana, logo, quando ele inexiste, existem problemas a serem analisados.
Nenhum relacionamento afetivo da certo quando apenas um se doa, se dedica, releva, perdoa, confia, apóia, silencia, age com indulgência e demasiada paciência. Os relacionamentos amorosos requerem doação, confiança e bem querer por parte de ambos os envolvidos na relação.
Amor, ou melhor, dedicação unilateral faz a balança despencar para um lado e, além de denotar injustiça como ocorreria no âmbito jurídico, denota incoerência, carência e insegurança. Ninguém precisa de um pseudo-romance para ser feliz.
Pessoas inteligentes querem uma relação sadia, com afeto, companheirismo, parceria e sexo excelente (eu disse “querem”, não “precisam”, quem “precisa” de romance para ser feliz é um infeliz nato e irremediável). Ademais, não basta apenas um ou outro “detalhe” dos esperados por quem quer ter uma relação amorosa madura, todos eles têm a mesma medida, logo, faltando um, falta equilíbrio e a probabilidade do relacionamento dar certo cai bastante.
Não existe amor incondicional entre casais psicologicamente sadios. O amor é benevolente, indulgente, mas a sua base é o bem querer e o respeito do homem consigo mesmo, e uma pessoa com auto-estima não releva tudo. Logo, inexiste incondicionalidade no amor, pensar que existe é aberrante e esdrúxulo, como acreditar em Papai Noel aos 15 anos de idade.
É preciso que os dois lados da balança estejam em equilíbrio, apenas isso. É por essa, dentre outras razões, que o relacionamento de pessoas dependentes afetiva, psicológica ou financeiramente do parceiro tende a dar errado. Aquele que auxilia, que tenta ajudar de diversas formas e que supre as necessidades emocionais do parceiro, por exemplo, um dia cansa.
O ciúme, a falta de atenção ao parceiro mais “forte”, a necessidade de ser “cuidado” (carência) ou ajudado, faz com que um receba o que “precisa” (o egoísta da relação, é claro) enquanto o outro se dedica e nada recebe em troca, ficando no vácuo entre seus sentimentos e suas necessidades afetivas. O amor não é escambo, não é negócio, mas é exclusivista e requer reciprocidade em tudo, do contrário não prospera.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 10 de junho de 2011.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Julgamentos errôneos.

Julgamentos errôneos.


Quisera eu ser julgada por meus próprios atos, pelas palavras que realmente saíram da minha boca, pelos gestos que fiz, ou melhor, quisera eu ser julgada por um ente superior a mim, por alguém supra-humano, dotado de virtudes homéricas, que soubesse o que se passa na minha mente, na cama em que me deito e no meu coração.
No entanto, sou julgada por atos que não cometi, por palavras que não falei, por idéias que nunca tive, por beijos que não dei, por sexo que não fiz, por qualquer tipo de besteira difamatória que as pessoas maliciosas, invejosas, desocupadas e complexadas inventam.
Eu não me importo que falem sobre o que eu realmente fiz, até porque não faço nada que não seja justificável e voluntário, não dou importância que falem sobre o que eu realmente disse ou escrevi, mas não me agrada a idéia de viver num mundo ignorante e infeliz onde você paga, sendo julgada, pelo que não fez.
Seria hipocrisia afirmar que a falsa idéia que possam fazer a meu respeito não me incomoda ou irrita, sou humana e como tal tenho orgulho e sentimentos. A questão é que o mal estar passa em menos de cinco minutos, porque não rego a erva daninha da maldade alheia com lágrimas geradas por mentiras de pessoas que valem de “nada” a “muito pouco”.
Penso que, se as pessoas que me julgam por inveja ou por acreditar em boatos de mentecaptos mal-amados, pagassem minhas contas, meus impostos, meus vinhos, minhas viagens, minha comida, eu até poderia começar a me preocupar com os tais “pensamentos errôneos” a meu respeito. No entanto não dependo de ninguém há muitos anos, então não existe julgamento idiota e falso que me irrite e abale profundamente.
Não me pergunte porque eu sou assim, a verdade é que, “satisfações”, eu só devo à minha felizarda consciência. O fato é o seguinte: Eu consigo o que quero, só faço o que desejo no momento que me interessa. Para boa parte das pessoas eu uso a tecla "delete" do meu cérebro e só "recupero" da "lixeira" por alguma razão que só a mim interessa. Depois eu a “esvazio” e sigo em paz: a vida é minha.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 10 de junho de 2011.

A inveja

A inveja

Se o diabo existe ele se disfarçou em forma de sentimento para infernizar os mortais. O sentimento se chama inveja, odiosa e fatal desde os primórdios da humanidade, é ela que provoca desgraças, discórdias, inimizades e a solidão dos invejados.
Jesus era invejado pela sabedoria que possuía e por isso foi açoitado, desdenhado, crucificado. O povo “mandou” Pilatos libertar Barrabás, acusado de roubo e homicídio, para matar o profeta. Caim invejava o irmão, Abel. A tragédia de Othello, personagem de Shakespeare, gira em torno de tal sentimento e da traição, filha da inveja, que também é a mãe da falsidade, da ganância exacerbada, da raiva e do ódio.
Algumas pessoas não suportam o talento, a beleza, a desenvoltura, a benevolência, o coração puro e a ingenuidade dos outros. Eles querem para si as virtudes do outro, mas como isso lhes parece impossível, emanam pensamentos negativos, coléricos ou traem sua confiança, inventam boatos, difamando, humilhando pelas costas.
O invejoso não é contente com o que é e com o que possui e, sem ter bondade na alma, não vê nos outros virtudes exemplares, ele simplesmente deseja que o objeto de sua inveja deixe de existir, porque apenas assim terá um breve “lapso” de contentamento. Até encontrar a próxima vitima.
A inveja é afilhada do complexo de inferioridade que possuem aquelas pessoas que não aceitam as diferenças, que não suportam ver no outro virtudes que possam não possuir, olvidando que todos os seres são imperfeitos e que elas podem ter virtudes que o invejado não tem.
Sem duvida a inveja é diabólica e representa tudo o que é ruim neste mundo. Ninguém mata por vaidade, por orgulho, por avareza, mas por inveja sim, por desejar que o outro não tenha o que possui ou não seja como é. A inveja é e sempre será o maior mal da humanidade.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 10 de junho de 2011.

Planos: cuidado!

Planos: cuidado!


