Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

quinta-feira, 19 de março de 2015

Pessoas más “de bem”.


Pessoas más “de bem”.

Se confiar no perdão de Deus e na salvação faz com que as pessoas cometam atos estúpidos, maldosos e hediondos sem muito pensar, então eu queria um mundo de descrentes, mas cheio de pessoas que agem bem umas com as outras sem temer a uma entidade que, no fim das contas, lhes “salva”.
Lhes “salva” e eles podem viver livremente. Casam-se, tem filhos, afinal, estão perdoados, estão salvos, são “novos” seres. Sou uma pessoa que acha que somos o resultado do que fizemos, assim como somos o que outrora fizemos, sou uma pessoa que é a favor da culpa enlouquecedora, da depressão e da tristeza em quem fez algo do qual deva se arrepender. Acho que o inferno é padecer de arrependimento, acho que quem maltrata deve ser maltratado pela própria consciência (se tiver uma).  
Aquilo que corrói por dentro quem errou e, efetivamente, se arrepende. Esse povo que comete atrocidades e se sente perdoado, esquece a culpa, pois, se Deus os perdoou, eles estão abençoados. Não gosto disso. Confesso que isso me incomoda e até preocupa.
Acho que dignidade, bondade, ética e moralidade independem de fé, de doutrina religiosa. Pessoas boas não fazem aos outros o que não querem que elas lhes façam. Pessoas boas fazem coisas más sim, mas se arrependem delas, sofrem por elas, independente de sua “salvação” espiritual, que funciona quase como um salvo conduto para uma vida feliz e, quiçá, para reincidência em erros.
Você também é quem você foi, você também está no que você fez, inclusive no mal. Não concebo uma pessoa conseguir dormir a noite, só porque Deus os salvou. Se isso é valido para que muitos não errem novamente? É possível. Tem gente que só funciona e age bem quando obrigado por alguma religião. E essas não são pessoas boas, meu caro, são marionetes.
Quem é bom não precisa sequer ir à missa para agir bem, não precisa ler a bíblia, não precisa ter horror a sexo, álcool e afins, porque, quer saber? O que você bebe, o quanto bebê, o quanto come, o quanto transa não define seu caráter, sua moralidade, sua decência, sua alma.
As risadas que você dá, os beijos que você dá, a cerveja que você bebe, o sexo que você faz não definem seu coração, sua bondade, sua pureza. O quanto você julga mal, o quanto você vê maldade e faz maldades, sim. A maldade está na mente, não na diversão e no prazer humano.
Falar mal dos outros pelas costas, criticar a conduta alheia, ser falso, ser mentiroso, “intriguento”, invejoso, olhar com desdém para o humilde, achar-se superior aos outros, mais justo, mais sábio, mais digno, ser orgulhoso e, enfim, cometer delitos, mas ir orar toda semana não faz de você um ser humano melhor. Pelo contrário, lhe faz hipócrita, errante e pior do que aquele para quem você aponta seu dedo.
Quem é bom não está nem aí na vida do outro, só quando for para ajudar, engrandecer, auxiliar. Quem é bom pensa antes de julgar, de criticar e de menosprezar quem nele confia, quem é bom, pode errar, mas não é orgulhoso, arrogante ou mentiroso. Quem é bom se arrepende, pede perdão a quem feriu e, às vezes, nem consegue se perdoar.
Quem é bom, neste momento estará sentindo arrependimento por ter feito alguém sofrer, por ter causado intriga, por ter magoado alguém ou feito coisa pior, quem não é, estará pedindo perdão a Deus, sem fazer mea culpa algum, virando para o lado e pegando no sono. Pessoas boas exigem o bem de si mesmas antes de exigir dos outros. E se indagam. Cobram-se. Questionam-se e tentam, a cada dia, agir de forma mais justa.

Cláudia de Marchi

Sorriso/MT, 19 de março de 2015.

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