Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

segunda-feira, 23 de março de 2015

Muito amor ou muito medo do novo?

Muito amor ou muito medo do novo?

Eu namorei, deixei, me amasiei, deixei, casei, divorciei e me amasiei de novo. Sim, tive um casamento “movimentado”, de morno não tinha nada, era “animadíssimo”! Certa vez, entre o divorcio e a volta em forma de união estável, um amigo me falou que, na verdade, um casal precisa de mais de dois anos de divorcio e afastamento para “terminar” de vez.
Cortar os laços afetivos, afinal, os jurídicos, no caso especifico, costumam ser mais singelos. Acho até que procede, porque do final de 2010 (fim da união estável pós-divorcio) a meados de 2012 eu ainda dialogava mais amigável e calorosamente com o ex-marido.
Eu não queria voltar, não queria ele de volta, nem a vida que eu tinha, mas também tinha carinho e certa pena de mandar se ferrar de vez. Sempre existem bons e maus momentos na nossa memoria e é a nossa carência que dita quais vão prevalecer na lembrança e em qual momento.
Passou o tempo, passou tudo, inclusive aquele imã comodista que desperta o caranguejo tosco que existe em nós. Pois, hoje em dia, quando eu ouço noticias de casais que se separam, vivem solteiros um tempo e reatam, eu penso em duas possibilidades: ou é muito amor ou é muita inabilidade para viver só, era muita expectativa de perfeição nos outros que acabou frustrada, então, volta-se ao certo, por medo do duvidoso que é, igualmente, imperfeito, porém desconhecido.
Fato é que a gente conhece pessoas e constata o seguinte: umas têm virtudes que o ex não tinha, outras têm defeitos que ele não tinha e, nessa hora, os acovardados se amedrontam e voltam os olhos e o coração de ontem eles já tinham saído.
Fundamental, porém, para ser feliz é viver, saber viver e, principalmente, descobrir-se, afinal, de imediato, a volta é como uma “nova relação”: é quente, apaixonada, a pessoa age diferente, cuida, o tesão sobe lá em cima. Passam-se meses e aquele que você deixou vai se mostrar...Aquele que você deixou!
Às vezes é necessário insistir, investir, reatar, para, pura e simplesmente, constatar que “jamé”, que não dá, que você merece algo mais afim com você, algo melhor para a sua vida. Conhecendo mais pessoas você descobre o que está disposto a tolerar e o que não aceita.
Todavia, seguir a vida só é benesse de quem se ama acima de tudo, de quem não precisa de alguém, mas deseja alguém só quando sente paixão por ele, quando a companhia enternece, dá prazer e diverte.
Cada caso é um caso, mas quem olha com certa experiência, vê com mais desconfiança o que os outros acham romântico. Nove em dez vezes é comodismo, medo da solidão ou excesso de expectativa na mudança que faz com que o “bom ex à casa torne”.
Estar casado não é amar. Amor é aquilo que você sente quando não tem medo da solidão e nem excitação. Amor é aquilo que você sente quando pensa em alguém e sorri. Amor não é o que a saudade desperta ou desvela, na verdade, saudade é o que o amor deseja evitar.
Quem ama, ama no cotidiano, na rotina, no dia a dia, o resto é diversão, são bons momentos, é paixão, é tesão, é carência. Amor é o que a gente sente quando o cérebro admira, quando o corpo deseja e quando a gente suspira e não quer ficar longe. O resto é ilusão, confusão mental, carência, enfim, doideira mesmo.

Cláudia de Marchi
Sorriso/MT, 23 de março de 2015. 

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