Cuidado com seus planos, cuidado com tudo o que você pensa e espera que será tão bom na realidade quanto em seus anseios e sonhos. Não, meu caro, não estou sendo pessimista, mas realista.
Se quiser avaliar como planejar detalhes na vida não funciona sempre tente se recordar do que você esperava fazer aos 30 anos quando tinha 10 anos de idade? Você realizou o que queria naquele tempo, ou, por um motivo ou outro (que você achou conveniente) sua história foi diversa?
A vida não é um programa de computador e não possui controle remoto para pularmos etapas ou estagnarmos numa. Precisamos evoluir, crescer, e, como dizia um ex-professor da minha faculdade: “Só não muda de idéias quem não tem idéias”. Logo, às vezes nosso coração, nossa alma, precisa aceitar que deve abandonar velhas metas para não desperdiçar a felicidade real, embora não “sonhada”.
Não pense que a pessoa fabulosa que hoje bate a sua porta estará lhe esperando, não pense que seus amigos vão parar suas vidas para ajudar você a resolver problemas pessoais, não pense que, enquanto você pensa apenas em aumentar seu saldo bancário, não está afastando de você pessoas que valem mais do que o melhor diamante do mundo.
Se questione, reflita, reveja seus planos e olhe as pessoas ao seu redor, olhe as condutas, a forma de agir e de viver, veja se o que você espera ter no momento “programado” não estará noutra vida, noutra história. Porque o mundo não pára em prol de seus anseios juvenis. A vida é um barco onde os marinheiros não possuem todo o poder de guiá-lo, quando ela quer lhe leva para tempestades, águas perigosas, e quanto mais espontâneo você for mais fácil será ancorar numa linda praia.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 09 de junho de 2011.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ouse

Ouse



Quer um conselho?Ouse. Se desapegue do pensamento “o que eles vão pensar” e do sentimento de culpa por ter atitude e fazer o que bem intente. A fase da repressão termina com a maioridade e mais ainda com o auto-sustento, porém ela nunca termina para os covardes, e, por favor, ou seja corajosa!
Ouse sem ser ridícula! Quer ver determinada pessoa? Quer dar um último ou primeiro beijo nele, dê; mas não passe dos limites, saiba diferenciar atração de amor e sexo de relacionamento. Veja quando não poderá dar certo e usufrua o que achas que deve usufruir, apenas isso.
Ouse na sua profissão, ouse mudar de sonhos e metas, ouse mudar a si mesma, tente ser alguém melhor, procure a sabedoria, ouse orar mesmo quando as pessoas tripudiam de você, ou ser monogâmica num mundo em que a vulgaridade esta imperando e o “normal” não deveria ser chamado de normal.
Ouse mudar de idéias, ouse se entregar, ouse romper a barreira que tranca seu coração (denominada, por mim, de "covardia afetiva"), ouse amar e se encantar pelo conteúdo da alma e não apenas pela forma estética de alguém, ouse apaixonar-se sem medo, ouse errar para aprender e amadurecer.

Ouse ir atrás do que quer, porque, normalmente, quando for “o seu momento” de querer, o tempo já terá passado e o ônibus que você queria pode ter sido perdido, mudado de rota ou o banco que lhe interessava poderá estar ocupado.
Ouse ser você mesmo, ouse sumir, ouse se reencontrar, ouse fazer o que lhe dá prazer e, sobretudo, ouse respeitar os outros como a si mesmo, ouse seguir as idéias de Cristo sem ter vergonha de ser taxado de “piegas”. Ouse viver a vida como você deseja sem nunca se esquecer do seu coração e intuição, são eles que dizem qual é o momento de semear e colher os frutos da amizade, do trabalho e do amor.




Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 07 de junho de 2011.

Fora Amélias!

Fora Amélias!


Em praticamente todos os filmes, adaptações de livros para cinema, novelas, literatura e até músicas dos adoráveis Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Chico Buarque, dentre outros a mulher é o ser “perdão”.
A mulher, outrora, cuidava dos filhos, da casa, do marido e de outras incumbências à ela legada, implícita num machismo crônico: ela deveria aceitar desaforos do companheiro, gritos, reclamações, e responder-lhes com um sorriso ou com um afago dizendo “querido, não fica assim, vai passar, eu te perdôo pelo que me disseste porque sei que estavas alterado, eu amo você”. Elas eram Amélia e não mulher de verdade, com
perdão ao falecido Mário Lago, mas a “mulher de verdade” para quem cantou era servil, dependente e por isso o casamento era mantido, pela dependência financeira, não pelo amor.
Os homens, como trabalhavam fora para sustentar a família, se sentiam no direito de nunca ouvir sua mulher, de nunca perguntar-lhe se ela estava bem ou feliz. Eu estava usando um tempo verbal me referindo ao passado, certo? Pois mudarei para o tempo presente, onde a mulher continua sendo a “rainha-escrava” do lar.
Como não existem “rainhas-escravas” afirmo que o primeiro termo é uma forma de não malbaratar em demasia o orgulho feminino. Todavia, é o instinto maternal das mulheres que lhes prejudica, aquela vontade de cuidar, de zelar. É preciso que existam homens com tais características, estes sim são especiais, pois valorizam quem amam.
Quando os homens terão paciência com elas, sem gritar, sem ofender, sem sair de casa para encher a cara, sem tirar a culpa de seus ombros para jogá-la nos da esposa, seu bode-expiatório? Quando os homens serão seres inteligentes e menos egoístas a ponto de ver que não é nada fácil trabalhar, tentar cuidar da vasa, dos filhos, da estética (sob pena de um par de “chifres”) e depois de tudo estar disposta a fazer um jantar e sexo ao término no dia?
Não é difícil ser mulher, é uma benção, difícil mesmo é enfrentar a sociedade machista, é conviver com homens que acham que suas esposas são obrigadas a gerir ao máximo suas vidas, sem perceber que elas também têm sonhos, metas e que também batalham e precisam de uma dose de atenção (a irmã do respeito). As mulheres de hoje também precisam de um parceiro paciente, respeitoso e carinhoso, como elas são quando seus amados passam por dificuldades: incentivam, dão força, carinho e amor, sem tripudiar ou deixar-lhes sozinhos em casa para sair com as amigas se alcoolizar.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 07 de junho de 2011.

domingo, 5 de junho de 2011

O placebo da massa e a cura de poucos.

O placebo da massa e a cura de poucos.


