Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Ilimitada.


Ilimitada.

Eu não gosto de pessoas limitadas. Intelectualmente limitadas, afetivamente limitadas. As primeiras, no entanto eu deixo minha piedade, dó e compaixão. Já, as segundas, eu deixo meu mais sincero "foda-se".
Ser intelectualmente limitado não é questão de escolha, mas algo neurológico e até mesmo psiquiátrico. Ser emocionalmente limitado é questão de opção, de decisão, de ideais. Eu gosto muito do destemor, do destemido, de quem se interessa por mim e em mim se joga.
Mas, não falo deste se jogar na beleza, no corpo, na aparência! Se eu fosse prostituta eu teria clientes fazendo isso. Ou seja, corpo é pouco, assim como comida é pouco. É o sabor que define o que você come, não a aparência do "prato" pedido.
Mergulhar em alguém é se interessar, saber mais do que todos sabem ou desejam, é tocar a alma e não ao corpo, é dar-se de si para atingir o algo mais no outro. É ser intenso, é ser profundo e ir a fundo. É saber ser mar e não poça, balde cheio, chuveiro.
Em tempos de pessoas rasas, ser mar e amar é raro! “Para que molhar-me todo se eu posso umedecer a superfície?”. E de "mal molhado" a "mal molhado" segue a humanidade mal amando, mal vivendo, mal se entregando e morrendo afogada no raso de uma poça de água. Céus! Que triste fim.
Eu sou mais vida, mais desejo de vida, mais inteirice, mais profundidade, mais ilimitada. Não sei fazer nada por fazer, ser por ser, vivenciar por vivenciar, sobretudo no afeto, no carinho, no amor, enfim.
Tem quem joga no amor, tem quem jogue com as pessoas. Eu me jogo, me atiro no que me apetece, mas, ao contrario do que muitos podem temer, eu não me frustro e vivo bons, excelentes, magníficos momentos depois que resolvi destemer a dor.
Aliás, acho que essa coisa de sofrimento tem correlação com os pensamentos da gente, tipo a tal da lei da atração: quem muito teme sofrer, se “prepara” pra muito, mas sofre por menos. Eu não tenho medo de desilusões amorosas, de decepcionar-me. Não invento expectativas, apenas vivo com intensidade.
Se for para ser feliz com alguém, serei, se não for, eu continuarei sendo, mas sem o tal do “alguém”. Amar não mata, desamar não mata. O que nos mata mesmo são nossos medos, nossos bloqueios, nossos receios vis. O que nos mata é o nosso desperdício de vida, de prazeres, de “ais”. Eu quero uma vida cheia de “ais” gostosos, de gemidos sem dor.
E se um dia a dor me abordar? Eu fujo. A vida não tem a obrigação de ser fácil com você ou de lhe dar só o que você dela espera, mas você tem a obrigação de, se quiser ter uma boa vida, fazer “bom uso” do que lhe ocorre, bem viver, bem amar e saber bem a hora em que a desistência é o seu maior ato de coragem.
Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 17 de julho de 2015. 

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