Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sábado, 18 de abril de 2015

Olhos de Capitu.

Olhos de Capitu.

Em mais de 10 anos, uma conclusão: envelhecer é bom! A gente não chora mais pelo que não vale a pena, ignora o que deve ser ignorado, se entrega, mas não se derrete, se apaixona, mas nunca mais do que por nós mesmas, nos decepcionamos e voltamos ao “status quo” sem choro, sem lagrimas, sem “depre”.
A gente tem um olhar mais confiante e um sorriso certeiro, sorriso que só quem sabe o que quer e o que não quer tem! Ah, a maturidade! A gente não muda, a gente evoluiu. Porque uma coisa é ficar velha, outra é ficar mais madura.
Tem muita moça de 20 com espirito de 80 e muita mulher de 80 com espirito de 20. Da idade eu só quero a maturidade e a autoconfiança, o resto eu deixo para esse povo infeliz e mal resolvido que só sabe reparar na alegria de quem dança até amanhecer, bebe espontaneamente, come como se não existissem calorias e namora como se não existissem expectadores infelizes da sua vida.
Da idade eu só quero a intuição forte que me faz sentir quem merece minha companhia e quem merece um sorriso amarelo, o meu respeito e a minha aceitação a distancia, a muita distancia, afinal, a vida é muito curta para conviver com gente chata e recalcada.
Há 10 anos eu queria agradar, ser agradável, ser querida, ser admirada. Hoje em dia este não é o meu objetivo. Não malho feito louca para ter um corpão, não faço dieta e nem tomo 3 litros de água por dia. Hoje em dia eu não preciso agradar a ninguém, só a mim.
Quanto eu tinha 16 anos um professor de química do 2º grau disse que eu tinha “olhos de ressaca”, olhos de cigana obliqua e dissimulada. O olhar da Capitu do Machado de Assis. Confesso que me ofendi!
Hoje em dia não me ofendo e uma analise do olhar que eu tinha na época para o que tenho agora deixa nítido que tais características, o tradicional “olhar morteiro” só se acentuou. Junto com a minha força interior, junto com minhas certezas e duvidas, junto com meu aprendizado e maturidade.
Eu não olho, eu penetro no fundo da alma de quem me interessa. Seja uma câmera, seja uma pessoa. Não olho com medos, olho com certezas, não olho olhando, olho enxergando, não olho com medo, olho com coragem. Sim, a vida passa, os anos passam e a gente envelhece no “papel”, mas, se quisermos, a gente só melhor! Ah, meu amigo, só melhora!

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 18 de abril de 2015.




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