Eu e o Dr. House acreditamos que as pessoas não mudam, embora eu esteja duvidando desta minha idéia, aliás, ando duvidando de muitas coisas ultimamente, até de minhas próprias crenças (deve ser o resultado de uma dose de maturidade adquirida com a superação de algumas dores e engodos).
O House continua acreditando que as pessoas não mudam, da boca para fora, com certeza. Ele sabe que em algum aspecto, quando querem, as pessoas se aprimoram, talvez o tempo passe e elas voltem a ser as mesmas de outrora, mas um leve “ar” de mudança pode existir.
Eu, ao contrário do meu “amigo” de seriado e temporadas assistidas em DVD, creio que apenas uma coisa pode fazer o homem mudar: a fé. Claro que minha idéia não é nova, todos os profetas, inclusive o maior deles, Jesus, pregava tal crença e acreditava nas pessoas.
Assisti a um filme baseado na história de Angus Buchan, um fazendeiro escocês que se estabeleceu na África do Sul com a esposa grávida e três filhos. Um homem preocupado, irritadiço, bravo e grosseiro que se modificou ao freqüentar uma Igreja poucas vezes, mas se entregou plenamente a fé em Deus e em Jesus. Colocou em Suas mãos sua vida e, praticamente, realizou milagres. O filme se chama “O Fazendeiro e Deus” e vale a pena ser assistido.
Em pleno “El Niño”, sem nenhuma probabilidade de sucesso nas plantações diante da seca, Angus resolveu plantar batatas. Milagrosamente, no momento da colheita retirou da terra batatas enormes, lindas, quando todos imaginavam que nada brotaria em baixo daquele solo seco.
Eu concordo com o House quando ele diz que “a religião não é o ópio da massa, mas é o placebo dela”, mas a fé não é ópio e nem placebo, a fé é a cura. Não para todos, mas para aqueles que conseguem confiar plena e cegamente em Deus e, para tanto, é dispensável cultos, religiões, e etc.
Se o homem tiver fé num grão de areia, eu garanto que ele mudará sua vida. As religiões podem ajudar alguns, como os placebos que diminuem a dor, mas jamais curam a doença. A função analgésica emana da crença de que o placebo é um analgésico. Então, não seria a fé a única “operadora” de milagres no mundo? Eu, francamente, creio que sim.

Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 06 de junho de 2011.

Limite

Limite


Eu acredito nos limites. Limite é a palavra mais justa e adequada para que o ser humano não se perca em sua ganância, vaidade, orgulho, pretensões e ilusões. O limite é e sempre foi o antídoto para todos os vícios, para todas as drogas.
O problema é que poucas pessoas possuem limites nos mais variados aspectos de suas vidas. O cidadão pacato e honesto se apaixona e age como um insano perseguidor, a jovem bonita passa 3 horas na academia e não faz sexo com o namorado, o casal transa maravilhosamente bem e não dialoga, não encara a relação com seriedade.
Enfim, para tudo na vida humana é preciso limite porque ele significa equilíbrio, racionalidade e inteligência. Não é legal ser alcoólatra, mas também não é agradável ser abstêmio implicante, não é legal fumar, mas reclamar do cheiro com amigos é irritante, não é legal trabalhar demais e esquecer-se da família, mas viver para a família e não ter dinheiro para presentear a esposa no aniversário é vagabundagem. Os exemplos são vários, praticamente infinitos.
É preciso sopesar valores, dosar instintos, vontades. A imperfeição faz parte do homem, mas não é por isso que ele precisa estagnar, deixar de querer evoluir. É impossível ter tudo o que se quer ao mesmo tempo, mas é bem mais fácil ser contente quando se encontra um limite para poder fazer o máximo de coisas que se deseja sem ferir a ninguém e nem a si mesmo.


Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 06 de junho de 2011.

sábado, 4 de junho de 2011

O sofrimento e as diferenças.

O sofrimento e as diferenças.


As pessoas não se diferenciam apenas pelo DNA, pela educação, pela cultura, pelo poder aquisitivo, pela bondade da alma, pela essência do espírito, pelo equilíbrio da mente. O sofrimento é um grande fator de diferenciação entre os indivíduos, talvez o maior pelos efeitos que causa das pessoas de mente sã.
Ora, mas porque a dor diferencia, afasta ou une pessoas? Porque as pessoas sensíveis e inteligentes caem, se machucam, mas se levantam mais fortes, mais altivas e, após as feridas serem bem cicatrizadas, elas se tornam mais autoconfiantes.
Talvez não seja a diferença de idade, de cultura, de renda que afaste você dos seus amigos ou pretendentes amorosos as pessoas que aprenderam com as experiências duras e sofridas que tiveram se tornam “diferentes”, se tornam, na maior parte das vezes, mais maduras, e é ai que surge a forte diferença que pode causar o repudio ou a união.
Por tais motivos é que um homem sapiente, ainda que inexperiente e pouco “sofrido” jamais deve menosprezar o que desconhece, o sofrimento alheio, por exemplo. Existem os que sofrem e nunca aprendem, estes são os orgulhosos, os mentalmente desfalcados.
Todavia a maioria, de moral integra e cérebro em “ordem”, cresce e amadurece com o sofrimento. Alguns se tornam temerosos, outros demasiado covardes, outros não perdem a coragem, mas todos aprendem, com exceção a exceção dos já referidos insensíveis.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 04 de junho de 2011.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Aceitação

Aceitação


A gente leva tempo lutando contra nós mesmos, exigindo de nossa alma respostas que ela não consegue nos dar, a gente, pois, perde muito tempo se revoltando com nossas más escolhas ou com o que, mesmo que não quiséssemos, acontece ou já aconteceu conosco.
Desde o ateu até o mais crente dos cristãos nenhum ser humano têm facilidade para aceitar a derrota, a frustração e os erros, inclusive os que ele mesmo comete sem a intenção de fazê-lo.
O remédio para toda revolta, a solução para as respostas irrespondíveis é apenas uma: aceitação. Jesus, um ser humano sábio e iluminado, aceitou o fardo que lhe coube sem revolta, ele via em si a força divina que lhe fortalecia. Carregou sua cruz, nela foi pregado, mas nunca blasfemou. Era um homem sábio, um homem forte e corajoso.
Não estou aqui a falar de atitudes supra-humanas. Jesus era especial, mas não era Deus, ele era sábio, era um profeta. O destino dos homens sapientes nada mais requer se não o aprendizado, a evolução, então, porque não aprender a aceitar ao invés de se revoltar?
A revolta não traz resposta, traz desilusão, tristeza, depressão. Alguns fatos em nossa vida nós conseguimos compreender, outros não, somos humanos. E seremos um pouco mais sábios quando compreendermos que, aquilo que não entendemos, deve ser aceito e respeitado, porque se existe alguém que manda no universo, lamento informar, mas não é você, nem eu, nem nossa vontade, mas, por outro lado, este Alguém nunca erra.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 02 de junho de 2011.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Dr. House e o "quase".

Dr. House e o “quase”.


