Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Minhas razões para não parir.


Minhas razões para não parir.

"Claudia você não tem coração! Que tipo de mulher não quer um bebê!?". Sei lá, eu! O estranho é que já fui apaixonada e até já pensei em engravidar quando jovem! Como a vida é sábia! Nenhuma paixão momentânea, irresponsabilidade juvenil e egoísmo justificaria uma responsabilidade eterna!
Eu quero uma vida cheia de gargalhadas incontidas, um casamento quente, gemidos altos, domingos de sono sem hora ou motivos para sair da cama! Eu quero risadas, sorrisos e mordidas, simplesmente porque hoje eu escolho!
E não, obrigada, se eu quiser alguém dependente de mim compro um cão ou mais alguns felinos fofos e super independentes com sua higiene (volto a dizer: cadê os gatos que limpam as suas caixinhas de areia? Falta pouco para serem perfeitos!). Assim, pelo menos eu salvaguardo minha liberdade sexual em casa com quem eu venha a chamar de “meu”. Licença, mas ao quesito “parir” eu pulo, muito obrigada!
As pessoas cercam as mulheres de mitos: se não tivermos longas melenas, não somos mulheres, se não tivermos filhos, não somos mulheres, se não casarmos, não somos mulheres, (somos vadias), se não nos preocuparmos com a aparência de forma (quase) insana, também não somos mulheres.
Na visão de muitos, as mulheres são objetos ao arbítrio dos anseios dos homens, de realiza-los na cama, satisfazer-lhes os fetiches, fingir orgasmos para não lhes ferir ao ego e dar-lhes um filho para justificar sua gana por trabalho e dinheiro: enfim, dar-lhes um herdeiro oficial para justificar seus esforços homéricos e constante preocupação com o montante de dinheiro e bens amealhados.
Vejo pessoas jovens apregoando a maternidade, pessoas jovens e mal educadas que não sabem, sequer educar os filhos que tem e sentem um enorme alivio quando alguém deles cuida para poderem transar insanamente com o namorado ou caçar um sujeito por aí. Quem não gosta de ter prazer, né?! Sei lá, talvez alguém, enfim.
“Quando você conhecer o homem da sua vida você vai querer dar um filho pra ele.” Hellllllllllllllllllllllllllllllllo?!!!! O que uma paixão tem a ver com meu útero e minha capacidade de parir? Há alguns anos eu achei que tinha encontrado o “homem da minha vida” e era só um cara sexy e mais velho do que eu com quem me envolvi (inclusive, porque eu tinha “20 e poucos” e não era balzaquiana). A minha, na época, “paixão da minha vida” teria sido um péssimo pai, pois nem dele mesmo ele cuidava com maturidade.
Hoje eu seria representante legal de um menor de idade e, quiçá, nem poderia ter me mudado do RS para o bem do meu filho que teria o direito de conviver com o sujeito que, sei lá, se seria responsável quando das tradicionais visitas.
Filhos cerceiam liberdade, cerceiam sono, cerceiam noites de sexo, tardes de sexo, jantares regados a vinho ou espumante, transas quentes em “alto volume”, tardes na cama ou na banheira, sexo sem hora pra acabar, gargalhadas numa noite, “overdose” de filmes, viagens inusitadas, noitadas com amigos.
Ah, mas sexo e diversão com o marido não é tudo numa relação! Baby, “nada é tudo”! Você acha que trocar fraldas, perder noites de sono, mudar sua rotina, amornar sua relação sexual, viver em prol de um pequeno ser que precisa de você pra comer, se limpar, caminhar e aprender é “tudo”? “Ah, mas ele vai cuidar da gente na velhice”?! Ah, vá, vá, vá! E os idosos nos asilos, meu bem!
Caramba, você já reparou como sexo tem se tornado um assunto vulgar? A maioria vem achando normal “ménage”, troca de casais, suruba e sei mais o que, mas ninguém coloca a cabeça para pensar o quanto uma criança amorna uma relação entre um casal e, consequentemente, a leva a tal ponto de tédio que qualquer “loucura orgiastica” vem a chamar a atenção do casalzinho de pais. Ah, isso porque “crias” são sagradas, transar com 3 ou 4 pessoas não é rompimento com a lealdade, a fidelidade ou nada que, deveria ser “sagrado” numa relação a dois.
A filhos você deve amar e dar o seu melhor. Sim, se você optou por tê-los você deve fazer de tudo para que eles tenham uma vida boas, imersa em amor, cultura, instrução e felicidade, ciente de que nada disso irá lhes obrigar a ser reciproco. Você é responsável pelo melhor que fará, pelos ensinamentos a serem passados, mas não tem, da vida, garantia alguma de reciprocidade.
Ame, simplesmente ame a seus filhos, mas não os tenha com o intuito de deles exigir algo. Ter filhos é um ato altruísta, não pode ser egoísta. “Egoísta é você que não quer ter filhos”, pensa você do alto de sua bestialidade. Eu já digo que egoísta é parir para não “morrer só”. Eu garantirei minha clinica, minha vida intensa e feliz, sem precisar trazer ao mundo quem sequer pediu para nascer com o intuito de escraviza-lo quando eu for a hipossuficiente da história.
Eu quero viver bem a minha vida com quem venha nela se inserir. Gastar meu dinheiro comigo, comprar viagens, roupas, cirurgias plásticas se necessário eu achar para me sentir sempre “atraente”, gostosa e de bem com a vida. Eu quero ter liberdade para viajar, para ir e vir aonde eu quiser sem ter que cercear a minha liberdade por alguém.
“Ah, mas este será o alguém mais importante da sua vida!”. Sim, mas eu não quero ter ninguém mais importante do que eu, minha felicidade, meus orgasmos, meu corpo e minha felicidade na minha vida. No máximo um parceiro para viver comigo bons momentos, o resto eu não preciso enquanto mulher.
Sou uma mulher plena, não preciso parir para me sentir mulher e, francamente, mas atualmente nem casar eu preciso, alguns gatos me fazem bem. Homem para ficar comigo tem que ser muito melhor do que “bom” na cama e fora dela, do contrário, eu sou autossuficiente e, ainda, me “banco”.
Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 15 de julho de 2015.  

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