Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quinta-feira, 19 de março de 2015

A noite em que eu me tornei mulher? Sem sexo!

A noite em que eu me tornei mulher? Sem sexo!

Era 2008. Eu havia terminado com um namorado cuja relação, cheia de paixão, foi meio doente. Idas e vindas, “indas” e “vidas”. Eu queria do meu jeito, ele teimava. Eu era sensível, cheia de mim e ele era o meu avesso. Apaixonado, mas meio bruto. E eu delicada, doce, meiga. Enfim, “eu, eu”, “ele, ele”!
Terminei a relação. Ele ia atrás. Insano, incomodativo, chato, quase louco! Um belo dia, ciente de que eu tinha o poder, sabendo que ele devia viajar cedo no outro dia, resolvi ir jantar com ele! Comer meu prato predileto naquele momento: churrasco no “Panorâmico” em Passo Fundo/RS e convida-lo para sair depois. No meu bar rock favorito naquela época, afinal era sexta-feira!
Ele negou. Fomos jantar, me deixou em casa, “cravei” uma briga e sai sem culpa. Fui ao bar onde minhas amigas estavam. Muita coca zero, muito rock, encontrei o irmão da minha melhor amiga próximo ao banheiro. Sim, irmão da única melhor amiga que tive desde os 7 anos! Dei um oi, puxei assunto e resolvi ousar! Tipo, ser direta, “cantar”!
Então, ele me convidou para ir ao apartamento que ele tinha. Ou ficava eventualmente, nem me recordo. Neguei e resolvi agir! Não era resolvida a ponto de transar com quem não tinha intimidade. Nem queria nada disso naquele momento, no fundo gostava do “insano”. Leia-se, atualmente, ex-marido que insistiu tanto que me convenceu de seu amor e me fez amar tanto “quanto”.
Enfim, peguei meu carrinho, um gol cor de beterraba e passei em frente ao bar onde ele me esperava. Sendo que ele tinha um carrão, com ar condicionado e tal. E estava relativamente “fresquinha” a noite! Não me importei, eu comandava. Passássemos frio ou calor, eu comandava, o carro era meu e o cd tocando “Zizi Possi” também me pertencia!
Andei um pouco e estacionei num posto. Falamos um pouco da infância em que eu ia a casa deles como amiga da minha melhor amiga. Nos beijamos! Nos beijamos muito! Passada uma hora, deixei-o em frente ao bar para, voltar para a festa ou ir para casa (não sei, não trocamos telefone, nem compromisso, só saliva mesmo!).
E cheguei a minha casa feliz! Cheguei me sentindo mulher. Não precisei transar com o cara, não precisei nada demais, só me sentir no controle, dizer aonde eu iria, até onde eu iria, o que eu queria e o momento de findar aquilo. E essa foi minha noite inesquecível até há pouco!
Bobinha né?! Certo que tenho outras, mas essa, ora, ora! Essa é a noite em que eu me senti “dona da situação”, poderosa, no comando. Ele? Continua irmão da minha melhor amiga, bem sucedido, charmoso (usa barba!), e muito bem casado. Namorada bem resolvida e charmosa que nem deve saber de nossos beijinhos, dentro do meu “golzinho”, num dos postos da rua “Paissandu”!
Enfim, tudo muda, mas uma noite em que você descobre o quanto se ama e não ama ao outro pode ser mais valiosa do que muitos “eu amo você” falsos, superficiais e sem graça. Do que muitos “eu te desejo” e “você é maravilhosa” que ouvimos mundo a fora!
Uma noite em que sua excitação vira-se ao próprio umbigo pode ser muito mais deliciosa do que abdome sarado e tríceps desenvolvidos. Enfim, a noite em que eu me descobri mulher, eu não transei e, sequer fui tocada, foi a noite em que eu escolhi e eu determinei o que eu E não vou esquecer ela jamé!

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 20 de março de 2015.

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