O personagem grandioso e polêmico que dá nome ao seriado do canal de TV a cabo Universal, Dr. Gregory House afirma que “quase morrer não muda nada, morrer muda tudo”, concordo, afinal os “quases” não implicam em modificação alguma em nossas vidas, eles se tornam apenas lições a serem aprendidas. Por quem quer, é claro.
Na vida afetiva da gente existem afirmativas pertinentes como: “quase amar não muda nada, amar muda tudo”. Ninguém se torna a mesma pessoa após ter amado e se entregado verdadeiramente a alguém e quem “quase” amou, não amou, quem “quase” se entregou, não se entregou.
Outra afirmativa que, apenas quem passou pela experiência, pode dizer é a seguinte: “casar não muda tudo, mas a separação muda” e não apenas o estado civil: a separação de um casal é a admissão publica e pessoal do fracasso de uma tentativa. E fracassar dói, a frustração machuca e arde até nos corações mais duros.
Você faz tudo para dar certo, doa seu tempo, sua dedicação, seu afeto, seus sonhos mais puros, sua carência – legado de sua frustração familiar, por exemplo-, sua paciência, sua alma e, de repente, por um motivo ou outro, mas nunca por uma razão vã, você se obriga a desistir.
Então recolhe seus planos frustrados, sua mágoa, suas lembranças boas e más, passa dias inertes onde uma força imensa lhe puxa para a cama e para uma crise de solidão, se afoga em toda espécie de drogas licitas, comete erros dos quais não pode se dar ao luxo de se arrepender para não ter que aumentar a dose dos remédios que lhe fazem dormir.
A graça de tudo é que você não “quase” amou, você amou e deu sua palavra, compartilhou sua vida e coração. Você sofre e “quase” morre de dor, mas não morre e o fato é que apenas “morrer muda tudo”, conforme a sabedoria impiedosa do House, logo, existindo vida, ainda há esperança e um coração que, um dia, vai se abrir para um novo amor, porque mesmo partido, ele não parou de bater. Quase parou, mas o “quase”, no final, não faz nenhuma diferença, será apenas mais uma experiência vivida.


Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 1º de junho de 2011.

Famílias, mentiras e hipocrisia.

Famílias, mentiras e hipocrisia.


Assim como não existem pessoas perfeitas, não existem famílias perfeitas, existem aquelas com maior tendência a hipocrisia e falsidade que tentam, por maior tempo e com maior qualidade, manter as “aparências” de “exemplares”. Apenas isso.
Não existe DNA isento de probabilidade de enfermidades, assim como não existem famílias sem histórico de problemas, uns mais graves que outros: traição, violência verbal, agressão física e psíquica, abandono, negligência, desrespeito as diferenças de idéias e opiniões, este último sendo o principal fator de distanciamento entre pais e filhos, por exemplo. Um não se adéqua ao ideal do outro. O problema, pois não é a pessoa em si, mas o “ideal” do pai ou do filho sonhador.
Por mais que amemos ou por mais que nossa tendência biológica nos de o instinto de amar quem nos deu a vida ou a quem damos a vida é a falta de aceitação de diferenças inerentes, de concepções de mundo, de respeito a sonhos e gênios que geram a discórdia e a frustração da maioria das pessoas com seus familiares próximos.
Não existem dicas, nem livros que instruam, nem manual sobre a “realização e mantença da união e alegria familiar”, até porque desde os tempos de Caim e Abel isso é algo surreal e inatingível. É a mentira destinada a “não magoar”, ou seja, a hipocrisia que sustentam boa parte das famílias (ou seriam todas?), e isso não é de todo ruim, às vezes é preciso mentir, calar e silenciar porque o resultado da palavra e da verdade pode ser letal aos sentimentos alheios.
É preciso respeitar, aceitar, se distanciar, ignorar, fazer de conta que não há distancia quando existe um abismo imenso entre idéias e concepções de vida. As pessoas aprendem a ser hipócritas dentro de casa, quando a tia- avó fofoqueira leva aquela ambrosia doce e odiosa e a mamãe faz o filhinho dizer que “a sobremesa é deliciosa e que fica grato com a visita” (quando ele quer tomar sorvete e jogar bola). É a vida. É assim que as famílias se mantêm: com pequenas, grandes, mas sempre respeitáveis mentiras que erigem a hipocrisia à categoria de “salvadora” das pobres e ricas famílias deste mundo.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 1º de junho de 2011.

Os descontrolados

Os descontrolados.


Eu não suporto gritos. Não suporto pessoas descontroladas, iradas, instáveis e, obviamente, desequilibradas. Uma pessoa normal e psiquicamente saudável não desconta sua fúria gritando com os outros ou agindo com extrema impaciência: uma pessoa equilibrada pensa antes de falar e agir, logo, não grita, apenas age.
Tenho quase certeza que pessoas que gostam de gritar e não se importam com seu desequilíbrio interior deveriam trabalhar como boiadeiros ou algo do tipo já que não assumem sua personalidade e não se internam num hospital psiquiátrico. Claro que os animais não merecem os gritos que ouvem, mas eles precisam para “andarem” juntos, ademais eles não pensam.
Gente, ser humano, seja filho, marido, esposa, empregado, colega, amigo, ninguém merece aturar o seu desequilíbrio, por isso existem psiquiatras e psicólogos. Se você não agüenta algo, se esta infeliz e descontente, os outros não têm culpa e você vai afastar todas as pessoas sãs da sua vida, inclusive as que lhe amam e, com tantos motivos e gritos ouvidos, não vai ser difícil para elas lhe esquecer, certo?
As pessoas equilibradas agüentam os gritos dos raivosos assim como os enfermeiros, familiares e médicos suportam os delírios dos psicóticos e esquizofrênicos. Eles são vistos como insanos, e nenhuma pessoa racional quer discutir com um louco: eles se poupam porque louco é louco! O melhor é ficar quieto e ignorar já que ninguém sai com uma seringa de Haldol na bolsa.
Todavia, o perigo de conviver com uma pessoa sem controle sobre sua agressividade, raiva, e demais emoções é que essas pessoas além de magoar podem lhe enlouquecer ou transformar você num ser humano igualmente desequilibrado.
Os mais “mansos” se deprimem os mais agitados perdem o equilíbrio, mas ambos acabam por deixar sua normalidade psíquica soterrada, enquanto o doente nunca irá admitir que é mentalmente frágil e descontrolado, não por menos é preferível um desequilibrado e demente diagnosticado do que aquele que se faz de “normal” e, cedo ou tarde, mostra sua insanidade tentando achar motivos racionais para seus atos impensados.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 31 de maio 2011.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O homem e a esperança.

