Resigne-se.
Pior do que não
querer ajudar alguém, é querer e não poder. Seja por impossibilidade
financeira, física ou, simplesmente, porque o outro, por sua vez, não lhe ouve.
Sentir-se impotente, maltrata, sobretudo quando a gente ama quem precisa de
nós.
Maltrata mais
ainda, quando essa necessidade alheia da nossa ajuda, surge eventualmente, surge
só quando a pessoa está quase se afogando sendo que, quando estava sã e salva, não
ouviu nossas ideias ditas com o intuito de evitar eventual naufrágio. Mas,
conselhos, né?! Se a pessoa precisa, ela pede. Se não pede, é desperdício de
saliva dar algum.
Independente do
orgulho ou da ignorância do outro, fato é que, querer estender a mão, mesmo que
consciente da ingratidão inerente a pessoas orgulhosas, e não poder, tem algo
de pesaroso, de triste.
Na verdade, ser
piedoso e ter compaixão, ainda que indicie virtude, acaba sendo uma forma,
honrosa, não nego, de sofrer mais nesta vida. Quando você, por amar alguém, não
tem o foco da sua alegria só em si mesmo, quando você quer o bem estar alheio e
não vê o outro bem, surge certa dor.
É o que passam
os pais, os irmãos, os amigos, os filhos, os cônjuges, vendo a dor de quem
amam. Neste ponto, posso dizer: sofre menos, quem ama menos. Mas, e que graça
tem a vida sem ter alguém para amar? E os prazeres, a companhia, o
companheirismo e as alegrias?
O fato é que
pessoas empáticas sofrem mais nesta vida. O colocar-se no lugar do outro, em
que pese virtuoso, acarreta ao ser humano mais alguns motivos para lastimar, se
preocupar e, até mesmo, sofrer.
A vida, porém,
requer humildade, requer uma incontestável dose salutar de resignação: o que não
podemos modificar, não pode modificar a nós. Ou seja, se, algo que lhe surge não
tem a solução colocada em suas mãos, não se estresse, não se entristeça. Se resigne
e siga adiante.
Suas lagrimas,
seu lamento e até mesmo essa infeliz e incomoda sensação de impotência não serão
capazes de resolver nada e, não devem afetar a sua paz de espirito. Conforme-se
e aceite que, o que está em suas mãos, pode ser modificado por você, o que não está,
não depende de seu agir. Não é da sua “alçada”. Contente-se, pois em ser um ser
humano de boa vontade. E resigne-se.
Cláudia de
Marchi
Sorriso/MT, 20
de fevereiro de 2015.
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