O homem e a esperança


O homem é racional embora às vezes aja como se não fosse. A esperança é a tábua de salvação de todos os indivíduos, é ela que faz com que as pessoas fujam ou se mantenham inertes: cada um tem uma forma de pensar, uns são ativos, outros passivos, mas todos esperam obter êxito na ação ou na inércia.
É por ter esperança que as pessoas se relacionam com quem não devem, é por ter esperança que as pessoas mais carentes se iludem, elas desejam “a pessoa certa”, o trabalho “realizador”, e, assim, entre o descontentamento com o presente e a incerteza do amanha vive, no coração humano, a bem aventurada “esperança”.
O sujeito descontente no casamento nele se mantém porque espera que, um dia, a paixão volte, que “algo” mude, ainda que nada faça para tanto. O rapaz que vive entre uma relação e outra também espera que, um dia ele dê “certo” no amor. A diferença é que um fica estagnado, outro age, mas ambos desejam ser felizes.
Os seres humanos podem viver muito bem sozinhos, podem ter paz e tranqüilidade, mas, de uma forma ou outra, todos desejam “dar certo” com alguém, construir uma relação sadia e prazerosa, assim como todos desejam trabalhar no que gostam e obter resultados, lucros, É a esperança que faz o homem despertar toda manha para sua vida, para sua realidade.


Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 27 de maio 2011.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Não II.

Não II.



Às vezes você esta passando por um período de carência, de mudança, onde sua auto estima declina e você deseja se elevar buscando diversão ou toda forma de distração para não ter que se auto-analisar, esta é uma das fases em que o “sim” impera na sua boca.
Você conhece uma pessoa diferente, que aparentemente não combina com você e diz “sim” para seus sentimentos mal nutridos em relação a ela, ou então você conhece uma pessoa super legal, mas que não deseja o que você deseja em tal momento- ela quer liberdade quando você quer compromisso, ou vice versa,- mas, apesar disso, você diz “sim” para seus desejos. Em ambos os casos você se machuca.
A tarefa mais difícil de todas é aprender a dizer não à nossas ilusões, e dizer sim a racionalidade e a nossa intuição, aceitar aquele “algo” dentro de nós que diz que esta ou aquela estrada não nos levará a lugar algum, ou, apenas, não ao lugar que desejamos ir (quando sabemos que lugar é esse).
Dizer não para si mesmo é difícil e é uma tarefa que apenas as pessoas maduras conseguem cumprir, ainda que a maturidade tenha sido alcançada à custa de muitos “sim” que não deveriam ser ditos. Fato é que, quem diz sim para tudo, acaba dizendo não para a própria paz de espírito.
É preciso dizer não a muitos desejos, a muitas vontades, quando, de uma forma ou outra, se sabe que, no final, elas não vão compensar e que o prazer imediato é menor que a dor que virá em longo prazo. Esta realmente é uma tarefa para gente grande. Grande e grandiosa.



Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 26 de maio 2011.

Não.

Não.


Chega um dia na vida de todo ser humano cordial, imerso em compaixão e muito bem educado que ele tem que aprender a dizer uma palavrinha básica e de muito efeito: não.
Dizer sim para tudo há muito tempo deixou de ser sinal de cordialidade, posso afirmar que tal atitude denota carência, pouca auto-estima, insegurança e, em alguns casos, orgulho: a pessoa quer se mostrar virtuosa, poderosa, teme e tem vergonha de dizer não, mesmo quando o “sim” lhe prejudica (a hipocrisia, então esta “solta no ar”).
É preciso dizer não aos pedidos dos filhos mesmo que eles chorem e se descabelem. O ser humano nasce com certo egoísmo, eles desejam ser satisfeitos a qualquer custo, ou apelam para a chantagem emocional, e ninguém duvida que o choro estridente é uma forma de manipulação inconsciente, certo?
Pais que dizem sim a todos os desejos dos filhos criam os psicopatas do futuro, dão vazão e força ao egoísmo inerente ao ser humano, tornando ele um adulto sem educação e realmente egoísta, do tipo que só se satisfaz quando tudo converge para a consecução de seus interesses.
É preciso dizer não ao pretendente quando ele insiste em algo que você não quer, é preciso dizer não ao namorado, a amiga, ao marido, sempre que o “sim” venha aviltar sua personalidade, seus sentimentos e forma de pensar.
É preciso dizer não até para si mesmo quando a razão aponta o resultado infeliz de algum sentimento ou atitude, mas a emoção teima em nos empurrar para algo pouco valioso que pode nos ferir. Dizer sim para tudo é a principal forma de falsidade, fraqueza de personalidade e hipocrisia. O “não” pode não ser agradável a quem ouve, mas, de regra, é sincero.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 26 de maio 2011.

domingo, 22 de maio de 2011

Relações problemáticas

Relações problemáticas


Alguns relacionamentos marcam para sempre apesar da pouca duração. De repente você conhece alguém, passa um mês ou uma semana ao seu lado, e não esquece nunca mais. Nem deve esquecer, assim como tais relações não deviam durar mais do que duraram, basta se conformar.
Tal realidade é base para quase todo filme ou livro de romance que nos fazem chorar, dois de meus preferidos são “As pontes de Madison” e “Noites de Tormenta”, aquele bastante antigo, mas marcante, inesquecível. É possível amar pessoas de forma diferente, eis a polêmica da vida adulta: O amor é divisível. Ninguém deseja tal fato, nem quem ama, nem quem é amado, mas, alguém disse que a realidade da vida é “tranqüila e agradável”?
Toda relação é complexa porque une duas pessoas e, conseqüentemente, duas histórias diversas que, em alguns casos, não podem convergir, não podem durar mais do que poucos momentos, como um sonho que temos enquanto dormimos: O sono eterno é a morte, logo os sonhos precisam ter um fim. Precisamos acordar e seguir nossas vidas.
O mesmo ocorre naquele tipo de relação “bandida”, quando o casal termina e volta, volta e termina: Vício, paixão, pode parecer romântico em romances, mas é doença, um precisa do corpo, do cheiro e da presença do outro de forma que, distantes, enfraquecem, murcham. Todavia, o fato é que não é saudável, não é maduro e não deve ter continuidade, um dos dois deve colocar um ponto final na história para que ambos cresçam, apesar da dor.
Fora este tipo de relacionamento, o curto e marcante e o longo “viciante” os outros relacionamentos, os saudáveis e normais não dão “ibope”, não se tornam tema de filmes, são comuns e talvez insossos, todavia são estes os que duram e são almejados pelas pessoas normais e mentalmente sãs. Infelizmente os relacionamentos problemáticos são os que, de regra, nunca são esquecidos.


Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 22 de maio 2011.

sábado, 21 de maio de 2011

Sonhos e sucesso.

Sonhos e sucesso.

Tem gente que sonha com salário alto e dinheiro, eu sonho com realizações honestas. Tem gente que se realiza com uma conta bancária recheada, eu almejo a mente e o coração cheios: prefiro a consideração das pessoas por algo que eu diga, faça ou escreva, prefiro a fama ao dinheiro, pois.
Cada um tem a sua visão do que seja sucesso, e todos, de uma forma ou outra, silenciosos ou não, buscam sua concretude. É por isso que não devemos, em hipótese alguma, criticar os sonhos e os desejos alheios.
Os homens são diferentes entre si: enquanto um busca a estabilidade e a tranqüilidade, outros buscam a arte, a renovação, a criação. Cada pessoa tem como “grandioso” o que lhe apraz e nem todos buscam uma renda imensa para ter em mente que obteve “sucesso” na vida.
Irritam-me os homens que fazem pouco dos sonhos alheios, me anojam aqueles que crêem que seus sonhos valem mais ou são mais altos e melhores que os alheios. Cada pessoa tem como valoroso o que lhe apraz, os sonhos pertencem à alma, e não à toa, cada um tem a sua, que, diga-se, é única e imortal.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 21 de maio 2011.

As paredes

As paredes


As paredes me protegem, embora eu não tenha medo de sua ausência. O que me enjoou e causou-me desprezo foi o ser humano e suas mentiras, o homem e suas máscaras, o homem e sua falta de auto-respeito e consideração por si mesmo. A hipocrisia? Quanto asco me causa!
Enjoei em pouco tempo de ver gente reunida. Cansei da hipocrisia que reina no mundo, cansei do convívio em grupo onde cada um tenta ser superior ao outro e a consideração e o respeito são palavras idealizadas e não praticadas.
Tem gente que não cansa do mundo e das pessoas, eu cansei. Ficar em casa é mais seguro para meu cérebro, sempre foi. Outrora “sair e ver gente” me aprazia, até chegar o dia em que eu vi quão traiçoeira essa “gente” pode ser. É preferível confiar nos meus gatos.
Tenho alergia de hipocrisia, nojo de falsidade e ojeriza de ignorância e estupidez mascaradas por sorrisos insossos. Eu não tenho medo das pessoas, mas prefiro que as paredes me protejam de seus pensamentos e atos errôneos e equivocados.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 21 de maio 2011.

Novo tempo

Novo tempo


Sinto que o mundo esta carente de “coisas inéditas”. Chegamos ao ponto em que criar esta sendo praticamente impossível, chegamos ao ponto em que olhamos para trás e verificamos que não nos resta muito a fazer, embora se deseje a cura para algumas doenças, é claro. O “inédito” deixou de existir.
Talvez isso seja o que muitos tinham como o “final do mundo”: por mais geniais que sejam os profissionais, por exemplo, eles não têm hoje a consideração social e o lucro que os de outrora conseguiam. Existem muitos concorrentes, muitos profissionais geniais no mercado desejando a mesma coisa.
Antigamente poucos podiam estudar e a ignorância imperava, bastava, pois, formar-se em ensino superior para o sujeito começar a ganhar dinheiro, hoje tudo mudou e em todos os aspectos do conhecimento.
Na literatura o mesmo ocorre. Dizem os especialistas que é preciso produzir algo diferenciado para se “destacar” e publicar um livro, por exemplo. Mas, como fazê-lo se estamos na era da comunicação, da interação virtual, onde já foi escrito sobre praticamente tudo?
Creio que a solução seja avaliar a qualidade do que se faz ou produz e não ter o “inédito” como crédito. A era do conhecimento requer que as decisões sejam detalhistas e verifiquem o bom profissional pela sua dedicação, vocação e qualidade de serviço. O tempo onde o “inédito” era critério passou.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 21 de maio 2011.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A introspecção e a maturidade

A introspecção e a maturidade



A introspecção se torna habitual para o homem, vez que, na medida em que amadurece, é natural que passe a confiar num menor número de indivíduos, de forma a expor menos seu interior aos outros. Frise-se que não falei “confiar menos” nas pessoas, mas em menos pessoas.
A cada experiência que temos, seja no circulo de colegas de turma, de trabalho, de profissão, seja nos grupos de festa, ou naquele tradicional grupinho de “amigos com aspas” que possuímos, percebemos que são raros os que merecem nossa plena confiança.
Ao constatar isso passamos por uma pequena crise: a do afastamento. Refletindo, ficando a sós conosco e curtindo melhor a nossa própria companhia e pensamentos, verificamos quem merece e quem não merece nossa atenção, Lamentavelmente, averiguamos que muitas pessoas que merecem nosso apreço, por algum motivo, não podem estar ao nosso lado com a freqüência que desejamos.
É, são os males da “vida adulta”, tão almejada quando não possuíamos independência alguma, e tão “estranha” quando percebemos que, mesmo podendo ir para onde desejamos e fazer o que queremos, nem sempre teremos alguém realmente legal e confiável para nos fazer companhia.
A maturidade grita aos homens: “aprendam a serem contentes sozinhos, encontrem a paz e não a melancolia nos momentos de solidão, aceitem-se e selecionem bem quem vai entrar em seus corações!”. Não são todos que ouvem, uns precisam sofrer mais decepções que outros para compreender tal realidade, mas o fato é que ninguém sai desta vida sem aprender a referida (gritante) lição.

Cláudia de Marchi



Passo Fundo, 19 de maio 2011.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Solidão do bem.

Solidão do bem.


Depois de algum tempo afastada da maioria das pessoas que conheço, e dos locais que, outrora eu “simpatizava”, para uma interessante hospedagem no meu lar, tendo apenas minha mãe como companhia, para pensar a respeito da minha vida e atitudes, concluo que a solidão pode ser excelente.
É melhor ficar só do que ter que ouvir histórias que não gostamos e ter que ser “cordial” com o interlocutor psicótico, do que ouvir mentiras de gente que tenta se fazer de “santa” ou reflexões hipócritas de gente mal resolvida. É preferível ficar só a ter a companhia de gente que é o avesso do que somos, mas que supre nosso medo da solidão. Medo que não tenho mais, afinal a melhor companhia para uma pessoa madura é ela mesma.
Descobri que eu, uns DVDs e um bom vinho, formamos um trio forte e sapiente, mais ainda quando dois lindos gatos persas nos fazem companhia. Voltei a descobrir que tenho na minha mãe minha melhor amiga, com quem posso contar, nas madrugadas de insônia ou em qualquer momento, para boas conversas com ou sem um chimarrão a nos acompanhar.
Eu que tinha certeza que nasci para conviver, em especial para ter uma vida de “casada”, sei, agora, que me dou muito, mas muito bem sozinha, sem precisar de junção de gente que nem sempre me estima, de pessoas que me enganam ou mentem, de barulho, jantares ou amizades fajutas.
Não é por isso que deixo de crer que eu e um amor verdadeiro faríamos um belo par, mas hoje eu sei quão bom é estar longe da falsidade e perto de quem realmente me valoriza, de quem posso confiar por ser leal e sincero: eu, minha mãe, e poucos e bons seres humanos que me visitam quando desejam, afinal, para estes. a minha porta sempre está aberta.
Tomo a liberdade, pois de adaptar o verso de nosso poetinha, dizendo: fundamental é mesmo o amor, mas é possível ser feliz sozinho, porque em paz, tranqüilo, em equilíbrio interior, mas, sempre com a doce esperança de reencontrar um novo, intenso e profundo amor.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 16 de maio 2011.

sábado, 14 de maio de 2011

Os motes dos solitários

Os motes dos solitários


Ninguém se acostuma plenamente com a solidão sem criar alguns “fantasmas”, sem, de vez em quando, ser um pouco borderlaine: é preciso ser criativo e ter amor próprio para conseguir viver bem e sozinho sem sair mundo a fora fazendo besteiras. Mas eu não falei em perfeição, falei?
Todo solitário é humano, e, obviamente, imperfeito. Logo, é na ilusão que ele foge, que ele se distrai, que ele “passa” algum tempo. Cria uma meta, impinge todas suas forças psíquicas nela, e distrai-se, passam as horas, os dias, os meses, e ele não sente a dor que poderia sentir não fosse a distração que criou.
Como um esquizofrênico, o solitário esperto inventa personagens, inventa desejos, e vai atrás deles, todavia, como não é demente de fato, o faz silenciosamente, para salvar a sua alma da melancolia, não para atordoar ninguém. Ele sabe quando a sua ilusão inicia, ou seja, o que ela tem de real, e quando ela termina: ele a inventa, apenas, para dar um alento ao seu tédio.
E, assim, as pessoas terminam se “acostumando” com a solidão, entre uma “super dedicação” ao trabalho, entre uma paixão inventada, entre metas a serem cumpridas e entre tarefas pessoais a serem efetivadas, o solitário consegue viver sem afogar-se em amargura. É um mote, mas lhe vale a alegria real, ainda que solitária.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 15 de maio 2011.

Natureza

Natureza


A vida nunca se comprometeu a ser perfeita com você, ela nunca assumiu a obrigação de lhe dar prazer em todas as circunstâncias e de lhe fazer vencedor em todas as batalhas que pelo seu livre arbítrio você resolveu assumir.
A vida é silente, descompromissada e democrática, ela não assume nada com ninguém, quem se compromete com ela, ou com metas que quase a superam, são os homens, estas mesmas bestas, que cobram dela suas realizações.
A vida basta existir, ao dia basta raiar, as noites escurecer, as madrugadas despontar, ao sol basta aquecer, a chuva basta molhar, tudo o mais que se deseja, cabe ao homem procurar, buscar, sem, contudo, desrespeitar a vida e seu codinome: natureza.
Desrespeitando-a é que, pouco ao pouco, na medida em que seus cofres se avolumam, a humanidade vai padecendo de males desnecessários e fatais. A vida não tem culpa de nada, Deus também não. Quem vive e tem como dádiva a liberdade e o livre arbítrio é quem tem a responsabilidade pelo que faz e pelo que tenta dizer e provar que não faz.


Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 14 de maio 2011.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A verdadeira riqueza

A verdadeira riqueza


O homem não tem sabedoria o bastante para crer que as maiores riquezas são aquelas que ele não enxerga, não conta e, muitas vezes, nem percebe ou valoriza.
Mal sabem as pessoas que o poder esta dentro delas ao lado da riqueza, suas grandes ambições terrenas. Desejando tudo o que o dinheiro pode comprar, a beleza cativar, e aos outros ostentar, mostram-se pobres e vis, cegos para o que realmente possui valor.
Não estou dizendo que dinheiro não é bom, não sou hipócrita. Dinheiro honesto, trabalhado e valorizado é bom desde que o homem tenha maturidade para tê-lo e desde que a ele, e ao que ele propicia comprar, não se escravize. Numa sociedade materialista o homem abastado “conquista” tudo, e termina acreditando que é ele quem o faz, quando, na verdade, é o seu mestre: o dinheiro. Belas (?) mulheres, amizades, festas, convites, amores falsos, tudo captado pelo dinheiro, portanto sem valor, sem sabor, sem sentido.
São raras, mas ainda existem pessoas que procuram, além do encanto da beleza, o real e verdadeiro encantamento gerado pelas virtudes, pelo bom caráter, pela moral límpida e pela consciência tranqüila que resplandece no olhar e na energia que emana um homem de bem, aquele cujo coração é rico e a alma, belíssima.
De todas as riquezas, pois, que pode ter um homem, é na sua alma e no seu coração que se encontram as genuínas, as que realmente possuem valor, as que realmente lhe dão felicidade, serenidade e paz. Rico será o mundo quando disso se aperceber. Por enquanto, pois convivemos com ricos miseráveis e pobres ricos: abençoados sejam os que sabem distingui-los.


Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 09 de maio 2011.

sábado, 7 de maio de 2011

Inexplicáveis

Inexplicáveis


A semelhança entre os piores e os melhores fatos de nossa vida é uma só: a ausência de explicação lógica para ambos. Por mais que tentemos, por mais que utilizemos conhecimentos de Cristo ou de Freud, não adianta, tais acontecimentos não se explicam através de nosso olhar racional.
Tal é o motivo pelo qual a maioria das pessoas crê que “nada acontece por acaso”, e é verdade, afinal, ninguém sabe explicar o que seria o “acaso”. Os fatos surgem de forma inusitada, nosso coração reage de forma mais inusitada ainda e nossa mente tenta, mas não traduz em palavras os sentimentos agradáveis, ou não.
Porque você conheceu determinada pessoa e se encantou tanto por ela se mal a conhece? Porque dentre tantas opções você escolheu aquela que lhe feriu? Porque você estava naquele local, naquele dia, naquele momento e aconteceu o melhor encontro de sua vida? Não há explicação.
Para certos fatos, pois, nada nos resta a não ser aceitar, sejam eles bons ou ruins claro que, quando eles são agradáveis, são assimilados com sorriso em nossos lábios, quando não, é a tristeza que aparece pintada em nossa face. Sempre, porém, são as boas lembranças que devemos cultivar, porque quem alimenta a dor, digere uma tristeza infindável.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 07 de maio 2011.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Caindo na real"

Caindo na real.


Sabem aqueles dias, aquelas madrugadas insones que, no ócio, você se coloca a refletir? Pois bem, tenho tido muitas noites e madrugadas destas, em que eu olho para um quadro enorme com uma foto minha que há no meu quarto e me pergunto: quem era ela? Quem, pois, sou eu?
O que une o meu “eu” de hoje com o de alguns anos atrás? O que me separa dele? As decisões, as escolhas, as renúncias, obviamente. Todavia eu sou aquela que continua dormindo com ursinho de pelúcia, até quando era casada.
Opa! Uma decisão rara a favor de um cliente meu, após um recurso, no Judiciário! Que alegria! Mas, afinal, eu sou aquela que esta descontente com a advocacia ou aquela que, no fundo, tem medo de se frustrar novamente em seu ofício de batalhas com os colegas desonestos?
Eu sou a desiludida afetivamente, que de tanto sofrer aprendeu a ser fã de música sertaneja, ou eu sou a adolescente que fazia das músicas da Legião hinos a serem ecoados na escola? Eu sou aquela que fez de tudo por amor, ou a covarde que voltava para os mesmos braços por carência e solidão? Eu sou a moça que repetia atos (Freud explica, meu bem) ou a mulher que se amarra em casa para não repetir o que não lhe fez bem em qualquer aspecto?
Eu sou aquela que foi muito amada ou causou insegurança aos respectivos amores? Eu sou a mulher consciente e dona de si, eu sou a mulher decidida que não se arrepende do que faz e sempre tem um sorriso para dar? Ou sou a antipática, ou aquela que “sorri” demais e é criticada? Eu sou inteligente, esperta ou inocente? Definitivamente: Primeira e terceira opções estão corretas, sou e sempre serei uma tola que crê no amor e na lealdade das pessoas.
Eu sou todas estas e muito mais, enfim. Continuo sendo um poço de antinomias numa pessoa só, sem ser complicada, nem perfeita, eu sou humana e simples. Todavia, o fato é que, ao mundo, não importa quem eu sou realmente, mas o que as pessoas (que de “nada” a “coisa nenhuma” sabem de mim) dizem, pensam ou inventam sobre mim. Finalmente, esta sou eu: “caindo na real”.


Cláudia de Marchi


Passo Fundo, 05 de maio 2011.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Plantando, semeando e colhendo.

Plantando, semeando e colhendo.




Nada de bom pode nascer em solo mal cuidado e cheio de inços, é preciso limpar, preparar a terra, para, então, plantar bons frutos, semeá-los, para que apenas no tempo certo eles mostrem quão belos são. É preciso calma para plantar, paciência para colher, e entusiasmo para festejar a boa colheita.
Na vida, assim como na agricultura, também é assim, obviamente, nada é calculado, previsível, aliás, é esta a emoção maior: de nada sabemos, mas precisamos zelar pelo nosso coração, precisamos ouvir nossa intuição- a voz da alma que nos impulsiona,- e, então, deixar a sementinha do bem-querer cair, para, os frutos nascerem, de preferência no solo regado e cuidado com zelo e afeto.
Não é possível plantar discórdia, vinganças, desaforos, egoísmo, ofensas, humilhações, e querer colher bem- querer, confiança, afeto. Não é possível plantar desdém, desprezo, desapreço e colher atenção e carinho.
A vida é dos emocionalmente inteligentes, mas é dominada pelos emocionalmente ignorantes, por seres que não estão nem ligando para os corações alheios e para os seus próprios, por pessoas materialistas e vãs.
Mas eu sei que neste mundo “estranho, com gente esquisita” existem pessoas como eu e como você, que apesar de tudo, ainda acreditam no amor, no bom plantio, na boa semeadura e na próspera colheita. Sem nenhuma dependência do acaso, porque nada ocorre por conta dele nesta vida.




Cláudia de Marchi




Passo Fundo, 03 de maio 2011.

Perdendo e ganhando

Perdendo e ganhando

A gente não perde pessoas apenas para a morte, a gente perde pessoas com o passar do tempo, a gente se afasta de alguns, se aproxima de outros, a gente muda de cidade, a gente viaja e, a gente se despede de quem amou, e perde, também um turbilhão de idéias e ideais, um mundo de sonhos, de sentimentos e paixão.
Quanto maior a dificuldade humana para lidar com a perda, tão maior será sua dificuldade para viver, onde uns vão aferir sabedoria com mais facilidade, outros vão adquirir frustração, dor e lágrimas, mas, olhe, veja só! Qual o homem que você conhece e acata bem suas frustrações? Das mínimas às grandes?
Quem quer constituir uma empresa e falir? Quem quer abrir um escritório e não conseguir mantê-lo? Quem quer ter filho com problema de saúde? Quem quer que a filha linda se vicie em drogas? Quem quer que o amor sucumba aos erros e as dores? Quem quer namorar, confiar, ou até mesmo casar, e ser traído? Ninguém, eu acho.
A gente nasce sabendo um pouco das manhas da vida: chora, ganha comida, faz necessidades, resmunga, geme de alegre, de dor, e assim vai. Acerca das frustrações, acerca das perdas e de tudo que temos que abdicar na vida para nos tornarmos realmente maduros, porém, podemos viver mais de cem anos e nunca teremos aprendido tudo. Sempre há o dia em que as lágrimas vão cair, em que, a sós, ou em meio a multidão, a gente se sentirá sozinho, com nossos sonhos frustrados. E isso dói, mas, como tudo na vida, passa.


Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 02 de maio 2011

domingo, 1 de maio de 2011

Escolhas

Escolhas



Jamais faça de suas experiências afetivas frustradas e passadas paradigmas para o seu futuro, para as novas experiências que terá. Isso inclui os problemas infantis que conservamos em nossas mentes.
Ficou com um amigo e acabou perdendo os dois, o romance e o amigo? Acontece, é um risco, mas não significa que sempre tal ato vai ter o mesmo resultado. Casou e se decepcionou, se sentiu usado, frustrado, traído, mal amado? O problema jamais é o casamento, meu caro, é a pessoa que você escolheu para casar.
O amor em todas as suas formas sejam amizades, parentesco e romântico, entre um casal, merece e sempre vai merecer brindes, odes. O problema não foi o seu relacionamento que terminou, o problema foi a ausência de amor ou, se houve frustração, foi pela pessoa escolhida. Por você, frise-se bem.
O demérito de relacionamentos depende das pessoas que se relacionam. Amar é bom, namorar é ótimo, casar também, conviver igualmente, a questão é e sempre vai ser: Quem você escolheu para estar ao seu lado? E, por fim, a escolha foi de quem, mesmo?
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 1 de maio 2011.